terça-feira, 13 de outubro de 2026

Derrotado, mas feliz



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/trump-video-ia-tigre-morte-jovem-inglaterra/. Eu não sei se dou risada ou fico constrangido. Lamento, EUA, por terem um presidente tão sem noção. 🤦 Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


Essa é daquelas notícias em que o humorista olha para a realidade, fecha o caderno e vai tomar um café, porque a concorrência está desleal. Quando um presidente transforma uma tragédia em espetáculo com inteligência artificial, a pergunta já não é se existe bom senso na Casa Branca, mas se ele foi colocado em algum programa de deportação.

Vamos à crônica, com sarcasmo, indignação e aquela vergonha alheia que atravessa fronteiras. 🤦

A Casa Branca e o tigre: quando a inteligência artificial é mais inteligente que o presidente
Há momentos em que a gente olha para os Estados Unidos e sente vontade de oferecer um abraço ao povo americano. Não por causa de uma guerra, de uma crise econômica ou de uma catástrofe natural. Mas por causa daquela sensação terrível de constrangimento que sentimos quando alguém resolve fazer uma idiotice monumental diante de milhões de pessoas e ainda parece orgulhoso do resultado.

Desta vez, o protagonista é Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que aparentemente decidiu transformar uma tragédia britânica em material para entretenimento presidencial.

Um jovem chamado William Chapman morreu depois de ser atacado por um tigre no Yorkshire Wildlife Park, na Inglaterra. Sua família, naturalmente, enfrenta a dor de uma perda brutal. E o que fez o líder da maior potência militar do planeta? Compartilhou imagens do ataque e, em seguida, publicou um vídeo produzido por inteligência artificial no qual ele próprio aparece enfrentando o felino, brincando com o animal e terminando a aventura como se tivesse acabado de gravar um comercial de refrigerante. A família do jovem pediu que a circulação desse conteúdo ofensivo parasse.

É difícil saber por onde começar.

Talvez pelo departamento de relações públicas da Casa Branca, que deve estar trabalhando em regime de emergência. Imagino os assessores reunidos numa sala, debruçados sobre a mesa, procurando uma explicação plausível.

— Presidente, precisamos conversar sobre o tigre.

— Qual deles? O que eu venci ou o que comeu o inglês?

Silêncio.

— Senhor, a família está sofrendo.

— Então façam um vídeo meu abraçando a família!

— Presidente...

— Com música! Algo emocionante. Talvez um leão cantando!

E assim, em algum lugar de Washington, um assessor começa a atualizar o currículo no LinkedIn.

O episódio seria apenas ridículo se não envolvesse a morte de uma pessoa. É justamente aí que o humor encontra uma parede. Porque uma coisa é fazer piada com a própria imagem, outra é transformar o sofrimento alheio em cenário para uma fantasia de grandeza pessoal.

Trump parece ter confundido a presidência com um canal de entretenimento no qual ele é, simultaneamente, apresentador, roteirista, protagonista, diretor e crítico entusiasmado da própria atuação. Falta apenas contratar um tigre para entregar o Oscar.

E a inteligência artificial, coitada, não tem culpa. A tecnologia foi criada para ajudar a humanidade a resolver problemas, desenvolver pesquisas, produzir conhecimento e ampliar possibilidades criativas. Mas o ser humano tem uma capacidade extraordinária de pegar uma ferramenta revolucionária e perguntar:

— Será que dá para me colocar lutando com um tigre depois que um rapaz morreu atacado por um?

Dá. A tecnologia faz.

O problema é que ela não vem acompanhada de um botão chamado “Tenha um mínimo de decência”.

Talvez essa função esteja reservada para uma atualização futura. Talvez dependa de uma assinatura premium. Ou talvez seja incompatível com determinados sistemas operacionais políticos.

O mais impressionante é que Trump não precisava fazer absolutamente nada. Poderia ter permanecido em silêncio, demonstrado respeito pela família e deixado as autoridades britânicas investigarem o ocorrido. Seria uma atitude simples, humana e perfeitamente compatível com o cargo que ocupa.

Mas o silêncio, aparentemente, não produz engajamento suficiente.

Na política contemporânea, existe uma espécie de competição permanente pela atenção. Cada publicação precisa ser mais escandalosa que a anterior, cada imagem mais absurda, cada declaração mais provocadora. A tragédia deixa de ser um acontecimento humano e vira matéria-prima para alimentar a máquina das redes sociais.

E o algoritmo não tem sentimentos. Não sente vergonha, não oferece condolências e não distingue uma homenagem de uma crueldade. Ele apenas distribui conteúdo.

Já o presidente deveria saber distinguir.

Ou, pelo menos, deveria haver alguém por perto com coragem suficiente para lhe dizer que nem toda ideia que parece engraçada às três da manhã merece ser publicada às três e cinco.

Imagino que os Estados Unidos tenham cidadãos maravilhosos, gente solidária, cientistas brilhantes, artistas extraordinários e profissionais que levam a sério suas responsabilidades. É justamente por isso que dá pena ver a imagem do país associada a esse tipo de espetáculo.

Não é necessário gostar dos Estados Unidos para reconhecer que milhões de americanos não merecem ser reduzidos às extravagâncias de seu presidente. Tampouco é preciso ser adversário político de Trump para perceber que existe uma diferença elementar entre irreverência e insensibilidade.

A irreverência desafia o poder. A insensibilidade pisa em quem já está no chão.

E o tigre, nesse episódio, acaba parecendo o personagem mais coerente da história. É um animal selvagem, não um assessor de imprensa. Não tem obrigação de compreender a diplomacia, a comunicação política ou os limites do humor. O ser humano, por outro lado, deveria ter aprendido alguma coisa sobre empatia durante os últimos milhares de anos de civilização.

Pelo visto, ainda estamos aguardando a atualização.

Quanto a mim, confesso: não sei se dou risada ou se fico constrangido. A situação tem o absurdo de uma comédia pastelão, mas o sofrimento envolvido impede que a gente ria tranquilamente.

Lamento, Estados Unidos. De verdade.

Vocês têm Hollywood, a NASA, grandes universidades, uma indústria tecnológica capaz de criar mundos inteiros por computador e recursos suficientes para produzir imagens de qualquer coisa imaginável.

E, no meio de tantas possibilidades, o presidente resolveu protagonizar uma luta fictícia com um tigre ligada à morte real de um jovem.

A inteligência artificial criou o vídeo.

A falta de noção, infelizmente, continua sendo de fabricação humana.

E essa, ao contrário do tigre, não precisa de jaula. Basta uma conta numa rede social e acesso à internet.

P.S.: Se algum dia inventarem uma inteligência artificial capaz de simular bom senso, empatia e vergonha na cara, sugiro que a instalem imediatamente na Casa Branca. Se o sistema travar, não será culpa do computador. Provavelmente estará tentando processar uma quantidade de absurdo acima das especificações recomendadas.


Então a IA consegue fazer imagens. Eu prefiro que você faça uma imagem do Beto, cachorro antropomórfico, "lutando" com a Lilith, loba antropomórfica, de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros. 😏🤭😻🥵


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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