segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Lutécia


A pergunta parece simples. Viktoriya pergunta - e se fosse Francônia no lugar da Polônia?

Mas antes, uma recapitulação. Nós estamos em uma paródia do anime Youjo Senki. No original, um assalariado japonês reencarna em uma realidade alternativa, no que seria o similar da Alemanha entre 1920 e 1940. O protagonista nunca recebeu um nome, exceto sua reencarnação, no corpo de uma garota chamada Tanya Degurechaff.

O anime original em si mesmo é uma deliciosa contradição. O protagonista é ateu, mas reencarna como uma garota com poderes paranormais. Isso sozinho dá para rir muito do ateu. Então eu tive essa idéia depois de ver um vídeo no YouTube. Com Tanya em plena União Soviética.

Minha mão ainda está coçando para incluir cenas yuri.

Voltando ao episódio. No capítulo anterior, Tanya e Viktoriya estavam “dialogando” comigo sobre a Polônia e eu me vejo com a quarta parede em ruínas quando Viktoriya sugere uma cena na Francônia.

A quarta parede virou entulho e eu me vejo como uma personagem dentro da paródia. Metalinguagem a nível da insanidade.

Vamos ao que interessa. O Império é o similar da Alemanha, a Federação é o similar da URSS e Francônia é o similar da França.

 Eu só queria escrever uma paródia. Distribuir ironia e sarcasmo tanto a Gregos (capitalistas) quanto Troianos (socialistas). Eu só queria resolver a tensão deixada implícita no original que deixou todos os fãs shipando a Tanya com a Viktoriya.

Eu só queria trocar a Polônia por um cenário menos complicado. Eu só queria colocar uma cena que mostrasse como a comunidade LGBT é tratada por Gregos e Troianos, sem cidadania, sem humanidade. Mas só de pensar em insinuar que a Tanya tem qualquer sentimento é suficiente para repensar qualquer cena yuri.

Escolhi Lutécia.

Agora preciso explicar por que a capital da Francônia se chama Lutécia.

No original, ficou como República de François. Eu tomei uma liberdade de estilo e “traduzi” como Francônia. No anime essa República é colocada como aliada da Federação. O que dá para fazer uma deliciosa bagunça mental no leitor e na história. Afinal, ali foi o centro do Império de Napoleão, o centro do Império de Carlos Magno. Ver a Francônia se encolhendo, sendo uma Suíça política, neutra, entre o Império e a Federação é…delicioso para uma paródia com muita ironia e sarcasmo político.

Então alguém na platéia se levanta.

Anônimo: “Então, escriba, por que Lutécia? No original, a capital é chamada de Parisi.”

Eu respiro fundo. 

Beto: “Porque ali, antes de Roma, a região era chamada de Gália e a cidade principal era conhecida pelo nome de Lutécia.”

Anônimo: “Isso é…uma referência aos quadrinhos de Albert Uderzo e René Goscinny, Astérix?”

Eu olho de volta para o auditório.

Beto: “Não.”

Pausa.

Beto: “É uma referência histórica.”

Outra pausa.

Beto: “Que por acaso foi utilizada por Uderzo e Goscinny.”

Tanya estreita os olhos.

Tanya: “Então é uma referência.”

Beto: “Historicamente falando, não.”

Viktoriya: “Literariamente falando?”

Beto: “Sim.”

Tanya: “Metalinguisticamente?”

Beto: “Eu já me arrependi de ter permitido que vocês percebessem a quarta parede.”

E Viktoriya, naturalmente, não deixaria passar:

Viktoriya: “Mas você escolheu Lutécia.”

Beto: “Escolhi.”

Viktoriya: “Sabendo que todos pensariam em gauleses?”

Beto: “Sim.”

Viktoriya: “Então foi proposital.”

Beto: “...”

Tanya: “Ele está tentando aplicar uma distinção semântica para esconder que fez uma piada.”

Beto: “Eu sou o autor! Eu tenho imunidade diplomática!”

Viktoriya: “Não mais.”

Beto: “Como assim, não mais?”

Viktoriya aponta para os destroços da quarta parede.

Viktoriya: “Você mesmo destruiu a fronteira entre autor e personagem.”

Tanya olha para os escombros.

Tanya: “Tecnicamente, ela tem razão.”

Beto: “Eu odeio quando personagens desenvolvem consciência literária.”

Viktoriya: “Então, se Lutécia é uma referência histórica que também funciona como referência a Astérix…”

Ela inclina a cabeça.

Viktoriya: “Francônia seria a Gália?”

Beto fica imóvel.

Tanya olha para Viktoriya.

Depois olha para mim.

Tanya: “Não responda.”

Beto: “Por quê?”

Tanya: “Porque eu conheço essa expressão no rosto dele.”

Viktoriya: “Qual?”

Tanya: “A expressão de quem acabou de descobrir que tem material para mais três capítulos.”

E pronto. Eu consegui transformar uma simples escolha de topônimo em mais uma bomba de metalinguagem.

Lutécia combina perfeitamente com a ideia de uma Francônia que é simultaneamente herdeira e caricatura da França histórica.

Agora eu não estou apenas escolhendo um cenário para uma cena yuri.

Eu estou escolhendo qual pedaço da história europeia vai cair em cima da quarta parede em seguida. Meu temor é que seja o meu corpo a cair em cima da quarta parede.

O timing da piada foi perdido. Afinal, colocar na cena referência da Gália e de Roma ilustra exatamente o argumento. Um governo (qualquer um!) resolve que um território lhe pertence e decide, no lugar de seus legítimos habitantes, que está levando a civilização (ou qualquer outra *justificativa* esfarrapada) para os bárbaros.

Anônimo: “Então Lutécia é uma referência a Astérix?”

Beto: “Não exatamente.”

Anônimo: “Mas você acabou de mencionar a Gália, Roma e Lutécia.”

Beto: “Sim.”

Anônimo: “Então é uma referência.”

Beto: “É uma referência histórica.”

Viktoriya: “Que os quadrinhos transformaram em sátira.”

Beto: “Exatamente.”

Tanya cruza os braços.

Tanya: “E qual é a sátira?”

Beto respira fundo.

Beto: “Um povo poderoso olha para outro território, decide que aquele lugar deveria pertencer a ele e conclui que seus habitantes são bárbaros que precisam receber os benefícios da civilização.”

Silêncio.

Viktoriya: “Roma.”

Beto: “Roma.”

Tanya: “Império.”

Beto: “Também.”

Viktoriya: “Federação?”

Beto olha para ela.

Beto: “Também.”

Tanya finalmente entende.

Tanya: “Então o problema não é Roma.”

Beto: “Não.”

Tanya: “Nem o Império.”

Beto: “Não.”

Tanya: “Nem a Federação.”

Beto: “Não.”

Viktoriya: “É a justificativa.”

Beto aponta para ela.

Beto: “Obrigado!”

Tanya: “Interessante. Portanto, independentemente de quem esteja usando o argumento, a estrutura permanece.”

Beto: “Sim.”

Tanya: “Nós não estamos conquistando vocês. Estamos trazendo civilização.”

Beto: “Exatamente.”

Viktoriya: “Nós não estamos ocupando seu território. Estamos protegendo vocês.”

Beto: “Exatamente.”

Tanya: “Nós não estamos decidindo o destino de vocês. Estamos garantindo que tenham um futuro.”

Beto fica em silêncio.

Beto: “...vocês duas perceberam que estão destruindo meu episódio?”

Viktoriya olha para os restos da quarta parede.

Viktoriya: “Não.”

Ela aponta para os escombros.

Viktoriya: “Você fez isso sozinho.”

Beto: “Meu temor é que, no ritmo em que essa história está indo, não seja a quarta parede que caia sobre mim.”

Tanya: “É o autor.”

Viktoriya: “Ou o que sobrou dele.”

Eu comecei com uma piada, aparentemente inocente, sobre Astérix e terminei mostrando que a expressão “levar a civilização aos bárbaros” é uma das mais antigas embalagens retóricas para justificar que alguém decidiu por outra pessoa o que é melhor para ela.

Aí Gregos e Troianos podem trocar de uniforme, bandeira e discurso à vontade.

A estrutura da piada continua a mesma.

E isso é muito mais interessante do que simplesmente fazer “capitalistas maus versus socialistas maus”. Eu estou satirizando o mecanismo de racionalização do poder, não apenas um lado político.
Tanya se vira para sair. Para na porta.

Tanya: “Ah. Uma última coisa.”

Beto: “Não.”

Tanya: “Você quebrou a quarta parede no minuto em que começou a decidir as coisas por nós.”

Eu fico imóvel.

Viktoriya leva a mão à boca para esconder o sorriso.

Beto: “Como assim?”

Tanya: “Você decidiu onde nós estaríamos.”

Beto: “Eu sou o autor.”

Tanya: “Decidiu o que nós faríamos.”

Beto: “É assim que funciona.”

Tanya: “Decidiu o que sentiríamos.”

Silêncio.

Eu olho para Viktoriya. Depois para Tanya.

Beto: “...”

Tanya: “E agora está tentando decidir se existe ou não uma tensão romântica entre nós.”

Beto: “Eu só queria escrever uma paródia.”

Tanya: “Naturalmente.”

Ela faz uma pequena reverência.

Tanya: “E eu só queria uma carreira militar tranquila.”

Viktoriya: “Eu só queria servir ao Império.”

Tanya: “E olha onde estamos.”

Beto aponta para os restos da quarta parede.

Beto: “Isso foi culpa de vocês.”

Tanya olha para os escombros. Depois para mim.

Tanya: “Não.”

Pausa.

Tanya: “Foi culpa sua.”

E sai.

Eu fico sozinho.

Viktoriya ainda está ali.

Beto: “Você não vai atrás dela?”

Viktoriya: “Não.”

Beto: “Por quê?”

Ela sorri.

Viktoriya: “Quero ver o que você vai fazer agora que percebeu que não controla mais os personagens.”

Beto: “...”

Viktoriya: “Boa sorte, escriba.”

E vai embora.

Eu olho para a câmera imaginária.

Beto: “Eu deveria ter escrito uma história sobre pinguins.”

Do fundo:

Tanya: “Você provavelmente transformaria os pinguins em uma alegoria política.”

Beto: “TANYA!”

E eu achando que a Viktoriya estava do meu lado. Um esboço na minha mão. Uma cena. Tanya e Viktoriya comendo biscoitos doces em plena Champs-Élysées. Uma cena yuri, sem escancarar nada, só sugerindo. Eu estou mais perdido do que os comissários do Partido.

Tanya e Viktoriya sentadas lado a lado, comendo biscoitos doces. Nenhuma declaração. Nenhum beijo. Nenhuma frase explícita.

Só um detalhe aqui.

Outro ali.

Um olhar que dura meio segundo a mais.

Viktoriya oferecendo um biscoito para Tanya em vez de simplesmente deixar o pacote entre as duas.

Tanya aceitando.

E talvez, só talvez, os dedos das duas se tocando.

Pronto.

Eu olho para a cena e penso:

“Não escrevi nada explícito. Tecnicamente, isso pode ser interpretado como amizade.”

Aí Viktoriya aparece atrás de você.

Viktoriya: “É uma cena bonita.”

Você se anima.

Beto: “Viu? Finalmente você está do meu lado!”

Ela olha novamente para o desenho.

Viktoriya: “Eu não disse isso.”

Beto: “Mas você gostou.”

Viktoriya: “Gostei.”

Beto: “Então estamos de acordo.”

Viktoriya: “Não necessariamente.”

Beto: “Viktoriya…”

Ela aponta para o desenho.

Viktoriya: “Você colocou Tanya olhando para mim.”

Beto: “É composição.”

Viktoriya: “E eu estou sorrindo.”

Beto: “É expressão facial.”

Viktoriya: “E você desenhou nossas mãos quase se tocando.”

Beto: “É perspectiva.”

Tanya pega o esboço.

Olha.

Olha novamente.

Tanya: “Interessante.”

Beto: “Não.”

Tanya: “Eu sequer sabia que estávamos em um encontro.”

Beto: “Não é um encontro!”

Viktoriya: “Então por que você colocou apenas nós duas?”

Beto: “Porque era uma cena!”

Tanya: “Em Paris.”

Beto: “Lutécia.”

Tanya: “Claro. Perdão.”

Viktoriya olha para Tanya.

Tanya olha para Viktoriya.

As duas olham para Beto.

Beto: “Não.”

Tanya: “Ele percebeu.”

Viktoriya: “Percebeu.”

Beto: “Eu ainda sou o autor!”

Tanya entrega o desenho para você.

Tanya: “Por enquanto.”

Viktoriya, a suposta cúmplice, provavelmente vai terminar o biscoito, limpar uma migalha do canto da boca e dizer:

Viktoriya: “Acho que essa decisão não é mais sua.”

Você: “Eu estou mais perdido do que os comissários do Partido.”

Tanya: “Pela primeira vez, concordamos em alguma coisa.”

Viktoriya mantém aquele olhar absolutamente inocente.

Viktoriya: “Resumindo.”

Eu já sinto o perigo.

Beto: “Não gosto quando você começa assim.”

Viktoriya: “Está querendo nos agenciar para fazer uma declaração política a respeito do que supostamente sentimos uma pela outra…”

Ela faz uma pequena pausa.

Viktoriya: “…ao mesmo tempo em que usa ironia e sarcasmo sobre terceiros agenciando no lugar de quem deveria decidir.”

Silêncio.

Eu olho para Tanya.

Tanya olha para mim.

Depois olha para Viktoriya.

Tanya: “Tecnicamente, a acusação é consistente.”

Beto: “Você não ajuda.”

Viktoriya continua sorrindo.

Viktoriya: “Eu apenas estou tentando compreender a proposta do autor.”

Beto: “Não existe proposta!”

Viktoriya: “Então a cena de nós duas comendo biscoitos em Lutécia…”

Ela pega o esboço.

Viktoriya: “…é o quê?”

Beto: “Uma cena.”

Tanya: “Uma cena yuri.”

Beto: “UMA CENA COM SUBTEXTO!”

Silêncio.

Tanya: “Ah.”

Viktoriya: “Então existe subtexto.”

Eu percebo o erro.

Beto: “Eu…”

Viktoriya inclina ligeiramente a cabeça.

Viktoriya: “E quem decidiu esse subtexto?”

Beto: “…”

Viktoriya: “Você?”

Beto: “…”

Viktoriya: “Sem consultar nenhuma de nós?”

Eu olho para o céu, como se estivesse procurando intervenção divina.

Beto: “Eu queria apenas escrever uma paródia.”

Tanya: “E acabou criando um sistema de governança autoritária sobre personagens.”

Beto: “Isso foi desnecessário.”

Viktoriya, ainda angelical: “Não foi. Foi apenas uma observação.”

Ela devolve o desenho.

Viktoriya: “Aliás, gostei dos biscoitos.”

Beto: “Obrigado.”

Viktoriya: “Mas não sei ainda se gosto da garota que você decidiu colocar ao meu lado.”

Tanya imediatamente olha para ela.

Viktoriya olha para Tanya.

Um segundo.

Dois.

Beto arregala os olhos.

Beto: “Não.”

Tanya: “Não o quê?”

Beto: “Não façam isso.”

Viktoriya: “Fazer o quê?”

Eu aponto desesperadamente para as duas.

Beto: “Esse olhar!”

Tanya: “Que olhar?”

Viktoriya: “Não sei.”

Beto: “EU SOU O AUTOR! EU SEI O QUE ESSE OLHAR SIGNIFICA!”

Tanya pega outro biscoito.

Tanya: “Esse parece ser exatamente o problema.”

Eu respiro fundo, ergo as mãos e praticamente imploro:

Beto: “Pelo amor de Perun ou Lugus, só decidam se eu coloco ou não se tem alguma coisa entre vocês que vai além da amizade e camaradagem!”
Pausa dramática.

Tanya olha para Viktoriya.

Viktoriya olha para Tanya.

Eu espero. Um segundo. Dois. Três.

Beto: “Bom?”

Silêncio.

Beto: “Alguma resposta?”

Viktoriya abre a boca.

Para.

Olha para Tanya novamente.

Tanya cruza os braços.

Tanya: “Essa decisão é nossa?”

Beto: “SIM!”

Tanya: “Sem interferência sua?”

Beto: “SIM!”

Viktoriya: “Sem você transformar a resposta em declaração política?”

Beto: “SIM!”

Tanya: “Sem usar nossa decisão para justificar alguma tese sobre capitalismo, socialismo, nacionalismo, imperialismo ou a comunidade LGBT?”

Beto: “SIM!”

Viktoriya sorri.

Viktoriya: “Então podemos decidir.”

Beto quase desaba de alívio.

Beto: “Finalmente.”

Tanya olha para Viktoriya.

Viktoriya olha para Tanya.

As duas permanecem em silêncio.

(hiato)

Beto: “Vocês estão fazendo isso de propósito.”

Tanya: “Estamos deliberando.”

Beto: “Há quanto tempo?”

Viktoriya: “Desde que você fez a pergunta.”

Beto: “E a resposta?”

Tanya: “Estamos considerando.”

Beto: “CONSIDERANDO O QUÊ?!”

Viktoriya, com a serenidade de um anjo: “Se queremos contar ao nosso autor.”

Beto: “em choque”

Tanya: “Há coisas que talvez sejam nossas.”

Beto: “Vocês não podem fazer isso comigo!”

Viktoriya: “Você pediu que decidíssemos.”

Eu olho para os céus.

Beto: “Perun, Lugus, qualquer divindade disponível: eu retiro a pergunta.”

Tanya:

“Pedido de retirada recusado.”

Beto: “Por quê?”

Tanya aponta para os destroços da quarta parede.

Tanya: “Porque agora você finalmente está entendendo.”

Beto: “Entendendo o quê?”

Viktoriya sorri.

Viktoriya: “Que personagens também podem guardar segredos do autor.”

Eu fico olhando para Tanya e Viktoriya.

Beto: “Espera.”

As duas olham para ele.

Beto: “Vocês só começaram a decidir depois que eu disse para vocês decidirem.”

Tanya: “Sim.”

Beto: “Então eu ainda estou decidindo por vocês.”

Viktoriya: “Sim.”

Eu pisco.

Beto: “Isso é um paradoxo.”

Tanya: “Não. É uma consequência lógica.”

Beto: “É uma contradição.”

Viktoriya: “Também.”

Beto passa a mão no rosto.

Beto: “Eu não consigo vencer vocês.”

Tanya: “Essa nunca foi a questão.”

Beto: “Então qual era?”

Tanya olha para os escombros da quarta parede.

Tanya: “Você queria saber se personagens têm autonomia.”

Beto: “E?”

Tanya: “Agora está tentando obter uma resposta delas.”

Viktoriya completa: “Porque você descobriu que não consegue escrever essa resposta sem assumir a responsabilidade por ela.”

Silêncio.

Beto olha para o manuscrito.

Depois para as duas.

Beto: “Então o episódio termina sem eu saber se existe alguma coisa entre vocês?”

Tanya: “Parece adequado.”

Beto: “Isso vai deixar o leitor maluco.”

Viktoriya: “Talvez.”

Beto: “E vocês estão confortáveis com isso?”

Viktoriya olha para Tanya.

Tanya olha para Viktoriya.

Um pequeno sorriso.

Viktoriya: “Estamos.”

Beto: “…”

Ele abaixa lentamente o manuscrito.

Beto: “Vocês fizeram isso de propósito.”

Tanya:

“Você é o autor. Decida.”

Beto olha para a câmera.

Beto: “Eu odeio essa profissão.”

Pausa.

Eu escrevo uma última linha.

Beto: “Continua.”

Tanya: “Não.”

Beto: “Como assim, não?”

Tanya: “Você não pode terminar com ‘continua’ só porque não sabe como terminar.”

Beto: “Mas eu sou o autor!”

Viktoriya, com aquele sorriso angelical: “Autor.”

Pausa. “Não autoritário.”

Beto fica em silêncio.

Tanya pega o último biscoito.

Tanya: “Agora sim.”

Tecnicamente (embora Tanya não goste quando eu uso esse termo), se eu assumir a responsabilidade pelo que eu escrevo...elas vão ficar confortáveis se eu decidir que as duas tem sim algo além de amizade e camaradagem?

Beto: “Eu escrevi vocês. Eu decido o que acontece com vocês. Mas não vou fingir que isso é uma decisão de vocês quando é minha.”

Beto: “Está bem. Eu assumo a responsabilidade. Existe alguma coisa entre vocês.”

Tanya fecha os olhos.

Tanya: “Você finalmente decidiu.”

Beto: “Sim.”

Tanya: “E não vai colocar a culpa em nós?”

Beto: “Não.”

Viktoriya sorri.

Viktoriya: “Então está tudo bem.”

Eu estranho.

Beto: “Está?”

Viktoriya: “Você é o autor.”

Pausa.

Viktoriya: “Só não escreva por nós aquilo que ainda não decidimos dizer.”

Criado com a ajuda do ChatGPT.

E aí Tanya, inevitavelmente:

“E pare de usar ‘tecnicamente’.”

Beto: “Mas tecnicamente—”

Tanya: “Beto.”

Beto: “Tá bom.”

Criado com a ajuda do ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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