segunda-feira, 12 de outubro de 2026

A fórmula melhoria=consciência política

https://www.brasil247.com/brasil/politicas-publicas-nao-sao-esmolas-dizem-mulheres-cristas-em-manifesto-de-apoio-a-lula/

Eu diria melhor. Eu diria: "políticas públicas não geram consciência política". 😏🤭

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A sua frase toca num ponto importante da política brasileira: políticas públicas podem melhorar a vida das pessoas, mas não garantem que essas pessoas desenvolvam consciência política sobre os direitos que conquistaram, os interesses que estão em disputa e as estruturas que produzem desigualdade.

E aí entra a ironia: o cidadão pode receber um benefício legítimo, melhorar de vida e continuar acreditando que política é coisa de ladrão — desde que o ladrão não mexa no benefício dele. 😏🤭

Políticas públicas não geram consciência política: o milagre que ainda falta ao Brasil.

“Políticas públicas não são esmolas”, afirma um manifesto de mulheres cristãs em apoio a Lula. E estão certas. Bolsa Família, SUS, cotas, aposentadorias, moradia e educação pública não são presentes distribuídos por um governante generoso que acordou inspirado pelo Espírito Santo. São direitos, conquistas sociais e instrumentos de combate à desigualdade. O manifesto também relaciona essas políticas à dignidade das famílias e à participação política.

Mas eu acrescentaria uma observação: políticas públicas não geram consciência política. Pelo menos, não automaticamente.

Porque, se gerassem, o Brasil já seria uma potência mundial em consciência de classe. Bastava conferir o número de pessoas que utilizam o SUS, recebem benefícios sociais, estudam em universidades públicas ou dependem da Previdência. Teríamos um eleitorado capaz de discutir orçamento público, tributação, distribuição de renda e relações de poder com a desenvoltura de um economista escandinavo.

Em vez disso, temos gente defendendo a redução do Estado enquanto espera que o Estado pague sua aposentadoria. Temos cidadãos que consideram o Bolsa Família uma esmola, mas acham perfeitamente legítimo que empresários recebam incentivos fiscais, financiamentos favorecidos e outras formas de ajuda pública. Nesse caso, curiosamente, a esmola ganha um nome sofisticado, usa terno e frequenta reuniões com o ministro da Fazenda.

É o milagre da semântica econômica: quando o dinheiro vai para os pobres, é assistencialismo; quando vai para os ricos, é política de desenvolvimento.

E não adianta explicar que políticas sociais são direitos. O sujeito pode passar anos utilizando serviços públicos e continuar convencido de que o Estado é um estorvo. Se amanhã precisar de uma cirurgia, exigirá atendimento pelo SUS. Se alguém mencionar que o SUS deveria ser privatizado, talvez concorde, desde que a privatização aconteça depois da cirurgia dele.

A consciência política, pelo visto, pode esperar na fila.

O eleitor que recebe, agradece e vota contra
Imagine uma família que finalmente consegue colocar comida na mesa graças a um programa social. A vida melhora. As crianças comem melhor. A mãe consegue respirar um pouco. O dinheiro que antes faltava para o básico começa a permitir algum planejamento.

Isso tem valor concreto. Não é pouca coisa. Para quem vive sob a ameaça permanente da fome, a diferença entre ter e não ter uma política pública pode ser a diferença entre dignidade e desespero.

Mas será que essa experiência, por si só, leva a família a compreender por que a política pública existe, como foi conquistada, quem a financia e quais forças políticas querem ampliá-la ou extingui-la?

Não necessariamente.

A pessoa pode agradecer a Deus, agradecer à família, agradecer ao vizinho, agradecer ao pastor, agradecer ao prefeito e até agradecer ao alinhamento dos planetas. Só talvez não perceba que existe uma estrutura política, econômica e social por trás daquele direito.

E, quando chega a eleição, pode votar justamente em quem pretende desmontar os mecanismos que ajudaram sua família.

É quase uma modalidade de suicídio político assistido, com direito a santinho, bandeira e postagem nas redes sociais.

O candidato promete acabar com o assistencialismo, o eleitor aplaude. O candidato anuncia cortes nos gastos sociais, o eleitor comemora a responsabilidade fiscal. Depois, quando o benefício diminui, descobre que a responsabilidade fiscal tinha endereço certo: a casa dele.

Nos bairros ricos, ela costuma chegar com mais delicadeza.

A esquerda também precisa fazer seu exame de consciência.

E aqui entra uma parte menos confortável da conversa: a responsabilidade não é apenas do eleitor.

Governos progressistas podem ampliar direitos, melhorar a renda, facilitar o acesso à educação e reduzir a pobreza. Mas, se acreditarem que a melhoria material produzirá automaticamente consciência política, estarão confundindo administração pública com formação cidadã.

Governar bem é indispensável. Explicar por que determinadas políticas existem, como funcionam e quais interesses estão em conflito também é.

Não basta entregar o benefício e imaginar que o cidadão fará sozinho o caminho entre receber uma ajuda concreta e compreender a disputa política que a tornou possível.

É preciso investir em educação política, organização comunitária, participação popular, sindicatos, associações de bairro, movimentos sociais e espaços de debate. É preciso ensinar as pessoas a questionar não apenas quem está no governo, mas também quem concentra riqueza, quem influencia as decisões e quem paga a conta das escolhas econômicas.

E isso exige paciência, trabalho de base e disposição para ouvir críticas.

Dá trabalho. Não rende necessariamente uma fotografia bonita para a propaganda eleitoral. E, pior ainda, pode formar cidadãos que apoiam um governo em determinada política e o criticam em outras.

Um horror para quem gostaria de transformar a população em torcida organizada.

Afinal, cidadão consciente não é aquele que aplaude tudo o que o seu lado faz. É aquele que sabe por que apoia determinada medida, quais são seus limites e o que precisa ser corrigido.

O púlpito, a urna e a consciência terceirizada
O manifesto das mulheres cristãs também merece atenção por outro motivo: demonstra que a fé religiosa pode ser mobilizada em defesa da justiça social, dos direitos das mulheres e da dignidade humana. Não existe contradição necessária entre ser cristão e defender políticas públicas.

Mas seria interessante que essa reflexão chegasse a todas as comunidades religiosas, inclusive àquelas em que o debate político parece ter sido terceirizado para o pastor.

Há quem escute durante horas que precisa pensar por conta própria, desde que chegue à conclusão previamente autorizada pelo púlpito.

A consciência individual é estimulada com entusiasmo, contanto que não produza resultados inconvenientes para a liderança religiosa.

Nesse ambiente, a política deixa de ser examinada por seus efeitos concretos na vida da população e passa a ser avaliada pela identidade de quem a propõe. Se o candidato pertence ao grupo considerado virtuoso, até suas contradições recebem uma bênção especial. Se pertence ao grupo adversário, até uma política que beneficia os pobres pode ser apresentada como ameaça à família, à moral e à civilização ocidental.

O benefício chega pelo Estado, mas a interpretação chega pelo púlpito.

E, se ninguém explicar que direitos sociais são resultado de decisões políticas e conquistas coletivas, o eleitor poderá atribuir a melhora da própria vida a qualquer coisa, menos à política pública que contribuiu para ela.

O verdadeiro milagre.

O Brasil não precisa escolher entre políticas públicas e consciência política. Precisa das duas.

Políticas públicas combatem necessidades concretas. A consciência política ajuda a população a compreender como essas necessidades são produzidas, por que persistem e quais decisões podem enfrentá-las.

Uma sem a outra é insuficiente.

Sem políticas públicas, a consciência política pode até florescer, mas floresce em terreno de sofrimento evitável. Sem consciência política, as políticas públicas ficam vulneráveis à desinformação, à manipulação eleitoral e à ideia de que direitos são favores concedidos por governantes.

E existe uma ironia nisso tudo: o governo pode melhorar a vida de milhões de pessoas sem conseguir convencê-las de que a melhoria depende também de escolhas políticas. Pode construir escolas sem formar cidadãos capazes de defender a educação pública. Pode ampliar o acesso à universidade sem garantir que os beneficiados compreendam as desigualdades que dificultaram sua entrada. Pode reduzir a fome sem eliminar a narrativa de que alimentar os pobres é desperdício de dinheiro.

O Estado faz sua parte, mas a consciência não vem no mesmo pacote.

Não existe programa federal de transferência automática de consciência de classe. Se existisse, certamente haveria um aplicativo, um cadastro e uma fila de espera.

E ainda apareceriam parlamentares dizendo que o programa estimula a dependência ideológica.

Por isso, mantenho minha versão da frase: políticas públicas não geram consciência política. Elas criam condições melhores para que as pessoas vivam, estudem, participem e lutem por seus direitos. Transformar essas condições em compreensão crítica exige educação, organização e participação democrática.

Porque o objetivo de uma política social não deveria ser produzir gratidão eterna a um governante. Deveria ser garantir direitos e ampliar a autonomia de quem os recebe.

O cidadão não precisa votar eternamente em quem criou um benefício. Precisa saber avaliar quem o mantém, quem o aperfeiçoa, quem o ameaça e quais alternativas realmente existem.

No fim das contas, o maior sucesso de uma política pública talvez seja aquele em que ninguém precise agradecer ao governante por receber um direito — e em que ninguém seja facilmente convencido a abrir mão dele.

Esse, sim, seria um milagre digno de registro histórico.

Mas não convém esperar que aconteça sozinho. Até porque, se consciência política viesse automaticamente com o Bolsa Família, já teríamos descoberto a fórmula da revolução social por depósito bancário.

E o Banco Central teria de incluir a emancipação popular na meta de inflação.

Criado com ChatGPT.

Ganhando por hora

https://revistaforum.com.br/brasil/ex-trabalhador-mc-donalds-ganhar-por-hora-flavio/

Vale a pena enviar ao candidato e ao eleitor a realidade da consequências do que pleiteia.
Constrangimento? Não. Coerência. 😏🤭
Escreva uma carta aberta ao candidato (Flávio) e ao eleitor explicando que será desastroso essa política de salário por hora trabalhada.


A carta pode ser contundente sem pedir ao eleitor que vote ou deixe de votar em alguém. O ponto central é colocar a proposta diante de sua consequência concreta: remuneração proporcional às horas significa também renda e direitos proporcionais às horas efetivamente trabalhadas. A proposta apoiada por Flávio prevê justamente esse mecanismo. 

Carta aberta a Flávio Bolsonaro e ao eleitor brasileiro

Caro Flávio Bolsonaro,

E caro eleitor que está ouvindo a promessa de que remunerar o trabalhador por hora significa dar a ele mais “liberdade”.

Vamos fazer uma coisa pouco comum em campanha eleitoral: tirar o slogan da embalagem e colocar a proposta na vida real.

A ideia parece simples: o trabalhador escolhe quantas horas quer trabalhar e recebe proporcionalmente por elas. Só que existe uma pequena questão chamada conta para pagar.

A proposta de remuneração por hora defendida por Flávio prevê que salário, férias, 13º e FGTS sejam proporcionais às horas efetivamente trabalhadas. Ou seja: trabalhar menos pode significar ganhar menos e também acumular menos nesses direitos.

E aqui começa o problema da palavra “liberdade”.

Liberdade para escolher trabalhar menos é ótima.

Desde que o trabalhador tenha dinheiro suficiente para sobreviver depois de fazer essa escolha.

Porque, para quem recebe salário baixo, muitas vezes “escolher trabalhar menos” não é exatamente uma escolha. É simplesmente descobrir que o aluguel, a comida, a conta de luz e o transporte não aceitaram a proposta de flexibilização.

Imagine o trabalhador de um supermercado.

Hoje ele sabe, dentro das regras existentes, qual é sua jornada, qual é seu salário mensal e quais direitos estão vinculados ao contrato.

No modelo por hora, se a empresa precisar de menos horas de trabalho naquela semana, a remuneração cai proporcionalmente.

Se precisar de mais, trabalha mais.

Parece flexível.

Mas existe uma diferença fundamental entre a flexibilidade de quem controla sua própria agenda e a flexibilidade de quem depende de uma empresa para determinar quantas horas estarão disponíveis.

Para o empregador, flexibilidade pode significar ajustar a força de trabalho à demanda.

Para o trabalhador, pode significar não saber exatamente quanto vai receber no fim do mês.

E essa diferença merece ser discutida antes da eleição, não depois dela.

A proposta também fortalece a negociação individual entre patrão e empregado.

Mas há uma pergunta inevitável:

Que poder de negociação possui um trabalhador que precisa daquele emprego para sobreviver diante de uma empresa que pode simplesmente contratar outra pessoa?

Não estamos falando de dois empresários sentados diante de uma mesa negociando um contrato.

Estamos falando, muitas vezes, de alguém que precisa aceitar determinadas condições porque tem uma família esperando o salário no final do mês.

E aqui chegamos ao ponto que deveria interessar principalmente ao eleitor.

Não basta perguntar:

“Quanto vale a minha hora?”

É preciso perguntar:

“Quantas horas estarão disponíveis para mim todos os meses?”

Porque salário mensal oferece algo que o salário puramente proporcional não oferece na mesma medida: previsibilidade.

E previsibilidade também é uma forma de segurança.

É ela que permite planejar aluguel, alimentação, escola, transporte, financiamento e uma infinidade de outras despesas.

Transformar tudo em uma conta de horas pode parecer moderno no PowerPoint.

Na vida real, entretanto, o trabalhador não paga o supermercado com porcentagem de horas disponíveis.

Ele paga em reais.

E paga todo mês.

Há ainda uma ironia particularmente interessante nessa discussão.

Flávio apresenta sua proposta como alternativa ao fim da escala 6x1 e afirma que ela daria liberdade ao trabalhador para escolher sua carga horária.

Então vamos levar a palavra liberdade a sério.

Que ela seja liberdade de verdade.

Liberdade para descansar sem perder renda.

Liberdade para adoecer sem transformar imediatamente a vida financeira da família num problema.

Liberdade para planejar o mês.

Liberdade para recusar condições abusivas.

Liberdade para negociar em condições minimamente equilibradas.

Porque simplesmente dizer ao trabalhador “você pode escolher trabalhar menos” não resolve o problema se a consequência for “mas então você receberá menos”.

Isso pode ser uma modalidade contratual.

Pode ser defendida como flexibilidade.

Pode ser apresentada como modernização.

Mas não deveria ser vendida ao eleitor como se a palavra “liberdade” eliminasse automaticamente os efeitos econômicos da escolha.

E ao eleitor fica um convite muito simples:

não vote apenas na promessa. Faça a conta.

Pegue seu salário.

Imagine uma redução significativa das horas disponíveis.

Calcule quanto entraria na sua conta.

Depois faça a mesma conta com férias, 13º e FGTS proporcionais.

Veja quanto sobraria.

Depois imagine que essa renda variável precise pagar aluguel, alimentação, transporte e escola.

A pergunta deixa de ser ideológica.

Torna-se matemática.

É por isso que enviar ao candidato e ao eleitor a consequência concreta da proposta não precisa ser encarado como constrangimento.

É justamente o contrário.

É coerência democrática.

O candidato tem direito de defender sua proposta.

O eleitor tem direito de conhecê-la além do slogan.

E, principalmente, tem direito de perguntar:

“Se eu aceitar essa promessa de liberdade, quanto exatamente vai sobrar no meu bolso?”

Essa talvez seja a pergunta mais importante de todas.

Porque trabalhador não vive de slogan.

Vive de salário.

E boleto, como sabemos, não aceita pagamento proporcional à liberdade.


Criado com ChatGPT.

O corte da tesoura

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tesouraco-de-flavio-ameaca-salario-aposentadoria-clt-servico-publico-e-outros-direitos/

Só para constar. Ninguém pode alegar que votou por falta de aviso. E só para sustentar minha posição. Eu quero que o brasileiro se lasque. Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


A matéria faz um alerta importante, mas há uma ressalva necessária: circula também conteúdo falso atribuindo a Flávio frases que ele não disse sobre direitos trabalhistas. O que está documentado é suficiente para a crítica: seu programa fala em reduzir o custo do trabalho e ele se opõe ao fim da escala 6x1, defendendo remuneração proporcional às horas trabalhadas. 

O brasileiro foi avisado. Agora falta só assinar o recibo.
Existe uma tradição muito brasileira de descobrir as consequências das próprias escolhas depois que elas acontecem.

É uma espécie de amnésia eleitoral seletiva.

Antes da eleição, aparecem os programas de governo, as entrevistas, as declarações, os discursos, os economistas, os jornalistas, os sindicalistas, os especialistas e até aquela tia do WhatsApp que, por algum motivo, possui uma fonte secreta dentro do Banco Central.

Todo mundo avisa.

Aí o sujeito vota.

Depois, quando chega a conta, olha para a televisão com a expressão de quem acabou de descobrir que financiamento tem juros:

— Mas quem poderia imaginar?

Ora, o cidadão brasileiro poderia.

Estava escrito na embalagem.

O chamado “tesouraço” não surgiu magicamente na madrugada seguinte à eleição. O programa de Flávio Bolsonaro fala em revisão de normas nas áreas tributária, previdenciária e trabalhista e em redução do custo do trabalho. Na discussão sobre a escala 6x1, ele se posiciona contra a redução da jornada sem redução salarial e defende uma lógica de remuneração proporcional às horas trabalhadas.

Portanto, não será exatamente o caso de alguém comprar um ingresso para o Titanic e reclamar quando descobrir que o navio tem gelo no caminho.

A proposta está sendo apresentada.

O eleitor pode concordar.

Pode discordar.

Pode dizer que o problema são os impostos, que o Estado é inchado, que existem supersalários, que há desperdício, que a burocracia precisa ser reduzida.

Tudo isso pode ser debatido.

O que não dá é votar em um projeto de flexibilização do trabalho e, no dia seguinte, descobrir que flexibilização também pode significar que quem fica flexível é o seu salário.

É aquela maravilhosa matemática nacional:

— Quero menos Estado!

— Perfeito.

— Quero menos impostos!

— Perfeito.

— Quero menos direitos trabalhistas!

— Perfeito.

— E quero continuar recebendo tudo igual.

— Aí o senhor está querendo trabalhar com física quântica.

Porque existe uma pequena questão chamada realidade.

E realidade, essa criatura antipática, não costuma respeitar postagem de Instagram.

O eleitor não é réu. Mas também não é inimputável.
Eu continuo sustentando minha posição:

eu quero que o brasileiro se lasque.

Não porque eu tenha alguma paixão especial pelo sofrimento alheio.

É por princípio pedagógico.

Chega de tratar o eleitor como criança que foi enganada pelo universo.

O eleitor não é réu.

Mas também não é inimputável.

Se alguém vota conscientemente em uma plataforma que promete reduzir custos trabalhistas, flexibilizar relações de trabalho, cortar estruturas do Estado e promover mudanças em áreas previdenciárias e administrativas, depois não pode aparecer com a cara de espanto do personagem que descobriu que o mágico realmente serraria a caixa ao meio.

Evidentemente, cada proposta precisa ser analisada em detalhe. Algumas podem ser justificáveis. Outras podem ser ruins. Outras podem ser desastrosas.

Mas a democracia tem uma característica inconveniente:

as escolhas produzem consequências.

Não existe voto gourmet, aquele em que o cidadão escolhe o pacote completo e depois recebe somente as partes que achou bonitas.

É igual pedir rodízio de churrascaria e dizer:

— Eu aceito a picanha, mas gostaria de cancelar a conta.

Não funciona.

E tem uma ironia maravilhosa nisso tudo
Durante anos, uma parte do eleitorado foi convencida de que direitos trabalhistas eram privilégios.

A CLT virou uma espécie de vilã mitológica.

Servidor público virou sinônimo de parasita.

Sindicato virou palavrão.

Aposentadoria virou favor do governo.

E qualquer tentativa de ampliar direitos passou a ser apresentada como ameaça ao empreendedorismo, à produtividade, ao mercado, à civilização ocidental e, provavelmente, à reprodução dos pandas na China.

Agora aparece um projeto dizendo:

— Vamos mexer nisso.

E surge a surpresa:

— Mas mexer como?

Meu amigo...

Você passou anos pedindo a tesoura.

Agora não reclame porque apareceu o alfaiate.

O Brasil tem uma característica admirável
Consegue transformar uma eleição em contrato de adesão que ninguém leu.

O sujeito marca o candidato, aperta CONFIRMAR e depois passa quatro anos perguntando quais eram os termos de uso.

— Eu não sabia que tinha isso!

Tinha.

— Mas eu achei que era só contra o PT!

Não era.

— Achei que era contra corrupção!

Também não era exclusivamente isso.

— Achei que iam melhorar minha vida!

Essa parte ninguém pode garantir.

É justamente por isso que democracia não é concurso para escolher o candidato mais simpático.

É escolha de projeto.

E projeto vem com planta baixa.

Às vezes, inclusive, vem com uma enorme placa dizendo:

“Atenção: aqui haverá obra.”

Então fica registrado
Não será possível dizer que ninguém avisou.

Não será possível dizer que foi uma surpresa.

Não será possível dizer que o eleitor não tinha elementos para avaliar.

As propostas estão sendo discutidas publicamente. O debate sobre jornada, custo do trabalho, funcionalismo e reformas está explícito na campanha.

Depois da eleição, evidentemente, a sociedade poderá cobrar, fiscalizar, protestar, negociar, pressionar Congresso, Judiciário e governo.

Isso faz parte da democracia.

Mas existe uma coisa que não deveria fazer parte:

a amnésia coletiva.

Porque se o cidadão votar no sujeito que prometeu passar a tesoura e, depois, reclamar que a tesoura cortou, eu só poderei oferecer uma resposta muito pouco sofisticada:

— Meu querido, a tesoura estava na propaganda eleitoral.

E, sinceramente, depois de tantos avisos, talvez o Brasil não precise de mais um alerta.

Precise apenas de um recibo.

“Eu li. Eu votei. Eu concordei. Agora aguente.”

Assinado:

O brasileiro que amanhã descobrirá, novamente, que consequência não é fake news.

Criado com ChatGPT.

Lavou, tá novo

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/mp-sp-arquiva-apuracao-produtos-ype/

Geralmente se fala "tudo acaba em pizza". Mas nesse caso, eu vou usar "lavou, tá novo". 🤭😏

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A expressão “tudo acaba em pizza” já está tão desgastada que merece aposentadoria por tempo de serviço. Afinal, há situações em que nem a pizza aparece: basta um bom ciclo de lavagem, uma dose de burocracia e, voilà, temos a nova filosofia nacional de gestão de crises: “lavou, tá novo!” 🤭😏

E quando o assunto envolve investigação, Ministério Público e uma empresa conhecida do consumidor brasileiro, a metáfora fica ainda mais irresistível. Porque, convenhamos, existe uma diferença enorme entre limpar uma superfície e esclarecer completamente o que aconteceu. Uma coisa é remover a sujeira; outra é demonstrar que não havia nada de errado desde o começo.

Lavou, tá novo: a alquimia jurídica da limpeza nacional
Crônica satírica sobre o caso Ypê e a arte brasileira de transformar uma crise em procedimento encerrado.

O brasileiro é um povo criativo. Quando falta dinheiro, inventa parcelamento. Quando falta espaço, constrói puxadinho. E, quando uma investigação sobre produtos de limpeza termina arquivada pelo Ministério Público, descobre uma nova expressão para substituir o velho e cansado “tudo acaba em pizza”.

Lavou, tá novo!

Segundo o Diário do Centro do Mundo, o Ministério Público de São Paulo arquivou o procedimento que apurava possíveis violações aos direitos dos consumidores envolvendo produtos da Ypê. A apuração considerou, entre outros fatores, as providências adotadas pela fabricante, o recolhimento de produtos e a atuação da Anvisa.

Diário do Centro do Mundo
+1

Eis uma notícia que deveria inspirar a indústria brasileira de produtos de limpeza a investir em publicidade institucional. Não estou dizendo que houve qualquer irregularidade no encerramento da apuração, muito menos que alguém tenha feito algo ilegal. Estou apenas reconhecendo o potencial filosófico da situação.

Imagine o departamento de marketing descobrindo a campanha perfeita:

— Nosso produto limpa tudo!

— Tudo mesmo?

— Inclusive a imagem da empresa depois de uma crise?

— Calma, isso aí já é com o jurídico!

A publicidade brasileira nunca mais seria a mesma.

A máquina de lavar reputações
É preciso reconhecer que existe uma diferença entre uma investigação arquivada e uma irregularidade comprovada. O arquivamento não demonstra, por si só, que houve algum tipo de encobrimento. Tampouco significa que todas as preocupações sanitárias anteriores eram imaginárias.

Em maio de 2026, a Anvisa havia adotado medidas envolvendo determinados lotes de produtos da fabricante após identificar falhas nos sistemas de produção e controle de qualidade, com possibilidade de contaminação microbiológica. A apuração do Ministério Público examinou outra questão: se havia elementos suficientes para justificar medidas na esfera dos direitos coletivos dos consumidores.

CNN Brasil
+1

São procedimentos diferentes, com objetivos diferentes. A burocracia jurídica tem suas regras, e elas precisam ser respeitadas.

Mas o humor não precisa pedir licença para entrar na sala.

Porque o cidadão comum, aquele que compra detergente no supermercado sem consultar um advogado, olha para a sequência dos acontecimentos e pensa:

“Primeiro, dizem que existem problemas. Depois, os órgãos públicos analisam. A empresa apresenta suas providências. A investigação é arquivada. E eu fico aqui tentando descobrir se preciso lavar a louça ou lavar a consciência.”

A resposta é simples: a consciência não se lava com detergente. Principalmente quando o problema é a falta de informação clara.

O consumidor e a espuma da tranquilidade
O consumidor brasileiro é um personagem extraordinário. Ele precisa entender o rótulo, conferir o lote, acompanhar os comunicados sanitários, guardar a nota fiscal e, se der algum problema, descobrir qual órgão público deve procurar.

Enquanto isso, a embalagem continua prometendo limpeza, rendimento e brilho.

Falta apenas acrescentar uma nova frase no rótulo:

“Este produto remove gordura, sujeira e parte das suas preocupações. Para questões jurídicas, consulte as autoridades competentes.”

Seria a primeira embalagem de detergente com assessoria de imprensa incorporada.

E existe uma ironia adicional: o fato de uma empresa recolher produtos, oferecer reembolso e colaborar com as autoridades pode ser justamente um motivo legítimo para considerar que determinadas medidas adicionais não são necessárias. Afinal, o objetivo da fiscalização não deveria ser produzir processos eternos, mas proteger a população e corrigir problemas.

O sarcasmo, portanto, não precisa transformar uma decisão de arquivamento em prova de culpa. Basta cobrar que a transparência seja tão eficiente quanto a publicidade.

O verdadeiro teste de qualidade
Uma investigação não deve continuar aberta apenas para satisfazer a indignação pública. Mas também não se deve confundir o encerramento de um procedimento com a obrigação de o consumidor esquecer o assunto.

Há uma diferença entre dizer “não foram encontrados elementos suficientes para prosseguir com esta apuração” e proclamar “nunca houve motivo para preocupação”. A primeira frase é uma conclusão processual. A segunda exigiria uma avaliação muito mais abrangente.

E o próprio noticiário informa que novas reclamações ou elementos relevantes podem levar à retomada da apuração.

UOL Notícias
+1

Ou seja, a máquina não precisa ser considerada infalível. Precisa continuar funcionando.

No fim das contas, talvez a expressão “tudo acaba em pizza” seja mesmo ultrapassada. A pizza, pelo menos, exige farinha, molho, queijo e algum trabalho na cozinha.

Já o “lavou, tá novo” é muito mais econômico: basta encerrar a etapa, comunicar a decisão e esperar que a memória coletiva faça o resto.

Só não vale esquecer que a reputação pode ser recuperada por uma boa resposta, mas a confiança pública exige fiscalização, informação e resultados verificáveis.

E, se algum publicitário estiver lendo esta crônica, fica a sugestão de campanha:

Ypê: na limpeza, cada gota conta. Na transparência, cada informação também.

Abaixo, em letras menores:

“A situação de cada produto depende das orientações sanitárias vigentes. Consulte os comunicados oficiais antes de usar lotes eventualmente sujeitos a restrições.”

Porque uma coisa é fazer espuma.

Outra, bem diferente, é fazer fumaça.

E, no Brasil, meu caro leitor, até a fumaça merece uma investigação — desde que não confundamos suspeita com prova. 🤭😏


Criado com ChatGPT.

Quinhentos, 486 - 490


Por sonhos que temos, nós somos enganados e, para não ficarmos sós, tentamos trazer outros ao mesmo sonho. Não é isto o que encontramos quando amamos?


Por generalizações, místicamente esclarecidas pelos sentidos, fazemos uma fórmula, transformando magicamente a acepção em realidade. Não nos emprestamos esta mesma certeza quando estamos apaixonados?


Dos medos primitivos, tiramos as visagens de um mundo externo, interno e espiritual. Disto nasceram os mitos e os deuses. Mas não tiramos da poesia a mesma intuição que nos faz projetar a divindade que existe dentro de nós?


Tantos oferecem o Paraíso, bem como a verdade da palavra do Deus Criador. Alguns, divorciam este mundo do outro. Mas suas palavras e devoções não são idênticas ao amante embriagado?


Nunca tivemos um equilíbrio ou temperança, nos atiramos aos extremos, do ascetismo até a orgia, da maturidade ao fanatismo. Não existe mais graça quando dois amantes se combinam no balanço de uma gangorra?

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

domingo, 11 de outubro de 2026

Minha opção não é curiosidade

https://www.eauk.org/resources/our-resources/reports/spiritual-curiosity

Repugnante. Outra cartilha cristã descrevendo tudo que for diferente do que acreditam como algo ruim e maligno.


O que torna esse material particularmente repugnante é a maneira como a curiosidade espiritual de outras pessoas é apresentada como um problema a ser resolvido pela evangelização cristã — e não como uma oportunidade de conhecer outras tradições sem preconceitos.

A própria Evangelical Alliance apresenta a cartilha Spiritual Curiosity como um guia cristão para compreender o universo dos cristais, do tarô, da manifestação de desejos e de outras práticas espirituais. O texto reconhece que as pessoas estão buscando experiências transcendentes, mas enquadra essa diversidade a partir de uma perspectiva bíblica e de estratégias pastorais e evangelizadoras.

E aqui está o problema: uma coisa é explicar as diferenças entre religiões; outra é transformar as crenças alheias em sintomas de escuridão espiritual que precisam ser corrigidos.

Uma pessoa pode ser cristã e acreditar sinceramente que sua religião oferece a verdade. Isso, por si só, não é o problema. A questão é o que acontece quando essa convicção se transforma em uma lente pela qual todas as demais experiências espirituais são interpretadas como engano, perigo ou influência maligna.

## O respeito religioso que só vale para a própria religião

Há uma contradição que merece ser exposta. Quando um cristão procura Jesus, isso costuma ser descrito como uma busca por sentido, uma experiência de fé ou um encontro com Deus. Quando alguém procura respostas no paganismo, no tarô, nos cristais ou em outras tradições, porém, essa busca pode ser enquadrada como um desvio que precisa ser conduzido de volta ao cristianismo.

Por que a experiência espiritual de uma pessoa merece respeito enquanto a de outra precisa ser submetida a uma espécie de perícia teológica?

E não adianta chamar isso de compaixão. A própria apresentação da cartilha promete uma abordagem compassiva, mas também declara o objetivo de preparar os leitores para responder à curiosidade espiritual por meio da evangelização.

A questão é saber se essa compaixão reconhece a autonomia das pessoas ou se apenas procura uma maneira mais simpática de convencê-las de que estão erradas.

O paganismo moderno, por exemplo, não é uma religião única, com uma doutrina universal. Existem tradições muito diferentes entre si, com suas próprias concepções sobre divindades, natureza, rituais, ética e experiência espiritual. Reduzir esse universo a uma categoria genérica de perigo espiritual não é estudar religiões: é substituir o conhecimento pelo preconceito.

E vale a mesma regra para todos: cristãos têm o direito de acreditar em Jesus, assim como pagãos têm o direito de seguir suas tradições, sem que precisem aceitar a teologia cristã como tribunal universal de suas experiências.

Ninguém é obrigado a considerar todas as crenças verdadeiras. Mas respeitar a liberdade religiosa exige reconhecer que a própria convicção não concede autoridade para desqualificar a espiritualidade alheia.

No fim, uma pergunta incômoda permanece: se a fé cristã é tão convincente por seus próprios méritos, por que tantas abordagens evangelizadoras parecem precisar apresentar as alternativas como ameaças, enganos ou manifestações de escuridão?

A liberdade religiosa não pode funcionar como uma rua de mão única: liberdade para evangelizar de um lado, suspeita e demonização do outro. Ou o respeito vale para todos, ou estamos falando apenas de tolerância condicionada à possibilidade de conversão.


Criado com ChatGPT.
Folheto criado com ChatGPT.

Retórica do fracasso

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/lula-perdeu-para-abstencao-e-virada-de-flavio-foi-ilusao-de-otica-diz-lavareda/

Essa é a retórica? Foi só uma "ilusão de ótica"? Nesses momentos, eu tenho vergonha de ser brasileiro e um analista político.

Não é só uma ilusão de ótica. Aconteceu. A abstenção é parte do fenômeno. O analista falhou. Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


### A urna precisa de oftalmologista

Parece que chegamos a uma nova etapa da ciência política brasileira: além de cientistas políticos, pesquisas, gráficos, tabelas e institutos de opinião, agora precisamos também de **oftalmologistas eleitorais**.

Porque Flávio Bolsonaro terminou na frente de Lula no primeiro turno.

Aconteceu.

A urna registrou.

Os votos foram contabilizados.

Eis que surge a explicação: não foi exatamente uma virada. Foi uma **“ilusão de ótica”**.

Ah, bom.

Então está explicado.

Aquele negócio que apareceu na apuração, com um candidato terminando numericamente à frente do outro, aparentemente foi uma espécie de miragem democrática. Talvez a urna tenha apresentado um pequeno defeito de visão. Quem sabe tenha esquecido os óculos em casa.

O problema é que **abstenção não é ilusão de ótica**.

É fenômeno eleitoral.

Se milhões de eleitores deixam de comparecer, isso interfere no universo efetivamente mobilizado pela eleição. Se determinados grupos faltam mais do que outros, isso altera a composição do eleitorado que compareceu às urnas. Se um candidato consegue mobilizar sua base enquanto outro perde parte da sua, isso também faz parte da explicação.

Tudo isso pode — e deve — ser analisado.

Mas existe uma diferença gigantesca entre dizer:

**“A abstenção foi determinante para compreender o resultado”**

e dizer:

**“A virada foi uma ilusão de ótica.”**

A primeira frase é análise.

A segunda parece uma tentativa de colocar um filtro de Instagram em cima da urna eletrônica.

É como se alguém chegasse ao pronto-socorro depois de quebrar a perna e o médico dissesse:

— Tecnicamente, sua perna não quebrou. Foi uma ilusão ortopédica.

Não, doutor.

Tem um osso ali fazendo coisas que não deveria fazer.

No caso eleitoral, a situação é parecida. Pode-se discutir **por que** determinado candidato terminou à frente. Pode-se decompor os votos, estudar abstenção, transferência de eleitores, distribuição regional, desempenho por faixa etária, comportamento de grupos sociais e tudo aquilo que um analista sério deve fazer.

Mas depois de analisar tudo isso, ainda resta um pequeno inconveniente chamado **resultado**.

A eleição não pergunta ao analista se ele gostou da estética do resultado.

Ela registra os votos.

E existe uma certa mania brasileira de tentar transformar acontecimentos políticos desconfortáveis em fenômenos ópticos, meteorológicos ou metafísicos.

Perdeu?

“Foi uma onda.”

Ganhou?

“Foi uma onda.”

Subiu?

“Foi um movimento.”

Caiu?

“Foi uma oscilação.”

Terminou na frente?

“Foi uma ilusão de ótica.”

Daqui a pouco teremos o boletim oficial:

**“Candidato X obteve mais votos, mas especialistas recomendam não confiar no que seus olhos estão vendo.”**

Talvez seja necessário instituir uma nova autoridade eleitoral:

**Tribunal Superior Eleitoral Oftalmológico.**

Antes de votar, o eleitor passaria por uma triagem:

— Leia a terceira linha.

— E-L-E-I-Ç-Ã-O.

— Muito bem. Agora leia a realidade política.

— Essa está borrada.

— Normal. É Brasil.

O ponto central é que **explicar não significa negar o acontecimento**.

A abstenção pode ajudar a explicar por que um candidato conseguiu terminar à frente. Pode revelar problemas de mobilização. Pode mostrar mudanças na composição do eleitorado efetivamente presente. Pode até modificar completamente a interpretação de uma suposta “onda” eleitoral.

Mas nada disso transforma o resultado em ilusão.

A abstenção é parte do fenômeno.

A mobilização é parte do fenômeno.

A transferência de votos é parte do fenômeno.

O resultado também é parte do fenômeno.

E talvez essa seja justamente a função de um analista político: **explicar o que aconteceu sem precisar mudar o nome do que aconteceu.**

Porque se a realidade começa a contrariar a narrativa, existe uma solução muito brasileira:

não se muda a narrativa.

Muda-se a realidade.

E, quando isso também não funciona, chama-se um oftalmologista.

A democracia agradece.

A urna, provavelmente, continua enxergando perfeitamente.


Criado com ChatGPT.