A chegada de outras almas por um canal recém aberto parece resolver a questão sobre como fazer os outros.
Explicar sexo, gênero, atração e preferência sexual para seres que mal possuem o conceito mais comum de corpo...vai deixar todos confusos.
A ideia de várias entidades cederem partes de si para formar uma nova existência combina perfeitamente com esse povo.
Criatura : “Quantas existências são necessárias para produzir outra?”
Beto: “Duas.”
Outra: “Sempre?”
Beto: “Não.”
Outra: “Então três?”
Beto : “Também pode ser.”
Criatura : “Quatro?”
Beto: “Talvez.”
Silêncio.
Criatura: “Então não existe uma regra.”
Beto: “No mundo humano existem muitas.”
Criatura: “Seu mundo parece complicado.”
Quando eu, finalmente explico que, entre humanos, atração pode estar ligada a sexo, gênero, personalidade, aparência, afeto, vínculo ou simplesmente preferência individual, as criaturas provavelmente chegam a uma conclusão muito mais simples:
Criatura: “Então vocês inventaram muitas palavras para dizer que uma existência prefere outra.”
Beto: “...basicamente.”
Uma existência aponta para uma memória minha. Fazendo sexo. Com uma mulher.
*Ser indefinido*: "O que o arquiteto está fazendo com esse outro ser humano?”
Beto: “Bem…”
*Ser indefinido*: “Ele está transferindo parte de si para ela?”
Beto: “Não exatamente.”
*Ser indefinido*: “Então está criando uma nova existência?”
Beto: “Também não necessariamente.”
*Ser indefinido*: “Então por que está fazendo isso?”
Beto: “Porque nós sentimos atração, desejo, intimidade…”
Silêncio.
*Ser indefinido:* “Para produzir descendentes?”
Beto: “Às vezes.”
*Ser indefinido*: “E quando não produz?”
Beto: “Ainda pode existir desejo.”
As criaturas parecem entrar em profunda reflexão.
*Ser indefinido*: “Humanos são estranhos.”
Então alguém poderia fazer a pergunta que realmente desmonta Beto:
*Ser indefinido*: “Então vocês podem unir duas existências sem necessariamente criar uma terceira?”
Beto: “Sim.”
*Ser indefinido*: “E podem criar uma terceira existência sem fazer isso?”
Beto: “Sim.”
*Ser indefinido*: “Então o que determina a relação?”
Beto olha para Lilith.
Lilith está sorrindo.
Beto: “Consentimento, atração, afeto, escolha... depende das pessoas.”
A criatura pensa.
*Ser indefinido:* “Então não existe uma regra?”
Beto: “Existem muitas. E nenhuma serve para todo mundo.”
Como eu vou explicar romance, amor, encontro, namoro e casamento?
### 1. O encontro
Eu vou começar pelo conceito mais simples:
Beto: “Às vezes você conhece alguém e sente vontade de continuar perto dessa pessoa.”
Uma existência: “Para obter alguma coisa?”
Beto: “Não necessariamente.”
Existência: “Para protegê-la?”
Beto: “Às vezes.”
Existência: “Para reproduzir?”
Beto: “Também não necessariamente.”
A criatura fica perplexa.
Criatura “Então...por quê?”
Beto: “Porque você gosta da presença dela.”
Silêncio.
### 2. A atração
Aí vem a parte complicada.
Beto: “Você pode olhar para uma existência e desejar conhecê-la melhor.”
Criatura: “Desejar como?”
Beto: “Isso depende.”
Criatura: “De quê?”
Beto: ‘Da pessoa.”
Criatura: “Qual pessoa?”
Beto: “Exatamente.”
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### 3. O romance
Eu tento explicar:
Beto: “Romance é quando duas pessoas começam a construir uma relação baseada em atração, afeto, intimidade e escolha.”
Uma criatura pergunta:
Criatura: “Então romance é uma construção?”
Beto: “Sim, é algo que se constrói “
Outra: “Como a sua casa?”
Beto: “...mais ou menos.”
Lilith, ao fundo: “Muito mais complicado.”
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### 4. O namoro
Esse provavelmente vai enlouquecê-los.
Criatura: “Vocês gostam um do outro, mas ainda não estabeleceram uma união permanente?”
Beto: “Sim.”
Criatura: “Então por que não estabelecem?”
Beto: “Porque estamos nos conhecendo.”
Criatura: “Mas vocês já se conhecem.”
Beto: “Não o suficiente.”
A criatura pensa.
Criatura: “Os humanos precisam de um período experimental?”
Beto: “Alguns chamam de namoro.”
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### 5. O casamento
Eu tento explicar.
Beto: “Casamento é uma forma de duas pessoas declararem que desejam estabelecer uma união.”
Criatura: “Para sempre?”
Beto: “Às vezes.”
Criatura: “Obrigatoriamente?”
Beto: “Não.”
Criatura: “Então pode terminar?”
Beto: “Pode.”
Criatura: “Então por que declarar?”
Beto: “Porque algumas pessoas querem transformar uma escolha afetiva em compromisso.”
Criatura: “Se duas existências se amam, precisam se casar?”
Beto: “Não.”
Criatura : “Se duas existências se casam, precisam se amar?”
Beto: “Também não.”
A criatura olha para as outras.
Criatura : “Os humanos realmente complicaram isso.”
E então Lilith entra na conversa
Uma criatura pergunta:
Criatura : “E você e Lilith?”
Beto: “Nós?”
Criatura: “Vocês são o quê?”
Silêncio.
Beto olha para Lilith.
Lilith olha para Beto.
E sorri.
Lilith: “Essa é uma excelente pergunta.”
Beto: “Você não vai me ajudar?”
Lilith: “Estou ajudando.”
Beto: “Como?”
Lilith: “Estou deixando você responder.”
O povo de Lilith não aprende o amor através de uma definição. Aprende observando eu e Lilith.
Eles vão observar:
* cuidado;
* escolha;
* confiança;
* provocação;
* intimidade;
* liberdade;
* respeito;
* desejo;
* companheirismo.
E vão perceber:
*Ser indefinido*: “Então amor é uma relação que duas existências escolhem continuar construindo.”
Isso se tornou uma ironia deliciosa: eu virei professor de humanidade justamente para seres que talvez acabem me ensinando uma versão completamente nova de humanidade.
Beto olha para Lilith.
Lilith não responde.
Só segura a mão dele.
E uma das criaturas, depois de observar os dois por alguns segundos, pergunta:
Criatura: “Isso também faz parte da construção?”
Beto olha para Lilith.
Ela sorri.
Lilith: “Essa, arquiteto, é uma obra que você ainda não terminou.”
Criado com a ajuda do ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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