sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A democracia na UTI

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/caca-comunistas-bolsonaristas-mackenzie-ameacam-estudantes-lula/

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bolsonaristas-de-universidade-do-pr-ameacam-jogar-bomba-em-ato-pro-lula/


https://www.diariodocentrodomundo.com.br/prepare-seu-caixao-boulos-recebe-ameaca-de-morte-e-denuncia-a-pf/

https://revistaforum.com.br/politica/tse-aciona-pf-mp-ameacas/

Só checando. Nós estamos mesmo em uma democracia? Porque, do jeito que a coisa anda, pode ser que nem cheguemos ao segundo turno.
Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


# Democracia brasileira: corra que ainda dá tempo de chegar ao segundo turno!

Só checando: nós estamos mesmo em uma democracia? Porque, do jeito que a coisa anda, estou começando a desconfiar de que o Brasil resolveu importar um modelo político no qual o cidadão tem direito ao voto, desde que vote na pessoa certa, não participe do ato errado e, de preferência, não tenha a ousadia de discordar de quem se considera dono da pátria.

As notícias sobre bolsonaristas ameaçando estudantes, falando em jogar bombas em manifestações pró-Lula e até ameaçando de morte figuras públicas como Guilherme Boulos dão a impressão de que alguém confundiu o calendário eleitoral com o roteiro de uma guerra civil de baixo orçamento.

No Mackenzie, universidade no Paraná, nas ruas e nas redes sociais, o ambiente parece caminhar para uma modalidade bastante peculiar de debate político: em vez de apresentar argumentos, apresentam ameaças. Em vez de discutir propostas, oferecem um caixão. Em vez de convencer o eleitor, tentam convencê-lo de que talvez seja melhor ficar em casa, fechar as janelas e não demonstrar simpatia por ninguém que esteja na lista de inimigos ideológicos da vez.

É a democracia segundo o manual do autoritarismo: todos podem falar livremente, desde que os valentões não se incomodem com o que estão ouvindo.

E pensar que existe gente que ainda acredita que o perigo para a democracia está exclusivamente no resultado das urnas! Ora, uma eleição não começa apenas quando se abre a votação. Ela começa muito antes, quando as pessoas precisam decidir se podem declarar suas preferências políticas sem sofrer intimidação, perseguição ou ameaças à própria integridade física.

Se um estudante precisa pensar duas vezes antes de participar de uma manifestação porque alguém ameaça jogar uma bomba, temos um problema. Se uma figura pública recebe ameaças de morte por sua atuação política, temos outro. E, quando tudo isso se acumula no mesmo ambiente eleitoral, talvez seja hora de parar de tratar o assunto como simples briga de torcida organizada.

Afinal, futebol já tem seus hooligans. A política não precisa contratar os mesmos profissionais.

E tem uma ironia particularmente brasileira nisso tudo: os mesmos setores que vivem discursando sobre liberdade, patriotismo e defesa da família parecem esquecer que a liberdade também pertence ao sujeito que vota no adversário. Ou será que a Constituição tem uma cláusula secreta, escrita em letras miúdas, dizendo que os direitos fundamentais só valem para quem compartilha o grupo de WhatsApp do patriota?

O mais preocupante é que as ameaças não aparecem isoladas. O próprio Tribunal Superior Eleitoral informou ter identificado cerca de 30 mil manifestações nas redes envolvendo desinformação, exposição indevida de dados, discurso de ódio e ameaças contra servidores da Justiça Eleitoral, acionando a Polícia Federal e o Ministério Público. <Cite refs={["turn316216search4","turn316216search5"]}/>

Trinta mil manifestações! Isso já não parece uma simples discussão de internet. Parece uma convenção nacional de gente que descobriu a democracia, leu o regulamento até a parte do voto e decidiu rasgar todas as páginas que falam em direitos e convivência.

E aqui chegamos à pergunta que deveria incomodar todo mundo, independentemente de partido: **que tipo de eleição teremos se o medo começar a substituir o debate político?**

Porque não basta colocar uma urna eletrônica numa sala e declarar que está tudo resolvido. Democracia também exige que o eleitor possa se manifestar, que o estudante possa participar de um ato, que um candidato possa defender suas ideias e que servidores públicos possam trabalhar sem receber ameaças. O voto é indispensável, mas não é um antídoto mágico contra o autoritarismo.

E quanto ao segundo turno? Pois é. Talvez a gente chegue lá. A eleição está marcada, os candidatos estão na pista e o calendário continua andando. Mas convém lembrar que uma democracia não precisa ser formalmente cancelada para começar a adoecer. Basta que a intimidação se torne rotina, que a violência seja relativizada e que uma parcela da sociedade passe a considerar seus adversários inimigos que precisam ser silenciados.

Nesse ritmo, daqui a pouco teremos de incluir novas instruções no título de eleitor:

— Para votar, apresente documento com foto, compareça à seção eleitoral e informe se recebeu alguma ameaça de morte nos últimos sete dias.

— Se recebeu, dirija-se ao setor de atendimento ao eleitor intimidado.

— Se a ameaça foi feita por alguém que se considera patriota, aguarde: seu caso será encaminhado ao departamento de contradições nacionais.

E, se alguém perguntar por que estamos preocupados, responderemos que é tudo exagero. Afinal, ameaçar quem pensa diferente é apenas uma forma mais enérgica de defender a liberdade. Jogar uma bomba numa manifestação seria, nessa lógica, uma espécie de debate político com efeitos especiais.

**O Brasil não precisa escolher entre a democracia e o caos. Precisa impedir que o caos seja vendido como patriotismo.**

Então, sim, estamos em uma democracia. Mas democracia não é um diploma vitalício que o país recebe e pendura na parede. É uma construção diária, que exige instituições funcionando, responsabilização de quem ameaça e uma sociedade que não confunda violência política com coragem.

E fica o aviso, com toda a ironia possível: se o objetivo de determinados grupos é impedir que o adversário fale, se manifeste ou vote com liberdade, talvez eles devessem abandonar o discurso de defesa da democracia e assumir logo a preferência por um regime em que só uma opinião é permitida.

Pelo menos teriam a honestidade de não chamar a mordaça de liberdade.

Porque, se chegarmos ao segundo turno tendo de escolher entre candidatos enquanto tentamos escapar das ameaças de seus apoiadores, a pergunta não será apenas quem vai governar o Brasil.

Será também **quanto da nossa democracia ainda teremos conseguido preservar até lá.**


Criado com ChatGPT.

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