segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Consulte o CPF ideológico

https://www.brasil247.com/midia/flavio-bolsonaro-ataca-a-liberdade-de-expressao-busca-impor-a-censura-no-brasil-e-tenta-derrubar-postagem-de-lais-gouveia-editora-do-247-nas-redes-sociais/

Típico. Quando é do lado de lá, é "legítima liberdade de expressão", mesmo se for fake news.

Mas quando é do lado de cá... censura.

Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


# A liberdade de expressão tem lado? Consulte seu CPF ideológico!

No Brasil, a liberdade de expressão é um negócio curioso. Ela não funciona exatamente como um direito constitucional, desses que deveriam valer para todo mundo. Funciona mais como um clube exclusivo, com carteirinha ideológica, reconhecimento facial e um porteiro encarregado de verificar quem está autorizado a falar besteira.

Se for do nosso lado, é liberdade de expressão. Se for do lado adversário, é ameaça à democracia, disseminação de mentiras, atentado contra a família, a pátria, os bons costumes e, dependendo do caso, contra a própria existência da civilização ocidental.

Agora, se alguém ousar criticar o nosso candidato, aí a conversa muda de figura. De repente, descobrimos que existem advogados, tribunais, pedidos de remoção, denúncias e uma infinidade de instrumentos jurídicos que, curiosamente, nunca parecem tão interessantes quando a vítima da vez é alguém do nosso campo político.

É o que me vem à cabeça diante da notícia de que a campanha de Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral para contestar publicações de jornalistas e veículos de comunicação, entre eles uma postagem de Laís Gouveia, editora do Brasil 247. A iniciativa inclui pedidos de retirada de conteúdos e outras restrições à circulação de publicações nas redes sociais. A controvérsia envolve uma crítica às declarações do candidato sobre mudanças na Constituição. <escape> </escape>

E aqui começa a parte divertida — se não fosse preocupante.

**Quando a direita espalha uma informação duvidosa, é preciso preservar a liberdade de expressão. Quando alguém da esquerda questiona a direita, precisamos proteger a democracia contra a desinformação.**

Quando um influenciador conservador publica uma acusação sem apresentar provas suficientes, logo aparece alguém para explicar que o sujeito está apenas exercendo seu direito de opinião. Afinal, vivemos numa democracia, e todo mundo tem direito de falar o que pensa.

Mas, quando uma jornalista interpreta uma declaração política e questiona suas possíveis consequências, aparentemente estamos diante de um perigo institucional tão grande que se torna necessário convocar a Justiça Eleitoral.

Pelo visto, a democracia brasileira precisa de um sistema de classificação de opiniões: as opiniões amigas recebem selo de autenticidade patriótica; as opiniões inimigas são encaminhadas para perícia, sindicância e eventual remoção.

É quase um serviço de atendimento ao consumidor ideológico:

— Alô, gostaria de denunciar uma crítica ao meu candidato.

— O senhor tem certeza de que se trata de uma crítica?

— Absoluta. Estão questionando as declarações dele.

— Entendi. O senhor deseja solicitar a remoção, o monitoramento ou o pacote completo de restrições?

— O pacote completo, por favor. E, se possível, com entrega antes das eleições.

— Perfeitamente. Agradecemos por escolher a Democracia Sob Medida. Sua liberdade de expressão é muito importante para nós, desde que não seja utilizada contra a nossa clientela.

Claro que existe uma diferença fundamental entre defender a liberdade de expressão e defender o direito de divulgar qualquer falsidade sem consequências. Liberdade não transforma mentira em verdade, assim como uma opinião política não torna automaticamente verdadeira uma acusação.

Mas é justamente por isso que o debate exige critérios claros, provas e proporcionalidade. Combater a desinformação é legítimo. Usar esse combate para tentar restringir críticas políticas incômodas é outra história.

E há uma pergunta que deveria ser obrigatória para qualquer político que invoque a liberdade de expressão: **você defenderia esse mesmo direito se a publicação estivesse criticando você?**

Porque defender a liberdade de expressão dos aliados é fácil. Até quem tem tendências autoritárias consegue fazer isso sem sentir qualquer desconforto. O teste verdadeiro começa quando alguém publica uma crítica que nos irrita, questiona nossas convicções ou ameaça nossos interesses eleitorais.

É nesse momento que descobrimos se defendemos um princípio ou apenas uma conveniência.

E o problema não se limita a Flávio Bolsonaro. A incoerência é uma doença política bastante democrática: contamina a direita, a esquerda, o centro e qualquer agrupamento que comece a acreditar que suas boas intenções lhe dão o direito de decidir quais vozes merecem ser ouvidas.

Por isso, não basta denunciar a censura quando ela atinge os nossos. É preciso condená-la também quando atinge os adversários. E não basta exigir responsabilidade dos adversários pela divulgação de informações falsas: nossos aliados precisam prestar contas igualmente.

Caso contrário, não estamos defendendo a liberdade de expressão. Estamos apenas disputando o controle do microfone.

No fundo, a lógica é bastante simples: **se a liberdade só vale quando favorece o meu lado, não é liberdade. É privilégio político com embalagem constitucional.**

E talvez seja esse o grande mistério da política brasileira: tantos candidatos prometem defender a democracia, mas alguns parecem imaginar que ela funciona como uma propriedade particular, com escritura registrada em cartório e cláusula proibindo a oposição de fazer barulho.

A democracia, porém, não é um grupo de WhatsApp administrado pelo candidato. Não existe botão de expulsar para quem discorda, nem autorização constitucional para silenciar críticos porque a publicação incomodou a campanha.

E, se a regra for que cada político possa recorrer à Justiça sempre que uma crítica lhe parecer ofensiva, descontextualizada ou eleitoralmente inconveniente, preparemo-nos: em breve, teremos mais advogados do que eleitores e mais pedidos de remoção do que propostas de governo.

No final, a liberdade de expressão corre o risco de virar uma espécie de serviço de streaming político: cada grupo assina o plano que permite ouvir apenas aquilo de que gosta.

Só que democracia não é Netflix ideológica. Não podemos cancelar a realidade, bloquear a oposição e escolher um algoritmo que só recomende elogios ao nosso candidato.

**Liberdade de expressão não é o direito de falar sem ser contestado. É também o direito de ser contestado sem que toda crítica se transforme numa batalha judicial para calar quem discorda.**

E fica a sugestão: antes de fazer um discurso inflamado sobre censura, qualquer político deveria passar por um teste simples. Que tal publicar uma crítica contundente a si mesmo e verificar se consegue conviver com ela sem correr para pedir sua retirada?

Se conseguir, talvez esteja começando a compreender a democracia.

Se não conseguir, recomendo que troque o discurso sobre liberdade de expressão por uma placa na porta do comitê:

**“Liberdade de expressão: aberta ao público, sujeita à aprovação do candidato.”**

Criado com ChatGPT.

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