terça-feira, 20 de outubro de 2026

A ascensão da Tanya


*Paleta: vermelho soviético, cinza industrial e branco de laboratório*

A primeira imagem é de um corredor subterrâneo.

Concreto. Tubulações. Lâmpadas frias.

Homens de jaleco carregam caixas metálicas marcadas como:

**PROJETO 37 — ARTEFATOS EXPERIMENTAIS**

Uma porta blindada se abre.

Do outro lado, uma menina pequena está sentada diante de um artefato luminoso.

Tanya Degurechaff.

Nove anos.

O cabelo perfeitamente arrumado.

O uniforme impecável.

Os olhos azuis fixos no aparelho.

Um cientista consulta uma prancheta.

— Frequência?

Outro observa os instrumentos.

— Estável.

— Sincronização?

O ponteiro sobe.

**72%.**

Os pesquisadores se entreolham.

O ponteiro continua.

**81%.**

Um terceiro homem deixa a prancheta cair.

— Isso não é possível.

Tanya olha para ele.

— Camarada, o senhor acaba de afirmar que o resultado experimental é impossível antes de concluir o experimento.

Silêncio.

O ponteiro sobe.

**98%.**

Corte.

---

### **O RELATÓRIO**

Uma sala de reuniões.

Generais, engenheiros, médicos e representantes do Partido.

No quadro:

**SUJEITO: DEGU­RECHAFF, TANYA**

Abaixo:

**SINCRONIZAÇÃO MÁXIMA OBSERVADA: 98%**

Um oficial aponta para o número.

— Precisamos determinar a natureza do fenômeno.

O cientista responde:

— Estamos diante de uma capacidade psicofisiológica extraordinariamente rara.

— Sobrenatural?

O cientista fica imóvel.

Todos olham para ele.

— Não.

Pausa.

— Natural.

— Então explique.

Silêncio.

— Ainda não conseguimos.

O representante do Partido sorri.

— Excelente.

O cientista pisca.

— Excelente?

— Se ainda não conseguimos explicar, significa que ainda temos muito trabalho científico pela frente.

Ele olha para o gráfico.

— E enquanto o trabalho científico prossegue?

O representante olha para Tanya através do vidro.

— Ela será útil.

---

### **A PRIMEIRA PROMOÇÃO**

Tanya entra no Exército.

Não porque queira.

Não exatamente.

Ela simplesmente percebe que o Exército oferece aquilo que nenhum laboratório oferece:

**recursos.**

Informação.

Treinamento.

Equipamentos.

E, principalmente, uma carreira na qual ninguém pergunta demais se os resultados forem bons.

O instrutor grita:

— SOLDADO DEGU­RECHAFF!

— Sim, camarada!

— Por que entrou para o Exército Vermelho?

Tanya responde imediatamente:

— Para servir à Revolução.

O instrutor sorri.

A resposta está correta.

Tanya pensa:

*E para ter acesso aos melhores equipamentos disponíveis.*

Mas isso permanece em pensamento.

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### **SEIS MESES DEPOIS**

Um quadro cheio de anotações.

**DEGURECHAFF — DESEMPENHO**

Tiro: excepcional.

Estratégia: excepcional.

Disciplina: excepcional.

Uso de artefatos: **anômalo.**

O comandante olha para os relatórios.

— Promoção.

Outro oficial franze a testa.

— Ela é jovem demais.

— E os resultados?

Silêncio.

— Extraordinários.

— Então qual é o problema?

— Ela é...

Ele procura a palavra.

— Estranha.

O comandante fecha a pasta.

— O Exército não promove soldados por simpatia.

---

### **A SEGUNDA PROMOÇÃO**

Tanya volta de uma missão.

O pelotão inteiro está exausto.

Ela não.

Um oficial pergunta:

— Como você sabia que o inimigo estaria naquela posição?

— Probabilidade.

— Com que cálculo?

— Intuição.

O oficial franze a testa.

— Intuição?

Tanya percebe o perigo.

— Experiência acumulada.

— Você tem nove anos.

— Então sou uma criança excepcionalmente experiente.

O oficial fica olhando para ela.

Tanya sustenta o olhar.

— Algum problema?

— Não.

Ele assina a promoção.

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### **A TERCEIRA PROMOÇÃO**

Agora começam os rumores.

Nos alojamentos:

— Ela não dorme.

— Dorme.

— Quase nunca.

— Ela consegue ouvir os artefatos.

— Isso é superstição.

— Eu vi.

— Você acredita em bruxas?

— Claro que não.

Pausa.

— Mas eu não ficaria sozinho com ela numa sala escura.

---

### **ENTRA VIKTORIYA**

O corredor está movimentado.

Uma jovem oficial atravessa o quadro.

Viktoriya Ivanovna Serebryakov.

Uniforme impecável.

Expressão serena.

Ela carrega uma pasta.

Um superior a chama.

— Capitã Serebryakov.

Ela se apresenta.

— Sim, camarada.

— Você será designada para acompanhar a Major Degurechaff.

Viktoriya olha para a pasta.

— Major?

— Sim.

Ela hesita.

— A Major Degurechaff tem...

O oficial procura uma palavra diplomática.

— Particularidades.

Viktoriya olha para ele.

— Que tipo de particularidades?

O homem olha para a porta.

— As que não devem constar em documentos.

---

### **O PRIMEIRO ENCONTRO**

Tanya está diante de um mapa.

Viktoriya entra.

— Major Degurechaff?

Tanya se vira.

— Capitã Serebryakov.

— Fui designada como sua oficial de apoio.

— Eu não preciso de apoio.

— Fui informada disso.

Tanya estreita os olhos.

Viktoriya sorri discretamente.

— Mesmo assim, estou aqui.

Tanya observa a nova subordinada.

— Você parece excessivamente tranquila.

— Aprendi que entrar em pânico raramente melhora uma situação.

Pausa.

Tanya quase sorri.

Quase.

— Talvez você seja útil.

— Obrigada, major.

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### **A ASCENSÃO**

Montagem.

Tanya estudando mapas.

Tanya diante de um pelotão.

Tanya comandando uma operação.

Tanya recebendo uma nova insígnia.

Tanya assinando relatórios.

Tanya diante de uma comissão.

Sempre o mesmo padrão.

**Resultado extraordinário.**

**Explicação insuficiente.**

**Promoção.**

Até que alguém finalmente pergunta:

— Não estamos promovendo essa menina rápido demais?

O general responde:

— Talvez.

— Então por que continuar?

Ele aponta para os relatórios.

— Porque toda vez que pensamos em interromper a carreira dela, ela volta de outra missão e torna a decisão impossível.

Silêncio.

— Isso é uma ameaça?

— Não.

Ele fecha a pasta.

— É eficiência.

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### **O PROBLEMA VIKTORIYA**

Viktoriya começa a perceber pequenos detalhes.

Tanya não gosta de café frio.

Tanya odeia relatórios mal escritos.

Tanya dorme pouco.

Tanya finge não estar cansada.

Tanya fica furiosa quando alguém desperdiça soldados.

E Viktoriya aprende tudo isso sem precisar perguntar.

Um dia, ela coloca uma xícara sobre a mesa.

Tanya olha.

— O que é?

— Café.

— Eu não pedi.

— Eu sei.

Tanya observa a xícara.

Depois observa Viktoriya.

— Por quê?

Viktoriya dá de ombros.

— A senhora estava com dor de cabeça.

Tanya fica imóvel.

— Como sabe?

— Eu observo.

Pausa.

Tanya pega a xícara.

— Obrigada.

Viktoriya sorri.

— De nada, major.

---

### **O RELATÓRIO FINAL**

Uma comissão recebe a ficha completa.

**TANYA DEGURECHAFF**

Idade: inadequadamente baixa para a patente.

Desempenho: excepcional.

Sincronização: 98%.

Taxa de sobrevivência: estatisticamente improvável.

Lealdade: comprovada.

Capacidade de comando: excepcional.

Comportamento: difícil.

Fenômenos inexplicados: **nenhum oficialmente reconhecido.**

Um cientista pergunta:

— E a conclusão?

O representante do Partido responde:

— A conclusão é que não existe nada de sobrenatural.

— Mas como explicamos os 98%?

— Ciência.

— E a origem da capacidade?

— Ciência.

— E os fenômenos durante as operações?

— Ciência.

— E por que ela consegue fazer coisas que nenhum outro operador consegue?

O homem suspira.

— Camarada...

Ele aponta para o documento.

— **A ciência ainda não terminou de explicar.**

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### **A ÚLTIMA CENA**

No alojamento.

Viktoriya e Tanya estão lado a lado.

Viktoriya lê um relatório.

— Major?

— Sim?

— Há rumores.

— Sempre há.

— Dizem que a senhora é uma bruxa.

Tanya continua lendo.

— Superstição.

— Concordo.

Viktoriya hesita.

— Dizem também que os seus comandantes a chamam de Bruxa Vermelha.

Tanya para de ler.

Olha para Viktoriya.

— Eles não chamam.

— Não?

— Não oficialmente.

Viktoriya sorri.

— Ah.

Tanya volta ao relatório.

— Não faça essa expressão.

— Que expressão?

— Essa.

— Não estou fazendo expressão alguma.

Tanya olha novamente.

Viktoriya está sorrindo.

— Está sim.

— Talvez.

Silêncio.

Então Viktoriya pergunta:

— Major?

— Sim?

— A senhora acredita em magia?

Tanya demora alguns segundos.

— Não.

Viktoriya assente.

— Eu também não.

Uma janela treme.

Um trovão distante.

Tanya olha para o céu.

Por uma fração de segundo, seus olhos parecem refletir uma luz que não veio da janela.

Ela volta a olhar para o relatório.

— Fenômeno atmosférico.

Viktoriya sorri.

— Naturalmente.

**NARRADOR:**

*E assim, no país onde oficialmente não existiam bruxas, uma bruxa tornou-se major.*

*Não porque o Partido acreditasse em magia.*

*Mas porque a magia, convenientemente, produzia excelentes resultados.*

*E ao lado dela estava Viktoriya Serebryakov.*

*Nos documentos: camarada, subordinada e oficial de confiança.*

*Fora dos documentos...*

Viktoriya olha para Tanya.

Tanya percebe.

— O que foi?

— Nada, major.

— Tem certeza?

— Absoluta.

Tanya estreita os olhos.

**CORTE PARA PRETO.**

**FIM DO EPISÓDIO.**

Criado com ChatGPT.

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