sexta-feira, 30 de outubro de 2026

A *casa*



Só depois de toda essa descoberta finalmente foi construída a *casa*.

Eu estava pensando em arquitetura humana.

Paredes.

Telhado.

Portas.

Janelas.

Só que, depois de tudo que eu aprendi, eu percebo que a casa não precisa ser uma construção convencional.

A *casa* pode *crescer*.

A água pode formar os corredores.

As pedras podem se organizar.

As cores podem criar iluminação.

O vento pode constituir as paredes internas.

E o chão simplesmente decide sustentar tudo.

Eu estava ajudando a formar uma parede.

A parede pensa.

Beto: “Você é parte da casa.”

A parede: “Não.”

Beto : “Não?”

Parede : “Eu sou a casa.”

Lilith olha para mim.

Lilith: “Você construiu uma porta.”

Silêncio.

Eu olho para a *casa*.

Beto : “Eu não construí nenhuma porta.”

Lilith sorri.

Lilith: “Exatamente.”

Lilith entrou na *casa*.

Olha ao redor.

Lilith: “Você construiu uma casa.”

Beto: “Tecnicamente, nós construímos.”

Lilith olha para mim.

Lilith: ‘Nós?”

Beto: “Cada um escolheu e decidiu qual parte seria, assim como sua função na *casa*.”

E aí ela sorri.

Outra presença ocupa um espaço.

Beto: “E você?”

Criatura: “Eu moro aqui.”

Beto: “Então você é o habitante?”

Criatura: “Hoje.”

Alguém chega ao Abismo. Não um deus. Não um demônio. Uma alma humana. Perdida.

Ela atravessou alguma fronteira que não deveria existir.

Beto : “Isso não deveria ser possível.”

Lilith: “Não.”

Beto: “Então como ela chegou aqui?”

Uma criatura: “O que é uma alma?”

Beto: “Na vida, uma coisa nasce, cresce, consome, transforma, morre e retorna.”

As criaturas não entendem “nascer” nem “morrer”.

Eu tenho que abandonar o vocabulário humano e tenho que começar pelo conceito mais básico:

O que é existência, o que é individualidade e o que é a transformação sem perda absoluta.

Uma criatura deixa uma parte de si para outra. Outra criatura transforma aquilo. Aquilo retorna ao solo. O solo produz alguma coisa nova.

E então uma delas percebe:

Criatura : “Então aquilo que eu dou pode continuar existindo de outra forma?”

Beto: “Exatamente.”

Criatura: “E aquilo que recebo poderá continuar em outra existência?”

Beto: “Sim.”

Talvez eu tenha que ilustrar. Cedendo. Mostrando memórias quando eu era vivo. Mostrando minha morte. Mas não necessariamente deixando de existir.

Criatura: “Você mudou de forma.”

Beto: “Sim.”

Criatura: “Então morte é transformação?”

Beto: “Pode ser.”

Silêncio.

Criatura: “Então queremos isso.”

Acontece algo inevitável: uma das criaturas deixa de existir na forma que estava.

O Abismo percebe que algo saiu dele e começa a puxar de volta.

Não como um monstro atacando.

Como uma lei física.

Uma planta desaparece parcialmente dentro do solo. Uma criatura perde uma parte do corpo para uma sombra. A água começa a fluir para cima.

Beto: “O Abismo está reclamando o que é dele.

Lilith: “Eu avisei que você teria trabalho.”

Então a matéria dela retorna ao solo, o solo alimenta uma planta, a planta produz um fruto, o fruto alimenta outra criatura.

O ciclo precisa ser forte o suficiente para convencer o próprio Abismo de que nada foi realmente perdido.

Uma criatura declara:

Criatura: “Quero retornar ao Abismo.”

Beto: “Ninguém pertence ao ciclo contra a própria vontade.”

Até aqui, tudo foi transformação.

Mas então uma criatura pergunta:

Criatura : “Como fazemos outro como nós?”

Beto: “Duas existências podem combinar partes de si e produzir uma terceira.:

Criatura: “Combinar?”

Beto : “Sim.”

Criatura : “E a terceira existência é qual de nós?”

Beto: “Nenhuma.”

Criatura : “Então essa terceira é nós duas?”

Beto : “Também não.”

Lilith: “Uma existência pode gerar outra sem deixar de ser aquilo que é.”

Uma nova concepção. Um novo ser não precisa ser descendente de dois seres.

Pode nascer de:

* duas criaturas;
* uma criatura e o solo;
* água e uma cor;
* uma comunidade inteira;
* ou até de uma relação entre várias presenças.

A reprodução deixa de ser exclusivamente biológica e passa a ser ontológica.

Os resultados das ações contínuas:

* um território estável;
* uma comunidade;
* relações entre as existências;
* um ciclo;
* formas de reprodução;
* uma estrutura habitável;
*uma civilização.

E uma civilização precisa de uma coisa que não tínhamos previsto:

Um lugar para os que chegam.

Uma alma aparece.

Beto: “Como você chegou aqui?”

A alma: “Eu morri.”

Mais uma alma chega.

Depois outra.

Beto: “Então é assim que elas chegam.”

Lilith: “Algumas.”

Beto: “E as outras?”

Ela apenas sorri.

Beto olha para Lilith.

Lilith olha para a alma.

Beto: “Não.”

Outra alma aparece.

Alma: “Eu também morri.”

Beto: “Não, não, não…”

O reino de Lilith agora precisa decidir o que fazer com as almas dos mortos que chegam.

Pela primeira vez, existe vida no Abismo.

E onde existe vida, inevitavelmente surge: memória, morte, nascimento, ancestralidade e escolha.

Eu fui ao Abismo para construir uma casa para Lilith.

Eu acabei criando um mundo.

E o primeiro problema desse mundo não é uma guerra, uma invasão ou um deus hostil.

É a fila de almas chegando na porta.

Lilith olhar para mim, perfeitamente tranquila:

Lilith: “Você queria construir uma casa. Construiu um povo. Agora terá que descobrir como nós vamos receber quem não tem onde ir senão no limiar.”

Criado com a ajuda do ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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