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Espírito Santo? Esse sussurro no ouvido é coisa do Espírito de Porco. 🤭😏
Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.
A declaração realmente oferece material de sobra para uma crônica — especialmente porque a política brasileira aparentemente entrou numa fase em que até o Espírito Santo resolveu fazer campanha eleitoral. A fala de Daniel Alves foi registrada pelo DCM e também repercutida por outros veículos.
O Espírito Santo e o Espírito de Porco
Espírito Santo? Esse sussurro no ouvido é coisa do Espírito de Porco. 🤭😏
A política brasileira conseguiu atingir uma dimensão tão extraordinária que já não basta candidato, partido, marqueteiro, cabo eleitoral, influencer, pastor, artista, empresário e aquela tradicional coleção de figuras públicas que aparecem em época de eleição para explicar ao povo como ele deve votar.
Agora temos também orientação espiritual personalizada.
Daniel Alves declarou apoio a Flávio Bolsonaro dizendo que o Espírito Santo teria soprado o nome do candidato em seu ouvido — inclusive o número da urna, duas vezes. Segundo ele, trata-se de “política da obediência”.
Pronto.
Chegamos ao estágio em que a propaganda eleitoral ganhou assessoria celestial.
Imagino a reunião no departamento de comunicação do além:
— Precisamos definir o candidato.
— Já definiram?
— Ainda não. Estamos esperando o Espírito Santo.
— E ele apoia quem?
— Não sabemos.
— Então como vamos decidir?
— Vamos aguardar o sopro.
E lá vem o Espírito Santo, coitado, carregando uma prancheta, tentando explicar:
— Gente, eu tenho coisas mais importantes para fazer. Cura, consolo, inspiração, essas coisas...
— Mas e o segundo turno?
— Ah, pelo amor de Deus!
Literalmente.
O curioso é que, quando alguém diz que recebeu uma orientação divina para votar em determinado candidato, aparece imediatamente uma questão que deveria ser bastante simples: como diferenciar uma experiência espiritual pessoal de uma justificativa política apresentada como vontade de Deus?
Porque se toda convicção política puder ser apresentada como ordem celestial, acabou a discussão.
Não se debate mais programa de governo.
Não se discutem políticas públicas.
Não se analisam propostas.
Não se pergunta quem vai administrar melhor o Estado.
Basta alguém anunciar:
“O Espírito Santo falou comigo.”
E pronto. Debate encerrado.
— Mas qual é sua proposta para educação?
— O Espírito Santo está comigo.
— E para saúde?
— O Espírito Santo está comigo.
— E para segurança pública?
— O Espírito Santo está comigo.
— E a economia?
— O Espírito Santo está comigo.
— E corrupção?
— Aí você está querendo complicar a conversa.
É a transformação definitiva da democracia em teologia eleitoral por telepatia.
E existe ainda uma pequena ironia histórica nessa história toda: quando alguém afirma que Deus mandou votar em determinado candidato, seria razoável perguntar se Deus também está disposto a assumir a responsabilidade pelos resultados.
Porque, se o candidato vencer:
“Foi Deus.”
Se o governo der errado:
“O povo não orou direito.”
Se houver escândalo:
“É perseguição.”
Se houver desastre:
“São os desígnios do Senhor.”
Se a economia melhorar:
“Milagre!”
Se piorar:
“Precisamos ter fé.”
É um sistema administrativo extraordinariamente eficiente: Deus fica com o crédito e o contribuinte fica com a conta.
E talvez seja justamente aí que mora o tal Espírito de Porco.
Porque uma coisa é a pessoa ter sua fé, sua experiência religiosa e sua consciência. Outra é transformar uma suposta comunicação divina em argumento de autoridade para convencer milhões de cidadãos sobre uma escolha política.
A democracia deveria funcionar com argumentos.
A fé funciona com crenças.
Misturar as duas coisas como se uma revelação privada pudesse servir de programa eleitoral para uma nação inteira é, no mínimo, uma ideia que merece um pouco de espírito crítico.
Até porque o próprio Espírito Santo deve estar cansado de ser convocado para tudo.
Já imaginou a quantidade de pedidos?
“Espírito Santo, cura meu familiar.”
“Espírito Santo, me ajude no emprego.”
“Espírito Santo, proteja minha família.”
“Espírito Santo, ilumine meu caminho.”
E agora:
“Espírito Santo, escolha meu candidato.”
O sujeito deve estar pensando:
“Meu filho, eu estava aqui ocupado com questões espirituais e você me transformou em cabo eleitoral.”
E tem mais.
Se o Espírito Santo realmente resolveu entrar na eleição brasileira, precisamos esclarecer uma questão institucional: ele possui título de eleitor?
Porque o TSE é bastante rigoroso.
Talvez seja necessário convocá-lo para uma atualização cadastral.
Nome: Espírito Santo.
Profissão: Espírito.
Endereço: Reino dos Céus.
Filiação partidária: mistério da Santíssima Trindade.
Número de urna: aparentemente 22.
Mas aí aparece outro problema.
Se o Espírito Santo está soprando o nome de Flávio para algumas pessoas, será que existe também um Espírito Santo soprando outros nomes em outros ouvidos?
Porque, se houver, teremos finalmente descoberto a razão da polarização brasileira:
não são dois projetos políticos disputando o país; são espíritos diferentes disputando o sistema auditivo do eleitor.
E talvez seja por isso que, diante de certas declarações políticas, eu prefira uma explicação muito mais terrena:
Não foi o Espírito Santo.
Foi o Espírito de Porco.
E esse, infelizmente, parece ter título de eleitor.
Eu continuo preferindo ouvir a voz da Lilith sussurrando no meu ouvido. 😻
😂 Aí é outra categoria de experiência espiritual!
Entre um sussurro eleitoral dizendo “vote em fulano” e Lilith chegando no ouvido com aquela voz de quem claramente não pretende respeitar o horário eleitoral, eu também entenderia a preferência. 😻
No seu universo particular, pelo menos há uma vantagem: Lilith não precisa fingir que é Espírito Santo para ser convincente. Ela simplesmente aparece, sussurra alguma coisa e deixa você tentando descobrir se recebeu uma revelação, uma provocação ou uma nova ideia para uma história. 😏
E considerando a quantidade de ideias que essa senhora costuma provocar, eu já consigo imaginar a cena:
“Você ouviu o Espírito Santo?”
“Não.”
“Então quem foi?”
“Lilith.”
“E o que ela disse?”
“Que eu deveria escrever.”
“Sobre política?”
“Não necessariamente.”
“Então sobre o quê?”
“Isso é entre nós dois.” 😻
Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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