terça-feira, 29 de setembro de 2020

Crença não pode justificar preconceito

Por Aurelio do Amaral Peixoto Garofal a propósito dos comentários [feitos ao texto-NB] de Arcebispo anglicano apoia união gay e diz que rei Davi gostava de homem.
Sou professor de grego de seminários, também lecionei no seminário teológico da igreja evangélica e posso dizer que a homofobia católica e evangélica me surpreende por diferentes e inaceitáveis motivos.
A traduções (traições), como o próprio provérbio italiano lembra (traduttore, tradittore), foram ao longo dos séculos discricionariamente destinadas a colocar no mesmo crime etimológico, categorias de criminosos sexuais que na Antiguidade distinguiam-se mais (sobretudo na cultura grega) por critérios totalmente opostos aos nossos.
O que o pseudoepígrafo que se nomeia Paulo condenava eram os indivíduos de costumes torpes, infames, os quais se infiltravam em comunidades para perverter mocinhas e rapazinhos sob pretexto de "discipulado" e com fins de proveito sexual.
Nada diferente de hoje, por isso vemos que a origem da efebofilia e pedofilia católica e evangélica é milenar.
O fato de haver homens autorizados a praticar o sexo entre iguais COMO SE FOSSE MULHER -- uma pedra de tropeço no pé dos tradutores homofóbicos e teólogos cheios de sevícias mentais reprimidas -- nada tinha a ver com deitar-se de forma passiva, menos ainda com outro homem "na horizontal", ou no populacho escrachado "de quatro".
Antes se referia ao costume dos prostitutos cultuais de VESTIREM-SE COMO MULHERES, hábito litúrgico trazido de Babilônia (pois a Bíblia foi realmente finalizada depois do exílio) e que os ortodoxos ABOMINAVAM, tanto que colocaram a palavra abominação ao Senhor (na verdade abominação pra eles) e algumas traduções até hoje lhes chamam de RAPAZES ESCANDALOSOS...(prostituição sagrada).
Os homens moles, os homens dados à cama, homens macios, e várias outras traduções possíveis para os termos que o falso Paulo nomeia ARSENOKOTAI E MALAKOI, podem abranger desde prostitutos masculinos de homossexuais (michês, na linguagem gay de hoje) até a simples preguiçosos ou parasitas que se querem sustentar por mulheres carentes ou homens mais velhos solteiros.
Não é justo hoje aplicar tais conceitos aos gays, cidadãos respeitáveis, trabalhadores e honestos, obedientes aos pais, fiéis nos contratos, alguns até muito educados, como se fossem todos criminosos sexuais por simplesmente gostarem de pessoas do mesmo sexo que eles.
Eu testemunhei ao longo dos anos que muitos deles, casados ou celibatários, formaram-se em clérigos ou reverendos, e foram e são excelentes profissionais da alma, conselheiros, padres e pastores.
O fato de os pastores se casarem compulsoriamente, como exigem as igrejas evangélicas, não os "modifica" na sua homossexualidade, que permanece latente, assim como a sua homossexualidade, latente ou conscientemente praticada e aparente, não os desabilita em nada na fidelidade da fé religiosa e na vida profissional eclesiástica.
Os casos patológicos e anômalos de desrespeito à prudência mais elementar, tanto por parte de padres quanto de pastores, devem-se não ao fato de serem homossexuais, mas ao de não se aceitarem, não se resolverem bem, e, pela própria vida sexual dupla e escondida, tornarem-se doentes emocionais e posteriormente, doentes sociais.
O fato de a maioria das pessoas que comentam aqui os verdadeiros absurdos que lemos deve-se não propriamente à homofobia, mas à ignorância e baixa escolaridade. Além do total desconhecimento da língua grega, da cultura e da história antropológicas, da antropologia sexual e cultural, enfim, do obscurantismo pré-medieval em que se encontra quem pouco ou mal lê.
Os absurdos também se devem ao fato de os supostos líderes cristãos homofóbicos serem tão veemente contra algo em que eles estão atolados até o talo. Até o mais elementar senso comum consegue descobrir o porquê.
Fonte: Paulopes
Nota da casa [aproveitando um comentário que eu fiz no Paulopes]:
O mais engraçado e curioso é que essa habilidade "transcendente e inefável" dos cristãos em citar a bíblia sempre se esquece de ler o contexto.
Primeiro que esta lei foi dada ao povo de Israel.
Isso é um tiro no pé para os cristãos, afinal, a promessa de salvação e da vinda do messias foi feita exatamente debaixo da Lei Mosaica que eles dizem não precisar mais obedecer por estar "debaixo da graça" - um tiro no pé duplo, visto que o discurso de ódio contra os homossexuais e a homossexualidade vem também da Lei Mosaica.
Texto resgatado com Wayback Machine.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Finalmente, lançado um estatuto

A Frente Parlamentar Mista da Diversidade Sexual, formada por deputados e senadores, entregou nesta terça-feira ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o projeto de lei para criar o Estatuto da Diversidade Sexual. O projeto do estatuto foi formulado por uma comissão da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional por meio de uma proposta de iniciativa popular.
Formulado nos moldes de outros estatutos, como o da Criança e do Adolescente, o do Idoso e o da Igualdade Racial, o da Diversidade Sexual deverá englobar todos os projetos de lei que tratam de direitos dos homossexuais. Ele inclui alguns que já estão juridicamente consolidados, como o do direito à dependência nos planos de saúde e o da união civil, além dos que que tramitam em projetos isolados, como o direito a visto de permanência no país, no caso de união estável entre pessoas do mesmo sexo.
Segundo o deputado Jean Willis (PSOL-RJ), a ideia é esclarecer a sociedade sobre as diferenças entre direitos civis e o reconhecimento religioso. "Vamos fazer uma campanha de esclarecimento, com artistas, para deixar claro que o direito é público, a religião é privada. A partir daí,vamos fazer uma pressão de fora para dentro, como foi o caso do Ficha Limpa", disse.
Além do projeto do estatuto, a frente parlamentar também levou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para Sarney. A PEC prevê mudanças no texto constitucional a fim de inserir a proibição da discriminação por orientação sexual, estabelecendo que união estável e casamento independem de orientação sexual - atualmente o casamento é previsto apenas como entre um homem e uma mulher - e para modificar a licença-maternidade para licença-natalidade. Neste caso, a licença deixaria de ser de quatro meses para a mulher e cinco dias para o homem, para passar a ser de 180 dias para o casal. Nos primeiros 15 dias, seria simultânea para os dois. O resto do tempo poderia ser dividida a critério do casal, não sendo cumulativa.
Para a presidente da comissão que elaborou as propostas, Maria Berenice Dias, aprovar as medidas não será difícil. "Eu tenho certeza que é um projeto que vai ser aprovado", disse após participar da reunião com os parlamentares. "Já temos a decisão do Supremo reconhecendo a união civil entre homossexuais. Ou o legislador faz o dever de casa, ou vai perder espaço", completou.
A PEC deverá ser encaminhada para ser apresentada pelo Senado, porque os parlamentares acreditam que a Casa terá menos resistência ao projeto. Já o projeto de lei que cria o estatuto, passará primeiro pelo recolhimento de assinaturas para então dar entrada no Congresso Nacional como projeto de iniciativa popular. Neste caso, ele começa a tramitar pela Câmara dos Deputados.
Fonte: Jornal do Brasil (original perdido)
Texto resgatado com Wayback Machine.
Postado originalmente em 25/08/2011.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Cada um colhe o que planta

Rio de Janeiro, 23 ago (2011) (EFE).- O número de católicos continua caindo no Brasil, país que com mais fiéis desta religião no mundo, e onde a porcentagem da população que se declara desta doutrina caiu de 73,79% em 2003 para 68,43% em 2009, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira.
Apesar do catolicismo ainda ser a religião majoritária no país, a porcentagem medida em 2009 foi a menor desde 1872, quando uma pesquisa similar mostrou que 99,72% da população brasileira era católica, segundo o estudo 'Mapa das Religiões no Brasil', divulgado nesta terça-feira pela Fundação Getúlio Vargas.
A redução do número de católicos no Brasil se acentuou nos últimos 30 anos, enquanto 88,96% dos brasileiros se declarou católico em 1980, essa porcentagem caiu para 83,34% em 1991 e para 73,89% em 2000.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas, que baseou seu estudo em enquetes com cerca de 200 mil pessoas, a fuga foi maior entre os jovens entre 15 e 19 anos, quando 67,5% se declarou católico em 2009, contra 75,2% em 2003 (perda de 7,7 pontos percentuais).
Precisamente no estado do Rio de Janeiro, segundo o estudo da Fundação, a porcentagem de católicos caiu menos da metade da população (49,83%) e as pessoas que se declaram sem religião subiu para 15,95%.
Segundo a Fundação Getúlio Vargas, a redução da porcentagem de católicos no Brasil coincidiu com o aumento da porcentagem de brasileiros que se declaram ateus, que subiu de 5,13% em 2003 até 6,72% em 2009.
Até o ano 2000, a redução dos católicos no país era atribuída diretamente ao crescimento dos grupos evangélicos no país, mas estes não registraram um crescimento de fiéis nos últimos seis anos tão elevado como o que registravam anteriormente.
De acordo com o estudo, a porcentagem de brasileiros que diz ser fiel às igrejas evangélicas tradicionais e aos novos grupos evangélicos subiu de 17,88% em 2003 até 20,23% em 2009.
Os seguidores do espiritismo se mantiveram praticamente estáveis (de 1,5% em 2003 para 1,75% em 2009), assim como os praticantes das religiões afro-brasileiras (de 0,23% para 0,35%) e das Igrejas Orientais ou asiáticas (de 0,30% para 0,31%).
Fonte: G1 Mundo (original perdido)
Texto resgatado com Wayback Machine.

sábado, 19 de setembro de 2020

Inteligência feminina

Malines, Bélgica, 22 Ago 2011 (AFP) -Uma fêmea de bonobo, paciente e perseverante, arrebatou de um grupo de chimpanzés machos o título de "macaco mais inteligente do mundo", em um concurso organizado por zoológicos belgas cujo resultado que surpreendeu os primatologistas.
Inspirado em um programa muito popular na TV belga, intitulado "O homem mais inteligente do mundo", o jogo que pôs em campos opostos bonobos do zoológico de Planckendael, em Malines, e os chimpanzés do zôo de Anvers, no noroeste da Bélgica, foi celebrado no começo de agosto com a vitória do primeiro grupo.
As seis provas consistiam em apresentar aos primatas das duas espécies os mesmos quebra-cabeças e labirintos a fim de que se valessem de uma manipulação engenhosa ou a ajuda de ferramentas rudimentares como galhos com folhas com o intuito de pegar laranjas ou nozes.
No começo, a iniciativa "era, acima de tudo, lúdica", explicou Jeroen Stevens, primatologista da Sociedade Real de Zoologia de Anvers (KMDA), que administra os dois zoológicos.
A intenção era sensibilizar o público e financiar um projeto alternativo à caça de macacos no Camarões, onde a "carne de caça" costuma ser considerada uma iguaria.
Mas o resultado do concurso surpreendeu os cientistas.
Jeroen Stevens esperava, na verdade, uma vitória dos chimpanzés, conhecidos por recorrer com frequência a galhos a fim de se alimentar com formigas ou cupins, ou de pedras para abrir nozes. Os bonobos também são capazes de usar ferramentas, mas sabidamente são menos hábeis e isto nunca havia sido observado na natureza, acrescentou.
Além disso, os chimpanzés foram acostumados por seus cuidadores aos labirintos, enquanto que os bonobos ficaram inicialmente assustados com os novos jogos.
Luta pelo poder Jeroen Stevens não havia previsto os problemas políticos dos chimpanzés de Anvers, onde dois jovens machos começaram este verão a contestar o macho dominante que reinou no grupo por 10 anos. No contexto destas disputas de poder, os jogos propostos despertaram um interesse apenas limitado.
Entre os bonobos, uma sociedade mais pacífica e matriarcal, na qual o sexo serve para regular conflitos, foi uma jovem fêmea, Djanoa, que conseguiu, sozinha, completar quatro das seis provas.
O primatologista resistiu, contudo, a concluir que os bonobos - cujo comportamento e as regras sociais ainda são pouco conhecidos - sejam mais inteligentes do que os chimpanzés.
Com a vitória de Djanoa, "a pesquisa só está começando" porque ela levanta novas questões, destacou Stevens.
Djanoa venceu porque é a mais perseverante entre seus congêneres? Ou simplesmente porque ela é a única a realmente apreciar nozes? Ela foi bem sucedida em monopolizar os jogos, interditando o acesso dos demais, mesmo sem ser a fêmea dominante do grupo?
Em meio a questões como estas, os pesquisadores do zôo querem encontrar respostas, variando os alimentos colocados no jogo, oferecendo muitos simultaneamente ou ainda confrontando os macacos individualmente com labirintos e quebra-cabeças.
Com apenas um acerto em seis registrado por um chimpanzé macho, o jogo também permitiu confirmar que tanto entre os bonobos quanto entre os chimpanzés - duas espécies que possuem 98% de genes em comum com os humanos - "as fêmeas são as mais dotadas para utilizar ferramentas", destacou o primatologista.
Mas é perigoso comparar espécies ou generalizar a uma espécie inteira conclusões sobre comportamentos individuais, preveniu Jeroen Stevens.
"Tanto quanto fazer paralelos entre o homem e o macaco", completou.
Fonte: G1 Mundo (original perdido).
Nota da casa: As palavras "sociedade mais pacífica", "matriarcal" e "sexo para regular conflitos" explicaria muito bem.
Texto resgatado com Wayback Machine.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Enfim, o reconhecimento

Demorou só um pouquinho, coisa de mil anos, mas o sr Ratzinger finalmente reconheceu.

MADRI, Espanha, 18 Ago 2011 (AFP) -O Papa Bento XVI reconheceu nesta quinta-feira "abusos na história para impor o conceito de verdade e o monoteísmo", em declarações antes de desembarcar em Madri para liderar a Jornada Mundial da Juventude (JMJ).
"É verdade que aconteceram abusos na história para impor o conceito de verdade e o monoteísmo", declarou o Papa, que visita pela terceira vez a Espanha, onde deve ser saudado por mais de um milhão de pessoas.
Fonte: G1 Mundo (original perdido)
Texto resgatado com Wayback Machine.

domingo, 13 de setembro de 2020

Rebelião interna

Viena, 17 ago (2011) (EFE).- Cerca de 300 padres austríacos dos 2 mil do país se rebelaram contra o Vaticano para exigir reformas, como permitir o sacerdócio às mulheres e aos homens casados.
A iniciativa intitulada 'Um chamado à desobediência', que foi divulgada na internet em junho, vem contando com um crescente apoio de religiosos e está complicando a relação com a hierarquia da Igreja Católica do país.
'Há uma grande insatisfação entre os religiosos', explicou nesta quarta-feira ao jornal 'Österreich' o criador da proposta, o padre Helmut Schüller, antigo vigário-geral de Viena.
Os padres insatisfeitos exigem que a Igreja empreenda reformas para se modernizar, como permitir o sacerdócio às mulheres e aos homens casados e dar a comunhão a todo cristão 'de boa vontade'.
Entre outras medidas, os padres envolvidos na iniciativa iniciarão seus ofícios religiosos com uma oração pela reforma da Igreja.
Schüller explica que o grupo foi forçado a tornar sua posição pública por conta da falta de ação da hierarquia eclesiástica, e calcula que dois terços dos 2 mil padres do país compartilham as ideias da medida.
O idealizador da proposta já expressou duras críticas à Igreja por sua forma de tramitar os inúmeros casos de abusos sexuais realizados por religiosos que vieram à tona nos últimos anos na Áustria.
As críticas não demoraram a chegar, e para o monsenhor Egon Kapellari, bispo de Graz, 'o chamado representa um perigo para a unidade da Igreja'.
O presidente da Conferência Episcopal Austríaca e arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, se reuniu com os representantes dos padres rebeldes, mas comunicou que 'não concordava com a iniciativa e que não a defenderia em Roma', lembrou Schüller.
Na Áustria, os cidadãos devem de notificar oficialmente se pertencem à Igreja Católica, e nos últimos 30 anos entre 30 mil e 50 mil fiéis deixaram as estatísticas católicas a cada ano.
Desta forma 64,8% da população - 5,3 milhões de pessoas - se definiu oficialmente como praticante do catolicismo em 2010, enquanto em 1961 a taxa chegava a 87%.
A Igreja na Áustria se viu afetada por vários escândalos sexuais e de pedofilia nos últimos 15 anos, o que fez com que diminuísse muito sua credibilidade entre os fiéis.
Fonte: G1 Mundo
Nota da casa: Estão colocando em prática a nossa campanha: Mude a Igreja ou Mude-se Dela.
Texto resgatado com Wayback Machine.

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Atéia com alma

Uma atéia em missão de paz. É assim que Rebecca Goldstein, doutora em filosofia pela Universidade de Princeton e pesquisadora na área de psicologia em Harvard (EUA), se posiciona nas discussões, sempre acaloradas, entre ateus e religiosos.
Em seu novo livro, 36 Argumentos Para a Existência de Deus (Companhia das Letras, tradução de George Schlesinger, 536 páginas, 59 reais), Rebecca faz uma crítica ao radicalismo de ambos os lados. E um convite à conciliação. "Ateus têm que deixar o pedantismo de lado e parar de dizer como os religiosos devem pensar", diz ao site de VEJA. "E religiosos têm que parar de pensar que ateus são imorais e não sabem a diferença entre o bem e o mal."
Mistura de romance, ensaio filosófico e divulgação científica, 36 Argumentos... é uma saborosa provocação - para crentes e descrentes - dividida em duas partes. Na primeira, conta a história do "ateu com alma" Cass Seltzer, um psicólogo subitamente famoso por causa de um livro em que refuta... 36 argumentos sobre a existência de Deus. Ao final da aventura de Seltzer, que inclui experiências transcendentais, um apêndice reúne os 36 argumentos e os desmonta, um a um, com base em razões da biologia, astronomia, geologia, matemática, filosofia...
A tensão entre a parte ficcional e os argumentos científicos faz de 36 Argumentos... uma divertida cilada para fanáticos de ambos os lados. "Incluí os aspectos emocionais da discussão filosófica no formato de romance para servir de contraste ao apêndice", diz Rebecca. "Ao final de tudo, uma nova visão pode emergir do encontro entre esses dois lados antagônicos."
Fonte: Veja (original perdido).

Entretanto, com um pouco de contradição, a autora afirma não acreditar nesse Deus mas diz que gosta da definição de Deus como "a natureza", vinda do filósofo holandês Spinoza. Para ele, Deus e a natureza – o próprio universo – são a mesma coisa e aceita experiências transcendentais.
Ter experiências transcendentais para a autora é como ser um 'ateu com alma'. Ela parece admitir que existe algo além do que é comprovável, mas que a ciência não pode explicar.
é algo que o mundo secular não consegue traduzir ainda. Mas isso é porque o idioma religioso está pronto. A humanidade está há milênios exercitando essa linguagem. Já a tradução secular dessas experiências ainda está sendo desenvolvida.
Goldstein admite que isso é mistério para ela "para explicar por que somos capazes de experimentar essas coisas grandiosas. é uma área misteriosa. Contudo, não acho que isso coloque o ateísmo em contradição".
Respondendo a questão sobre o que difere uma experiência transcendental entre um ateu e um religioso ela fala sobre uma 'personalidade filosófica'.
"Quando estamos lidando com questões que estão além de uma resposta definitiva, como a existência de Deus, então nossa 'personalidade filosófica entra em cena".
A autora conclui dizendo que acredita que haja um meio termo entre a posição dos ateus e dos religiosos. Segundo ela, quando tanto os ateus quanto os religiosos cessarem suas tentativas de impor a verdade uns para os outros, elas poderão ver que o modo como enxergam o mundo é muito semelhante.
Fonte: Christian Post (original perdido).
Texto resgatado com Wayback Machine.
Postado originalmente em 14/08/2011.

sábado, 5 de setembro de 2020

Como encobrir crimes contra a humanidade

Não é de hoje, mas desde a Idade Moderna, a Igreja e seus acólitos tem feito um verdadeiro revisionismo histórico para explicar, justificar, encobrir ou negar os inúmeros crimes cometidos em nome do Deus Cristão.
O exemplo mais recente foi a reação contra o filme "Ágora" onde se conta [nos moldes da sétima arte, ou seja, não espere exatidão histórica] a história de Hipátia e de seu assassinato e a destruição do Serapeu de Alexandria e de sua biblioteca.
Vejamos a reação [traduzida no blog Sentir com a Igreja]:

"Acabei de ver o novo filme Ágora , que é uma recontagem da história de Hipátia, a brilhante mulher filósofa de Alexandria que foi morta, supostamente, por uma multidão de "cristãos", no ano 415."
"[...]de fato Hipátia foi  uma filósofa e de fato foi morta por uma multidão em 415, mas praticamente tudo o mais sobre a história que Gibbon, Sagan e Amenabar dizem é falso.
A biblioteca de Alexandria foi queimada até o chão, não por uma turba cristã no século V, mas pelas tropas de Júlio César, cerca de quarenta anos antes de Jesus nascer."

FATO HISTÓRICO:
"Esta teoria está hoje abandonada. Na altura em que César mandou incendiar os navios do porto, terão ardido simplesmente mercadorias, armazéns, e pacotes de livros que estavam no cais para serem transportados para Roma.
A Biblioteca e o Museu terão sido realmente incendiados, juntamente com o Bruquion, em 273 da era cristã, na época do imperador Aureliano, durante a guerra com a princesa Zenóbia. Depois deste acontecimento, a biblioteca foi reconstruída num Museu mais uma vez renovado.
Em 642 d.C., data em que os árabes ocuparam a cidade, não é possível dizer se a Biblioteca e o Museu ainda existiam na sua forma clássica. Pensa-se que terá sido nesta época que os livros da biblioteca terão sido destruídos."[1]
"Um templo ao deus Serápis, chamado Sarapião, foi construído no local da antiga biblioteca (e pode ter havido alguns pergaminhos nele no século V), e foi este edifício que foi destruído por um grupo de cristãos enfurecidos na época de Hipátia, em resposta às contaminações pagãs de casas de culto cristão."

FATO HISTÓRICO:
"O reinado de Teodósio marca o auge de um processo de transformação do Cristianismo, que efetivamente se torna a religião oficial do estado. Em 391, atendendo pedido do então Patriarca de Alexandria, Teófilo, ele autorizou a destruição do Templo de Serápis[...]"[2]
"Em 391 d.C., o famoso templo de Serápis (ornamentado com mármores, ouro e alabastro de primeira qualidade) que também possuía uma biblioteca, foi destruído a mando do Patriarca cristão Teófilo que dirigiu um ataque aos templos pagãos. Todo o bairro onde se situava o templo, Rhaotis, foi então incendiado."[1]
Ou seja, o templo de Serápis e demais templos pagãos estavam em seu lugar de origem. Os templos invasores e estrangeiros eram os dos cristãos.
"Não só havia cristãos nas aulas de Hipátia, não só havia bispos cristãos entre seu círculo de amigos, mas havia também teólogos cristãos - Agostinho, Ambrósio e Orígenes, só para citar os mais proeminentes -  e eles eram entusiastas defensores do neo-platonismo."
Fontes, por favor? A existência de "amigos cristãos" não explica nem desculpa a violência. Aliás, onde estavam estes "amigos"? Cristãos são amigos da onça. Curiosamente os cristãos chegam a negar que o neoplatonismo influenciou a filosofia doutrinária da Igreja, quando os lembro que o neoplatonismo era pagão. O que me faz lembrar da constante atenção seletiva com que os cristãos que aqui comentam, sempre se valendo de autores, livros e textos escandalosamente pró-Igreja.
Caros diletos e eventuais leitores, lamento, mas este blog e seu autor dará preferência a autores, livros e textos, se não pró-pagão, ao menos que sejam pró-verdade.
Fontes:
[1]: Instituição de Educação de Lisboa
[2]: Wikipédia
Texto resgatado com Wayback Machine.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Ensino religioso em debate

Evento gratuito promovido pela empresa de consultoria Gabinete Jurídico acontece dia 2 de agosto (2011) com a participação de especialistas sobre o tema.
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o ensino religioso deve ser oferecido em todas as escolas públicas de ensino fundamental. A frequência das aulas é facultativa. A definição do conteúdo é feita pelos Estados e Municípios, mas a legislação afirma que deve assegurar o respeito à diversidade cultural, para garantir um ensino sem proselitismo, uma vez que a sociedade é repleta de múltiplos credos.
Para debater esse polêmico tema, o Gabinete Jurídico irá promover no dia 2 de agosto, das 19h às 21h30, o evento "O Ensino Religioso no Estado laico e o Ensino Religioso nas Escolas Confessionais". A participação é gratuita e as vagas são limitadas. Os interessados devem se inscrever até dia 30 de julho. O encontro acontece na Rua Lord Cockrane, 616 (no auditório) - Ipiranga.
Participarão da mesa de discussões o pedagogo, professor universitário e especialista em Psicopedagogia e em Desenvolvimento Humano, Educação e Inclusão Escolar Marcelo Reis Clemente e o padre Eduardo Henriques, que é membro da Ordem dos Jesuítas e trabalha atualmente como Orientador Espiritual no Colégio São Francisco Xavier (Ipiranga).
De acordo com a consultora empresarial, Elaine Rodrigues, o assunto merece uma ampla reflexão por que se trata de uma questão de alta complexibilidade e teor polêmico. "Para garantir simultâneamente a liberdade de todos e de cada individuo, a laicidade distingue e separa o domínio público, onde se exerce a cidadania, e o domínio privado, onde se exercem as liberdades individuais (de pensamento, de consciência, de convicção) e onde coexistem as diferenças (biológicas, sociais, culturais). Pertencendo a todos, o espaço público é indivísivel: nenhum cidadão ou grupo de cidadãos deve impôr as suas convicções aos outros. Simétricamente, o Estado laico proíbe-se de intervir nas formas de organização coletivas (partidos, igrejas, associações etc.) às quais qualquer cidadão pode aderir".
Confira o currículo dos convidados para o debate:
Marcelo Reis Clemente é pedagogo; professor universitário (UniSant'Anna e Faculdade Santa Marina); especialista em Psicopedagogia e em Desenvolvimento Humano, Educação e Inclusão escolar pela Universidade de Brasília (UnB); mestrando em Educação e Saúde da Criança e do Adolescente pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); é coordenador pedagógico do Senac; pedagogo hospitalar do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus; e consultor pedagógico e empresarial.
Padre Eduardo Henriques é mineiro de Belo Horizonte. É membro da Ordem dos Jesuítas e trabalha atualmente como Orientador Espiritual no Colégio São Francisco Xavier(Ipiranga).É Bacharel em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais e bacharel em Teologia pela Faculdade Jesuítas de Belo Horizonte (FAJE) e possui um doutorado em educação e teologia por Boston College, nos Estados Unidos.

Sobre o Gabinete Jurídico
A empresa Gabinete Jurídico – Consultoria Empresarial e Treinamento é especializada em consultoria empresarial para micro e pequenos empreendedores dos mais variados segmentos da economia e assessoria educacional. Além de todo atendimento a clientes dentro das áreas fiscal e tributária, trabalhista e meio ambiente, e mais recentemente, na área educacional, a empresa Gabinete Jurídico disponibiliza em seu portal na internet, boletins informativos e um grupo de discussão que acontece a cada duas semanas. A empresa também realiza a edição e distribuição de publicações, de periódicos, congressos e eventos culturais, comércio de livros e material técnico de treinamento e de qualificação profissional.
Fonte: SEGS (original perdido).
Texto resgatado (parcialmente) com Wayback Machine.