terça-feira, 31 de agosto de 2021

Voltando e mudando

Ch-ch-ch-ch-changes
Turn and face the strange
Ch-ch-changes
Don't want to be a richer man
Ch-ch-ch-ch-changes
Turn and face the strange
Ch-ch-changes

- Changes, David Bowie.

Muita coisa aconteceu entre 22 de junho de 2016 e 31 de agosto de 2021.
Eu não vou poder falar o que aconteceu e como no momento eu estou procurando emprego, talvez não seja o melhor momento em mudar o nome do blog, pois eu não sei até quando eu vou continuar a escrever.

Eu pensei em rebatizar Latter Day Pagan, uma sugestão que eu peguei emprestado do Steven Posch. Eu pensei em usar o Gerador de Nomes na opção Nomes de Livros Sagrados, mas nenhum me agradou.

Usando o Oráculo Virtual [Google], eu encontrei uma pista. Um artigo falando do Corpus Inscriptionum Latinarium. Então eis que eu rebatizo este blog como Inscriptorum Hereticae.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

A diversidade do jardim

A beleza de um jardim é diretamente proporcional à quantidade de abelhas que a polinizam. Diversas abelhas. Polinizando diversas flores”. – frase de minha autoria.

Eu me lembro dos dias que eu e meu pai conversávamos. Talvez ele o fizesse para tentar quebrar a concha na qual eu me mantive por muitos anos [eu ainda me considero tímido e introvertido]. Talvez ele o fizesse porque se sentia mais à vontade para conversar comigo sobre assuntos complexos e difíceis. Eu não sei por que meu pai quis conversar comigo, por exemplo, sobre a vida no além quando eu ainda era adolescente. Então um dia nós começamos a conversar sobre um assunto que é, infelizmente, muito comum entre paulistanos provincianos: de que São Paulo foi “estragada” pelos nordestinos. Naquele momento, eu ainda não conhecia minha esposa, eu sequer imaginava que conseguiria estar casado. Mas voltemos ao provincianismo paulistano. Se a cópia tupiniquim de Nova Iorque [ou será Gothan?] é grande, nós devemos [e muito] ao trabalho e cultura do povo nordestino. Então, resumindo, eu disse ao meu pai que não era coerente ele reclamar, afinal, ele mesmo era descendente de imigrantes. Levou algum tempo de estudo e pesquisa para eu chegar à conclusão de que nós todos somos descendentes de povos imigrantes e miscigenados, uma realidade histórica e antropológica que deve doer em muito pagão moderno.

A chaga que mais macula o Paganismo Moderno não é que este é um produto do Movimento Romântico do início da Era Moderna. Mas a ingrata influência da supremacia branca e suas ideologias sobre nacionalismo, xenofobia, racismo, misoginia e fascismo. O Paganismo Moderno sofre por ter seus pés nos movimentos da direita [extrema ou alternativa] e não percebe o quanto essa ideologia tem suas origens nas tradições judaico-cristãs. Um bom exemplo disso é Caturo, um pagão português estranho que eu estou tentando entender.

O Caturo é um exemplo típico do homem branco europeu. Ele abraça a ideologia da supremacia branca, recheada de xenofobia, racismo e homofobia, defendida pela direita [extrema e alternativa]. Ele se acha que por ser homem, branco e europeu, com mais direito a morar em Portugal por “pertencer à mesma estirpe” dos Lusitanos, o que denuncia seu delírio ideológico romântico, afinal, os atuais portugueses são descendentes de diversos povos e etnias, todos possuem os mesmos direitos de morar em Portugal. Por consequência e extensão, tudo aquilo que não se encaixa em sua visão romântica idealizada e extremista deve ser combatido.

Foi partindo de uma reportagem falando sobre o lançamento de um jogo chamado “Avatar – Frontiers of Pandora” que eu recordei do filme “Avatar” de 2009 e que promete ter continuação em 2022. Eu meio que faço um “mea culpa”, pois eu não comentei o filme por achar redundante e desnecessário apontar para sua mensagem evidente do quanto é importante ao ser humano se reconectar com a Natureza. Mas o filme tem outras nuances que podem ser levantadas – como o problema da “missão civilizadora” da cultura europeia, cujas consequências são visíveis em nosso tempo – guerras civis, crise migratória e o retorno do fascismo.

Eu vou citar [com edições] a definição dada pelo Wikipédia sobre a “missão civilizadora” da cultura europeia:

“A missão civilizadora [...] é uma justificativa política de intervenção militar e de colonização que visa facilitar a modernização e ocidentalização dos povos indígenas, especialmente no período do século 15 ao século 20. Como um princípio da cultura europeia, o termo foi usado com mais destaque para justificar o colonialismo [europeu] no final do século 15 a meados do século 20. A missão civilizadora era a justificativa cultural para a exploração colonial [de outros povos]. [...] As potências coloniais da Europa ocidental afirmavam que, como nações cristãs, tinham o dever de disseminar a civilização ocidental para o que os europeus consideravam as culturas pagãs e primitivas do mundo oriental. Além da exploração econômica e da imposição do governo imperialista, a ideologia da missão civilizadora exigia a assimilação cultural dos ‘povos primitivos’, como o ‘outro’ não-branco, na colônia subalterna da Europa oriental”.

Original: https://en.wikipedia.org/wiki/Civilizing_mission

Traduzido com Google Tradutor.

A imposição do Cristianismo não parou com os decretos de Constantino e Teodósio. A cristianização imposta foi levada a ferro e fogo pelos reinos que surgiram com a queda do Império Romano. O surgimento dos países tal qual nós conhecemos atualmente deu-se na Era Moderna, com as guerras de unificação, mas é bem possível que o conceito de “nação” e “nacionalismo” tenha surgido na Idade Média, fomentada pelo Cristianismo. O “ser cristão” era importante para se diferenciar do “selvagem”, do “primitivo”, do “bárbaro” e do “pagão”, em um sentido bem étnico [até racial, eu diria].

Voltemos aos crimes cometidos pelo colonialismo europeu, que vão além da aculturação e da imposição religiosa. O colonialismo europeu se caracterizou pela exploração de matéria prima em suas colônias [com raras exceções], as guerras civis que ocorrem na África atualmente são reflexos imediatos da trágica colonização europeia. A situação atual da conservação ambiental deixou de ser uma bandeira da Esquerda ou do Paganismo Moderno para ser uma questão de sobrevivência de nossa espécie.

Ao analisar a postagem que o Caturo fez sobre o filme fica claro essa sua obsessão maníaco-impulsiva. Avatar é ruim porque a mensagem ecológica do filme é de “esquerda liberal”. Avatar é ruim porque é antimilitarista [que, na lógica dele, é de “esquerda”]. Avatar é bom porque fala da “traição racial”.

Se Caturo tivesse realmente prestado atenção ao filme, não teria entregado tão rapidamente seu racismo. O protagonista do filme, Jake Sully, tem sua consciência inserida em um corpo de um Na’vi, mas um corpo clonado, portanto não nativo, nem nascido de Pandora. Ele aceitou o trabalho subalterno para agir como infiltrado entre os Na’vi para descobrir onde ficava a Arvore-Mãe, onde se encontra a maior reserva do mineral Unobtainium. Entretanto, com o decorrer da narrativa, Jake acaba identificando a si mesmo como sendo um Na’vi, uma crise de identidade similar à do Caturo. Jake não é nem humano, nem Na’vi, mas para Caturo o que pesa sobre ele é a tal da “traição da raça”, algo sem sentido, pois mesmo durante o domínio do Nazismo, alemães tiveram a coragem de tentar parar a loucura do Fuhrer. Algo que Caturo deveria tentar entender: existem certas questões éticas e morais que ficam acima da questão da “raça”. Para Caturo, o pior “pecado” de Avatar é a aparência dos Na’vi, de peles azuis [será que ele se dá conta que a cor “azul” está simbolicamente ligada ao divino?], da culpa do branco europeu [que está atestado pela história] e da “santidade” do “outro” [na lógica do Caturo, o imigrante, ou qualquer outro ser humano que sequer merece assim ser considerado por não ser homem, branco e europeu – só tirou da lista a categoria “cristão”, tão típica dos grupos de supremacia branca].

Oh, bem, a preguiça intelectual de Caturo e ignorância histórica dele desconhece que foram os Europeus quem primeiro invadiram os outros povos, desde as Cruzadas, desconhece o Colonialismo Europeu, desconhece que o conceito de racismo [bem como nacionalismo, xenofobia e homofobia] apareceu apenas na Era Moderna. Assim como o Paganismo Moderno e suas contradições inerentes resultantes do Movimento Romântico. Se ele se desse o trabalho de ler e estudar os mitos antigos [e suas interpretações modernas], ele teria se deparado com os mitos sumerianos, nos quais os seres humanos são resultado de uma manipulação genética [e não faltam religiões baseadas em uma interpretação moderna desses mitos no qual a Terra está dominada por uma Ordem Mundial regida por alienígenas], então, a priori, os seres humanos possuem uma origem “alienígena”.

O que me faz voltar ao que eu conversei com o meu pai. Caturo provavelmente acredita nesse delírio que ele pertence a uma “estirpe” pura, mais merecedora dos privilégios, somente por ser homem, branco e europeu. Assim como meu pai, Caturo ignora que é descendente de imigrantes, de povos miscigenados. Os Deuses antigos tinham um forte vínculo com uma região e um povo, mas não no sentido de raça tão mal concebida pelo Caturo. Veja bem: nossa espécie tem a base de sua organização social na família, a unidade básica, desde tempos imemoriais. Da união de famílias, surgiram os clãs; da união dos clãs, surgiram as tribos; da união das tribos, surgiram as cidades. Então é muito necessário e crucial, quando falamos em povos de origem indo-europeia, é que falamos de diversas tribos, que podem ter diversas origens, mas que compartilhavam a mesma linguagem, crença e local de habitação. A partir do momento em que existem como etnia [o que é um conceito bem diferente de “raça”] é que esses povos cultivaram [daí que esse é um aspecto cultural, não genético] essa comunhão com a terra e os Deuses. Uma comunidade que não era excludente, nem segregadora, basta que vejamos o mito de fundação de Roma onde Rômulo, ao escavar ritualisticamente as fundações da cidade, consagrou aquele solo, incluindo todos os demais representantes das outras tribos, como sendo um mesmo povo, com os mesmos Deuses [o panteão Romano é uma mescla de diversas crenças latinas, etruscas, sabinas, umbrianas, etc].

Eu acho que cabe aqui uma autocrítica, pois eu ainda defendo o conceito de que o Cristianismo é inconcebível, porque o Deus Cristão é um Frankenstein teológico. Essa entidade é uma multinacional, sem terra, sem povo, sem qualquer vínculo com as raízes e origens de qualquer povo. Se o Colonialismo Europeu cometeu inúmeros crimes contra a humanidade, mais ainda o Cristianismo. E tem pagão moderno que não se dá conta de que está “importando” certas ideologias que tiveram origem exatamente nas tradições judaico-cristãs.

domingo, 29 de agosto de 2021

Os estragos da "cura gay"

John Paulk era um rapaz gay de Portland (EUA) que resolveu se "curar". Entrou para a organização Exodus, criada nos anos 1970, que advogava a "terapia reparativa ou de conversão". Tornou-se uma estrela do movimento ex-gay na mídia e nas convenções da organização. Dando-se por "curado", casou-se com uma ex-lésbica e teve filhos. Um belo dia, foi flagrado num bar gay e virou motivo de escândalo. A partir daí, ele e a Exodus não seriam mais os mesmos.

John é o caso mais exemplar entre os vários narrados no documentário Pray Away, em cartaz na Netflix. Há outros, como o de Yvette Cantu, que chegou a ser representante da Family Research Council em Washington, fazendo palestras sobre o "erro", a "doença" do homosseuxalismo. Depois da "desconversão", ela se mantém casada com o marido e assumida como bissexual. Agora é uma ex-ex.

O título Pray Away, que pode ser traduzido como algo próximo de "exorcismo", se refere ao mote "pray away the gay" do movimento homofóbico, conduzido majoritariamente por entidades cristãs e organismos conservadores. Através dos depoimentos dos chamados sobreviventes da terapia e de um bom material de arquivo, o filme de Kristine Stolakis retraça um painel assustador. Os participantes passam por uma doutrinação cerrada no sentido de se amoldarem ao que seria "a intenção original de Deus". A retórica envolve argumentos científicos toscos e o apelo de uma certa "liberdade" que estaria somente na plena heterossexualidade.

A "terapia" (preciso usar muitas aspas neste texto) inclui sessões de exorcismo à moda evangélica, conclamações a Jesus, dança de guerreiros e demonização das escolas, onde estaria o germe da orientação gay. Qualquer semelhança com o "kit gay" é apenas mais um sintoma da colonização da direita brasileira pelos americanos.

O resultado foram auto-enganos, mentiras públicas, muito sofrimento ocultado, suicídios e traumas que levaram à necessidade de outras terapias. Uma das sobreviventes relembra episódios de automutilação por conta de sua crise de identidade durante o processo.

A Exodus foi dissolvida em 2013, quando seus líderes foram forçados a admitir os males que causaram a milhares de pessoas e a si mesmos. Mas o modelo não saiu de cena. Em contraponto aos sobreviventes que contam suas histórias de conversão e desconversão, temos um personagem que encarna a perpetuação da prática ainda hoje, convocando fiéis na rua e organizando "Marchas da Liberdade".

Pray Away tem recorte clássico de documentário americano: uma narrativa bem construída e amparada por cenas de arquivo que dispensam muito comentário oral. No entanto, fica a impressão de que coisas importantes deixaram de ser contadas. As motivações dos personagens para abandonar o movimento e assumir suas orientações sexuais nem sempre ficam claras. Assim como as razões que levaram à dissolução da Exodus. De uma coisa não resta dúvida: os que deixaram o culto homofóbico para trás não abrem mão do culto ao arrependimento. Esse, afinal, é um dos pilares da ética e da dramaturgia americanas.

Original: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cinema/Ser-ex-ex-gay/59/51378

sábado, 28 de agosto de 2021

As dez doenças espirituais

1. A Espiritualidade Fast-Food: Misture a espiritualidade com uma cultura que celebra a velocidade, a multitarefa e gratificação instantânea e o resultado é provável que seja a espiritualidade fast-food. A espiritualidade fast-food é um produto da fantasia comum e compreensível que o alívio do sofrimento da nossa condição humana pode ser rápida e fácil. Uma coisa é certa, porém: a transformação espiritual não pode ser obtida em uma solução rápida.

2. Falsa Espiritualidade: A espiritualidade do falso é a tendência de falar, vestir e agir como se imagina que uma pessoa espiritual seja. É uma espécie de imitação da espiritualidade que imita a realização espiritual da maneira que o tecido estampado de pele de onça imita a pele genuína de uma onça.

3. Motivações Confusas: Embora o nosso desejo de crescer seja genuíno e puro, muitas vezes ele se confunde com motivações menores, incluindo o desejo de ser amado, o desejo de pertencer, a necessidade de preencher nosso vazio interno, a crença de que o caminho espiritual removerá o nosso sofrimento e ambição espiritual, o desejo de ser especial, de ser melhor do que, para ser “o único”.

4. Identificando-se com Experiências Espirituais: Nesta doença, o ego se identifica com a nossa experiência espiritual e a toma como sua própria, e nós começamos a acreditar que estamos incorporando insights e ideias que surgiram dentro de nós em determinados momentos. Na maioria dos casos, isso não dura indefinidamente, embora tenda a perdurar por longos períodos de tempo para aqueles que se julgam iluminados e/ou que trabalham como professores espirituais.

5. O Ego Espiritualizado: Essa doença ocorre quando a própria estrutura da personalidade egóica se torna profundamente integrada com conceitos espirituais e ideias. O resultado é uma estrutura egóica, que é “à prova de bala.” Quando o ego se torna espiritualizado, somos invulneráveis a ajudar, uma nova entrada, ou comentários construtivos. Nos tornamos seres humanos e impenetráveis e estamos tolhidos em nosso crescimento espiritual, tudo em nome da espiritualidade.

6. Produção em Massa de Professores Espirituais: Há uma série de atuais tradições espirituais da moda , que produzem pessoas que acreditam estar em um nível de iluminação espiritual, ou mestria, que está muito além de seu nível real. Esta doença funciona como uma correia transportadora espiritual: coloca este brilho, leva àquele insight, e – bam! – Você está iluminado e pronto para iluminar os outros de maneira similar. O problema não é aquilo que tais professores ensinam, mas que representam a si próprios como tendo realizado a mestria espiritual.

7. Orgulho Espiritual: O orgulho espiritual surge quando o profissional, através de anos de esforço trabalhado efetivamente alcançou um certo nível de sabedoria e que usa esse conhecimento para se desligar a novas experiências. Um sentimento de “superioridade espiritual” é outro sintoma desta doença transmitida espiritualmente. Ela se manifesta como uma sensação sutil de que “Eu sou melhor, mais sábio e acima dos outros porque sou espiritual”.

8. Mente de Grupo: Também conhecido como o pensamento grupal, mentalidade de culto ou doença ashram. A mente de grupo é um vírus insidioso que contém muitos elementos tradicionais da codependência. Um grupo espiritual faz acordos sutis e inconscientes sobre as formas corretas de pensar, falar, vestir e agir. Indivíduos e grupos infectados com o “espírito de grupo” rejeitam indivíduos, atitudes e circunstâncias que não estão em conformidade com as regras, muitas vezes não escritas do grupo.

9. O Complexo de Povo Escolhido: O complexo de pessoas escolhidas não se limita aos judeus. É a crença de que “O nosso grupo é mais poderoso, iluminado e evoluído espiritualmente, e simplesmente colocado, melhor do que qualquer outro grupo.” Há uma distinção importante entre o reconhecimento de que alguém encontrou o caminho certo, o professor, ou comunidade para si, e tendo encontrado aquele, O Único.

10. O Vírus Mortal: “Eu Cheguei”: Esta doença é tão potente que tem a capacidade de ser terminal e mortal para a nossa evolução espiritual. Esta é a crença de que “Eu cheguei” na meta final do caminho espiritual. Nosso progresso espiritual termina no ponto em que essa crença se cristalizou em nossa psique, no momento em que começamos a acreditar que chegamos ao fim do caminho, um maior crescimento cessa.

Original: https://maitreyah.wordpress.com/2011/02/28/10-doencas-espiritualmente-transmissiveis/

O Deus Antigo nos animes












Quem curte anime? Eu sou otako.
Essas são imagens de dois animes: Princesa Mononoke e Mahoutsukay no Yome.
Eu tive arrepio na espinha quando eu vi o Deus Antigo sendo retratado.
E vocês? Qual sua cena/momento favorito no anime?
Postagem originalmente publicada no meu perfil do LinkedIn.

Eu estou procurando serviço, então faça uma visita no meu perfil:

https://www.linkedin.com/in/roberto-quintas-48703320a/

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

A Deusa-Mãe armênia

Nane (armênio: Nanė; georgiano: Nana; búlgaro: Nanė; russo: Nanė) era uma deusa-mãe pagã armênia. Ela era a deusa da guerra, sabedoria e maternidade, e filha do deus supremo Aramazd.

Aramazd deslocou Vanatur no topo do panteão depois que a interação com os persas levou os armênios a identificarem Ahura Mazda dos zoroastrianos como sua divindade principal.

Aramazd era considerado o pai de todos os deuses e deusas, o criador do céu e da terra. As duas primeiras letras em seu nome - AR - são a raiz indo-européia para sol, luz e vida. Ele era a fonte da fertilidade da terra, tornando-a fecunda e abundante. A celebração em sua homenagem era chamada de Amanor, ou Ano Novo, que era comemorado em 21 de março no antigo calendário armênio (também o equinócio da primavera).

Aramazd era uma divindade sincrética, uma combinação da figura lendária armênia autóctone Ara e do iraniano Ahura Mazda. No período helinístico, Aramazd na Armênia foi comparado ao Zeus grego. O principal templo de Aramazd ficava em Ani (Kamakh na moderna Turquia), um centro cultural e administrativo da antiga Armênia.

Nane parecia uma bela jovem com roupas de guerreiro, lança e escudo nas mãos, como a Atenas grega, com quem se identificava no período helênico. Seu culto estava intimamente associado ao culto da deusa Anahit. O templo da deusa Nane ficava na cidade de Thil. Seu templo foi destruído durante a cristianização da Armênia:

“Então eles cruzaram o rio Lycus e demoliram o templo de Nane, filha de Aramazd, na cidade de Thil.” “Gregório então pediu permissão ao rei para derrubar e destruir os santuários e templos pagãos. Drtad prontamente emitiu um édito confiando a Gregory essa tarefa, e ele mesmo saiu da cidade para destruir santuários ao longo das rodovias. ”

Na Armênia e em outros países, o nome Nane e suas variações continuam a ser usados ​​como um nome pessoal. Agora, os armênios geralmente chamam sua avó de “Nane” (Nan), o que significa que Nane era uma deusa influente na vida espiritual dos antigos armênios.

Na Armênia, o rei tomaria uma decisão sobre a guerra somente depois de se encontrar com a mulher mais velha da dinastia real. Na família armênia, a mulher mais velha era considerada o epítome de Nane e, portanto, gozava de grande influência.

É interessante notar semelhanças em outras línguas: o grego “nanna” (tia), “nonna” em latim medieval, “nyanya” em russo. Em muitas partes do Paquistão e da Índia, os avós maternos são chamados de Nana e Nani. Em inglês Nan, Nana, Nanan, Nannan, Nanna são usados ​​para avó.

Nanaya (sumério, NA.NA.A; também transcibido como Nanâ, Nanãy ou Nanãya; em grego: Nαναια ou Νανα; aramaico: ננױננאױ) é o nome canônico de uma deusa adorada pelos sumérios e acadianos, uma divindade que personificava “volúpia e sensualidade ”. Seu culto era grande e se espalhou até a Síria e o Irã. Mais tarde, ela se tornou sincretizada com o babilônio Tashmetum, a consorte do deus Nabu.

Nabu (em hebraico bíblico Nebo) é o deus assírio e babilônico da sabedoria e da escrita, adorado pelos babilônios como filho de Marduk e sua consorte, Sarpanitum, e como neto de Ea. O consorte de Nabu era Tashmetum.

Inanna (suméria, INANNA; acadiano: Ištar) é a deusa suméria do amor sexual, fertilidade e guerra.

O nome de Inanna deriva de Rainha do Céu (Suméria: nin-anna). O signo Cuneiforme de Inanna; no entanto, não é uma ligadura dos signos senhora (suméria: nin) e céu (suméria: um). Essas dificuldades levaram alguns dos primeiros assiriólogos a sugerir que originalmente Inanna pode ter sido uma deusa possivelmente relacionada à deusa-mãe hurrita Hannahannah, aceita apenas recentemente no panteão sumério, uma ideia apoiada por sua juventude, e que, ao contrário das outras divindades sumérias, no início, ela não tinha esfera de responsabilidades.

Hannahannah (de Hurrian hannah “mãe”) é uma deusa-mãe hurrita relacionada à deusa pré-suméria Inanna. Hannahannah também foi identificada com a deusa hurrita Hebat, um título de Hannahannah. Hebat, também transcrita Kheba ou Khepat, era a deusa mãe dos hurritas, conhecida como “a mãe de todos os viventes”. Ela também é uma Rainha dos deuses.

Na área hurrita, Hebat pode ser identificado com Kubaba. Os santuários em homenagem a Kubaba se espalharam pela Mesopotâmia. Kubaba se tornou a deusa tutelar que protegia a antiga cidade de Carquemis no alto Eufrates, no final do período hurrita - primeiro hitita. Abdi-Heba era o prefeito do palácio, governando Jerusalém na época das cartas de Amarna (1350 AC).

De acordo com Mark Munn (Munn 2004), seu culto mais tarde se espalhou e seu nome foi adaptado para a deusa principal dos reinos sucessores hititas na Anatólia, que mais tarde se desenvolveu na matar (mãe) ou matar kubileya frígia, cuja imagem com inscrições aparecem em esculturas cortadas na rocha.

Cibele (Frígio: Matar Kubileya / Kubeleya “Mãe Kubeleyana”, talvez “Mãe da Montanha”; Lydian Kuvava; Grego: Kybele, Kybebe, Kybelis) foi uma deusa-mãe originalmente da Anatólia. Pouco se sabe sobre seus cultos mais antigos na Anatólia, além de sua associação com montanhas, falcões e leões. Ela pode ter sido a divindade estatal da Frígia; seu culto frígio foi adotado e adaptado pelos colonos gregos da Ásia Menor e se espalhou de lá para a Grécia continental e suas colônias ocidentais mais distantes por volta do século 6 AC.

Cibele pode ter evoluído de uma Deusa Mãe da Anatólia de um tipo encontrado em Çatalhöyük, datado do 6º milênio AC. Esta Deusa Mãe corpulenta e fértil parece estar dando à luz em seu trono, que tem dois apoios para as mãos com cabeça de felino. Na arte frígia do século 8 AC, os atributos de culto da deusa-mãe frígia incluem leões acompanhantes, uma ave de rapina e um pequeno vaso para suas libações ou outras oferendas.

Original: https://aratta.wordpress.com/2013/08/15/nane-the-armenian-pagan-mother-goddess/
Traduzido com Google Tradutor.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

História do touro na mitologia

Auroques são retratados em muitas pinturas rupestres europeias do Paleolítico, como as encontradas em Lascaux e Livernon, na França. Pode-se pensar que sua força vital tem qualidades mágicas, pois os primeiros entalhes dos auroques também foram encontrados.

Existe uma associação distinta das antigas civilizações J2 com a adoração do touro. A mais antiga evidência de um culto ao touro pode ser rastreada até o Neolítico central da Anatólia, principalmente nos locais de Çatal Höyük e Alaca Höyük situados em Alaca, província de Çorum, a nordeste de Boğazkale (anteriormente e mais familiarmente Boğazköy), onde ficava a antiga capital estava situada a cidade de Hattusa do Império Hitita.

A Creta minóica, a Anatólia hitita, o Levante, a Báctria e o vale do Indo também compartilhavam uma tradição de salto de touro, o ritual de se esquivar do ataque de um touro. Sobrevive hoje nas tradicionais touradas da Andaluzia na Espanha e da Provença na França, duas regiões com alto percentual de linhagens J2.

Muitas civilizações antigas do Mediterrâneo e do Oriente Médio floresceram em territórios onde as linhagens J2 eram preponderantes. Este é o caso dos hatsianos, hurritas, etruscos, minoanos, gregos, fenícios (e sua ramificação cartaginesa), israelitas e, em menor grau, também romanos, assírios e persas. Todas as grandes civilizações marítimas, desde a Idade do Bronze até a Idade do Ferro, foram dominadas por homens J2.

Os impressionantes e perigosos auroques sobreviveram até a Idade do Ferro na Anatólia e no Oriente Próximo e eram adorados por toda aquela área como um animal sagrado; os primeiros vestígios de um culto ao touro estão em um santuário do 8º milênio AC no neolítico Çatalhöyük, no leste da Anatólia.

O touro sagrado dos Hattianos, cujos padrões elaborados foram encontrados em Alaca Höyük ao lado dos do veado sagrado, sobreviveu nas mitologias hurrita e hitita como Seri e Hurri (Dia e Noite) - os touros que carregavam o deus do clima Teshub nas costas ou em sua carruagem, e pastava nas ruínas das cidades.

O touro, seja lunar como na Mesopotâmia ou solar como na Índia, é o assunto de várias outras encarnações culturais e religiosas, bem como menções modernas nas culturas da nova era. Marduk é o “touro de Utu”.

Nandi, o Touro, aparece na mitologia hindu como o veículo principal e o principal gana (seguidor) de Shiva. Os touros também aparecem nas focas do Vale do Indo do Paquistão, mas a maioria dos estudiosos concorda que o touro com chifres nessas focas não é idêntico ao Nandi.

O touro sagrado sobrevive na constelação de Touro. O touro foi visto na constelação de Touro pelo Calcolítico e marcou o ano novo na primavera na Idade do Bronze, de 4000–1700 AC.

Na mitologia mesopotâmica, Gugalanna (lit. "O Grande Touro do Céu" <Sumerian gu "touro", gal "grande", um "céu", -a "de") era uma divindade suméria, bem como uma constelação conhecida hoje como Touro, um dos doze signos do Zodíaco.

O Touro do Céu aparece na Epopéia de Gilgamesh.

Gugalanna foi o primeiro marido da Deusa Ereshkigal, a Deusa do Reino dos Mortos, um lugar sombrio e desprovido de luz, que foi enviada por Inanna para punir Gilgamesh por seus pecados. Gugalanna foi enviada pelos deuses para retribuir Gilgamesh por rejeitar os avanços sexuais da deusa Inanna.

Depois que Gilgamesh perturbou a deusa Ishtar, ela convenceu seu pai Anu a enviar o Touro do Céu à terra para destruir as plantações e matar pessoas. No entanto, Gilgamesh e Enkidu matam o Touro do Céu.

Gugalanna, cujos pés faziam a terra tremer, foi morto e desmembrado por Gilgamesh e Enkidu. Inanna, do alto das muralhas da cidade olhou para baixo, e Enkidu agarrou as ancas do touro sacudindo-as para a deusa, ameaçando que faria o mesmo com ela se também pudesse pegá-la.

Os deuses estão zangados porque o Touro do Céu foi morto. Como punição pela morte do touro, Enkidu adoece e morre.

Foi para compartilhar a tristeza com sua irmã que Inanna mais tarde desceu para o Mundo Inferior.

Touro foi a constelação do Equinócio da Primavera do Hemisfério Norte por volta de 3.200 aC. Marcava o início do ano agrícola com o festival Akitu de Ano Novo (de á-ki-ti-še-gur-ku, = semeadura da cevada), uma data importante na religião mespotâmica.

A “morte” de Gugalanna representa o obscurecedor desaparecimento desta constelação em consequência da luz do sol, com quem Gilgamesh foi identificado.

Na época em que esse mito foi composto, o Festival de Ano Novo, ou Akitu, no Equinócio da Primavera, devido à Precessão dos Equinócios, não ocorria em Áries, mas em Touro. Nesta época do ano, Taurus teria desaparecido porque foi obscurecido pelo sol.

A adoração do Touro Sagrado em todo o mundo antigo é mais familiar para o mundo ocidental no episódio bíblico do ídolo do Bezerro de Ouro.

O Bezerro de Ouro depois de ser feito pelo povo hebreu no deserto do Sinai, foi rejeitado e destruído por Moisés e o povo hebreu após a época de Moisés no Monte Sinai (Livro do Êxodo).

O touro é um dos animais associados ao culto sincrético helenístico e romano tardio de Mitras, no qual a matança do touro astral, a tauroctonia, era tão central no culto quanto a crucificação era para os cristãos contemporâneos. A tauroctonia estava representada em todos os Mithraeum (compare o selo de tauroctonia Enkidu, muito semelhante).

Uma sugestão frequentemente contestada conecta resquícios do ritual mitraico à sobrevivência ou ascensão das touradas na Península Ibérica e no sul da França, onde a lenda de Santo Saturnino (ou Sernin) de Toulouse e seu protegido em Pamplona, ​​Santo Fermín, pelo menos, estão inseparavelmente ligados aos sacrifícios de touros pela maneira vívida de seus martírios, estabelecidos pela hagiografia cristã no século III DC, que também foi o século em que o mitraísmo foi mais amplamente praticado.

[...]

Original: https://aratta.wordpress.com/2013/08/09/history-of-the-bull-in-mythology/
Traduzido com Google Tradutor

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Você vai para Helheim?

Um dia, todos nós passaremos pelo mesmo destino: a morte.

E haja aguentar as frases feitas que as pessoas dizem quando alguém parte. Então é uma viagem.

 Dizem que não se leva nada dessa vida. Errado. Cada um vai levar suas memórias, uma bela bagagem de seus atos e palavras, das coisas que realizou, erros e acertos.

Então imagine-se em uma central de ônibus, de trem, de navio ou de avião. Você e sua bagagem. Uma fila enorme até o guichê de check-in.

Tanjiro certamente seria detido na alfândega por levar sua irmã, Nezuko, em uma caixa.

Andrew Hall, na coluna Nonreligious, em sua página Laughting in Disbelief, faz as seguintes perguntas [de forma irônica e satírica], imitando um pastor evangélico:

. Jesus é o Senhor de sua vida?

. Jesus morreu pelos seus pecados?

. Você está carregando sua cruz diariamente para que todos possam ver?

. Você acha que apenas 10% de sua renda bruta é suficiente para o dízimo?

. Os católicos são cristãos?

. Quantas bolhas tem uma barra de sabão?

. Os homossexuais roubaram o arco-íris?

. Você largou de se masturbar por Jesus?

. Explique a Trindade com seus olhos fechados.

. Seu gato é cristão?

Eu lamento pelo spoiler, mas o descrente/ateu também está aqui, tão perdido e desorientado quanto todos nós. Por falta do que fazer, eu rabisco alguns comentários. Eu acho que perguntas de ordem existencialista não podem ser resolvidas pela lógica aristotélica, respostas para estas questões precisam ter um amplo espectro de alternativas.

A primeira pergunta é capciosa. Quando o cristão declara que Jesus é o Senhor, isso pode ser interpretado no sentido divino e no sentido secular. O cristão declara que Jesus é Deus, mas Senhor pode ser entendido no sentido feudal, no sentido de que Jesus ocupa uma posição dentro de uma monarquia. Veja bem, a monarquia, na Era Contemporânea, é constitucional ou parlamentarista, então tem mais gente participando dessa relação de senhorio. Para que Jesus fosse Senhor, no sentido de Rei, ele teria que estar na linha sucessória do trono. Analisando as referências da Bíblia, Jesus não estava na linha sucessória de Herodes, então ele não pode ser o Senhor. Jesus é declarado Deus porque ele é o Cristo, mas analisando as referências da Bíblia, Jesus não preenche os pré-requisitos para ser considerado o Ha-Massiah que, segundo as referências da Bíblia, ele é o Ungido de Deus, não seu Filho, nem Deus. Mesmo se fosse o caso, as profecias sobre Cristo deixam bem claro que este tem a incumbência de trazer a Salvação somente ao Povo de Israel. Conclusão obvia é que Jesus não é o Senhor da minha vida.

A segunda pergunta é falha, pelos motivos que eu apontei na primeira pergunta. O pecado é o carro-chefe das religiões abraãmicas, mas o sacrifício de Jesus não foi realizado conforme os protocolos para que ele pudesse ser o “cordeiro sacrificial”, tal como está prescrito no Levítico. Eu tenho que apontar que, para que o sacrifício de Jesus fosse aceitável, ele teria que ser imaculado, algo impossível e improvável, considerando as circunstâncias duvidosas de seu nascimento.

A terceira pergunta é impraticável. Isso seria um elemento que complicaria o trânsito. Consegue imaginar o comércio e as empresas tendo que providenciar um estacionamento somente para que os funcionários e clientes possam estacionar suas cruzes? E em um pedágio? A tarifa deve considerar o material, tamanho e forma de transporte? As cruzes devem ter faixas reflexivas, faróis de sinalização?

A quarte pergunta é incoerente. Jesus mesmo dissera que deve ser dado a César o que é de César. Os apóstolos disseram que nós estamos no Tempo da Graça, então o cristão está isento do dízimo, uma regra do Judaísmo.

A quinta pergunta é polêmica, afinal, o cristão católico pensa a mesma coisa do cristão evangélico. Se considerarmos as inúmeras vertentes que existiram e existem do Cristianismo, é impossível definir quem é o verdadeiro cristão.

A sexta pergunta é uma pegadinha. Que tipo de barra de sabão? E quanto ao sabonete líquido?

A sétima pergunta é estúpida. O arco-íris não pode ser roubado, uma vez que não é um objeto físico.

A oitava pergunta é estranha. Tem um sentido dúbio, faz entender que tem cristão se masturbando para Jesus. Eu não duvido que existam casos assim.

A nona pergunta é incoerente. A Trindade é um dogma que faz parte da teologia cristã. Uma questão que foi resolvida por concílios, guerras e assassinatos.

A décima pergunta é incompreensível. Todo mundo sabe que gatos estão mais associados às bruxas. Como ficam os cães, os pássaros e peixes?

A fila está enorme e não vejo sinais de que vai andar. A agência [eu não sei se posso usar esse termo] que cuida do despacho das almas está ocupada demais. Nos últimos séculos houve um aumento substancial de desencarnados [guerras, fome, doenças, mudanças climáticas... escolha]. Os funcionários tem que usar de violência para organizar essa bagunça e recolocar as almas no lugar. A alguns metros de onde eu estou eu vi uma alma sendo esmagada por um funcionário de 3 metros de altura e 200 quilos de músculos. Peculiar, afinal, não se pode matar o que está morto, mas a dor ainda é bem intensa.

Os fiscais de fila ficam no vai-e-vem, as filas muitas vezes dão nó. Então eu me deparo com funcionários reportarem algo para uma funcionária. Ela deve ser a chefe.

- Major, nós estamos com um problema.

- O que foi?

- Nós demos as informações básicas, mas esta alma simplesmente se nega a aceitar.

- Diga, alma, porque nega sua condição?

- Algo só existe quando tem evidência de existência.

-Entendo. Você é um descrente, um ateu.

- Precisamente.

- Você consegue perceber o local no qual se encontra atualmente?

- Evidente.

- Excelente. A sua percepção é um bom ponto de partida. Caso essa alma continue criando problema, deixe-a em um dos cantos de reflexão. Ela mesma será capaz de entender a condição na qual se encontra.

Ao voltar a caminhar, os olhos dessa funcionária se detêm ao se deparar comigo.

- Você é um daqueles?

- Daqueles quem, senhorita?

- Dos ditos pagãos modernos.

- Eu tenho o dever e a obrigação de confirmar, senhorita.

- Então não tem medo de ir para o Inferno?

- Nenhuma. O Reino dos Mortos é o destino de todos nós. O nome Inferno, em inglês, é chamado Hell, originário do Reino de Hel [Helheim], a Deusa dos Mortos na mitologia nórdica. Para os Gregos Antigos, é o Reino de Hades. Para os Romanos Antigos, é o Reino de Orco. Para os Celtas, é Tir na Nog, ou a Terra dos Ancestrais. A minha família deve estar aguardando a minha chegada.

- Então não está com medo, mas ansiedade?

- Eu estou um pouco apreensivo. Eu não tive uma vida muito correta.

- Então não se importa com o que nós vamos fazer com você?

- Oh, bem, eu acho que tenho que aceitar o julgamento.

A funcionária dá um sorriso cínico de satisfação, me agarra, me coloca deitado no chão pedregoso e simplesmente me estupra ali mesmo, na frente de todos. Eu fico completamente exausto, esgotado e drenado. Ela levanta, sorri mais uma vez e segue com sua rotina. Antes de ir embora, diz algo que me deixa animado.

- Excelente. A Imperatriz ficará exultante ao saber que você chegou. Agora que você está aqui, nós poderemos nos divertir um pouco.

Eu sinto a raiva dos demais penitentes. Eu não tenho culpa de ter a vantagem de ser um pagão moderno. Eu não tenho culpa que Hel goste de mim. Se um pastor evangélico me perguntasse se eu quero ir ao Inferno [Hell], eu responderia sim, sem hesitar. Como disse John Milton, é melhor reinar no inferno do que servir no céu.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Jornal Contrasexual

[Anúncio]
Homem da geração y5, conheça esta nova tendência: GeneticS-EX. Acesse os espécimes selecionados de sapiens XX: ampla gama de tipos, variedade de traços e cabelos. São criados soltos em nossa área de 20000 m2 no coração de Manhattan, onde se divertem uns com os outros, conectados na rede. A alimentação destas mulheres é à base de ômega 3, 6 e 9, fósforo e antioxidantes. Acesse nosso site e veja os filtros disponíveis para a seleção de seu exemplar. Maximize seu prazer sexual: selecione características físicas compatíveis com seus desejos e membro. Garanta a transmissão do melhor patrimônio genético a seus filhos. Agende, online, sua visita. As XX sapiens estão disponíveis em chat e esperam por você!

[Boletim de Notícias]
Nesta segunda-feira, o cientista holandês Dick Schilthuizen veio a público anunciar sua mais nova invenção: úteros artificiais. Graças aos avanços da nanotecnologia, será possível gestar bebês de modo controlado e seguro neste maquinário. Sondas conduzirão os nutrientes necessários à circulação sanguínea, garantindo ao feto uma dieta balanceada de acordo com os padrões estabelecidos pela FDA. Seus batimentos cardíacos e respiração serão monitorados. Os pequenos holandeses se desenvolverão nestas máquinas e as mães continuarão sua rotina normalmente. “A revolução feminista finalmente chegou”, defende o cientista: “as mulheres agora estarão livres das dores do parto e dos incômodos da gravidez! A preocupação com o uso de medicamentos, ingestão de bebidas alcoólicas, quantidade de exercícios físicos, acabou!”, comemora o pesquisador.

O presidente do Japão, Hiroshi Yamane, anuncia: “Tivemos êxito em 99,3% dos casos, a expectativa de vida dos indivíduos permanece a mesma. A seleção de homens com os melhores genes agora é possível”. O presidente afirmou ainda que os cientistas estudam vender este projeto à China e aos Estados Unidos. Negociações com a Alemanha iniciam-se amanhã. [Autora: Bruna Coelho]

[Música Introdutória]
- Hoje em nosso auditório, temos a projeção holográfica do doutor Moureau. Exclusividade do seu programa “Alice Pergunta”. Bem vindo doutor Moureau. O senhor é especialista em antropologia do século XXI. Não é um tanto contraditório falarmos em “antropologia” em um século onde o pós-humanismo estava no auge?

– Saudações Alice e a todos os indivíduos, alfa, beta, gama. Boa pergunta, Alice, mas o termo é cabível, uma vez que no século XXI a espécie Sapiens ainda estava lidando com conceitos arcaicos como gênero, identidade e preferência sexual, modelos de relacionamento. Demoraria o século para que a espécie Sapiens deixasse de usar a alcunha “ser humano” e “humanidade” para se referir à nossa espécie.

– E o que o senhor como antropólogo e especialista no século XXI pode nos dizer desse período tão contraditório, confuso, violento e conturbado?

– O século XXI foi um período de transição. Instituições arcaicas enfrentavam sua decadência tentando instilar ódio, preconceito, intolerância, segregação. Mas este século tem por característica o acesso à informação com certo nível de velocidade e liberdade, muito embora ainda com falhas e condicionantes, era bem superior aos séculos anteriores. Curiosamente foi esse meio de comunicação que nossa espécie começou a entrar em contato com o que era chamado de “realidade virtual”. Ali aconteceu o início da vida humana em um ambiente que transcendia o que era concebido como “real físico”.

– Deve ter sido difícil para nossos velhos entenderem o que estava acontecendo. Devem ter sentido medo e insegurança. Como nossos velhos enfrentaram e encararam as mudanças inevitáveis?

– Curiosamente herdaram muito das expectativas, idiossincrasias e temores dos avós deles. Conviviam e consumiam a tecnologia com mais frequência do que os avós deles, mas mantiveram ideias ultrapassadas de que a tecnologia iria destruir o mundo, a humanidade. Mesmo entre artistas, escritores, intelectuais, a perspectiva de nossos avós quanto ao tempo presente, o “futuro” para eles, produzia cenários ora utópicos, ora caóticos. Igualmente curioso, foi no meio da Arte, da Filosofia, que o conceito de pós-humano foi gerada.

– Nossa produção transmitiu alguns textos de possíveis anúncios e notícias que seriam comuns em nossa época. Como a antropologia do século XXI analisa essas manifestações?

– Excelente pergunta, Alice. Veja que o texto ainda reflete os mesmos conceitos arcaicos sobre gênero, genética e DNA. O “anúncio” ainda identifica “homem” como sendo um gênero definido e ainda identifica o gene XX como sendo “mulher” ou “feminino”. A autora escreveu dentro de parâmetros feministas obsoletos como “sexismo”, ”machismo”, “patriarcado”. Ela não consegue disfarçar sua tecnofobia ao achar que as novas tecnologias seriam usadas para “criar” escravas sexuais para o “homem”. Foi necessário desenvolver a tecnologia de tratamento com células tronco para a medicina, a genética e a biologia descobrirem a existência de um terceiro cromossoma. Foi um marco na historia da espécie Sapiens, pois foi provado cientificamente que nossa espécie possui três gêneros ou mais.

– Eu me lembro disso e agradeço a todos que tornaram possível essa realidade. Mas a tecnologia de células tronco não foi a única pesquisa que alterou o conceito sobre nossa espécie, certo?

– Absolutamente certo, Alice. O Instituto Prometeu levou mais adiante as pesquisas com clonagem, células tronco e impressão em 3D com tecidos biológicos, tornando possível não apenas criar e reconstruir órgãos, mas também corrigir defeitos congênitos. Infelizmente o instituto explodiu, provavelmente alvo de algum grupo religioso fundamentalista. No entanto, outros institutos de pesquisa continuaram com esse trabalho e conseguiram repetir o ultimo projeto do Instituto Prometeu que consistia em construir um ser humano integral, completamente híbrido. Então a tecnologia tornou completamente incoerente falar em “escravas sexuais”, visto que não havia mais o gênero “mulher” ou mesmo a espécie “humana”. Seres híbridos eram criados para os mais diversos fins, incluindo sexuais, outra conquista possível graças à desconstrução do pós-humanismo do século XXI.

– Isso inclui a queda de diversos tabus, regras e proibições que ainda estavam em voga no século XXI?

– Completamente. A ideia e conceito do que era humano estavam completamente superados. Como nos tornamos capazes de criar seres humanos, conceitos arraigados de faixa etária perderam o sentido. Como transcendemos a ideologia de gênero restrita a dois gêneros, todas as formas de união se tornaram naturais. Como resignificamos nossa espécie de “ser humano” para Sapiens, deixou de ser usado “homem” e “mulher”, mas indivíduos alfa, beta e gama. Graças a estes avanços, nossa sociedade atual reconhece diversas formas de relacionamentos.

– Isto acarretou transformações nas concepções que presumiam que sexo, casamento e reprodução eram eventos covalentes?

– Totalmente. A produção foi competente em citar a “notícia” sobre “úteros artificiais”. Mesmo para o século XXI, tal estranhamento é anacrônico, visto que existiam próteses desde o fim do século XX. Com a tecnologia de células tronco, clonagem e impressão 3D, qualquer indivíduo pode implantar o sistema reprodutor que desejar. Deixou de ter sentido a separação entre “artificial” e “orgânico”. Todo indivíduo pode, inclusive, escolher outras formas de reprodução assistida que existem, sem que seja necessário ter relações sexuais ou estar casado. Deixou de ter sentido restringir um indivíduo a uma determinada faixa etária ou fase de amadurecimento, uma vez que todo indivíduo pode criar qualquer tipo de indivíduo que desejar para si, bem como estabelecer o tipo de relacionamento que quiser.

– Isso é incrível, doutor Moureau! Nós que vivemos no século XXX temos que agradecer muito aos nossos percursores do século XXI. Sem a luta e conquista de tantos heróis, nós não poderíamos ter uma sociedade tão avançada como a nossa. O senhor tem alguma novidade para nossos telespectadores?

– Sim, eu tenho. Meu projeto de inserção gradual de indivíduos geneticamente modificados com agente feral está sendo bem sucedido e bem aceito. Meu laboratório está tentando desenvolver novos agentes genômicos que tornarão possível existirem indivíduos com qualquer outra forma de aparência desejada. Em breve espero lançar o agente umbral, o agente celestial, o agente elemental e o agente divinal. Se eu for bem sucedido, a espécie Sapiens poderá transcender a humanidade definitivamente.

– Ótima notícia! Assim que o senhor tiver mais novidades, por favor, avise-me, pois eu estou doida para ter o corpo de uma súcuba. Por hoje é só, pessoal. Aqui é Alice, sua apresentadora do programa “Alice Pergunta”.

Texto resgatado do extinto Sociedade Zvezda.

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

A razão do cliente

Quem trabalha no comércio deve ouvir todo dia a frase: “o cliente sempre tem razão”.

No mundo contemporâneo, o conceito de cliente é: “indivíduo que contrata serviços ou adquire mercadorias mediante pagamento; comprador, freguês”.

Mas a origem do nome vem da Roma Antiga: “indivíduo que estava sob a proteção de um patrono”.

Então para cada cliente existia um patrono, de onde vem a palavra “patrocínio” e “clientela”.

“Patrocínio ou clientela é uma forma de relacionamento específica na antiga sociedade romana entre o patrono (em latim: patronus; pl.: patroni) e seus clientes (em latim: cliens; pl.: clientes). A relação era hierárquica, mas as obrigações eram mútuas. O patrono era o protetor, o patrocinador e o benfeitor dos clientes, uma proteção chamada tecnicamente de patrocínio (em latim: patrocinium). Apesar de o cliente tipicamente ser de uma classe social inferior, patrono e clientes podiam ter o mesmo status, mas o primeiro seria mais rico, mais poderoso ou deter maior prestígio, o que garantia sua capacidade de ajudar ou favorecer seus clientes. Do imperador no topo até um líder municipal no fundo, os laços entre estes grupos eram expressados formalmente na definição legal das responsabilidades dos patronos em relação aos seus clientes.

Entre os benefícios que um patrono poderia conferir estavam a representação legal numa corte, empréstimos, influência em acordos comerciais ou casamentos e o apoio às candidaturas do cliente a cargos políticos ou sacerdotais. Em troca, esperava-se do cliente que oferecesse seus serviços sempre que o patrono precisasse. Um liberto podia tornar-se cliente de seu antigo mestre. Uma relação de patrocínio também poderia existir entre um general e seus soldados, um fundador e seus colonos ou um conquistador e uma comunidade estrangeira dependente”.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Patroc%C3%ADnio_na_Roma_Antiga

Essa relação social era estabelecida entre as diversas classes de cidadãos, mas refletia a distinção social entre patrícios e plebeus, sendo os patrícios as famílias aristocráticas romanas e a grande massa de pessoas comuns são os plebeus. Outros indivíduos que estavam no substrato dessa organização social eram os escravos [cativos de guerras, plebeus endividados, etc] e os peregrinos.

“Peregrino (em latim: peregrinus; pl. peregrini) foi um termo usado no Império Romano, de 30 a.C. até 212 d.C. para denotar um homem provincial livre, morador no império mas sem ser cidadão romano. Os peregrinos constituíam a imensa maioria dos habitantes do império nos séculos I e II. Os peregrinos foram pessoas de segunda classe até o ano de 212, em que a cidadania romana foi concedida a todos os habitantes do império.

[...]

Em latim peregrinus (de per + agere =viajar longe, da qual deriva a palavra "peregrino"), significava "estrangeiro"; mas, a começos do Principado, peregrinos não significava estrangeiro em senso literal, pois eram nativos de províncias do império. Contudo, a posição legal e fiscal superior dos cidadãos romanos significou que os peregrinos tivessem um status de segunda classe nos seus próprios países.

[...]

Na esfera social, os peregrinos não possuíam o direito ao conúbio (connubium), i.e., não se podiam casar com um cidadão romano. Portanto, qualquer filho de um matrimônio misto era ilegítimo e não podia herdar a cidadania (ou as propriedades). Além disso, os peregrinos não podia designar os seus herdeiros sob o direito romano, a menos que fossem auxiliares militares. Portanto, à sua morte estavam legalmente intestados, pelo qual os seus bens passavam a ser propriedade do Estado”.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Peregrino_(Roma_Antiga)

Nessa organização social, o patrono/patrício tinha mais razão do que o patrocinado/cliente. Escravos e peregrinos não eram sequer considerados cidadãos.

domingo, 22 de agosto de 2021

Record faz dobradinha

A Rede Record exibiu neste domingo (22), no programa Domingo Espetacular, uma reportagem intitulada: “Ideologia de Gênero nas escolas” para então produzir 15 minutos de mentiras, equívocos e LGBTfobia.

O primeiro erro da reportagem está no título: “Ideologia de gênero” não existe e trata-se de um termo que aparece pela primeira vez em uma encíclica do Vaticano que trazia uma série de livros que visavam “destruir a família tradicional”. Ou seja, é um termo adotado pelos setores conservadores.

Ainda no começo da matéria, a narradora afirma que “como próprio nome diz, trata-se de ideias, não é ciência”. Como o conteúdo da reportagem é baseado em valores morais e não em ciência, eles ignoraram o fato de que o conceito de gênero foi criado pelo sexólogo John Money, em 1955, para introduzir a distinção biológica entre os corpos.

Popularmente, o sistema criado por Money é chamado de binarismo de gênero (masculino e feminino). Mais uma vez, a matéria critica algo que apoia.

O tom de pânico moral só piora conforma a reportagem avança. Sem qualquer referência a estudos, a reportagem aborda a inclusão das questões LGBT na escola na Suécia, Escócia, Inglaterra e EUA e afirma que isso foi responsável “pelo aumento de transtorno psíquico de crianças” e arremata: sexualidade só deve ser discutida em casa e com os pais.

Acontece que não acontece nem um, nem outro e as crianças LGBT não têm com quem conversar sobre suas sexualidades. Isso sim leva à depressão e ao suicídio.

A reportagem tem 15 minutos de duração e em momento algum entrevista alguém para fazer um contraponto. Apenas pais, mães e profissionais contrários ao ensino sobre as diferenças presentes nas sexualidades é que são entrevistados.

E como tudo sempre piora, próximo do fim, a reportagem associa o “desempenho ruim” das escolas brasileira como resultado da inclusão da discussão sobre as sexualidades. Desemprego, miséria e falta de investimento não citados com fatores responsáveis, a culpa é da “ideologia de gênero”.

Todavia, se o cenário de pânico moral construído pela Record fosse verdadeiro, as escolas brasileiras seriam medalha de ouro no desempenho, pois, hoje não há discussão sendo feita com as crianças e adolescente no sentido de mostrar para eles que o mundo é maior que a heterossexualidade e que o gênero é mais que dois. Pelo contrário: LGBT são humilhados cotidianamente no ambiente escolar.

Por fim, cabe ressaltar que “ideologia de gênero” não existe, o que há são estudos sobre os gêneros e as sexualidades com variadas vertentes e perspectivas.

Original: https://revistaforum.com.br/noticias/record-bolsonaro-ideologia-genero/

sábado, 21 de agosto de 2021

Os nove tipos de amor

Como você define o amor? É algo que o faz cantar e dançar de felicidade, sentir um frio na barriga ou fazer você se importar com a outra pessoa? E aqueles momentos em que tudo o que você quer é arrancar a roupa do seu parceiro? Ainda é amor? E se você pudesse descobrir a “receita” para isso?

Não tenha medo, os filósofos da Grécia Antiga já fizeram o trabalho árduo e definiram diferentes tipos de amor. Aqui estão nove palavras gregas para amor que o ajudarão a entender como esse sentimento pode ser complicado e como cada tipo de amor pode ser diferente e como eles podem se combinar.

Eros - desejo sexual

Na mitologia grega antiga, Eros (ἔρως) era um deus travesso da paixão e da fertilidade, que atirava flechas nos corações das pessoas e imortais e os fazia sentir um desejo repentino e avassalador um pelo outro. Embora esse desejo possa ser interpretado como amor, é principalmente atração física. É daí que vêm os termos “erótico” e “erótica” que hoje em dia descrevem a sexualidade humana.

É comum confundir luxúria - ou desejo sexual - com amor romântico. A atração sexual pode ser uma sensação potente e avassaladora, e até mesmo enganar o cérebro, levando-o a uma tomada de decisão questionável. No entanto, embora o desejo sexual não seja um tipo de amor em si, é freqüentemente um componente essencial do amor, especialmente entre casais românticos.

Philia - conexão com a alma

Em contraste com a natureza física e sexual de Eros, Philia (φιλία) é um sentimento platônico. Esta palavra grega para amor implica conexão espiritual, confiança e compartilhamento dos mesmos valores. Philia geralmente cresce entre amigos ou familiares. Embora não seja tão opressor, eufórico ou excitante quanto Eros, costuma ser mais gratificante e gratificante a longo prazo.

Philia não é relegada a relacionamentos não sexuais e não românticos, no entanto. É um componente vital do amor romântico entre casais, e qualquer conexão sem ele provavelmente não durará. Um amor que caracteriza Eros, mas não Philia, costuma ser um amor possessivo e egocêntrico.

Os filósofos gregos antigos (assim como muitos psicólogos hoje) acreditavam que os dois funcionam melhor lado a lado, fortalecendo um ao outro e o vínculo entre duas pessoas. Adicionar Philia a Eros transforma um amor possessivo em um amor construído em torno de objetivos compartilhados e felicidade. O filósofo grego Platão acreditava que a combinação de Filia e Eros levava à forma mais elevada de amor - uma "amizade entre amantes".

Storge - amor devotado

Storge (στοργή) pode ser classificado como uma variação de Philia e geralmente se relaciona com o amor dentro de uma família. Embora o cuidado e a devoção de Storge sejam parte integrante da conexão de Philia, também podem ser unilaterais. Um excelente exemplo de Storge é quando um pai cuida de um filho, faz com que ele se sinta seguro, confortável e seguro e não espera nada em troca.

Embora Storge possa parecer um antídoto para Eros, ambos tendem a ser altamente naturais, biológicos e instintivos. Storge geralmente ocorre entre casais que estão criando uma família juntos. Essa forma de amor é valorizada na cultura ocidental, especialmente na fé cristã.

Pragma - amor maduro

Embora provavelmente o tipo de amor menos excitante, Pragma (πράγμα) é um componente essencial para fazer os relacionamentos funcionarem a longo prazo. Pragma é amor baseado no dever, na razão e nos objetivos compartilhados. Como Philia, Pragma não se limita a parcerias românticas, embora seja uma parte vital do amor romântico. É essencial nas famílias e até mesmo nas amizades íntimas. Exemplos de manifestação de Pragma são sacrifícios pessoais em benefício de seu parceiro, fazer escolhas de vida e carreira que sejam melhores para seu relacionamento do que apenas para você, e realizar as tarefas diárias e tarefas necessárias para manter um lar feliz.

O amor pragma é talvez o mais difícil de desenvolver e manter, pois requer esforço contínuo, dedicação e, muitas vezes, abnegação. No entanto, os resultados geralmente valem muito a pena no longo prazo. Até mesmo casamentos arranjados foram sustentados e tornados satisfatórios por meio do Pragma, e muitos relacionamentos fracassados ​​foram salvos.

Esse tipo de amor pode ser visto como o “admin” do dia-a-dia para manter um relacionamento, mas as parcerias sem Pragma dificilmente resistirão aos desafios do tempo.

Ludus - amor lúdico

Ludus (Παιχνίδια) é outra palavra grega para amor que talvez seja o oposto de Pragma. Enquanto Pragma é duradouro, cerebral e baseado em responsabilidades, Ludus é um amor despreocupado e brincalhão.

Imagine um relacionamento casual hedonista que tem como foco a diversão e a vivência do momento, e você terá um excelente exemplo de Ludus. Muitas vezes é expressa por meio de flertes e provocações, sedução e sexo casual. Embora a emoção da conquista sexual seja uma forma de Ludus, esses relacionamentos não são necessariamente egoístas ou superficiais - eles podem ser gratificantes para ambas as partes se o respeito mútuo for mostrado, e vêm com menos responsabilidade e compromisso do que outros tipos de amor.

Ludus compartilha muitas qualidades com Eros, mas não se limita às relações físicas ou sexuais. O amor ludus também pode incluir atividades não sexuais, como dançar, beber e outros prazeres sensoriais de que se possa desfrutar.

Mania - amor obsessivo

Você já conheceu alguém obcecado por um determinado indivíduo a ponto de parecer doentio? E talvez você até os chamou de maníacos? Os filósofos gregos rotularam esse tipo de amor como Mania (μανία).

Pode ser combinado com Eros e Ludus sexuais e hedonísticos, mas dificilmente acompanhará Pragma ou Philia. A mania geralmente se manifesta por meio de ansiedade, instabilidade emocional, ciúme e possessividade.

Hoje em dia, “mania” e sua derivação “maníaca” são usadas no campo da psiquiatria para descrever componentes de certas doenças mentais, bem como em ambientes menos formais para definir hiperobsessão ou fixação.

Embora uma leve obsessão possa ser bastante comum durante os primeiros estágios de um relacionamento, a longo prazo, o excesso de Mania que é desequilibrado por outras formas de amor pode levar à dependência e até perseguição ou violência.

Meraki - esforço criativo

Uma palavra grega moderna, derivada do turco “Merak” (μεράκι), significa fazer algo com amor, criatividade e devoção quando você se coloca de todo o coração no que está fazendo.

Meraki é freqüentemente usado para descrever expressões criativas ou artísticas, como pintar, cantar ou compor música. Além disso, pode se manifestar na culinária, na decoração de uma sala ou na arrumação de uma mesa.

Você não precisa pintar um lindo retrato de seu parceiro ou compor uma peça musical impressionante para que ele expresse seu amor. Fazer um bom jantar é uma manifestação perfeita da Meraki!

Philautia - amor próprio

O filósofo grego Aristóteles acreditava que o amor-próprio ou Philautia (φιλαυτία) é um pré-requisito para amar os outros. O amor-próprio saudável é benéfico para todos os aspectos da vida, incluindo os relacionamentos, e as pessoas que se amam geralmente são mais capazes de dar e receber todos os tipos de amor.

Muitos comportamentos destrutivos em um relacionamento podem muitas vezes estar enraizados na falta de amor-próprio. No entanto, o amor-próprio pode rapidamente se transformar em uma forma doentia quando uma pessoa se ama mais do que qualquer outra pessoa. O amor próprio doentio pode ser expresso por meio de um ego inflado e geralmente depende de status social, habilidades ou realizações, em vez de virtudes genuínas.

O amor próprio saudável é definido pela auto-estima que não depende de status ou competição com os outros. Em vez disso, é baseado mais no perdão e na aceitação de si mesmo.

Pessoas com um nível saudável de amor-próprio não são arrogantes e não se consideram superiores aos outros, mas são resilientes e aceitam suas limitações sem sentir vergonha delas. Essas pessoas são menos propensas a buscar validação externa por meio de comportamentos compulsivos e, como resultado, podem se dedicar melhor aos relacionamentos.

Ágape - amor incondicional

Ágape (ἀγάπη) é um amor incondicional que não depende de nenhum fator externo. Atos de caridade e altruísmo geralmente nascem do amor Ágape. Parece justo argumentar que uma sociedade sem Ágape seria incapaz de funcionar, visto que somos dependentes uns dos outros como espécie.

Ágape é a forma menos egoísta de amor e não exige nada em troca. No entanto, muitas vezes também resulta em imensos benefícios para quem o pratica - não apenas em termos de pessoas retribuindo com amor ou recompensas, mas benefícios para o bem-estar mental e emocional do praticante. Praticar o amor ágape muitas vezes pode aumentar o amor-próprio, e níveis mais elevados de amor-próprio saudável geralmente resultam em um aumento da capacidade de sentir e demonstrar ágape - é um ciclo!

O grego é uma das línguas mais ricas do mundo, com um extenso vocabulário. No entanto, o amor costuma ser mais complicado do que qualquer palavra pode descrever.

Embora os filósofos gregos tentassem classificar diferentes tipos de amor, na realidade, suas formas e manifestações tendem a se confundir e se misturar em várias combinações. Felizmente, existem muitas maneiras de nutri-los e cultivá-los, levando a conexões mais felizes e saudáveis ​​e a uma vida mais plena.

Saber palavras gregas para amor e reconhecer diferentes tipos de amor pode ajudá-lo a melhorar a si mesmo e a seu relacionamento. E tenho certeza de que seu parceiro vai gostar daquela xícara de chá que você prepara com Meraki.

Original: https://www.greecehighdefinition.com/blog/9-different-types-of-love-according-to-the-ancient-greeks
Traduzido com Google Tradutor.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Escândalo na Academia

Não se falava outra coisa na Ágora. Nem mesmo quando Platão andou fazendo a apologia de Sócrates tinham tantos comentários e boatos. Aos cochichos, aqueles senhores barbados, sisudos, cochichavam sobre se era verdade ou não que o grande Aristóteles tinha se submetido a uma mulher. Como aquele que era chamado de mestre por tantos estava ausente e ocupado tutelando Alexandre III, o filho de Felipe II e Basileu da Macedônia, só o que restava eram conjecturas e muitas fantasias.

Os boatos mais gentis contavam que o mestre tinha sido vítima de uma trapaça forjada por Alexandre, mas mesmo isso era inaceitável. Os boatos mais maldosos eram de que o mestre tinha servido, voluntária e alegremente, como cavalo dessa enigmática mulher. Ah, sim, as gerações futuras irão perguntar e até se tentará esconder, mas a Grécia Antiga foi o berço da misoginia que existe no mundo ocidental contemporâneo.

A história ou lenda foi registrada por Lope Garcia Salazar, no livro Bienandanzas e Fortunas, no Tomo Cinco, em castelhano arcaico, no que eu transcrevo a tradução dada pelo Google Tradutor:

Título de como Aristótiles foi enganado de uma donzela a conselho de Alixandre, porque o repreendia muito para não usar com mulheres.

Alixandre, vendo-se repreendido por seu mestre Aristótiles, seiendo mançebo, por ser próximo das mulheres, resolveu repreendê-lo. E ele tinha um jeito com uma de suas donzelas que o enganava dessa maneira: aquela donzela se aproximava dele com tal engenhosidade, que o fazia entender que o amava mais do que a si mesma e o colocava em tal estado, que ele a amava de forma desigual , no entanto, que ela descobriu seu amor por ela, o que, com zelo devido à indústria de Alixandre, gelo estava delicadamente atrasando, desde que lhe dissesse que lhe daria todas as coisas que ela exigisse dele e tudo o que ela lhe enviasse, que ela respondeu que queria mais do que ele, mas que ele a deixava fazer uma coisinha e então que secretamente confiava nela a sua vontade, porque era casado e velho. E ele respondeu com uma alegria maravilhosa para perguntar o que ele queria. Diga à ele:

-Senhor, deixe-me encarar e selar e cavalgar em você com esporas como um cavaleiro a cavalo e você vai correr à noite, para que não se saiba, no grande salão do palácio iluminado por velas quando todos estão dormindo.

Aristóteles, surpreso e pesado com isso, disse:

-Oh, senhora fixa! Por que está fazendo isso, é meu mal e probleminha? E me diga por que você quer isso.

-Senhor, eu quero isso porque as omes têm o costume de zombar das mulheres quando elas cumprem suas vontades, porque se quiser zombar de mim depois de concordar com sua vontade, para que eu possa decidir como cavalguei em você antes como a um cavalo.

E concedido por ele, ele o enfrentou e o selou, e, cavalo nele, o fez correr a quatro pés, ferreting d'espuelas. Como Alixandre, que enfrentou tudo isso, ele estava ali escondido atrás de uma parede e veio até eles e disse "o que é isso, professor ilustre?" O Aristótiles o viu, com grande pesar e muita vergonha disse:

-Oh consertou Alixandre! Você namorou tudo isso. Jamais te repreenderei por uma coisa de mulher, por nenhum senso de omne do mundo que não seja enartado pelo amor de mulher.

Notem que não se declara o nome da beldade. No entanto, consultando o Oráculo Virtual [Google], tanto em páginas em inglês quanto em português, acusam o nome de Filis [Phyllis]. Nessas versões, algumas dão a entender que Filis era uma cortesã ou esposa de Alexandre e que a ideia dessa pegadinha foi toda dela.

Lenda assim não é novidade. Desde que os meninos tomaram o mundo e instituíram o Patriarcado, os meninos ainda tem medo da mulher. Sansão teve a Dalila, Holofernes teve a Judite, Herodes teve a Salomé. Todas essas lendas mostram como nós, homens, somos o verdadeiro sexo fraco.

Quando Alexandre resolveu tirar férias depois da batalha de Gaugamela, Aristóteles veio junto na comitiva de volta à Macedônia. No ato, Aristóxeno, Critolau, Nicômano, Teofrasto, Estradão, Demétrio e Eudemo foram ter com o mestre.

- Mestre! Mestre!

A figura de uma mulher aparece na ventana e os tenta enxotar.

[em persa]- Fora daqui, o mestre está dormindo.

Felizmente Teofrasto passou alguns anos na Síria e pode entender e dizer algumas palavras com essa mulher.

[em sírio]- Gentil donzela, nós precisamos ver o mestre.

[em macedônio]- Você é um dos alunos dele?

- Sim! Graças aos Deuses, nós falamos a mesma língua.

[irritada]- Como eu disse, vão embora, o mestre está descansando.

- Por favor, nobre donzela, isso é importante!

[de dentro da casa]- Quem é, querida?

- Ah, meu chuchu, só alguns homens inconvenientes.

[esgueirando pela ventana] - Quem? Ah! Teofrasto! Entre, entre, vamos conversar.

- Nós todos podemos entrar?

[acenando]- Claro, claro. Filis está apenas sendo superprotetora.

Os sete homens passam pela porta sentindo os olhos daquela mulher lançar adagas pelos olhos. A casa continuava do mesmo jeito. Simples, espartana e limpa. Metade da casa tomada por nichos recheados de pergaminhos e a parte do quintal decorada com inúmeros objetos e experimentos do mestre.

- Felizmente eu preparei muito chá de melífera e hortelã. Sentem-se que eu os sirvo.

Acanhados e envergonhados, aqueles homens se serviram dos banquinhos que encontraram e se dispuseram em círculo. Rápida e agilmente Aristóteles entrega uma xicara e chá para cada um.

- Lamento. Os biscoitos egípcios acabaram.

- Hã... tudo bem, mestre. Perdoe-nos o incômodo. Nós apenas queríamos saber e entender o que aconteceu com... o senhor e a Filis.

[rindo]- Nada que não aconteça desde que nossa espécie apareceu no planeta.

- Mas... o senhor... nos ensinou tanto sobre o gênero feminino!

[sério]- E eu não poderia estar mais errado. Eu espero viver o suficiente para repara meu erro.

[apreensivo] - Isso... é bom, mestre. Sua ausência foi sentida na Academia. Eu e muitos ficaremos muito contentes com o seu retorno. Mas por favor, nos conte se é verdade?

[estreitando os olhos]- Isso é alguma brincadeira? Eu refutei Platão e Sócrates.

[gesticulando]- Não, mestre! Nós apenas queremos ouvir a história, tal como aconteceu, diretamente do senhor!

[suspirando]- Oh, bem... eu acho que esse é o meu castigo. Que falta me faz os canudos de cálamo da Bitínia! Eu acho que foi em Issus, depois da vitória em Gaugamela. Alexandre foi reconhecido e coroado como Basileu da Pérsia. Em poucos anos, o garoto tinha seu império e eu estava preocupado se ele teria condições de reger. Quando se fala em regência e obrigações imperiais, eu achei prudente alertar Alexandre de que esse tipo de ocupação deve ter cuidado com as amizades e sobretudo com a fraqueza masculina diante da mulher. Evidente que eu sabia que ele era bissexual, então eu deveria incluir sua possível fraqueza diante de um homem, como depois eu percebi sua intimidade com Heféstion, mas acabou ficando assim. Por algum motivo isso o contrariou e o que não faltava na Pérsia são mulheres deslumbrantes. Atentem a isso, garotos, não importa o quanto vocês estudem e saibam das coisas, vocês ainda serão homens sujeitos aos mesmos apetites comuns.

- Nós lembramos bem de suas aulas sobre o gênero feminino.

[sério]- E eu vou ter que corrigir e ensinar outra coisa.

[assustado]- Mestre, o que mudou?

[suspiro]- Nós discutimos muito sobre a arrogância e prepotência dos Helênicos de se declararem o povo da filosofia. Existe um mundo enorme e eu encontrei muitos sábios no Oriente. Filis, por exemplo, é mestra em Pasargada.

[mais assustado]- Hã... isso é realmente, mestre, mas é verdade que o senhor serviu como cavalo para essa mulher?

[sério]- Sim, porque não? Nós ouvimos dos anciãos as lendas sobre a Era Dourada, quando Deuses e homens conviviam. Nesse tempo perdido, o mundo adorava uma Grande Deusa e seu Consorte. Então aconteceu um cataclisma, que as lendas não explicam direito, nós começamos a adorar os Deuses de agora e nos tornamos patriarcais e machistas. A humanidade perdeu muito ao alijar metade de sua espécie. Aprendam, meus alunos. A fonte da sabedoria é a mulher. Submeter-se a uma mulher não nos torna menos homens. Deixe que a mulher te cavalgue, pois ela também deixará que você monte nela. Acredite, vale muito mais alguns minutos entre as pernas de uma mulher do que todos os anos de Academia.