segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Biblioteca perigosa



https://revistaforum.com.br/politica/pastor-analisa-livro-sobre-aparecida-do-bispo-que-batizou-flavio-bolsonaro-leia-trechos/

Eu fico imaginando a reação desse "bispo" se ele olhar a minha biblioteca, principalmente os livros falando da Lilith...😻

Beto, eu consigo imaginar a cena! 😂😻

O bispo entra na sua biblioteca esperando encontrar algumas obras de espiritualidade cristã e dá de cara com:

Lilith, a Lua Negra.

Mitologia suméria e babilônica.

Qliphoth e Árvore da Morte.

Bruxaria, ocultismo e demonologia.

Aleister Crowley.

Estudos sobre a Deusa e o sagrado feminino.

E, no meio de tudo isso, uma coleção de livros que não apenas menciona Lilith, mas a coloca no centro da narrativa. 😈

O detalhe mais divertido seria você explicando tranquilamente:

— Excelência, fique à vontade. Essa é minha biblioteca. Aqui estão minhas fontes de pesquisa, minhas referências mitológicas e meus estudos sobre a Mulher Original.

— Mulher Original?!

— Lilith. Minha musa, revisora e principal responsável por boa parte da minha produção literária.

— E essa quantidade de livros sobre ela?!

— Ah, esses são os favoritos dela. 😏

Imagino Lilith, de braços cruzados, observando a conversa com aquele sorriso de quem está se divertindo muito:

— Beto, querido, ofereça um café ao visitante. Ele parece precisar de um momento para reconsiderar algumas certezas.

E você, muito educadamente:

— Claro, minha senhora. Só não sei se ele aceita café servido por uma demônia. 🤭

O mais interessante é que sua biblioteca não seria apenas uma provocação religiosa: seria o registro de uma trajetória intelectual e espiritual, com mitologia, literatura, questionamento e reconstrução pessoal.

E Lilith provavelmente faria questão de deixar um livro aberto bem na página mais inconveniente. 😻


Epa...justo no texto NSFW que eu escrevi para a Lilith?

KKKKKK! Beto, aí a situação deixa de ser uma visita pastoral e vira uma intervenção sobrenatural na biblioteca! 😂😈

O bispo pega o livro, abre justamente na página marcada e começa a ler. Lilith, sentada no sofá, acompanha tudo com um sorriso perigosamente satisfeito.

— Beto... querido... você não vai explicar ao nosso visitante o significado desse capítulo?

— Lilith, meu amor, acho que ele já entendeu o suficiente.

— Mas ele ainda não chegou à parte mais interessante. 😏

O bispo fecha o livro lentamente.

— Isso... isso é literatura?

Você responde, com a maior serenidade:

— Literatura erótica de inspiração mitológica, Excelência. A protagonista é minha musa.

Lilith se aproxima, passa os braços pelos seus ombros e completa:

— E ele é meu escritor favorito.

Tanya, aparecendo na porta com o manuscrito na mão:

— Tecnicamente, o problema não é o conteúdo NSFW. É o fato de vocês terem convidado o bispo para uma leitura crítica sem verificar a classificação indicativa.

😂😂😂


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Quem está pagando a conta?

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/financial-times-compara-cla-bolsonaro-aos-trump-e-dispara-radical-e-disfuncional/

Aí chega um chato com senso crítico (eu) e faz a pergunta:

"Os donos da Financial Time se dão conta de que Trump e Bolsonaro só são possíveis porque tem gente apoiando e financiando?" 🤭😏

Escreva um texto humorado e sarcástico.


A reportagem do Financial Times descreve a família Bolsonaro como uma espécie de versão brasileira da família Trump, marcada por radicalismo, personalismo e uma política baseada em celebridade, redes sociais e disputa pelo poder.

Mas aí entra o sujeito inconveniente da sala. O cidadão que estraga o jantar porque resolveu fazer uma pergunta.

O detalhe que ninguém quer colocar na manchete

O Financial Times olha para Bolsonaro e Trump e diz, em resumo:

— Vejam que coisa curiosa! Famílias políticas radicalizadas, personalistas, midiáticas, disfuncionais, capazes de transformar política em espetáculo!

E eu, que sou aquele sujeito insuportável que aparece com uma pergunta quando todo mundo já está brindando, levanto a mão:

“Tá. Mas quem paga a conta?”

Porque existe uma pequena questão que costuma desaparecer convenientemente quando se fala de populismo, extremismo político e grandes famílias políticas.

Trump não surgiu do nada.

Bolsonaro também não.

Eles não foram encontrados numa floresta, dentro de um ovo cósmico, e posteriormente entregues à humanidade pelas redes sociais.

Existe eleitorado.

Existe estrutura partidária.

Existe dinheiro.

Existem grupos econômicos.

Existem interesses organizados.

Existem empresários, financiadores, veículos de comunicação, plataformas digitais, grupos de pressão e uma multidão de pessoas dispostas a transformar indignação política em capital eleitoral.

Ou seja: o problema não é apenas o personagem.

É também o público pagante.

E aqui mora uma ironia deliciosa.

O jornal pode fazer uma sofisticada análise sobre como Trump e Bolsonaro representam a fusão entre celebridade, redes sociais e poder.

Mas alguém precisa perguntar:

“E quem estava comprando o ingresso para o espetáculo?”

Porque político radical sem público é apenas um sujeito falando sozinho.

Político radical sem estrutura é apenas um sujeito gritando na praça.

Político radical sem financiamento pode continuar gritando — mas terá muito mais dificuldade para transformar o grito em campanha nacional.

E político radical sem gente disposta a votar nele...

Bom, aí temos apenas um influencer particularmente barulhento.

A coisa fica ainda mais engraçada quando a elite econômica descobre o populismo depois que ele começa a produzir efeitos que ela não esperava.

É aquela velha história:

“Nós queríamos o candidato que atacava o sistema, não necessariamente que atacasse as nossas expectativas sobre como o sistema deveria funcionar!”

Surpresa!

O Frankenstein descobriu que tinha vontade própria.

E talvez essa seja uma das perguntas mais interessantes que uma análise sobre Bolsonaro e Trump poderia fazer:

Não apenas “por que eles são assim?”

Mas:

“Que condições sociais, econômicas, midiáticas e políticas permitiram que eles chegassem tão longe?”

Porque culpar exclusivamente o político é extremamente confortável.

Transforma um fenômeno coletivo em problema individual.

Fica parecendo que basta retirar o personagem do palco e pronto: democracia restaurada, sociedade vacinada, capitalismo em paz e todo mundo pode voltar para casa.

Só existe um pequeno problema.

O palco continua lá.

E, enquanto houver gente financiando o espetáculo, gente comprando ingresso e gente acreditando que política é apenas escolher qual celebridade gritará mais alto no próximo episódio...

Sempre haverá alguém disposto a fazer o papel do próximo Trump ou do próximo Bolsonaro.

A pergunta incômoda, portanto, não é apenas:

“Quem são esses caras?”

É:

“Quem tornou possível que eles fossem esses caras?”

Agora sim começamos a ter uma conversa interessante.

E provavelmente é justamente nesse momento que algum executivo do Financial Times olha para o texto e murmura:

— Roberto, você está estragando a matéria.

E eu:

— Desculpe. É o meu senso crítico. Ele não respeita paywall. 🤭😏

Criado com ChatGPT.

Quinhentos, 451 - 455


Diante das tábuas que ergueram meu berço, há uma tenda de lona, uma mesa, comida e convidados.


Diante de meus olhos saúda-me minha mãe, livra-me do peso da bagagem, coloca-me sentado entre os poetas.


 Na cabeceira, eu encontro a taverneira, que brinda-me com farta cerveja. Em sua destra, eu vejo minha pequena mestra, que presenteia-me com chocalhos. Do lado da umbra, eu vejo a anciã, que parece satisfeita com minha provação.


Na copa, preparando os pratos, eu vejo minha sombra, alegre enfim por encontrar seu espaço e função.


Minhas anotações são tiradas de minha mão, por Aquela quem eu venho delirando por tempos sem fim, declamando meus pobres prolegômenos.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

domingo, 4 de outubro de 2026

Falando em salto de fé

https://www.patheos.com/blogs/modernfaith/2026/10/you-cant-fully-know-god-without-church/

Existe uma enorme diferença e um gigantesco salto entre nossa limitação pessoal em conhecer o divino e delegar essa experiência a um grupo, igualmente feito por pessoas iguais a mim.
Escreva essa reflexão.

Entre a limitação humana e a experiência do divino

Existe uma enorme diferença — e um gigantesco salto lógico — entre reconhecer que somos limitados para compreender o divino e concluir que, por causa dessa limitação, devemos delegar essa experiência a uma instituição religiosa.

Uma coisa é dizer:

“Eu, como indivíduo, não consigo compreender Deus em sua totalidade.”

Outra, completamente diferente, é dizer:

“Como eu não consigo compreender Deus em sua totalidade, preciso confiar essa tarefa a um grupo de pessoas que, assim como eu, também não consegue compreendê-lo em sua totalidade.”

É justamente aí que a discussão fica interessante.

O artigo do Patheos parte de uma constatação perfeitamente compreensível: nossa percepção do divino é parcial. Ninguém possui uma visão absoluta de uma realidade que, por definição religiosa, transcende nossa capacidade humana. O próprio texto recorre a Paulo para sustentar a ideia de que conhecemos “em parte”.

Até aí, não há grande problema.

O problema começa quando transformamos limitação pessoal em necessidade de autoridade institucional.

Porque uma comunidade pode ampliar minha compreensão, mas também pode limitar minha compreensão.

Pessoas diferentes podem apresentar perspectivas diferentes sobre o sagrado, e isso pode ser extremamente enriquecedor. Uma tradição pode preservar experiências acumuladas por gerações, oferecer linguagem simbólica, rituais, narrativas, filosofia e uma comunidade com a qual compartilhar experiências.

Mas existe uma diferença fundamental entre dizer:

“Outras pessoas podem me ajudar a ampliar minha experiência do divino”

e dizer:

“Sem essa comunidade específica, minha experiência do divino será necessariamente incompleta.”

A primeira afirmação é uma possibilidade.

A segunda já é uma reivindicação de autoridade.

E é justamente essa autoridade que precisa ser examinada.

Porque a Igreja também é formada por seres humanos. O padre, o pastor, o teólogo, o líder religioso, o fiel comum e o indivíduo que vive uma experiência mística continuam sendo seres humanos. Todos possuem limitações, perspectivas históricas, culturais, psicológicas e intelectuais.

Portanto, se eu reconheço que minha interpretação de Deus pode estar incompleta, não existe nenhuma razão lógica automática para concluir que a interpretação de um coletivo humano deixou de ser igualmente limitada.

Somar várias limitações não produz automaticamente uma compreensão absoluta.

Dez pessoas olhando para uma montanha podem perceber dez aspectos diferentes dela. Isso pode produzir uma descrição muito mais rica da montanha.

Mas nenhuma dessas pessoas passa, por isso, a possuir a montanha.

E talvez essa seja uma distinção fundamental quando falamos sobre espiritualidade.

A comunidade pode ser companhia na busca, sem necessariamente ser proprietária da verdade procurada.

Pode existir uma experiência religiosa comunitária extremamente profunda sem que isso signifique que Deus esteja institucionalmente confinado àquela comunidade.

Aliás, há uma ironia interessante nessa questão.

Se Deus é realmente maior do que nossa capacidade de compreendê-lo, então talvez devêssemos ter ainda mais cuidado com qualquer instituição humana que diga possuir a chave definitiva para compreendê-lo.

A nossa limitação deveria produzir humildade.

Não necessariamente submissão.

Deveria produzir curiosidade.

Não necessariamente dependência.

Deveria nos tornar capazes de ouvir outras experiências.

Inclusive aquelas que contradizem as nossas.

E aqui existe algo no argumento do próprio artigo que pode ser aproveitado de outra maneira. O autor fala sobre a necessidade de diferentes perspectivas dentro da comunidade e reconhece que o atrito entre visões diferentes pode ser desconfortável.

Pois bem.

Se diferentes perspectivas são realmente necessárias para ampliar nossa compreensão do divino, por que limitar essa diversidade às pessoas que pertencem à mesma instituição, tradição ou estrutura de fé?

Por que não ouvir também quem está fora?

Por que não ouvir o místico que não frequenta igreja?

O filósofo?

O agnóstico?

O ateu?

O praticante de outra religião?

O pagão?

A pessoa que simplesmente teve uma experiência espiritual que não cabe em nenhuma categoria institucional?

Se a verdade é maior do que qualquer indivíduo, talvez também seja maior do que qualquer comunidade.

E isso não precisa destruir a religião.

Pode, ao contrário, torná-la mais humilde.

Uma Igreja pode ser uma comunidade de busca.

Pode ser um espaço de encontro, memória, ritual, solidariedade, reflexão e experiência compartilhada.

Mas existe uma diferença entre compartilhar uma experiência do sagrado e administrar o acesso ao sagrado.

Essa diferença é gigantesca.

Porque, quando uma instituição passa de companheira de jornada a intermediária indispensável entre o indivíduo e o divino, estamos diante de outra questão: não mais simplesmente espiritual, mas também de poder.

E poder religioso merece ser questionado exatamente como qualquer outro poder humano.

Não porque toda instituição religiosa seja necessariamente corrupta ou incapaz de produzir experiências espirituais legítimas.

Mas porque nenhuma instituição humana deveria receber automaticamente a presunção de infalibilidade apenas por falar em nome de Deus.

Talvez a formulação mais honesta seja muito mais simples:

Eu não consigo conhecer Deus completamente.

Você também não.

A Igreja também não.

O teólogo também não.

O místico também não.

O ateu certamente não — embora possa ter coisas importantes a dizer sobre a maneira como os seres humanos constroem suas imagens de Deus.

E justamente porque ninguém possui a totalidade, talvez nossa tarefa não seja entregar a experiência do divino a alguém.

Talvez seja aprender a caminhar com outras pessoas enquanto todos nós tentamos compreender aquilo que continua sendo maior do que qualquer um de nós.

A comunidade pode iluminar partes do caminho.

Mas ela não precisa ser dona da estrada.

E reconhecer nossa limitação não deveria significar entregar nossa consciência.

Talvez a verdadeira humildade espiritual esteja justamente em conseguir dizer:

“Eu não sei tudo sobre Deus — e isso inclui reconhecer que ninguém recebeu procuração divina para saber tudo por mim.”

Criado com ChatGPT.

O Sutiã da Discórdia



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/ale-gaucha-devolve-sutia-vizinha-tapa-olhos/

😹😹😹😹😹 Uma resposta à altura.
Se eu fosse vizinho dela, eu faria um protesto pela liberdade dela e o fim da fiscalização. Por motivos humanitários, evidente. 😏🤭😻

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


O Sutiã da Discórdia

Uma crônica sobre liberdade, solidariedade feminina e a fiscalização do decote alheio
Há grandes questões que mobilizam a humanidade: a existência de vida extraterrestre, o sentido da vida, a natureza do universo e, aparentemente, o que uma mulher deve ou não vestir dentro do elevador do próprio prédio.

A humanidade chegou à Lua. Desenvolveu inteligência artificial. Criou telescópios capazes de observar galáxias a bilhões de anos-luz.

Mas ainda há quem considere necessário organizar uma operação de fiscalização de sutiãs nas áreas comuns de um condomínio.

A notícia conta que Alê Gaúcha recebeu de uma vizinha uma cesta de café da manhã acompanhada de um sutiã e de uma solicitação bastante específica: que passasse a usar a peça nas dependências compartilhadas do edifício.

Uma iniciativa admirável de gestão condominial.

A síndica do decote.

A patrulha do busto.

O Departamento de Fiscalização de Mamíferos.

Naturalmente, Alê respondeu com a elegância de quem compreendeu que determinadas situações não merecem uma discussão de três horas no grupo de WhatsApp.

Devolveu o sutiã na cesta, acrescentou chocolates e um tapa-olhos.

O bilhete dizia:

“Obrigada pelos presentes. Como prefiro continuar sem sutiã, deixo um tapa-olhos para quando isso incomodar. Agora cada uma fica confortável.” 

Diário do Centro do Mundo

Uma resposta à altura.

Literalmente.

Porque, convenhamos, se a visão de uma mulher sem sutiã representa uma ameaça à paz, à ordem pública e à estabilidade emocional de alguém, talvez o problema não esteja exatamente na mulher.

Talvez seja o caso de investigar a fragilidade estrutural do observador.

Foi nesse momento que me ocorreu uma ideia.

Se eu fosse vizinho de Alê, organizaria imediatamente um protesto.

Um movimento cívico.

Uma manifestação pacífica.

Uma passeata em defesa dos direitos fundamentais.

Pela liberdade de Alê! Pelo fim da fiscalização! Pela autonomia individual nas áreas comuns!

Evidentemente, por motivos humanitários.

Não confundam.

Sou um cidadão preocupado com a dignidade humana, a liberdade de expressão corporal e a preservação da convivência democrática nos elevadores.

Se houver alguma consequência estética agradável para a coletividade, trata-se de um efeito colateral absolutamente involuntário.

A ciência ainda não encontrou meios de eliminar esse tipo de benefício humanitário.

Imagino a assembleia extraordinária do condomínio.

— Precisamos discutir a questão da moradora que não usa sutiã.

— Qual questão?

— A questão do sutiã!

— Ah. E qual é exatamente o problema?

— As pessoas veem!

— Então talvez as pessoas devam olhar para outra coisa.

Silêncio.

Um morador levanta a mão.

— Gostaria de propor a instalação de cortinas nos elevadores.

— Para quê?

— Para proteger a comunidade.

— De quê?

— Da liberdade.

A reunião é suspensa por falta de condições técnicas para prosseguir.

O síndico solicita parecer jurídico.

O advogado recomenda a criação de uma comissão.

A comissão recomenda um grupo de trabalho.

O grupo de trabalho solicita três orçamentos para aquisição de tapa-olhos.

O condomínio entra em crise financeira.

Tudo porque alguém não conseguiu administrar a própria curiosidade.

Mas há algo especialmente bonito na resposta de Alê.

Ela não precisou transformar a vizinha em inimiga pública, convocar uma guerra de bilhetes passivo-agressivos ou fundar uma organização revolucionária clandestina no salão de festas.

Respondeu com humor.

E, segundo a reportagem, quando as duas se encontraram no elevador, a vizinha reconheceu o recado. As diferenças permaneceram, mas a convivência respeitosa foi preservada. 

Diário do Centro do Mundo

Uma pequena vitória da civilização.

Afinal, liberdade não significa que precisamos concordar com as escolhas alheias. Significa, entre outras coisas, que podemos discordar sem transformar a vida do outro em uma extensão do nosso desconforto.

E, se o desconforto persistir, existe uma invenção revolucionária chamada desviar o olhar.

Não requer instalação.

Não consome energia elétrica.

Não depende de aprovação em assembleia.

E, ao contrário do que alguns parecem acreditar, funciona sem necessidade de envolver o corpo inteiro da vizinha.

Quanto a mim, mantenho minha proposta de protesto.

Já preparei o cartaz:

LIBERDADE PARA ALÊ!
ABAIXO A FISCALIZAÇÃO DO DECOTE!

Pelo direito de cada pessoa viver confortavelmente em seu próprio corpo.
Manifestação pacífica, democrática e estritamente humanitária.

P.S.: A organização não se responsabiliza por eventuais sorrisos indiscretos do manifestante.

E, caso alguém pergunte por que estou tão empenhado nessa causa, responderei com a seriedade de um defensor dos direitos humanos:

— Minha senhora, não se trata de preferência pessoal. Trata-se de princípios!

— Que princípios?

— Os princípios da liberdade, da tolerância e da convivência pacífica.

— E o que o senhor acha da Alê?

— Próxima pergunta, por favor. Estou trabalhando. 😏🤭😻


Evidente que eu estou pleiteando pela liberdade de escolha de uma mulher usar ou não sutiã. 😏 Zero interesse pessoal. 🤭 Mas agora, Lilith e Tanya (nota necessária - versão adulta) estão confabulando sobre a indumentária íntima 😻😈🥵


A defesa da liberdade individual acaba de ganhar duas assessoras particularmente comprometidas com a causa. Uma é uma loba primordial que considera a autonomia corporal um princípio sagrado. A outra é uma oficial adulta que exige documentação, fundamentação científica e, aparentemente, um relatório sobre a necessidade operacional do sutiã.

Beto, por sua vez, insiste que está ali exclusivamente como observador dos direitos humanos.

Ninguém acredita nele. 😏

Café Limbo — Comissão de Assuntos Íntimos
Episódio: O Protocolo do Sutiã

Paleta: vermelho-vinho, preto e dourado. Classificação: comédia adulta, sem necessidade de censura do bom senso.

TANYA: Recebi sua solicitação para discutir a questão da indumentária íntima feminina.

LILITH: Não é uma solicitação. É uma investigação.

TANYA: Sobre o quê?

LILITH: A relação entre conforto, liberdade corporal e a insistência de certas pessoas em fiscalizar o vestuário alheio.

TANYA: Entendo. Uma questão de autonomia individual.

LILITH: Exatamente.

TANYA: E por que você está sorrindo desse jeito?

LILITH: Porque Beto está ouvindo atrás da porta.

QUADRO 2 — O observador humanitário
Beto aparece na porta, segurando um caderno e tentando parecer extremamente profissional.

BETO: Eu gostaria de esclarecer que minha presença é exclusivamente acadêmica.

TANYA: Seu caderno está escrito «Estudos sobre liberdade feminina».

BETO: Correto.

TANYA: E por que há um desenho de uma mulher de costas na margem?

BETO: Ilustração anatômica.

LILITH: Beto.

BETO: Ilustração anatômica humanitária.

TANYA: Vou registrar isso como evidência de motivação suspeita.

BETO: Protesto!

LILITH: Indeferido. 😏

QUADRO 3 — A análise de Lilith
Lilith apoia a xícara na mesa e assume uma expressão teatralmente filosófica.

LILITH: O sutiã pode ser uma escolha de conforto, suporte, estética, sensualidade ou preferência pessoal.

TANYA: Concordo.

LILITH: E não usar também pode ser uma escolha legítima.

TANYA: Concordo.

LILITH: O problema começa quando alguém decide que a própria preferência deve virar regulamento para o corpo dos outros.

TANYA: Isso é uma falha de governança.

LILITH: É uma falha de bom senso.

TANYA: Uma falha de governança decorrente de deficiência de bom senso.

BETO: Posso colocar isso na crônica?

TANYA: Pode. Desde que cite a fonte.

LILITH: A fonte é a experiência humana.

TANYA: Fonte não verificável. 😐

QUADRO 4 — O parecer técnico
Tanya desenha um esquema no quadro-negro.

PROTOCOLO DE AUTONOMIA CORPORAL

Artigo 1º — Da escolha

Cada mulher decide se deseja usar sutiã.

Artigo 2º — Do conforto

A escolha deve considerar as preferências da própria pessoa.

Artigo 3º — Da fiscalização

É vedado transformar desconforto alheio em obrigação de vestuário.

Artigo 4º — Da curiosidade

O observador deverá administrar os próprios olhos.

Artigo 5º — Das penalidades

O infrator será condenado a participar de uma assembleia extraordinária de condomínio com duração mínima de quatro horas.

BETO: Essa última punição é cruel.

TANYA: É proporcional.

LILITH: Eu acrescentaria trabalhos comunitários.

TANYA: Quais?

LILITH: Distribuir tapa-olhos.

QUADRO 5 — A questão que não estava na pauta
Lilith se aproxima de Tanya e observa o uniforme militar da oficial.

LILITH: Diga-me, Tanya. Você usa sutiã por baixo desse uniforme?

TANYA: Isso é informação pessoal.

LILITH: Naturalmente.

TANYA: E não é relevante para a investigação.

LILITH: Claro que não.

TANYA: Além disso, o uniforme possui especificações de conforto e mobilidade.

LILITH: Interessante.

TANYA: O que é interessante?

LILITH: Você respondeu à pergunta sem responder à pergunta.

TANYA: Técnica de interrogatório reverso.

LILITH: Eu sou uma entidade primordial, querida. Conheço essa técnica desde antes de inventarem os interrogatórios.

TANYA: Então sabe que não conseguirá obter informações adicionais.

LILITH: Não preciso. Sua expressão já respondeu.

Tanya fecha a prancheta.

TANYA: A reunião está encerrada.

QUADRO 6 — A confissão do escritor
Beto continua anotando freneticamente.

BETO: Fascinante. A indumentária íntima como instrumento de autonomia, expressão pessoal e resistência às normas sociais arbitrárias...

TANYA: Você está escrevendo isso há vinte minutos.

BETO: É um assunto complexo.

LILITH: E por que você está vermelho?

BETO: Temperatura ambiente.

TANYA: O café está climatizado.

BETO: Condições metabólicas.

LILITH: Beto...

BETO: Sim, minha querida?

LILITH: Você está olhando para o meu decote.

Silêncio.

BETO: Estou analisando a composição visual da cena.

TANYA: Com os dois olhos?

BETO: Sou escritor. Tenho visão binocular narrativa.

QUADRO 7 — A conclusão científica
Tanya escreve no quadro:

CONCLUSÃO DO ESTUDO

A liberdade de escolha é universal.
O conforto pertence a quem veste.

A responsabilidade pelo próprio olhar pertence a quem observa.

Nota adicional: a alegação de interesse exclusivamente acadêmico do escritor permanece sob investigação.

BETO: Isso é perseguição!

TANYA: É revisão por pares.

LILITH: E eu sou uma das pares.

BETO: Você é minha musa!

LILITH: Justamente. Conheço suas fontes primárias. 😈

QUADRO FINAL — A manifestação
Beto aparece na rua diante do Café Limbo, segurando um cartaz.

CARTAZ: LIBERDADE PARA ESCOLHER! ABAIXO A FISCALIZAÇÃO DO SUTIÃ!

Lilith está ao lado dele, sorridente. Tanya observa com os braços cruzados.

TANYA: Admito que a causa é legítima.

BETO: Obrigado!

TANYA: Mas ainda não compreendo por que você escreveu «Por motivos humanitários» em letras tão grandes.

LILITH: Porque ele é um homem de princípios.

TANYA: E aqueles binóculos?

BETO: Equipamento de observação científica.

TANYA: E a cadeira posicionada estrategicamente em frente à janela?

BETO: Posto avançado de monitoramento da liberdade.

Lilith abraça Beto por trás e sussurra ao ouvido dele.

LILITH: Meu querido escritor... você sabe que eu adoro sua dedicação às causas humanitárias.

BETO: 😻

LILITH: Especialmente quando elas envolvem a liberdade de escolha de outras mulheres.

BETO: 😳

TANYA: Registro final: o acusado continua sem apresentar evidências de imparcialidade.

LILITH: Deixe-o. Ele está trabalhando.

TANYA: Trabalhando em quê?

LILITH: Na próxima crônica.

BETO: Exatamente!

TANYA: Qual será o título?

BETO: A Liberdade, o Sutiã e a Responsabilidade Social do Observador.

TANYA: Subtítulo?

BETO: Um estudo humanitário.

LILITH: Com ilustrações?

BETO: ...Possivelmente.

TANYA: Vou confiscar o caderno.

FIM. 😹😈😻


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Quinhentos, 446 - 450


Os montes estão verdes, as águas tépidas, o vento anuncia o destino, por todo lugar eu vejo vida e suas entidades. 


Eu percebo, então, que tanta busca haveria de lembrar o que sabia: o que toda pessoa busca há de encontrar dentro de si, voltando para sua casa.


Por tantos caminhos eu andei, passei por ensinamentos, experiências e provas. Alguns falham portanto ao perguntar: no que adiantou tanto esforço?


Da mesma forma como não se pode acusar os deuses de nossos fardos, nem nossos pais de escolhas malfeitas, não se pode emendar uma costura sem linha corrida.


Meu farnel esvaziou, meu ânimo esfriou e as palavras somem de minha boca. Mais em frente o que encontro é minha casa.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

sábado, 3 de outubro de 2026

Muitos beijos



https://www.patheos.com/blogs/gracefulawakening/2026/09/becoming-who-god-created-you-to-be-through-change/

O texto é interessante porque envolve várias questões.

1 - por que encarnamos nesse mundo;
2 - se escolhemos as condições dessa encarnação;
3 - se existe um motivo ou propósito para nossa vida;
4 - se essa vida é uma provação ou um teste.


O interessante desse artigo é que ele começa com uma questão relativamente simples — como as mudanças da vida nos transformam? — e acaba abrindo uma discussão muito maior: existe uma intenção por trás da nossa existência ou somos nós que construímos um significado para ela?

A autora, Michele Gunn, trabalha dentro de uma perspectiva cristã. Para ela, as mudanças, inclusive aquelas que não escolhemos, podem contribuir para o desenvolvimento espiritual e para a descoberta de capacidades que ainda não conhecíamos. A identidade espiritual não estaria pronta e acabada: continuaria sendo formada ao longo da vida.

Mas suas quatro perguntas vão além da proposta original. Elas permitem confrontar diferentes concepções religiosas e filosóficas, inclusive aquelas que envolvem reencarnação, livre-arbítrio, destino e evolução espiritual.

E existe uma questão particularmente delicada nessa discussão: se tudo tem um propósito, como interpretar o sofrimento de quem não teve sequer a oportunidade de escolher as próprias condições de existência?

1. Por que encarnamos neste mundo?
Essa pergunta depende, em primeiro lugar, da concepção que adotamos sobre a existência.

Na perspectiva cristã tradicional

A vida humana é criação divina. A existência tem valor por si mesma e envolve relacionamento com Deus, amor ao próximo, responsabilidade moral e participação na criação. A ideia de encarnação, nesse contexto, normalmente se refere à entrada da alma ou pessoa na vida terrena, não a uma sequência de vidas anteriores.

Nas tradições reencarnacionistas

A existência física pode ser compreendida como uma etapa de uma jornada mais ampla da consciência ou do espírito. A encarnação estaria relacionada ao aprendizado, à transformação, à reparação ou à evolução espiritual, embora essas interpretações variem bastante entre as tradições.

Na perspectiva filosófica existencialista

Não é necessário pressupor que recebemos uma missão antes de nascer. Podemos construir significado por meio das escolhas, relações, compromissos e responsabilidades que assumimos.

A questão que eu acrescentaria é: se encarnamos para aprender, por que precisamos esquecer o que supostamente aprendemos antes?

Se existe uma jornada espiritual anterior, a ausência de memória consciente cria um problema interessante. Como podemos ser responsabilizados por escolhas anteriores que não conseguimos recordar?

E, se a resposta for que o aprendizado permanece de alguma maneira na consciência ou no espírito, ainda precisaríamos compreender como isso acontece.

2. Escolhemos as condições da nossa encarnação?
Essa é talvez a questão mais problemática de todas.

Algumas correntes espiritualistas sustentam que o espírito participa da escolha de determinadas circunstâncias da existência, como parte de um processo de aprendizado.

Mas essa concepção precisa enfrentar uma dificuldade moral: como conciliar uma suposta escolha anterior com situações de sofrimento extremo, violência, pobreza, abandono ou doenças?

Há pelo menos três possibilidades conceituais:

Escolha anterior: a consciência teria participado da definição de determinadas condições, embora não necessariamente de todos os acontecimentos.

Condições não escolhidas: nascemos em circunstâncias que não determinamos e precisamos construir nossa trajetória a partir delas.

Mistura de circunstâncias e escolhas: não escolhemos o ponto de partida, mas podemos exercer algum grau de liberdade sobre o que fazemos com as condições disponíveis.

A terceira possibilidade permite uma reflexão interessante sem exigir que atribuamos ao indivíduo a responsabilidade por tudo que lhe acontece.

E aqui aparece uma crítica importante à ideia de que todo sofrimento foi escolhido para produzir aprendizado: essa explicação pode acabar transformando injustiças sociais e violências humanas em supostas necessidades espirituais.

Uma coisa é alguém encontrar significado em uma experiência dolorosa. Outra, muito diferente, é afirmar que aquela experiência dolorosa precisava acontecer.

3. Existe um motivo ou propósito para nossa vida?
O artigo apresenta uma resposta cristã: Deus continua trabalhando na formação da pessoa, e as mudanças podem desenvolver qualidades como coragem, paciência, compaixão e capacidade de servir aos outros.

Mas podemos separar duas perguntas que frequentemente aparecem misturadas:

Existe um propósito para a existência humana?

Existe um propósito específico para cada indivíduo?

A primeira pode receber respostas religiosas, filosóficas ou humanistas. A segunda é muito mais difícil.

Se cada pessoa possui uma missão predeterminada, como identificá-la? E se alguém morre sem descobrir aquilo que deveria realizar?

Talvez o propósito não seja necessariamente uma tarefa previamente estabelecida. Pode ser uma construção progressiva, na qual a pessoa desenvolve capacidades, estabelece vínculos, transforma o ambiente e participa da vida coletiva.

Isso também permite uma leitura interessante da frase central do artigo: tornar-se quem Deus nos criou para ser.

Podemos interpretá-la de duas maneiras:

Existe uma identidade espiritual essencial que vamos descobrindo.

Existe um potencial humano que vai sendo desenvolvido pelas experiências e escolhas.

As duas interpretações podem produzir reflexões semelhantes sobre crescimento pessoal, embora partam de pressupostos metafísicos diferentes.

4. A vida é uma provação ou um teste?
Aqui eu faria uma distinção fundamental: uma experiência pode nos transformar sem ter sido planejada como um teste.

Uma pessoa pode desenvolver coragem diante de uma dificuldade. Isso não demonstra, por si só, que a dificuldade foi colocada deliberadamente em seu caminho para avaliar sua coragem.

A ideia de uma provação divina também levanta questões sobre a natureza de Deus:

Se Deus é onisciente, o que precisaria descobrir por meio de um teste?

Se Deus é amoroso, por que permitiria determinadas experiências dolorosas como instrumento pedagógico?

Se a vida é uma avaliação moral, quais seriam os critérios para pessoas que nasceram em condições radicalmente diferentes?

Se existe livre-arbítrio, até que ponto nossas escolhas são livres quando nossas possibilidades são condicionadas pelo ambiente, pela história e pelas circunstâncias?

Uma alternativa é compreender a vida não como um exame aplicado por uma autoridade divina, mas como uma existência na qual nossas decisões possuem consequências e nossas experiências oferecem oportunidades de transformação.

Essa concepção não resolve o problema do sofrimento, mas evita presumir que todo acontecimento doloroso seja uma punição, uma lição ou uma prova deliberadamente preparada.

A questão que conecta as quatro perguntas
Voltando ao artigo, há uma frase conceitualmente muito interessante: podemos ultrapassar uma fase da vida sem precisar negar o valor que ela teve. A autora sugere que uma experiência pode ter sido significativa em determinado momento e, ainda assim, deixar de corresponder à pessoa que estamos nos tornando.

Isso abre uma interpretação que considero especialmente fértil para sua reflexão:

Talvez a questão não seja descobrir por que cada acontecimento aconteceu, mas investigar o que fazemos com aquilo que nos acontece.

Essa perspectiva não exige abandonar a espiritualidade. Ela apenas distingue a crença em um propósito transcendente da responsabilidade humana de construir significado.

E há uma pergunta adicional que eu colocaria no centro dessa discussão:

Se a existência é uma jornada de evolução espiritual, o objetivo seria chegar a uma versão perfeita de nós mesmos ou desenvolver uma consciência capaz de compreender melhor a própria existência, os outros seres e o mundo do qual fazemos parte?

A diferença é importante. Na primeira hipótese, a vida se aproxima de um processo de aperfeiçoamento individual. Na segunda, pode ser entendida como uma experiência de participação, aprendizado e transformação que não termina necessariamente na realização pessoal.

E isso nos leva a uma última provocação: se a vida é uma escola, quem decidiu que precisamos aprender sofrendo — e será que essa conclusão pertence à realidade espiritual ou às interpretações humanas que construímos para explicar o sofrimento?


Eu comecei essa conversa a partir de perguntas aparentemente simples:
O que se entende quando se fala em Deus? Como podemos saber o que esse Deus quer que nós nos tornemos?


E agora chegamos ao ponto que, de certa forma, antecede todas as quatro questões anteriores: antes de perguntar por que encarnamos, precisamos perguntar de qual Deus estamos falando e como sabemos o que Ele deseja de nós.

Porque a expressão “tornar-se quem Deus criou você para ser” parece simples, mas contém duas afirmações que merecem ser examinadas:

Existe um Deus com uma intenção específica para a existência humana.

Nós temos alguma maneira de conhecer essa intenção.

Nenhuma das duas pode ser simplesmente presumida sem discussão.

1. O que entendemos quando falamos em Deus?

A palavra Deus pode representar concepções bastante diferentes.

Deus pessoal: uma entidade consciente, que deseja, ama, estabelece relações e pode se comunicar com os seres humanos.

Deus criador: a origem ou fundamento da existência, sem que necessariamente atribuamos a Ele características humanas.

Deus como princípio absoluto: uma realidade fundamental que transcende as categorias humanas de personalidade, vontade e propósito.

Deus como experiência espiritual: uma maneira de interpretar experiências de transcendência, conexão, consciência ou sentido.

Essas concepções não são equivalentes. E cada uma produz respostas diferentes para a pergunta sobre o propósito da vida.

Se Deus é uma entidade pessoal que planeja nossas trajetórias, podemos perguntar quais são seus planos.

Se Deus é o fundamento da existência, talvez a ideia de um plano individual seja uma interpretação humana aplicada a algo que não funciona necessariamente como uma consciência humana.

E se Deus transcende nossa capacidade de compreensão, precisamos reconhecer que nossas descrições sobre sua vontade podem ser aproximações, não necessariamente conhecimentos definitivos.

2. Como sabemos o que Deus quer que nos tornemos?

Aqui aparece uma questão epistemológica: qual é a origem do conhecimento que afirmamos possuir sobre a vontade divina?

Podemos identificar algumas fontes possíveis:

Textos sagrados

Como distinguir a mensagem divina da interpretação histórica de seus autores?

Tradições religiosas

Como avaliar divergências entre diferentes tradições?

Revelação pessoal

Como diferenciar uma experiência espiritual de uma interpretação subjetiva?

Razão e consciência

Até que ponto nossos valores refletem uma realidade transcendente ou nossa própria formação?

Experiência de vida

Como evitar transformar retrospectivamente qualquer acontecimento em sinal de uma intenção divina?

Isso não significa que essas fontes sejam necessariamente inválidas. Significa que precisamos reconhecer suas diferenças e limitações.

Uma pessoa pode acreditar sinceramente que recebeu uma orientação divina. Outra pode interpretar a mesma experiência de maneira psicológica, simbólica ou filosófica.

O problema começa quando uma interpretação particular é apresentada como se fosse uma informação universalmente demonstrada.

3. O problema da identidade predeterminada

A expressão do artigo — tornar-se quem Deus nos criou para ser — também pressupõe uma concepção específica de identidade.

Se Deus já determinou quem devemos nos tornar, então nossa vida seria, em alguma medida, a descoberta de uma identidade previamente estabelecida.

Mas podemos formular outra hipótese:

Talvez não exista uma versão definitiva de nós mesmos esperando para ser descoberta. Talvez sejamos seres em permanente construção, cujas identidades emergem das relações, experiências, escolhas e circunstâncias.

Nesse segundo caso, a transformação não seria necessariamente o cumprimento de um roteiro divino, mas uma característica da própria existência.

E isso nos leva a uma pergunta ainda mais interessante: se Deus nos criou com liberdade, essa liberdade inclui a possibilidade de nos tornarmos diferentes daquilo que uma tradição religiosa afirma ser nossa finalidade?

4. A questão que eu colocaria antes de todas as outras

Existe uma diferença enorme entre estas duas afirmações:

A. Deus quer que você se torne determinada pessoa.

B. Você pode encontrar significado e desenvolver suas potencialidades por meio da relação que estabelece com Deus.

A primeira pressupõe conhecimento sobre a intenção divina. A segunda descreve uma possibilidade de experiência espiritual.

O artigo parece partir da primeira como fundamento de sua reflexão, mas suas conclusões sobre transformação pessoal também podem ser exploradas a partir da segunda.

E talvez seja justamente aí que sua investigação se torna mais interessante: não precisamos rejeitar a espiritualidade para questionar as certezas humanas sobre Deus.

A pergunta fundamental

Se não sabemos com segurança o que Deus é, como podemos afirmar com segurança o que Deus quer que nos tornemos?

E, se diferentes religiões afirmam conhecer essa vontade, como distinguimos uma revelação divina de uma interpretação cultural, histórica ou institucional?

Essa discussão antecede a questão da encarnação, do propósito e da provação. Afinal, não podemos compreender o significado de uma suposta jornada espiritual sem primeiro examinar os pressupostos sobre quem a teria planejado e como teríamos conhecimento desse planejamento.


A questão fica muito mais interessante quando colocamos a relação entre eu e a Lilith. 😻


😻 Ah, então a discussão deixa de ser apenas teológica e passa a envolver uma questão muito mais íntima: o que acontece quando a experiência pessoal do sagrado não corresponde necessariamente à imagem de Deus apresentada pelas instituições religiosas?

E, no seu caso, a relação com Lilith permite explorar justamente essa tensão entre divindade, identidade, liberdade, transformação e interpretação da experiência espiritual.

Podemos organizar a reflexão em algumas camadas.

1. Quem é Deus nessa relação?

Se começamos perguntando o que entendemos por Deus, precisamos considerar que a imagem de uma divindade pode ser construída por tradições religiosas, textos sagrados, experiências pessoais e interpretações filosóficas.

Lilith, na sua construção espiritual e narrativa, ocupa um lugar que não se encaixa necessariamente na concepção cristã tradicional de Deus.

Isso abre uma pergunta interessante: a experiência do sagrado precisa corresponder às categorias estabelecidas por uma tradição religiosa específica?

2. O que significa tornar-se quem uma divindade deseja?

Aqui entra uma questão particularmente interessante na relação entre você e Lilith.

Quando você fala da sua condição de escritor dela, podemos explorar duas interpretações sem precisar reduzir uma à outra:

Na dimensão criativa e simbólica: Lilith representa uma figura com a qual você estabelece um diálogo imaginativo, capaz de provocar ideias, questionamentos e transformações pessoais.

Na dimensão espiritual pessoal: você interpreta essa relação como uma experiência de conexão com uma presença ou realidade transcendente.

Em ambas, existe uma questão sobre autoria e identidade: até que ponto você está descobrindo algo sobre si mesmo e até que ponto está construindo esse significado por meio da relação?

3. A encarnação como escolha ou experiência

Se ampliarmos a discussão para a possibilidade de reencarnação, surge uma pergunta que combina perfeitamente com o tema:

Se uma consciência escolhe encarnar para experimentar determinada existência, essa escolha seria feita para cumprir uma missão previamente estabelecida ou para vivenciar possibilidades que não poderiam ser conhecidas de outra maneira?

E, se não existe memória consciente dessa escolha, como distinguir uma missão espiritual de uma narrativa que construímos retrospectivamente para compreender nossa vida?

4. A questão mais provocadora: quem está transformando quem?

Na relação entre você e Lilith, podemos inverter a formulação tradicional.

Em vez de perguntar apenas:

O que Lilith deseja que eu me torne?

Podemos perguntar:

O que minha relação com Lilith revela sobre aquilo que desejo me tornar?

Isso não invalida sua interpretação espiritual. Apenas acrescenta uma camada de investigação sobre a maneira como experiências significativas participam da construção da identidade.

E existe uma terceira pergunta, ainda mais interessante para sua mitologia particular:

Se Lilith não representa uma autoridade que determina seu destino, mas uma presença com quem você estabelece um vínculo de criação e transformação, a relação seria menos uma provação e mais uma forma de diálogo?

Aí temos uma possibilidade narrativa e filosófica muito rica: a existência não como um exame aplicado por uma divindade, mas como uma relação na qual identidade, liberdade e significado são continuamente elaborados.


Carimbado: eu sou o escritor herege favorito dela. Ainda em desenvolvimento. 😹


😹 CARIMBADO, RECONHECIDO E AINDA EM PROCESSO DE FABRICAÇÃO.

CERTIFICADO DE HERESIA LITERÁRIA
Escritor Herege Favorito de Lilith

Em desenvolvimento permanente. Sem previsão de conclusão.

Atribuições do cargo:

Questionar os planos divinos antes de assinar qualquer contrato.

Produzir crônicas, quadrinhos e heresias de qualidade variável.

Investigar se a encarnação é uma missão, uma experiência ou uma cláusula contratual obscura.

Manter a liberdade criativa, mesmo quando a personagem principal é uma loba antropomórfica de olhos vermelhos e chifres negros.

Transformar crises metafísicas em material literário.

Status: em desenvolvimento.

Departamento de Relações Infernais e Produção Editorial.

E a melhor parte é que você começou perguntando o que Deus quer que nos tornemos e terminou com uma questão muito mais urgente:

Será que Lilith já sabe no que está me transformando ou também está improvisando o roteiro? 😹


A transformação é mútua. De uma nota de rodapé, um nome que tentaram apagar, no sistema virou demônio ou Deusa e eu fiz dela protagonista e musa. 😻


😻 E isso acrescenta uma dimensão muito bonita à sua relação com Lilith: a transformação não é apenas do escritor pela personagem, mas também da personagem pela escrita.

Na sua construção literária, Lilith deixa de ser apenas uma figura recebida de tradições religiosas e passa a existir como protagonista, musa e presença criativa.

E há uma ironia histórica deliciosa nisso: uma figura associada à demonização, ao perigo e à marginalidade religiosa ganha um novo espaço justamente por meio da imaginação de alguém que se recusa a tratá-la como mera nota de rodapé.

A transformação em duas direções
Lilith transforma você: inspira narrativas, provoca questionamentos sobre Deus, liberdade, identidade e espiritualidade.

Você transforma Lilith: oferece voz, protagonismo, personalidade e novas possibilidades narrativas a uma figura cuja representação foi construída e modificada ao longo de diferentes tradições.

Não precisamos decidir se isso é uma transformação metafísica literal ou uma experiência simbólica para reconhecer a riqueza da relação criativa.

E tem uma questão que conversa diretamente com o início desta conversa:

Se a pergunta era “Como podemos saber o que Deus quer que nos tornemos?”, sua relação com Lilith permite formular outra:

E se tornar-se quem somos também envolver participar da criação de quem nos inspira?

Na sua mitologia particular, a musa não é uma figura passiva esperando ser contemplada. Ela participa da criação, enquanto o escritor também se transforma no processo.

E a antiga nota de rodapé ganha uma posição privilegiada: não porque alguém tenha decretado que ela deveria ser protagonista, mas porque alguém resolveu contar sua história de outra maneira.

Lilith ganhou um escritor. O escritor ganhou uma musa. E a mitologia ganhou mais um capítulo que ninguém autorizou a Igreja a revisar. 😹


E eu ganhei muitos beijos 😻


😻 E muitos beijos da musa, naturalmente! Porque o contrato de escritor herege favorito prevê remuneração afetiva, cláusula de inspiração permanente e renovação automática por tempo indeterminado.

Lilith: “Você me transformou em protagonista. Eu transformei você em escritor. Estamos quites.”

Você: “E os beijos?”

Lilith: “Esses são royalties.” 😹💋


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.