Eu estava pensando em arquitetura humana.
Paredes.
Telhado.
Portas.
Janelas.
Só que, depois de tudo que eu aprendi, eu percebo que a casa não precisa ser uma construção convencional.
A *casa* pode *crescer*.
A água pode formar os corredores.
As pedras podem se organizar.
As cores podem criar iluminação.
O vento pode constituir as paredes internas.
E o chão simplesmente decide sustentar tudo.
Eu estava ajudando a formar uma parede.
A parede pensa.
Beto: “Você é parte da casa.”
A parede: “Não.”
Beto : “Não?”
Parede : “Eu sou a casa.”
Lilith olha para mim.
Lilith: “Você construiu uma porta.”
Silêncio.
Eu olho para a *casa*.
Beto : “Eu não construí nenhuma porta.”
Lilith sorri.
Lilith: “Exatamente.”
Lilith entrou na *casa*.
Olha ao redor.
Lilith: “Você construiu uma casa.”
Beto: “Tecnicamente, nós construímos.”
Lilith olha para mim.
Lilith: ‘Nós?”
Beto: “Cada um escolheu e decidiu qual parte seria, assim como sua função na *casa*.”
E aí ela sorri.
Outra presença ocupa um espaço.
Beto: “E você?”
Criatura: “Eu moro aqui.”
Beto: “Então você é o habitante?”
Criatura: “Hoje.”
Alguém chega ao Abismo. Não um deus. Não um demônio. Uma alma humana. Perdida.
Ela atravessou alguma fronteira que não deveria existir.
Beto : “Isso não deveria ser possível.”
Lilith: “Não.”
Beto: “Então como ela chegou aqui?”
Uma criatura: “O que é uma alma?”
Beto: “Na vida, uma coisa nasce, cresce, consome, transforma, morre e retorna.”
As criaturas não entendem “nascer” nem “morrer”.
Eu tenho que abandonar o vocabulário humano e tenho que começar pelo conceito mais básico:
O que é existência, o que é individualidade e o que é a transformação sem perda absoluta.
Uma criatura deixa uma parte de si para outra. Outra criatura transforma aquilo. Aquilo retorna ao solo. O solo produz alguma coisa nova.
E então uma delas percebe:
Criatura : “Então aquilo que eu dou pode continuar existindo de outra forma?”
Beto: “Exatamente.”
Criatura: “E aquilo que recebo poderá continuar em outra existência?”
Beto: “Sim.”
Talvez eu tenha que ilustrar. Cedendo. Mostrando memórias quando eu era vivo. Mostrando minha morte. Mas não necessariamente deixando de existir.
Criatura: “Você mudou de forma.”
Beto: “Sim.”
Criatura: “Então morte é transformação?”
Beto: “Pode ser.”
Silêncio.
Criatura: “Então queremos isso.”
Acontece algo inevitável: uma das criaturas deixa de existir na forma que estava.
O Abismo percebe que algo saiu dele e começa a puxar de volta.
Não como um monstro atacando.
Como uma lei física.
Uma planta desaparece parcialmente dentro do solo. Uma criatura perde uma parte do corpo para uma sombra. A água começa a fluir para cima.
Beto: “O Abismo está reclamando o que é dele.
Lilith: “Eu avisei que você teria trabalho.”
Então a matéria dela retorna ao solo, o solo alimenta uma planta, a planta produz um fruto, o fruto alimenta outra criatura.
O ciclo precisa ser forte o suficiente para convencer o próprio Abismo de que nada foi realmente perdido.
Uma criatura declara:
Criatura: “Quero retornar ao Abismo.”
Beto: “Ninguém pertence ao ciclo contra a própria vontade.”
Até aqui, tudo foi transformação.
Mas então uma criatura pergunta:
Criatura : “Como fazemos outro como nós?”
Beto: “Duas existências podem combinar partes de si e produzir uma terceira.:
Criatura: “Combinar?”
Beto : “Sim.”
Criatura : “E a terceira existência é qual de nós?”
Beto: “Nenhuma.”
Criatura : “Então essa terceira é nós duas?”
Beto : “Também não.”
Lilith: “Uma existência pode gerar outra sem deixar de ser aquilo que é.”
Uma nova concepção. Um novo ser não precisa ser descendente de dois seres.
Pode nascer de:
* duas criaturas;
* uma criatura e o solo;
* água e uma cor;
* uma comunidade inteira;
* ou até de uma relação entre várias presenças.
A reprodução deixa de ser exclusivamente biológica e passa a ser ontológica.
Os resultados das ações contínuas:
* um território estável;
* uma comunidade;
* relações entre as existências;
* um ciclo;
* formas de reprodução;
* uma estrutura habitável;
*uma civilização.
E uma civilização precisa de uma coisa que não tínhamos previsto:
Um lugar para os que chegam.
Uma alma aparece.
Beto: “Como você chegou aqui?”
A alma: “Eu morri.”
Mais uma alma chega.
Depois outra.
Beto: “Então é assim que elas chegam.”
Lilith: “Algumas.”
Beto: “E as outras?”
Ela apenas sorri.
Beto olha para Lilith.
Lilith olha para a alma.
Beto: “Não.”
Outra alma aparece.
Alma: “Eu também morri.”
Beto: “Não, não, não…”
O reino de Lilith agora precisa decidir o que fazer com as almas dos mortos que chegam.
Pela primeira vez, existe vida no Abismo.
E onde existe vida, inevitavelmente surge: memória, morte, nascimento, ancestralidade e escolha.
Eu fui ao Abismo para construir uma casa para Lilith.
Eu acabei criando um mundo.
E o primeiro problema desse mundo não é uma guerra, uma invasão ou um deus hostil.
É a fila de almas chegando na porta.
Lilith olhar para mim, perfeitamente tranquila:
Lilith: “Você queria construir uma casa. Construiu um povo. Agora terá que descobrir como nós vamos receber quem não tem onde ir senão no limiar.”
Criado com a ajuda do ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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