terça-feira, 13 de outubro de 2026

Entre provocação e responsabilidade

https://www.brasil247.com/sudeste/eduarda-campopiano-processa-influenciadora-por-importunacao/

Eu lembro dessa notícia. Foi divulgada em maio de 2026:

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/eu-te-chuparia-toda-vereadora-acusa-bruxa-de-assedio-sexual-veja-o-video/

Eu solicitei ao Gemini uma carta para Savani Shakti se preparar melhor antes de participar de outro evento assim.

O que mais poderíamos acrescentar, agora que a Eduarda Campopiano se tornou deputada?



# Uma carta aberta a Savani Shakti

*Sobre Paganismo Moderno, liberdade de expressão, responsabilidade pública e os riscos de transformar o debate religioso em espetáculo.*

**Prezada Savani Shakti,**

Como escritor e praticante do Paganismo Moderno, acompanhei os desdobramentos do episódio em que suas declarações dirigidas à então vereadora Eduarda Campopiano provocaram controvérsia pública e deram origem a uma disputa judicial. O caso, divulgado em maio de 2026, merece uma reflexão que vá além da polêmica momentânea, especialmente agora que Eduarda foi eleita deputada estadual em São Paulo.

Escrevo não para promover um ataque pessoal, nem para aderir automaticamente à narrativa de qualquer uma das partes, mas para chamar a atenção para uma responsabilidade que precisamos assumir quando decidimos levar nossas convicções religiosas ao espaço público.

Compreendo o esgotamento provocado pelo proselitismo religioso e pela frequente postura de superioridade moral de setores cristãos que tentam impor suas convicções ao debate político. Também considero legítima a crítica à utilização de espaços legislativos como palanques para a promoção de agendas religiosas particulares. Quando representantes públicos confundem suas crenças pessoais com os princípios que devem orientar uma sociedade plural, é necessário contestá-los com firmeza.

Entretanto, combater o moralismo não significa abandonar o discernimento. E criticar a hipocrisia alheia não nos dispensa de examinar a nossa própria conduta.

## Quando a provocação substitui o argumento

A declaração de teor sexual explícito que marcou aquele episódio pode ter sido concebida como provocação, ironia ou desafio ao conservadorismo religioso. Ainda assim, precisamos reconhecer que a intenção de provocar não determina, por si só, a legitimidade de uma abordagem.

Existe uma diferença entre contestar o moralismo, defender a liberdade sexual e dirigir a alguém uma manifestação sexual que essa pessoa não demonstrou desejar. O contexto importa, as palavras importam e a maneira como nos dirigimos aos outros também importa.

Não é necessário aderir à moral sexual conservadora para compreender essa distinção. Tampouco é preciso considerar a sexualidade algo vergonhoso para reconhecer que ela não constitui uma justificativa universal para qualquer manifestação, em qualquer circunstância.

A liberdade de expressão protege a possibilidade de questionar valores dominantes, desafiar convenções e até mesmo provocar desconforto. Isso não significa que toda provocação seja inteligente, politicamente eficaz ou isenta de consequências. Temos o direito de falar, mas também precisamos aceitar que nossas palavras sejam examinadas e criticadas.

Rebater o moralismo com uma declaração sexual de baixo calão pode produzir um momento de repercussão nas redes sociais. O problema é que repercussão não é sinônimo de argumento, assim como escândalo não é sinônimo de emancipação.

Se a intenção era questionar a autoridade moral de uma representante política conservadora, seria necessário demonstrar por que suas posições mereciam contestação. Uma provocação sexual, isoladamente, não faz esse trabalho. Pode, ao contrário, deslocar a discussão para a conduta de quem provocou e deixar em segundo plano as questões políticas e religiosas que deveriam estar no centro do debate.

## O estereótipo da bruxa e a responsabilidade de quem o desafia

A figura da bruxa carrega séculos de perseguições, demonização, fantasias e interpretações distorcidas. Mesmo hoje, muitas pessoas associam automaticamente a bruxaria ao mal, à perversidade, à sexualidade descontrolada ou a uma suposta ameaça à ordem moral.

Como praticantes do Paganismo Moderno, temos razões para contestar essas representações. Nossas tradições são diversas, nossas concepções espirituais não se resumem às caricaturas produzidas por nossos adversários e nossa existência não precisa ser legitimada por instituições religiosas que historicamente nos hostilizaram.

Mas existe uma contradição que precisamos enfrentar: quando uma pessoa se apresenta publicamente como bruxa e adota uma postura que pode ser interpretada como sexualmente invasiva, corre o risco de oferecer aos preconceituosos um argumento aparentemente conveniente para confirmar seus estereótipos.

Isso não significa que devamos aceitar a ideia de que toda bruxa precisa ser recatada, discreta ou obediente às convenções sociais. Seria absurdo substituir uma caricatura por outra e exigir que os praticantes do Paganismo Moderno se comportem de acordo com um padrão moral imposto de fora.

O problema não está em ser irreverente, sensual, provocadora ou transgressora. Está em confundir essas características com uma autorização para ignorar os limites de outras pessoas.

Não precisamos demonstrar respeitabilidade aos olhos de uma sociedade conservadora para merecer direitos. Precisamos, porém, compreender que a liberdade individual não elimina a responsabilidade pelas consequências de nossas escolhas.

Também é importante lembrar que o Paganismo Moderno não possui uma representação única e universal. Nenhuma pessoa, por mais visibilidade que conquiste, pode ser automaticamente tomada como porta-voz de todas as bruxas, de todos os pagãos ou de todas as tradições espirituais não cristãs.

Você tem o direito de expressar suas convicções e construir sua própria identidade religiosa. Mas, se decide associar essa identidade a uma atuação pública, precisa estar preparada para responder por ela, sem presumir que suas atitudes representem toda uma comunidade.

## Eduarda Campopiano: uma eleição não encerra o debate

A eleição de Eduarda Campopiano para a Assembleia Legislativa de São Paulo acrescenta uma nova dimensão política a esse episódio. Sua chegada ao Legislativo estadual, prevista para a legislatura iniciada em 2027, amplia a relevância de acompanhar suas posições, suas propostas e a maneira como exercerá o mandato.

Isso, entretanto, não transforma retroativamente o episódio em uma disputa entre uma bruxa injustiçada e uma política vitoriosa, nem permite concluir que uma das partes tenha razão em todas as questões envolvidas.

Uma eleição confere legitimidade política para exercer um mandato, dentro das regras democráticas. Não constitui certificado de superioridade moral, prova de que todas as posições do eleito são corretas ou autorização para que suas ações fiquem acima da crítica.

Da mesma forma, criticar a sua conduta naquele debate não significa endossar suas convicções religiosas ou políticas. Podemos rejeitar o conservadorismo, questionar o uso político da religião e, simultaneamente, reconhecer que uma abordagem sexual explícita pode ser inadequada ou indesejada.

Essa distinção é fundamental para quem pretende defender uma sociedade plural. Se nossos princípios só valem quando beneficiam pessoas com as quais concordamos, não estamos defendendo princípios: estamos apenas escolhendo a quem concederemos proteção.

Não devemos transformar Eduarda em símbolo incontestável de virtude por ter sido alvo de uma declaração controversa. Tampouco devemos desqualificá-la automaticamente porque discordamos de suas posições. O que cabe é avaliar suas ações políticas com o mesmo rigor que aplicamos às ações de qualquer outra representante pública.

A mesma exigência vale para nós. A oposição ao conservadorismo religioso não nos torna imunes à crítica, assim como a identidade pagã não nos confere superioridade moral sobre quem segue outras crenças.

## O processo judicial e a responsabilidade ética

É necessário estabelecer outra distinção: a crítica ética a uma declaração não equivale a uma conclusão jurídica sobre o caso.

O fato de ter sido apresentada uma ação judicial não significa, por si só, que houve condenação ou que todas as alegações de uma das partes estejam comprovadas. Cabe à Justiça examinar os fatos, os argumentos e as provas, assegurando às partes o direito de defesa.

Não pretendo antecipar esse julgamento, nem atribuir a você uma responsabilidade jurídica que ainda dependa de apreciação judicial.

Mas a existência de uma disputa judicial não impede uma reflexão sobre a dimensão ética do episódio. Independentemente do resultado do processo, é legítimo questionar se uma declaração foi apropriada, se contribuiu para o debate que pretendia promover e se respeitou os limites necessários à convivência pública.

Também é possível reconhecer que uma manifestação pode produzir consequências indesejadas sem concluir, automaticamente, que todas as interpretações feitas a seu respeito são justas.

Essa cautela deve valer para todos. Não precisamos escolher entre condenar antecipadamente alguém e fingir que nada merece ser discutido.

## A autocrítica que também cabe à comunidade pagã

Existe ainda uma questão que não diz respeito exclusivamente a você, mas a todos nós que participamos de debates religiosos e políticos.

É fácil denunciar a intolerância quando ela vem de nossos adversários. Mais difícil é reconhecer os erros de pessoas com as quais compartilhamos alguma afinidade ideológica, espiritual ou cultural.

Quando isso acontece, surge a tentação de justificar qualquer comportamento em nome de uma causa maior. Uma declaração inadequada vira apenas uma brincadeira; uma provocação improdutiva transforma-se em resistência; uma crítica legítima à conduta de alguém passa a ser tratada como perseguição à comunidade inteira.

Esse mecanismo não é exclusivo de pagãos, cristãos ou de qualquer grupo político. É uma tendência humana que precisa ser enfrentada precisamente porque todos estamos sujeitos a ela.

O Paganismo Moderno é plural, reúne tradições diferentes e não exige que seus praticantes pensem da mesma maneira sobre política, sexualidade, ética ou espiritualidade. Essa diversidade é uma riqueza, mas também exige maturidade para conviver com divergências e reconhecer que a liberdade de um integrante não pode ser utilizada para silenciar o questionamento dos demais.

Não precisamos criar uma polícia moral pagã, nem estabelecer uma cartilha universal de comportamento para quem se identifica como bruxa. Precisamos, isso sim, cultivar o pensamento crítico e compreender que uma identidade espiritual não substitui o conhecimento, a reflexão ou a responsabilidade individual.

Se queremos combater séculos de estigmatização, devemos fazê-lo sem reproduzir mecanismos de humilhação, desumanização ou intolerância. E, quando alguém de nossa comunidade erra, reconhecer esse erro não significa entregar uma vitória aos preconceituosos. Significa demonstrar que somos capazes de exercer a mesma capacidade crítica que exigimos dos outros.

## Estudar, refletir e se preparar antes de voltar ao debate público

Por essas razões, meu conselho é que você reserve algum tempo para refletir sobre o episódio, distancie-se da necessidade de responder imediatamente a cada provocação nas redes sociais e invista no aprofundamento de seus conhecimentos antes de assumir novamente um papel de destaque em debates públicos.

Não digo isso porque considere que somente pessoas com diplomas, títulos ou credenciais específicas tenham direito de falar sobre religião. O conhecimento não é propriedade exclusiva das instituições, e a experiência pessoal também tem seu valor.

Digo porque visibilidade pública exige preparo. Quem pretende discutir religião, política, sexualidade e liberdade precisa conhecer os argumentos envolvidos, compreender as possíveis consequências de suas declarações e distinguir uma provocação que abre espaço para a reflexão de outra que apenas alimenta a hostilidade.

Se você deseja defender a bruxaria e o Paganismo Moderno, estude suas histórias, suas diferentes tradições, seus contextos culturais e suas divergências internas. Aprenda também a distinguir aquilo que constitui sua experiência pessoal daquilo que pode ser afirmado sobre uma comunidade religiosa inteira.

E, sobretudo, não confunda a capacidade de causar escândalo com a capacidade de produzir pensamento crítico.

A seriedade de uma tradição não depende de todos os seus praticantes adotarem o mesmo comportamento. Depende, entre outras coisas, de nossa disposição para tratar nossas convicções com profundidade, reconhecer nossos limites e responder honestamente pelas consequências de nossas escolhas.

## A liberdade que defendemos precisa valer para todos

Savani, minha crítica não é um pedido para que você se torne uma pessoa convencional, abandone sua irreverência ou se submeta ao moralismo de quem pretende definir quais formas de espiritualidade são aceitáveis.

É justamente porque considero importante a liberdade religiosa que acredito ser necessário distinguir a transgressão consciente da simples imprudência. Uma coisa é questionar as normas de uma sociedade conservadora; outra é supor que o questionamento dessas normas nos dispensa de refletir sobre a maneira como tratamos outras pessoas.

O Paganismo Moderno não precisa provar seu valor imitando a respeitabilidade exigida por seus detratores. Tampouco precisa demonstrar sua liberdade por meio de provocações que possam comprometer o debate que pretende promover.

Nossa melhor resposta à intolerância religiosa não é reproduzir a lógica de nossos adversários, mas construir argumentos, aprofundar conhecimentos, defender direitos e demonstrar que a diversidade espiritual é compatível com a responsabilidade ética.

O mesmo princípio deve orientar nossa relação com a política. Podemos combater o conservadorismo religioso sem transformar seus representantes em alvos desumanizados. Podemos criticar uma deputada eleita sem negar sua legitimidade democrática. Podemos defender uma pessoa contra o preconceito sem declarar que todas as suas ações são irrepreensíveis.

E podemos criticar uma praticante do Paganismo Moderno sem concluir que sua conduta define todas as bruxas.

**Não precisamos de defensores infalíveis. Precisamos de pessoas capazes de reconhecer seus erros, aprender com eles e continuar defendendo suas convicções sem abrir mão da liberdade e da dignidade dos outros.**

Se você pretende continuar ocupando espaços públicos em nome de sua identidade espiritual, espero que o episódio sirva não apenas como motivo de controvérsia, mas como oportunidade de reflexão e amadurecimento.

Afinal, a melhor maneira de combater o preconceito contra as bruxas não é provar que somos capazes de escandalizar tanto quanto nossos detratores esperam. É demonstrar que somos capazes de pensar criticamente, discordar com firmeza, reconhecer nossos erros e sustentar nossa liberdade sem negar a liberdade alheia.

**Cordialmente,**

*Um escritor e praticante do Paganismo Moderno.*

Criado com ChatGPT.

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