Típico. Todo valentão é um covarde. Dudu Bananinha deve estar preparando o quarto de hóspedes.
Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.
# Fuga das Galinhas — ou a coragem que pegou o primeiro avião
Existe uma categoria de político que adora falar grosso, posar de guerreiro e distribuir ameaças como quem distribui santinhos em época de eleição. É o valentão de microfone, o patriota de palanque, o sujeito que promete enfrentar o mundo inteiro — desde que o mundo inteiro esteja longe e não apareça com uma intimação na mão.
Mas basta o vento mudar de direção para começar a misteriosa síndrome da mala pronta.
A notícia de que Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil para viajar aos Estados Unidos e à Argentina, se confirmada nos termos divulgados, oferece um roteiro irresistível para o cinema nacional. E não seria um drama político, muito menos um filme de ação. Seria uma animação: **“Fuga das Galinhas — a revanche do poleiro”**.
No papel principal, nosso herói emplumado, com expressão de quem está apenas fazendo turismo e uma mala cuidadosamente etiquetada com os nomes dos países de destino. Afinal, ninguém foge: apenas exerce o sagrado direito de viajar quando a paisagem doméstica começa a ficar inconveniente.
Ao fundo, as galinhas observam a movimentação, perplexas. Durante anos, ouviram discursos sobre patriotismo, soberania nacional e coragem para enfrentar inimigos imaginários. Agora, veem o protagonista bater asas justamente quando o enredo fica interessante.
Que injustiça com as aves! A galinha, pelo menos, não faz discurso sobre bravura antes de correr para o galinheiro.
E o melhor da história está no possível destino da excursão. Nos Estados Unidos ou na Argentina, sempre pode haver um amigo, um aliado ideológico ou algum companheiro disposto a oferecer abrigo. Eduardo Bolsonaro, o Dudu Bananinha, por exemplo, poderia providenciar um quarto de hóspedes. Uma cama arrumada, toalhas limpas, café da manhã e, quem sabe, uma plaquinha na porta: “Suíte Patriótica — entrada pelos fundos”.
Seria uma bela reunião familiar. O exílio, quando compartilhado com parentes e amigos, fica quase com cara de colônia de férias. Só faltaria combinar quem lava a louça e quem explica aos vizinhos que ninguém está fugindo de nada.
É curioso como a palavra *patriotismo* muda de significado conforme a conveniência. Para alguns, significa defender o país com fervor, desde que a defesa consista em atacar adversários, desconfiar das urnas e tratar instituições democráticas como inimigas pessoais. Quando chega a hora de enfrentar as consequências dos próprios discursos, porém, o patriotismo ganha rodinhas de mala e procura o portão de embarque.
O Brasil, esse país de memória curta e ironia abundante, já viu muitos personagens se apresentarem como leões diante das câmeras e descobrirem, longe delas, que a vida real não oferece trilha sonora heroica nem edição favorável.
Na política, a valentia costuma ser uma mercadoria curiosa: vende muito no palanque, rende aplausos nas redes sociais e perde valor quando confrontada com a realidade. É uma coragem que funciona melhor em vídeos curtos, de preferência com música épica e comentários desativados.
Evidentemente, viajar não é crime. Qualquer cidadão tem o direito de atravessar fronteiras, tirar férias, visitar parentes ou simplesmente mudar de ares. O humor nasce do contraste entre a pose de destemido e a imagem do sujeito que, diante de uma situação politicamente desconfortável, parece preferir outros horizontes.
Afinal, quem passa tanto tempo prometendo enfrentar inimigos talvez devesse tomar cuidado com uma pergunta incômoda: enfrentar quem, exatamente, e até quando?
No cartaz do nosso filme imaginário, a frase de efeito seria inevitável:
**“Nem todo voo é liberdade. Às vezes, é só o poleiro ficando pequeno.”**
E, na cena pós-créditos, Dudu aparece esticando o lençol da cama, ajeitando o travesseiro e perguntando:
— Flávio, você prefere café ou suco?
Do lado de fora, uma galinha olha para a câmera e comenta:
— Engraçado... quando era para botar banca, ele era galo. Agora que o terreiro esquentou, virou passageiro internacional.
Corta para os créditos.
E que ninguém se ofenda com a comparação. As galinhas, ao menos, têm uma virtude que anda em falta em certos ambientes políticos: quando correm, não precisam inventar uma teoria sobre a superioridade moral do próprio voo.
**Moral da história:** há quem passe a vida inteira vendendo coragem no atacado e, na primeira dificuldade, procure comprá-la de volta no balcão das companhias aéreas.
O problema é que a passagem pode ser de ida e volta. A reputação, nem sempre.
Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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