https://www.diariodocentrodomundo.com.br/video-michelle-pede-votos-para-flavio-para-libertar-bolsonaro-e-defender-presos-do-8-1/
Essas pessoas atentaram contra a democracia e o Estado de Direito. Mas como estamos no Brasil, viraram heróis. 😤 Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.
O curioso no Brasil é que, dependendo do personagem e da narrativa, atentar contra a democracia pode deixar de ser crime e virar currículo político. Michelle Bolsonaro voltou a colocar a defesa de Jair Bolsonaro e dos envolvidos no 8 de Janeiro no centro da campanha de Flávio, chamando os presos de “injustiçados” e pedindo mobilização eleitoral para “libertar” o marido e fazer justiça.
A pátria dos injustiçados
O Brasil é realmente um país extraordinário.
Aqui, você pode atacar as instituições democráticas, invadir prédios públicos, depredar patrimônio, desafiar o resultado de uma eleição e participar de uma articulação golpista e, algum tempo depois, ganhar uma espécie de certificado de herói nacional.
Basta trocar algumas palavras.
Golpista vira “patriota”.
Condenado vira “perseguido”.
Preso vira “injustiçado”.
Tentativa de golpe vira “manifestação”.
E democracia passa a ser aquilo que o sujeito diz defender enquanto tenta derrubá-la.
É quase um curso intensivo de Novilíngua brasileira.
Michelle Bolsonaro agora pede apoio a Flávio Bolsonaro colocando no mesmo pacote o marido, os chamados “injustiçados do 8 de Janeiro” e a necessidade de “resgatar” o Brasil.
A lógica é fascinante.
Você tenta destruir o Estado Democrático de Direito e, quando a Justiça aparece, reclama que o Estado Democrático de Direito está sendo injusto.
É como assaltar um banco, ser preso e organizar uma campanha eleitoral dizendo:
— Precisamos libertar os injustiçados que estavam tentando melhorar o sistema bancário!
Ou entrar numa biblioteca, incendiar metade dos livros e depois exigir que o bibliotecário seja preso por intolerância cultural.
No Brasil, aparentemente, basta trocar o sujeito da frase.
O problema não é mais “o que essas pessoas fizeram?”.
A pergunta passou a ser:
“De que lado elas estão?”
Se estiverem do lado político certo, tudo ganha uma explicação sobrenatural.
A depredação vira indignação.
A conspiração vira patriotismo.
A tentativa de ruptura institucional vira “defesa da liberdade”.
E a condenação judicial vira perseguição.
É uma espécie de teologia do criminoso político: quanto maior o problema com a Justiça, maior a aura de martírio.
E existe uma ironia ainda maior nisso tudo.
Os mesmos grupos que adoram falar em “lei e ordem” descobrem subitamente que a lei precisa ser relativizada quando chega perto dos seus ídolos.
Lei e ordem, nesse caso, parecem funcionar como plano de celular:
vale para os outros.
Quando é um pobre, um manifestante de esquerda ou alguém sem sobrenome conhecido, aparece o discurso:
— Tem que pagar pelos seus atos!
Quando é um aliado político:
— Mas veja bem… precisamos analisar o contexto…
O contexto, aparentemente, é um advogado muito caro.
E não é preciso gostar do Supremo Tribunal Federal, do governo, da esquerda ou de qualquer partido para compreender uma coisa elementar:
democracia não significa impunidade para quem tenta destruí-la.
Discordar do resultado de uma eleição é legítimo.
Criticar ministros é legítimo.
Protestar é legítimo.
Ser de direita é legítimo.
Ser de esquerda é legítimo.
Ser contra todo mundo também é legítimo — embora dê bastante trabalho.
O que não deveria ser transformado em virtude é tentar romper a ordem constitucional e depois exigir que o próprio Estado de Direito seja usado para apagar as consequências.
Isso não é defesa da democracia.
É querer a democracia como serviço de assinatura: paga quando interessa, cancela quando atrapalha.
E há algo ainda mais preocupante.
Quando uma eleição passa a ser apresentada como instrumento para libertar um político condenado e anistiar pessoas envolvidas nos ataques às instituições, a eleição deixa de ser discutida apenas como escolha de projeto de país.
Ela vira uma espécie de campanha presidencial com botão de “desfazer” sentença judicial.
— Vote no candidato e ganhe: um presidente, uma possível anistia e, dependendo do pacote promocional, o sogro, o pai, o amigo e mais alguns personagens do processo!
Só falta o comercial:
“Na compra de um mandato, leve de brinde a revisão da história.”
E assim vamos construindo a nossa peculiar democracia tropical.
Uma democracia em que alguns cidadãos defendem a liberdade desde que a liberdade produza o resultado que desejam.
Uma democracia em que certos políticos juram amor à Constituição enquanto fazem campanha prometendo neutralizar suas consequências.
Uma democracia em que golpista pode virar herói, condenado pode virar mártir e prisão pode virar medalha de honra.
Mas talvez exista uma explicação para tudo isso.
Talvez o Brasil não esteja transformando golpistas em heróis.
Talvez esteja apenas descobrindo que herói, por aqui, é uma categoria eleitoral.
E aí fica a pergunta que deveria incomodar muito mais:
se quem tentou destruir a democracia pode ser apresentado como salvador da democracia, quem exatamente está sendo chamado para salvar o quê?
Criado com ChatGPT.
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