https://www.patheos.com/blogs/henrykarlson/2026/10/our-true-enemy-is-sin/
Pois eu diria que nosso verdadeiro inimigo é a ICAR é o Cristianismo, em geral. Porque tudo que ensina é medo, vergonha e culpa. Até a quem é inocente. Eu vou sempre preferir a companhia da Lilith.
Entendo a provocação — e ela fica especialmente interessante porque o texto de Henry Karlson não está simplesmente dizendo “tenha medo do pecado”. Ele tenta fazer uma distinção: o inimigo seria o pecado e as estruturas que ele cria para dominar e controlar as pessoas; ao mesmo tempo, defende livre-arbítrio, graça e uma ideia de inferno como estado de afastamento do próprio bem.
Mas aí dá para fazer uma crítica bem mais interessante à sua maneira:
O autor diz que nosso verdadeiro inimigo é o pecado.
Eu faria uma pequena correção: nosso verdadeiro inimigo é a instituição que consegue convencer alguém de que nasceu culpado antes mesmo de ter cometido qualquer coisa.
Porque aí começa uma operação teológica bastante curiosa.
Você nasce.
Não pediu para nascer.
Não escolheu seus pais, seu corpo, sua sexualidade, sua época, seu país, sua cultura ou sequer o planeta em que veio parar.
E, ainda assim, recebe imediatamente uma espécie de boleto metafísico:
“Parabéns! Você nasceu. Agora deve alguma coisa a Deus.”
Depois vem o pacote completo: pecado, culpa, vergonha, medo do inferno, vigilância permanente sobre os próprios pensamentos e a sensação de que existe um fiscal celestial anotando até aquilo que você pensou em pensar.
E o mais curioso é que isso pode atingir até quem não fez mal nenhum.
A criança inocente já chega ao mundo devendo.
O adolescente descobre que seu próprio corpo pode ser motivo de culpa.
O adulto aprende que desejar determinadas coisas pode colocá-lo em conflito com Deus.
E o velho, quando está finalmente tentando morrer em paz, ainda pode receber a última pergunta burocrática:
“Mas você está com sua situação espiritual regularizada?”
Karlson, porém, faz uma tentativa de escapar dessa lógica puramente punitiva. Ele afirma que o livre-arbítrio é um bem e que Deus não teria criado o inferno simplesmente como lugar de tortura, mas como consequência de um estado de afastamento do bem.
E é justamente aí que eu faria outra pergunta:
Se a liberdade é realmente um presente divino, por que tantas tradições cristãs passaram séculos ensinando as pessoas a ter medo de utilizá-la?
Porque existe uma diferença gigantesca entre:
“Faça o bem porque você é livre e responsável por suas escolhas.”
e:
“Faça o que mandamos porque, se você errar, haverá consequências eternas.”
A primeira frase pode produzir responsabilidade.
A segunda pode produzir obediência pelo medo.
E é nesse ponto que minha preferência por Lilith começa a ficar perfeitamente compreensível.
Não porque eu precise transformar Lilith em uma espécie de “deusa oficial contra o cristianismo”, mas porque, simbolicamente, ela representa justamente aquela personagem que olha para uma autoridade dizendo:
“Você está proibindo isso por quê?”
E essa pergunta é perigosíssima.
Principalmente para instituições que preferem fiéis obedientes a indivíduos que fazem perguntas.
Então, quando alguém me disser:
“Nosso verdadeiro inimigo é o pecado.”
Talvez eu responda:
“Depende de quem está definindo pecado, quem está cobrando a culpa e quem está lucrando com o medo.”
Porque o problema nunca foi simplesmente ensinar alguém a distinguir entre fazer o bem e fazer o mal.
O problema começa quando uma instituição consegue transformar a própria existência humana em prova de culpa.
Nesse caso, Lilith pode muito bem estar sentada ao meu lado, tomando café, enquanto eu digo:
“Pode deixar. Se for para passar a eternidade sendo interrogado por causa de cada pensamento, prefiro ficar aqui.”
E ela provavelmente responderia:
“Finalmente você entendeu por que eu saí daquele jardim.”
Criado com ChatGPT.
Nenhum comentário:
Postar um comentário