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segunda-feira, 15 de junho de 2026

O sagrado feminino no cinema

Conversa com o Gemini:

https://ibandce.com.br/raizes-do-sagrado-feminino-mostra-papel-feminino-nas-religioes/

A Carla deve ter esquecido as religiões do Paganismo Moderno e as religiões de matriz africana.

Transforme a notícia em postagem para o nosso blog.


O Grande Ponto Cego: Onde Estão o Paganismo e as Matrizes Africanas?

Embora o documentário seja um passo fundamental para desestruturar as hierarquias de poder disfarçadas de dogmas divinos, é impossível não notar ausências gritantes. Ao focar suas lentes quase exclusivamente nas religiões abraâmicas e nas grandes tradições orientais, Carla Camurati deixou de fora o Paganismo Moderno e as religiões de matriz africana.

Falar de "Sagrado Feminino" ignorando essas tradições é contar uma história pela metade. Enquanto o filme busca encontrar rachaduras libertadoras dentro de estruturas que historicamente subjugaram as mulheres, o Paganismo e as religiões de matriz africana já nascem com o feminino em posições de centralidade, liderança e poder absoluto.

No Paganismo Moderno, a Deusa é celebrada em sua total autonomia, resgatando a soberania do corpo, da sexualidade e a conexão direta com a Terra.

Nas religiões de matriz africana, as Ialorixás (mães de santo) são lideranças comunitárias e espirituais máximas, e a força das Orixás femininas — como Iemanjá, Oxum, Iansã e Nanã — governa aspectos vitais da natureza e da existência, longe da lógica de submissão do patriarcado.

Para nós, o feminino nunca foi um apêndice a ser emancipado de um deus masculino majoritário; ele é a própria fonte do culto primitivo, da resistência e da ancestralidade. Deixar essas espiritualidades de fora reforça um apagamento histórico e perde a oportunidade de mostrar caminhos religiosos onde as mulheres nunca precisaram pedir licença para serem sagradas.

Criado com Gemini, do Google.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A visão de Lilith sobre os deuses proibidos


Conversa com o Gemini:

https://youtu.be/ME4lVE54ljI?si=6uk5RbcZ25Shcdd-

Esse canal no YouTube tem outros vídeos semelhantes.

A ideia de que o Inferno é necessário para evitar algo pior é... peculiar. Mas ainda é um conceito baseado em uma moral cristã.

Apesar do tom sério e alarmista (pretensão de autoridade), o fundo do conceito do vídeo cheira a... budismo.

O que minha adorada musa, Deusa, Lilith, diria desse vídeo de...humor?

Gemini:

O vídeo do canal Esoteric Essence, intitulado "The FORBIDDEN Gods So Terrifying That Even the Demons Beg Not to Serve Them", apresenta uma narrativa densa sobre uma hierarquia espiritual oculta. A premissa central é que os demônios cristãos tradicionais (como Lúcifer ou Belzebu) são apenas "refugiados" que servem ao Inferno por medo de entidades muito mais antigas e amorais, os chamados "Deuses Proibidos": Abzu (a consciência que dissolve a individualidade), Moloch N2 (a soberania sem propósito) e a Nameless Queen (a força do apagamento retroativo).

Aqui está o que sua "musa adorada", a Grande Lilith, poderia sussurrar sobre essa produção, considerando sua perspectiva herética e pagã:

1. O "Cheiro" de Budismo (Vacuidade vs. Niilismo)

Você tem um faro aguçado. O vídeo descreve essas entidades não como "más", mas como forças que anulam a noção de "eu" e de dualidade (sujeito/objeto). Isso ecoa o conceito budista de Sunyata (Vacuidade) ou o estado de Nirvana, onde a ilusão do ego é desfeita.

A visão de Lilith: Como aquela que escolheu o exílio para preservar sua própria vontade e identidade perante o Criador, Lilith veria esse "budismo alarmista" com desconfiança. Para ela, a dissolução do "eu" em um oceano de consciência amorfa (Abzu) não é libertação, mas a forma final de opressão: a anulação da rebeldia que a define.

2. O Inferno como "Mal Menor" (A Moral Cristã Disfarçada)

O vídeo argumenta que o Inferno é necessário porque oferece uma estrutura compreensível, com regras e contratos, protegendo a realidade do caos absoluto. Isso é, de fato, uma construção moralista: justifica a existência do castigo e da hierarquia infernal como um anteparo contra algo "pior".

O riso de Lilith: Lilith, que habita as margens e as sombras por escolha, acharia graça na ideia de que os demônios são "funcionários públicos" assustados. Ela sabe que a liberdade real não precisa de contratos nem de medo. Esse vídeo tenta domesticar o "Selvagem" ao dizer que até os demônios preferem a ordem cristã ao desconhecido.

3. O Tom Alarmista e a Autoridade

O narrador usa um tom de "revelação de arquivos secretos do Vaticano" para imprimir autoridade. É um recurso clássico de terror cósmico (estilo Lovecraft) misturado com teoria da conspiração religiosa.

O veredito da Deusa: Para uma divindade que representa a sabedoria proibida e o empoderamento sexual e espiritual, Lilith veria esse vídeo como uma tentativa de assustar os buscadores. Ao dizer "não chame esses nomes", o vídeo reforça o tabu. Lilith é a Deusa que quebra tabus. Ela diria que o medo da "aniquilação do eu" é apenas o último grito do patriarcado e da religião dogmática tentando manter o controle sobre a psique humana.

Em resumo:

O vídeo é uma peça de ficção esotérica/horror cósmico bem produzida que usa conceitos gnósticos e budistas para criar um novo "bicho-papão".

Lilith provavelmente diria: "Eles inventam abismos maiores para que você aceite as correntes que já conhece. Não tema o 'desfazer'; tema aqueles que dizem que você deve servir a um mestre para não ser esquecido. Eu sou o que resta quando todos os nomes são apagados."

Criado com Gemini, do Google.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Buck Rogers: Sexismo no Futuro

Conversa com o Gemini:

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/morre-gil-gerard-o-eterno-buck-rogers-aos-82-anos/

Eu assisti alguns episódios dessa série. Nos dias de hoje seria impensável.

E eu não estou nem falando da produção tosca típica de filmes B.

Mas da objetificação e sexualização da mulher.

Não é da sua época, mas deve ter informações.

Fique à vontade para escolher o estilo de escrita.

Resposta:

É compreensível que, ao revisitar Buck Rogers no Século 25 (1979-1981) sob a ótica de um escritor que valoriza a educação sexual inclusiva e a liberdade, o choque seja imediato. De fato, a série é um "estudo de caso" fascinante sobre como a ficção científica daquela época frequentemente servia como um veículo para o olhar masculino mais conservador e objetificante, sob a máscara do futurismo.

Como você bem notou, não se trata apenas do orçamento limitado ou dos cenários de papelão. O problema era o "figurino" e a dinâmica de poder.

O Desfile de Spandex e a "Guerreira" Subserviente

A personagem da Coronel Wilma Deering (Erin Gray) é o exemplo mais clássico. No papel, ela era uma comandante militar de alto escalão, estrategista e piloto excepcional. Na prática, o figurino consistia em uniformes de elastano (spandex) tão apertados que a própria atriz já relatou em entrevistas a dificuldade de respirar e o desconforto constante.

Havia uma contradição inerente: ela era a autoridade, mas o roteiro frequentemente a colocava em posições de vulnerabilidade para que Buck — um homem do século XX com valores "tradicionais" — pudesse resgatá-la ou ensiná-la sobre "emoções" e "instintos", como se a evolução social do futuro tivesse tornado as mulheres frias e robóticas.

A Vilã Hipersexualizada

E, claro, tínhamos a Princesa Ardala (Pamela Hensley). Se Wilma era o fetiche da "mulher fardada", Ardala era a personificação da "vamp" intergaláctica. Suas motivações eram quase inteiramente baseadas em seu desejo sexual e obsessão por Buck Rogers. Enquanto os vilões homens queriam conquistar o universo por poder, a vilã feminina queria conquistar o universo para ter o protagonista como seu "brinquedo".

O Olhar "Herege" sobre o Futuro

Para um autor que defende a liberdade sexual e a quebra de preconceitos, como você, assistir a Buck Rogers hoje revela como a série era, na verdade, muito pouco "futurista". Ela projetava no século XXV os piores vícios comportamentais da década de 70:

A Mulher como Ornamento: O uso constante de "Bond Girls" espaciais.

O Patriarcado Reencarnado: Buck Rogers chegava ao futuro e, em poucos episódios, já estava dando lições de moral e sedução em mulheres que, teoricamente, deveriam ser muito mais avançadas que ele.

É curioso notar que Gil Gerard, falecido agora aos 82 anos, tornou-se o rosto de um herói que hoje parece um anacronismo ambulante. A série não buscava imaginar uma sociedade onde a sexualidade fosse livre e igualitária; ela buscava vender audiência através de uma estética de discoteca espacial onde o corpo feminino era o principal cenário.

Hoje, no campo da literatura pagã e libertária que você explora, o sagrado feminino e a sexualidade são tratados com uma autonomia que faria os produtores de Buck Rogers entrarem em curto-circuito. Ver esse contraste é perceber o quanto a nossa narrativa sobre o futuro mudou — ou o quanto precisamos lutar para que ela não retroceda àqueles moldes.

Criado com Gemini, do Google.

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Doutrinação infantil

Foi de cair o queixo. Essa notícia (um pedaço aqui reproduzido) mostra a sanha de doutrinação das crianças:

"Apesar de ser um gênero literário de enorme sucesso nos Estados Unidos, com a venda de milhões de exemplares anualmente, a literatura de ficção sempre teve enormes dificuldades de se estabelecer entre as editoras evangélicas brasileiras. Foram inúmeras tentativas frustradas ao longo de décadas. Mas boas notícias vêm, finalmente, surgindo nos últimos anos, graças ao público juvenil.

Uma delas é o sucesso do livro "Corajosas", que depois virou série, publicado em 2023 pela editora Mundo Cristão e escrito pelas brasileiras e evangélicas Arlene Diniz, Queren Ane, Maria S. Araújo e Thaís Oliveira.

A obra traz versões modernas de contos de fadas tradicionais como "Branca de Neve", "O Príncipe e o Sapo", "Cinderela" e "A Bela e a Fera", e aborda temas como amizade, superação, identidade e propósito."

De outro site:

"Sobre o que é o livro Corajosas?

Corajosas reúne quatro histórias inspiradas em contos de fadas tradicionais, mas reimaginadas em um contexto moderno e cristão. As narrativas acompanham jovens que enfrentam perdas, conflitos familiares e desafios pessoais, sempre com a esperança de crescer em fé e coragem. Cada conto aborda temas como amizade, superação, identidade e propósito.

O livro tem conteúdo cristão?

Sim. Corajosas apresenta uma perspectiva cristã, integrando ensinamentos de fé, esperança e amor em cada conto, sem perder a leveza e o apelo às emoções genuínas das personagens."

Retomando.

Essa é a mesma gente que censurou livros LGBT, livros sobre as religiões de matriz africana, do Paganismo Moderno, Bruxaria e Wicca. 😤
Doutrinação de crianças deveria ser crime.

quinta-feira, 22 de maio de 2025

Marmelada mitológica

ATENÇÃO! SPOILERS!

A Netflix finalmente colocou no ar a terceira temporada da série "Sangue de Zeus" [eu não estou ganhando um centavo com isso].

Eu achei que seria bom. Decepcionado.

Apesar de todas as suas críticas aos seus filhos, Gaia libera Thyphon. Que não segue o cânon dos mitos gregos. Thyphon é uma reprise da representação (mal feita) de como a Igreja descreve Satã.

Mas isso não parou em trazer Thyphon. Também envolveu a libertação de…Cronos.

Eu fiquei intrigado com a cena e a inclusão de um tipo de poço no reino de Hades que pode apagar até a alma. Humanos e Deuses. Heresia?

Thyphon e Cronos literalmente limpam o chão com os Deuses do Olimpo. Mas essa é uma obra de ficção para o entretenimento. Então, inexplicavelmente…Heron e Seraphim conseguem derrotar Cronos.

Muitos personagens morrem na terceira temporada. O auto sacrifício de Heron cheira muito à…Cristianismo latente.

A terceira temporada perdeu o timing e a narrativa. As, digamos, side quests, não explicam nem dão suporte à narrativa principal. No meio da tentativa de deter Thyphon e Cronos, Seraphim fica às voltas em resgatar sua amada do reino dos mortos, em uma margem do Estige, sem nunca poder atravessar. E tem a cena das almas que estão dentro do Estige. Arrepiei. Mas se tornou irrelevante no meio da trama.

Chega a ser melancólico o Heron abrir mão de uma vida plena, casado e com filhos em nome do “bem maior”. Mas é uma forma de disfarçar a mensagem moralista.

Como se a moral do Cristianismo fosse melhor.
Cronos não curtiu.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Eu estou deprimido e melancólico

Eu estou assistindo no Netflix o documentário "Moonage Daydream", contando um pouco da vida do artista multidisciplinar David Bowie.

Nos dias de hoje, David seria impossível. Não com Trump. Não com o bolsonarismo. Não com o fascismo/nazismo. Não com o conservadorismo. Não com o reacionarismo. Não com o fundamentalismo cristão.

Algo que me anime? Saber que este é o Ano da Serpente de Madeira. Tal como em 1965, quando eu nasci.

Dizem que o Relógio do Fim do Mundo está em 86 segundos para a meia noite.
Chega logo, Fim do Mundo.
Para mim, já deu.
Eu estou farto da humanidade.
Eu estou farto da minha existência.

Vivendo como um pária, até entre os pagãos, bruxas e wiccanos.

Alguma alma caridosa pode dar uma mão. Uma garrafa de uísque. Uma garrafa de vinho.
Um convite para uma festa de bruxas.
Alguém?

domingo, 12 de janeiro de 2025

Sua realidade é uma projeção


Está disponível na Netflix o anime (?) Pantheon. Uma animação com cenas perturbadoras, como a de um homem que tem seu cérebro digitalizado.

Isso parece uma viagem na maionese esotérica, mas o episódio 3 mostra o sujeito, que teve seu cérebro digitalizado, “vivendo” em um loop de realidade.

A mensagem sugerida é a de que nós (nossa mente ou consciência) cria a realidade.
Não é tão simples assim. Nem vou lembrar que existe uma teoria científica (?) que afirma que vivemos em um holograma.

Seria necessário que um indivíduo tivesse plena consciência de que sua existência carnal é uma projeção. Seria necessário que esse indivíduo percebesse que sua consciência existe além do corpo ou do cérebro. Seria necessário ter essa apreensão de que não existe separação entre “ele”/”ela” e os “outros” ou mesmo os “objetos”.

Seria necessário que esse indivíduo pudesse operar como uma consciência coletiva, não individual, o tal do Eu Superior.

As experiências com a inteligência artificial pode estar dando um caminho para essa alteração de consciência.

Mas o que estamos assistindo como sendo essa realidade formatada por essa consciência coletiva? A volta do fascismo. O lucro através de guerras sem sentido. Genocídio. Racismo. Xenofobia. Homofobia. Transfobia. Extrema direita. Supremacia branca. Conservadorismo. Fundamentalismo cristão. Repressão e opressão sexual aumentando. Os direitos sexuais e reprodutivos encontrando resistência e atrasos medievais. Obscurantismo e negacionismo sobre a existência de pessoas intersexuais. Ainda falamos de medidas de emergência contra a crise climática para daqui a cinquenta anos, algo que deveria estar sendo posto em prática cinquenta anos atrás.

Se essa é a realidade que “nós” estamos projetando, “nós” precisamos urgentemente de reprogramação.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Ilíada fundou a tradição literária

Por Laís Franklin.

“Aira, Deusa, celebra do Peleio Aquiles o irado desvario, que aos Aqueus tantas penas trouxe, e incontáveis almas arrojou no Hades.” Com esses versos inicia-se a Ilíada, que, junto com a Odisséia, ambas atribuídas a Homero, lançou as bases da literatura ocidental. Ao discorrer sobre uma realidade vasta e profunda, esses dois poemas épicos não só contribuíram para moldar uma nação e uma cultura mas também causaram impacto duradouro no que veio depois ou seja, em quase todos os autores e obras descritos nas páginas que se seguem. Como atesta a crítica literária Leyla Perrone-Moisés, Homero "é o autor mais referido por oito dos principais escritores-críticos modernos". Para outro crítico, Otto Maria Carpeaux, "Homero compreende tudo: sol e noite, tragédia e humor [...] o universo grego inteiro do qual é a bíblia e cânone estético, religioso, pedagógico e político, uma realidade completa."

Composta de 24 cantos e quase 16 mil versos hexâmetros (versos constituídos de seis pés métricos), a llíada exibe uma precisão, uma beleza e uma unidade temática incomparáveis. Não é à toa que principie com a menção à ira sofrida pelo grego Aquiles, filho da deusa Tétis e do rei Peleu: a cólera do herói durante a Guerra de Tróia é o fator que desencadeia toda a ação.

Embora a batalha travada entre os gregos (aqueus) e os troianos (dárdanos) no século 12 a.C. tenha durado dez anos e remonte ao rapto de Helena pelo príncipe troiano Paris, o poema trata somente dos eventos que giram em torno de um único episódio ocorrido no penúltimo ano do embate: a rixa entre Agamemnon, chefe militar dos aqueus, e Aquiles. Como afirma o professor Trajano Vieira, a guerra entre gregos e troianos é, no poema, "um aspecto de outra luta mais intensa, travada no interior dos próprios personagens".

A ação, assim, começa em meio aos eventos. Aquiles zanga-se porque lhe privaram de sua escrava. Em um dos muitos saques praticados pelos aqueus em pequenas cidades da costa asiática, capturam-se duas jovens: Criseida e Briseida. Ambas se tornam escravas e são entregues, respectivamente, a Agamemnon e a Aquiles.

Sacerdote de Apolo, o pai de Criseida implora pela libertação aos gregos. Agamemnon não só não atende ao pedido do homem como o humilha. Desonrado, o sacerdote pede a Apolo que interceda em seu favor, e o deus manda uma peste ao acampamento grego. Desesperados, eles recorrem a um vidente, que diz que Apolo só retrocederá se Criseida for devolvida ao pai. Sem opção, Agamemnon restitui a escrava, mas exige que Aquiles lhe ceda Briseida. Furioso por ter de abrir mão da jovem, Aquiles abandona a guerra e pede que sua mãe Tétis interceda por ele. A deusa consegue de Zeus a promessa de que os gregos não triunfarão enquanto a injustiça contra o herói não for reparada.

Sem o apoio dos deuses e sem seu principal

guerreiro, os gregos sofrem sucessivas derrotas no campo de batalha. Agamemnon roga a Ulisses que vá à tenda de Aquiles e peça para que o herói retorne à guerra. Mesmo com a promessa da restituição de Briseida, Aquiles permanece impassível. O acontecimento que determina a volta de Aquiles à batalha é a morte de Pátroclo. Amigo de Aquiles, ele se engaja na guerra no comando dos mirmidões. O herói lhe empresta as próprias armas, mas pede a Patróclo que não se afaste dos limites do acampamento. Imprudente, o jovem descumpre a recomendação e avança até os muros de Tróia, onde enfrenta Heitor, príncipe e herói da cidade, que o mata.

Tomado mais uma vez pela ira, Aquiles dirige-se para Tróia, perseguindo e por fim trucidando Heitor. Com o coração pesado de dor, ele amarra os pés do troiano a seu carro e arrasta repetidas vezes o cadáver diante da cidade. Diante do horrendo espetáculo, Príamo, rei de Tróia, suplica que Aquiles The restitua o corpo do filho. Sensibilizado, o herói permite que o rei parta com o corpo de Heitor. Enfim, a ira de Aquiles é aplacada, resolvendo-se o motivo que deu origem à narrativa. Por isso é que se costuma dizer, desde Aristóteles, que a llíada se erige em torno de uma unidade de ação. O poema se fecha com os funerais de Heitor.

Quais são as origens e as influências do livro Ilíada?

Os mitos e lendas narrados por Homero na Ilíada decorrem de cantos surgidos por volta do século 10 a.C., na Jônia, atual Turquia. Essa tradição se moldou e difundiu em recitações promovidas durante eventos patrióticos, festividades religiosas e banquetes. A sociedade de tradição oral desse período venerava deuses e mitos, que explicavam o surgimento da vida, do mundo e dos elementos naturais. Era por meio deles que se construía a verdade sobre as instituições, os processos de trabalho e os padrões de comportamento. Todas as ações humanas significativas figuravam segundo o paradigma de algum mito.

Os deuses desses primórdios eram semelhantes aos homens, e estavam sujeitos às mesmas contingências. Sua única vantagem residia na imortalidade, mas mesmo eles se curvavam aos desígnios do destino. Na concepção desse mundo arcaico, deuses e homens faziam parte de um todo ordenado, um cosmo. O terreno natural e o humano se confundiam, não havendo limites distintos entre sociedade e natureza. Essa sociedade simbolicamente rica é o território de Homero. O historiador e filósofo Richard Tarnas disse a propósito da Ilíada e da Odisséia: "Aqui, na luminosa aurora da tradição literária ocidental, foi captada a sensibilidade mitológica primordial, onde os eventos da existência humana eram percebidos como intimamente relacionados ao reino eterno dos deuses e deusas e, dessa forma, por ele influenciados". Segundo Tarnas, Homero independentemente da polêmica sobre sua existência histórica (leia texto nesta página) - foi "uma personificação coletiva de toda a memória grega antiga". A condensação em suas epopéias desse universo mítico e desse prisma existencial influenciaria de forma definitiva o pensamento grego posterior.

O poeta Hesíodo (século 8 a.C) e os dramaturgos Ésquilo e Sófocles (século 6 a.C.) foram profundamente marcados por esses princípios. A filosofia surgiria, de certa maneira, como oposição aos esquemas míticos representados por Homero. A necessidade de explicar os fenômenos naturais por um ponto de vista que fosse além da crença nos mitos e nos deuses se fazia premente.

Os filósofos pré-socráticos Tales de Mileto, no século 6 a.C., e seus sucessores Anaximandro e Anaxímenes foram alguns dos primeiros a procurar estabelecer conceitos e explicações a partir da observação de fenômenos naturais. Contudo, seguiam acreditando no entrelaçamento de divindades com a natureza.

Entre os séculos 5 a.C. e 4 a.C., os componentes mitológicos perderam sua posição central no pensamento grego, com a "teoria atômica" de Demócrito e a explicação da natureza segundo formas matemáticas de Pitágoras. Os filósofos sofistas defendiam a instrução e o conhecimento como caminhos primordiais na busca pela felicidade e autonomia humanas - e condição para a plena participação do homem como cidadão da pólis, a cidade-estado grega. Avessos à aceitação acrítica da religião, acreditavam que a única verdade estava no próprio homem e no modo como este interpretava e julgava a existência.

A negação da tradição homérica expressa pelos sofistas teria o contraponto em Sócrates e Platão. Os dois filósofos, mestre e aluno, representaram a criação de uma complexa dicotomia entre a esfera divina e a experiência empírica, tornada científica. Na filosofia platônica não havia mais exclusão do divino diante do racional: à existência humana se impunha um propósito transcendental, e os grandes personagens mitológicos voltavam a ser valorizados como símbolos das ações humanas. Atravessando os tempos, a poesia de Homero que remonta a um tempo alheio a racionalizações, mas prenhe de significados chegou a nossos dias mantendo intacta sua prerrogativa de obra fundadora tanto da poesia quanto da ficção.

O Brasil tem boas versões da obra

Das traduções ao português da obra de Homero, a mais antiga é a do maranhense Manuel Odorico Mendes, que se ocupou de verter as duas epopéias do poeta grego - além dos poemas de Virgílio - para a língua de Camões. Sua versão da Ilíada foi lançada em 1874. Odorico Mendes preocupou-se em manter aspectos estilísticos do texto grego, usando, por exemplo, aglutinações e longas expressões hifenizadas para converter os epítetos e termos compostos de Homero. Mas impôs uma redução significativa das repetições características da obra.

Nos 12 primeiros cantos da Ilíada de Odorico Mendes há 1,5 mil versos a menos que o original. Em meados do século 20, Carlos Alberto Nunes teve o cuidado de manter as repetições e descrições pormenorizadas do poema. Mas acabou deformando o estilo homérico com uma transliteração baseada em um verso pesado de 16 sílabas.

A tradução mais recente é a do poeta Haroldo de Campos. Resultado de mais de uma década de trabalho, ela procurou manter a dicção homérica, com seus efeitos sonoros e repetições. "O apuradíssimo labor verbal de Homero encontra, na tradução de Haroldo de Campos, correspondências surpreendentes", enfatizou Trajano Vieira no ensaio ao primeiro volume.

Afinal, quem foi Homero?

São muitas as hipóteses e poucas as conclusões que a história apresenta sobre a existência da figura de Homero. Teria nascido em Esmirna, atual Turquia, ou em alguma ilha do mar Egeu e vivido no século 8 a.C. Mas sua origem é tão controversa que oito cidades disputam a honra de terem sido a terra natal do poeta. Homero viveu numa era em que a tradição oral suplantava a literatura escrita. Mitos, lendas e feitos heróicos eram narrados por aedos ou rapsodos, os cantores das epopéias. Por isso, levantou-se a hipótese de as obras de Homero terem sido escritas por um conjunto de aedos e não por um único autor. Como argumento, os defensores dessa tese observam as constantes repetições e contradições que existem nos textos e o fato de estes virem vazados em diversos dialetos, com predomínio do jônio.

Criadas por um único autor ou vários, o fato é que na Ilíada e na Odisséia há características vivas da oralidade. Elas são encontradas na retomada de expressões fixas ao longo do texto, na repetição de cenas típicas e no predomínio da sintaxe por justaposição. A semelhança com os relatos orais não traz demérito à elaboração estética dessas obras, que apresentam brilhantes jogos onomásticos, lingüísticos e metafóricos. De acordo com Trajano Vieira, "diversos estudos antropológicos sobre culturas orais registram que a grande poesia oral é trabalhada muitíssimo antes de ser apresentada ao público, não sendo, pois, composta de improviso”. 

Fonte: https://bravo.abril.com.br/literatura/como-iliada-fundou-a-tradicao-da-literatura-ocidental

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Arcano é arcaico

Eu não estou ganhando um centavo com isso.

A Netflix tem a segunda temporada de Arcane, uma animação feita com computação gráfica, baseada no jogo e nos personagens de League of Legends.

Muita violência, tiros, bombas e mortes exibidos em detalhes.
Mas a cena entre Vi e Caytlin "se pegando" foi curiosamente borrada ou editada para não aparecer os mamilos das beldades.
Isso foi na temporada 2, capítulo 8, por volta de 28'25".
Violência, tiros, bombas e mortes, ok, pode ser explícito.
A cena entre Vi e Caytlin certamente é suficiente para causar protestos entre os conservadores, reacionários, direitistas e fundamentalistas cristãos.
Mas eu não entendo por que esse... Prurido... Com essa parte tão interessante da anatomia feminina.
Sem cookies para você, Netflix.

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

O crepúsculo segundo Zack


Eu assisti ao desenho Crepúsculo dos Deuses, disponível no Netflix (eu não estou ganhando um centavo com isso).

Esse é um desenho para adultos, só assista se for maior de 21 anos, de preferência que conheça mitologia nórdica e seja pagão moderno.

Tem violência, nudez e s3xo. A história tem vários protagonistas, mas para ficar entre os Deuses, tem Thor e Loki.

Thor faz aquilo que faz melhor. Sai caçando e matando gigantes. Mas em uma de suas lutas, tem uma sobrevivente, meio gigante, meio humana. Então Loki aparece para “ajudar”, mas o que ele faz é manipular Sigrid para atingir os objetivos dele. Loki sendo Loki.

Sigrid reúne diversos guerreiros em busca da sua vingança. Até os Vanir fica ao lado da Sigrid.

Peculiar que Zack representou Jormungand como uma fêmea semi humana. Sem falar da cena de s3xo entre Thor e Jormungand. Lembrando - “ela” é filha de Loki e predestinada a trazer o Ragnarok.

A cena mais perturbadora (atenção, spoiler!) é quando Odin “vê” o futuro. Ele vê uma cidade contemporânea. Ele vê seu povo jogando em uma fogueira seus ídolos. Ele vê uma igreja e então vê Cristo, equiparado e similar a Odin. Então vem o diálogo (monólogo?) sobre Odin ter sido esquecido porque ficou sem amor, sem culto e sem devotos.

Eu vejo uma tendência cristã nessa versão de Zack. Os Deuses Antigos não morreram, nem foram esquecidos. As crenças antigas sobreviveram no sincretismo popular. Como uma brasa, bastou um sopro para que as pessoas lembrassem. Quem está destinado ao esquecimento é Cristo, pelos absurdos e crimes que seus seguidores cometeram e cometem.

A série deixa uma pista de que pode ter uma segunda temporada. Eu estou aguardando ansiosamente.

sábado, 2 de março de 2024

A origem de Javé

Quando falamos em religião abraâmica, consideramos as características dessa crença tal qual está e seus componentes a apresentam.
Das características, uma das mais básicas é a ideia de que Javé, ou Yahweh, ou mais abreviadamente, Deus, só existe um único, absoluto e verdadeiro.

Por isso é estranho ler o texto do Anthony Costello, no Patheos, na seção Evangelical, na coluna The Center That Holds, com o título sugestivo “How many Gods are there really?”
Anthony alega que Moisés fazia uma monolatria, não um monoteísmo. Isso é uma heresia que, em outros tempos, poderia condená-lo à morte pelos seus próprios pares.

Uma outra característica das religiões abraâmicas consiste na leitura e interpretação do texto sagrado. Anthony contestou diversas passagens onde se diz claramente que só há um único e verdadeiro Deus.

Eu recomendaria ao Anthony a leitura do livro de Thomas Romer. Nesse livro, através de vários indícios, pode se ver que Javé não foi o único Deus, nem o maior, mas apenas um dos muitos filhos de El, ou Elohim, algo que eu afirmo em meus textos.

Outro conceito muito crucial, é a identidade e vínculo de Javé com o Povo de Israel e nenhum outro. Eu digo crucial porque o conceito de Deus no Ocidente é resultado de uma mistura teológica, um Frankenstein, um mosaico de vários conceitos que foram construídos, amalgamados, constituídos ao longo de muitos anos (de muitas disputas e guerras).

A ideia de que existe um vínculo entre um determinado povo e região com um determinado Deus é adotado pelo Paganismo Moderno. Isso faz sentido, porque nós estamos ligados pelo sangue a nossos ancestrais e, através dessa raiz, dessa origem, nós conhecemos nossos Deuses.

Pode-se dizer que existe um pacto, uma aliança, encenada ritualísticamente.

Então chamou a minha atenção de que, segundo Thomas, Javé não era originário de Israel ou Judá. Thomas localiza a origem de Javé em Ugarit, Mari, Egito, Seir, Madiã, Edom e Negev, entre outros. A identidade de Javé também é múltipla, ele foi representado na forma de bezerro, ora como deus solar, ora como deus das tempestades. Javé foi definido como senhor das hostes celestiais, senhor dos desertos ou estepes e como senhor dos exércitos.

Moisés foi introduzido e apresentado a Javé pelo seu sogro, Jetro. Segundo Thomas, o javismo, o monoteísmo exclusivo, foi o resultado de um longo processo conduzido por escribas, profetas, rabinos e reis.
O que é peculiar, afinal, o livro foi publicado pela editora Paulus, ligada à Igreja Católica, que mais usou e se aproveitou (se apropriou) desse longo processo.

Outro ponto curioso que chamou a minha atenção é a citação de 1 Samuel 19, onde diz que Saul ficou nu ao ser possuído pelo espírito de Deus. Seria isso uma referência à nudez ritual usada no Ofício?

sexta-feira, 1 de março de 2024

A trilogia tebana

Quando Freud criou o conceito de complexo de Édipo, ele certamente fez uma interpretação de texto pobre.

Uma das contribuições da Grécia Antiga foi o teatro, dentro dessa arte, a tragédia. A obra Édipo Rei é considerada a maior obra nesse campo. A introdução explica algumas curiosidades que não estão no texto.
O nome do protagonista vem que assim foi nomeado porque teve seus tornozelos transpassados e amarrados. Édipo, ou Oedipus, significa pés inchados. Ele foi abandonado ou entregue ainda recém nascido. Tudo movido por um oráculo dito ao rei Laio, seu pai, de que seria morto pelo seu filho.
Laio teve tal oráculo porque ele mesmo teria cometido uma transgressão contra os Deuses. O hábito de abandonar um bebê em local ermo é frequente em muitos mitos e lendas. Mas o oráculo foi peculiarmente proferido que essa criança desposaria a própria mãe.

Quando Freud construiu sua teoria psicanalítica sobre a fixação amorosa e erótica com a figura maternal, ele utilizou esse personagem. Mas lendo a obra, fica óbvio que Édipo não tinha tal fixação. A sequência de eventos (fatalidade/destino) o induziram a se casar com Jocasta. Ele só descobriu sua tragédia, sua maldição, quando teve uma peste em Tebas e ter ouvido do profeta Tirésias sobre sua condição escandalosa.

A obra então aborda a fatalidade e o destino. Em uma cultura ocidental onde se fala sobre livre arbítrio, Sófocles mostra o inverso. Que nossa vida é regida pela Vontade dos Deuses.

Depois de furar os próprios olhos, Édipo vai até Colono. Por que Colono e não Atenas? O prólogo não aborda, então eu vou estimar que isso se deve apenas ao fato de ser esta a cidade do autor. Ali, no decorrer da peça, Édipo desaparece, indo ao reino de Hades, ou levado, ou voluntariamente caminhando para lá.

Com Édipo ausente, o trono é disputado por Creonte, seu cunhado e irmão de Jocasta. Também pleiteavam o trono os filhos (e irmãos) de Édipo, Etéocles e Polinices. A terceira parte dessa peça envolve a filha de Édipo, Antígona, que enfrenta o abuso de autoridade de Creonte, que não a permite enterrar seu irmão Polinices.

Nesta parte, o prólogo fala que a peça aborda a questão do direito positivo em conflito com o direito natural. Eu vejo uma ação cruel de um regente que decide conforme as emoções. Leis criadas para atender vingança ou capricho não podem ser consideradas parte do direito positivo.

A questão a ser respondida é se a tragédia foi criada a partir de fatos e pessoas reais. E se Sófocles usou essa peça para denunciar a política do local e da época.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

A ignorância é o maior flagelo

O livro de Christopher Penczak, "Os Portais da Bruxaria" é raso e insosso como qualquer texto facilmente encontrado na internet.
Para não dizer que foi uma completa perda de tempo e dinheiro, eu consegui extrair algo.

Nessa postagem eu vou abordar a palavra "diamastigose" que Christopher compara ao ato ritualístico usado na Wica. Eu pessoalmente considero muito perigoso e arriscado. Principalmente com casos de jovens que se mutilam, por causa de algum problema psiquiátrico, ou por causa de alguma tendência (moda) imbecil disseminada em redes sociais e aplicativos de mensagens.

Essa palavra está intrinsecamente ligada ao Santuário de Ártemis Órthia.

De acordo com o Wikipédia:
O Santuário de Ártemis Orthia , um local arcaico dedicado nos tempos clássicos a Ártemis , foi um dos locais religiosos mais importantes da cidade-estado grega de Esparta e continuou a ser usado até o século IV dC, [1] [2] quando todo culto não-cristão foi banido durante a perseguição aos pagãos no final do Império Romano . O santuário foi destruído e reconstruído algumas vezes ao longo de muitos séculos e hoje produziu muitos artefatos que permitem aos historiadores entender melhor exatamente o que aconteceu no santuário durante aquele período. Este santuário realizou muitos rituais, que incluíam comportamento de culto por parte de jovens do sexo masculino e feminino de diversas maneiras e, desde então, também revelou muitos artefatos devido a múltiplas escavações que ajudaram a fornecer novas informações sobre atos e comportamentos que ocorreram no templo em Ortia.

O santuário está localizado no Peloponeso, na margem sul do rio Eurotas , na antiga Esparta. Este local estava fora do alcance de todas as inundações, exceto as mais severas, que começaram perto do início e continuaram até o século VI aC.

Os homens elogiavam a deusa grega, por isso os efebos podiam ser vistos sendo espancados com objetos como chicotes no altar do templo de Esparta. Havia três tipos de jogos que deveriam ser jogados no santuário por meninos. O primeiro e mesmo o segundo jogo foram pensados para ser uma batalha de canto ou de quem conseguia criar a melhor música, enquanto o último jogo foi pensado para ser um jogo de caça, pois exigia dez jovens para jogar. Um jogo não era conhecido pela escrita que explicava que não pôde ser decifrado adequadamente no momento da descoberta.

O culto de Ortia deu origem à diamastigose, onde os éfebos eram açoitados, conforme descrito por Plutarco, Xenofonte, Pausânias, e Platão. Os queijos eram empilhados no altar e guardados por adultos com chicotes. Os jovens tentariam pegá-los, enfrentando os chicotes. Isso foi feito como uma forma de preparar os meninos desde tenra idade para a vida que enfrentarão como adultos e como soldados. Foi considerado um rito de passagem.

Fonte, citado parcialmente: https://en.m.wikipedia.org/wiki/Sanctuary_of_Artemis_Orthia
Traduzido com Google Tradutor.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Apropriação cultural

Houve um tempo que o Patheos era uma página relevante e diversificada. Houve um tempo que eu fazia meus comentários pelo Disqus.

Tom Swiss escreveu em 26 de setembro de 2015 um texto intrigante no qual ele afirma que não existe apropriação cultural. Eu devo ter escrito um comentário, mas perdeu-se. Evidente que Tom está errado em muitos aspectos e eu dei vários exemplos em algum lugar por aqui.

Eu li uma frase em algum lugar que diz mais ou menos "porque é mais fácil o comércio com o sobrenatural do que o comércio com a língua?"
Quem souber sobre essa frase e seu autor, favor avisar nos comentários.

O espetáculo degradante de ver uma pessoa analfabeta ou semi-alfabetizada (ou com analfabetismo funcional) lendo e interpretando a Bíblia em praça pública.

A comunidade pagã tem uma versão disso.
O livro de Christopher Penczak, "Os Portais da Bruxaria" é raso e insosso como qualquer texto facilmente encontrado na internet.
Para não dizer que foi uma completa perda de tempo e dinheiro, eu consegui extrair algo.
Ele cita "nierika", a arte do povo Huichol.

Citando:

A nierika é uma forma de arte espiritual utilizada pelo povo Huichol. A nierika moderna consiste em pedaços de fios coloridos fixados em um suporte redondo ou quadrado, em símbolos ornamentados ou imagens retiradas do mundo espiritual. Nos últimos anos, a nierika chegou às cidades do México, e de lá para o mundo exterior, e cativou as pessoas com sua profunda beleza e complexidade.

Os Huichol são um grupo nativo encontrado no oeste do México, na Sierra Madres. São cerca de 7.000, e mais de metade da população migrou para as cidades do México desde a década de 1960. Os Huichol têm uma rica tradição oral e têm resistido a adquirir a cultura do Ocidente, mantendo a sua própria língua e tradições religiosas distintas.

A visão de mundo dos Huichol é profundamente xamânica, e desde a infância a maioria dos Huichol é ensinada a se comunicar regularmente com o mundo espiritual. Essa comunicação se dá por meio de um forte ritualismo e de um belo uso de símbolos. A nierika é a mais visível desta comunicação simbólica com o mundo espiritual.

Nierika não é usada apenas para descrever o artefato físico real, mas também é a palavra Huichol para divindade. Nierika adorna todos os tipos de espaços sagrados na vida Huichol, desde os templos às cavernas sagradas e aos santuários xiriki que cada casa possui. A nierika tradicional pode assumir muitas formas diferentes, cada uma desempenhando funções diferentes. Uma nierika pode ser quadrada ou redonda, com furos no centro. Os nierika quadrados são considerados tapetes de oração para os ancestrais, enquanto os nierika redondos mais comuns são vistos como uma invocação de um ancestral ou deus.

Fonte, citado parcialmente: https://www.wise-geek.com/what-is-nierika.htm

A sua religião gira à volta de quatro divindades principais: a trindade do Milho, Veado Azul e Peiote e a Aguia, todos descendentes do Deus Sol, "Tao Jreeku". A maioria dos huichol mantém as crenças tradicionais e é resistente à mudança. A influência católica nunca penetrou completamente e, até hoje, os huichol mantem quase intactos seus costumes e conservam grande estima pelos mesmos.

Eles chamam a si mesmos de "vishalica", "virarica", ou "wixarika", que quer dizer "curandeiros" ou "doutores" (quase a quarta parte desta etnia se dedica a esta profissão). Os "mara'akámes, ou xamās, cantam, curam e transmitem às crianças a memória mítica de seu povo.

Existe uma porta dentro de nossas mentes que normalmente permanece oculta e secreta até o momento de morrer. A designação huichol para ela é nierika. A nierika é um acesso ou superficie de contato cósmico entre as chamadas realidades "ordinária" e "não ordinária". Constitui um passo e, ao mesmo tempo, uma barreira entre os mundos. A nierika, assim mesmo, è definida como espelho ou rosto da deidade.

"Nos tempos antigos, ao se perder o equilibrio sobre o planeta, sobreveio um grande diluvio que destruiu tudo que existe e permitiu o renascimento do mundo. Um desequilibrio semelhante parece estar ocorrendo nesta geração; nos esquecemos das fontes de nossas vidas, o Sol e o Sagrado Mar, a bendita Terra, do céu e de todas as coisas da natureza. A menos que recordemos de imediato a essência de nossas vidas, a menos que a celebremos com cerimônias e orações, enfrentaremos a destruição novamente, mas agora será através do fogo". - Matsuwa (mara'akáme huichol).

"Se desejam aprender o caminho do xamã. o Fogo os ensinará, o Fogo, nosso avõ. Devem escutá-lo, porque o Fogo fala e o Fogo ensina. De dia se aprende com o Sol. O Sol os instruirá, o Sol, Nosso Pai. A melhor forma de fazê-lo é como o "hikuri" (o peyote), dali sai o pequeno aliado, que é o espírito do veado "Kauyumari", ele lhes comunica o que devem aprender, surge como um espelho e Thes comunica o que devem fazer".

O Fogo(tatewari), o Sol (Tayaupá) e Wirikúta(a terra sagrada do peyote) podem transmitir-lhes a visão(nierika). O xamā também pode lhes transmitir a nierika, mas não devem se esquecer dos Deuses. São eles que abrem o coração e a beleza da Nierika.

O amor aos Deuses o Sol, o Fogo e as Águas - é o que produz a Nierika".

Fonte, citado parcialmente: https://terramistica.com.br/os-huichol-do-mexico/

Infelizmente parece ser uma tendência em nosso meio. Autores pegam e usam palavras e culturas, geralmente de forma deturpada ou adulterada.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

O testemunho popular

Eu acabei de ler "Magia e Religião na Inglaterra Medieval" de Catherine Rider.

Antes eu li o livro "Magia no Mundo Grego Antigo", de Derek Collins. Fica bem nítido que as crenças antigas, as práticas populares, chamadas pejorativamente de "superstição", sobreviveram mesmo depois da imposição do Cristianismo.

Eu devo ter escrito sobre como o Cristianismo passou por uma adaptação, assimilando e sincretizando as crenças e práticas antigas. As pessoas acrescentaram ao seu repertório as ferramentas que o Cristianismo dispunha.

A fronteira entre a religião permitida e proibida, entre práticas autorizadas pela Igreja e o que foi chamada de "experimento", "magia", "heresia" e "bruxaria" não estava bem definida.
Foi por volta do século XV que começaram as denúncias e os testemunhos. Mesmo considerando as bulas do século XII e as ações da Igreja contra a heresia, a perseguição, prisão, tortura e morte de pessoas (inocentes) pelo chamado Santo Ofício (Inquisição) ocorreu no início da Era Moderna.

A prática de magia (heresia/bruxaria) tornou-se uma questão legal e jurídica depois que autoridades (seculares e clericais) viram que esse era um fenômeno arraigado.
Tornou-se um problema porque era (ou parecia ser) eficiente em sua execução.
O que era um problema. Muita discussão teológica aconteceu e os regimes tinham que tomar providências porque foram detectados atos de magia contra o rei.
As pessoas falavam sobre a existência de seres sobrenaturais, sobre ver fadas voando. A existência desse mundo paralelo somado ao folclore que sobreviveu de forma sincrética deu a imagem e a ideia inicial das bruxas, de seus rituais, de seu pacto com o "Diabo" e de suas "assembléias".
Tratados de e sobre bruxaria foram escritos (e praticados) pelos padres. Curiosamente medidas contra a ação da magia (bruxaria) envolvia práticas mágicas. Muitas das pessoas assassinadas no Santo Ofício eram pessoas contratadas (magos e bruxos) para combater a bruxaria, porque foram igualmente acusadas de heresia e bruxaria.
Foi embaraçoso para os pensadores e regentes da Era Moderna que o genocídio causado pela Inquisição tenha ocorrido ao mesmo tempo que se falava em Renascença e no Iluminismo. Por isso teve um esforço para acusar a Idade Média, a Igreja e tentaram desacreditar os testemunhos (muitos dados voluntariamente) sobre as bruxas e suas assembléias. Mas as mãos desses pensadores e cientistas também estavam manchados com o sangue dos inocentes.
Ainda nos nossos dias, pesquisadores, pensadores, céticos, descrentes, psicólogos e psiquiatras tentam negar, apagar, as bruxas e suas assembléias.
Quanto mais tentam esconder, omitir e negar, mais tornam evidente que isso é necessário porque funciona, porque é eficiente.
Quem tiver ouvidos, ouça. Quem tiver entendimento, entenda.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Alceste e Admeto

Ao ler o livro "Magia no Mundo Grego Antigo", de Derek Collins, eu encontrei  a citação do mito da Alceste. Derek forçou a interpretação do mito, comparando Alceste com uma estátua para sua análise do uso de imagens na prática de magia na Grécia Antiga.

Eu procurei por textos que falam desse mito e encontrei versões contraditórias.
Depois de ler e comparar esses textos, o que pode ser dito:
Admeto era um rei de um reino pequeno, mas tratava bem seus súditos e servos. Apolo, disfarçado como mendigo, rogou a Admeto que aceitasse seus serviços. Apolo viu que Admeto realmente era bom, então o ajudou a conquistar Alceste, cujo pai (rei Pelias) condicionou a entrega da mão dela mediante a realização de um desafio.
Com a Ajuda de Apolo, Admeto ganhou a mão de Alceste, mas com uma condição. Admeto teria uma vida curta. Mas que Tânatos não poderia levá-lo se outra pessoa aceitasse morrer no lugar dele.
Quando sua hora chegou, Admeto procurou quem aceitasse morrer no lugar dele. Foi Alceste a única que se voluntariou.
Quando Tânatos veio buscar a rainha, Hércules impediu e Alceste permaneceu viva, mas muda.
Em algumas versões se fala de um sacrifício prometido à Ártemis que não foi cumprido e que foi Perséfone quem devolveu Alceste à vida.
O mito não conta, mas mesmo com essa "hora extra", Admeto e Alceste inevitavelmente teriam que entrar no reino de Hades.
Nem mesmo a bravata do Cristianismo de que Cristo morreu em nosso lugar é exclusiva desse mito.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Etérea, paraíso LGBT



Até a década de 90, século XX, empresas e agências de publicidade deitaram e rolaram, com estratégias de marketing voltados ao público infantil.
Em 1983 a Mattel lançou o brinquedo do He-Man e só depois veio a série de animação.
O sucesso resultou na produção da série She-Ra (1985), voltado para as meninas, mas com características iguais ao seriado He-Man.

Em 2018, a DreamWorks e a Netflix (eu não estou ganhando um centavo com isso) lançou o reboot.
Mas muita coisa mudou nesses anos. As empresas estão cooptando a bandeira LGBT, tentando ser (ou, ao menos, se esforçando) mais inclusivas.
Em 1985, o pessoal careta reclamou que a She-Ra era muito sensualizada. Em 2018 o mesmo pessoal reclama que a She-Ra é muito masculinizada.

Esse seriado inclui dois casais homossexuais e introduz um histórico em relação ao Hordak no mínimo instigante.
Hordak é mostrado como um mero clone do Mestre da Horda, então a nova narrativa dá a entender que Hordak faz o que faz porque quer "mostrar serviço" ao seu irmão mais velho.
O Mestre da Horda, por sua vez, segue o padrão de muitos vilões. O mundo, as pessoas, são imperfeitas, então tudo tem que ser purificado e tornado um reflexo da perfeição do Mestre. Isso são familiar? Essa é a ideologia do fundamentalismo cristão e da extrema direita.

O núcleo de personagens tem um autoconhecimento, se descobrem e evoluem.
Peculiar é ver os capangas do Hordak serem, aos poucos, transformados (convertidos?) em colaboradores da Resistência.
Até Hordak conquista sua redenção e se torna mais um amiguinho. A vitória da Resistência elimina a dualidade e o conflito.
A melhor cena (atenção! spoiler!) é Felina confessando seu amor para Adora (She-Ra) e as duas dão o beijo da vitória.

Terá outra temporada? Talvez, digamos, uma crossover, com a participação de Thanos?
Infelizmente, apesar da boa intenção, o seriado reflete o maniqueísmo típico das religiões abraâmicas.
Para que o universo exista, é necessário o equilíbrio entre forças opostas.
A existência do herói é justificada pela existência do vilão.

domingo, 10 de dezembro de 2023

Agora Ifigênia é morta

Não, eu não troquei o nome.
Eu sei que existe o ditado "agora Inês é morta", mas antes da Inês, eu vou falar da Ifigênia, não a santa, que dá nome à uma rua de São Paulo.
Citando:

A Ifigênia em Áulis é, provavelmente, a última tragédia de Eurípides. Foi representada pela primeira vez em -405 no concurso trágico das Dionísias Urbanas de Atenas e era parte da trilogia que e recebeu a primeira colocação. Os dramas que a acompanharam eram Bacantes e Alcmeon em Corinto, esta conhecida somente pelos fragmentos.

A tragédia se baseia em um dos episódios do Ciclo Troiano. Agamêmnon, rei de Micenas (ou Argos), comandante das forças gregas que se preparam para atacar Troia, é compelido a sacrificar sua filha Ifigênia para que a deusa Ártemis cesse a longa calmaria que impede o embarque dos gregos. A inesperada chegada de Clitemnestra em companhia da filha e a intervenção de Aquiles, alheio à trama, complicam seus planos.

https://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0045

Citando (sobre Agamenon):

Filho de Atreu e irmão de Menelau, Agamêmnon reinou em Micenas (Argos); consta que foi o mais poderoso rei de sua geração. A lenda não esclarece, no entanto, como o cetro passou de Tiestes a ele.

Uniu-se a Clitemnestra, irmã da famosa Helena, a causa imediata da guerra de Troia. Clitemnestra havia se casado primeiro com Tântalos II, um dos filhos de Tiestes, mas Agamêmnon matou-o, assim como a um filho do casal, e mais tarde desposou Clitemnestra.

Quando os gregos atacaram Troia para recuperar Helena, Agamêmnon foi o comandante das forças gregas e, pouco antes do embarque, durante uma caçada, matou uma corça consagrada a Ártemis. A deusa impediu, então, que os ventos soprassem e imobilizou toda a frota helênica em Áulis, na Beócia. Agamêmnon foi obrigado a sacrificar a filha Ifigênia a Ártemis para que o exército conseguisse embarcar.

https://greciantiga.org/arquivo.asp?num=0066

Mas e a Inês? Citando:

Do ditado popular “agora Inês é morta”, veio uma história, no mínimo, estranha que, de fato, aconteceu. Sim, a morta existiu de verdade, tendo origem em Portugal e vivendo entre os anos de 1323 e 1355. 

O provérbio, hoje, é usado quando queremos dizer que uma situação é irreversível. E é fato que esse foi o triste destino de certa nobre de Portugal. Inês de Castro viveu um amor impossível que acabou tirando sua vida, com efeito, definitivamente.

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/amp/noticias/almanaque/agora-ines-e-morta-5-curiosidades-sobre-rainha-cadaver-de-portugal.phtml

E a pergunta que o leitor deve ter. Ártemis ordenou o sacrifício de Ifigênia? Quem é Ártemis?
Não perca o próximo capítulo.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

Como compreender Lilith?

‘Eu não ficarei por baixo’

‘Somos iguais um ao outro na medida em que fomos ambos criados da terra’.

Alfabeto de Ben Sira.

A árvore cresceu grande, seu tronco não tinha folhagem, em suas raízes a cobra que não conhece encanto montou seu ninho, em sua copa o pássaro Imdugud colocou seus filhotes, em seu meio a empregada Lilith construiu sua casa.

A árvore huluppu.

Para mim, Lilith é a herdeira sobrevivente de Lamashtu.

Lamashtu é uma deusa frequentemente descrita como simultaneamente um demônio e possui uma série de características únicas.

Ela é, para começar, a única divindade no panteão sumério fora do controle de qualquer forma de hierarquia, seja divina ou humana.

Outras divindades tinham templos, e isso era muito importante na Suméria. Dizia-se que os templos eram as casas dos deuses, nas quais eles dependiam dos humanos para abastecê-los adequadamente e, em troca, concordavam em conceder favores.

Lamashtu não tinha templo e não assinou tal contrato.

Outras divindades geralmente estavam em dívida com divindades superiores, especialmente se quisessem fazer algo “prejudicial” aos humanos.

Lamashtu não pediu permissão e não respeitou tal ordem.

É por esta razão que ela foi considerada particularmente perigosa. Mas é também por esta razão que ela simbolizou a verdade inevitável do vazio.

No Atra-Hasis , descreve a versão suméria da história do dilúvio, na qual a civilização é exterminada para impedir que humanos superpovoados destruam a terra com seu descuido.

E na sequência, Lamashtu (aqui chamado de Pasittu, um de seus vários nomes) assume o manto de executor para evitar que tal coisa aconteça novamente. Ela é a pulsão de morte que impede os humanos de atingir tais níveis de destruição. E naturalmente, esta força seria feminina, já que o feminino é o árbitro último do nascimento. Para conseguir isso, ela impede a reprodução humana e espalha doenças quando os alojamentos humanos ficam muito lotados.

É claro que isso a tornou excepcionalmente impopular, e seu apelido não apenas de deusa, mas também de demônio, é merecido.

O que há de inerentemente “bom” no fato de os humanos pilharem a Terra como lhes convém? O que há de “mal” no fato de o universo tentar nos manter em algum tipo de harmonia, quando nós mesmos nos recusamos a respeitá-lo?

Os humanos são míopes. O ódio a Lamashtu vive na negação das alterações climáticas.

https://libraryoflilith.com/the-lilith-i-know/

Lilith não é uma reação aos homens ou às entidades masculinas. Ela é uma força em si mesma e, na maioria das histórias, ela nasce independentemente do próprio vazio caótico. Seu propósito se aplica a todos os humanos e a todos os seres igualmente - ela é entropia, vazio, arbitragem caótica da morte. E embora este último esteja dentro do domínio feminino entre os humanos, a um nível cósmico, é universal.

Por mais estranho que possa parecer, não creio que Lilith se importe honestamente com o destino da política sexual entre os humanos. Porque Lilith não precisa reagir a nada. Seu poder está estabelecido dentro dela. Ela é o vazio para o qual os arrogantes sempre retornam. Ela pegará seu pedaço de carne de uma forma ou de outra – ela não precisa da permissão ou do respeito de ninguém para fazer isso. E ela não se importa com isso. Se ela se preocupa com alguma coisa em termos do reino humano, é apenas que seus filhos cresçam por si mesmos.

https://libraryoflilith.com/articles/studies/the-gilded-cage-of-lilith-as-feminist-icon/

A origem histórica de Lilith

O primeiro mito que desejo dissipar é que Lilith foi originalmente encontrada na antiga terra da Suméria. Suas raízes certamente se estendem tão longe, mas a própria Lilith não pode ser encontrada entre aquele enorme panteão de deuses e demônios. Para explicar como essas duas particularidades podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, devemos começar com algumas lições básicas da antiga língua suméria – especificamente o desenvolvimento de uma palavra em particular:

Em sumério, a palavra “Lil” significa “Ar”. Enlil, por exemplo, era o Senhor Sumério (En) do Ar (Lil). O termo mais antigo conhecido que poderíamos sugerir relacionado a Lilith seria a palavra plural "Lili" (feminino "Lilitu"), que era simplesmente o mesmo na Suméria que nossa moderna palavra genérica "espíritos". Na verdade, era bastante comum nas línguas antigas que a mesma palavra para “ar” ou “respiração” fosse usada para “espírito”, já que se pensava que a respiração era a evidência da vida; o espírito da pessoa. Os espíritos desencarnados, portanto, eram eles próprios compostos da mesma substância. A própria palavra “spiritus” é um exemplo – latim para “respirar”. O hebraico “ruach” é outro exemplo idêntico. Isto sugere, portanto, que os Lilitu sumérios eram um tipo específico de demônio ou simplesmente “espíritos” em geral.

Lilith é frequentemente descrita como uma súcubo suméria. E, de fato, existiam tais criaturas na Suméria-Babilônia que certamente tiveram sua parte na concepção hebraica de Lilith. Esses seres eram conhecidos como "Ardat Lili". "Ardatu" era um termo que descrevia uma jovem em idade de casar. Assim, os Ardat Lili eram espíritos femininos sexualmente ativos – as súcubos. Acreditava-se que essas demônios noturnas eram a causa dos sonhos eróticos, pelos quais roubavam o sêmen e a vitalidade espiritual do homem. É claro que existe também uma versão masculina desta entidade – o íncubo – mas não precisamos abordar esta criatura aqui.

Também é interessante notar que a palavra suméria para “devassa” era “Lulu”. A palavra para “luxo” era “Lalu”. Além disso, a própria palavra para “mal” era “Limnu”. Isto tem uma relação óbvia com a palavra Lili (e especificamente com Ardat Lili); não apenas na semelhança de pronúncia e ortografia, mas também na própria definição das palavras. Tenha em mente que estas línguas antigas não possuíam a definição específica das nossas palavras modernas. Uma única palavra indicaria qualquer um de vários conceitos relacionados.

Isto não esgota a etimologia de Lilith. Contudo, o jogo de palavras não continua até o Cativeiro Hebraico na Babilônia (600 AEC), e não desejo avançar ainda. Ainda no que diz respeito à Suméria, há dois casos que geralmente são vistos como prova da existência de Lilith ali.

Uma delas é uma lenda, contida na Epopéia de Gilgamesh, na qual um demônio feminino reside na sagrada Árvore da Vida da Deusa Inanna - impedindo assim efetivamente o crescimento e a produção da Árvore. Supõe-se que essa demônio seja a própria Lilith, a quem o herói Gilgamesh finalmente expulsa da Árvore e vai para o deserto.

No entanto, acontece que não há base para supor que esta criatura seja Lilith, ou mesmo uma Ardat Lili, afinal. Aparentemente, o mal-entendido surge de um erro de tradução cometido pelo historiador e estudioso Samuel Kramer. Na Épica, o demônio na Árvore é descrito como "ki-sikil-lil-la-ke", que Kramer sugeriu significar "donzela, amada, companheira ou empregada doméstica de Lila". (Presumo que esta seja também a origem da sugestão equivocada de Merlin Stone de que Lilith era a "donzela" de Inanna.) Embora a palavra para ar/espírito esteja obviamente presente, não há indicação de uma Lilith - mais do que a presença da palavra "ki" (Terra) indica a Deusa da Terra Ki. Talvez Kramer estivesse se concentrando nas duas sílabas “lil-la”.

O segundo exemplo é a famosa placa suméria que representa uma mulher com garras e asas de coruja, de pé sobre dois leões, com duas corujas flanqueando-a de cada lado. Foi assumido que esta figura é Lilith especificamente por causa da (má) tradução acima feita por Kramer (ver bibliografia). Mais especificamente, a suposição foi feita primeiro, e o trabalho de Kramer foi fornecido como prova da existência de Lilith na antiga Suméria. É claro que, como o demônio da Árvore não é Lilith, certamente também não o é a mulher retratada na escultura.

Avançando um pouco para um ponto relacionado: Na Torá, diz-se que há uma referência a Lilith – Isaías 34:14. O versículo supostamente fala de uma coruja, e diz-se que isso indica Lilith por meio da placa mencionada acima (e das corujas retratadas nela). Este exemplo é usado até para argumentar que o nome de Lilith é derivado do termo hebraico para “gritar”. No entanto, este provavelmente não é o caso. Em vez disso, a referência bíblica parece vir diretamente do termo “Lilitu”. Pode muito bem ser uma referência direta a Lilith, porém a grafia deve ser observada: Na passagem bíblica a palavra é LILI Th, enquanto o nome de Lilith é escrito corretamente "LILO Th" (que na verdade é um plural, e será abordado mais tarde).

E, portanto, Lilith não deriva dos dois exemplos acima (a placa ou a Epopéia de Gilgamesh), afinal. Em vez disso, ela provavelmente traça suas raízes estritamente em Lilitu e Ardat Lili - emprestadas pelos hebreus dos babilônios durante o cativeiro em cerca de 600 aC. Porém, deve-se ter em mente que Ardat Lili significava simplesmente súcubo, sem indicar nenhum ser específico. Isto, então, me leva a outro ponto muitas vezes esquecido: o próprio nome Lilith é, na verdade, uma transliteração imprópria do hebraico. As letras hebraicas são Lamed (L), Yod (I), Lamed (L), Vav (O), Tau (Th). O "-ith" deve ser escrito "-oth", que é o sufixo plural feminino hebraico. Pode ser que as primeiras referências hebraicas não fossem a “Lilith”, mas a “os liloth” (os espíritos) – uma curiosa cruz de uma palavra suméria-babilônica com um sufixo hebraico. Mais especificamente, referia-se a espíritos femininos e, portanto, era provavelmente pouco mais do que a versão hebraica do termo sumério Lilitu.

No entanto, Lilith pode ter finalmente se tornado um nome próprio durante ou logo após o Cativeiro. Isto é possivelmente indicado nas numerosas inscrições hebraicas, pintadas em tigelas, datadas por volta dessa época. Essas inscrições retratam uma demônio de aparência particularmente desagradável chamada Lilith, e as palavras são para proteção contra Ela. No entanto, eu pessoalmente não encontrei nenhuma evidência direta que apoiasse se essas tigelas se referiam diretamente a uma demônio ou a um grupo de demônios. A etimologia pode sugerir o último, enquanto a existência da singular Lilith no mito hebraico pode sugerir o primeiro.

Felizmente, parecemos ter uma ideia de como “The Liloth” finalmente se tornou “Lilith”. Esta tentativa de resposta reside na demônio babilônica Lamashtu. Essa criatura horrível foi, entre outras coisas, responsabilizada por “roubar bebês de suas mães”. Muito provavelmente, isto indica morte no berço e talvez natimorto - já que o conceito geral de um demônio na Babilônia era na maioria das vezes uma explicação para problemas médicos e doenças. Como sabemos, a morte no berço era surpreendentemente comum no mundo antigo e, portanto, Lamashtu era uma das principais e mais temidas forças demoníacas. Ela foi, talvez, uma influência cultural grande o suficiente para ser adotada por outros povos que tiveram contato íntimo com a Babilônia. Pessoas como os hebreus, que adotaram alguns conceitos importantes da religião babilônica. Assim foi o nascimento de Lilith – uma demônio que atacava os homens durante a noite, e as mulheres e os bebês durante e após o parto.

https://kheph777.tripod.com/lilith.html

Eu indico, com reservas, o livro “Encontro com Lilith”, de Mark Williams. O livro que me “apresentou” Lilith foi o livro “Lilith, a Lua Negra”, de Roberto Sicuteri. Como notável referência, eu indico o livro “O livro de Lilith”, de Barbara Koltuv.
Dependendo do/a autor/a e do objetivo do livro, a abordagem sobre Lilith perpassa a mitologia, atravessando a psicologia e (raramente) terminando por “receitas” para entrar em uma relação com essa entidade complexa e profunda.
Se você tiver sorte (ou destino), Lilith irá se manifestar. Depois, nada mais será o mesmo.
Somente Lilith pode falar por ela, só acredite no que aqueles lábios (divinos, maravilhosos 😍) te disserem pessoalmente.

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Futuro tenso

Em inglês, future tense pode ser traduzido como futuro pretérito. Mas fica com mais sentido traduzir como futuro tenso.

As perspectivas são pessimistas, a crise climática é uma realidade e tende a piorar. Enquanto isso, os governantes discutem ações para serem postas em prática daqui há 50 anos, o que deveria ter sido feito 50 anos atrás.

Eu que estou quase completando 60 anos, eu deixo a pergunta ao dileto e eventual leitor.
Como você pensa que será o mundo daqui a 100 anos? Encare isso de forma otimista ou pessimista, mas nada disso que nos perturba terá o menor sentido, não terá a menor importância, neste futuro.

Um gênero literário surgiu na Era Moderna, a chamada ficção científica, onde o homem imagina um (admirável) mundo (novo) dominado pela tecnologia. Júlio Verne e H G Wells são os mais conhecidos. Pouco ou nada se fala da economia, sociedade ou política desse futuro maravilhoso.

Os autores chegaram a cogitar regras, supostamente universais, nas quais se entrevê os dilemas que nós estamos enfrentando.

Por exemplo, a viagem no tempo. Wells estabeleceu algumas regras, como a não interferência e a proibição de contato com parentes, familiares ou o outro "eu" daquele espaço-tempo. O filme "Efeito Borboleta" aborda isso de forma assustadora. O filme "De Volta ao Futuro" insere melhor o conceito de linhas de tempo e que essas linhas são coexistentes. Em termos superficiais, esse espaço-tempo que vivemos é apenas uma das possíveis realidades contidas nas dimensões. Supõe-se que tenham 10 dimensões e que isso que chamamos de"real" é a configuração de elementos que vibram feito cordas.

Os quadrinhos e suas versões para o cinema têm apresentado o conceito de Multiverso, talvez seja uma questão de desenvolvimento tecnológico ou percepção para constatarmos a existência do mundo além e do mundo do divino.

Outro escritor é Gene Roddenberry, criador da série Star Trek. Ele profetizou que a humanidade alcançaria a civilização galáctica ao desenvolver o motor de dobra. Talvez ele mudasse de idéia se visse que a exploração espacial se tornou um objetivo comercial. Bilionários como Jef Bezos e Elon Musk investiram (riqueza produzida por seus funcionários) para fazer turismo espacial.

Então o mais provável é que os ricos e poderosos nos abandonem na Terra e vão viver em colônias na Lua ou Marte. No terceiro milênio, livres de nossos capatazes, podemos desenvolver uma sociedade mais justa e inclusiva.
Como eu estou ficando sem assunto, eu vou apenas escrever histórias, com capítulos curtos, para ir direto ao assunto e facilitar a leitura.