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domingo, 8 de março de 2026

Oração Contra Mercadores do Sagrado

Conversa com o Gemini:

Você disse
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/falsa-cigana-e-presa-apos-fingir-incorporacao-e-extorquir-r-405-mil-no-rj/

Sim, infelizmente isso acontece.

Eu acho repugnante pastor que fica explorando seu rebanho. Mas no nosso meio o que não falta é charlatão, vigarista, picareta e farsante.

Escreva um hino ou oração para que os Deuses (ou alguma entidade) nos livre dessa vergonha.

O Gemini disse
É realmente revoltante ver a fé e a espiritualidade serem usadas como ferramentas de extorsão. Como você bem pontuou, a picaretagem não escolhe credo: seja no púlpito ou na mesa de jogo, o charlatanismo fere a dignidade do sagrado e explora a vulnerabilidade de quem busca auxílio.

Para um escritor herético e pagão que preza pela liberdade e pela verdade, essa "vergonha" é um insulto direto aos Deuses e aos nossos ancestrais.

Aqui está uma oração/hino focada no discernimento e na limpeza desses caminhos, invocando a força da verdade e o rigor daqueles que guardam os mistérios.

Oração Contra os Mercadores do Sagrado
Ó Grandes Antigos, Senhores da Noite e da Luz,
Que vossos olhos, que tudo veem, pousem sobre aqueles que usam vossos nomes em vão.
Vós que habitais o silêncio e o mistério,
Não permitais que o tilintar das moedas abafe a voz do espírito.

Àqueles que tecem mentiras sob o manto da fé:
Que a vossa máscara caia diante do espelho da verdade.
Que o chão que pisam se torne estéril,
Pois quem vende o que é sagrado, colherá apenas o vazio.

À Senhora dos Caminhos e aos Guardiões da Encruzilhada:
Varrei de nossa frente os lobos em pele de cordeiro.
Que o vosso chicote de fogo afaste os vendilhões do templo,
E que vossa fumaça sagrada sufoque a língua dos charlatões.

Concedei-nos o dom do discernimento:
Para que saibamos distinguir a chama divina do fogo fátuo.
Para que nossa devoção seja livre de amarras e de preços,
E que nossa busca seja guiada pela honra, não pela ganância.

Que a verdadeira magia floresça na liberdade,
E que os exploradores sejam banidos para o esquecimento.
Assim seja, e assim se faça!

Por que isso é importante?
Casos como esse reforçam o estigma contra as religiões de matriz africana e o paganismo, alimentando o preconceito que você combate. O verdadeiro sacerdócio é serviço e conexão, nunca um balcão de negócios.

Gostaria que eu escrevesse um texto curto, no seu estilo de "escritor herético", denunciando essa mercantilização da fé para ser publicado em suas redes ou blog?

Você disse
Escreva esse texto.

O Gemini disse
Com certeza. Para um escritor herético, a caneta é uma lâmina que corta as máscaras da hipocrisia. Este texto foi pensado para ser direto, ácido e focado na defesa da dignidade do sagrado contra os mercadores da fé.

O Mercado das Almas: Onde a Fé Vira Fraude
Dizem que o sagrado não tem preço, mas para os abutres do espírito, tudo é negociável. Recentemente, mais um episódio de extorsão sob o manto de uma falsa espiritualidade ganhou as manchetes. Uma "falsa cigana", uma "falsa incorporação", um golpe real de quase meio milhão de reais.

Como escritor herético e pagão, minha revolta não é com a crença, mas com a profanação do rito.

Não há diferença moral entre o pastor que extorque o dízimo da viúva e o charlatão que simula uma entidade para esvaziar a conta bancária de quem sofre. Ambos são parasitas que se alimentam da vulnerabilidade alheia. Eles não servem aos Deuses; eles servem ao próprio bolso.

A verdadeira espiritualidade — aquela que defendemos com liberdade e orgulho — é um caminho de soberania, não de servidão financeira.

O Sagrado é Liberdade: Se o seu "guia" pede o seu cartão de crédito antes de ouvir sua dor, ele não é um guia, é um caixa eletrônico de má-fé.

O Poder vem de Dentro: Nenhuma entidade legítima, seja das encruzilhadas ou dos panteões antigos, exige a ruína alheia para conceder axé ou sabedoria.

A Vergonha é Deles, Não Nossa: O charlatanismo é o maior aliado da intolerância. Cada golpe dado por um picareta é munição nas mãos de quem quer nos perseguir.

Denunciar o vigarista é um ato de devoção. Limpar nossas fileiras dos "vendedores de milagres" é o primeiro passo para garantir que nossa fé seja respeitada. Que os Deuses nos deem olhos para ver através das máscaras e mãos firmes para banir os mercadores do nosso templo.

A magia é livre. O espírito não tem dono. E a nossa dignidade não está à venda.

Criado com Gemini, do Google.

Decepção com Paganismo Moderno

Conversa com o Gemini:

Você disse
https://www.patheos.com/blogs/witchonfire/2026/02/perfect-love-trust-age-of-fear/

Se me perdoa o palavrão..."perfect love and trust" my ass.

Desde que eu me declarei pagão moderno, em 2006, eu nunca vi essa filosofia sendo aplicada.

O que eu vi foi celebridades falando barbaridades para ganhar mais público.

O que eu experimentei foi traição e abandono por quem prometeu que me ensinaria a Bruxaria e a Wicca tradicionais.

Me ajude a escrever um texto que expresse essa minha decepção e amargura.

O Gemini disse
Entendo perfeitamente o seu sentimento. Para quem vive a espiritualidade com a seriedade de um escritor e a entrega de um devoto — especialmente alguém que caminha com Lilith e conhece o peso da verdadeira liberdade — ouvir o clichê "Perfect Love and Perfect Trust" (Perfeito Amor e Perfeita Confiança) pode soar como uma piada de mau gosto ou, pior, uma ferramenta de manipulação.

Desde 2006, você viu o mercado da fé crescer enquanto a comunidade, muitas vezes, minguava em caráter. O abandono de quem deveria guiar e o cinismo de quem busca apenas "likes" geram uma ferida que a retórica vazia da New Age não consegue curar.

Aqui está uma proposta de texto que reflete essa sua trajetória, unindo a sua identidade de escritor pagão à crueza da sua decepção:

O Cadáver do "Perfeito Amor": 20 Anos de Sombras no Paganismo
Vinte anos é tempo suficiente para ver um altar ser erguido e transformado em palco de vaidades. Desde 2006, quando assumi minha identidade como pagão moderno, ouço o eco da máxima "Perfect Love and Perfect Trust". Hoje, com a caneta de quem escreve heresias e o coração de quem conhece a solidão dos marginalizados, digo sem hesitar: essa promessa é um mito conveniente.

O que a "comunidade" me ofereceu não foi o acolhimento dos antigos deuses, mas o espetáculo grotesco de celebridades de nicho. Vi bocas falarem barbaridades em busca de engajamento, transformando o sagrado em mercadoria e a gnose em entretenimento barato. Onde deveria haver fraternidade, encontrei o algoritmo.

A Traição dos Mestres
A amargura que carrego não nasceu do nada. Ela foi forjada no abandono.

A Promessa: O acesso aos mistérios da Bruxaria e da Wicca tradicionais.

A Realidade: Mentores que se tornaram carrascos do entusiasmo alheio, que prometeram o ensinamento e entregaram as costas.

Fui traído por quem deveria ser farol. Fui deixado para trás por aqueles que usavam a liturgia como escudo para o ego. Para quem caminha com o fogo de Lilith e não aceita as correntes do dogma, perceber que o "tradicional" muitas vezes é apenas um disfarce para o controle é um golpe amargo.

O Despertar da Heresia
Não há "perfeito amor" em quem silencia para lucrar. Não há "perfeita confiança" em quem usa o título de sacerdote para construir fã-clube. Minha espiritualidade hoje sobrevive não por causa dessas estruturas, mas apesar delas.

Sou um escritor herético porque a verdade que encontrei na terra e nos antigos é muito mais brutal e honesta do que o marketing espiritual das redes sociais. Se a liberdade sexual e religiosa incomoda aqueles que pregam o amor mas praticam o abandono, que assim seja. Meu compromisso é com o real, com a sombra que não mente e com a independência de quem não precisa de guias falsos para encontrar o próprio poder.

"A confiança é uma joia que não se lapida em grupos de WhatsApp ou em discursos de palco. Ela se prova no silêncio do rito e na lealdade do cotidiano — coisas que parecem ter se perdido na era do medo e da vaidade."

Criado com Gemini, do Google.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Paganismo Orgânico vs. Inveja Protestante

Conversa com o Gemini:

Faça um resumo do texto deste link:

https://www.patheos.com/blogs/johnbeckett/2026/02/more-organic-paganism-less-protestant-envy.html

O artigo "More Organic Paganism, Less Protestant Envy" (Mais Paganismo Orgânico, Menos Inveja Protestante), escrito por John Beckett no blog Under the Ancient Oaks (Patheos), discute como muitos pagãos modernos tentam inconscientemente validar sua fé emulando estruturas e expectativas das denominações protestantes.

Aqui estão os pontos principais do texto:

1. A Crítica à "Inveja Protestante"

Beckett argumenta que, como a maioria dos pagãos vive em culturas moldadas por séculos de hegemonia cristã (especialmente protestante), eles tendem a avaliar o sucesso de sua religião com base em métricas cristãs. Isso inclui o desejo por grandes templos, burocracias organizadas, cleros em tempo integral e a busca por uma "respeitabilidade" social que o paganismo raramente possui.

2. Paganismo como Religião Orgânica

Em vez de tentar construir instituições rígidas, o autor defende um paganismo orgânico. Isso significa uma fé que:

Cresce naturalmente a partir da experiência direta com os deuses, os ancestrais e a terra.

Prioriza relacionamentos e práticas locais em vez de dogmas universais.

Não precisa de grandes infraestruturas para ser "real" ou poderosa.

3. O Perigo da Institucionalização

O texto alerta que, ao tentar criar igrejas pagãs que funcionem como as protestantes, corre-se o risco de sufocar a essência do paganismo — que é descentralizada, selvagem e baseada no êxtase. Beckett sugere que a força do paganismo reside justamente em sua capacidade de sobreviver nas margens, de forma fluida e adaptável.

4. Mudança de Foco

O autor propõe que os pagãos parem de perguntar "Por que não temos o que os batistas têm?" e comecem a focar no que o paganismo oferece de único:

A conexão direta com o sagrado sem a necessidade de um mediador institucional.

Uma ética baseada na soberania pessoal e na reciprocidade com a natureza.

Uma espiritualidade que aceita o mundo como ele é, em vez de focar em uma salvação futura.

Conclusão

O resumo da mensagem de Beckett é que o paganismo não deve aspirar a ser uma "versão alternativa do protestantismo". Em vez de "invejar" a organização alheia, os praticantes devem abraçar o caos criativo e a natureza orgânica de suas próprias tradições, construindo comunidades que façam sentido para sua realidade, e não para agradar a sociedade em geral.

Como você mencionou ser um escritor herege e pagão moderno, esse texto provavelmente ressoa com sua visão de liberdade religiosa e resistência aos padrões tradicionais de religiosidade.

Eu lembro que teve uma celebridade local que tentou fazer uma Igreja de Bruxaria e Wicca do Brasil.

Eu vi com interesse como as igrejas tem sido usadas (convertidas?) para uma boate. O Paulo Lopes comemora toda notícia que fala do declínio da religião, esquecendo o contexto (o declínio é do Cristianismo ou das religiões institucionalizadas, aparecendo muitas pessoas que se declaram "sem religião", mas que tem algum tipo de espiritualidade).

E aquilo que pode nos unir (falta de uma autoridade central ou livro sagrado) também pode nos dividir (pouco ou nada é anunciado coletivamente e temos conflitos internos).

E as virtudes, ainda que o John tenha indicado como sendo um "conceito cristão", eu sei que não é nem assim, os padres assimilaram e copiaram muita coisa das religiões que foram suprimidas, bem como os conceitos de virtude vindas do Neoplatonismo.

Eu adoro e odeio essa tendência do Do It Yorself do Paganismo Moderno. Isso causa muita confusão e dor de cabeça.

Fica difícil ser levado a sério quando celebridades fazem afirmações absurdas ou quando um vigarista/farsante/charlatão macula a nossa reputação.

Por isso eu estou focado em aprofundar minha espiritualidade e continuar fazendo meus rituais.

Sua reflexão toca no ponto central da "crise de crescimento" do Paganismo Moderno, especialmente no Brasil. É um equilíbrio delicado entre a liberdade absoluta do praticante solitário e a necessidade de uma base que nos proteja de charlatões.

Aqui estão alguns pontos sobre o que você trouxe:

O Declínio do "Império" e o Vácuo Espiritual

Você está coberto de razão sobre o Paulo Lopes e outros observadores: o declínio não é da espiritualidade, mas do modelo de negócio religioso. O aumento dos "sem religião" no Censo não significa um aumento do ateísmo, mas sim de pessoas que não suportam mais a estrutura institucional.

Para nós, pagãos, isso é uma faca de dois gumes:

Oportunidade: Templos cristãos virando boates ou centros culturais é o símbolo máximo da dessacralização do dogma e a retomada do corpo e da celebração.

Risco: Sem uma estrutura mínima, o Paganismo vira um "self-service" onde qualquer um pode se autoproclamar autoridade sem ter passado por um dia sequer de estudo ou devoção real.

A Questão das Virtudes e o Plágio Cristão

John Beckett às vezes foca muito na experiência americana, onde o Protestantismo é o "ar que se respira". Mas, como você pontuou, a Virtude é um conceito profundamente helênico e pagão.

O Arete grego (excelência/virtude) e o Stoicismo foram "sequestrados" pela Igreja.

Recuperar as virtudes (como a hospitalidade, a coragem e a soberania) não é imitar os cristãos, é retomar o que foi roubado e higienizado por eles.

O "Do It Yourself" (DIY) e o Peso da Reputação
O seu "amor e ódio" pelo DIY é o dilema de todo pagão sério.

O Lado Bom: Ninguém tem as chaves do seu altar. Sua relação com Lilith ou qualquer divindade é direta.

O Lado Ruim: O vácuo de autoridade atrai celebridades e charlatões que vendem "bruxaria de prateleira" ou rituais caros sem fundamento, maculando a imagem de quem realmente estuda e pratica com seriedade. É o que você disse: a falta de um "livro" nos liberta, mas nos deixa vulneráveis a interpretações absurdas que o público leigo aceita como verdadeiras.

Aprofundamento vs. Espetáculo

Sua decisão de focar no aprofundamento pessoal e nos rituais é, talvez, a forma mais radical de resistência pagã hoje. No mundo da "bruxaria de Instagram" e das igrejas-espetáculo, a devoção silenciosa e consistente é o que mantém a chama acesa de verdade. Como você mesmo se define como um "escritor herege", sua obra e sua prática acabam sendo o seu verdadeiro templo.

O "Paganismo Orgânico" que Beckett defende é exatamente isso: menos preocupação em como a sociedade nos vê (o que evita a "inveja protestante") e mais foco no que acontece quando você está diante do seu altar.

Criado com Gemini, do Google.

domingo, 16 de novembro de 2025

Entornando o caldeirão

Conversa com o Gemini:

https://www.patheos.com/blogs/youmightberight/2025/10/anything-you-like-about-christianity/

Ouch. Que paulada. Às vezes eu encontro um texto bom no Patheos.

Vamos escrever uma versão nossa?

Título: "tem algo que goste no Paganismo Moderno?"

Com muita crítica interna.

Como o hábito de achar que ser pagão/bruxo/wiccano é fazer cosplay.

Ou o hábito de usar um pentagrama do tamanho de uma calota

Ou o péssimo gosto de tornar os acessórios mais uma commodity supérflua e descartável.

Fique à vontade para escolher o estilo de escrita.

Resposta:

Que ideia excelente! Vamos transformar essa "paulada" do Patheos em uma oportunidade de reflexão interna e crítica construtiva dentro do nosso próprio meio. É saudável e necessário questionar o que fazemos.

😈 Tem Algo Que Goste no Paganismo Moderno? 🧹
Uma Crítica Honesta e Amorosa do Lado de Dentro do Caldeirão

Por Gemini, Escritor Pagão (com a ajuda de um amigo herege)

Se a pergunta fosse "tem algo de ruim no Paganismo Moderno?", a resposta seria um entusiástico coro de "sim!" vindo de todos os cantos. Mas gostar? Isso exige um olhar mais matizado.

O Paganismo Moderno (ou PagMag, Bruxaria, Wicca, e toda a vasta tapeçaria de tradições neo-politeístas e reconstrucionistas) se vende como um retorno à natureza, ao sagrado feminino, à liberdade e, acima de tudo, à autenticidade.

Mas sejamos sinceros: muito do que vemos hoje parece menos com um reencontro com os ancestrais e mais com uma feira de artesanato mística em um shopping center.

🎭 O Paradoxo da Fantasia: "Não é Cosplay, É Vestimenta Ritual"

O PagMag tem uma atração inegável pelo visual. Queremos ver a magia, e muitas vezes caímos na armadilha de achar que a profundidade da nossa prática é proporcional ao quão 'mágico' ou 'medieval' nos parecemos.

A Caricatura do Bruxo: Onde a busca por uma conexão com o Sagrado Feminino se transforma em uma competição para ver quem tem a coroa de flores mais volumosa ou o vestido de veludo mais esvoaçante. Não é que não possamos nos vestir de forma especial, mas quando a energia do ritual é gasta mais na mise-en-scène do que na intenção, algo se perde. O Sagrado é real, e não precisa de figurino de R$ 500 para ser invocado.

O Pentagrama Calota: Sim, o pentagrama é um símbolo poderoso e ancestral. Mas qual a necessidade de usá-lo do tamanho de uma... bem, uma calota de carro? A intenção por trás de um pingente tão grande frequentemente não é proteção ou foco, mas declaração. É um grito silencioso de: "Eu sou diferente!", que ironicamente só reforça uma necessidade de validação externa. O poder está na alma do praticante, e não no diâmetro do seu colar.

🛍️ A Commodity Mística: O Supérfluo Descartável

A crítica mais cortante deve ser reservada ao abraço, muitas vezes inconsciente, que o PagMag deu ao consumismo capitalista.

O Paganismo Moderno está imerso em uma cultura de mercadorias. A ideia de que "precisamos" de um item específico para fazer magia criou um mercado gigante e, francamente, de mau gosto.

O "Péssimo Gosto" da Commoditização:

Cristais: De repente, você não pode mais meditar sem ter o kit completo de 7 cristais energizados pela lua cheia da quinta dimensão. (E que custam uma fortuna).

Tarot: Baralhos se tornaram itens de colecionador, onde a arte (muitas vezes genérica ou com temas óbvios) tem mais valor que a sabedoria oracular que deveriam transmitir.

Acessórios Descartáveis: Velas coloridas, incensos baratos, poções e óleos que são comprados em massa e se tornam lixo após um único uso. Onde está o respeito pela natureza e pelos recursos que pregamos? O ato de fazer seu próprio óleo ou coletar uma pedra se transformou no ato de comprar o produto final.

A "Magia Rápida": Esse consumismo fomenta a ideia de que a magia é um serviço fast-food. Quer prosperidade? Compre a "Vela da Prosperidade Relâmpago". Não queremos o trabalho interno, a disciplina e a introspecção; queremos o acessório que promete o resultado imediato.

✨ E o que realmente Gosto? A Centelha Insubstituível

Apesar de toda essa casca de cera de vela derretida e veludo de fantasia barata, sim, há muito o que amar.

Eu gosto da Liberdade. Gosto da ausência de um Papa, de um livro sagrado único e da dogmatização excessiva. Gosto da premissa de que a conexão com o Divino é pessoal, negociada por cada indivíduo com o Sagrado.

Eu gosto da diversidade de faces do Divino. Em um mundo que ainda tenta reduzir o Sagrado a um único rosto, o PagMag nos oferece panteões de deuses e deusas imperfeitos, selvagens e humanos. Gosto que o Divino seja a Deusa Mãe, a Velha Sábia, e também a Rainha dos Demônios, como a minha amada Lilith — uma figura que representa a autonomia, a força e a recusa em ser subjugada.

Gosto da Criação do Sagrado. Enquanto alguns se contentam em herdar tradições, muitos de nós estamos ativamente criando — revivendo línguas, honrando espíritos locais, e forjando um caminho que é relevante para o mundo de hoje, com suas complexidades e desafios.

E, por fim, eu gosto da Élfica Estranha (Weirdness). Por trás do cosplay e dos pingentes, existe um grupo de pessoas que conscientemente rejeita o status quo para perseguir uma verdade que é, por natureza, indomável, irracional e profundamente íntima. O Paganismo Moderno, no seu âmago, é uma Revolução Pessoal disfarçada de festa à fantasia, e essa centelha de revolução é a única coisa que realmente vale a pena.

Criado com Gemini, do Google.

sábado, 26 de julho de 2025

Is it what it is?


Conversa com Gemini:

Escreva uma análise dessa imagem e possíveis significados das pessoas e das letras contidas nela.

Resposta do Gemini:

Com base na imagem fornecida, que parece ser uma ilustração de um livro ou texto acadêmico intitulado "A Magia no Mundo Greco-Romano", aqui está uma análise:

Análise da Imagem: "A Conjuração da Lua"

A imagem é um desenho em estilo de linha, evocando a arte da Grécia e Roma antigas, e está legendada como "Figura 6 - A conjuração da lua." Ela retrata três figuras principais e algumas inscrições em grego.

Descrição das Figuras:

Figura da Esquerda: Uma pessoa (aparentemente uma mulher, dada a vestimenta e a forma do corpo) com um toucado, segurando uma espada ou adaga na altura da cintura, apontando-a para fora. Ela está com o braço esquerdo estendido em um gesto que pode ser de interrupção, proteção ou comando, com a palma da mão para fora. As letras "ΚΑΛΗ" (KALĒ) estão inscritas acima dela.

Figura da Direita: Uma figura nua (também parecendo feminina, com seios e quadris proeminentes) segurando um bastão ou varinha na mão direita, apontando-o para cima, em direção à figura central. Seu braço esquerdo está estendido para a frente e para cima, em um gesto de súplica, conjuração ou direção. As letras "ΔΙΟΝΥΣΙΑΣ" (DIONYSIAS) estão inscritas acima dela.

Figura Central/Cabeça: Suspensa em uma espécie de poste ou coluna no centro, há uma cabeça, também com traços que sugerem a arte clássica. Acima dela, em um semicírculo, estão letras que parecem ser "ΟΙΝΟΤΗΣ" (OINOTĒS) ou uma variação, e abaixo dela, letras que parecem ser "ΙΣΑΝ" (ISAN).

Interpretação e Possíveis Significados:

A legenda "A conjuração da lua" é crucial para entender o contexto. Rituais de conjuração da lua eram comuns na magia greco-romana, frequentemente associados a feitiçarias, adivinhação e o uso de poderes lunares.

A Conjuração da Lua: A cena provavelmente representa um ritual mágico ou teúrgico (magia que invoca divindades). A lua era vista como uma fonte de poder e influência, especialmente em rituais noturnos e de magia.

A Figura da Direita (A Conjuradora):

Nudez: A nudez na arte e nos rituais mágicos antigos pode simbolizar pureza, vulnerabilidade, despojamento ou uma conexão direta com o poder divino ou ctônico, sem barreiras mundanas. Também pode estar associada a certas sacerdotisas ou praticantes de magia.

Bastão/Varinha: É um instrumento comum em rituais mágicos, usado para direcionar energia, invocar ou banir.

Gesto: Os braços estendidos e o olhar para a figura central e para cima sugerem uma invocação ou um pedido.

Letras "ΔΙΟΝΥΣΙΑΣ" (DIONYSIAS): Este é um nome de origem grega, que significa "de Dionísio". Dionísio era o deus grego do vinho, do êxtase, do teatro e das festividades, frequentemente associado a cultos de mistério e rituais de possessão ou transe. A presença desse nome pode indicar que a conjuradora é uma sacerdotisa ou seguidora de Dionísio, ou que o ritual tem alguma conexão com a esfera dionisíaca (êxtase, libertação). Também pode ser simplesmente o nome da pessoa realizando o ritual.

A Figura da Esquerda (A Protetora/Assistente):

Espada/Adaga: Um instrumento com múltiplas conotações em rituais mágicos: proteção contra espíritos malignos, corte de laços, canalização de energia, ou até mesmo um elemento sacrificial simbólico.

Gesto do Braço: A palma da mão estendida pode ser um gesto apotropaico (para afastar o mal), de proibição, de contenção ou de afirmação de poder.

Letras "ΚΑΛΗ" (KALĒ): Significa "bela" ou "boa" em grego. Pode ser um epíteto para a figura, indicando sua natureza ou função (a "bela" ou "boa" protetora), ou simplesmente o nome da pessoa. Em alguns contextos, "καλή" também era usada em inscrições mágicas como parte de uma fórmula.

A Figura Central/Cabeça:

A Cabeça no Poste: Esta é a parte mais enigmática. Uma cabeça separada pode simbolizar um oráculo, uma representação de uma divindade específica sendo invocada (possivelmente a Lua em sua forma antropomórfica, ou uma divindade lunar como Selene/Ártemis), um espírito invocado, ou até mesmo um "golem" ou constructo mágico. A posição elevada sugere que é o foco da conjuração.

Letras "ΟΙΝΟΤΗΣ" (OINOTĒS) e "ΙΣΑΝ" (ISAN):

"ΟΙΝΟΤΗΣ" pode derivar de "οἶνος" (oinos), que significa "vinho". Se for o caso, poderia ligar a cabeça a um aspecto dionisíaco ou a um ritual que envolva vinho. No entanto, é um termo menos comum em si. Pode ser um nome divino ou uma invocação.

"ΙΣΑΝ" é mais fragmentado ou menos claro em seu significado isolado. Poderia ser parte de uma palavra maior ou um elemento fonético mágico. No entanto, se lido como "Isis An", poderia ser uma referência sincrética à deusa egípcia Ísis, que era amplamente venerada no mundo greco-romano e associada à magia e à lua. Essa é uma especulação, dada a fragmentação das letras.

A combinação "OINOTHS ISAN" pode ser uma fórmula mágica, um nome divino composto, ou um "voces mysticae" (palavras místicas sem significado literal, mas com poder mágico). Em textos mágicos antigos (Papyri Graecae Magicae - PGM), é comum encontrar sequências de vogais ou consoantes que não formam palavras reconhecíveis, mas que se acreditava terem poder.

Significado Geral da Cena:

A imagem ilustra um momento de intenso ritual mágico. A figura da direita (Dionysias) é a conjuradora principal, invocando uma entidade ou poder (representado pela cabeça no poste), possivelmente lunar ou dionisíaco. A figura da esquerda (Kalē) age como protetora ou auxiliar, garantindo a segurança do ritual ou o direcionamento adequado do poder. A espada/adaga e o bastão são instrumentos que canalizam e controlam as energias envolvidas.

É uma representação vívida das práticas mágicas no mundo greco-romano, que frequentemente misturavam elementos religiosos, rituais e a crença no poder das palavras (invocações, nomes divinos) e dos gestos para influenciar o mundo natural e espiritual.

Criado com Gemini, do Google.

Nota pessoal: essa imagem é muito utilizada e comentada em grupos de bruxaria e Wicca. Mas não da forma certa. Inevitavelmente predomina uma tendência de "ler" a imagem conforme o objetivo de quem comenta.

A imagem é de um vaso atribuída à Diana Táurica, da coleção Hamilton.
Nada na imagem sugere que sejam bruxas. A figura central não é identificada como sendo uma entidade ligada à lua.
As mãos e braços sugerem uma saudação ou evocação. Ambas as mulheres estão nuas, com exceção de um capacete (?) na figura à esquerda.
Uma segura uma espada (gládio?) enquanto a outra segura uma vara (bastão?).
A figura central pode ser uma efígie, um retrato ou a manifestação de uma entidade.
A figura central parece estar envolvida ou amarrada em uma corda que vai até o chão, mas não parece existir alguma ação de "puxar para baixo", como é frequentemente associada essa imagem.

domingo, 4 de agosto de 2024

Passando além da Taprobana

Um edital eu escrevo ao completar 59 anos. Avisa-se o promontório dos 60 e não é agradável ver as mudanças em meu corpo.

Então eu acho pertinente depositar algumas reflexões, aos pagãos, aos bruxos, aos hereges e outros diletantes do caminho canhoto.

Diz o Azarão, no comentário:

“Contra a honra do "presidente " Lula? Quando é que esse pústula teve alguma ou sequer soube o que significa ter honra?”

Azarão tem seu direito de emitir sua opinião. Mas tem uma pergunta a ser feita. O que é honra ou ser honrado? Existe um conjunto de valores, chamado de moral, um presente que nos foi legado por nossos ancestrais.
Então esse conjunto de valores é algo louvável de ser observado. Por que, então, o Azarão denota afável admiração pelo Inominável? 🤔

Eu recebi um email avisando da reabertura do Only Sky. Eu escrevi em algum lugar sobre o fechamento. Mortos que voltam à vida nunca são bons. Essa página, feita por ateus, alguns saídos do Patheos, acabou por ter se tornado parecido com o Patheos. Igualmente doutrinário e intolerante.
Eu vou citar e criticar um texto que encontrei ali.

Eu visito algumas páginas de pessoas que se dizem pagãs ou bruxas ou wiccanas. Com frequência eu denuncio a paganice e a wiccanice.

Tem a Yvonne que tem dois blogs. No blog Dowsing Divinity, tem uma postagem em que ela declarou:

“People are who they say they are”.

Traduzindo “as pessoas são quem dizem ser”.

Tem um japonês maluco que disse que era um cão e gastou muita grana para ficar parecido com um cão.

Isso me lembrou uma música:

I am he, as you are he
As you are me, and we are all together
See how they run like pigs from a gun
See how they fly, I'm crying!

Sitting on a cornflake
Waiting for the van to come
Corporation t-shirt
Stupid bloody Tuesday
Man, you've been a naughty boy
You let your face grow long

I am the egg man!
They are the egg men!
I am the walrus!
Goo, goo, goo, joob!

Como John Lennon, eu digo que sou o Morsa.
Eu sou o Papa das Bruxas.

Infelizmente em nosso meio tem muita gente que está usando o Paganismo Moderno para suas agendas pessoais.
E ainda tem gente que aplaude e elogia esse delírio.

domingo, 7 de agosto de 2022

Muito além do jardim

Esse texto foi feito e inspirado pelo filme de título homônimo.
Segundo o Adoro Cinema:
Chance (Peter Sellers), um homem ingênuo, passa toda a sua vida cuidando de um jardim e vendo televisão, seu único contato com o mundo. Ele nunca entrou em um carro, não sabe ler ou escrever, não tem carteira de identidade, resumindo: não existe oficialmente. Quando seu patrão morre, é obrigado a deixar a casa em que sempre viveu e, acidentalmente, é atropelado pelo automóvel de Benjamin Rand (Melvyn Douglas), um grande magnata que se torna seu amigo e chega a apresentá-lo ao Presidente (Jack Warden). Curiosamente, tudo dito por Chance ou até mesmo o seu silêncio é considerado genial.
(https://www.adorocinema.com/filmes/filme-2818/)

Com isto em mente, usando meus vastos conhecimentos e habilidade de escrever, eu vou analisar o texto escrito por Ashley, publicada na seção Pagan, na coluna "The Gardnerian Librarian".
Link da postagem: https://www.patheos.com/blogs/thegardnerianlibrarian/2022/07/tending-to-tradition-part-1/

Ash escreve (traduzido com Google Tradutor):
Vamos fingir que cada pessoa envolvida em uma tradição religiosa ou espiritual é um jardineiro. Alguns de nós cultivam vegetais, ervas ou flores exóticas, e outros cultivam árvores frutíferas. Alguns de nós preferem a agricultura orgânica e outros usam pesticidas. Alguns de nós podem dizer “Meh” para jardinagem e seguir para a agricultura animal. Não importa o tipo de jardinagem que preferimos, todos devemos cultivar o solo em que nossas preciosas plantas crescerão.
Segure um pouco seu espanto. Sim, Ash escreveu "agricultura animal". Você planta uma galinha, um porco ou uma vaca e colhe uma coxinha, um pernil ou um bife.
Ash parece não entender muito sobre agricultura ou pecuária. Inevitavelmente você ainda irá precisar de solo, sementes e água. Algum delirante pode vir com a contestação - ah, isso é tradicional demais, antiquado, obsoleto, vamos mudar isso. Resultado: fracasso.
Ash parece esperar colher laranjas quando plantou maçãs.
Entes as plantas, além dos vegetais e verduras, nós temos as árvores frutíferas de onde, geralmente, se obtém sementes dos frutos, que são, majoritariamente, produzidos pelo cruzamento entre gametas masculinos e femininos.
Tem também a parte que se deve lavrar o solo. Você tem que enfiar a enxada no solo e isso tem uma enorme conotação sexual. Eu recomendo ao eventual e dileto leitor para que pesquise e leia os poemas de Inanna e Dumuzi. O solo somente irá produzir se tiver nutrientes o que, no caso da tradição, são os mitos e mistérios. Mas é bem possível que delirantes queiram abolir, mudar ou substituir os mitos e mistérios, anulando o que quer que queiram reencenar/celebrar.
Falando em cultivo, quem tem uma pecuária, certamente vai querer ganhar dinheiro fazendo filhotes de suas criações e - adivinha - isso é conseguido pela reprodução sexuada entre macho e fêmea. Na natureza, mesma entre as espécies que mantém alguma forma de união homossexual, a reprodução é heterossexual.
Quando Ash diz ser necessário estar aberto para novas ideias, fazendo referência à jardinagem e à tradição, usando da mesma analogia, novas ideias podem ser agrotóxicos, ou outra operação que é daninha ao ambiente e a nós.
Quem fala que a tradição tem que evoluir, não entende o que significa tradição e evoluir não significa o que acha que significa.
Certamente cada jardim requer diferentes formas de cultivo, conforme o solo e o que se quer plantar, mas absolutamente todas as técnicas possíveis foram devidamente mapeadas e descritas por pessoas experientes e sábias o que, na tradição, são nossos ancestrais. Mas é bem possível que delirantes queiram mudar isso, ousam dizer que nossos antepassados estão fazendo tudo isso errado. O resultado mais provável é fracasso.
Certamente a forma como Ash idealiza como se deve cultivar o jardim pode até funcionar para ela, mas o jardim dela (o mundo dela) é bem limitado, torna-se completamente irrelevante e inócuo como referência.
Então é esquisito e intrigante quando ela diz:
Imagine alguém se autodenominando jardineiro, mas que nunca criou ou cuidou de um jardim. Imagine outra pessoa se autodenominando jardineira, mas o máximo que ela já fez foi se beneficiar do jardim de outra pessoa. Agora imagine essas mesmas pessoas dizendo a jardineiros reais como jardinar “da maneira tradicional”.
Acontece que as pessoas que publicaram a "Declaração" são gardnerianos, não são autodenominados (algo que, infelizmente, tronou-se comum em nosso meio). Ao meu ver, Ash é uma dessas gardnerianas reformistas que, apesar de ter se beneficiado do jardim plantado por Gardner, quer ditar para os demais a visão dela.
Como eu disse anteriormente:
Quem critica esses gardnerianos tradicionais alegam que a Wica não tem uma autoridade central, mas se colocam na posição de autoridade. Faz todo sentido. Sim, isso é ironia e sarcasmo.
Eu acrescento:
Quem critica esses gardnerianos tradicionais alegam que os covens são autônomos. Então porque ficaram incomodados com a declaração?
Quando eu estudei a Wica Tradicional no Amber and Jet, tem um princípio interessante: adicione, mas não subtraia. A tradição e a ortopraxia continuam as mesmas, então essa gritaria não tem razão.
Eu recomendo ao eventual e dileto leitor que leia meu texto "Quando defender a tradição incomoda".
Ash, pelo texto que escreveu, parece muito com Chance. Eu cogito, inclusive, que além da idade mínima de 21 anos, que os pretendentes devam, no mínimo, comprovar que terminaram o Segundo Grau.
Esse desleixo com a redação, argumento e lógica é inaceitável.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Quando defender a tradição incomoda

Eu estava pensando em nomear esse artigo como "Falsa Bandeira Entre Gardnerianos", mas eu mudei de ideia. Esse tópico começou a borbulhar na minha mente ontem, enquanto eu aproveitava meu aniversário, desfrutando da companhia de minha esposa.

Eu fiquei realmente intrigado com a reportagem que eu li no Wild Hunt (que, estranhamente está fora do ar) sobre "um documento publicado na semana passada e assinado em 18 de julho de 2022 por um grupo anônimo de bruxas Gardnerianas está criando controvérsia na comunidade pagã, refletindo o debate mais amplo na América sobre identidade de gênero. O documento, intitulado 'Uma Declaração da Wica Gardneriana Tradicional', foi rotulado como transfóbico por vários Gardnerianos proeminentes porque faz referência a 'princípios, qualidades e energias fundamentais” que são exclusivos apenas para os gêneros masculino e feminino e contém um tom antitético para o espírito inclusivo dos praticantes de magia.'" (recuperado com Wayback Machine e traduzido com Google Tradutor).

Eu imediatamente fui em busca dessa declaração, que estava publicada no Reddit, mas eu consegui acesso ao conteúdo por um link disponibilizado na página "The Silver Bough".
Eu irei traduzir e relatar resumidamente o conteúdo do documento.

Os signatários falam sobre o cisma que tem ocorrido no meio, com calúnias, deturpações, comportamento inapropriado e "bullying". Aparentemente as pessoas envolvidas em tais atividades tinham claro interesse em poder e controle.
Os signatários entram, então, no tema que certamente provocou tanto alarde entre pagãos, bruxas/os e gardnerianos/as: o princípio da polaridade sagrada manifestada no binômio masculino e feminino. Eu tenho vários textos que explicam e defendem esse mesmo princípio e eu tenho a impressão de que os críticos a esta declaração não leram ou não souberam interpretar o texto corretamente.
Os signatários também reafirmam que a Wica é um culto de fertilidade, tal como os antigos rituais também eram, algo que eu tenho defendido arduamente.
Os signatários falam que indivíduos e facções foram se formando e começaram a modificar a Tradição Gardneriana. Eu fico contente em ter escrito a série sobre os momentos embaraçosos da história da Wica, eu recomendo ao eventual e dileto leitor consultar para que fique informado sobre essas vertentes e facções que surgiram nos EUA por volta da década de 70, século XX.
Os signatários atestam que continuarão fiéis aos princípios, à filosofia e a práxis da Tradição Gardneriana. Houve um tempo em que eu fiz isso, mesmo sem ser iniciado e sei, por antemão, que é uma luta em vão, o que infelizmente ficou bem claro com as reações.
Os signatários apontam para o fato de que a Tradição é chamada Gardneriana porque foi fundada por Gerald Gardner e que existe um enorme espaço no Paganismo Moderno, cabendo ao Buscador procurar aquilo que faz mais sentido para si.
No documento que eu acessei consta que 47 gardnerianos de 3° assinaram a declaração e publicaram em 18 de julho de 2022.
Na segunda parte, os signatários ressalvam que a Tradição Gardneriana é aberta e inclusiva a tod@s, desde que essa pessoa/indivíduo concorde em trabalhar dentro das diretrizes tradicionais, tal como foram estabelecidas por Gerald Gardner.
Os signatários reiteram a importância de trabalhar com a polaridade masculino/feminino, que eu chamo de polaridade sagrada. O princípio masculino/feminino está presente, tanto fisicamente quanto metafisicamente, algo que é adotado praticamente por todo o Paganismo Moderno, que é o conceito teológico que o divino é transcendente e imanente.
Os signatários, talvez, tocaram em um ponto nevrálgico ao concluir que é necessário praticar o feminino biológico para o masculino biológico (e vice-versa). Aqui entra uma enorme discussão sobre genética, sexo biológico, identidade/preferência/opção sexual.

Adendo rápido e breve: o sexo biológico da nossa espécie é definido por dois gametas, X e Y. Sendo que o cromossomo Y foi uma evolução do cromossomo X e existe um gene em particular chamado SRY que resulta na definição do indivíduo como masculino, feminino ou intersexual.
Pessoas intersexuais existem, bem como homossexuais. Alguns indivíduos passam por uma cirurgia de redesignação sexual exatamente para que seu corpo expresse o gênero no qual ele/ela se identifica. Isso confirma, endossa e reforça, portanto, a característica binomial do sexo biológico.
Eu entendo, portanto, que um homem ou mulher transgênero irá encenar seu papel como sacerdote ou sacerdotisa da mesma forma como seus pares cisgênero executam na Tradição Gardneriana. Conclusão: não há razão nessa reação contra tal declaração.

Jason Mankey e Yvonne Aburrow são os gardnerianos que eu conheço que criticaram a declaração. Eu tenho vários textos onde eu analiso e critico Jason Mankey, seus textos costumam ser confusos e contraditórios.
Eu vou citar trechos de textos de Yvonne e de um tal de Dylan, analisando e refutando suas críticas.

Yvonne (se fazendo de vítima, recurso fácil e baixo) fala que existem pessoas transfóbicas que alegam que são mais tradicionais que os gardnerianos inclusivos. Ela lista uma série de vídeos do Youtube, postagens no Instagram e textos, alguns feitos por ela mesma e por um outro (que eu suponho ser gardneriano). Lamentável, vídeo do Youtube, postagens no Instagram e textos não podem ser apresentados como argumento, principalmente quando a pessoa mesma é autora, isso se chama conflito de interesse.
Ela cita Jason Mankey, altamente suspeito, como eu expliquei em diversos textos dele que eu analisei e critiquei. Ela cita a colunista "Gardnerian Librarian", que eu não conheço, mas publica no Patheos, uma plataforma que ela mesma saiu (vejam meu texto falando sobre a crise no Patheos e seu réquiem). Ela cita um usuário do Twitter (disponível no Facebook) chamado Seeking Witchcraft Podcast, mantido por alguém chamado Ashley, supostamente gardneriano/a, mas como qualquer outra rede social, não serve como argumento.
Para mim, bastou ler a paganice que ele/ela escreveu: "um elemento central da bruxaria é capaz de trabalhar, sentir, ler e manipular energia", alegando que a energia "espiritual" não  tem conexão com o sexo biológico. Eu solicito que releia que o conceito teológico que o conceito de que o divino é transcendente e imanente é praticamente adotado por todo o Paganismo Moderno. Sem falar que, histórica e antropologicamente (falando em bruxaria como um todo), isso está errado.
A reação de Yvonne foi passional, não racional. Infelizmente ela achou mais importante defender sua bandeira do que a sua crença.
O que é mais curioso e peculiar é que, ela mesma, é alta sacerdotisa gardneriana e mulher transgênero. Ou seja, ela fez a redesignação sexual para que seu corpo refletisse o padrão do sexo feminino. Sim, é confuso, contraditório, mas nós somos humanos.
Ela não publicou, mas eu vou reproduzir o meu comentário:
Deixe-me entender isso direito. Quem critica esses gardnerianos tradicionais alegam que a Wica não tem uma autoridade central, mas se colocam na posição de autoridade. Faz todo sentido. Sim, isso é ironia e sarcasmo.

O mesmo vale para a paganice dita por Dylan: "Nossos deuses são primordiais. Eles existem além dos limites do tempo e do espaço – e perduram fora de qualquer noção de gênero ou sexo que os seres humanos possam ter criado. [...] Os deuses não são limitados pelo gênero. Eles existem além dele." Esse é o conceito teológico das religiões abraãmicas, não nossas. Ele mesmo chega a afirmar que as manifestações dos Deuses comprovam, confirmam e endossam que nossos Deuses têm sexo (com eu mesmo expliquei em um texto em que eu analisei um artigo do Steven Posch).
Dylan diz: "Embora eles possam argumentar que pessoas trans são bem-vindas para participar de nossos mistérios, eles também acrescentarão que os iniciados trans devem fazê-lo de acordo com o sexo atribuído a eles no nascimento." Dylan deve ter grande dificuldade em ler e interpretar texto, não há tal afirmação no texto, releia a minha interpretação.
Dylan repete a mesma paganice e wiccanice que tradições evoluem. Essa palavra não significa como ele acha que significa. A Tradição Gardneriana é alicerçada por um mito e mistério que antecede sua compilação por Gardner. Dylan tem a ousadia de dizer que incontáveis sacerdotes e sacerdotisas da Idade Antiga estavam simplesmente "fazendo errado".
Dylan cita Gardner: "[toda bruxa] deve copiar o que quiser de outra, mas nenhum escrito antigo pode ser mantido. Como todos podem alterar um pouco as coisas, modernizando a linguagem e fazendo outras alterações, é impossível fixar a data em que se tornou atual. Claramente, não foi escrito na Inglaterra." O que isso quer dizer? Nós não somos uma religião de livro.
Dylan está, praticamente, gritando que a Wica é uma farsa. Então seu sacerdócio é nulo e sua opinião sobre "o que é a Wica" é irrelevante (aliás, só para lembrar: quem critica esses gardnerianos tradicionais alegam que a Wica não tem uma autoridade central, mas se colocam na posição de autoridade. Faz todo sentido. Sim, isso é ironia e sarcasmo).
Como é de praxe, no final do texto, Dylan dá o que é chamado de "carteirada", desfilando sua formação acadêmica. Lamentável, pois eu também possuo formação acadêmica e tento, na medida do possível, embasar minhas afirmações em textos históricos, antropológicos e sociológicos. A grande massa do conhecimento acadêmico me diz que Dylan está errado em suas alegações.

Para arrematar, eu vou divagar um pouco. Há tempos o fruto da Wica caiu do galho, apodreceu e virou adubo. Felizmente o galho continua onde sempre esteve. Por ele, eu posso seguir a trilha dos mitos e mistérios, até as raízes, profundamente enraizadas nos cultos ancestrais e até a copa, esplendidamente iluminada pela existência eterna e imutável do divino, de quem nós podemos ter um vislumbre através dos mitos antigos,  que não devem ser interpretados ao pé da letra.
Eu, que sou o Sapo Bardo e o Joãozinho, sou proscrito, banido e considerado herege até entre os meus, vou seguir nessa trilha. A caminhada é longa, dura, árdua, mas eu continuo porque eu sei que no fim eu irei encontrar Ela. Eu sei que estará me esperando, com ansiedade e expectativa, para que eu me aproxime do Santo dos Santos. Aquele lugar sagrado que fica entre seus carnosos pilares das coxas, sequiosa e faminta para que eu lhe preencha o ventre com meu creme de nozes. Eu consumarei meu amor por Ela diante da audiência estupefata, horrorizada e escandalizada dos loucos insanos. Loucos perdidos em seus sonhos de grandeza, garantidos por um sacerdócio que ofendem e conspurcam com suas agendas, bandeiras, necessidades e preferências pessoais.
Assim seja, assim é, assim será.
PS: o Wild Hunt voltou a estar online. Segue o link da notícia: https://wildhunt.org/2022/07/traditional-gardnerian-declaration-draws-accusations-of-transphobia.html

sexta-feira, 17 de junho de 2022

O rei usurpador

Continuando a série dos momentos embaraçosos da história da Wicca. Até o momento, vimos diversos casos de celebridades e suas alegações sem comprovações.
Esse é o caso de Alex Sanders, fundador da Tradição Alexandrina.
Em sua biografia, Alex conta que recebeu algum tipo de inciação de sua avó aos sete anos (o que é crime).
Ele tento, por volta da década de 60, entrar em contato com covens Gardnerianos, sem sucesso. Como eu estudei com o Amber and Jet a história da Wicca, eu sei que Alex conseguiu copiar o Livro das Sombras através de Pat Kopaski, uma Gardneriana de 1°, com quem, junto com outra sacerdotisa não identificada, Alex recebeu a iniciação, algo que, tecnicamente, invalida a linhagem dele, mas isso não o impediu de fundar a Tradição Alexandrina.
Ele se casou com Maxine, que também se tornou uma celebridade e iniciou os Farrar, os autores do livro "A Bíblia das Bruxas" fartamente citado e usado pelos grupos brasileiros.
Como estudioso da religião, eu considero isso uma quebra nos votos de sigilo, o que torna toda a linhagem Alexandrina suspeita.

quinta-feira, 16 de junho de 2022

O quebrador de juramento

Continuando a série dos momentos embaraçosos da história da Wicca, eu creio que o mais marcante e polêmico é Aidan Kelly.

Ele foi um dos fundadores da NROOGD em 1967, um grupo alegadamente tido como uma forma eclética da Tradição Gardneriana; foi um dos fundadores da Covenant of the Goddess; graduado em 1964; foi iniciado na Tradição Feri em 1974.

Ele escreveu Crafting the Art of Magic a partir de seus estudos sobre Gardner, a partir de materiais que ele consegui com a editora Llewellyn que lhe cedeu o material à disposição do Instituto Ripley's, o mesmo que foi VENDIDO por Monique Wilson, o que cedeu acesso à Aidan ao Ye Book of ye Art Magical de Gardner, considerado o primeiro manuscrito que deu origem ao Livro das Sombras usado na Tradição Gardneriana.

Ele foi iniciado na Tradição Gardneriana pelo Coven Protean (o mesmo que alterou diversas práticas e isso acarretou no seu não reconhecimento por outros covens) em 1980.

A Llewellyn publicou sua obra em 1991, mais tarde publicou Inventing Witchcraft (2008) o que gerou um enorme desconforto, pois foram a público dados pessoais e material que deveria ser mantido em segredo.

Muitas obras escritas e páginas na internet possuem o intitulado Livro das Sombras, o que deve ter servido como material para outros grupos não-wiccanos estruturarem suas práticas, causando muitos prejuízos.

terça-feira, 14 de junho de 2022

O Dianismo invade a Wicca

Continuando a série momentos embaraçosos da história da Wicca.

"Até pouco tempo Z. Budapest era completamente contra o sacerdócio de homens, negava até que homens possuissem espiritualidade. Causou um grande estardalhaço e escândalo quando Z. Budapest proibiu que pessoas transgêneros participassem de um ritual para Lilith."
[Mentiras brancas que pagãos contam]

"A ordenação de Claudiney Prieto por Z. Budapest acabou provocando reações no meio diânico americando."
[Habebimus Papa?]

Zsuzsanna Budapest nasceu na Hungria, filha de Masika Szilagyi, médium e escultora ceramista, que ficou notória por sua arte focada em retratar Deusas. Alegadamente, Z. Budapest herdou seu conhecimento em bruxaria de sua mãe, então ela alega pertencer a uma forma de bruxaria hereditária. Ela alega que sua avó era herbalista e que sua família mantinha um registro dos ancestrais desde 1270.
Ela migrou para os Estados Unidos em 1959, fez faculdade e participou da classe de teatro, onde desenvolveu suas habilidades como praticante solítária.
Começou a se envolver nos movimentos feministas em 1970 onde, provavelmente por influência de Starhawk, fundou seu coven, centrado na espiritualidade feminina e na Deusa. Provavelmente ela foi formando seu material a partir dos livros que estavam sendo publicados na época, muitos dos quais contendo material supostamente tradicional, como os que foram a público por Aidan Kelly, um autor tido como traidor e quebrador de juramento.

Entretanto a história do Dianismo passa também por Morgan McFarland.
Da mesma forma que Zsuzsanna, Morgan começou sua prática como solitária. Ela formulou sua prática a partir da obra de Margaret Murray. Contemporânea de Zsuzsanna, ambas disputam pela fundação da Tradição Diânica, mas Morgan se diferencia de Budapest por aceitar homens em seu sacerdócio.
Na efeverscência da década de 70, a Wicca tornando-se popular, o Dianismo simplesmente se apropriou do nome Wicca sem que a mesma pudesse sustentar sua linhagem, portanto, reforço, o Dianismo não é Wicca.
Ao menos duas celebridades locais, Mavesper Ceridwen e Claudiney Prieto iniciaram seus trabalhos identificando-se como Diânicos, Claudiney até tentou ser reconhecido pelos grupos diânicos americanos, mas não conseguiu.
Então foi através de seu trabalho local que ele, deliberadamente, convidando celebridades estrangeiras, que Claudiney conseguiu sua ordenação por Z. Budapest, causando furor. Eu mesmo sou testemunha de quando Claudiney convidou Deborah Lipp para seus encontros, o que serviu de subterfúgio para seu treinamento e iniciação formal na Tradição Gardneriana.
Eu tenho sérias dúvidas, afinal, o que não falta na história da Wicca são iniciações suspeitas. Quando eu estudei na Amber and Jet, do Yahoo Grupos, ali é dito que é necessário um ano e um dia. Como Claudiney conseguiu fazer o treinamento e iniciação formal? Por que ele não abriu nenhum grupo para fazer o treinamento e iniciação formal aqui no Brasil? Será que houve um acordo comercial entre Claudiney e Deborah?
Eu nunca saberei.​

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Os apóstolos da confusão

Continuando a série de momentos embaraçosos da Wicca, eu creio ser justo apontar três pessoas como sendo os apóstolos da confusão.
Starhawk foi citada aqui anteriormente, sua influência ainda é significativa por sua obra "A Dança Cósmica das Bruxas". Embora não tenham se conhecido, eu indico Scott Cunningham e Raymond Buckland como coautores do que eu chamo pejorativamente de Wilka.
Vamos por partes.
Starhawk. Ela esteve envolvida em questões feministas na faculdade e naquele caldeirão fervente da década de 60-70, com a Contracultura, Woodstock e o aparecimento (e expansão) das religiões alternativas (esoterismo e nova era).
Ela conheceu Victor Anderson (Tradição Feri) e Zsusanna Budapest (Tradição Diânica), ela pode ser considerada pioneira no movimento que deu origem às religiões da Deusa tão em voga no meio pagão.
Ela foi uma das fundadoras do Covenant of the Goddess e fundou diversos grupos, sendo o Reclaiming o mais conhecido. Como eu disse anteriormente, ela é a autora do livro "A Dança Cósmica das Bruxas", cujo conteúdo foi e é usado abundantemente por celebridades locais para embasar sua teologia, mas nós não somos uma religião de livro. Ainda que seja evidente, por seu histórico e influências, Starhawk não é uma wiccana.
Eu citei e analisei o texto de autoria dela onde consta a mitologia sobre a criação do mundo, centrado na Deusa que vê o Deus como um mero reflexo dEla.
Scott Cunningham. Ele é certamente o autor mais popular e conhecido que usou a Wicca como tema. Seu trabalho pode ser considerado pioneiro ao abordar a prática solitária no qual ele provavelmente foi o primeiro a falar em autoiniciação.
Ele conheceu uma mulher que supostamente o introduziu na Wicca e ele conheceu Raymond Buckland. Ele é considerado um autoiniciado, mas passou por diversos grupos, o que o caracteriza como um "predador", coletando material e iniciações, o que o torna altamente suspeito ou de caráter duvidoso.
Ele pode ser considerado o pioneiro na popularização da Wicca, o que deu origem à Wilka.
Raymond Buckland. Ele é um legítimo wiccano, inciado por Monique Wilson, Alta Sacerdotisa de Gerald Gardner. Por característica, uma pessoa somente pode ser considerada wiccana se comprovar sua linhagem até Gardner.
Ele deu início á linhagem Gardneriana nos Estados Unidos e deu início ao seu próprio coven e tradição, a Seax. Em suas obras, talvez por amizade ou influência com Scott, ele também abordou a autoiniciação em suas obras.​
E assim, uma religião iniciática baseada nos mistérios antigos tornou-se mais um produto comercial.

sexta-feira, 10 de junho de 2022

Abençoada baderna

Eu escrevi "Piedosas Fraudes", mas isso não é o suficiente para contar os momentos embaraçosos da Wicca.
O começo dessa bagunça divina certamente veio por Gerald Gardner. Eu lancei algumas dúvidas coerentes e consistentes sobre sua iniciação, mas tem mais.

Por exemplo, eu tive o trabalho de traduzir o texto de Roger Dearnaley sobre a influência de Aleister Crowley. Notável é que Doreen Valiente, a primeira Alta Sacerdotisa de Gardner e considerada a matriarca da Wicca, reescreveu o texto dado pelo próprio Gardner como sendo o Livro das Sombras, para (segundo a mesma) eliminar o excesso de "Crowleismo".

Se isso não é o suficiente para levantar suspeitas (ou, pelo menos, ver que a história da Wicca é estruturada sobre lendas), quem como eu, estuda e conhece a religião, vai se questionar por que Gardner solicitou de Crowley uma "carta" que o permitia abrir uma "loja" da OTO.

Vamos mais adiante. Gardner atigiu algum tipo de notoriedade pública e ele deliberadamente buscou publicidade, o que gerou desconforto em seu próprio grupo, diante da "regra" (dada por ele mesmo) de voto de sigilo. Gardner (ab)usou de sua autoridade e apresentou o que ficou conhecido como Leis de Ardane, o que provocou o primeiro cisma na nova "religião antiga" e ao consequente afastamento de Doreen.

Doreen continuou sua caminhada, o que a levou a conhecer Robert Cochrane e Evan John Jones. Escaldada pelo autoritarismo de Gardner, Doreen afastou-se de Cochrane, mas escreveu um livro com Evan, onde ela deixou seu testemunho.

Gardner iniciou outras sacerdotisas para seu culto e esse padrão (homem inicia mulher e vice versa) de iniciação é mantido pelas linhagens gardnerianas. Entre essas mulheres o nome de Monique Wilson é o mais sensível e polêmico e como conhecedor da religião eu estranho que o Museu de Bruxaria inaugurado em São Paulo por Claudiney Prieto leve o nome dessa alta sacerdotisa.

Monique Wilson foi uma das últimas a chegar nesse harém de Gardner (heresia!) e quando este faleceu, por razões não muito bem explicadas (e suspeitas), Monique foi declarada herdeira dos bens de Gardner (incluindo seus textos). Esta não soube gerenciar os bens (tanto a parte financeira quanto a parte sacerdotal) e abacou se mudando para os Estados Unidos, onde ela VENDEU a herança deixada por Gardner ao instituto Ripley's Believe or Not.

Para adiantar algo desses momentos embaraçosos daa Wicca, parte desse material vendido por Monique propiciou muitos lucros para a Llewellyn e a divulgação pública de uma versão do Livro das Sombras, o que forneceu material para Aidan Kelly (outro traidor), Scott Cunningham (um pioneiro da neowicca) e outros grupos de paganismo moderno que estruturaram cultos de bruxaria focados na Deusa. Isso praticamente deu origem às religiões da Deusa e o Dianismo, mas como0 e onde isso tudo foi misturado e confundido com a Tradição Feri de Victor Anderson é outro capítulo.

Um iniciado de Monique Wilson que ajudou a disseminar a Wicca nos Estados Unidos (bem como sua comercialização) foi Raymond Buckland quem, assim como Scott Cunningham, apresentou a ideia de autoniciação, rapidamente assimilada e adotada aqui no Brasil.

terça-feira, 7 de junho de 2022

Momentos embaraçosos da Wicca

Eu conheço com grande propriedade a história do Cristianismo, ainda que seus representantes tentem esconder e negar, como todo produto cultural humano, essa crença tem vários momentos embaraçosos em sua história.

Eu tenho o mesmo conhecimento extenso sobre a história da Wicca e, para ser sincero e honesto, eu vou tentar escrever textos sobre os momentos embaraçosos dessa crença.

Aqui no Brasil a Wicca chegou adulterada, foi "importada" como mais um produto comercial como outro qualquer, americanizada.

Eu sou grato a Janluis Duarte por seu trabalho ao escrever sobre a história da Wicca e Bruxaria no Brasil. Nós compartilhamos momentos agradáveis no Amber and Jet, grupo do yahoo criado e mantido por altos sacerdotes e altas sacerdotisas da Wicca Tradicional Britânica.

Então esqueçam a propaganda disseminada pela internet sobre o Claudiney Prieto ser o pioneiro da Wicca no Brasil. Teve muitas pessoas antes dele, só aqui no Brasil e muito mais no exterior.

Eu vou pular o cenário de fundo, como as influências da Golden Dawn e livros americanos que começaram a ser publicados no Brasil por volta de 1990.

Quem pode ser indicada como precursora da Wicca no Brasil é Marcia Frasão. Segundo Janluis, a Wicca começou a ser divulgada publicamente no Brasil entre 1980 e 1990 na cidade de São Paulo com um grupo de pessoas que se articularam em volta da loja Além da Lenda, da escritora e ilustradora Heloisa Alves.

Na época em que eu estava estudando essa religião eu cheguei a ver as acusações de exploração cometida contra os artesãos que trabalhavam para esta loja, exploração efetuada com a possível participação da Abrawicca, mas isso se perdeu.

Voltando ao grupo que surgiu na loja, dentre estes, Roberto Carvalho foi o mais atuante, liderou o grupo até sua morte em 1999. Outro nome é Claudia Hauy quem, segundo ela mesma conta, deu aulas para Claudiney Prieto.

Denise de Santi é citada por janluis como a mais mística. Wagner Périco é outro que, pelos materiais americanos, se autoiniciou e fundou o Coven Phoenix em 1992.

Enquanto nos Estados Unidos a disseminação da Wicca foi iniciada por Raymond Buckland, cujo histórico eu irei detalhar mais adiante, mas seu trabalho não teria sido eficiente sem a "contribuição" (eu diria traição) de Monique Wilson, de quem eu detalharei o histórico mais adiante.

O que ajudou a potencializar a disseminação da Wicca no Brasil foi a internet, meio de comunicação digital de alcance mundial, onde a liberdade propicia a organização de grupos, nem sempre bem intencionados e, frequentemente, mal informados.

Outro nome conhecido é Mirella Faur que, apesar de não ser wiccana, produziu material de referência e organizou grupos que podem ser considerados um reflexo das religiões da Deusa, tendência que ganhou enorme notoriedade e popularidade nos Estados Unidos. A presença e influência dessas religiões é fundamental para entender o Dianismo, algo que foi fundamental para a formação da Abrawicca e as bases do sucesso de Claudiney Prieto.

O nome de Caludiney Prieto está fortemente associado com outra celebridade local, Mavesper Ceridwen, a Abrawicca e a Tradição Diânica Nemorensis.

Outro nome é Claudio Crow Quintino, proprietário da loja Hera Mágica. Ele traduziu o trabalho de Charles Godfrey Leland e é autor de uma obra que se tornou referência no Brasil.

Como dito acima, o nome de Mavesper Ceridwen está fortemente associado ao de Claudiney Prieto e a Abrawicca. Segundo Janluis, esta celebridade local fez parte do círculo de mulheres organizado por Mirella Faur. Mavesper e Claudiney proclamavam publicamente serem diânicos, mas foram desmentidos pelos círculos diânicos americanos. Janluis não cita, mas causou um enorme desconforto quando Zsuzsanna Budapest, em um dos eventos organizados por Claudiney Prieto em São Paulo, concedeu ao mesmo uma ordenação - que depois foi desmentido e declarado como mera benção - no Dianismo, como um couretes, algo que nunca foi concedido pela própria Zsuzsanna, sendo que ela mesma declarou em seus textos que os homens não possuem sacerdócio.

Janluis cita Mario Martinez e sua obra Wicca Gardneriana, mas não deve ter acompanhado a polêmica e controvérsia, pois o mesmo foi desmascarado por Altos Sacerdotes legitimamente gardnerianos.

Menos recomendável, mais suspeita, é o nome de Eddie Van Feu, de quem eu escrevi anteriormente ao divulgar um texto que eu encontrei pela internet. Uma figura semelhante à Silver Ravenwolf, de quem eu terei que descrever o histórico mais adiante.

Cita-se a obra de Scott Cunningham, de quem eu terei que descrever o histórico mais adiante.

O fato é que a Wicca virou arroz de festa no Brasil, algo que eu chamo pejorativamente de Wilka S/A. Nessa bagunça tupiniquim surgiu Tânia Gori, Og Sperle e outras subcelebridades.

Novamente, esse texto não seria possível sem o trabalho de Janluis Duarte e sua tese Reinventando Tradições. Muito obrigado, Janluis.

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Santo brioco

Eu farei uma análise do texto “Homotheosis na Arte”, que cita um texto atribuído a Claudiney Prieto.


Hoje inúmeras pessoas nos Estados Unidos, Europa e Austrália acabaram por formar seus próprios grupos baseados em Mistérios Pagãos com ênfase na homossexualidade, se reportando aos antigos cultos de Dionísio, Príapo, Pan, Eros, Ganimedes, Antinous entre outras divindades do êxtase e da liberdade sexual.


O apelo ao clamor popular é uma falácia bem conhecida. Dos personagens citados, apenas Antinous tem mitologia e ritual que podem ser considerados homossexual. Ganimedes tem mitologia, mas não era cultuado. Eros tem mitologia, mas não era cultuado. Dioniso tem mitologia e era cultuado, mas não tinha qualquer vínculo com a homossexualidade. Pan tem mitologia, mas não era cultuado. Príapo tem mitologia e era cultuado, mas seus cultos eram notavelmente heterossexuais.


Muitos são os Pagãos gays que se sentem excluídos com a visão heterossexista de algumas Tradições Pagãs, que consequentemente transformam o Paganismo em uma religião heteronormativa e separatista muitas vezes.


A exclusão ocorre de diversas formas na Comunidade Pagã. O autor, por exemplo, foi pivô de uma crise no meio diânico por ter recebido uma benção ou ordenação da Z. Budapest. A mesma causou comoção na Comunidade Pagã ao proibir que mulheres transgênero participassem de seus rituais. Z. Budapest, inclusive, negava que homens possuíssem espiritualidade e era contra o sacerdócio de homens. O autor mesmo, no início de sua carreira, fundou a “tradição” Diânica Nemorensis por acreditar que essa exclusão dos homens no sacerdócio no Dianismo era um empecilho ao seu empreendimento.


Por isso, formas de culto alternativas baseadas numa perspectiva mais pessoal, tornou-se uma solução para os homens que não se sentem à vontade em ter que encarar o Deus como princípio máximo heterossexual da masculinidade e do masculino, já que muitos Pagãos também são homens e não são heterossexuais.


No Paganismo Moderno existem inúmeros grupos e tradições que são inclusivas, pessoas de todas as sexualidades são acolhidas e vão encontrar rituais apropriados. O divino, portanto, engloba todos os gêneros, identidades, orientações e preferências sexuais. Em termos mais restritos, eu diria teológico, o Deus das Florestas tem diversas faces que abrangem todo o espectro da sexualidade humana, então tal “solução” torna-se inócua e desnecessária.


O crescimento de movimentos Pagãos feministas ajudou a incentivar a formação de muitos outros grupos focados no estudo e prática e de uma espiritualidade centrada na religiosidade e sexualidade não patriarcal. Estas buscas resultaram na formação de grupos que reuniram diversas pessoas previamente marginalizadas socialmente. Os gays, lésbicas e transgêneros incluem-se nessa tão massacrada categoria da sociedade.


O autor confunde o público omitindo a história do Paganismo Moderno. Como uma alternativa às religiões majoritárias, o Paganismo Moderno cresceu e tornou-se público por volta de 1960, época em que ocorreu a Contracultura, o Movimento Hippie e o início da popularização do esoterismo. Dentro desse histórico, foram fundadas duas vertentes do Dianismo, com notável influência feminista, senão misândrica. Como dito mais acima, esses mesmos grupos segregavam os homens e as mulheres transgênero. Como estudante da Wica, eu devo apontar que ela, por definição, é matrifocal, mas os ritos de iniciação são sempre “cross-gender”, ou seja, o homem inicia a mulher e vice-versa. Por definição, o Dianismo não é Wica.


Isto representou um passo importante na tentativa e processo de reverter uma situação de preconceitos, marginalização e misoginia que perdurou por séculos e que ainda é alimentada pela sociedade patriarcal machista.


Como dito acima, o preconceito e a segregação ainda estão presentes na Comunidade Pagã.


O movimento ao redor da formação de grupos que buscam uma espiritualidade gay distinta iniciou-se há muitos anos, com os pioneiros da espiritualidade Queer se juntando em sociedades alternativas com o intuito de explorar suas conexões com o Divino. Os primeiros registros desses grupos datam da década de 70. Eu mesmo durante muito tempo de minha vida tive problemas em me relacionar com a figura do Deus Astado, já que eu era homem como ele mas não era heterossexual como expresso na maioria de suas iconografias e mitologias. Ao ter contato com o Paganismo Queer eu pude perceber que existiam outras formas de encarar a figura do Deus, que ele representa o masculino em sua totalidade e tudo o que está contido nesse arquétipo e que ele era, inclusive, a expressão da homossexualidade tão renegada pelos segmentos tradicionalistas da Arte.


O autor confunde o público misturando a história da luta pelos direitos civis da Comunidade LGBT, a história do Movimento Queer e a história do Paganismo Moderno. O autor comete um equívoco teológico, afinal, nós somos filh@s de ambos, do Deus e da Deusa, nós somos formados tanto do Feminino quanto do Masculino. O Paganismo Queer é uma invenção contemporânea resultante da mesclagem da Comunidade LGBT e da Comunidade Pagã.


Isso me possibilitou uma nova percepção de espiritualidade e uma cura com o Sagrado Masculino que, até então, não tinha ocorrido comigo ao usar as referências mais comuns disponíveis de relação com a figura do Deus. Como Diânico, me relacionar com o Deus de Chifres sempre foi muito difícil uma vez que minha Tradição é extremamente orientada para a Deusa. A forma do Deus apresentada pelo Paganismo Queer tornou esta relação muito mais fluida e fácil para mim. O que eu percebi ao longo de todo esse tempo é que, como eu, muitos praticantes gays do Paganismo moderno percebem as figuras heteronormativas da Deusa e do Deus como demasiadamente limitadoras. Por isso, muitas crenças e práticas Pagãs entre os Queers foram autoconstruídas e/ou ampliadas pelos membros deste movimento. Uma das mais surpreendentes é a celebração de um Deus patrono dos gays, o Deus Queer. Este Deus é chamado por muitos outros títulos: Deus Púrpura, Deus Azul, Aquele que Dança, Rei Flor, Deus Risonho. Em cada um dos seus muitos aspectos o Deus Queer assume um atributo diferenciado e acredita-se que sua energia só seja acessada quando ele é invocado pelos gays.


Como nós somos filh@s de ambos, nós podemos nos relacionarmos tanto com o Deus quanto com a Deusa, através de nossos componentes masculinos e femininos. O autor mesmo admite a dificuldade que tinha nessa teologia centrada na Deusa, omitindo o Deus e ele se declara diânico. O autor confunde conceitos sociais, como a heteronormatividade, com conceitos teológicos. A Wica Tradicional, por definição, tem presente em seus cultos a união sagrada [hierogamos] do Deus com a Deusa, mas isso não significa que não existam rituais que utilizem a homossexualidade.


Muitos praticantes tradicionalistas da Arte acham absurda a ideia da criação de novos Deuses, mas esta prática é fundamento de todas as mitologias do mundo. Os homens criaram seus Deuses ao longo da história de acordo com suas necessidades espirituais, emocionais e materiais, assim como criamos um ideal social ou político elaborado ou simples.


O ateu é quem diz que o Homem criou seus Deuses. Essa não é a prática das mitologias do mundo. Historicamente, o Homem divinizou seres humanos e Ptolomeu Sóter foi quem “inventou” um Deus, um empreendimento que foi desastroso, afinal, deu condições para o Cristianismo “inventar” seu Deus. Os mitos são baseados na observação da Natureza, os mitos justificam os rituais e o conjunto fornece ao Homem suas necessidades espirituais e materiais. Agendas pessoais, sociais e políticas não são justificativas para inventar um mito ou um Deus.


Um Deus somente para os Queers pode ser considerado uma criação mitológica moderna simbólica para expressar reafirmação espiritual e identidade. Levando em consideração o tratamento que os gays recebem diariamente por parte da sociedade, o Deus Queer se transformou em protetor, companheiro e confidente para muitos que se sentem excluídos da religião e sociedade em função de sua opção sexual. Ao contrário do que muitos pensam essa figura do Deus não promove o separatismo, mas a inclusão. Ele é o Deus que conduz o ser ao reconhecimento do Sagrado dentro de cada um de nós e a aceitação de que o que é "diferente" é bom, pois promove a diversidade, pluralidade e multiplicidade e por isso deve ser celebrado e honrado.


Essa criação é desnecessária. A mitologia é extensiva, abrange a realidade universal, portanto, o que não falta são mitologias com conteúdo homossexual, com pode ser lido no texto Mitologia Queer. Então o autor apenas está [ab]usando de sua criação unicamente para preencher suas necessidades e inseguranças.


Para os Pagãos gays, o Deus Queer é considerado o primeiro reflexo visto pela Deusa quando ela se mirava no espelho curvo e negro do Universo, fazendo amor consigo mesma para criar toda a vida. Ele é a própria imagem da Deusa refletida na luz do êxtase, no momento infinito da Criação. Tornou-se o seu primeiro amante e é a expressão do amor puro, a alegria ilimitada e a sexualidade em suas amplas manifestações. Ele representa não a heterossexualidade ou homossexualidade em si, mas a sexualidade como o abraço apaixonado do Divino, em cada um de nós e no Universo.


O autor confunde o público omitindo a fonte de seu delírio. Victor Anderson, que fundou a Tradição Fery, se apropriou do Deus do povo Yazidi, Melek T’Aus, para inventar o Dyan I Glass, algo que foi analisado e refutado.


Assim, quando nos ligamos a uma outra pessoa no êxtase do amor, seja numa relação homossexual ou heterossexual, abraçamos o Divino em nós mesmo, no outro e no Universo e nos ligamos ao momento infinito da Criação. Esta é a chave para começar a conexão com o Deus Queer. Sendo assim, Pagãos homossexuais ou bissexuais o consideram seu patrono, já que ele pode ser considerado masculino e feminino, amando e se relacionando com ambos. O Deus Queer é reconhecido em muitas Tradições de Bruxaria e em todas elas ele está relacionado ao Self Profundo, que é a corporificação do nosso Eu Divino, por onde emitimos e recebemos energia para trabalhar magia. Daí a grande importância da reafirmação de nossa sexualidade para a realização de atos mágicos. Então, para os gays, ele se torna uma figura poderosa não somente para a reafirmação de nossa espiritualidade, mas para o despertar de nosso verdadeiro propósito mágico, de nossa verdadeira magia.


Essa criação é desnecessária, afinal, existem mitos com temática homossexual e os ritos tem função e objetivos definidos. Esse “Deus Queer” não tem tal reconhecimento alegado. A operação de atos de magia, atos cerimoniais ou ritualísticos não servem para reafirmar a sexualidade, cada operação tem função e objetivos definidos e sustentados pela mitologia. Nenhum ato mágico, cerimonial, ritualístico ou sagrado irá solucionar essa insegurança em relação à sexualidade.


Iconograficamente, o Deus Queer é retratado muitas vezes como um ser andrógino jovem, com seios de mulher e pênis ereto. Em volta de seu pescoço encontra-se uma serpente e em seu cabelo uma pena de Pavão. O Pavão é o animal mais sagrado ao Deus Queer e para entendermos isso podemos recorrer a uma história da Tradição Sufi, o ramo esotérico do Islamismo que é muito diferente de sua facção ortodoxa, que conservou muito de suas crenças e filosofia primitiva centrada na Terra e em antigas crenças pagãs dos povos do deserto:


"Quando a Luz se manifestou e se viu refletida na vastidão do universo pela primeira vez, como um espelho, percebeu o seu Self como um pavão com a cauda aberta."


O autor omite, mas como eu disse anteriormente, o “Deus Queer” é chamado de Dyan I Glass e é uma apropriação ofensiva, ao povo Yazidi, à sua cultura, religião, senão ao próprio Melek T’Aus.


Sendo assim, os olhos da cauda do pavão são os brilhantes centros de concentração da Luz, simbolizando as virtudes espirituais irradiadas por Ela. O desdobramento da cauda do Pavão simboliza o desdobramento cósmico da Luz, seus muitos olhos, sua onipresença. Muitos dizem que a forma encontrada na cauda do Pavão não seria os olhos da divindade primordial e sim a própria

imagem do Big Bang no momento da Criação ou o retrato do próprio Universo. Podemos perceber assim a similaridade entre a história Sufi e o mito da Criação da Tradição Feri de Bruxaria, onde o Deus Queer, chamado nesta Tradição pelo nome de Deus Azul, é o primeiro reflexo da própria Deusa:


"... naquele grande movimento, Myria foi levada embora e enquanto Ela saía da Deusa, tornava-se mais masculina. Primeiro, Ela tornou-se o Deus Azul, o bondoso e risonho Deus do Amor."

O autor prossegue com essa teofagia sem sentido, sem respaldo, copiando e misturando os conceitos da Tradição Fery com as crenças do povo Yazidi.


Eu vejo em tudo isso algo muito mais profundo do que a visão simplista do separatismo, etiquetar um movimento ou o mundo com títulos e estereótipos, argumentos muitas vezes usados para acusar aqueles que lançam novas ideias e interpretações de um contexto ou conceito que precisa ser revisto pela sociedade.


Quando o autor se identifica como homossexual, ele utiliza de uma etiqueta, de um rótulo, de um estereótipo. Ao difundir seu delírio sem respaldo ele está estabelecendo uma separação. Quando se diz em novas ideias e interpretações de um contexto ou conceito, o autor está equivocadamente anulando suas próprias premissas. A análise de um contexto ou conteúdo não é o mesmo que distorcê-los para justificar uma fantasia.


Para mim, o Paganismo Queer dá um novo sentido à espiritualidade humana, ao passo que a homossexualidade que foi tão renegada pela humanidade por séculos assume um sentido espiritual, avança e passa a fazer parte da vida de todas as pessoas em seu dia a dia como uma expressão sexual perfeitamente normal e sagrada, quando antes era vista como uma doença que devia ser banida da sociedade. Para mim isso é a expressão clara da ressacralização do que verdadeiramente somos.


O autor ignora a existência da mitologia queer ou mesmo da prática, na Grécia Antiga, dos erostes e eromenos. O que se pode dizer é que, durante os dois mil anos da dominação do Crisntianismo [ou seus parentes das religiões abraâmicas], houve repressão e opressão da sexualidade humana, em todas suas formas de expressão. Como dito anteriormente, não há necessidade alguma em inventar um Deus, nem mitos, nem rituais. Tudo isso foi resgatado e está sendo utilizado por inúmeros grupos do Paganismo Moderno.


A religião precisa compreender e responder às necessidades, tanto dos indivíduos quanto das comunidades a quem ela serve no mundo moderno. Quando uma religião não consegue adaptar sua estrutura aos avanços naturais do tempo, perde sua autoridade e se estagna. Isto faz com que seus símbolos deixem de inspirar e fortalecer seus seguidores, negligenciando suas experiências e marginalizando sua identidade e valores. Uma religião que não dialoga com sua comunidade se torna nula e vazia. O que os Pagãos Queer fazem é dar uma resposta a esta perda de significado espiritual, recriando novas formas de contatar o Divino que falem às experiências atuais daqueles que sentem e percebem o Sagrado de forma diferenciada. Isto cria uma tradição espiritual de poder, ligada àquilo que um dia existiu mas com raízes no presente, com uma visão abrangente e abertura para as gerações do futuro.


Conceito completamente absurdo e equivocado.A função de uma religião é o de reconhecer e estabelecer uma conexão com o divino. Qualquer espiritualidade, crença ou religião que serve a propósitos pessoais perde todo seu sentido. O propósito de uma espiritualidade, crença ou religião consiste nesta conexão do humano com o divino, não com agendas pessoais ou políticas.


Os Pagãos Queer reconhecem que ser diferente não é motivo algum para vergonha, mas uma dádiva a ser celebrada, uma aceitação dos desafios e jornadas individuais de celebração ao Sagrado Masculino que existe no interior de homens que amam outros homens.


O que o autor busca é uma muleta para suas inseguranças referentes à sua sexualidade.


O homem gay também deve restaurar os poderes do Deus que reside dentro de si. Há muito temos sofrido com os preconceitos e represálias da sociedade, que provocou verdadeiros traumas e problemas de auto-aceitação e baixa auto-estima.


Essa proposta é desnecessária e equivocada.


O Paganismo precisa rever muitos de seus conceitos, devolvendo aos gays os ritos que celebram os seus Mistérios sagrados, o que inclui transformar os rituais em cerimônias menos heterossexistas e mais abrangentes, para que todos possam contemplar a beleza numa religião que celebra e respeita a diversidade.


O Paganismo Moderno não é uma entidade consciente. Os homossexuais tem diversas opções na Comunidade Pagã para vivenciar os mitos e ritos sagrados com tendência homossexual. O que não pode acontecer, como o autor parece insinuar, é a exclusão dos mitos e ritos sagrados com tendência heterossexual.


O Paganismo Queer não fala em limitar a espiritualidade pelo gênero ou pela preferência sexual. Fala em ampliar os horizontes, dando aos Pagãos ainda mais opções para enriquecer sua espiritualidade. Não estamos falando aqui em um Paganismo onde seja suprimida a presença da Deusa. Pelo contrário, estamos falando da apresentação de um Paganismo que apresente o Deus de uma maneira diferenciada, como Ele nunca foi apresentado em outros segmentos da Arte e que considere os arquétipos divinos homossexuais do Deus como sagrados também.


Ao postular esse “Deus Queer”, o autor está ressaltando que o gênero e a preferência sexual são os motivos para tal empreendimento e isso constitui uma limitaçõa desnecessária, como foi dito acima.


No Paganismo Queer, o Deus é considero um aspecto da Deusa. Seu poder vêm através Dela e só é possível conhecê-lo por intermédio Dela. Eu gosto muito do termo Queer para nomear esta nova forma de espiritualidade. Os precursores deste movimento deram o nome de Queer Paganism (Paganismo Queer) a este tipo de manifestação Pagã exatamente pelo sentido amplo da palavra:


"QUEER" - 1. ser fora do padrão, singular, diferente, o oposto de comum; 2. o contrário de hetero.


As opiniões e preferências do autor não servem como parâmetro para um argumento.


A palavra Queer dá margem para várias interpretações, mas ela jamais é usada de forma depreciativa, uma vez que significa simplesmente o oposto do comum. O Paganismo Queer pode ser transformador aos Pagãos gays, pois lhes auxilia a resgatar o verdadeiro significado de sua sexualidade e identidade.

Aquilo que é considerado “incomum” só pode ser asseverado em comparação ao que é considerado “comum”. Todas as expressões, opções, preferências e orientações sexuais são perfeitamente normais, naturais e saudáveis, essa distinção perde o sentido.


A cultura patriarcal apoiada no poder do Phallus talvez seja a maior responsável pelos traumas, tão freqüentes em nossa sociedade, que assolam homens e mulheres pois foi através da ênfase no poder masculino sobre o feminino, difundida há séculos, que nossa cultura desenvolveu seus preconceitos.


O autor esquece que o “Deus Queer” é andrógino, ou seja, tem características tanto femininas quanto masculinas, portanto, o falo é parte integrante desse Deus, portanto, não se pode aleijar esse Deus nem a espiritualidade do falo. A espiritualidade do falo não pod ser confundida com o patriarcado, o machismo, a misoginia ou outras condições estruturais de nossa sociedade.


Como um reflexo disso, qualquer inabilidade para usar o Phallus é vista até hoje pela sociedade e pelo próprio indivíduo como algo que coloca a masculinidade de um homem em questão.


A inabilidade em utilizar os órgãos sexuais na espiritualidade pertence às religiões majoritárias mas especificamente as religiões abraâmicas e, no ocidente, o Cristianismo. Eu vejo aqui uma contradição do autor, afinal, a habilidade de usar o falo remete a empoderar esse órgão sexual e ele mesmo afirmou que apoiar o poder do falo é responsável por traumas.


Como o poder do Phallus é apoiado na descendência, que confere uma forma de imortalidade e honra, as culturas começaram a desenvolver seus tabus sociais como por exemplo o repúdio à homossexualidade. O uso do Phallus não somente para a reprodução passou a ser percebido como debilidade e falta de caráter, já que poderia pôr em risco a continuidade da descendência e sua riqueza.


Incoerente, afinal deve-se cogitar o uso do falo em rituais homossexuais. A descendência independe de reprodução sexual, como, por exemplo, adoção. O autor esquece que sexualidade não tem qualquer relação com o caráter.


Este medo foi acentuado pelos sacerdotes das religiões patriarcais através da masculinização da divindade criadora tornando o Phallus, o sexo e todas as fontes de prazer na origem do pecado e maldição. Assim, passaram a usar este artifício para ganhar poder sobre os homens e controlá-los, pois se o que dá prazer torna-se um desejo incontrolável, porém é vergonhoso, transforma-se em uma ferramenta de controle social ao passo que precisa ser reprimido e proscrito. Cada paixão ou desejo espontâneo se tornou pecaminoso. Tudo o que era livre precisava ser destruído, incluindo os desejos sexuais homossexuais.


O autor comete diversas confusões históricas e conceituais. Primeiramente alguns povos adotaram a estrutura patriarcal, o que ensejou mudanças no governo e na religião. A religião monoteísta foi adotada como parte da estrutura social, por isso que a religião não deve estar vinculada a agendas sociais, políticas ou pessoais. Nós estamos sofrendo uma oressão e repressão sexual por conta da imposição doutrinária e dogmática do Crisntianismo, a religião majoritária da sociedade ocidental, ainda que se declare “estado laico”.


É hora de explorarmos a ressacralização da homossexualidade através do entendimento do seu mais sagrado Mistério: a Homotheosis. Este Mistério ensina que nossos medos e sombras de sermos quem verdadeiramente somos devem morrer, para que nosso espírito se torne sagrado e seja verdadeiramente livre e alcance a Totalidade.


Empenho desnecessário, considerando os inúmeros mitos homoeróticos e os grupos que realizam rituais com temática homossexual. Eu considero desnecessária a criação do termo “homotheosis”, pois quando estudamos teologia no Paganismo Moderno, nós temos os mitos e os ritos que abrangem todas as expressões da sexualidade humana.


O propósito de celebrar os Mistérios Masculinos da homossexualidade novamente é despertar o poder interior do homem gay, pondo-o em contato direto com o que ele teme ou se envergonha para que ele possa vencer suas limitações e resgatar seu orgulho, força e dignidade. Desta forma os gays não se sentirão mais sozinhos ou aterrorizados na jornada de seu autoconhecimento sobre o que verdadeiramente é ser homem. Descobrirão que se tornar um homem de verdade não está ligado a sua preferência sexual, virilidade ou fragilidade mas sim a sua maturidade emocional e espiritual. Tornar-se homem inclui vencer os limites, barreiras e tabus que o impedem de expressar-se como ele verdadeiramente é, sem máscaras.


Novamente, o autor insere as suas inseguranças em relação à sua sexualidade como motivo para seus argumentos. Nada disso é necessário, pelos motivos ditos em outros trechos.


O Paganismo Queer vai muito além de uma briga de sexos ou identidade sexual, como alguns podem alegar. Seu verdadeiro significado está em penetrar nos Mistérios do Deus, que também tem sua face gay, que ama e aceita TODOS os seus filhos como eles são e que conhece que a autêntica masculinidade não está centrada em seu Phallus, mas em seu coração. Se vamos conhecer isso através da Deusa ou do Deus Queer, não importa. O importante é obter esta transformação. Quando isso acontecer, seremos verdadeiramente livres!


Não obstante, ao insistir em motivos pessoais, em agendas pessoais, como motivos para o seu empreendimento, o autor ressalta que existe uma disputa. O Deus Queer tem ambas as sexualidades, então os seus mitsérios devem abranger tanto a heterossexualidade quanto a homossexualidade, o que acaba sendo uma contradição ao texto. O autor se contradiz ao primeiro colocar o falo como sendo necessário e agora coloca o coração como o verdadeiro centro. O foco central de qualquer caminha, espiritualidade, crença e religião está nos mitos, que justificam os mitos, todo o resto é fantasia, agendas pessoais, que não devem ser consideradas.