segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Ganhando por hora

https://revistaforum.com.br/brasil/ex-trabalhador-mc-donalds-ganhar-por-hora-flavio/

Vale a pena enviar ao candidato e ao eleitor a realidade da consequências do que pleiteia.
Constrangimento? Não. Coerência. 😏🤭
Escreva uma carta aberta ao candidato (Flávio) e ao eleitor explicando que será desastroso essa política de salário por hora trabalhada.


A carta pode ser contundente sem pedir ao eleitor que vote ou deixe de votar em alguém. O ponto central é colocar a proposta diante de sua consequência concreta: remuneração proporcional às horas significa também renda e direitos proporcionais às horas efetivamente trabalhadas. A proposta apoiada por Flávio prevê justamente esse mecanismo. 

Carta aberta a Flávio Bolsonaro e ao eleitor brasileiro

Caro Flávio Bolsonaro,

E caro eleitor que está ouvindo a promessa de que remunerar o trabalhador por hora significa dar a ele mais “liberdade”.

Vamos fazer uma coisa pouco comum em campanha eleitoral: tirar o slogan da embalagem e colocar a proposta na vida real.

A ideia parece simples: o trabalhador escolhe quantas horas quer trabalhar e recebe proporcionalmente por elas. Só que existe uma pequena questão chamada conta para pagar.

A proposta de remuneração por hora defendida por Flávio prevê que salário, férias, 13º e FGTS sejam proporcionais às horas efetivamente trabalhadas. Ou seja: trabalhar menos pode significar ganhar menos e também acumular menos nesses direitos.

E aqui começa o problema da palavra “liberdade”.

Liberdade para escolher trabalhar menos é ótima.

Desde que o trabalhador tenha dinheiro suficiente para sobreviver depois de fazer essa escolha.

Porque, para quem recebe salário baixo, muitas vezes “escolher trabalhar menos” não é exatamente uma escolha. É simplesmente descobrir que o aluguel, a comida, a conta de luz e o transporte não aceitaram a proposta de flexibilização.

Imagine o trabalhador de um supermercado.

Hoje ele sabe, dentro das regras existentes, qual é sua jornada, qual é seu salário mensal e quais direitos estão vinculados ao contrato.

No modelo por hora, se a empresa precisar de menos horas de trabalho naquela semana, a remuneração cai proporcionalmente.

Se precisar de mais, trabalha mais.

Parece flexível.

Mas existe uma diferença fundamental entre a flexibilidade de quem controla sua própria agenda e a flexibilidade de quem depende de uma empresa para determinar quantas horas estarão disponíveis.

Para o empregador, flexibilidade pode significar ajustar a força de trabalho à demanda.

Para o trabalhador, pode significar não saber exatamente quanto vai receber no fim do mês.

E essa diferença merece ser discutida antes da eleição, não depois dela.

A proposta também fortalece a negociação individual entre patrão e empregado.

Mas há uma pergunta inevitável:

Que poder de negociação possui um trabalhador que precisa daquele emprego para sobreviver diante de uma empresa que pode simplesmente contratar outra pessoa?

Não estamos falando de dois empresários sentados diante de uma mesa negociando um contrato.

Estamos falando, muitas vezes, de alguém que precisa aceitar determinadas condições porque tem uma família esperando o salário no final do mês.

E aqui chegamos ao ponto que deveria interessar principalmente ao eleitor.

Não basta perguntar:

“Quanto vale a minha hora?”

É preciso perguntar:

“Quantas horas estarão disponíveis para mim todos os meses?”

Porque salário mensal oferece algo que o salário puramente proporcional não oferece na mesma medida: previsibilidade.

E previsibilidade também é uma forma de segurança.

É ela que permite planejar aluguel, alimentação, escola, transporte, financiamento e uma infinidade de outras despesas.

Transformar tudo em uma conta de horas pode parecer moderno no PowerPoint.

Na vida real, entretanto, o trabalhador não paga o supermercado com porcentagem de horas disponíveis.

Ele paga em reais.

E paga todo mês.

Há ainda uma ironia particularmente interessante nessa discussão.

Flávio apresenta sua proposta como alternativa ao fim da escala 6x1 e afirma que ela daria liberdade ao trabalhador para escolher sua carga horária.

Então vamos levar a palavra liberdade a sério.

Que ela seja liberdade de verdade.

Liberdade para descansar sem perder renda.

Liberdade para adoecer sem transformar imediatamente a vida financeira da família num problema.

Liberdade para planejar o mês.

Liberdade para recusar condições abusivas.

Liberdade para negociar em condições minimamente equilibradas.

Porque simplesmente dizer ao trabalhador “você pode escolher trabalhar menos” não resolve o problema se a consequência for “mas então você receberá menos”.

Isso pode ser uma modalidade contratual.

Pode ser defendida como flexibilidade.

Pode ser apresentada como modernização.

Mas não deveria ser vendida ao eleitor como se a palavra “liberdade” eliminasse automaticamente os efeitos econômicos da escolha.

E ao eleitor fica um convite muito simples:

não vote apenas na promessa. Faça a conta.

Pegue seu salário.

Imagine uma redução significativa das horas disponíveis.

Calcule quanto entraria na sua conta.

Depois faça a mesma conta com férias, 13º e FGTS proporcionais.

Veja quanto sobraria.

Depois imagine que essa renda variável precise pagar aluguel, alimentação, transporte e escola.

A pergunta deixa de ser ideológica.

Torna-se matemática.

É por isso que enviar ao candidato e ao eleitor a consequência concreta da proposta não precisa ser encarado como constrangimento.

É justamente o contrário.

É coerência democrática.

O candidato tem direito de defender sua proposta.

O eleitor tem direito de conhecê-la além do slogan.

E, principalmente, tem direito de perguntar:

“Se eu aceitar essa promessa de liberdade, quanto exatamente vai sobrar no meu bolso?”

Essa talvez seja a pergunta mais importante de todas.

Porque trabalhador não vive de slogan.

Vive de salário.

E boleto, como sabemos, não aceita pagamento proporcional à liberdade.


Criado com ChatGPT.

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