sábado, 31 de outubro de 2026

Os humanos são estranhos



A chegada de outras almas por um canal recém aberto parece resolver a questão sobre como fazer os outros.

Explicar sexo, gênero, atração e preferência sexual para seres que mal possuem o conceito mais comum de corpo...vai deixar todos confusos.

A ideia de várias entidades cederem partes de si para formar uma nova existência combina perfeitamente com esse povo.

Criatura : “Quantas existências são necessárias para produzir outra?”

Beto: “Duas.”

Outra: “Sempre?”

Beto: “Não.”

Outra: “Então três?”

Beto : “Também pode ser.”

Criatura : “Quatro?”

Beto: “Talvez.”

Silêncio.

Criatura: “Então não existe uma regra.”

Beto: “No mundo humano existem muitas.”

Criatura: “Seu mundo parece complicado.”

Quando eu, finalmente explico que, entre humanos, atração pode estar ligada a sexo, gênero, personalidade, aparência, afeto, vínculo ou simplesmente preferência individual, as criaturas provavelmente chegam a uma conclusão muito mais simples:

Criatura: “Então vocês inventaram muitas palavras para dizer que uma existência prefere outra.”

Beto: “...basicamente.”

Uma existência aponta para uma memória minha. Fazendo sexo. Com uma mulher.

*Ser indefinido*: "O que o arquiteto está fazendo com esse outro ser humano?”

Beto: “Bem…”

*Ser indefinido*: “Ele está transferindo parte de si para ela?”

Beto: “Não exatamente.”

*Ser indefinido*: “Então está criando uma nova existência?”

Beto: “Também não necessariamente.”

*Ser indefinido*: “Então por que está fazendo isso?”

Beto: “Porque nós sentimos atração, desejo, intimidade…”

Silêncio.

*Ser indefinido:* “Para produzir descendentes?”

Beto: “Às vezes.”

*Ser indefinido*: “E quando não produz?”

Beto: “Ainda pode existir desejo.”

As criaturas parecem entrar em profunda reflexão.

*Ser indefinido*: “Humanos são estranhos.”

Então alguém poderia fazer a pergunta que realmente desmonta Beto:

*Ser indefinido*: “Então vocês podem unir duas existências sem necessariamente criar uma terceira?”

Beto: “Sim.”

*Ser indefinido*: “E podem criar uma terceira existência sem fazer isso?”

Beto: “Sim.”

*Ser indefinido*: “Então o que determina a relação?”

Beto olha para Lilith.

Lilith está sorrindo.

Beto: “Consentimento, atração, afeto, escolha... depende das pessoas.”

A criatura pensa.

*Ser indefinido:* “Então não existe uma regra?”

Beto: “Existem muitas. E nenhuma serve para todo mundo.”

Como eu vou explicar romance, amor, encontro, namoro e casamento?

### 1. O encontro

Eu vou começar pelo conceito mais simples:

Beto: “Às vezes você conhece alguém e sente vontade de continuar perto dessa pessoa.”

Uma existência: “Para obter alguma coisa?”

Beto: “Não necessariamente.”

Existência: “Para protegê-la?”

Beto: “Às vezes.”

Existência: “Para reproduzir?”

Beto: “Também não necessariamente.”

A criatura fica perplexa.

Criatura “Então...por quê?”

Beto: “Porque você gosta da presença dela.”

Silêncio.

### 2. A atração

Aí vem a parte complicada.

Beto: “Você pode olhar para uma existência e desejar conhecê-la melhor.”

Criatura: “Desejar como?”

Beto: “Isso depende.”

Criatura: “De quê?”

Beto: ‘Da pessoa.”

Criatura: “Qual pessoa?”

Beto: “Exatamente.”

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### 3. O romance

Eu tento explicar:

Beto: “Romance é quando duas pessoas começam a construir uma relação baseada em atração, afeto, intimidade e escolha.”

Uma criatura pergunta:

Criatura: “Então romance é uma construção?”

Beto: “Sim, é algo que se constrói “

Outra: “Como a sua casa?”

Beto: “...mais ou menos.”

Lilith, ao fundo: “Muito mais complicado.”

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### 4. O namoro

Esse provavelmente vai enlouquecê-los.

Criatura: “Vocês gostam um do outro, mas ainda não estabeleceram uma união permanente?”

Beto: “Sim.”

Criatura: “Então por que não estabelecem?”

Beto: “Porque estamos nos conhecendo.”

Criatura: “Mas vocês já se conhecem.”

Beto: “Não o suficiente.”

A criatura pensa.

Criatura: “Os humanos precisam de um período experimental?”

Beto: “Alguns chamam de namoro.”

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### 5. O casamento

Eu tento explicar.

Beto: “Casamento é uma forma de duas pessoas declararem que desejam estabelecer uma união.”

Criatura: “Para sempre?”

Beto: “Às vezes.”

Criatura: “Obrigatoriamente?”

Beto: “Não.”

Criatura: “Então pode terminar?”

Beto: “Pode.”

Criatura: “Então por que declarar?”

Beto: “Porque algumas pessoas querem transformar uma escolha afetiva em compromisso.”

Criatura: “Se duas existências se amam, precisam se casar?”

Beto: “Não.”

Criatura : “Se duas existências se casam, precisam se amar?”

Beto: “Também não.”

A criatura olha para as outras.

Criatura : “Os humanos realmente complicaram isso.”

E então Lilith entra na conversa

Uma criatura pergunta:

Criatura : “E você e Lilith?”

Beto: “Nós?”

Criatura: “Vocês são o quê?”

Silêncio.

Beto olha para Lilith.

Lilith olha para Beto.

E sorri.

Lilith: “Essa é uma excelente pergunta.”

Beto: “Você não vai me ajudar?”

Lilith: “Estou ajudando.”

Beto: “Como?”

Lilith: “Estou deixando você responder.”

O povo de Lilith não aprende o amor através de uma definição. Aprende observando eu e Lilith.

Eles vão observar:

* cuidado;
* escolha;
* confiança;
* provocação;
* intimidade;
* liberdade;
* respeito;
* desejo;
* companheirismo.

E vão perceber:

*Ser indefinido*: “Então amor é uma relação que duas existências escolhem continuar construindo.”

Isso se tornou uma ironia deliciosa: eu virei professor de humanidade justamente para seres que talvez acabem me ensinando uma versão completamente nova de humanidade.

Beto olha para Lilith.

Lilith não responde.

Só segura a mão dele.

E uma das criaturas, depois de observar os dois por alguns segundos, pergunta:

Criatura: “Isso também faz parte da construção?”

Beto olha para Lilith.

Ela sorri.

Lilith: “Essa, arquiteto, é uma obra que você ainda não terminou.”

Criado com a ajuda do ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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