terça-feira, 27 de outubro de 2026

Será que eu conheço minha musa?



https://www.patheos.com/blogs/gracefulawakening/2026/10/do-you-really-know-your-catholic-faith/. 

Se essa pergunta fosse respondida com seriedade, a ICAR já estaria falida e abandonada. 🤭😏 

Eu vou mudar só um pouco a pergunta. Como se eu estivesse perguntando a mim mesmo. Você realmente conhece sua musa? 😻 Escreva uma crônica adulta em tom de humor e sarcasmo.


Você realmente conhece sua musa?
Uma crônica sobre devoção, paixão e a perigosa arte de fazer perguntas inconvenientes.

Se a pergunta “Você realmente conhece sua fé católica?” fosse respondida com absoluta honestidade por todos os fiéis, talvez a Igreja Católica Apostólica Romana precisasse convocar uma assembleia de emergência para discutir um problema gravíssimo: a possibilidade de descobrir que boa parte de seus clientes conhece muito mais os rituais do que o produto. 🤭

Naturalmente, estou falando de uma hipótese satírica. Não quero provocar um colapso financeiro no Vaticano, muito menos deixar Sua Santidade procurando um emprego alternativo no LinkedIn. Afinal, uma instituição com dois milênios de história merece, no mínimo, uma crítica bem elaborada antes de qualquer pedido de falência.

A autora do artigo original, Michele Gunn, propõe uma reflexão pertinente: será que os católicos realmente compreendem aquilo em que acreditam ou simplesmente herdaram uma coleção de tradições familiares? 

Michele Gunn
 É uma pergunta interessante. Incômoda, talvez. Daquelas que podem transformar um tranquilo domingo de missa numa crise existencial antes do almoço.

Mas decidi fazer uma pequena alteração no questionário.

Em vez de perguntar se conheço minha fé, prefiro perguntar a mim mesmo:

Eu realmente conheço minha musa? 😻

E aqui começa o problema.

Porque falar de Lilith não é exatamente como preencher um formulário de catequese. Não existe uma secretaria celestial onde eu possa solicitar um certificado de intimidade com a minha deusa favorita, carimbado, autenticado e reconhecido em cartório. Tampouco imagino um curso de preparação com apostila, prova objetiva e um padre fiscalizando se decorei corretamente os artigos da paixão.

Embora, convenhamos, a ideia de um exame sobre a arte de admirar Lilith pudesse produzir resultados interessantes. Especialmente se a prova prática envolvesse contemplação, imaginação e uma capacidade extraordinária de perder a concentração ao pensar nela.

Eu provavelmente seria reprovado em produtividade e aprovado com louvor em entusiasmo.

Mas voltemos à pergunta.

Conhecer uma musa não é decorar uma enciclopédia
Conhecer Lilith significa, para mim, muito mais do que colecionar informações sobre mitos, tradições esotéricas e interpretações religiosas. É reconhecer o significado que essa figura ocupa no meu imaginário, na minha sensibilidade e na maneira como penso sobre autonomia, desejo e liberdade.

Há quem prefira uma devoção cuidadosamente organizada, com calendário litúrgico, regras definidas e uma lista de obrigações espirituais. Cada um com seu estilo. Algumas pessoas precisam de um manual de instruções para se aproximar do sagrado; outras preferem explorar os próprios caminhos sem pedir autorização ao gerente do departamento de mistérios do universo.

Eu, particularmente, tenho uma pergunta bastante simples: por que deveria terceirizar minha admiração?

Se posso refletir, questionar, estudar e construir minha própria relação simbólica com aquilo que considero significativo, por que precisaria transformar minha experiência numa repetição automática de fórmulas alheias?

Não estou dizendo que estudar tradições seja inútil. Pelo contrário. Conhecimento é importante. A diferença está entre estudar alguma coisa para compreendê-la e repetir palavras bonitas apenas para parecer que se compreendeu.

A primeira atitude exige curiosidade. A segunda exige apenas boa memória e certa disposição para impressionar a plateia.

E a humanidade, como sabemos, nunca teve escassez de gente capaz de confundir eloquência com sabedoria.

O departamento de fiscalização da paixão
Imagino, às vezes, como seria se existisse uma autoridade religiosa encarregada de fiscalizar o meu apreço por Lilith.

O fiscal chegaria, abriria uma pasta e começaria o interrogatório:

— O senhor conhece suficientemente sua musa?

— Estou sempre aprendendo.

— Mas sabe explicar todas as tradições associadas a ela?

— Não.

— Conhece todas as interpretações históricas?

— Também não.

— Então como pode afirmar que a admira?

Eu provavelmente responderia:

— Meu caro, o senhor está confundindo admiração com concurso público.

Eis o problema de certas mentalidades: a necessidade de transformar qualquer experiência íntima numa competição de credenciais. Parece que ninguém pode gostar de alguma coisa sem apresentar uma tese, três referências bibliográficas e uma declaração reconhecida em firma.

O sujeito contempla uma obra de arte e precisa justificar a emoção. Lê um poema e precisa apresentar uma defesa acadêmica do arrepio. Descobre uma figura mitológica que o fascina e imediatamente aparece alguém perguntando se ele possui autorização para sentir o que sente.

É uma burocracia impressionante.

Se a paixão tivesse um departamento de recursos humanos, provavelmente exigiria experiência mínima de cinco anos em encantamento, especialização em suspiros e domínio avançado de pensamentos inconvenientes.

Lilith, espero, teria o bom senso de não comparecer à entrevista.

E se eu estiver apenas apaixonado pela minha própria fantasia?
Agora chegamos à parte realmente interessante — e ligeiramente perigosa.

Porque a pergunta merece ser levada a sério, ainda que eu prefira fazê-lo sem a solenidade de um tribunal inquisitorial.

Será que conheço minha musa ou conheço apenas a imagem que construí dela?

Afinal, existe uma diferença entre estudar uma figura mitológica e projetar nela todos os nossos desejos. Uma coisa é reconhecer a complexidade das tradições que a cercam; outra é imaginar que ela existe exclusivamente para confirmar nossas opiniões, satisfazer nossas expectativas e concordar com absolutamente tudo o que pensamos.

Isso seria bastante conveniente, mas também bastante narcisista.

Uma musa transformada em espelho pode ser encantadora. Afinal, quem não gostaria de encontrar no universo uma figura que compreendesse perfeitamente suas preferências, admirasse suas qualidades e jamais apontasse seus defeitos?

O inconveniente é que um espelho não é exatamente um interlocutor.

E, se eu quero que minha admiração tenha algum valor intelectual, preciso reconhecer a diferença entre a Lilith presente nas tradições culturais e religiosas, as interpretações modernas dessa figura e a Lilith que ocupa um lugar especial na minha imaginação.

Essas dimensões podem dialogar, mas não são necessariamente idênticas.

Reconhecer isso não diminui meu entusiasmo. Na verdade, torna-o mais interessante. Afinal, uma paixão que não suporta perguntas talvez seja apenas uma fantasia protegida contra qualquer contato com a realidade.

E eu não preciso transformar minha musa numa personagem de propaganda para continuar achando-a fascinante.

O pecado imperdoável de pensar por conta própria
É curioso como a liberdade intelectual costuma ser celebrada até o momento em que alguém resolve exercê-la fora do roteiro esperado.

Enquanto a pessoa repete as respostas aprovadas, tudo está em ordem. Ela é disciplinada, respeitável e perfeitamente integrada ao sistema. Mas basta começar a fazer perguntas inconvenientes para que surjam suspeitas sobre sua moralidade, sua inteligência e, se possível, seu destino eterno.

Aparentemente, pensar por conta própria é uma atividade tolerada sob certas condições: desde que a conclusão seja previamente conhecida.

Nesse cenário, minha relação com Lilith oferece uma oportunidade de reflexão. Não porque eu precise provar que ela é superior a qualquer outra figura religiosa, mas porque posso examinar o que essa admiração significa para mim sem fingir que todas as minhas convicções precisam vir acompanhadas de um selo institucional.

Não preciso transformar a minha preferência numa verdade universal. Tampouco preciso exigir que outras pessoas compartilhem dela.

Posso simplesmente dizer: esta figura me fascina, esta simbologia conversa comigo e esta é a maneira como escolho explorar esse universo.

Parece simples, não é?

Pois aparentemente a humanidade consegue transformar até uma preferência pessoal numa guerra teológica. Basta alguém declarar que gosta de uma figura mitológica para que apareça outro sujeito disposto a organizar um debate de três horas sobre por que essa preferência deveria ser proibida, corrigida ou encaminhada para tratamento doutrinário.

É muita energia desperdiçada.

Se as pessoas dedicassem metade desse esforço a examinar as próprias certezas, talvez descobrissem que algumas de suas convicções mais sagradas sobrevivem menos à investigação do que gostariam de admitir.

Mas essa é outra conversa. E eu não gostaria de interromper meu devaneio por causa de uma reunião extraordinária do comitê universal de opiniões não solicitadas.

Afinal, conheço minha musa?
Conheço o suficiente para saber que minha admiração não precisa ser uma prova de teologia, um certificado de ortodoxia ou uma competição para descobrir quem decorou mais nomes, símbolos e interpretações.

Mas não conheço tudo — e seria ridículo afirmar o contrário.

Continuar aprendendo faz parte da própria experiência de admirar alguma coisa. Quanto mais estudo, mais percebo que as tradições são complexas, que os símbolos mudam de significado e que minhas interpretações também podem mudar.

Não considero isso uma derrota.

Derrota seria precisar fingir conhecimento absoluto para proteger meu orgulho.

E, convenhamos, já temos gente demais no mundo convencida de que recebeu pessoalmente a chave mestra de todos os mistérios do cosmos.

Prefiro conservar a curiosidade, o senso crítico e, naturalmente, meu bom humor.

Quanto à minha linda, maravilhosa e deliciosa musa, Lilith... 😻

Bem, não pretendo convocar uma comissão científica para investigar cada suspiro provocado por sua imagem no meu imaginário. Algumas experiências merecem reflexão; outras também merecem um sorriso malicioso e a capacidade de reconhecer que a vida não precisa ser transformada numa audiência pública.

Afinal, se existe uma coisa que aprendi nessa jornada imaginativa, é que a admiração não se torna mais autêntica porque alguém a certificou, nem mais inteligente porque foi acompanhada de palavras complicadas.

O que importa é saber distinguir conhecimento de ilusão, liberdade de arrogância e paixão de autoengano.

E, se depois de toda essa reflexão eu ainda terminar o dia pensando na minha musa com aquele sorriso de quem acaba de descobrir sua tentação favorita, não vejo motivo para abrir um processo disciplinar contra mim mesmo.

Portanto, reformulo a pergunta: eu realmente conheço minha musa?

Conheço suas histórias até onde consegui estudá-las, reconheço as limitações das minhas próprias interpretações e continuo disposto a aprender.

Mas, se a pergunta significa saber se minha admiração precisa da aprovação de terceiros para existir, a resposta é muito mais curta:

Não.

Minha musa não precisa passar por um concílio para continuar sendo minha musa.

E eu não preciso fundar uma igreja, publicar um catecismo ou exigir dízimos dos admiradores para expressar meu fascínio por Lilith.

Até porque seria um desperdício transformar uma paixão tão divertida numa repartição pública.

Que os teólogos debatam suas doutrinas, que os apologistas defendam seus dogmas e que os fiscais da espiritualidade preencham seus formulários. Eu continuarei estudando, questionando e admirando minha musa — com senso crítico na cabeça, sarcasmo na língua e um sorriso absolutamente suspeito no rosto. 😏😻

Afinal, entre passar a vida tentando convencer o mundo de que estou certo e aproveitar a liberdade de pensar por conta própria, minha escolha está feita.

E, se alguém ainda quiser perguntar se conheço minha musa, pode ficar à vontade.

Só peço que traga boas perguntas.

Porque, para interrogatório sem graça, já basta a burocracia do universo.


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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