Inscriptorum Hereticae
Jornal de um pagão brasileiro
sábado, 4 de julho de 2026
Cantos do Infame Herege
Demogonia IX
sexta-feira, 3 de julho de 2026
Kemet é passado II
Bastet solta palavras profanas antigas, só conhecidas por cortesãs e hieródulas. Uma Deusa está reduzida a uma gelatina de carne, sentindo as ondas do prazer. Ela percebe que eu estou em cima, pronto para entrar nos mistérios mais profundos.
O choque de realidade atinge a mente divina de Bastet no mesmo instante em que ela sente o peso do seu corpo sobre o dela, a tensão inequívoca de um mortal pronto para romper a última barreira e entrar fisicamente nos mistérios mais profundos de sua carne.
As palavras profanas que ecoavam de sua boca cessam abruptamente, substituídas por um arquejo agudo. Por uma fração de segundo, os instintos mais antigos da filha de Rá entram em colisão. Entregar-se completamente ali significaria fundir o divino ao mortal de uma forma que a Terra não vê desde que as dinastias de Kemet eram jovens — e, como Anúbis bem lembrou, a fusão literal de Deuses e homens gera forças ctônicas, semideuses e tragédias que o tecido do mundo atual mal conseguiria suportar. Além disso, há a marca de Lilith ali; cruzar esse limiar final seria selar um pacto de sangue e carne que mudaria o destino do escritor para sempre.
Mas Bastet é a Senhora do Deleite, não da contenção. Ela não vai fugir, mas vai ditar as regras do templo.
Com a rapidez e a flexibilidade sobrenatural que só os felinos possuem, ela não recua; em vez disso, ela se move para cima. Em um piscar de olhos, as posições se invertem. Suas mãos de ébano pressionam seus ombros contra a cama com uma força que deixa claro que, mesmo em êxtase, ela continua sendo uma força cósmica.
Ela senta-se sobre o seu quadril, prendendo suas pernas com as dela. O corpo dela ainda treme, a pele negra brilhando de suor e a umidade sagrada escorrendo, mas seus olhos dourados agora estão fixos nos seus com uma lucidez perigosa e felina.
— "Você é audacioso, meu herético," ela ronrona, a voz arrastada, o peito subindo e descendo violentamente enquanto ela olha para a sua urgência rígida. "Quer fundir sua carne à minha de forma definitiva? Quer gerar um mito nascido na calada da noite paulista? Os riscos quebrariam a balança de meu irmão.”
Um sorriso lento e predatório desenha-se em seus lábios. Ela desliza uma das mãos pelo seu abdômen até envolver o seu membro endurecido com uma firmeza avassaladora. Suas garras se estendem apenas um milímetro — o suficiente para que você sinta o frio do metal divino contra a pele quente, um aviso sutil de quem está no controle.
— "Mas eu sou a Deusa das mil alternativas. O prazer não precisa de caminhos convencionais para ser absoluto.”
Ela inclina o corpo para frente, roçando os seios fartos e suados contra o seu rosto, enquanto sua mão começa um movimento ritmado, rápido e implacável na sua base, perfeitamente sincronizado com o rebolar lento de seu quadril sobre o seu ventre. A fricção da pele dela, quente e úmida do próprio orgasmo recente, cria uma onda de calor que ameaça fazer você perder os sentidos.
— "Deixe-me guiar a sua pequena morte," ela sussurra no seu ouvido, a cauda chicoteando a cama em transe. "Entregue o seu sêmen e o seu fogo à Senhora da Noite, mas do meu jeito. Deixe que eu extraia a sua essência como uma oferenda viva.”
Heresia, pode dizer. Pode me mandar prender e me queimar na estaca. Aqui não existe Igreja, doutrina ou dogma.
- “Não tem risco se eu usar a outra entrada…”
Diz a Senhora do Deleite, enquanto usa - digamos - a porta dos fundos para me conduzir aos seus mistérios mais profundos.
O ar do santuário paulista parece estalar com uma voltagem puramente mística. O riso que escapa de Bastet é um som escuro, gutural e carregado de uma volúpia que desafia qualquer tentativa humana de categorização. Diante da sua declaração de heresia absoluta, onde o dogma e o pecado se dissolvem na fumaça de um culto sem amarras, ela aceita o desafio.
— "Heresia? Não para mim, meu escritor," ela sussurra, os olhos dourados brilhando com uma malícia cósmica. "Eu sou a soberana dos espaços libertos. Se não há Igreja para nos julgar, então nós somos o próprio altar."
Com a flexibilidade mítica que só a Senhora do Deleite possui, ela altera o ângulo do próprio corpo sobre o seu quadril. Ela não recua. Em vez disso, ela se inclina para a frente, apoiando as mãos de ébano ao lado da sua cabeça, os seios fartos e suados roçando o seu peito enquanto ela dita o novo rumo do ritual.
A "porta dos fundos" a que ela se refere não é apenas um caminho físico; na anatomia dos imortais, é o limiar mais secreto, uma entrada protegida pelo fogo da noite, onde os riscos da criação biológica não existem, mas onde a intensidade do prazer é multiplicada pelo absoluto tabu.
Quando ela se alinha e, com um movimento lento, firme e implacável, permite que você rompa essa barreira mais profunda, o quarto parece mergulhar em um silêncio absoluto. Bastet solta um som que é metade miado, metade arquejo de dor e êxtase misturados. As garras dela se cravam de leve no colchão, os músculos de suas coxas e glúteos se contraindo ao redor de você com uma pressão avassaladora, quente e incrivelmente justa.
— "Ah... por Tefnut..." ela pragueja em um sussurro tenso, a cabeça caindo para trás, expondo a linha do pescoço negro enquanto o corpo dela se molda à sua invasão. "Isso... isso é o verdadeiro mistério da carne..."
Ela começa a se mover, um ritmo lento, predatório e circular, usando a própria anatomia divina para espremer e sugar cada milímetro do seu desejo. O calor ali dentro é proibido, seco no início, mas rapidamente lubrificado pelo calor elétrico que emana da própria Deusa. Cada estocada sua ecoa na espinha dela como um hino profano, arrastando a filha de Rá de volta ao ápice, provando que o herético paulista encontrou o caminho definitivo para fazer o divino se ajoelhar diante do prazer mortal.
A sensação do clímax é igual a da criação de uma galáxia. Bastet nunca esteve tão recheada assim antes.
O espaço e o tempo dentro daquele santuário colapsam no exato instante em que o limite da resistência humana é atingido. Não há mais Washington, não há pirâmides, não há o peso do mundo lá fora — apenas o epicentro de um Big Bang de carne e espírito.
Quando o seu clímax se liberta dentro dos mistérios mais profundos e proibidos de Bastet, a sensação não é apenas de um espasmo mortal, mas de uma autêntica deflagração cósmica. O sêmen quente e a energia vital do escritor herético inundam a "porta dos fundos" da Deusa, recheando-a com uma intensidade tão avassaladora que a filha de Rá arqueia o corpo inteiro em uma linha perfeitamente tensa, as garras cravando-se profundamente no colchão.
— "Ahhhhh!...”
O grito que escapa dela é um som primitivo, um miado longo e rouco que ecoa pelas dimensões. Suas pupilas dilatam-se tanto que o dourado de seus olhos quase desaparece na escuridão do êxtase. Os músculos internos dela contraem-se em ondas implacáveis, sugando e prendendo cada gota da sua oferenda, como se o corpo divino de ébano estivesse digerindo a própria essência da sua criatividade.
Por vários minutos após o espasmo final, o quarto permanece imerso em um calor denso e silencioso. Bastet desaba lentamente sobre o seu peito, o corpo pesado, suado e completamente relaxado, como uma gelatina de carne divina impregnada pelo seu rastro. A cauda dela dá pequenos espasmos involuntários contra os seus lençóis.
Ela vira o rosto de lado, encostando a bochecha peluda e macia no seu pescoço, respirando de forma arquejada. Um ronrono baixo, grave e exausto começa a vibrar no peito dela, ecoando direto na sua alma.
— "Nunca..." ela sussurra, a voz arrastada, misturando-se ao cheiro residual de mirra, sexo e o magnetismo de Lilith que ainda paira no ar. "Nunca na eternidade... um mortal ousou me preencher com tanto fogo. Você reescreveu o meu culto, escritor.”
Bastet ronrona, plenamente satisfeita. O coitado (?) do escritor herege fica pasmo que conseguiu sobreviver. Enquanto o escritor fica pensando como falar sobre isso com a Lilith, Bastet fica planejando desafiar o vaticínio de Anúbis, deixando seu ventre experimentar esse prazer.
O silêncio que se instala no santuário paulista é denso, quase palpável, quebrado apenas pelo ronronar profundo e rítmico que emana do peito de Bastet. É o som da satisfação absoluta de uma predadora cósmica.
Você, o escritor herético, jaz ali, com o peito subindo e descendo, uma mistura de exaustão e puro espanto estatelada no rosto. Sobreviver ao toque físico e ao êxtase de uma Deusa egípcia não é um feito para qualquer mortal; a maioria teria o coração parado pelo excesso de voltagem mística.
Bastet apoia o queixo humanóide no seu peito, fitando-o com aqueles olhos dourados que agora recuperaram a fresta felina da inteligência e da malícia.
A mente da Deusa, no entanto, já não está mais no quarto, nem mesmo na pirâmide que flutua sobre o obelisco de Washington. As palavras profanas e a audácia daquela invasão herética abriram portas que ela julgava trancadas pelos milênios. O prazer proibido da "porta dos fundos" foi um banquete, mas a natureza de Bastet é a da fertilidade, da expansão e do desafio.
Ela passa a ponta dos dedos de ébano pelo próprio ventre, sentindo o calor residual que subiu da espinha. O vaticínio de Anúbis sobre os riscos de misturar o sangue divino com a carne mortal ecoa na mente dela, mas a proibição, para Bastet, sempre foi o melhor convite. Ela começa a arquitetar, em seu silêncio felino, como seria subverter completamente as regras do Duat e permitir que aquela semente de heresia tocasse o Santo dos Santos original.
— "Você pensa demais no amanhã, herético," ela sussurra, a voz macia como veludo, notando a sua inquietação. "Deixe que meus irmãos lidem com os governantes. Mas quanto a mim... você me deu um gosto do que os mortais chamam de criação. E eu sou uma Deusa muito gananciosa para parar na metade do caminho.”
No dia seguinte, eu, o pobre escritor herege que está digitando essas palavras, acordei todo dolorido, mordido e arranhado.
Bastet? Voltou para a pirâmide. Anúbis a olha com olhos pesados e censores. Inveja e ciúmes.
- “Irmã…você realmente se deitou com um mortal e…usou outra parte de seu divino corpo por…prazer?”
- “Irmão…nós não falamos nada sobre Osíris (Asur) estar casado e ter relações sexuais com Ísis (Aset). Não deveria ser problema Deuses e humanos terem intimidades.”
Depois de muito treino e regras básicas de diplomacia, o laranjão (Trump) está pronto para dialogar com os Deuses. Ptah se adianta, mas não sai sem deixar uma recomendação.
(Ptah)- “Irmã, os humanos produzem uma película muito útil para prevenir acidentes advindos da relação sexual.”
O santuário paulista amanhece com o cheiro de mirra quase evaporado, mas as marcas na pele do escritor são testemunhas anatômicas irrefutáveis da noite de heresia. Enquanto você junta os pedaços do próprio corpo e tenta disfarçar os arranhões, o cenário em Washington ganha contornos de uma comédia cósmica de alta voltagem diplomática.
Anúbis continua com o focinho retorcido, a aura cinzenta de censor do além-vida pesando o ambiente. A justificativa de Bastet sobre Osíris e Ísis só faz as orelhas do chacal murcharem ainda mais. Para ele, a ordem cósmica ($Maat$) está sendo seriamente ameaçada por causa de um rebolado na América do Sul.É nesse clima de DR divina que Ptah, o arquiteto do universo, o mestre das formas e da matéria, interfere com a precisão cirúrgica de quem entende de engenharia e... contenção de danos.
O aviso sobre a "película útil" (a boa e velha camisinha humana) deixa claro que até os Deuses criadores respeitam a tecnologia de barreira dos mortais quando o assunto é o ventre de Bastet.
Lá fora, o "laranjão" avança com um topete impecavelmente fixado por laquê institucional, cercado por generais engomados e assessores que rezam para todos os santos (inclusive os que acabaram de estacionar no céu). Ele pigarreia, ajeita a gravata vermelha e se prepara para o maior briefing de sua vida.
Ptah dá um passo à frente, os olhos brilhando com a sabedoria da geometria sagrada, pronto para colocar o líder do império extremista em seu devido lugar — ou para rir da total falta de simetria do homem.
Ptah dá uma de egípcia (péssima piada) e ignora o bronzeado artificial do chefe de Estado dos EUA. Ou a presilha de gravata de mal gosto, uma cruz. Discretamente rola os olhos quando nota que esse governante carrega um exemplar do Corão.
- “Saudações, presidente Trump. Eu sou Ptah, o Deus dos artesãos, arquitetos e engenheiros. Por Rá e Amon, eu vim pela Ogdoade deliberar nossas exigências.”
Ptah mantém a postura ereta e a dignidade inabalável de quem moldou o próprio universo com o pensamento e a palavra, recusando-se a se rebaixar ao espetáculo midiático que se desenrola no gramado da Casa Branca. A presença do Corão nas mãos de um líder conhecido por sua retórica nacionalista e anti-imigração é a personificação perfeita da confusão mental que Anúbis havia apontado: uma colcha de retalhos de símbolos usados apenas como ferramentas de poder e encenação.
O presidente pisca os olhos, claramente desconfortável com a imponência da divindade que não se curva ao seu habitual jogo de dominação de apertos de mão. Os canhões das emissoras de TV do mundo inteiro estão focados no rosto de Ptah, cujas palavras ecoam com a clareza de um cinzel cortando o granito.
— "Saudações, presidente Trump. Eu sou Ptah, o Deus dos artesãos, arquitetos e engenheiros. Por Rá e Amon, eu vim pela Ogdoade deliberar nossas exigências.”
O silêncio que se segue é absoluto. O líder americano olha para o objeto em suas mãos, depois para o obelisco ao lado e, finalmente, para o Deus à sua frente, tentando processar que não está lidando com "astronautas", mas com os donos legítimos da fundação do mundo.
Enquanto isso, no seu santuário em São Paulo, as marcas nas suas costas continuam a arder, um lembrete físico de que o destino dos impérios está sendo decidido lá cima, mas a verdadeira subversão aconteceu na sua cama.
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