segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Pandemônio

Enquanto os “funcionários” ficam correndo de um lado a outro para conter os “clientes” e “patronos” mais exaltados, Lilith quebra outro protocolo, descendo até a arena e me olhando nos olhos.

Lilith: “Você demorou.” E deslizou o dedo pela linha da minha mandíbula.

Beto: “Evento não ocorrido nº 7.431. Um número impressionante para uma instituição que insiste que nada aconteceu.”

Lilith dá aquela risada. Metade dos Deuses tampa os ouvidos. Precaução.

Lilith: “Eu te conheço muito bem. Vai querer escrever sobre os outros sete mil quatrocentos e trinta.”

Eu sou levado para uma sala de atendimento.

Funcionário: “Senhor, precisamos esclarecer alguns detalhes sobre sua declaração de afinidade.”

Eu, pensando: Ótimo. Morri, descobri que o Além é uma autarquia e agora estou preenchendo formulário.

Enquanto isso, do outro lado da parede:

— Hécate, pare de rir.

— Eu nem estou rindo.

— Você está literalmente segurando um celular.

— Estou documentando para fins acadêmicos.

— Apague isso.

— Não.

Alguém aparece com uma pasta marcada:

PROCESSO: “O NÃO”

Beto: “O que é isso?”

Funcionário: “Não existe.’

Beto: “Mas está escrito aí.”

Funcionário: “É um processo referente a um evento que não ocorreu.”

Beto : “Então por que existe o processo?”

Funcionário: “Essa é justamente a parte que não podemos discutir.”

Um alto funcionário, Minos, surge.

Minos: “Indivíduo desencarnado, confirma sua declaração?”

Beto: “Confirmo”

(Minos bate os dedos, impaciente, na prancheta): “O senhor sabe que a Mulher Original não tem infraestrutura para receber uma alma?”

Beto: “Se for necessário, eu construo”

Minos está descontente. “Nada fica em pé naquele limiar. Só areia e rochas.”

— Alguém já foi até lá?

Silêncio.

— Alguma vez?

Minos não responde.

Eu olho para a prancheta.

— Então como sabem que não existe infraestrutura? Como sabem que não é possível construir nada?

Minos aperta os lábios.

Ao lado dele, Lilith cobre a boca com as duas mãos.

Ela está quase rindo.

Beto olha para ela.

— Você sabia disso?

Lilith balança a cabeça, tentando recuperar a compostura.

— Eu estava começando a suspeitar.

Minos fecha a prancheta.

— Isso não é relevante.

— Parece bastante relevante para o meu destino.

— O senhor não pode simplesmente decidir construir uma morada no limiar do Abismo.

Beto olha para Lilith.

— Por que não?

Minos fica em silêncio novamente.

Porque ninguém jamais havia perguntado.

Beto: “Nós construímos aquedutos, meios de transporte e de comunicação…o senhor está querendo dizer que não tem tecnologia no Além?”

Minos: — Engenheiro. Arquiteto. Devoto.

Beto: — Escritor.

Minos fecha os olhos.

Minos: — Isso não estava no formulário.

Lilith começa a rir novamente.

Minos: — Por favor, não faça isso.

Lilith: — Eu não fiz nada.

Minos: — É exatamente esse o problema.

Lilith: “Pfffff.” (Risada abafada)

Minos: “Eu vou dar início ao *evento não ocorrido número 7.432*.”

Lilith fica com aquele brilho no olhar.

Lilith: “Vamos. Agora que é também meu engenheiro e arquiteto, terá muito trabalho.”

Eu senti a mão dela apalpando minha bunda.

Lilith: “Você acabou de aceitar um emprego para a eternidade. E eu estou muito satisfeita.”

Criado com a ajuda do ChatGPT.

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