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sábado, 7 de novembro de 2026

O formulário


Quadrinhos criados com ChatGPT.

Vagalumes voando - V


(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Na manhã seguinte, Beto encontra Tanya diante de uma mesa coberta de papéis.

Ele para na porta.

Olha para ela.

Depois olha novamente.

As olheiras são evidentes.

— Bom dia, major.

Tanya não levanta os olhos.

— Bom dia.

Beto se aproxima.

— Você dormiu?

— O suficiente.

— Isso não respondeu à pergunta.

— Então considere que a resposta foi satisfatória.

Beto olha para a mesa.

Mapas.

Anotações.

Livros.

Desenhos de esculturas.

Referências geográficas.

Algumas folhas estão cheias de pequenas observações feitas durante a madrugada.

Ele fica alguns segundos em silêncio.

— Você realmente está investigando Perun.

Tanya finalmente levanta os olhos.

— Eu disse que investigaria.

— Eu achei que fosse uma figura de linguagem.

— Eu não uso figuras de linguagem quando faço uma promessa.

Beto olha novamente para os documentos.

— O que você descobriu?

— Que a questão é mais complicada do que você fez parecer.

— Isso eu sabia.

— Não estou falando de você.

Ela aponta para um mapa.

— Existem variações regionais significativas. Algumas representações provavelmente são resultado de transmissão cultural. Outras são mais difíceis de rastrear.

Beto se aproxima.

— E?

Tanya suspira.

— E eu ainda não tenho dados suficientes.

Ela passa a mão pelo rosto.

— Preciso de registros históricos, relatos folclóricos, arqueologia comparativa...

Beto observa as olheiras.

— Você passou a noite fazendo isso?

— Algumas horas.

— Quantas?

Tanya fica em silêncio.

Beto entende.

— Tanya...

— **Major.**

— Major.

Ela volta aos papéis.

— Não estou tentando provar que Perun existe.

— Eu sei.

— Nem provar que não existe.

— Também sei.

Tanya para de escrever.

— Estou tentando descobrir exatamente **o que podemos afirmar**.

Beto sorri.

— Isso é muito diferente de ontem.

— Não.

Ela olha para ele.

— É exatamente o que eu disse ontem.

Pausa.

— Só que agora eu tenho mais perguntas.

Beto olha para o rosto cansado dela.

— E isso não lhe dá medo?

Tanya pensa.

— Dá.

Ela volta aos documentos.

— Mas é um medo muito mais útil do que a certeza.

Beto fica surpreso.

— Você sabe que acabou de dizer uma coisa que eu provavelmente colocaria num livro.

Tanya aponta a caneta para ele.

— Não ouse.

— Não vou.

— E não transforme minha insônia em filosofia.

Beto sorri.

— Não prometo.

Tanya suspira.

Mas há um pequeno sorriso escondido no canto da boca.

Ela volta ao trabalho.

No alto da primeira página, há uma anotação:

**PERUN — INVESTIGAÇÃO ABERTA.**

Sem conclusão.

Sem crença.

Sem negação.

Apenas uma pergunta.

E, pela primeira vez, Tanya parece perfeitamente confortável em deixá-la assim.

**06h30.**

A porta se abre.

Viktoriya entra primeiro.

Atrás dela, Mary Sue aparece esfregando os olhos.

— Bom dia...

Ela boceja.

— Isso ainda é madrugada.

Viktoriya olha para Tanya.

Depois para a mesa.

Depois para as olheiras.

E então surge aquele sorriso.

Pequeno.

Calmo.

Perigosamente informado.

Tanya percebe.

— Não.

Viktoriya nem abriu a boca.

— Eu não disse nada.

— Seu rosto disse.

Mary Sue olha de Tanya para Viktoriya.

— O que está acontecendo?

— Nada — responde Tanya imediatamente.

Viktoriya aproxima-se da mesa.

— Investigação sobre Perun?

— Sim.

— Desde quando?

— Ontem.

Viktoriya olha para o relógio.

— Ontem acabou há seis horas.

Tanya volta aos papéis.

— O assunto exigia atenção.

Viktoriya pega uma das folhas.

— *“Possíveis variantes iconográficas de Perun.”*

Outra.

— *“Transmissão oral entre gerações.”*

Outra.

— *“Relato do camponês.”*

Ela olha para Tanya.

— Fascinante.

Tanya estreita os olhos.

— Algum problema?

— Nenhum.

Viktoriya devolve as folhas.

— Só estou admirada com sua dedicação.

Mary Sue senta-se, ainda meio adormecida.

— Ela realmente passou a noite inteira estudando isso?

Tanya responde:

— Não a noite inteira.

Viktoriya olha para ela.

— Claro.

Tanya:

— Viktoriya.

— Sim?

— Pare.

— Eu não fiz nada.

— Exatamente.

Viktoriya sorri novamente.

Beto, sentado à outra mesa, observa a cena em silêncio.

Ele percebe algo que talvez as outras ainda não tenham percebido.

Tanya está investigando Perun.

Mas toda vez que Viktoriya menciona a noite anterior, **os olhos dela encontram Beto por uma fração de segundo**.

Depois retornam imediatamente aos documentos.

Beto contém um sorriso.

Tanya percebe.

— Não fique convencido.

— Eu não disse nada.

— Seu rosto disse.

Mary Sue, finalmente acordada:

— Por que todos nesta sala parecem estar participando de uma conversa que eu não compreendo?

Viktoriya responde:

— Porque você dormiu.

Mary Sue olha para Tanya.

Depois para Beto.

Depois para o casaco dobrado sobre uma cadeira.

— Ah.

Tanya fica vermelha.

— **Não.**

Viktoriya começa a rir.

E Beto pensa que talvez seja melhor não mencionar que, naquela manhã, a investigação sobre Perun parece ser apenas metade do problema de Tanya.

A outra metade está sentada ali.

Olhando para ela.

E sorrindo.

A vila ainda dorme quando Tanya retorna.

Desta vez, ela não veio acompanhada.

Sem Beto.

Sem Viktoriya.

Sem Mary Sue.

Apenas caderno, lápis e aquela expressão que seus subordinados já aprenderam a reconhecer.

**Investigação.**

Ela percorre as margens da vila.

Observa as casas.

Os cercados.

Os pequenos santuários domésticos.

As esculturas.

Anota.

— Carvalho...

Outra escultura.

— Carvalho.

Mais uma.

— Carvalho novamente.

Ela passa os dedos pela madeira de uma figura parcialmente deteriorada.

Não é apenas preferência.

Existe um padrão.

Tanya consulta suas anotações.

— Isso é interessante.

Um ancião que a observava de longe se aproxima.

— Está procurando alguma coisa?

— Estou procurando uma explicação.

O velho sorri.

— Para quê?

Tanya aponta para as esculturas.

— Todas são feitas de carvalho.

— Muitas.

— As mais antigas também?

O homem pensa.

— Venha.

Ele começa a caminhar.

Tanya o acompanha.

Eles deixam as últimas casas para trás.

Entram na mata.

O terreno sobe.

Desce.

O silêncio aumenta.

Até que o ancião para.

Tanya olha para frente.

E fica imóvel.

Há uma árvore diante dela.

Um carvalho.

Imenso.

Não simplesmente grande.

**Antigo.**

O tronco é tão largo que seriam necessárias várias pessoas para abraçá-lo.

Os galhos desaparecem muito acima deles.

Tanya olha para cima.

— Quantos anos?

— Ninguém sabe.

Ela se aproxima.

— Centenas?

O ancião balança a cabeça.

— Mais.

Tanya toca a casca.

Fria.

Rugosa.

Viva.

Então percebe alguma coisa.

No tronco existe um rosto.

Não foi entalhado recentemente.

As marcas estão incorporadas à própria madeira.

O tempo passou por elas.

Cicatrizou algumas.

Deformou outras.

Mas o rosto ainda está ali.

Tanya recua meio passo.

— Quando isso foi esculpido?

O ancião responde:

— Antes do meu avô.

— Seu bisavô?

— Antes.

— Há registros?

— Não.

Tanya observa o rosto.

— Quem esculpiu?

O ancião sorri.

— Não sabemos.

Ela toca novamente a madeira.

— E por que ninguém removeu?

O homem olha para o carvalho.

— Porque ele estava aqui antes de nós.

Tanya fica em silêncio.

— E o rosto?

— Também.

Ela olha para ele.

— Isso não responde à pergunta.

— Talvez responda.

Tanya franze a testa.

O ancião aponta para a árvore.

— Nós não plantamos o carvalho.

Pausa.

— Não fizemos o rosto.

Outra pausa.

— Apenas chegamos aqui.

Tanya olha novamente para a escultura.

O desenho é familiar.

Muito familiar.

Ela abre o caderno.

Compara com os desenhos que fez na vila.

Os mesmos traços.

A mesma forma estilizada.

O mesmo rosto que havia visto na escultura de Perun.

Sua mão para no meio da anotação.

— Não...

O ancião pergunta:

— O que foi?

Tanya não responde.

Porque aquilo não prova que Perun existe.

Ela sabe.

Não prova que uma divindade esculpiu a árvore.

Também sabe.

Mas agora existe algo muito mais incômodo:

**uma tradição que parece ser muito mais antiga do que a memória daqueles que a preservaram.**

Tanya fecha lentamente o caderno.

Olha para o carvalho.

E sente novamente aquela impressão.

A mesma do campo.

Não uma voz.

Não uma visão.

Apenas a sensação de que está sendo observada.

Ela respira fundo.

— Muito bem, Perun.

O ancião olha para ela.

— Senhora?

Tanya percebe o que disse.

— Nada.

Ela olha para o rosto esculpido.

— Ainda não.

O ancião se afasta lentamente pela trilha.

Tanya espera até que ele desapareça entre as árvores.

Então volta ao carvalho.

Ela abre o caderno.

Examina as marcas do tronco.

A profundidade dos sulcos.

A deformação provocada pelo crescimento da árvore.

A quantidade de madeira que parece ter cicatrizado ao redor da escultura.

Ela faz algumas contas.

— Se o crescimento foi aproximadamente...

Tanya para.

Há alguém atrás dela.

Não ouviu passos.

Não ouviu folhas quebrando.

Nada.

Apenas uma voz:

— Não é engraçado?

Tanya se vira imediatamente.

A mulher está alguns metros adiante.

Vestido preto.

Detalhes vermelhos.

Parada entre as árvores.

Calma demais.

Tanya fecha o caderno.

Sua postura muda.

Militar.

Avaliação imediata.

Distância.

Rotas de fuga.

Mãos visíveis.

Possíveis armas.

Aliada?

Inimiga?

Indefinida.

A mulher sorri.

— Inúmeras culturas.

Ela olha para o carvalho.

— Povos separados por montanhas, oceanos e continentes...

Depois olha para Tanya.

— ...todos falando de um Deus do trovão e da guerra.

Tanya não responde.

— E não apenas falando.

A mulher toca a própria roupa.

— Representando-o.

Tanya estreita os olhos.

— Quem é você?

— Uma mulher fazendo uma pergunta.

— Eu fiz uma pergunta primeiro.

O sorriso da desconhecida aumenta.

— Sim.

Ela olha novamente para o carvalho.

— E você está tentando medir a idade dele.

Tanya sente um arrepio.

— Como sabe?

— Porque você está olhando para a madeira como quem tenta obrigá-la a confessar alguma coisa.

Tanya mantém a expressão impassível.

— Sou boa em fazer perguntas.

— Eu sei.

A resposta é simples demais.

Tanya dá um pequeno passo para o lado.

A mulher não reage.

Nenhum gesto agressivo.

Nenhuma ameaça.

Mas alguma coisa está errada.

Não sabe dizer o quê.

A mulher parece humana.

Fala como humana.

Respira como humana.

Mas a presença dela não se encaixa.

É como observar alguém através de uma janela perfeitamente transparente e perceber que **a pessoa do outro lado não deveria estar ali**.

Tanya mantém a mão próxima ao equipamento.

— Você conhece Perun?

A mulher inclina a cabeça.

— Conheço muitas histórias.

— Não foi isso que perguntei.

— Eu sei.

Silêncio.

Tanya encara a desconhecida.

— Ele existe?

A mulher sorri.

— Essa é uma pergunta muito pequena para uma coisa tão grande.

Tanya sente o maxilar endurecer.

— Respostas evasivas não são particularmente úteis.

— Nem sempre.

A mulher dá um passo.

Tanya imediatamente se prepara.

A desconhecida para.

— Não precisa ter medo.

— Eu não estou com medo.

— Naturalmente.

Tanya percebe a ironia.

— Então por que está aqui?

A mulher olha para o carvalho.

— Porque você veio.

— Isso não responde.

— Talvez não.

Ela volta os olhos para Tanya.

Por um instante, seus olhos parecem refletir uma cor que não deveria estar ali.

Vermelho.

Tanya pisca.

Normal novamente.

— Continue sua investigação, major.

Tanya congela.

— Eu não disse minha patente.

A mulher sorri.

— Não precisava.

Então começa a caminhar pela mata.

Tanya acompanha cada passo.

Um.

Dois.

Três.

Ela pisca.

A mulher desapareceu.

Não correu.

Não se escondeu.

**Simplesmente não está mais ali.**

Tanya permanece imóvel.

Depois olha para o carvalho.

Para o caderno.

Para a trilha vazia.

E escreve uma única frase:

**“Testemunha desconhecida. Aparência humana. Natureza indeterminada.”**

Ela hesita.

Acrescenta:

**“Possivelmente não humana.”**

Tanya fecha o caderno.

Respira fundo.

— Perfeito.

Olha para o céu.

— Agora temos duas perguntas.

Tanya permanece diante do carvalho.

O silêncio da floresta volta.

Só então ela percebe o detalhe.

Um detalhe que havia passado despercebido no primeiro instante.

Ela olha para a trilha.

Nenhuma pegada recente.

Nenhum galho quebrado.

Nenhuma folha deslocada.

Nenhum ruído de passos.

Nada.

Tanya franze a testa.

A mulher havia se aproximado.

Falado.

Caminhado alguns metros.

E desaparecido.

Mas Tanya não ouviu **um único passo**.

Ela olha para o chão.

Depois para as árvores.

Depois para o ponto onde a mulher estivera.

O arrepio percorre sua nuca.

— Isso não é possível...

Ela se corrige imediatamente.

— Não.

Possível é.

Só é...

Ela procura a palavra.

— Improvável.

Tanya respira fundo.

Começa a enumerar mentalmente as alternativas.

Movimento silencioso.

Terreno irregular.

Distração.

Alguma forma de camuflagem.

Erro de percepção.

Talvez ela simplesmente não tenha prestado atenção.

Tudo é possível.

Tudo pode ser investigado.

Então surge o pensamento.

Sem convite.

Sem autorização.

**Lilith.**

Tanya fecha os olhos.

— Não.

O pensamento permanece.

Ela abre o caderno.

Escreve:

**“Hipótese: fenômeno desconhecido.”**

Para.

Olha para a frase.

Acrescenta:

**“Possível manifestação de entidade?”**

Tanya encara a própria escrita.

— Não.

Rasura.

Mas, alguns segundos depois, escreve novamente.

**“Lilith?”**

Ela fica olhando para o nome.

Não como conclusão.

Não como revelação.

Não como certeza.

Apenas uma hipótese.

Uma hipótese que, considerando tudo o que aconteceu naquela noite...

...não parece mais tão absurda quanto deveria.

Tanya fecha o caderno rapidamente.

— Isso é ridículo.

O vento passa pelas árvores.

Nenhuma resposta.

Ela olha para o carvalho.

— Não vou escrever isso no relatório.

Pausa.

— Ainda.

E, pela primeira vez desde que começou a investigação, Tanya percebe que talvez o problema não seja descobrir **se** os Deuses Antigos existem.

Talvez seja descobrir até onde sua própria ideia de “possível” consegue se estender.

Ela olha novamente para a trilha vazia.

E murmura:

— Se era você...

Silêncio.

Tanya respira fundo.

— ...você poderia pelo menos ter feito barulho ao andar.

Nenhuma resposta.

Só o vento.

E um pequeno sorriso involuntário no rosto de Tanya.

— Irritante.

Tanya retorna ao chalé no fim da manhã.

Circunspecta.

Silenciosa.

O caderno está debaixo do braço.

Ela entra, fecha a porta e fica alguns segundos parada.

Beto está à escrivaninha.

Ele levanta os olhos.

— Alguma coisa aconteceu?

Tanya olha para ele.

Longamente.

Beto imediatamente sente que há algo errado.

— Tanya?

Ela murmura:

— Carvalho...

Beto espera.

— Tradição oral...

Mais alguns passos.

— Representações semelhantes...

Ela para diante da mesa.

— E uma mulher que aparece sem fazer absolutamente nenhum som.

Beto pisca.

— Ah.

Tanya estreita os olhos.

— “Ah”?

— Eu estava tentando decidir se deveria dizer alguma coisa.

— Não diga.

Beto obedece.

Ela começa a andar pelo chalé.

— Não há evidência suficiente.

— Certo.

— Não há como estabelecer identidade.

— Certo.

— Pode haver explicações que ainda não considerei.

— Certo.

Tanya para novamente.

Olha para ele.

— Você está muito tranquilo.

— Estou?

— Está.

Beto dá de ombros.

— Eu não estava lá.

Tanya encara-o como se essa resposta fosse pessoalmente ofensiva.

— Você é responsável por isso.

— Por quê?

— Porque foi você quem me levou até aquele campo.

— Tecnicamente, você decidiu voltar sozinha.

— **Porque você me deixou curiosa.**

Beto fica em silêncio.

Tanya percebe o que acabou de dizer.

Desvia os olhos.

— E agora estou tendo pensamentos absurdos.

— Que pensamentos?

— Não interessa.

Ela passa por ele.

Beto observa.

Há alguma coisa diferente.

Não é apenas irritação.

Nem desconfiança.

Existe uma delicadeza estranha no modo como ela olha para ele.

Como se estivesse irritada com alguém que, apesar de tudo, ela não consegue deixar de considerar importante.

Beto percebe.

E fica genuinamente preocupado.

— Tanya...

Ela olha.

— O quê?

— Você está bem?

Ela responde imediatamente:

— Não.

Beto se assusta.

— O que aconteceu?

Tanya hesita.

Então olha para ele de um jeito que Beto nunca havia visto.

— Você.

— Eu?

— Sim.

Ela suspira.

— Você colocou perguntas na minha cabeça.

Pausa.

— E agora elas não vão embora.

Beto sorri.

— Isso é ruim?

Tanya parece pronta para responder.

Mas não consegue.

Porque, enquanto olha para ele, aquele pequeno traço de ternura aparece novamente.

Ela percebe que Beto percebeu.

E imediatamente fecha a expressão.

— Não fique convencido.

— Eu não—

— E não sorria.

Beto tenta obedecer.

Falha.

Tanya revira os olhos.

— Idiota.

Ela se senta.

Abre o caderno.

Mas não escreve.

Fica olhando para a página em branco.

Depois, muito discretamente, olha novamente para Beto.

Dessa vez, não há irritação.

Há carinho.

Um carinho que ela ainda não sabe nomear.

Beto engole em seco.

*Agora estou realmente em perigo.*

Do outro lado da sala, Viktoriya observa.

Ela percebe.

E sorri.

Mary Sue, ainda tentando entender a situação, pergunta:

— O que foi?

Viktoriya responde baixinho:

— Nada.

— Você está sorrindo.

— Estou.

— Por quê?

Viktoriya olha para Tanya.

— Porque acho que nossa major encontrou um fenômeno que realmente não sabe combater.

Tanya levanta os olhos.

— **Eu ouvi isso.**

Viktoriya sorri ainda mais.

— Eu sei.

Beto está na cozinha.

O som da faca cortando legumes ocupa o silêncio do chalé.

— Almoço em vinte minutos! — ele anuncia.

— Certo! — responde Viktoriya.

Mary Sue murmura alguma coisa que parece concordância.

Tanya não responde.

Continua escrevendo.

Seu caderno está aberto sobre a mesa.

Ela organiza as observações da manhã.

**Carvalho.**

**Tradição oral.**

**Representações iconográficas.**

**Entidade desconhecida.**

Ela para.

Pensa na mulher.

Depois escreve:

**Possível associação com Lilith — hipótese não comprovada.**

Fica alguns segundos olhando para a frase.

Então risca.

— Não.

Escreve novamente.

**Hipótese a investigar.**

Mais abaixo:

**Beto — testemunha principal.**

Tanya continua escrevendo.

Sem perceber, desenha ao lado do nome um pequeno coração.

Viktoriya passa atrás dela.

Para.

Olha.

Volta um passo.

Olha novamente.

Seu sorriso aparece lentamente.

— Tanya...

Tanya continua escrevendo.

— O quê?

— Nada.

Viktoriya segue para a cozinha.

Beto está mexendo uma panela.

— O que foi?

— Nada.

— Você está com aquele sorriso.

— Estou?

— Está.

— Talvez eu tenha descoberto alguma coisa.

Beto olha para ela.

— Sobre Perun?

— Algo muito mais perigoso.

Antes que ele pergunte, Viktoriya olha para Tanya.

A major continua escrevendo.

Completamente concentrada.

Ou fingindo estar.

Beto sente um arrepio inexplicável.

— Não sei por quê — murmura — mas acabei de sentir que alguma coisa ruim vai acontecer.

Viktoriya contém uma risada.

— Você deveria se preocupar.

Enquanto isso, Tanya escreve:

**“Relação entre Beto e Lilith.”**

Ela para.

Olha para a frase.

A expressão muda.

Não é mais investigação acadêmica.

É curiosidade.

Uma curiosidade que começa a incomodá-la.

Quem é Lilith para ele?

O que exatamente aconteceu entre os dois?

Por que ele fala dela daquele jeito?

Por que sua voz muda quando pronuncia o nome?

E, principalmente...

**o que existe entre eles que Tanya não conhece?**

Ela fecha o caderno.

Depois abre novamente.

Escreve uma última pergunta:

**“Beto ama Lilith?”**

Tanya encara a frase.

Seu rosto fica vermelho.

— Que pergunta estúpida...

Viktoriya, do outro lado da sala:

— Não é tão estúpida assim.

Tanya congela.

— Você leu?

— Não.

— Então como—

— Seu rosto.

Tanya fecha o caderno com força.

— Vá ajudar Beto com o almoço.

Viktoriya sorri.

— Com prazer.

Na cozinha, Beto sente outro arrepio.

— Definitivamente alguma coisa aconteceu.

Viktoriya pega uma colher.

— Talvez você devesse preparar uma sobremesa.

— Por quê?

Ela olha para Tanya.

— **Para sobreviver ao interrogatório.**

Beto empalidece.

— Interrogatório?

Tanya levanta os olhos.

— Ainda não.

A palavra **“ainda”** ecoa pelo chalé.

Beto olha para o teto.

— Lilith, se você estiver ouvindo...

Pausa.

— ...eu aceito ajuda.

Tanya estreita os olhos.

Viktoriya começa a rir.

E Mary Sue, pela primeira vez, percebe que talvez a investigação sobre os Deuses Antigos seja o menor dos problemas daquele chalé.

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Adão entediado


Quadrinhos criados com ChatGPT.

Vagalumes voando IV



(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Beto finalmente consegue escapar.

Ou, mais precisamente, consegue voltar para sua escrivaninha.

Ele se senta, abre o caderno e tenta recuperar alguma dignidade profissional.

Do outro lado da porta, porém, as vozes continuam.

Viktoriya fala primeiro.

Viktoriya: "Tanya..."

Silêncio.

Viktoriya: "Eu te conheço desde a academia."

Outra pausa.

Viktoriya: "Você sempre foi péssima em esconder seus sentimentos."

Eu paro de escrever. Eu penso. *Isso vai dar problema.*

Tanya responde imediatamente:

Tanya: "Não sei do que você está falando."

Viktoriya: "Claro que não."

Tanya: "Viktoriya..."

Viktoriya: "Sim?"

Tanya: "Não comece."

Viktoriya ri baixinho.

Viktoriya: "Você segurou a camisa dele."

Tanya: "Para impedir que ele fugisse!"

Viktoriya: "Até depois de ele parar de fugir?"

Silêncio.

Viktoriya: "E segurou a mão dele durante quase todo o caminho."

Tanya: "Estava frio."

Viktoriya: "E ficou com o casaco dele."

Tanya: "Estava frio."

Viktoriya: "E agradeceu pela noite."

Tanya: "Porque foi uma noite agradável."

Viktoriya fica em silêncio por alguns segundos.

Viktoriya: "Tanya..."

Tanya: "O quê?"

Viktoriya: "Você está apaixonada por ele?"

Silêncio absoluto.

Beto lentamente coloca a caneta sobre a mesa.

Do outro lado da parede:

Tanya: "NÃO!"

Eu fecho os olhos.

*Definitivamente vai dar problema.*

Viktoriya não parece convencida.

Viktoriya: "Então por que está vermelha?"

Tanya: "O casaco!"

Viktoriya: "O casaco já não está com você."

Silêncio.

Beto ouve uma cadeira se mover.

Tanya murmura: "Eu não sei."

A voz dela perdeu a irritação.

Viktoriya responde mais suavemente:

Viktoriya: "Eu sei."

Tanya: "Não, você não sabe."

Viktoriya: "Talvez não saiba exatamente o que você está sentindo."

Pausa.

Viktoriya: "Mas conheço você."

Tanya não responde.

Viktoriya: "Você passou anos tentando controlar tudo."

Viktoriya continua:

Viktoriya: "Sua carreira. Sua magia. Sua posição. Seus superiores. Seus subordinados. Seu futuro."

Silêncio.

Viktoriya: "E agora apareceu alguém que você não consegue colocar em nenhuma dessas categorias."

Tanya respira fundo.

Tanya : "Ele é um problema."

Viktoriya: "Sim."

Tanya: "Um herege."

Viktoriya: "Sem dúvida."

Tanya: "Irritante."

Viktoriya: "Muito."

Tanya: "Convencido."

Viktoriya: "Bastante."

Tanya fica em silêncio.

Viktoriya: "E?"

Longa pausa.

Tanya responde quase inaudivelmente:

Tanya: "...Ele é gentil."

Beto olha para o caderno.

Não escreve.

Viktoriya não ri dessa vez.

Viktoriya: "Ah."

Tanya murmura: "E isso é extremamente inconveniente."

Beto sorri sozinho.

Viktoriya: "Tanya..."

Tanya: "Sim?"

Viktoriya: "Acho que você não precisa decidir hoje o que isso significa."

Silêncio.

Viktoriya: "Apenas não minta para si mesma."

Tanya não responde.

Mas eu consigo imaginar perfeitamente a expressão dela.

E, pela primeira vez naquela noite, eu decido não escutar mais.

Volta à folha.

Molha a pena.

E escrevo no alto da página:

**“Capítulo seguinte: A Major Descobre Que Hierarquia Não Resolve Tudo.”**

Eu paro. Risco.

Beto: "Não. Tanya vai me matar."

Penso um pouco.

Escreve:

**“A Investigação Continua.”**

Muito mais seguro.

Por enquanto.

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Momento Eureka


Quadrinhos criados com ChatGPT.

Vagalumes voando - III



Eu, no gabinete, escrevendo tranquilamente o episódio.

Eu paro.

Beto: "Atchim!"

Pausa.

Olho em volta.

Beto : "Ué?"

Volta a escrever.

Tanya, ainda escondida sob o cobertor:

Tanya: "Maldito."

Beto: "Atchim!"

Eu olho para o teto.

Beto: "Tem alguém falando de mim?"

E, em algum lugar entre os mundos, Lilith observa a cena com aquele sorriso de quem sabe exatamente o que está acontecendo e não pretende explicar absolutamente nada.

Enquanto isso, Viktoriya provavelmente já percebeu tudo.

Mary Sue ainda está tentando descobrir em qual manual militar se enquadra o fenômeno de uma major ficar corada porque segurou a mão de um escritor.

Tanya: EU NÃO ESTOU CORADA!


Viktoriya encara Tanya.

Viktoriya : "Você ainda está usando o casaco dele."

Tanya: "Está frio."

Viktoriya: "Claro."

Mary Sue está diante de uma pilha de livros.

Mary Sue: "Se Perun existe..."

Ela olha para a Bíblia.

Depois para os livros de mitologia.

Mary Sue: "...então precisamos conversar seriamente sobre algumas coisas."

Tanya diante de uma mesa cheia de mapas, documentos e relatórios.

Ela aponta para um mapa.

Tanya : "A investigação começa aqui."

Beto: "Você vai investigar Perun?"

Tanya: "Não."

Pausa.

Tanya : "Vou investigar você."

Eu fico pálido.

Beto : "Ah."

Viktoriya, rindo.

Viktoriya : "Você deveria correr."

Eu corro por um corredor.

Beto: "Mas eu sou o escritor!"

Tanya, atrás de mim:

Tanya : "E eu sou major!"

Uma placa: SIBÉRIA

Beto aparece diante da placa.

Beto : "Tanya..."

Ela surge atrás de mim.

Tanya : "Considere isto uma revisão editorial."

Tanya encara a câmera.

Tanya : "Se você escrever alguma coisa indevida sobre esta noite..."

Ela estreita os olhos.

Tanya: "...eu o mando para a Sibéria."

Beto: "Isso é censura!"

Tanya: "É crítica construtiva."

Viktoriya: "Tanya..."

Mary Sue: "Tecnicamente, isso seria abuso de autoridade."

Tanya: "Próximo assunto!"

A placa está diante deles.

**SIBÉRIA.**

Beto para.

— Tanya...

Ela não responde.

Até alguns segundos atrás, estava se divertindo com a perseguição. Corria atrás dele com uma indignação que parecia perfeitamente sincera.

Agora, porém, eu estou cercado.

Não há mais para onde fugir.

Viktoriya está de um lado.

Mary Sue do outro.

Tanya está à frente.

Beto : "Major...?"

Tanya dá um passo.

Depois outro.

Eu espero a sentença.

Tanya: "Eu poderia mandar você para a Sibéria."

Beto : "Eu sei."

Tanya : "Você mereceria."

Beto : "Talvez."

Ela se aproxima mais.

Eu dou um sorriso nervoso.

Beto : "Então..."

Tanya levanta a mão.

Agarra a camisa dele.

Com força.

Eu olho para a mão.

Depois para ela.

Tanya percebe.

Não solta.

Viktoriya percebe também.

Mary Sue percebe.

O silêncio fica perigosamente longo.

Beto: "Tanya?"

Tanya : "Cale-se."

Beto : "Sim, senhora."

Ela continua segurando a camisa.

Não parece mais zangada.

Nem exatamente divertida.

Parece... perdida.

Como se tivesse chegado a uma decisão e, no último instante, esquecido qual era.

Viktoriya inclina a cabeça.

Viktoriya : "Tanya?"

Tanya : "O quê?"

Viktoriya : "Você pretende mandá-lo para a Sibéria?"

Tanya olha para a placa.

Depois para mim.

Depois para a própria mão.

Tanya : "Eu..."

Silêncio.

Ela solta a camisa.

Por meio segundo.

Então segura novamente.

Mais discretamente.

Beto percebe.

Não comenta.

Tanya respira fundo.

Tanya : "A situação exige uma avaliação cuidadosa."

Viktoriya sorri.

Viktoriya : "Naturalmente."

Mary Sue olha para Tanya.

Mary Sue: "Isso é uma avaliação militar?"

Tanya: "Sim."

Mary Sue: "E por que você está segurando a camisa dele?"

Tanya fica vermelha.

Tanya: "Porque ele pode fugir!"

Eu olho para a placa.

Beto : "Para onde?"

Tanya olha para a Sibéria.

Depois para ele.

Silêncio.

Viktoriya começa a rir.

Tanya fecha os olhos.

Talvez ela realmente esteja apaixonada.

Talvez esteja apenas confusa.

Talvez esteja gostando da proximidade e ainda não tenha encontrado um nome para isso.

E, pela primeira vez, nem Tanya parece disposta a transformar aquilo em uma conclusão.

Ela apenas permanece ali.

Com a mão ancorada na camisa de Beto.

Diante da placa da Sibéria.

Sem saber se está segurando um prisioneiro...

...ou se está impedindo a si mesma de deixá-lo ir.

Tanya aperta a camisa de Beto.

Tanya : "Maldito herege!"

Eu pisco.

Beto: "Sim?"

Tanya: "Não fique falando meu nome com essa tranquilidade!"

Beto : "Tanya..."

Tanya: "Major!"

Ela cora.

Tanya : "Hierarquia!"

Eu olho para a mão dela. Depois para Tanya. Depois novamente para a mão.

Beto: "Major."

Tanya: "Muito melhor."

Beto: "Major Degurechaff."

Tanya: "Exatamente."

Beto : "A senhora pretende continuar segurando minha camisa enquanto me dá ordens?"

Silêncio.

Tanya olha para baixo.

A mão continua exatamente onde estava.

Ela poderia soltá-la.

Não solta.

Tanya: "Isso..."

Pausa.

Tanya : "...é irrelevante."

Viktoriya vira o rosto para esconder o sorriso.

Mary Sue observa a situação com crescente perplexidade.

Viktoriya : "Major, se o objetivo é impedir que ele fuja, talvez seja mais eficiente algemá-lo."

Tanya fica ainda mais vermelha.

Tanya: "Não preciso de algemas!"

Viktoriya: "Então por que..."

Tanya: "Porque eu estou segurando!"

Silêncio.

Tanya percebe o que acabou de dizer.

Beto também.

Viktoriya perde completamente a batalha contra o próprio sorriso.

Tanya fecha os olhos.

Tanya : "Esqueçam."

Eu respondo com cautela.

Beto: "Sim, major."

Ela abre um olho.

Tanya: "E não sorria."

Beto: "Não estou sorrindo."

Tanya: "Está."

Beto: "Talvez um pouco."

Tanya respira fundo.

A mão finalmente afrouxa.

Mas, antes de me soltar completamente, seus dedos permanecem presos ao tecido por mais um instante.

Ela olha para Beto.

E a voz sai muito mais baixa:

Tanya : "...Não desapareça."

Eu fico sério.

Beto: "Não vou."

Tanya finalmente solta a camisa.

Viktoriya não diz nada.

Mary Sue também não.

Porque, naquele momento, até as duas entenderam que não havia mais necessidade de explicar.

A placa da Sibéria continua atrás deles.

Mas Tanya já não parece estar pensando em mandá-lo para lá.

Parece apenas aliviada por ele ainda estar ali.

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

O lado B do Céu - II



Quadrinhos criado com ChatGPT.

Vagalumes voando - II



(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

No dormitório, Tanya, Viktoriya e Mary Sue conversam.

Tanya: "A escultura pode ser explicada por transmissão cultural. O sonho do camponês pode ser uma experiência subjetiva. A sopa pode ser simplesmente hospitalidade. Os vagalumes são insetos."

Viktoriya: "E a mulher de preto e vermelho?"

Tanya para.

Tanya: "Isso eu não consigo explicar."

Mary Sue: "Talvez ele tenha visto alguém."

Tanya: "Talvez."

Pausa.

Tanya: "Mas ele disse que ela pediu especificamente que nos alimentasse."

Viktoriya olha para Tanya.

Viktoriya: "E você sentiu alguma coisa."

Tanya imediatamente:

Tanya: "Não sabemos o que eu senti."

Viktoriya : "Mas sentiu."

Tanya: "Sim."

Mary Sue fica desconfortável com a conversa, porque ela tenta organizar tudo dentro de categorias conhecidas.

Mary Sue: "Temos três possibilidades: coincidência, influência cultural ou fenômeno que ainda não compreendemos."

Viktoriya: "Só três?"

Mary Sue: "As três que consigo defender racionalmente."

Tanya olha para ela.

Tanya: "E a quarta?"

Mary Sue: "Qual?"

Tanya : "Que Perun existe."

Mary Sue fica em silêncio.

Viktoriya sorri.

Viktoriya : "Você está começando a considerar isso."

Tanya: "Não estou."

Tanya olha para a própria mão. A mão que segurou a minha durante quase todo o caminho.

Tanya: "Estou considerando que não posso descartar."

Viktoriya percebe.

E não deixa passar:

Viktoriya : "E o Beto?"

Tanya fica imediatamente desconcertada.

Tanya : "O que tem ele?"

Viktoriya : "Você segurou a mão dele."

Tanya : "Estava frio."

Viktoriya : "Ele lhe deu o casaco."

Tanya : "Estava frio."

Viktoriya : "Você agradeceu pela noite."

Tanya: "Porque foi uma noite interessante."

Mary Sue observa as duas.

Mary Sue: "Vocês estão discutindo a experiência religiosa ou o comportamento afetivo da Tanya?"

Silêncio.

Viktoriya começa a rir.

Tanya fica vermelha.

Tanya: "Nenhum dos dois."

A porta se fecha atrás de Beto.

Por alguns segundos, nenhuma das três fala.

Mary Sue continua olhando para o campo pela janela.

Os últimos vagalumes ainda podem ser vistos ao longe.

Ela finalmente murmura:

— Eu acreditava que a Bíblia era a Verdade.

Tanya olha para ela.

Mary Sue engole em seco.

— A Única.

Viktoriya permanece em silêncio.

— Eu acreditava que Deus era só o da Igreja.

Ela olha para as próprias mãos.

— Que todas aquelas outras histórias eram apenas mitos. Superstições. Culturas antigas tentando explicar o mundo antes de conhecerem a verdade.

Tanya não a interrompe.

— E agora...

Mary Sue olha para a janela.

— Um camponês diz que sonhou com Perun.

Pausa.

— Uma escultura aparece exatamente como ele descreveu.

— E depois ele oferece sopa porque...

Ela para.

— Porque uma entidade que ele chama de Perun pediu.

Viktoriya completa suavemente:

— E uma mulher de vestido preto e vermelho também.

Mary Sue fecha os olhos.

— É isso.

Silêncio.

Tanya finalmente pergunta:

— Você acha que Perun existe?

Mary Sue demora a responder.

— Eu não sei.

A resposta parece custar-lhe.

— E isso é o que mais me assusta.

Viktoriya se aproxima.

— Por quê?

— Porque eu sempre soube.

Tanya franze a testa.

— Soube?

— Sim.

Mary Sue olha para elas.

— Eu tinha respostas.

Ela aponta para a Bíblia sobre a mesa.

— Aqui estava a resposta.

Depois para o campo.

— E agora existe uma pergunta.

Tanya permanece pensativa.

— Talvez isso não destrua sua fé.

Mary Sue olha para ela.

— Não?

— Você pode continuar acreditando em Deus.

Tanya faz uma pausa.

— Mas talvez precise abandonar a ideia de que compreender Deus significa compreender tudo o que existe.

Mary Sue fica em silêncio.

Viktoriya acrescenta:

— Talvez o Deus da sua tradição não precise desaparecer porque você descobriu que o mundo é maior do que imaginava.

Mary Sue olha novamente para o campo.

— E se Perun for real?

Tanya responde:

— Então teremos descoberto que Perun é real.

Mary Sue quase ri.

— Você está ficando igual ao Beto.

— Não exagere.

Viktoriya sorri.

Mary Sue finalmente deixa escapar um pequeno sorriso.

Mas ele desaparece rapidamente.

— E Lilith?

Tanya olha para ela.

— O que tem Lilith?

— A mulher de preto e vermelho.

Silêncio.

Viktoriya olha para Tanya.

Tanya olha para Mary Sue.

Mary Sue respira fundo.

— Eu não sei quem ela era.

Pausa.

— Mas pela primeira vez na minha vida...

Ela olha para a escuridão além da janela.

— ...eu não tenho certeza de que quero saber.

Tanya pergunta:

— Por quê?

Mary Sue responde baixinho:

— Porque talvez algumas respostas sejam grandes demais para caber naquilo que eu aprendi a chamar de Verdade.

Nenhuma das três fala mais nada.

Dessa vez, o silêncio não parece vazio.

Parece uma porta aberta.

Tanya permanece diante da janela.

— Ninguém pode afirmar que a dama de preto e vermelho era Lilith.

Mary Sue olha para ela.

— Nem sequer um espírito — continua Tanya. — Ou uma entidade.

Viktoriya cruza os braços.

— Você está voltando ao ceticismo.

— Nunca o abandonei.

Tanya olha para o campo.

— Temos um relato de um camponês. Temos uma tradição. Temos uma escultura. Temos um sonho.

Ela enumera cada elemento com os dedos.

— E temos uma descrição de alguém que ele afirma ter visto.

Tanya baixa a mão.

— Isso é tudo.

Mary Sue parece um pouco aliviada.

— Então você acha que não aconteceu nada sobrenatural?

— Não.

Mary Sue pisca.

— Não?

— Eu disse que não podemos afirmar **o que** aconteceu.

Tanya olha para ela.

— É diferente.

Viktoriya sorri.

— Você está começando a falar como Beto.

— Não.

— Está.

— Estou falando como uma pessoa que sabe a diferença entre uma observação e uma conclusão.

Mary Sue olha novamente para o campo.

— Mas você sentiu alguma coisa.

Tanya fica quieta.

— Sentiu, não sentiu? — pergunta Viktoriya.

Tanya demora.

— Sim.

— E o que era?

— Não sei.

Viktoriya sorri.

— Isso deve estar sendo insuportável para você.

Tanya suspira.

— É.

Mary Sue olha para Tanya.

— Então o que fazemos com aquilo que não conseguimos explicar?

Tanya observa os vagalumes desaparecendo na distância.

— **Não inventamos uma certeza para preencher o espaço.**

Pausa.

— Guardamos a pergunta.

Viktoriya olha para ela.

— E esperamos?

Tanya responde:

— Investigamos.

Mary Sue olha para o campo mais uma vez.

— E se nunca descobrirmos?

Tanya dá um pequeno sorriso.

— Então teremos que aprender a viver com isso.

Silêncio.

Viktoriya murmura:

— Beto ficaria orgulhoso.

Tanya imediatamente responde:

— Não conte a ele.

As três riem.

Mas, depois da risada, Tanya olha novamente para a escuridão.

E, embora jamais admita em voz alta, existe uma pergunta que agora também pertence a ela:

**Quem era a dama de preto e vermelho?**

Mary Sue continua olhando para a janela.

Por alguns segundos, parece lutar contra as próprias palavras.

Então diz:

— Eu cresci acostumada com a ideia de ter um relacionamento com Cristo...

Tanya olha para ela.

Viktoriya também.

Mary Sue continua:

— Eu sabia como pensar sobre isso. Como rezar. Como falar. Como interpretar aquilo que eu sentia.

Ela abaixa os olhos.

— Havia uma estrutura.

Pausa.

— Um caminho.

Tanya permanece quieta.

— Mas Beto e Lilith...

Mary Sue hesita.

— Isso é muito complexo para eu entender.

Viktoriya sorri de leve.

— Porque parece diferente?

— Muito.

— Por quê?

Mary Sue pensa.

— Porque ele não fala dela como alguém que simplesmente adora uma divindade.

Ela procura as palavras.

— Ele fala como alguém que... conversa com ela.

Tanya corrige:

— Ou acredita conversar.

Mary Sue assente.

— Sim. Isso.

Pausa.

— Mas existe outra coisa.

— O quê? — pergunta Viktoriya.

Mary Sue olha para a porta por onde Beto saiu.

— Ele não parece querer alguma coisa dela.

Tanya levanta os olhos.

Mary Sue continua:

— Não quer poder. Não quer recompensa. Não quer proteção. Não quer que ela lhe dê alguma coisa.

Ela respira fundo.

— Ele simplesmente parece... grato por ela existir.

Silêncio.

Viktoriya olha para Tanya.

Tanya permanece pensativa.

— Isso é realmente diferente — admite.

Mary Sue quase sorri.

— Eu passei a vida inteira tentando entender o que Deus queria de mim.

Ela olha novamente para o campo.

— E agora encontro alguém que parece dizer que não precisa saber o que uma divindade quer.

Tanya cruza os braços.

— Isso provavelmente explica por que Beto é tão difícil de classificar.

Mary Sue ri baixinho.

— Ele é um herege.

Viktoriya:

— Definitivamente.

Tanya:

— Um herege perigoso.

Mary Sue finalmente sorri.

— Mas talvez...

Ela para.

— Talvez eu esteja entendendo uma coisa.

As outras duas esperam.

— Talvez uma relação com o divino não precise necessariamente começar com uma resposta.

Tanya olha para ela.

— Continue.

Mary Sue encara a noite.

— Talvez possa começar com uma pergunta.

Silêncio.

Viktoriya sorri.

— Você está filosofando.

Mary Sue suspira.

— Eu sei.

Tanya olha para ela.

— Está gostando?

Mary Sue pensa.

— **Isso é o que mais me preocupa.**

Naquela noite, Tanya está deitada sob o cobertor.

O quarto está escuro.

Silencioso.

Ela fecha os olhos.

E imediatamente volta ao campo.

O vento.

O rio.

As árvores.

Os vagalumes.

A escultura de Perun.

A sopa.

A mão de Beto.

Tanya abre os olhos.

— Ridículo.

Ela fecha novamente.

A lembrança volta.

O comichão na mão.

A sensação do tecido do casaco sobre os ombros.

A voz dele:

*“Pode segurar na minha mão se estiver com receio.”*

Tanya enterra o rosto no travesseiro.

— Ridículo.

Ela tenta pensar em outra coisa.

Relatórios.

Logística.

Estratégia.

Abastecimento.

Qualquer coisa.

Mas existe uma sensação.

Não exatamente uma presença física.

É apenas a impressão de que **alguém está observando**.

Tanya abre os olhos.

Nada.

Ela permanece imóvel.

— Entidade X?

Nenhuma resposta.

Tanya espera.

Nada.

A sensação, porém, permanece.

Não há hostilidade.

Não há ameaça.

Também não existe aquela sensação opressiva que ela associaria à Entidade X.

É...

Neutra.

Não.

Mais que neutra.

Quase compreensiva.

Como se aquela presença não estivesse julgando seus pensamentos.

Apenas os testemunhando.

Tanya sente um arrepio.

— Isso é absurdo.

Ela se vira de lado.

A mão ainda está formigando.

Ela a observa no escuro.

— Foi apenas uma caminhada.

Silêncio.

— Apenas uma sopa.

Mais silêncio.

— Apenas uma escultura.

Ela fecha os olhos.

— Apenas uma mão dada.

Pausa.

Tanya abre os olhos novamente.

— **E aquele maldito escritor.**

A sensação permanece.

— Não consigo nem organizar meus próprios pensamentos sem você aparecer de novo.

Ela puxa o cobertor até o nariz.

— Herege.

Pausa.

— Idiota.

Outra pausa.

— Convencido.

O canto da boca dela se move.

— E ainda por cima me empresta o casaco.

Tanya percebe o que acabou de dizer.

Fica vermelha.

— **Droga.**

Ela se vira para o outro lado.

A presença continua ali.

Sem exigir nada.

Sem responder.

Sem se revelar.

Tanya fecha os olhos.

E, contra toda a sua disciplina, deixa escapar um último murmúrio:

— Boa noite, Beto.

Silêncio.

Ela arregala os olhos.

— **Eu não disse isso.**

E, pela primeira vez naquela noite, a presença parece quase...

divertida.

Tanya puxa o cobertor sobre a cabeça.

— Eu odeio esta história.

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

O lado B do Céu - I



Quadrinhos criados com ChatGPT 

Vagalumes voando - I



(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Beto: “O camponês disse que uma dama de vestido preto e vermelho havia pedido que alimentasse os viajantes."

Tanya: "Eu não sei o que aconteceu.”

Nós ainda estamos de mãos dadas.

Beto: “Eu nunca vou decifrá-la. Posso passar a vida inteira tentando compreendê-la, e ainda assim haverá alguma coisa além do meu alcance.”

Tanya: "Isso é uma maneira bastante dramática de admitir que você não sabe."

Beto: "É."

Viktoriya: "E está satisfeito com isso?"

Eu olho para o céu.

Beto : "Pela primeira vez, estou."

Mary Sue: "Então talvez você finalmente tenha entendido a diferença entre conhecer alguém e possuir uma explicação sobre alguém."

Beto permanece em silêncio por alguns segundos.

Depois olha para Tanya.

— Isso também se aplica ao amor.

Tanya ergue os olhos.

— Não tente explicar.

Pausa.

— Não tente conter.

Beto olha para Viktoriya.

— Não tente cercar.

Depois para Mary Sue.

— Não tente definir.

Ele volta a olhar para as três.

— Só sinta.

O vento atravessa o campo.

— Por si mesma.

Uma pausa.

— Por outra pessoa.

Viktoriya abaixa os olhos.

Mary Sue permanece pensativa.

— Ache seu próprio jeito de entender.

Beto sorri.

— Ache seu próprio jeito de expressar.

Tanya cruza os braços.

— Você percebe que isso é uma filosofia bastante inconveniente?

— Por quê?

— Porque não existe manual.

— Exatamente.

Viktoriya sorri.

— Talvez seja esse o ponto.

Beto olha para o horizonte.

— Eu certamente sou grato quando sinto quando Lilith se expressa.

Tanya observa o rosto dele.

— E como você sabe que é ela?

Beto sorri.

— Não sei.

Tanya parece pronta para protestar.

Mas ele continua:

— **Eu reconheço a sensação.**

Ela fica em silêncio.

Mary Sue olha para ele.

— E se um dia você perceber que estava errado?

Beto dá de ombros.

— Então eu terei aprendido alguma coisa sobre mim.

Viktoriya pergunta:

— E se estiver certo?

Beto olha para o céu escuro.

— Então terei aprendido alguma coisa sobre ela.

Silêncio.

Tanya finalmente sorri.

— Você realmente não pretende nos dar nenhuma resposta definitiva, não é?

Beto balança a cabeça.

— Não.

— Irritante.

— Eu prefiro chamar de liberdade.

Tanya olha para Viktoriya.

Depois para Mary Sue.

E, por um instante, nenhuma das três parece precisar de uma resposta.

A sopa ainda está quente.

A mão de Tanya ainda segura a de Beto.

Perun continua imóvel.

O céu continua escuro.

E, em algum lugar que ninguém consegue apontar, **Lilith continua sendo Lilith.**

Sem explicação.

Sem definição.

Sem precisar pedir nada.

Beto não diz mais nada.

Fica ali.

De mãos dadas com Tanya.

O silêncio não é constrangedor.

É apenas... silêncio.

Tanya olha para Perun.

Depois para a mão que ainda segura a de Beto.

Não solta.

Alguns metros atrás, Viktoriya observa os dois.

O olhar é perfeitamente reconhecível.

**Suspeita.**

Beto percebe.

Não comenta.

Mary Sue, por sua vez, parece profundamente desconfortável.

Olha para Tanya.

Olha para Beto.

Olha para as mãos dos dois.

Depois para Viktoriya.

Sua expressão diz claramente que ela está tentando enquadrar aquela situação em alguma categoria de disciplina militar.

Não encontra nenhuma.

— Isso não está previsto em nenhum regulamento — murmura.

Viktoriya quase ri.

— Ainda bem.

Mary Sue olha para ela.

— Como assim?

— Algumas coisas não precisam de regulamento.

Mary Sue parece ainda menos confortável.

— Essa frase me preocupa.

Tanya finalmente olha para trás.

— Mary Sue.

— Sim?

— Pare de tentar classificar a situação.

Mary Sue pisca.

— Eu não estava...

Tanya olha para ela.

— Estava.

Silêncio novamente.

Então o vento passa pelo campo.

Forte o bastante para fazer as árvores se moverem.

As folhas sussurram.

As esculturas de madeira rangem.

Beto olha para Perun.

Depois para Tanya.

E tem a estranha impressão de que o vento está rindo.

Não deles.

**Com eles.**

Ele sorri.

Tanya percebe.

— O que foi?

— Nada.

— Você está sorrindo.

— Estou.

— Por quê?

Beto olha para Viktoriya, ainda desconfiada.

Para Mary Sue, ainda procurando uma categoria disciplinar impossível.

Para Tanya, ainda segurando sua mão.

Depois para o campo.

— Porque acho que finalmente conseguimos ficar quatro pessoas juntas sem tentar explicar tudo.

Viktoriya ri.

Mary Sue suspira.

Tanya olha para o céu.

E o vento passa outra vez.

Como se tivesse achado graça.

Dessa vez, ninguém tenta interpretá-lo.

Tanya quebra o silêncio.

— Não fique convencido.

Beto olha para ela.

— Eu nem disse nada.

— Seu sorriso disse.

Ela aperta um pouco mais a mão dele.

— Está frio.

Beto olha para as mãos dos dois.

— Ah.

— E o senhor me trouxe até aqui.

Ela mantém o rosto sério.

— Portanto, tem que me levar de volta.

Beto sorri.

— Essa é a sua conclusão?

— É uma questão de responsabilidade.

— Naturalmente.

Tanya vira o rosto.

Por um instante, Beto percebe.

Um sorriso pequeno.

Quase invisível.

**Satisfação.**

Ela está gostando de segurar a mão dele.

Muito mais do que pretende admitir.

Beto decide, pela primeira vez naquela noite, não provocar.

— Então é minha responsabilidade.

— Exatamente.

Viktoriya observa os dois.

Seu olhar fica ainda mais desconfiado.

Mary Sue olha para Tanya.

Depois para as mãos.

Depois para Beto.

— Isso também não está previsto em nenhum regulamento.

Tanya responde sem sequer olhar para ela:

— Então talvez seja hora de atualizar o regulamento.

Viktoriya começa a rir.

Beto também.

Tanya tenta manter a expressão séria.

Não consegue completamente.

— Vamos.

Ela começa a caminhar.

Beto acompanha.

A mão dela permanece na dele.

E, quando ele olha discretamente para Tanya, percebe que aquele pequeno sorriso ainda está ali.

A tsundere pode negar quanto quiser.

**A mão dela não está negando absolutamente nada.**

Beto caminha devagar.

Muito devagar.

Não há pressa para voltar.

Tanya percebe.

— Você está andando mais devagar de propósito.

— Talvez.

— Por quê?

Beto olha para o campo.

— Porque algumas coisas desaparecem quando a gente tem pressa.

Tanya não responde.

O vento passa entre as árvores.

As folhas oscilam como se dançassem umas com as outras.

Mais adiante, o rio corre.

Não é exatamente silêncio.

Há o murmúrio da água, o movimento das árvores, o vento atravessando a vegetação.

E então surgem pequenas luzes.

Vagalumes.

Dezenas.

Talvez centenas.

Tanya para por um instante.

As pequenas luzes flutuam sobre o campo.

— Parece que estão dançando — murmura.

Beto olha para eles.

— Talvez estejam.

— Ou talvez seja apenas o ciclo de vida de um inseto.

— Também é uma possibilidade.

Tanya sorri discretamente.

— Você está aprendendo.

— Com você.

Ela não responde.

Os dois continuam caminhando.

Alguns vagalumes passam perto deles.

Tanya acompanha um deles com os olhos.

Por um instante, tem a estranha impressão de estar vendo pequenas almas atravessando a noite.

Não diz isso.

Beto também não.

Nenhum dos dois precisa.

Depois de algum tempo, ele olha para ela.

— Se estiver com muito frio, eu posso te ceder o meu casaco.

Tanya imediatamente responde:

— Não estou com frio.

Beto olha para ela.

— Está tremendo.

— É o vento.

— Naturalmente.

— E eu tenho uniforme.

— Que aparentemente não está funcionando.

Tanya lança um olhar indignado.

— Você está insinuando que o uniforme soviético é inadequado?

— Jamais ousaria.

Ela tenta manter a expressão séria.

Não consegue.

Um pequeno sorriso aparece.

— Seu casaco.

— Sim?

— Pode me emprestar.

Beto tira o casaco e coloca sobre os ombros dela.

Tanya segura a gola.

O tecido ainda conserva o calor.

— Obrigada.

Beto sorri.

— De nada.

Eles continuam andando.

Mão dada.

Sob o céu escuro.

O rio cantando.

As árvores dançando.

O vento rindo.

E os vagalumes flutuando ao redor deles.

Almas?

Insetos?

Reflexos da noite?

Ninguém sabe.

E, naquela noite, **ninguém pergunta.**

Tanya puxa o casaco um pouco mais para junto do corpo.

Está quente.

Confortavelmente quente.

Ela sente o rosto esquentar também.

Isso é inconveniente.

Muito inconveniente.

Principalmente porque Viktoriya está logo atrás.

Tanya mantém os olhos fixos no caminho.

*É o casaco.*

Claro.

**O casaco é quente.**

Essa é uma explicação perfeitamente racional.

Viktoriya olha para ela.

Tanya percebe pelo canto do olho.

— O quê?

— Nada.

— Está olhando.

— Estou.

— Por quê?

Viktoriya sorri.

— Porque você está vermelha.

— O casaco é quente.

— Eu não perguntei.

Tanya fica ainda mais vermelha.

— Então não faça observações desnecessárias.

Beto morde o lábio para não rir.

— Não diga nada — avisa Tanya.

— Não vou dizer.

O caminho termina.

O gabinete surge diante deles.

Atrás, os vagalumes continuam acompanhando o grupo.

Uma pequena constelação viva.

Quando chegam à soleira, eles permanecem ali por alguns instantes.

Tanya olha para trás.

Os pontos luminosos pairam sobre o campo.

Ela não sabe por que vieram.

Não sabe por que ficaram.

Não sabe se existe qualquer significado naquilo.

E, dessa vez, não sente necessidade de descobrir.

Ela volta-se para Beto.

Ainda está usando o casaco dele.

Ainda segura sua mão.

— Obrigada por essa noite.

Beto sorri.

— Eu que agradeço.

Tanya hesita.

Como se quisesse acrescentar alguma coisa.

Não acrescenta.

Apenas aperta suavemente a mão dele antes de soltá-la.

Então entra no gabinete.

Viktoriya passa por Beto.

Para.

Olha para ele.

Depois para Tanya.

Depois para o casaco.

Um sorriso surge no rosto dela.

— Boa noite, Beto.

— Boa noite, Viktoriya.

Ela entra.

Mary Sue é a última.

Olha para os vagalumes.

Depois para Beto.

— Ainda não sei como classificar esta noite.

Beto olha para o campo.

— Talvez não precise.

Mary Sue pensa por um segundo.

— Isso está começando a me incomodar menos.

Ela entra.

Beto fica sozinho na soleira.

Os vagalumes permanecem por mais alguns segundos.

Então, um a um, desaparecem na escuridão.

Ele olha para o céu.

Não há resposta.

Apenas a noite.

E, pela primeira vez, isso parece suficiente.

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.