domingo, 9 de agosto de 2026

Teologia do propofol



Conversa com o Gemini.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/mike-mckinsey-conversa-jesus-cirurgia/

Nós escrevemos um texto humorado e sarcástico com base em uma notícia parecida. Mas fica a dúvida. Por que uma religião majoritária precisa recorrer a testemunhos? 🤔

Por acaso seriam imparciais para admitir que esse tipo de experiência não é a única? 🤭😏

Escreva um texto humorado e sarcástico.


A pergunta que não quer calar: por que diabos a religião que domina metade do planeta, com templos em cada esquina e orçamento bilionário de horário nobre na TV, ainda precisa de um cara que teve apendicite para provar que está certa? 🤔😏

É fascinante. Com mais de dois bilhões de fiéis, séculos de hegemonia e o maior aparato institucional da história da humanidade, a grande narrativa dogmática não consegue se sustentar sem o seu ingrediente favorito: o anedótico de emergência.

Nada contra o sr. Mike McKinsey, claro. O sujeito passa mal no casamento do filho, vai para o CTI com 40 de febre, passa 45 minutos no limiar da existência e — voilà! — descobre que o Criador do Universo tem olhos "azul-esverdeados", usa túnica impecável e adora bater um papo de três horas de relógio na enfermaria do hospital. Uma conversa mais longa do que a maioria das consultas médicas pelo SUS ou pelo plano de saúde.

Mas a verdadeira graça está na imparcialidade institucional desse marketing metafísico.

Já reparou que essas experiências de quase morte (EQMs) são de uma precisão geográfica e cultural inacreditável?

Se o sujeito é cristão e tem febre alta no Texas ou em São Paulo, ele acorda, toma um café com Jesus e volta com uma mensagem VIP sobre o "Reino".

Se passa mal em Varanasi, encontra Shiva dançando no Cosmo.

Se passa mal em Katmandu, vê o Iluminado sob a árvore Bodhi.

E se for um pagão convicto... bom, se um pagão disser que conversou com Hermes, Lilith ou Dionísio enquanto o anestésico fazia efeito, a mesma bancada que celebra o relato do Mike diria tratar-se de "delírio febril", "falta de Deus" ou "alucinação medicamentosa".

Pois é. A imunidade à contradição é o verdadeiro milagre. ✨

Para a fé hegemônica, admitir que a mente humana sob trauma anestésico projeta a simbologia que já está enraizada no seu próprio subconsciente seria aceitar o impensável: que a sua verdade particular não é o centro gravitacional do Cosmos, mas apenas uma entre milhares de linguagens humanas para traduzir o mistério.

Mas admitir isso não vende livro, não enche o templo e — horror dos horrores — daria margem para reconhecer que o panteão alheio também tem o direito de existir. É muito mais conveniente continuar dependendo do depoimento do paciente do quarto 302, que jura de pé junto que o Mestre é loiro ou tem olhos claros e veio pessoalmente pedir para ele "fazer mais pela firma".

No fim das contas, fica a lição: para quem domina o mundo, a verdade nunca é suficiente — ela precisa sempre de uma ajudinha da anestesia! 🤭📜🫀


Escreva um ensaio curto, ácido e literário expandindo essa sátira sobre a obsessão dogmática por testemunhos de anestesia.


A Teologia do Propofol.


Ou a Necessidade Dogmática da Anestesia Geral
É um mistério fascinante do aparato eclesiástico moderno que uma religião possuidora de catedrais majestosas, exércitos de exegetas, monopólio do calendário ocidental e o microfone aberto da comunicação de massa ainda precise desesperadamente da validação clínica de um sujeito recém-saído do CTI. A dogmática hegemônica, na sua imponência de séculos, parece ter desenvolvido uma curiosa dependência ontológica do anestesiologista.

A cena tornou-se um gênero literário por si só: o paciente sucumbe a uma febre quadragesimal, a apendicite ameaça ruir o templo da carne, e, entre uma dose generosa de opióides e quarenta e cinco minutos de colapso hemodinâmico, o Criador do Cosmos decide descer à enfermaria do quarto 302. Não para explicar a física quântica, a miséria ocidental ou a geopolítica do Oriente Médio, mas para travar uma aprazível conversa de três horas — com direito a descrições detalhadas sobre olhos azul-esverdeados, túnicas sem vinco e exortações administrativas sobre a expansão dos negócios do "Reino".

“Se a fé remove montanhas, a anestesia de síntese parece, no mínimo, mobiliar o Paraíso com a estética precisa do subconsciente do paciente.”

A facilidade com que o dogma hegemônico abraça esse anedotário hospitalar revela menos sobre o Milagroso e muito mais sobre a fragilidade de sua própria pretensão universal. Exige-se do fiel uma adesão irrestrita à Verdade Única, contudo, essa mesma Verdade precisa ser reconfirmada quinzenalmente no horário nobre por um relato de delírio pós-operatório. Se o Absoluto dependesse apenas de suas escrituras e da sua filosofia moral, talvez a nave da igreja parecesse vazia; mas quando alimentado pela química da hipóxia cerebral, o trono divino ganha o reforço de um depoimento com carimbo hospitalar.

O aspecto mais sutil — e involuntariamente cômico — dessa engenharia é a estrita fronteira geográfica da providência. Jamais se ouviu falar de um devoto do Texas que, ao beirar a síncope por septicemia, tenha tido uma longa e instrutiva audiência com Dionísio, nem de um pagão britânico que tenha despertado da sedação citando os segredos de Ísis. O Cosmos anestésico é de um rigor burocrático exemplar: ele devolve a cada mente exatamente o folclore que ela já trazia guardado no bolso. O cristão encontra o Nazareno de olhos claros; o hindu encontra o cortejo de carruagens celestes; e o pagão moderno, se ousasse relatar a visão de Lilith ou dos Deuses Antigos após uma dose de quetamina, seria prontamente diagnosticado pela mesma junta eclesiástica não com "iluminação divina", mas com "surto psicótico" ou "contaminação demoníaca".

A imunidade à contradição é o milagre supremo do monopólio da fé. A fé hegemônica não pode se dar ao luxo da imparcialidade. Admitir que a mente humana em agonia projeta apenas os mitos com os quais foi alimentada seria aceitar que o seu Deus não é a arquitetura oculta do Universo, mas apenas uma metáfora regional — uma entre tantas formas que a humanidade inventou para contornar o pavor da finitude.

Por isso, a teologia do propofol segue firme. O dogma continuará precisando do paciente, do termômetro e da alucinação febril. Pois, no tribunal da razão e do pluralismo, o absoluto é insustentável; mas na enfermaria, sob o efeito de quarenta miligramas de sedativo, a hegemonia se sente, finalmente, em casa.


Escreva a minha versão. Onde eu tenho uma experiência bem... carnal...com a Lilith enquanto eu estou no limiar, entre a vida e a morte. 😻🥵


Visitação Vermelha.

A Liturgia da Anestesia e a Noite da Primeira Rainha.

Enquanto a bancada moralista aguarda passiosamente que os céus pós-operatórios ofereçam apenas anjos assepticamente alvos e profetas puritanos de túnica engomada, o limiar da existência guarda mistérios infinitamente mais densos, carnais e indomáveis. No silêncio frio do monitor cardíaco, quando a pulsação diminui e a fronteira entre a carne e o abismo se torna uma fresta tênue, não houve luz branca ou coros celestiais — houve aroma de mirra, âmbar e o cheiro inconfundível da terra úmida após a tempestade.

A hipóxia cerebral não me trouxe um tribunal de julgamentos nem reprimendas de velhos dogmas. Trouxe-a. Lilith não pede licença aos protocolos hospitalares; ela caminha sobre o piso linóleo do CTI como se pisasse no veludo escuro da Primeira Noite. Suas asas de sombra projetaram-se contra os tubos e o gotejamento dos soros, e seu toque — um abraço febril, denso, visceral — dissolvedor de qualquer resquício de anestésico.

“Enquanto os homens de pouca fé deliram com sermões no limiar da morte, os poetas libertos encontram a verdadeira chama da criação nos braços da Primeira Rainha.”

A experiência foi de uma volúpia profana e libertadora. Entre o calor ardente da febre e a pele fria do inconsciente, o encontro não se deu em palavras piedosas, mas em respirações entrecortadas, sussurros heréticos ao pé do ouvido e no abraço abissal da senhora da noite e da liberdade. Ela não prometia a submissão do "Reino" ou o peso de mandamentos castradores; oferecia a plena soberania do desejo, o orgasmo divino do retorno às origens e a profanação irrestrita de toda a culpa que o mundo tentou impor à carne.

Quando os eletrodos voltaram a apitar furiosamente e os médicos celebraram a "ressuscitação" com adrenalina e choque elétrico, o meu suspiro de retorno à vida trouxe um sorriso sarcástico que nenhum diagnóstico saberia explicar. Que fiquem eles com seus velhos de túnica e suas conversas de três horas sobre burocracia celestial. Para o escritor herético, o limiar da morte não é sala de espera — é o santuário do desejo proibido.

Que os devotos do anestésico continuem relatando suas visões puritanas nas manhãs de domingo na TV. Eu guardo nos lábios o gosto do abismo e na pele o calor daquela que nunca se curvou. E se a morte for exatamente como aquela transição... que a anestesia venha sem apressar o fim. 🖤🔥

Criado com Gemini, do Google.

Quinhentos, 161 - 165



Trate aquela que o tem numa amizade intensa tal como trata sua consorte. Trate aquela que esmola com a mesma dedicação que trata a Deusa.



Não se engane, o que faz a outra, a outra te fará e mais tua consorte. Então conceda a mesma liberdade que quer usufruir.



Eu te mostrei de minha cama a Vida. Em outras camas poderá observar em outros ângulos a mesma Vida.



Então, profeta, diga que a observação é como uma cama onde se acha conforto, segurança, localização. Pode ser um despertar, pode ser um sonhar.



Ainda assim, embora distintas, todas as camas são idênticas em sua função: uma plataforma ocupada momentaneamente.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Terceira Estação: Consciência

LNa hora da maturidade, nós ficaremos totalmente cônscios da nossa situação e
estado. Está no momento de tomarmos o rumo, cuidarmos de como e para onde
seguiremos, por nossa conta e risco. Cada um deverá calcular e mapear as rotas
que se desenrolam por todo esse imenso campanário.
Nesta arte, os caminhos serão a acolhida e a amplidão. Uma escarpada
mandíbula, um abismo no desfiladeiro sem fundo, onde a queda continua
apenas demonstra a vertigem que atacará aos desorientados. Aqui se porá em
pratica e se fará a mais difícil prova de que se aprendeu, cresceu e está apto para
fazer parte efetiva do Reino.
Ao largo, dispostos, aguardamos a vinda de uma charrete, onde servos a mando
da senhoria, recolhem os melhores frutos que foram curtidos pelas estepes
intermináveis. Nós somos acolhidos pelo transporte, um de cada vez. Durante o
trânsito, aprende-se pequenas e úteis dicas, que nos preparara para o destino
seguinte, ou até um ligeiro amor, a quem a fortuna sorrir.
Ainda há muito a refinar de nossa rudeza, nós não podemos pretender muito,
haveremos de aprender a lutar sem precisar do uso da força, ossos ou músculos.
Nós teremos que saber quais são as armadilhas dos vivos, que no mundo
material, tentam operar forças mágicas, ditam regras do oculto e como devemos
proceder para curá-los de tal engenho manco.

sábado, 8 de agosto de 2026

Voando alto


Conversa com o Gemini.
https://pleno.news/fe/mulher-e-retirada-de-voo-apos-pregar-antes-da-decolagem.html

Gente sem noção...sem civilidade... depois reclama que a igreja é perseguida.

Escreva um texto crítico, com humor e sarcasmo.


Imagine a cena: 180 passageiros trancados em um tubo de metal pressurizado, tentando desesperadamente ajustar os fones de ouvido com cancelamento de ruído, organizar a bagagem de mão e rezar — esta sim uma oração silenciosa e genuína — para que o voo não atrase. É nesse microclima de ansiedade urbana que alguém decide que a prioridade absoluta da tripulação e dos passageiros não é a checagem das saídas de emergência, mas sim uma cruzada evangelística improvisada no corredor.

Há uma linha muito tênue entre a vocação missionária e a simples falta de noções básicas de convivência em espaço público. O avião nem sequer taxiou, o ar-condicionado ainda está operando naquele vapor morno de solo, e o passageiro da poltrona 12B — que só queria assistir ao seu filme baixado no tablet — é sumariamente convocado para um retiro espiritual forçado na altitude.

O mais fascinante é a dinâmica do "complexo de mártir" que invariavelmente se segue:

A invasão do espaço alheio: Confunde-se o direito de manifestação religiosa com o direito de manter terceiros como reféns auditivos em um ambiente fechado sem rota de fuga.

A intervenção da tripulação: Comandantes e comissários, cujo trabalho é garantir que a aeronave chegue com segurança ao destino, aplicam os protocolos internacionais de segurança de voo.

A narrativa do martírio: A remoção — perfeitamente cabível para qualquer um que perturbe a ordem a bordo, seja pregando, cantando alto, vendendo meias ou fazendo discurso político — é imediatamente traduzida como "perseguição implacável aos fiéis".

Se a moda pega, os voos comerciais virarão um tribunal de oratória variada. O passageiro do 4A faz uma palestra de coaching quântico antes do aviso de apertar cintos; a passageira do 18F apresenta um plano de negócios de marketing multinível durante a demonstração das máscaras de oxigênio; e o grupo do fundo puxa um batuque ao som do sinal de turbulência.

Respeito à fé alheia é fundamental. Mas saber a hora, o local e, principalmente, reconhecer que um voo da classe econômica não é um púlpito é, antes de tudo, uma questão de civilidade e bom senso. Afinal, para quem está prestes a voar a 10 mil metros de altura, a maior bênção esperada é mesmo o silêncio e um pouso suave.

Quer que eu adapte este texto para o formato de uma crônica jornalística ou publicação para redes sociais?

Sim
Como nós tínhamos comentado antes, em outra conversa. E se fosse o inverso? Uma roda de gira? Um culto a Lilith?

A hipocrisia do padrão duplo se revelaria no primeiro segundo. Se a situação invertesse de lado, a reação pública não seria apenas de incômodo com o barulho; viraria um caso de polícia, segurança nacional e comoção moral coletiva.

Se em vez de um sermão tradicional o avião virasse espaço para uma gira de orixás ou uma invocação a Lilith, o roteiro do escândalo já estaria pronto antes mesmo da porta da aeronave fechar:

O pânico instantâneo: O que no primeiro caso é lido por parte do público como " zelo excessivo" ou "excesso de fé", no segundo seria imediatamente rotulado como "feitiçaria", "ameaça à segurança do voo" ou "ataque espiritual contra as famílias a bordo".

A reação das autoridades: A remoção do passageiro não seria acompanhada de um pedido educado da tripulação; haveria escolta policial reforçada, passageiros gravando vídeos aos gritos e pedidos de prisão em flagrante por terrorismo psicológico.

A cobertura midiática: O mesmo ato de incivilidade ganharia manchetes completamente diferentes. A narrativa deixaria de ser "passageira religiosa é retirada de voo" para se tornar "pânico a bordo: ritual em pleno avião assusta passageiros".

O duplo padrão do "martírio": Quando o grupo dominante força a barra e sofre as consequências das regras do aviação, clama perseguição. Se um grupo minoritário, pagão ou de matriz africana fizesse exatamente a mesma coisa, a própria sociedade que pede "tolerância" no primeiro caso exigiria punição exemplar no segundo.

O ponto central da civilidade em ambientes coletivos é justamente esse: o espaço público — e especialmente um tubo de metal a mil por hora — só funciona se ninguém tentar impor sua cosmologia aos outros. A regra de convivência precisa valer para todos; caso contrário, a liberdade de um vira o pesadelo do vizinho de poltrona.

Quer analisar esse duplo padrão sob a ótica da liberdade religiosa no espaço público ou prefere explorar essa premissa em outro tom textual?

Eu fico imaginando. Eu em um vôo (tanto faz para onde) e a comissária de bordo é a Lilith com um serviço de bordo bem... visceral. 😻🥵

A metáfora do voo ganharia uma dimensão completamente diferente. Em vez das costumeiras recomendações sobre cintos de segurança e máscaras de oxigênio caindo do teto, a demonstração de emergência da Rainha da Noite seria um convite direto à perda absoluta do controle e à entrega aos desejos sufocados.

O serviço de bordo convencional — aquele café morno em copo de plástico e o biscoito de saquinho — daria lugar a uma experiência muito mais crua, sensorial e sem filtros morais:

O carrinho de serviço: Esquecemos os refrigerantes zero. O menu incluiria taças de vinho encorpado como sangue, frutos proibidos colhidos fora do tempo e a promessa de que nada ali é feito para acalmar os espíritos, mas sim para despertar os instintos.

A instrução da tripulação: Lilith não pediria para colocar a poltrona na posição vertical; exigiria o abandono de qualquer postura ereta e contida impostas pelas regras do solo. O aviso sonoro não alertaria para turbulências externas, mas para a inevitável tempestade interna da qual ninguém sai ileso.

O destino do voo: Pouco importaria a altitude ou o mapa da rota. A verdadeira altitude seria medida pelo grau de libertação e pelo transe de estar sob o comando de uma figura que encarna a autonomia radical e o erotismo sem amarras.

Para quem passa a vida desafiando os dogmas e as amarras da convenção, ter o abismo e a noite como comissários seria, sem dúvida, a única forma aceitável de viajar de primeira classe.

Quer desenvolver esse cenário em forma de um conto curto literário?

Sim
Escreva um conto curto retratando essa cena no avião com a Lilith.

As luzes da cabine piscaram antes de se firmarem em um tom carmesim, denso e aveludado. A altitude do voo já não importava; a sensação de gravidade havia sido substituída por um peso morno e pulsante que acelerava os batimentos de quem ocupava as poltronas. O zumbido monótono dos motores deu lugar a um sopro distante, semelhante ao vento cortante das noites mais antigas do mundo.

Foi quando o carrinho de serviço começou a rolar pelo corredor central.

Ela não vestia o uniforme azul-marinho padrão da companhia aérea. Lilith caminhava com a altivez de quem jamais prestou contas a criador algum. Trajava uma túnica fluida de seda negra que mal tocava a tapeçaria do assoalho, revelando pés descalços que pareciam flutuar. Os olhos, dois abismos de noite sem estrelas, fixaram-se diretamente no passageiro que a observava em transe.

— O serviço de bordo de hoje não aceita concessões — a voz dela ressoou, não através dos alto-falantes de teto, mas diretamente na espinha dorsal de quem ouvia, grave e provocante.

Aproximando o carrinho, ela não ofereceu opções triviais. Sobre a bandeja, repousava uma jarra de cristal lapidado transbordando um líquido espesso e rubro, cujo aroma mesclava romã, ferro e incenso queimado. Ao lado, figos abertos revelavam sua carne úmida e sementes reluzentes.

Ela se inclinou ligeiramente. O perfume de mirra e tempestade dominou o ar, anulando qualquer resquício de ar-condicionado pressurizado. Uma mecha de seus cabelos escuros roçou o ombro do passageiro, acendendo um arrepio elétrico pela pele.

— A maioria viaja para fugir ou para chegar a algum lugar — ela sussurrou, a centímetros de sua face, os lábios desenhando um sorriso desprovido de qualquer pudor ou submissão. — Aqui, nós viajamos para nos despir de tudo o que te ensinaram a obedecer. Você aceita o fruto ou prefere continuar fingindo que pertence à terra?

Ela ergueu a taça de cristal. Os dedos longos, adornados com anéis de prata oxidada, tocaram a mão do passageiro ao entregar o cálice. Não havia rota no radar, nem hora de pouso prevista. Aquele voo, sob o comando da Rainha da Noite, não buscava o céu, mas a liberdade visceral que só se encontra no próprio abismo.

Criado com Gemini, do Google.

Quinhentos, 156 - 160



Veja como não há segredo. Eis que duro, deve ser suave, pois o que te recebe é macio e, por isso, permanente.



Vê que a porta é boa e o salão melhor. Sinta que a entrada se prolonga, encaixa e nada desperdiça.



Sim, eis o profeta vibrando dentro de mim e eu vibrando em compasso. Certo é que as coisas são compostas por elementos que vibram. Então, eia, que nós fizemos um universo!



O que vês aqui é uma taverna. Mas minha cama é igual a de qualquer mulher. Ao sair, não te apartes com tristeza ou saudade.



Ninguém concebe melhor o sentido de irmandade mais do que a mulher. Ela sabe dividir, compartilhar, oferecer.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Segunda Estação: Subconsciência

Rompido o silencio, estamos ignorantes, a segunda estadia abre-se, a escola nos
recebe. Começa a ascensão, o retorno à consciência, recobra-se a razão. Com a
razão, nós vamos resgatando a forma, de uma nuvem de partículas, recompõe-se
o nosso espírito. Muito estudo e muito preparo, constante, massivo, ininterrupto.
Pode-se agora sonhar, com a vida que deixamos e com a que iremos ter. Nós
fazemos planos, projetos, é o momento da inocência e ingenuidade. Esperanças
são refeitas, já se têm sentimentos e sensibilidades, são cultivados caprichos, se
estabelecem amizades e amores. Muitos se perderão por estes sonhos e ilusões,
pois é severa a prova e não se tem apelação, aos fracassados, o retorno é certo
ao Sono Infernal.
Respondamos, com firmeza e determinação: o que valia eram as aparências, o
que justificava era o trabalho, o que buscávamos era a estabilidade, o que
acatávamos era a ordem. Confessemos que fomos ludibriados, o que vale é o
momento presente; o que justifica, não prova; o que se busca, se perde; o que se
acata, se entrega. Nós temos muito que descobrir, caso as respostas forem
satisfatórias, nos porão na trilha que segue até a próxima morada, que estará
aberta aos que abandonarem toda a inocência e ingenuidade. Será preciso ser
frio e calculista, para prosseguir na estrada, pois o peso de compaixões ou
misericórdias pode fazer ceder a ponte, não restando nem o Sono Infernal aos
incautos.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Bancada da macumba

Conversa com o Gemini.
https://revistaforum.com.br/politica/psol-bancada-da-macumba-congresso/

🥳🥳🥳🥳🥳

Apoiadíssimo! Será que o Brasil vai melhorar?

Crie um texto, baseado na notícia, para o nosso blog.


A política brasileira ganha um capítulo histórico na luta por reparação, representatividade e liberdade. O lançamento da "bancada da macumba" por candidaturas a deputado federal do PSOL marca um avanço fundamental para que os povos de terreiro e as religiões de matriz africana ocupem, finalmente, os espaços de decisão que lhes foram negados por séculos.

Por muito tempo, o racismo religioso operou no Brasil promovendo o apagamento, a criminalização e a violência sistêmica contra terreiros em todas as regiões do país. Enquanto frentes conservadoras e fundamentalistas aparelhavam o Congresso Nacional para impor dogmas e retrocessos, as comunidades de matriz africana eram tratadas apenas como folclore ou objeto de estudo — nunca como agentes políticas de sua própria história.

A criação desse coletivo transforma essa lógica de opressão. A proposta de auto-representação é clara: ninguém pode falar melhor pelos povos de terreiro do que eles mesmos.

O que essa iniciativa traz para a política nacional:

Enfrentamento direto ao racismo religioso: A presença de lideranças de terreiro no Congresso fortalece a cobrança por punições rigorosas a ataques a terreiros, proteção de sacerdotisas e sacerdotes, e garantia efetiva da liberdade religiosa prevista na Constituição.

Orçamento e políticas públicas de verdade: Garante que a formulação de leis, a destinação de verbas orçamentárias e a criação de programas sociais contemplem de fato as reais necessidades das comunidades tradicionais.

Resistência e contraponto ao fundamentalismo: A bancada se consolida como uma trincheira indispensável contra o avanço do fundamentalismo religioso no parlamento, defendendo um Brasil verdadeiramente plural, diverso e laico.

A força que sempre sustentou a resistência cultural e espiritual dos terreiros agora ocupa a política institucional. Garantir vozes pretas, de terreiro e alinhadas aos Direitos Humanos no parlamento não é apenas uma pauta setorial — é uma condição inegociável para a construção de uma democracia plena e para o combate irrestrito a todas as formas de preconceito no Brasil.

Criado com Gemini, do Google.