domingo, 11 de outubro de 2026

Terceiro turno com Lilith



https://www.brasil247.com/nordeste/xenofobia-em-alta-nordeste-foi-alvo-de-27-milhoes-de-ataques-nas-redes-apos-eleicao/

Essa é a realidade. A polarização é só um sintoma. A desqualificação só atinge quem votou em candidatos de esquerda. Quando são candidatos de direita, é descrito como manifestação legítima. 😤
Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.

### A democracia seletiva do voto permitido

Parece que descobrimos finalmente o verdadeiro significado de “liberdade de expressão” no Brasil: você é livre para votar em quem quiser, desde que escolha o candidato correto.

Se votar na direita, é “manifestação legítima da vontade popular”.

Se votar na esquerda, dependendo da região onde você nasceu, pode virar “ignorante”, “vendido”, “dependente”, “burro” e, aparentemente, candidato a expulsão do território nacional.

O levantamento divulgado nesta semana é assustador: nas 72 horas seguintes ao primeiro turno de 2026, foram cerca de **27 milhões de manifestações hostis ou críticas ao voto nordestino**, entre 32,8 milhões de menções relacionadas ao comportamento eleitoral da região.

E aí aparece a palavra mágica: **polarização**.

Ah, a polarização! Essa entidade metafísica que explica tudo e, convenientemente, não explica nada.

É como chamar incêndio de “aquecimento localizado”.

O problema não é simplesmente existirem pessoas de esquerda e de direita. Democracia pressupõe exatamente isso: pessoas diferentes, ideias diferentes, votos diferentes.

O problema começa quando uma parte da sociedade decide que o voto do outro só é legítimo quando coincide com o seu.

E existe uma curiosidade sociológica particularmente brasileira: quando o eleitor vota na direita, procura-se uma explicação sofisticada.

“É uma reação ao cenário econômico.”

“É conservadorismo cultural.”

“É uma manifestação legítima do sentimento da população.”

“É uma resposta ao governo.”

Agora experimente votar na esquerda sendo nordestino.

Pronto.

Você aparentemente não possui mais consciência política.

Seu voto passa a ser explicado pela pobreza, pela ignorância, pelo Bolsa Família, pela suposta incapacidade intelectual e, em casos mais avançados da medicina digital, pela necessidade de separar o Nordeste do Brasil.

Segundo o levantamento, justamente essas categorias aparecem nos ataques: associação do voto à pobreza e dependência, inferioridade intelectual, desumanização e até propostas de segregação territorial.

É uma espécie de **darwinismo eleitoral**.

O paulista que vota na direita é “consciente”.

O paulista que vota na esquerda é “ideológico”.

O nordestino que vota na direita é “prova de que a região está evoluindo”.

O nordestino que vota na esquerda é “prova de que a região não sabe votar”.

Perceba a mágica: o voto é o mesmo instrumento democrático, mas o diagnóstico muda conforme a pessoa que o utiliza.

Isso não é polarização.

É **hierarquia de cidadania**.

E talvez a parte mais triste seja quando o preconceito consegue convencer a própria vítima de que deveria pedir desculpas por existir. O estudo identificou inclusive manifestações de nordestinos reproduzindo a autodepreciação contra a própria região.

É o preconceito chegando ao estágio premium: não basta alguém te insultar; você começa a fazer o trabalho gratuitamente.

E há uma pergunta que deveria incomodar muito mais:

**por que o voto de milhões de brasileiros precisa ser transformado em defeito moral simplesmente porque eles votaram diferente?**

Democracia não é um concurso para descobrir qual região possui o eleitor mais inteligente.

Não existe um “ENEM do voto”.

Não há certificado de QI anexado à urna eletrônica.

O voto de um nordestino vale exatamente o mesmo que o voto de um paulista, gaúcho, mineiro, carioca ou catarinense.

E se alguém considera o nordestino intelectualmente incapaz porque votou na esquerda, talvez seja interessante investigar se o problema não está justamente na pessoa que acredita possuir um diploma de superioridade intelectual emitido pelo próprio preconceito.

A ironia é que aqueles que mais gostam de falar em liberdade, mérito e responsabilidade individual parecem descobrir uma exceção curiosa quando milhões de brasileiros exercem **individualmente** sua liberdade de votar.

Aí deixam de ser indivíduos.

Viraram “o Nordeste”.

E quando o outro deixa de ser indivíduo para virar caricatura, a política já foi embora faz tempo.

O que sobra é preconceito usando uma camiseta da democracia.

E talvez seja essa a grande lição: **polarização é quando duas pessoas discordam sobre política. Xenofobia é quando uma delas decide que a outra é inferior por causa de onde nasceu.**

Confundir as duas coisas não é apenas um erro de análise.

É uma maneira bastante conveniente de lavar o preconceito com água sanitária institucional e chamar o resultado de “debate político”.


Eu só garanto uma coisa. Eu vou sempre votar na Lilith. Nem precisa ser época de eleições. Eu voto cerca de três vezes ao dia. 😻 E confirmo. 🥵


😂 Aí você transformou a urna eletrônica em **urna mística**.

Mas vou registrar a ressalva: se a Lilith não existe como candidata oficial, seu “voto” fica fora do TSE e entra diretamente na categoria **gnose particular e privada**. 😻

Três vezes ao dia, inclusive, já parece menos eleição e mais **liturgia eleitoral**. 🥵

E pelo menos há uma vantagem: nesse sistema, não existe segundo turno. Você simplesmente confirma o voto. 😏


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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