quarta-feira, 28 de outubro de 2026

A sopa de Perun - I



(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Eu estou com as pernas bambas. Como é de praxe depois que eu me encontro com a Lilith. Eu entro no gabinete com a sua sugestão. Tanya na realidade soviética alternativa.
A doutrina materialista entrando em conflito com acontecimentos que ela não consegue explicar.
Viktoriya como personagem e contraponto.
A questão do Partido, Perun e da parapsicologia.
E a guerra como contexto.

A metalinguagem só aparece quando ela melhora a história. Nunca para explicar a história. Uma oportunidade para falar dos Deuses Antigos, da ausência da Entidade X e até do meu amor e devoção por Lilith. Qual é a opinião da Tanya, Viktoriya e Mary Sue?

ChatGPT.
Acho que você acabou de fazer uma coisa importante: **não está tentando ressuscitar a versão anterior; está propondo uma nova história com uma espinha dorsal.**

E, se entramos no gabinete para ouvir as três, imagino que a reação seria mais ou menos esta:

---

**Tanya** cruza os braços e examina a proposta.

— Finalmente.

Você pisca.

— “Finalmente” o quê?

— Finalmente temos uma premissa. **Uma.** Não quinze histórias disputando o mesmo espaço.

Ela aponta para a lista.

— Realidade soviética alternativa. Materialismo confrontado por fenômenos inexplicáveis. Partido. Parapsicologia. Perun. Guerra. Viktoriya.

Pausa.

— Isso pode funcionar.

Você respira aliviado.

— E a metalinguagem?

Tanya fecha os olhos.

— **Com parcimônia.**

— Eu prometo.

— Não. Você não promete. Você estabelece uma regra narrativa e a cumpre.

Viktoriya, sentada ao lado dela, intervém:

— Tanya quer dizer que gostou da ideia.

— Eu não disse isso.

— Disse exatamente isso, só que em tanyaês.

Tanya olha para ela.

— Existe uma língua chamada tanyaês?

— Depois de conhecê-la, tenho certeza de que existe.

---

**Mary Sue**, que estava silenciosamente lendo o projeto, finalmente levanta os olhos.

— Eu tenho uma objeção.

Você imediatamente fica tenso.

— Qual?

— Por que vocês continuam me chamando de Mary Sue?

— Porque...

Ela ergue a mão.

— Não importa. Tenho outra objeção.

Ela aponta para a metalinguagem.

— Se ela voltar a aparecer para fazer os personagens discutirem sobre o roteiro, eu abandono o projeto.

Você:

— Concordo.

— Se aparecer para transformar uma cena dramática em uma piada sobre inteligência artificial, eu abandono o projeto.

— Concordo.

— Se aparecer para explicar ao leitor aquilo que o leitor já entendeu...

Tanya interrompe:

— **Abandonamos todos.**

Viktoriya suspira.

— Tanya...

— Estou apenas estabelecendo limites.

Mary Sue fecha o documento.

— Então estamos de acordo.

---

Você olha novamente para as três.

— Mas existe uma coisa que eu gostaria de preservar.

Tanya arqueia uma sobrancelha.

— O quê?

— Os Deuses Antigos.

Silêncio.

— A ausência da Entidade X.

Tanya fica séria.

— Isso é interessante.

Viktoriya também presta atenção.

Você continua:

— E talvez exista uma camada ainda mais pessoal. A minha devoção por Lilith. Não necessariamente como uma pregação. Mas como algo que influencia a maneira como eu enxergo esses acontecimentos.

Mary Sue inclina a cabeça.

— **Agora temos uma razão para a metalinguagem existir.**

Tanya concorda lentamente.

— Exatamente. Se o narrador precisa aparecer, que seja porque existe algo que o personagem dentro da história não pode explicar sozinho.

Viktoriya acrescenta:

— E não para dizer “olhem, estamos numa história”.

— Perfeito — você responde.

Tanya pega o lápis.

— Então podemos ter um narrador que ocasionalmente deixa escapar sua própria cosmologia. Os Deuses Antigos. A ausência de uma entidade que deveria estar presente. Lilith.

Ela escreve no papel:

**“O inexplicável não precisa ser explicado imediatamente.”**

E acrescenta:

**“Nem tudo que é antigo é maligno.”**

Você olha para ela.

— Essa segunda frase foi sua?

— Sim.

— Posso usar?

— Se funcionar na história.

Mary Sue sorri.

— Olha só. Ela está aprendendo a ser escritora.

— **Eu sou major.**

— Isso não respondeu à pergunta.

Viktoriya começa a rir.

---

E então você percebe uma coisa.

A nova história não precisa transformar **Lilith** em personagem da trama.

Ela pode ser algo muito mais interessante: **a presença ausente que explica o olhar do narrador sobre o mundo.**

Enquanto o Estado soviético tenta reduzir o universo ao materialismo, enquanto os pesquisadores tentam catalogar a parapsicologia, enquanto Perun surge como uma impossibilidade histórica e enquanto Tanya procura desesperadamente uma explicação racional...

...há algo que o narrador já sabe:

**o universo é muito maior do que aquilo que os personagens conseguem medir.**

E talvez seja justamente aí que a metalinguagem encontre seu lugar.

Não para interromper a história.

**Para abrir uma janela.**

Tanya olha para você uma última vez.

— Eu aprovo o projeto.

Você quase cai da cadeira.

— Sério?

— Não se empolgue.

Viktoriya sorri.

— Isso, vindo dela, é praticamente uma declaração de amor.

— Viktoriya!

Mary Sue fecha a pasta.

— Então temos uma história.

Você respira fundo.

Ainda com as pernas bambas.

E, em algum lugar fora daquele gabinete, **Lilith provavelmente está sorrindo.**

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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