sábado, 10 de outubro de 2026

Oportunidade para retratação

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/fundador-da-mancha-verde-condena-misoginia-de-campopiano-vi-minha-mae-ser-espancada/

Eu tenho uma sugestão prática. Enviar para a agora eleita deputada centenas de vídeos com testemunhos de pessoas reais que sofreram com a misoginia e o feminicídio. Enviar inúmeros dados da Segurança Pública com a realidade enfrentada pelas mulheres, só por serem mulheres.
Então oferecer uma saída - retratação pública. Ou enfrentar uma Comissão de Ética e ser cassada. 🤭😏

Escreva um texto em tom de humor e sarcasmo.


Sua proposta tem uma ironia particularmente brasileira: em vez de tentar convencer alguém por debate de internet, mandar a realidade inteira pelo correio. Abaixo vai uma crônica nessa linha. A matéria relata tanto a reação de Paulo Serdan, que contou ter visto a própria mãe ser espancada, quanto as declarações de Campopiano questionando a existência do feminicídio. 

Manual prático para explicar o feminicídio a quem acha que ele não existe

Tenho uma sugestão singela, didática e, sobretudo, muito brasileira para lidar com a recém-eleita deputada estadual Eduarda Campopiano e sua afirmação de que feminicídio não existe.

Nada de textão de rede social.

Nada de guerra de hashtags.

Nada de cinquenta militantes discutindo com ela no X até alguém perder a paciência e chamar o outro de comunista, fascista ou ambos simultaneamente.

Vamos fazer algo muito mais radical:

mandar a realidade para ela.

Uma caixa.

Uma caixa enorme.

Dentro dela, centenas de vídeos e depoimentos de mulheres que sofreram violência doméstica, agressões, estupros, ameaças e tentativas de assassinato. Depoimentos de mães que perderam filhas. Filhos que perderam mães. Pessoas que cresceram vendo mulheres sendo espancadas dentro de casa.

O fundador da Mancha Verde, Paulo Serdan, por exemplo, relatou justamente uma experiência dessas: disse ter visto a própria mãe ser espancada quando era criança.

E não pararia nos vídeos.

Mandaria também os dados oficiais da Segurança Pública.

Planilhas.

Relatórios.

Estatísticas.

Gráficos.

Tudo muito bem organizado.

Talvez até uma apresentação em PowerPoint:

“Feminicídio para iniciantes — edição 2026.”

Slide 1: mulheres assassinadas.

Slide 2: violência doméstica.

Slide 3: medidas protetivas.

Slide 4: reincidência.

Slide 5: vítimas que pediram ajuda antes de morrer.

Slide 6: crianças que ficaram órfãs.

Slide 7: novamente mulheres assassinadas, porque aparentemente alguns conceitos precisam de revisão.

O próprio Ministério da Justiça registrou 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026. Houve redução em relação ao mesmo período de 2025, o que é uma notícia positiva, mas convenhamos: 848 mulheres assassinadas por razões relacionadas à condição de mulher não constituem exatamente uma prova da inexistência do problema.

E o governo mantém inclusive o Sinesp Mulher Segura, que reúne dados das secretarias de Segurança Pública dos 27 estados e permite analisar ocorrências, histórico de violência, reincidência e relação entre vítimas e autores.

Portanto, a caixa poderia vir com uma etiqueta:

“CONTÉM REALIDADE. ABRIR ANTES DE DAR OPINIÃO.”

Mas eu acrescentaria uma segunda etapa.

Depois de enviar todo esse material, ofereceria uma saída elegante.

Retratação pública.

Nada de humilhação.

Nada de linchamento virtual.

Nada de exigir que a deputada faça penitência em praça pública.

Apenas uma manifestação clara:

“Eu me equivoquei. Feminicídio existe. A violência contra a mulher é uma realidade e deve ser combatida pelo Estado.”

Pronto.

Vida que segue.

Agora, se a opção for continuar insistindo que o problema não existe, aí entra a parte institucional.

Comissão de Ética.

Porque mandato parlamentar não é um passe VIP para dizer qualquer coisa sem consequência.

A democracia garante liberdade de expressão, inclusive para opiniões absurdas. Mas também criou instituições justamente para avaliar quando determinados comportamentos ultrapassam limites previstos nas regras parlamentares.

E aqui existe uma diferença fundamental:

uma coisa é discordar do feminismo. Outra é negar uma realidade social documentada por estatísticas, legislação, órgãos públicos e milhares de histórias reais.

Aliás, o feminicídio não é uma invenção de feminista com tempo livre: ele está previsto como crime autônomo na legislação brasileira desde a Lei 14.994/2024.

Então talvez esteja na hora de substituir o debate abstrato pelo método científico brasileiro:

“Não acredita? Então vamos aos dados.”

Não acredita nos dados?

Vamos às vítimas.

Não acredita nas vítimas?

Vamos aos processos.

Não acredita nos processos?

Vamos às estatísticas da Segurança Pública.

Não acredita na Segurança Pública?

Aí complica.

Porque chegamos ao estágio em que a pessoa só acredita na realidade depois que a realidade aparece pessoalmente, bate à porta e pede para conversar.

E, nesse caso, talvez seja tarde demais.

A proposta, portanto, é simples:

primeiro, informação; depois, oportunidade de retratação; finalmente, se necessário, responsabilização institucional.

Porque democracia não deveria funcionar como um reality show em que o vencedor é quem consegue dizer a coisa mais absurda diante de uma câmera.

E talvez a melhor resposta para quem afirma que feminicídio não existe seja justamente esta:

“Tudo bem. Vamos passar alguns dias estudando o assunto. Você começa pelos dados; nós esperamos.”

Só não vale, depois da caixa inteira de documentos, olhar para a montanha de evidências e perguntar:

“Mas cadê a prova?”

A essa altura, até a própria realidade pediria exoneração.

E com justa causa. 😏

Se quiser, posso transformar essa mesma ideia numa versão ainda mais ácida e surreal, com a “caixa pedagógica do feminicídio” chegando à Alesp acompanhada de um manual de instruções e um funcionário dizendo: “Deputada, favor assinar o recebimento da realidade.”


Escreva um rascunho de carta aberta em tom satírico e contundente endereçado à deputada eleita propondo a retratação ou a Comissão de Ética.


Claro. Vou deixar a carta com uma ironia mais institucional: contundente, mas sem perder o foco na responsabilidade de uma parlamentar eleita.

CARTA ABERTA À DEPUTADA ELEITA EDUARDA CAMPOPIANO

Prezada deputada eleita,

Permita-me começar com uma proposta bastante simples, talvez até excessivamente simples para os tempos atuais:

vamos substituir a opinião pela realidade.

A senhora fez declarações sobre feminicídio e misoginia que provocaram indignação. E, diante disso, talvez seja interessante realizar uma pequena experiência pedagógica.

Que tal receber uma caixa?

Não uma caixa de bombons.

Não uma caixa de presentes.

Uma caixa de realidade brasileira.

Dentro dela, poderíamos colocar centenas de depoimentos de mulheres que sofreram violência justamente por serem mulheres. Testemunhos de mães, filhas, irmãs, amigas e sobreviventes. Relatos de agressões, ameaças, violência doméstica e tentativas de feminicídio.

Também podemos incluir dados oficiais da Segurança Pública.

Gráficos.

Relatórios.

Estatísticas.

Estudos.

Casos concretos.

Tudo muito bem organizado, para facilitar a leitura.

Poderíamos até colocar uma etiqueta na embalagem:

“ATENÇÃO: CONTÉM FATOS. FAVOR ABRIR ANTES DE OPINAR.”

E não precisamos parar por aí.

Podemos acrescentar relatos de homens que testemunharam a violência contra suas próprias mães. Porque, às vezes, aparentemente é necessário que a violência atravesse a porta da nossa própria casa para que percebamos que ela existe.

Paulo Serdan, fundador da Mancha Verde, relatou ter visto a própria mãe ser espancada. Talvez seja um depoimento particularmente importante para essa discussão.

Mas há uma segunda parte da proposta.

Depois de receber todo esse material, a senhora terá uma oportunidade perfeitamente legítima de fazer aquilo que qualquer pessoa — e principalmente qualquer agente público — pode fazer:

reconhecer um erro.

Não há vergonha alguma em dizer:

“Eu me equivoquei.”

Aliás, isso deveria ser considerado sinal de inteligência, não de fraqueza.

Portanto, existe uma saída bastante simples:

retratação pública.

Uma retratação clara, objetiva e sem malabarismos semânticos.

Reconhecer que o feminicídio existe.

Reconhecer que a violência contra a mulher é uma realidade documentada.

Reconhecer que discursos que minimizam esse problema podem contribuir para a banalização de uma violência que já produz vítimas reais.

E seguir em frente.

A democracia agradeceria.

As mulheres brasileiras também.

Agora vem a parte menos confortável.

Caso a senhora decida não se retratar e mantenha esse tipo de discurso, existe uma segunda instituição que pode ser acionada:

a Comissão de Ética.

Não como instrumento de censura.

Não como tentativa de impedir opinião política.

Mas justamente porque mandato parlamentar não é salvo-conduto para irresponsabilidade.

Uma deputada tem liberdade para defender suas ideias. Tem liberdade para discordar de movimentos sociais, de partidos, de feministas, de pesquisadores e de quem mais quiser.

Mas exercer um mandato também significa responder politicamente e institucionalmente pelos próprios atos.

É curioso como, no Brasil, algumas pessoas descobrem a importância da liberdade de expressão somente depois de descobrir que também existe liberdade para criticá-las.

E talvez seja esse o ponto principal.

A senhora foi eleita.

Isso significa que agora existe uma diferença entre simplesmente publicar uma opinião na internet e ocupar uma cadeira no Legislativo.

O mandato aumenta a responsabilidade.

Portanto, a proposta desta carta é quase burocrática:

Opção 1: retratação pública.

Opção 2: manutenção das declarações e consequente encaminhamento da questão às instâncias parlamentares competentes para análise ética.

Nada muito revolucionário.

Nada de tribunal popular.

Nada de cancelamento.

Nada de fogueira virtual.

Apenas democracia, responsabilidade e instituições funcionando.

E há uma coisa importante: ninguém está propondo que a senhora seja punida simplesmente por pensar diferente.

Estamos propondo que suas declarações sejam submetidas ao mesmo escrutínio público e institucional ao qual qualquer parlamentar deveria estar sujeito.

Porque uma democracia saudável não precisa de políticos infalíveis.

Precisa de políticos capazes de responder pelos próprios atos.

Então fica o convite.

Receba os dados.

Assista aos depoimentos.

Leia os relatos.

Conheça a realidade enfrentada diariamente por milhares de mulheres brasileiras.

Depois disso, faça sua escolha.

Se concluir que estava errada, retrate-se.

Se concluir que estava certa, sustente publicamente sua posição e esteja preparada para responder por ela.

Mas, por favor, não faça uma coisa:

não transforme o sofrimento de milhares de mulheres em mera disputa de opinião.

Porque feminicídio não é conceito ideológico.

Não é invenção de partido.

Não é pauta de torcida organizada.

Não é exagero de militante.

É uma realidade que deixa corpos, famílias destruídas, crianças órfãs e pessoas traumatizadas.

E estatística, infelizmente, não desaparece porque alguém decidiu discordar dela.

Por isso, deputada eleita, aqui está nossa proposta:

primeiro, a realidade.
Depois, a retratação.
Se não houver retratação, a Comissão de Ética.

É uma solução bastante civilizada.

Afinal, estamos falando de democracia.

E democracia, entre outras coisas, significa descobrir que ser eleito não transforma ninguém em dono da verdade.

Atenciosamente,

Um cidadão bastante interessado em saber se, depois de tantos dados e testemunhos, a realidade finalmente será reconhecida.

Criado com ChatGPT.

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