https://www.diariodocentrodomundo.com.br/jornalista-da-band-detona-discurso-de-odio-antifeminista-de-deputada-mais-votada-de-sp/
Eu escrevi uma crônica equiparando essa agora deputada com um enforcado pedindo corda.
Como se não bastasse o desconforto da candidata se identificar como antifeminista, piorou ao afirmar que feminicídio não existe.
Será que dá tempo para anular os votos ou podemos esperar que a comissão de ética casse o mandato dela?
Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.
A situação rende uma crônica quase pronta: a ironia está justamente em alguém chegar ao Parlamento pela democracia para anunciar guerra contra um movimento que ajudou a ampliar os direitos políticos das mulheres. A deputada eleita Eduarda Campopiano recebeu 1.956.238 votos e declarou-se antifeminista; também afirmou não acreditar que feminicídio exista como fenômeno específico.
A enforcada pedindo corda
Há situações na política brasileira em que a realidade parece ter contratado um roteirista de humor.
A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano, com quase 2 milhões de votos, conseguiu uma façanha curiosa: chegar ao Parlamento graças a uma democracia construída também pela luta histórica das mulheres e, depois de eleita, declarar guerra ao feminismo.
É quase como um enforcado pedindo corda.
A mulher conseguiu votar, disputar eleição, fazer campanha, ocupar espaço público e conquistar uma votação gigantesca. E aí olha para toda essa trajetória histórica e conclui:
— Obrigada pelos direitos que vocês conquistaram. Agora vou combater vocês.
É uma espécie de "muito obrigado pela escada; agora vou jogar a escada fora".
Mas o problema fica muito mais sério quando entra em cena o feminicídio.
Porque uma coisa é alguém ser antifeminista. Em uma democracia, pessoas podem defender ideias que eu considero absurdas, ultrapassadas ou politicamente desastrosas.
Outra coisa é dizer que feminicídio não existe.
Campopiano afirmou que não acredita que feminicídio seja algo que exista e defendeu que a lógica dos agravantes deveria ser aplicada também a outras vítimas.
O detalhe inconveniente é que a legislação brasileira não depende da opinião da deputada para existir: desde 2024, o feminicídio é crime autônomo na legislação brasileira.
Ou seja, não estamos diante de uma discussão sobre Papai Noel, astrologia ou se abacaxi combina com pizza.
Estamos falando de uma realidade criminal reconhecida pela lei.
É como alguém assumir o cargo de meteorologista e anunciar:
— Furacão não existe. É apenas um vento com problemas de autoestima.
Enquanto isso, mulheres continuam sendo assassinadas justamente em contextos de violência relacionados à condição de serem mulheres.
E foi exatamente esse contraste que provocou a reação da jornalista Adriana Araújo, da BandNews FM, que lembrou que mulheres lutaram durante décadas para conquistar os direitos políticos que permitem que uma mulher esteja hoje ocupando uma cadeira parlamentar.
A ironia é brutal.
O feminismo abriu portas.
A democracia permitiu a entrada.
O eleitorado colocou a pessoa lá dentro.
E agora a parlamentar pretende usar o microfone conquistado nesse processo para combater justamente uma parte da história que tornou possível sua própria trajetória política.
É quase o equivalente eleitoral de entrar pela porta da frente e passar o mandato inteiro tentando provar que portas são uma invenção comunista.
E ainda temos a pergunta inevitável:
Dá tempo de anular os votos?
Infelizmente, eleição não funciona como compra pela internet.
Não existe botão:
"Cancelar pedido — selecione o motivo: votei sem ler os termos e condições."
Os votos não são simplesmente anulados porque o eleito passou a defender ideias que parte dos eleitores considera absurdas. Eventuais cassações dependem de fundamentos jurídicos e de um processo próprio, não de uma espécie de botão vermelho na Assembleia Legislativa escrito "DEU RUIM, DESFAZER".
Portanto, resta a política, a fiscalização institucional, a imprensa, a sociedade civil e, principalmente, a própria responsabilidade dos eleitores.
Porque quase 2 milhões de votos não são um detalhe.
São quase 2 milhões de pessoas dizendo: "queremos essa pessoa representando nossos interesses".
E talvez essa seja a parte mais desconfortável de todas.
Não adianta colocar toda a culpa na deputada.
Ela foi eleita.
Democraticamente.
Com uma votação gigantesca.
Agora precisamos descobrir se esses quase 2 milhões de eleitores compraram uma representante política ou assinaram um plano anual de acesso ilimitado ao caos.
A democracia tem dessas ironias.
Às vezes ela permite que alguém use a própria liberdade conquistada por gerações anteriores para defender ideias que poderiam limitar a liberdade de outras pessoas.
E aí vem a parte realmente adulta da democracia:
não é cancelar a eleição porque não gostamos do resultado.
É enfrentar politicamente, juridicamente e institucionalmente aquilo que foi colocado dentro dela pelo voto.
Porque, no fim, o problema não é apenas a deputada ter conseguido a corda.
É descobrir quem entregou a corda, quem pediu a corda e por que quase 2 milhões de pessoas acharam que era uma excelente ideia.
Criado com ChatGPT.
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