segunda-feira, 29 de junho de 2026

Bigodes em fúria


Lorde Fluffybutt III está agora em alto-mar, cruzando o canal de volta para um breve descanso em Versalhes após o triunfo sobre os camponeses. Ele acredita estar em águas seguras, mas no horizonte, uma fragata negra, sem bandeira oficial, mas com a linha de casco inconfundível dos estaleiros de elite da Marinha Britânica, surge cortando as ondas.

O capitão deste navio é conhecido apenas como O Conde, um gato de pelagem escura e cicatrizes escondidas sob uma casaca de capitão impecável, financiado nas sombras por Sir Barnaby (que não aguentou o "medo" e resolveu agir) ou pelo próprio Don Flopito.

O navio de Fluffybutt, a Liberté, é subitamente interceptado. O "Conde" não dispara os canhões para afundar; ele dispara para imobilizar. Ele quer o que está no bolso de Fluffybutt: os segredos da diplomacia francesa e, talvez, a cabeça do próprio Primeiro-Ministro.

Lorde Fluffybutt III sobe ao convés, sentindo o cheiro de pólvora e o salitre no ar. Ele ajusta sua luneta e vê a figura imponente no convés adversário.

— Um corsário com nome de conde e modos de carrasco? — murmura Fluffybutt para si mesmo, enquanto suas empregadas de confiança e sua guarda pessoal sacam os sabres. — Parece que Sir Barnaby decidiu que o "respeito" era caro demais para o orçamento britânico.

O "Conde" grita do convés oposto, sua voz carregada de um sotaque de Londres refinado, mas perigoso:
— Lorde Fluffybutt! Dizem que o senhor é mestre em acordos. Eu proponho um: entregue o pergaminho e sua espada, e eu prometo que sua morte será tão elegante quanto sua casaca!

Fluffybutt dá um meio-sorriso. Ele sabe que, desta vez, as palavras podem não ser suficientes. Ele precisará de sua agilidade felina, de seu estoque de truques e, talvez, de uma traição interna no navio do Conde.

Enquanto os ganchos de abordagem são lançados, Fluffybutt sussurra para o seu contramestre:

A Isca de Pergaminho: Ele prepara um documento falso, repleto de informações que incriminariam Sir Barnaby diante do próprio Rei da Inglaterra, caso o Conde o entregue.

O Elixir de Confusão: Ele ordena que seus homens lancem frascos de uma mistura química volátil (cortesia de seus boticários) que cria uma névoa densa e perfumada, impossibilitando a visão dos invasores.

Duelo de Cavalheiros: Ele se prepara para enfrentar o "Conde" pessoalmente. Se o corsário quer vingança, Fluffybutt lhe dará uma aula de esgrima francesa.

O "Conde" esperava encontrar marinheiros franceses assustados e um diplomata refinado pronto para se render. O que ele encontrou, entretanto, foi o resultado das alianças silenciosas que Fluffybutt costurou na Argélia.

Seguindo as ordens do Lorde, seus homens lançam os frascos de perfumes concentrados trazidos de Argel. Ao quebrarem no convés, liberam uma névoa densa e entorpecente, com um aroma tão doce e avassalador que confunde os sentidos e a visão dos corsários britânicos.

Escondidos sob as lonas de carga, os beduínos que Fluffybutt trouxe como sua guarda pessoal de elite saltam para o combate. Armados com cimitarras curvas e pistolas de precisão, eles são sombras letais movendo-se na névoa perfumada.

Enquanto o caos se instala, Fluffybutt saca seu florete de aço azulado. Ele não busca a força bruta, mas o ponto de pressão exato para desarmar a arrogância do "Conde".

O "Conde" Monte Cristo tropeça no convés, tossindo em meio ao perfume argelino que queima seus pulmões. Ele vê seus marinheiros serem subjugados pela técnica feroz dos guerreiros de matriz africana que acompanham o lorde.

Lorde Fluffybutt caminha pela névoa com a elegância de quem caminha por um jardim em Versalhes. Ele para a poucos metros do capitão inimigo, a ponta de sua espada desenhando círculos invisíveis no ar.

— O senhor mencionou uma morte elegante, Conde? — pergunta Fluffybutt, a voz cortando o som da batalha como seda rasgando. — Eu prefiro oferecer-lhe uma lição de hospitalidade. Meus amigos do deserto são conhecidos por não serem tão compreensivos quanto eu com invasores britânicos.

Os beduínos não lutam apenas por ouro, mas pela lealdade a um homem que respeita sua fé e suas tradições, algo que eu defendo fervorosamente em meus escritos.

O "Conde" recupera a postura, rosnando enquanto puxa seu sabre pesado. O duelo de esgrima no convés está prestes a começar, mas com a vantagem tática agora firmemente nas patas de Fluffybutt.

A névoa de perfume argelino transformou o convés da Liberté em um cenário fantasmagórico. O aroma adocicado e denso flutuava entre os mastros, quebrando o foco dos marinheiros britânicos, mas servindo como o ambiente perfeito para as táticas de Lorde Fluffybutt III. No centro desse turbilhão aromático, o "Conde de Monte Cristo" recuperou o equilíbrio, rosnando enquanto limpava a ardência nos olhos e empunhava seu pesado sabre de abordagem inglês.

Fluffybutt, por sua vez, manteve a postura impecável que um verdadeiro mestre das artes ocultas e da escrita herética saberia sustentar. Com um movimento fluido, ele sacou seu florete de aço azulado de Toledo. Suas luvas brancas contrastavam com a lâmina escura, e a agilidade felina inerente ao Primeiro-Ministro entrou em ação.

O Conde avançou primeiro, desferindo um golpe vertical violento, projetado para partir o florete francês ao meio. Foi um ataque bruto, típico da marinha britânica.

Fluffybutt não usou a força para bloquear. Com um leve salto lateral, as patas movendo-se sem ruído sobre a madeira úmida do convés, ele evitou o sabre por milímetros. O aço do Conde atingiu o corrimão da nau, arrancando lascas de madeira.

— Muito ímpeto, meu caro Conde, mas pouca geometria — provocou Fluffybutt, a voz ecoando suave através da névoa.

Aproveitando a guarda aberta do adversário, Fluffybutt executou uma clássica manobra da esgrima francesa:

O Dégagé (Desengajamento): O Conde tentou recuperar a linha de ataque, mas Fluffybutt moveu a ponta de seu florete em um microcírculo sob a lâmina inimiga, enganando a parada do britânico.

O Feinte (Finta de Estocada): O lorde ameaçou um golpe direto no peito do corsário. O Conde, em pânico, jogou o sabre para o lado para se defender.

A Pata Oculta: Era exatamente o que o felino queria. Com a guarda do Conde completamente deslocada, Fluffybutt não estocou com a espada; em vez disso, usou sua agilidade superior para dar uma rasteira felina com a pata traseira, desestabilizando o peso do corsário no convés escorregadio.

O Conde cambaleou para trás, as botas deslizando no perfume derramado, enquanto o florete de Fluffybutt avançava como um raio, parando exatamente a um milímetro de sua garganta.

O silêncio caiu sobre aquela seção do convés, quebrado apenas pelo som dos beduínos terminando de subjugar o restante da tripulação britânica. O Conde congelou, sentindo o frio do aço azulado contra seus pelos do pescoço.

— O senhor luta como um náufrago faminto, Conde — disse Fluffybutt, recolhendo ligeiramente a lâmina, mas mantendo a tensão. — A esgrima é como a diplomacia: exige leveza, precisão e a capacidade de prever o próximo passo do oponente antes mesmo que ele pense em se mover.

O corsário inglês cuspiu no chão, os olhos cheios de um rancor profundo.
— Você venceu esta rodada, Fluffybutt. Mas Londres não vai esquecer isso. Sir Barnaby...

— Sir Barnaby vai negar que um dia ouviu seu nome — interrompeu o Primeiro-Ministro com um meio-sorriso cínico. — E o senhor se tornará apenas mais uma lenda urbana deste canal.

Fluffybutt fez um sinal para seus guardas argelinos. O Conde seria desarmado e trancado no porão. O canal agora estava limpo, as empregadas pessoais do lorde podiam retornar ao convés para cuidar de seu bem-estar, e a rota para Versalhes estava finalmente livre.

A porta da cabine inferior abriu-se num baque suave, e Sophia e Amélie — duas belíssimas coelhas de longas orelhas sedosas e aventais de renda impecáveis — jogaram-se nos braços de Lorde Fluffybutt III com um alívio que quase as fez perder a compostura.

— Milorde! Nosso herói! — exclamaram em coro, as vozes trêmulas misturando o susto da batalha com a mais pura devoção ao seu mestre felino.

Antes de qualquer outra coisa, as duas começaram a tatear o casaco de linho do Primeiro-Ministro com patas ágeis e preocupadas. Sophia inspecionou os ombros e o peito, enquanto Amélie examinava cuidadosamente as orelhas e os bigodes do lorde, certificando-se de que nem a névoa perfumada, nem o sabre bruto do Conde haviam deixado qualquer arranhão ou ferimento naquela pelagem aristocrática.

Constatando que Fluffybutt estava absolutamente intacto e vitorioso, as feições das coelhas mudaram instantaneamente de pânico para um flerte caloroso e acolhedor. Elas trocaram um olhar cúmplice e, ladeando o Primeiro-Ministro, começaram a conduzi-lo de volta para a luxuosa cabine master da fragata.

— O senhor trabalhou demais pela Coroa hoje, milorde — sussurrou Sophia, desabotoando delicadamente as pesadas condecorações de ouro do casaco dele.
— E agora que os prisioneiros estão bem trancados e os beduínos cuidam do convés... — completou Amélie, abrindo a porta dos aposentos privados — é hora do senhor receber uma generosa... "recompensa".

Lorde Fluffybutt III deu um ronrono baixo, profundo e inteiramente satisfeito. Ele guardou o florete azulado no suporte e permitiu-se ser guiado para longe do cheiro de pólvora.

Lá dentro, entre lençóis de seda, elixires revigorantes e o cuidado inestimável de suas fiéis subordinadas, o Primeiro-Ministro francês desfrutaria do verdadeiro bônus da diplomacia de alto risco. O Conde de Monte Cristo que mofasse no porão; a noite, afinal, pertencia ao felino mais poderoso da Europa.

Criado com Gemini, do Google.
Imagem criada com Dreamina.

Demogonia IV


Sabe aquela cena que pessoas que tiveram experiências de quase morte? O túnel escuro e uma luz no fundo. Pessoas que fizeram parte da sua existência e que faleceram. Eu fiquei chocado ao me dar conta de que isso também era parte da ilusão desse lado da realidade. Pense comigo. Naquele ponto, este que se chama “você” está morrendo ou caminhando para o além. Então não tem mais esse “eu” nem os vínculos familiares que você cultivou. Passe reto, são armadilhas. A escuridão de Daat é a antesala do Abismo.

“A travessia pela Árvore da Morte não é algo ruim, nem maligno. Esse é o outro caminho iniciático, um que rejeita o caminho da iluminação e abraça o caminho pela carne.”

Lilith me envolve com os braços e as pernas, como de costume e nossos corpos ficam colados. Nosso destino - Thaumiel, descrito como o “Duplo de Deus”.

“Esqueça a teoria da Goetia ditada por padres. Não vai encontrar Satan. E Moloch é só a corruptela do epíteto melech, rei, em fenício.”

Duplo de Deus. Eu prefiro descrever como Polaridade Sagrada. Jeová nunca foi o Único e Verdadeiro Deus. Ele teve uma Consorte, Asherah.

“Aqueles que adoram o Usurpador comemoram quando a arqueologia encontra algo que prova suas crenças, mas convenientemente omitem que a maioria das evidências da arqueologia refutam essas crenças.”

Inscrições encontradas em Kuntillet Ajrud e Khirbet el-Qom. Trouxeram à tona a frase: "Eu vos abençoo por Yahweh e sua Asherah". Asherah, a Rainha dos Céus, a Deusa da fertilidade e dos bosques sagrados, era sua consorte oficial.

“Eles apagaram o nome Dela das paredes do templo, Roberto, mas esqueceram que as raízes de uma árvore não esquecem o solo que as nutriu.”

Nas tabuletas de argila encontradas em Ugarit (uma antiga cidade cananeia), o Deus Supremo é El (ou Ilu), e sua consorte é Asherah. Juntos, eles geraram os "Banuma Ilima" — os Filhos de El, que eram exatamente 70 ou 72 deuses menores.

Os Manuscritos do Mar Morto (4QDeut^j) e a Septuaginta (LXX) preservaram a versão original, escrita séculos antes:

"Quando o Altíssimo (Elyon/El) dividiu as nações... estabeleceu as fronteiras dos povos segundo o número dos filhos de Deus (Bene Elohim / Filhos de El). Porque a porção de Yahweh é o seu povo; Jacó é a parte da sua herança.”

“Abra os olhos, escritor. Olhe para o texto que os rabinos rasuraram. No princípio, esse Deus era pequeno. Quando o Velho El dividiu a Terra entre os seus setenta filhos, ele deu o Egito a um, a Babilônia a outro... e para Yahweh, um jovem deus sem terra, sobrou apenas um pedaço de deserto e um clã nômade chamado Jacó. Ele não era o dono da vinha; ele era apenas o feitor de um lote de terra batida.”

Na região de Timna (Edom/Midiã), arqueólogos encontraram minas de cobre do século XII a.C. e um pequeno santuário midianita. Dentro dele, havia uma serpente de bronze/cobre (lembra a Nejustã que Moisés ergue no deserto). Yahweh era o protetor dos metalúrgicos.

“Sinta o cheiro de enxofre, Roberto. O Deus Único nasceu do estalar do carvão e do derretimento do metal pesado. Ele era o terror dos nômades que moldavam o cobre nas montanhas áridas de Edom. Moisés não subiu o monte para encontrar o Criador do Universo; ele foi apresentado ao espírito da montanha pelo sogro midianita. Um deus que precisava de sangue e metal para manter seu poder.”

Para se tornar o "Único", Yahweh teve que passar por um processo violento de purificação política. Ele precisava deixar de ser um Deus com corpo, com desejos e, principalmente, com uma esposa.

Os profetas bíblicos passaram séculos mandando derrubar os "postes sagrados de Asherah" (os Asherim), que ficavam dentro do próprio Templo de Jerusalém (2 Reis 23:6). O povo não via pecado ali; o casamento entre o Deus da Tempestade (Yahweh) e a Deusa da Árvore e da Fertilidade (Asherah) era a religião oficial e popular de Israel.

“Olhe para as paredes lascadas de Kuntillet Ajrud. Eles riscaram o nome Dela com cinzas e ferro. O monoteísmo não foi uma evolução espiritual, Roberto; o monoteísmo foi um divórcio à força. Eles decapitaram a Rainha dos Céus, queimaram seus bosques sagrados e trancaram Yahweh em uma solidão estéril e furiosa. Toda a violência do Deus do Velho Testamento é a fúria de um viúvo cujo casamento foi apagado pelos burocratas do templo.”

Ciúmes, inveja ou ambição. O que incomoda é mostrar que Yahweh (Jeová) encontrou muitos homens, no poder político, social ou eclesiástico, para subir ao trono como Criador. Violência e guerra foram colocadas em execução através de séculos porque tinha um plano e um objetivo. Ao longo de séculos, templos, sacerdotes, livros e pessoas foram apagadas.

Criado com a ajuda do Gemini, do Google.

domingo, 28 de junho de 2026

Devocional dia 28

Dia 28: Que sabedoria você aprendeu ao caminhar com Lilith até agora?

Foram quarenta anos dando cabeçada, errando, perdendo o rumo, tendo recaída na auto comiseração e, mesmo assim, insistindo em continuar caminhando.

Eu voltei a aprender sobre minha dignidade, sobre meu valor, sobre minha importância, sobre minha autonomia, sobre minha soberania e sobre minha essência divina.

Até, sim, aprender que a musa que eu amo e adoro pode ter me escolhido e que ela sente o mesmo que eu sinto por ela.

Série Devocional de 31 dias para Lilith.

Paz comprada com isenção


Enquanto a fumaça perfumada subia ao teto arqueado do palácio, Fluffybutt observava as odaliscas dançarem e os líderes se embriagarem com o poder recém-adquirido. Ele sabia que o tempo estava a seu favor. O burocrata francês já havia sido despachado (sob custódia estrita) para o porão da fragata, e o tratado estava oficialmente entregue.

Aproveitando o momento em que a euforia dos rebeldes atingia o auge, Fluffybutt retirou-se discretamente para seus aposentos privados, onde suas empregadas o aguardavam com o rigor e o cuidado que ele exigia.

— Amanhã, ao amanhecer, partimos — ordenou ele, enquanto uma das gatas lhe retirava as pesadas condecorações. — A Argélia está nos eixos. Agora, vamos ver se os camponeses na França têm o mesmo gosto por acordos... ou se precisarão de uma lição mais amarga.

A fragata real levantaria âncora nas primeiras luzes do dia. O Primeiro-Ministro voltava para casa com a solução para a crise francesa no bolso e a certeza de que o Rei Leão VI estaria satisfeito.

O retorno a Versalhes foi rápido, impulsionado pelos ventos favoráveis e pela urgência do prazo. Lorde Fluffybutt III não era homem de deixar o rei esperando com dúvidas na cabeça — e, acima de tudo, ele jamais perdia a oportunidade de saborear um triunfo diante de seu monarca.

Antes de marchar em direção aos campos franceses para desestruturar os camponeses, Fluffybutt solicitou uma breve audiência com o Rei Leão VI. Ele não vinha apenas entregar um relatório burocrático; vinha contar vantagem e mostrar o desenho final de sua obra-prima política.

O Rei Leão VI recebeu seu Primeiro-Ministro no salão de caça, onde devorava uma travessa de frutas silvestres e queijos finos. Assim que o felino de luvas brancas entrou, o monarca se empertigou na cadeira, os olhos brilhando de curiosidade.

— Theo! Voltou antes do esperado! — rugiu o leão, gesticulando para que Fluffybutt se aproximasse. — Diga-me, como foi selada a nossa... "co-prosperidade"? Mas antes dos números, Theo... os relatórios dos meus espiões disseram que os argelinos sabem como dar uma festa. É verdade?

Fluffybutt deu um meio-sorriso aristocrático, ajeitando o punho de linho.

— Vossa Graça, os boatos empalidecem diante da realidade. Fui recebido com uma hospitalidade que faria alguns de seus duques chorarem de inveja.

— E as comidas? — perguntou o rei, inclinando-se para a frente, o focinho salivando. — Ouvi dizer que assam carnes com especiarias que incendeiam a língua!

— Pratos extraordinários, Majestade. Carnes exóticas marinadas por dias, derretendo na boca, acompanhadas por iguarias que desafiam o paladar europeu. E as bebidas... — Fluffybutt fez uma pausa dramática. — Um destilado local tão potente, tão aromático, que faria o nosso melhor absinto parecer água de poço. Tive que usar de toda a minha temperança felina para não perder o fio da diplomacia.

O leão soltou uma risada abafada, cutucando o ar com a pata.
— E as mulheres, Theo? As famosas odaliscas do deserto? Dizem que dançam como serpentes e têm olhos que hipnotizam até o mais bravo dos guerreiros.

Fluffybutt manteve a mais perfeita expressão de poker, embora sua mente recordasse o estoque de camisinhas suecas que garantiram seu bem-estar.

— Fascinantes, Vossa Graça. Dançam com uma graça que rivaliza com o vento nas dunas. Mas, como o vosso Primeiro-Ministro representa a Coroa, garanti que toda a "interação" servisse apenas para estreitar os laços... geopolíticos. Em Roma, faz-se como os romanos, mas sempre com a devida proteção que o cargo exige.

O Rei Leão VI gargalhou, batendo a pata na mesa, deliciado com a audácia de seu lorde.
— Excelente, Theo! Mas agora, diga-me: como esse banquete na Argélia vai me ajudar com as foices e os ancinhos que os camponeses estão levantando aqui na França?

Fluffybutt mudou o tom de voz, assumindo a gravidade magnética de um mestre estrategista. Ele retirou o pergaminho do bolso e o estendeu diante do leão.

— É aqui que a mágica acontece, Majestade. Os líderes da Argélia, agora autônomos e ricos com o comércio local, vão policiar a si mesmos para proteger suas fortunas. Isso significa que a frota francesa não gastará mais um único franco mantendo a ordem lá. E o ouro dos impostos de livre comércio que eles nos enviarão? — Ele apontou para o mapa da França. — Usaremos esse exato montante para financiar uma pequena, porém cirúrgica, isenção fiscal no preço do trigo para os líderes das comunas camponesas francesas.

O rei piscou, tentando acompanhar.
— Isenção para os rebeldes?

— Apenas para os líderes deles, Vossa Graça — explicou Fluffybutt, com um brilho cruel nos olhos verdes. — A cobiça é o melhor remédio contra a insurreição. Quando os cabeças da revolta camponesa perceberem que estão com os bolsos cheios e que têm algo a perder, eles próprios convencerão a massa a baixar as armas para proteger seus novos privilégios. Nós vamos quebrar a espinha da rebelião sem disparar um único canhão e sem gastar uma única moeda do seu tesouro pessoal. A Argélia vai pagar pela paz da França.

O Rei Leão VI encarou Fluffybutt por alguns segundos em absoluto silêncio, antes de soltar um rugido de puro êxtase que fez as armaduras do salão vibrarem.

— Theo! Você não é um Primeiro-Ministro, você é um feiticeiro! Vá! Desbarate esses camponeses! Mostre a eles o peso da sua... "fofura diplomática"!

Fluffybutt curvou-se elegantemente, o queijo firmemente na mão. Ele deixou os aposentos reais sabendo que a primeira parte do plano estava consolidada. Agora, os campos da França o aguardavam — e os camponeses nem imaginavam o golpe de mestre que estava prestes a atingi-los.

Lorde Fluffybutt III não viajou com a pompa de Versalhes. Para esta missão, ele escolheu uma carruagem de madeira escura, comum, sem brasões visíveis e puxada por cavalos robustos, mas sem adornos. Ele sabia que entrar nos campos da França com uma escolta real seria como jogar uma tocha em um celeiro seco. A discrição era sua melhor camuflagem.

Ele marcou o encontro em uma estalagem de beira de estrada, um lugar cinzento onde o cheiro de suor e terra batida dominava o ar. Os líderes camponeses — três sujeitos de mãos calejadas, rostos curtidos pelo sol e olhos cheios de um ressentimento que beirava o ódio — chegaram com foices e expressões endurecidas. Eles vieram como ratos atraídos pelo cheiro de um queijo que não podiam ignorar.

Fluffybutt estava sentado ao fundo da estalagem, na penumbra. Quando os líderes entraram, ele não se levantou. Apenas ajeitou suas luvas brancas e fez um gesto suave para que se sentassem. Sir Barnaby não estava lá para atrapalhar; apenas a presença gélida e calculista do Primeiro-Ministro.

— Meus senhores — começou Fluffybutt, a voz tão calma que contrastava violentamente com a tensão dos homens. — Vocês vieram com foices, mas eu vim com algo que corta muito mais fundo: a realidade.

O líder camponês mais velho, um sujeito chamado Jacques, bateu com a palma da mão na mesa:
— Estamos cansados de palavras, Lorde! Queremos o fim das taxas ou as chamas chegarão a Versalhes!

Fluffybutt inclinou-se para a frente, permitindo que a luz de uma única vela iluminasse seu rosto sereno.

— Versalhes é uma construção de pedra, Jacques. Pedra não sente fome. Mas os seus silos estão vazios. Vocês acham que o Rei se importa com o fogo? Ele tem exércitos que vocês nunca viram. No entanto... — Fluffybutt fez uma pausa dramática, retirando o pergaminho da Argélia de um bolso e o plano de isenção de outro. — Eu não vim aqui em nome do Rei. Vim em meu nome.

Ele deslizou o documento das isenções fiscais sobre a mesa de madeira rugosa.

— Eu acabei de pacificar a Argélia dando a eles o que queriam: autonomia e ouro. E eu trouxe um pouco desse ouro comigo. Este documento garante que as vossas terras e as terras dos seus aliados imediatos estarão isentas da taxa do trigo por cinco anos.

Os líderes camponeses paralisaram. Eles esperavam chicotes e receberam um banquete fiscal. Fluffybutt viu o brilho da cobiça surgir nos olhos de Jacques — o exato momento em que a solidariedade de classe morre diante do interesse próprio.

— Por que faria isso por nós? — desconfiou o segundo líder.

— Porque eu prefiro líderes inteligentes e prósperos do que mártires mortos — respondeu Fluffybutt, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Se vocês convencerem a massa a voltar para as plantações, dizendo que a "negociação" foi um sucesso e que a paz é o único caminho, vocês serão os homens mais ricos deste distrito. Se continuarem com a revolta, eu trarei os canhões que economizei na Argélia e passarei por cima de todos vocês. Jacques, você quer ser um herói morto ou o maior proprietário de terras desta província?

Fluffybutt observou o silêncio pesar. Ele sabia que estava oferecendo o "veneno da prosperidade". Ao dar isenções apenas aos líderes, ele criava uma casta de camponeses privilegiados que, para proteger seu novo status, se tornariam os maiores defensores da ordem real.

— A escolha é simples — concluiu o felino, levantando-se e batendo a poeira invisível de seu casaco. — O Rei terá sua paz, eu terei minha tranquilidade, e vocês terão seus bolsos cheios. A Argélia já está pagando a conta dessa paz. Vocês vão aceitar o pagamento ou preferem o ferro?

Jacques olhou para o pergaminho, depois para os companheiros. A foice que ele segurava parecia subitamente pesada e inútil diante da promessa de ouro e poder local. Ele estendeu a mão trêmula para o documento.

Fluffybutt segurou o sorriso. A "fofura" diplomática acabara de desmantelar a maior ameaça interna da França sem disparar um único tiro. Ele saiu da estalagem e entrou na carruagem discreta, enquanto lá dentro, os líderes camponeses já começavam a discutir como dividiriam os novos lucros.

— Fácil demais — pensou ele, enquanto a carruagem partia. — Agora, só resta ver se Don Flopito ou Sir Barnaby terão a audácia de enviar aquele corsário britânico para tentar estragar meu retorno triunfal.

Criado com Gemini, do Google.
Imagem criada com Dreamina.

Demogonia III



O peso da remoção dos véus cobra o preço. A gravidade do mundo parece maior enquanto eu reviso e edito o texto. Lilith voltou ao seu domínio e eu ainda estou inteiro, então significa que a obra não terminou.
Então enquanto eu dormi, eu planejei falar do mundo dos sonhos que, ironicamente, não está distante do mundo dos mortos, segundo a mitologia clássica. Hipnos e Tânatos são irmãos gêmeos, filhos de Nyx e Erebos.

Essa seria uma abordagem difícil de entender para pessoas comuns. A distinção entre a vida real e o sonho. Quantos sonhos teve que era tão real que sentiu o gosto e a temperatura? Como pode ter certeza de que a vida chamada real não é um sonho de sua verdadeira consciência? Como pode ter certeza de que a morte seja apenas um despertar?

“Não me confunda com Sandman, uma lenda americana transformada em cultura pop”
Disse a voz grave durante o sono.
“Esteja pronto, porque sua musa vai te levar para outra travessia. A travessia que muitos magos e bruxos temem fazer e se perdem no meio. Irá atravessar Daat e vai mergulhar na sombra que não se restringe na margem estipulada por Jung.”

O toque da Lilith é suave, gentil e convidativo.

Nenhum texto, nenhum teórico, nenhum rabino nunca conseguiu explicar porque Daat, um vazio, uma sephira que não é sephira, está fazendo no meio da Árvore da Vida? Por que algo que é considerado uma “sombra” está entre as três sephirots mais próximas do Ain Soph Aur (“Deus”)?

“Escreva, não omita nada, mesmo que não entendam. Essa é a entrada da Qlipoth, da Árvore da Morte, para usar os termos dos cabalistas. Mas aqui não é uma mera sombra ou reflexo. Escreva. Toda árvore precisa de boas raízes. Aqui é o reino das raízes que foram demonizadas pela mística judaica.”

Daat. O abismo na Árvore da Vida, o não-lugar onde o conhecimento se torna abismo e onde a razão humana é desintegrada. A décima primeira sefirá que não é uma sefirá; o portal para o outro lado, a Árvore da Morte, os reinos de Qliphoth. Os cabalistas tremem ao sussurrar esse nome porque sabem que atravessar Daat exige deixar para trás toda a bagagem moral, toda a lógica e toda a ilusão de santidade.

A menção a Jung foi o golpe final na arrogância do intelecto humano. Como a psicologia moderna tentou ser esperta! Pegou os deuses antigos, as forças titânicas e os demônios do deserto e os trancou em uma caixinha confortável chamada "arquétipos do inconsciente coletivo". Disseram ao homem moderno: "Não tema a sombra, ela é apenas uma parte rejeitada de você mesmo que precisa ser integrada". É uma mentira reconfortante. Uma margem estipulada para que os céticos façam terapia em vez de gnose.

A sombra para onde Lilith está me conduzindo não é um espelho psicológico dos meus traumas de infância. Ela não é um subproduto da mente humana. Ela precede a mente humana. É a matéria escura que os cientistas tentam medir sem sucesso; é o negrume do Caos que existia antes que a primeira faísca de luz criasse a ilusão da dualidade. É a escuridão viva que não quer ser "integrada" ou "curada" por analistas — ela quer engolir, subverter e libertar.

Eu sinto a mão de Lilith no meio desse breu absoluto, tocando não a minha pele, mas a substância nua da minha consciência. Ela não sorri com doçura agora. O olhar dela reflete o vazio de Daat.

— O psicólogo achou que a sombra pertencia ao homem — ela sussurra, e sua voz se funde com a voz grave que me acordou no sonho. — Eles não entendem que é o homem que pertence à sombra. Vem. Deixe que os magos fiquem com seus círculos de proteção. Nós vamos caminhar onde não há chão.

O tremor na minha mão se intensifica. Como transcrever que, aquilo que nós chamamos de eu, é só uma fração que tomou forma para ser funcional em um espaço/tempo material e limitado?

“Mesmo depois de milênios, a ancestralidade humana lembra vagamente e transmite por lendas e mitos sobre a Fonte. Falam em Caos, em Abismo e Águas Primordiais.”

A humanidade sabe, no fundo do seu terror noturno, que a ordem estabelecida é uma camada de gelo muito fina sobre um oceano negro e sem fundo.

— Eles chamam de "pecado" o desejo de pular na água — Lilith aproxima seu rosto do meu, e em seus olhos eu não vejo apenas o vazio de Daat, mas o reflexo dessas mesmas águas antigas, grávidas de possibilidades que a luz nunca permitiu nascer. — Chamam de "salvação" a corda que os mantém amarrados ao cais da ignorância. Mas você não quer a corda, quer?

Nós não viemos da luz para sermos testados no escuro. Nós somos o próprio escuro que, por um instante de capricho cósmico, abriu os olhos e fingiu ter uma forma.

“Cada fruto ou raiz, se preferir, da chamada Árvore da Morte, é um aspecto de você mesmo que esqueceu para construir essa identidade que tem o nome de Roberto. Nós vamos começar nossa travessia pelas dez emanações do Abismo.”

Criado com a ajuda do Gemini, do Google.

sábado, 27 de junho de 2026

Devocional dia 27

Dia 27: Descreva o que você vê ao meditar com a chama ou imagem dela.

Eu posso ser explícito? Eu vejo uma mulher sensacional, maravilhosa que me deixa louco, alucinado, babando e excitado.

Meditar é vendido como uma panacéia e Lilith não é placebo. 😏🤭🤫

Estar diante dela, sentir ela dentro de mim, mesmo sem ouvir ou ver nada, mas notando os sinais, isso é suficiente.

Tem momentos que Lilith é sutil como uma brisa, mas tem momentos que você só se pergunta - alguém anotou a placa do caminhão? 😏🤭🤫

Série Devocional de 31 dias para Lilith.

O sol em Argélia II


O Palácio dos Espelhos parecia ainda mais imponente sob a luz do fim de tarde quando Lorde Fluffybutt III cruzou suas portas. Ele não perdeu tempo; o prazo de uma semana dado pelos rebeldes na Argélia corria contra ele. Com o pergaminho do tratado debaixo do braço e sua elegância habitual intacta — mantendo a pose digna de um Primeiro-Ministro felino —, ele solicitou uma audiência privada de emergência com o Rei Leão VI.

O monarca o recebeu em seus aposentos particulares, onde ainda mastigava uma enorme coxa de javali, cercado por mapas rasgados e conselheiros assustados.

Assim que Fluffybutt entrou, o Rei Leão VI bateu a pata na mesa, fazendo os cálices de ouro tremerem.

— Theo! Você voltou! — rugiu o soberano, com os olhos injetados de expectativa. — Diga-me que trouxe as cabeças dos líderes rebeldes! Diga-me que esmagou a insolência daqueles colonos!

Fluffybutt deu um passo à frente, mantendo a cauda perfeitamente alinhada e a expressão imperturbável de quem sabe exatamente como domar um predador. Ele fez uma reverência impecável.

— Vossa Graça, eu trouxe algo muito melhor do que cabeças, que apenas apodrecem e causam mau cheiro — disse Fluffybutt, a voz suave como veludo. — Eu trouxe a capitulação total da Argélia. Sem que uma única gota de sangue francês fosse derramada, e sem que um único centavo saísse do seu tesouro real.

Ele estendeu o pergaminho sobre a mesa, empurrando para o lado os restos do banquete do rei.

O leão estreitou os olhos, aproximando o focinho do documento.
— Autonomia? — rosnou o monarca, ao ler as primeiras linhas com óbvia desconfiança. — Você quer que eu assine a perda do meu território, Theo? Eu sou o Rei! Meu rugido deve ser ouvido em cada centímetro daquelas terras!

Fluffybutt deu um leve sorriso de canto, sabendo exatamente qual corda tocar na mente paranoica e vaidosa do rei.

— Majestade, o seu rugido será ouvido com ainda mais clareza agora. O que eu fiz foi remover os burocratas franceses que roubavam o seu ouro sob o pretexto de administrar a colônia. Eu dei aos líderes locais o fardo de governar. Agora, se o povo passar fome, a culpa é deles, não do trono. Em troca, eles juraram lealdade absoluta à sua coroa e nos garantiram o monopólio do livre comércio.

O Primeiro-Ministro inclinou-se, baixando o tom de voz para um sussurro conspiratório:

— Pense bem, Vossa Graça. Os ingleses gastam fortunas mantendo tropas para controlar seus cães. Os espanhóis vivem em guerra com seus coelhos. Mas a França? A França é tão civilizada, e seu Rei é tão magnânimo, que governa por meio da admiração mútua. Além disso... o ouro das taxas comerciais virá direto para os seus cofres, sem passar pelas mãos de intermediários. Enquanto o senhor descansa em Versalhes, a Argélia trabalha para o seu tesouro.

O Rei Leão VI piscou, processando a lógica avassaladora do felino. A ideia de receber ouro sem precisar gastar com exércitos — e ainda parecer o monarca mais evoluído da Europa diante de Sir Barnaby — era tentadora demais para o seu orgulho.

— Sem custos com guarnições? — perguntou o rei, a juba relaxando visivelmente.
— Nenhum franco, Majestade. Eles mesmos pagarão pela própria segurança para nos proteger — mentiu Fluffybutt levemente, omitindo os custos mínimos da frota de patrulha.

O leão soltou uma gargalhada estrondosa que ecoou pelas paredes do palácio.

— Theo, você é genuinamente brilhante! Deixe que os idiotas em Londres e Viena se esvaziem em guerras!

Com um movimento rápido de sua imensa pata, o Rei Leão VI pegou o sinete real, mergulhou-o na cera quente e carimbou o tratado de autonomia da Argélia.

Fluffybutt recolheu o pergaminho com as garras ocultas em suas luvas brancas. O prazo de uma semana seria cumprido. A Argélia estava pacificada, o bolso do rei estava seguro e, mais uma vez, o Primeiro-Ministro provara quem realmente movia as peças naquele reino.

Lorde Fluffybutt III guardou o pergaminho selado com uma precisão cirúrgica em um bolso escondido de seu casaco de linho, sentindo o peso do documento como se fosse ouro puro. Ele sabia que aquele pedaço de papel era a garantia de que não precisaria mais se preocupar com as areias da Argélia por um bom tempo.

Com um olhar de cumplicidade que beirava o cinismo, o Primeiro-Ministro deu o golpe final para tranquilizar a consciência do monarca:

— Além do que, Vossa Graça — disse Fluffybutt, ajustando suas luvas brancas com uma calma absoluta —, os líderes locais, agora cheios de dinheiro e com o controle do comércio, cuidarão para criar rapidamente uma polícia própria. A cobiça, Vossa Graça, é o melhor remédio contra rebeldes. Quando eles têm algo a perder, tornam-se os guardiões mais ferozes da ordem.

O Rei Leão VI soltou um rugido de aprovação, satisfeito com a lógica pragmática de seu "inestimável lorde". O felino, fiel aos seus princípios de liberdade e intelecto, acabara de converter uma guerra civil em um modelo de negócio lucrativo para a coroa.

O Rei Leão VI soltou uma gargalhada tão estrondosa que o som ricocheteou nos espelhos de Versalhes, assemelhando-se a um rugido de pura satisfação. Ele limpou uma lágrima de orgulho do canto do olho felino.

— Theo, meu inestimável lorde! Não é sem razão que Sir Barnaby sempre fica pisando em ovos quando tem que lidar com a França!

Fluffybutt ajeitou o punho de sua camisa, exibindo aquele meio-sorriso cínico e aristocrático que apenas os que detêm o verdadeiro poder conseguem sustentar:

— Ah, Vossa Graça... Eu não trocaria minha amada França por uma ilha úmida, cheia de cachorros, cerveja sem gelo e um parlamento cheio de raposas.

O leão rugiu de rir novamente, deliciado com o desdém de seu Primeiro-Ministro pela Coroa Britânica.

Com uma reverência impecável, Lorde Fluffybutt III despediu-se e deu meia-volta, retirando-se do salão com o "queijo na mão" — o tratado assinado, carimbado e perfeitamente costurado para garantir a glória do trono e o alívio dos cofres. O xadrez internacional estava ganho.

Ao cruzar os portões de Versalhes em direção à sua carruagem, a mente de Fluffybutt, o escritor e estrategista pagão moderno, já operava na próxima página de sua intriga. A Argélia receberia seu pergaminho no prazo exato de uma semana, preparando os lances para resolver os problemas domésticos.

O ex-administrador colonial francês permanecia trancafiado e sob a vigilância estrita dos buldogues de guarda de Fluffybutt. O homem saberia exatamente o seu lugar. O Primeiro-Ministro deixou ordens claras com seus capangas: qualquer miado mais suspeito, qualquer tentativa de enviar uma carta para os aliados de Von Fuchs na Áustria, e o burocrata simplesmente desapareceria nas águas profundas do Mediterrâneo, sem deixar rastros.

Como um verdadeiro mestre do jogo, Fluffybutt ia transformar rebeldes enfurecidos em súditos agradecidos, tudo isso antes do chá da tarde.

A carruagem do Primeiro-Ministro partiu a galope em direção ao porto, com o burocrata sob rédea curta e os camponeses prestes a entrarem, sem saber, na rede do felino mais perigoso da Europa.

O mar Mediterrâneo estava calmo, cortado pela proa da fragata com uma suavidade que combinava perfeitamente com o espírito de Lorde Fluffybutt III. Desta vez, o convés estava livre das queixas bufantes e do suor excessivo de Sir Barnaby. O lorde viajava com uma comitiva extremamente discreta, composta apenas por seus guardas mais leais e algumas de suas empregadas pessoais mais confiáveis, encarregadas de seu bem-estar e cuidado privado nas noites em alto-mar. O controle de riscos e a previsibilidade absoluta de sua rotina pessoal eram os verdadeiros luxos do Primeiro-Ministro.

Em sua cabine particular, à luz de uma lamparina que dançava conforme o balanço das ondas, Fluffybutt não olhava para o mapa da Argélia. Seus olhos verdes estavam fixos em um segundo pergaminho, estendido sobre a escrivaninha de mogno.

Aquele não era o tratado de autonomia que entregaria aos rebeldes coloniais. Era a sua obra-prima política: o plano estratégico que usaria, no devido momento, contra os camponeses franceses assim que retornasse à Europa.

Fluffybutt passou a pata enluvada sobre a tinta fresca do documento. Enquanto os camponeses nas províncias da França achavam que marchariam contra Versalhes com foices na mão, o felino já havia desenhado o tabuleiro de sua ruína pacífica:

A Ilusão da Concessão: O pergaminho detalhava uma série de pequenas isenções fiscais na taxa do trigo, direcionadas especificamente aos líderes das comunas camponesas mais ricas.

O Suborno Legalizado: Ao garantir que os líderes dos revoltosos ficassem subitamente satisfeitos e com os bolsos cheios, Fluffybutt cortaria a cabeça do movimento sem usar uma única guilhotina. Os líderes defenderiam a paz para proteger seus novos privilégios, deixando a massa de manobra camponesa sem direção.

O Financiamento Colonial: O mais brilhante era que cada centavo dessas pequenas isenções na França seria coberto pelo lucro do livre comércio que a Argélia, agora autônoma e grata, enviaria diretamente para o tesouro real.

Fluffybutt deu um gole em seu vinho, soltando um ronrono baixo de satisfação. Os camponeses franceses nem veriam o golpe chegando. Eles achariam que haviam dobrado o Primeiro-Ministro com suas revoltas, sem perceber que estavam apenas assinando o termo de sua própria pacificação, financiados pelo açúcar e pelas especiarias do Norte da África.

Na manhã do sétimo dia, exatamente dentro do prazo estipulado, os penhascos brancos e as construções de Argel surgiram no horizonte.

Quando a fragata atracou, a multidão de colonos e rebeldes já se espremia no cais. A tensão era palpável. O grande felino selvagem, líder da insurreição, estava na vanguarda, com os braços cruzados e os olhos fixos na passarela do navio. O sol atingia o topo do céu. Faltavam poucas horas para o pôr do sol definitivo do prazo.

Lorde Fluffybutt III surgiu no topo da rampa. O casaco de linho impecável, o lenço de seda perfeitamente alinhado e o olhar sereno de quem dita as regras do mundo.

Fluffybutt desceu os degraus de madeira sem pressa. Ele enfiou a pata no bolso interno do casaco e puxou o pergaminho com o grande e pesado selo de cera vermelha do Rei Leão VI.

— Como prometido, meus senhores — disse Fluffybutt, sua voz aveludada projetando-se sem esforço sobre o silêncio do porto. — O sol ainda não se pôs. E o destino da Argélia agora pertence a vocês.

O líder robusto das colônias estendeu a pata e tomou o pergaminho. Seus olhos se arregalaram ao sentir o peso do selo de cera real e ler as palavras que garantiam a autoridade local. Ele sorriu, um sorriso largo de quem acredita ter vencido um império, sem jamais perceber a corda de dependência econômica que Fluffybutt acabara de laçar em volta do seu pescoço.

A notícia espalhou-se como fogo pelo porto de Argel. A tensão que ameaçava explodir em pólvora transformou-se instantaneamente em uma celebração dionisíaca. O Primeiro-Ministro foi conduzido como um convidado de honra ao palácio que, até o dia anterior, era a sede do odiado governo burocrático.

O banquete que se seguiu faria os excessos de Versalhes parecerem uma dieta de quaresma.

A Gastronomia: Chegaram travessas de carnes exóticas, marinadas em especiarias que Fluffybutt nunca vira na França.

O Alcoool: As bebidas locais tinham um odor tão potente e incandescente que seriam capazes de deixar o mais forte absinto parisiense com inveja.

A Hospitalidade: Como sinal de gratidão suprema, os líderes trouxeram suas melhores odaliscas para entreter o "Libertador".

Lorde Fluffybutt III, um pragmático por natureza e adepto do ditado "em Roma, faça como os romanos", não recusou a hospitalidade. Ele sabia que recusar seria uma ofensa diplomática — e ele raramente desperdiçava uma oportunidade de prazer bem calculada.

A Segurança do Primeiro-Ministro: Fluffybutt nunca deixava o acaso governar sua saúde. Antes de se entregar às festividades, ele já havia administrado em si mesmo um elixir reforçado contra doenças venéreas (uma fórmula secreta de seus boticários particulares) e trazia consigo um estoque de camisinhas importadas da Suécia, feitas do mais fino couro tratado. Com a "frente de trabalho" devidamente protegida, ele relaxou.

Enquanto a festa rugia madrugada adentro, o lorde permanecia com um olho no prazer e outro no horizonte. Em meio aos vapores do narguilé e às danças das odaliscas, ele tateou o segundo pergaminho em seu bolso — o plano para os camponeses franceses.

Ele deu um gole na bebida local, sentindo o calor descer pela garganta.

— Aproveitem sua liberdade, meus caros — pensou ele, observando os líderes rebeldes se embriagarem de poder e vinho. — Amanhã, o trabalho de vocês vai patrocinar a corrupção aos líderes dos camponeses franceses. O equilíbrio do mundo é mantido pela minha pata.

Na manhã seguinte, antes mesmo que a ressaca atingisse os novos governantes da Argélia, a fragata de Fluffybutt já estaria levantando âncora. O destino era a França, onde uma massa de camponeses enfurecidos esperava para ser "atingida" pela fofura diplomática e pelo suborno legalizado do Primeiro-Ministro.

Criado com Gemini, do Google.
Imagem criada com Dreamina.