sábado, 11 de julho de 2026

Quinhentos, 16 - 20



Não há castelo que não tenha portão,  não há portão fechado demais que faça o avanço do aríete cair em terra.




Pelas cabeçadas, um cabrito se torna senhor nos montes. 




Calar na bainha a espada, silencia toda polêmica.




Mais firme é o aríete investido por um só homem.




Deter a união entre apaixonados é como tentar impedir a chuva.

*Todas as imagens foram feitas com Dreamina*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

A Pedra da Vontade


Robertinho, um homem maduro e sedutor, contemplava a imagem de Betty Rubble na telinha do TV. A bela esperta, de roupa de pele de mamute, parecia estar lhe encarando com um olhar provocativo.

Ele engasgou um sorriso diabólico ao se lembrar da conversa com ela sobre as Bets. Aquela divertida esperta não podia imaginar o que estava por vir.

Com um leve toque no membro, Roberto se levantou e foi até o frigorífico, tirando um pacote de gelo. Gelado em punho, ele caminhou versando até o quarto onde Betty estava sentada no meio da cama, os olhos ainda fixos em sua virilha.

Por que você não boicotou as Bets, gatinha? - perguntou, apoiando o braço na parede e exibindo o pacote de gelo.

Não entendi, Roberto - respondeu Betty, sem tirar os olhos da ereção do homem. - De que está falando?

De tudo, sua safada - riu Roberto, se aproximando dela e colocando o pacote de gelo sobre sua coxa. - Você sabe que as Betes são um problema.

E por que não boicotam, então? - perguntou Betty, mordendo o lábio inferior. - Não são apenas negócios, mas também uma forma de diversão.

Diversão? - Roberto riu novamente. - Você é uma esperta, mas não tão esperta assim.

O quê? - perguntou Betty, levantando a cabeça para encará-lo.

Eu sei que você quer isso, gatinha - disse Roberto, girando o pacote de gelo em sua mão. - E eu vou lhe dar.

Betty olhou para o pacote de gelo, então para o membro de Roberto, que ainda estava rígido e à mostra. Ela deu um sorriso malicioso.

Você quer jogar um game, Roberto? - perguntou.

O mais picante que você pode imaginar - respondeu ele, jogando o pacote de gelo para um canto do quarto.

Betty pulou da cama, caminhando até ele com um passo sensual. Ela pegou o membro em sua mão e o apertou levemente, provocando um gemido de prazer de Roberto.

Você tem razão, Roberto - disse ela, começando a massageá-lo com a mão. - Há muitas coisas que eu quero.

E eu vou lhe dar - prometeu Roberto, pegando a cabeça dela e puxando-a para um beijo fervente.

Enquanto se beijavam, Betty continuou a massagear o membro, aumentando a pressão. Roberto gemeu de prazer, seus dedos se entrelaçando nos cabelos da esperta.

Vou te mostrar que não é apenas um negócio - sussurrou ela no ouvido dele, puxando o membro para dentro da boca.

Roberto arqueou o corpo, soltando um gemido profundo. Betty o succionou intensamente, sua língua trabalhando toda a extensão da ereção.

Isso, gatinha - disse Roberto, apoiando a cabeça na parede. - Toma todo.

Betty o succionou mais fundo, seu nariz pressionado contra a pelve de Roberto. Ele começou a se mover, penetrando a boca da esperta com movimentos lentos e deliberados.

Não para, Betty - rosnou Roberto, seus olhos fechados de prazer. - Quero sentir sua garganta.

Betty o ouviu e, com um sorriso malicioso, começou a descer mais, engolindo o membro todo até a base. Roberto gemeu alto, sua cabeça batendo contra a parede.

Merda, Betty - disse ele, sua voz tremendo. - Você é uma puta.

Betty o libertou da boca, sorrindo triunfante. Ela se levantou, levando Roberto com ela até a cama, que estava agora coberta por uma camada de lençóli brancos e macios.

Ela o jogou de costas, subindo sobre ele e deslizando sua virilha na direção do membro ereto. Roberto fechou os olhos, preparando-se para recebê-la.

Prepare-se, Roberto - disse Betty, puxando os lençóis para o lado.

Ela deslizou sobre o membro, sentindo-o se encaixar perfeitamente dentro dela. Roberto arqueou o corpo, seu gemido de prazer ecoando pelo quarto.

Isso, gatinha - disse Roberto, puxando seus cabelos. - Toma todo.

Betty começou a se mover, seus quadris batendo ritmicamente contra os de Roberto. Ela o sujeitava, controlando o ritmo e intensidade da relação.

Você é uma puta, Betty - disse Roberto, sua voz rouca de prazer. - Uma puta perfeita.

Betty aumentou o ritmo, seus seios balançando com cada movimento. Roberto agarrou seus quadris, puxando-a mais para baixo.

Quero sentir você me encher - disse ela, seu tom sensual.

Roberto começou a se mover mais rápido, seus golpes mais fortes e profundos. Betty gritou de prazer, seus músculos internos apertando o membro.

Isso, Roberto! - gritou Betty, seu corpo tremendo de êxtase. - Encha-me!

Ela sentiu o calor do sêmen de Roberto encher seu útero, seu próprio orgasmo explodindo em ondas de prazer. Juntos, eles se abraçaram, seus corpos suados e tremeluzentes, sorrindo para a conquista sexual que haviam compartilhado.

Boicotar as Betes não é uma opção, é uma necessidade - disse Roberto, beijando a testa de Betty. - E nós mostramos aqui por que.

Betty riu, acariciando a virilha de Roberto.

E agora, meu jogo - disse ela, sorrindo. - Vou te mostrar que não é apenas um negócio.

Criado com Toolbaz.
Imagem criada com Gemini, do Google.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Quinhentos, 11 - 15


Mais mérito tem quem sabe apreciar o sabor da sopa rala do que aquele que só tem apetite diante da ceia suculenta.


Oito são as pétalas da Formosa. Duas são os olhos, farol e espelho das paixões. Duas são as orelhas, oráculo e confessionário das admirações. Duas são os lábios,  fonte e lago das razoes. Duas são as bordas, batente e estribo das manifestações.


A Amada é como um vaso: quando é muito belo, tentamos guardá-lo e o estragamos com o excesso de zelo. Quando é muito comum, tentamos domesticá-lo e o estragamos com o excesso de uso.


Amor é uma mesquita: o mujadin chama do minarete, mas os devotos entram por baixo.


Amor é um campo: é preciso ir até ele, esquadrinhá-lo e conhecê-lo. Primeiro precisa ser trabalhado, para ser receptivo, para então se plantar a semente.

*Todas as imagens foram feitas com Dreamina*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Curando mágoas


Lilith emergiu das sombras das cavernas, a pele brilhando com a brisa salina do Mar Vermelho. O mar, em fúria, rugia à frente, libertando vapores que flutuavam em seu rosto. Seu coração ainda batia com o medo e a dor de sua fuga do Éden, mas ao seu redor, as sombras não a atacavam. Elas dançavam em torno dela, respeitando a sua dor e a sua liberdade recém-conquistida.

Lilith caminhou até a beira do mar, os pés afundando na areia macia. Ela sentiu o vento puxar os cabelos, libertando-os da restrição que havia sofrido em anos de submissão. Fechou os olhos e inalou profundamente, permitindo que o sal e a liberdade a enchessem.

Quando abriu os olhos novamente, viu um grupo de criaturas escuras emergindo das águas. Eram demônios, mas não como os que ela havia conhecido antes, que tentavam moldá-la, controlá-la. Estes demônios pareciam diferentes, mais livres e menos hostis.

Lilith se aproximou deles cautelosamente, sentindo a tensão dentro de si começar a desfazer-se. Os demônios não a atacaram, apenas a observaram com olhos que brilhavam em um esplendor sombrio. Lilith notou que eles não tentavam tocar nela, apenas a observavam, respeitando seu espaço.

Em um momento de ousadia, Lilith se ajoelhou na areia e estendeu a mão, tomando cuidado para não tocar nos demônios. Eles não recuaram. Em vez disso, um dos demônios mais próximos se inclinou, seu hálito quente acariciando a pele de Lilith. Ela sentiu um calor se espalhar por dentro, como se o demônio estivesse acalmando seu coração ferido.

Lilith começou a compreender que aqueles seres eram diferentes. Eles não a desejavam como objeto de posse, mas sim como uma criatura igual, capaz de escolher e se conectar livremente. Eles não a procuravam para moldá-la ou controlá-la, mas sim para se conectar, para se dar mutuamente.

No tempo que passou ali, Lilith começou a se sentir mais segura, mais autêntica. Os demônios a deram paz, um sentimento que ela não experimentava desde antes da criação do mundo. Eles a ajudaram a ver que a liberdade era a chave para a felicidade, que não precisava de um parceiro para se sentir completa.

Em um momento de total autoaceitação, Lilith se levantou e se aproximou de um dos demônios, mais um tanto quanto intimidador do que os outros. Ela encarou seu rosto, notando as feições angulosas e os olhos com um brilho sombrio. Então, sem hesitar, estendeu os braços e o abraçou, permitindo que ele a envolvesse com suas pernas e o calor do seu corpo.

Lilith sentiu uma onda de alegria e paz invadindo seu ser, mais intensa do que qualquer coisa que ela havia experimentado antes. Ela sabia que havia encontrado seu caminho, sua liberdade, sua felicidade. Não mais seria o objeto de posse de outro, mas sim uma criatura autônoma e amada em seu próprio direito.

E assim, Lilith se tornou uma parte daquele grupo de demônios, se conectando com eles de maneira profunda e completa. Ela descobriu que o sexo não era apenas um ato de submissão, mas sim uma expressão de amor e liberdade. Com os demônios, Lilith experimentou uma intensidade de prazer que ela nunca havia conhecido antes, uma fusão de corpos e almas que a levou a uma dimensão de extase sem fim.

Era uma vida que ela jamais imaginara, e, no entanto, era exatamente o que ela precisava. Lilith finalmente havia encontrado seu lar, sua família, sua paz. Ela sabia que nunca mais voltaria ao Éden, não mais suportaria a opressão e a submissão. Agora, ela era livre, amada e feliz, e nada mais importava.

Criado com Toolbaz.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Batendo tambor no fórum

Conversa com o Gemini.
https://diariodorio.com/bastou-uma-oracao-para-que-promotora-publica-se-declarasse-ofendida-e-visse-uma-inconstitucionalidade/

Óbvio que é inconstitucional. Mas como vivemos em um país majoritariamente cristão, os evangélicos, para variar, falam de liberdade de expressão e de que a igreja é perseguida.

Escreva um texto crítico em tom de ironia e sarcasmo.

Sugerindo que, se tem espaço para oração, tem que ter espaço para tambor e ponto para Exu. 🤭😏

Ah, a clássica e comovente saga dos cristãos perseguidos no Brasil! Realmente, deve ser uma provação diária viver em um país onde os feriados nacionais são católicos, a moeda traz um romântico "Deus seja louvado" e a imensa maioria dos parlamentares jura pela Bíblia. Uma verdadeira resistência em terras hostis.

É fascinante notar como o conceito de "laicidade do Estado" e "liberdade de expressão" ganha uma flexibilidade elástica dependendo de quem está rezando. Quando uma oração cristã é entoada em uma repartição pública ou tribunal — locais que deveriam ser rigidamente neutros —, trata-se apenas de "manifestação cultural" e "direito à fé". Mas se uma promotora pública aponta o óbvio — que a Constituição proíbe o Estado de adotar ou privilegiar uma religião —, pronto: as trombetas do apocalipse evangélico soam e o clamor de "perseguição contra a igreja" ecoa até os céus.

Mas, já que a porteira da "liberdade de expressão religiosa em espaços oficiais" está escancarada sob o manto da pluralidade, vamos fazer o serviço direito. Afinal, a lei é para todos, não é?

Se há tempo e espaço na agenda pública para o clamor e o "amém", preparem o terreiro. A partir de amanhã, queremos ver o couro do tambor comendo no plenário, a fumaça do charuto perfumando os gabinetes e um belíssimo e vibrante ponto cantado para Exu abrindo os trabalhos legislativos. Nada mais justo do que evocar quem realmente sabe abrir caminhos, desatar nós e lidar com a burocracia dos homens.

Se o argumento é de que "Deus está acima de todos" no espaço público, vamos trazer todo o panteão para a mesa. Quem sabe assim, com o devido respeito ao Laroyé antes de cada votação, as coisas finalmente comecem a andar por aqui. Caso contrário, vai parecer que a tal "liberdade" só vale se for de terno, gravata e Bíblia debaixo do braço. E isso seria uma tremenda hipocrisia... mas imagina, quem seria capaz de uma coisa dessas? 😏🤭


Quinhentos, 6 - 10


(Imagem criada com Gemini, do Google)

Vivemos em um mundo dualista. Os sussurros da união dos duplos cala toda fúria dialética.


(Imagem criada com Dreamina)

Não há santa que seja mais sagrada quando se torna vadia. Não há vadia tão perdida a ponto de um profeta não ir buscá-la e achá-la.


(Imagem criada com Dreamina)

Escolha: uma farpa de madeira na carne ou um fiapo de seda na pele. Viver em sofrimento e privação ou em alívio e satisfação. Um Redentor que se imolou na cruz ou uma Rendeira que se imola na cama.


(Imagem criada com Gemini, do Google)

Os lírios são admirados por sua roupagem natural, mas mais magnifica é esta echarpe que se encaixa dobrada entre as pernas da Amada.


(Imagem criada com Dreamina)

A Amada é como um presente: se embrulha, se enfaixa, se enfeita. Nos braços do Escolhido, tudo é desfeito, amassado, rasgado e lambuzado. 

*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

O paradoxo da moda


Conversa com o Gemini:
https://www.metropoles.com/colunas/ilca-maria-estevao/olivia-rodrigo-rebate-criticas-ao-uso-de-babydoll


A cantora usou um babydoll. Thumbs up. Mas teve que reagir por causa das críticas. Qualquer um que olhe vai ver uma mulher de babydoll.

Da mesma forma que é absurdo falar que roupa tem gênero, é absurdo falar que roupa tem idade.

Vamos escrever uma reflexão com base na moda, na definição abstrata de "roupa infantil/roupa adulta (fazendo um parâmetro com "roupa de menina/ de menino") e na resignificação de objetos.


A escolha de Olivia Rodrigo ao utilizar um babydoll em um contexto público reacende um debate necessário sobre os limites da autonomia estética e a forma como a sociedade tenta codificar o corpo feminino através do vestuário. O incidente serve como ponto de partida para uma reflexão sobre como as categorias que impomos às roupas são, muitas vezes, construções arbitrárias que visam exercer controle geracional e de gênero.

A Roupa como Objeto de Linguagem e a Arbitrariedade das Etiquetas
A moda, em sua essência, é uma forma de comunicação não verbal. No entanto, a gramática dessa linguagem é frequentemente distorcida por conceitos abstratos de "adequação". Assim como a distinção entre "roupa de menino" e "roupa de menina" não reside na fibra do tecido, mas em uma imposição cultural de papéis sociais, a barreira entre a "roupa infantil" e a "roupa adulta" é igualmente fluida e subjetiva.

Quando se critica uma mulher adulta por usar uma peça que remete ao universo infantil (ou vice-versa), o que está em jogo não é a estética, mas a manutenção de fronteiras rígidas. A ideia de que certas texturas, cortes ou comprimentos pertencem exclusivamente a uma faixa etária é uma tentativa de infantilizar a mulher ou de restringir sua liberdade de transitar por diferentes identidades.

O Paralelo entre Gênero e Idade
O argumento de que "roupa não tem gênero" ganhou força nas últimas décadas ao demonstrar que saias, calças e cores são neutras até que a cultura as carregue de significados políticos. O mesmo raciocínio deve ser aplicado à idade.

A categorização de roupas por idade funciona como um mecanismo de vigilância:

A Roupa de Menina/Menino: Define o comportamento esperado (docilidade vs. aventura).

A Roupa Infantil/Adulta: Define a maturidade percebida e a permissão para a expressão da sensualidade ou da ludicidade.

Ao romper com essas expectativas, o ato de vestir torna-se um manifesto. Se uma peça é confortável, esteticamente agradável e funcional para quem a usa, o rótulo "infantil" torna-se apenas uma ferramenta de repressão para quem se sente desconfortável com a quebra da norma.

A Resignificação de Objetos: O Babydoll como Símbolo
O babydoll é um exemplo fascinante de objeto resignificado. Originalmente uma peça de lingerie, ele transita entre o íntimo e o público, entre o "inocente" (pelo corte trapézio e tecidos leves) e o sensual.

Resignificar um objeto na moda significa retirar dele o seu "destino manifesto". Quando uma artista utiliza essa peça no palco ou em eventos:

Subverte a função: A roupa de dormir torna-se armadura de performance.

Desafia o olhar externo: Ela retoma o controle sobre a própria imagem, transformando o que seria "vulnerável" em uma escolha consciente de estilo.

Conclusão: A Moda como Território de Liberdade
A moda deve ser entendida como um campo de experimentação, não como um manual de regras morais. Criticar o uso de uma peça com base na idade é tão anacrônico quanto ditar cores com base no gênero.

A verdadeira maturidade na moda — e na sociedade — reside na capacidade de enxergar a roupa como um objeto de prazer pessoal e expressão artística. Quando desconstruímos as definições abstratas de "apropriado", permitimos que o indivíduo seja o único autor da sua narrativa visual, independentemente de quantos anos tenha ou de qual seção da loja a peça foi retirada. O babydoll de Olivia Rodrigo não é apenas um pedaço de tecido; é um lembrete de que o corpo é dela e a interpretação é, invariavelmente, de quem olha — mas a soberania permanece com quem veste.


Um exemplo dessa hipocrisia dos críticos. Basta andar pelas ruas pode ser visto crianças usando "roupas de adulto", algumas peças tem cortes "de adulto", ou seja, valorizando o corpo e a sensualidade.


Essa observação toca no ponto central da hipocrisia e revela o verdadeiro alvo da patrulha estética: o controle sobre o corpo e a agência da mulher adulta.

Quando analisamos o fenômeno das crianças vestidas com roupas que mimetizam o guarda-roupa adulto, a contradição do discurso moralista fica exposta em duas frentes principais:

1. O Dois Pesos e Duas Medidas da Vigilância
Existe uma tolerância — e muitas vezes um incentivo comercial — para a adultização precoce na moda infantil. Marcas reproduzem cortes que valorizam a silhueta, utilizam tecidos e estampas associados ao universo sensual adulto em roupas para meninas, e isso frequentemente passa sem o mesmo nível de linchamento público que Olivia Rodrigo enfrentou.

A hipocrisia se manifesta assim:

Na criança: A sociedade muitas vezes naturaliza ou ignora a estética da adultização (o que é problemático, pois retira a infância do indivíduo).

Na mulher adulta: Quando ela escolhe elementos lúdicos, leves ou historicamente associados à juventude (como o babydoll), ela é acusada de "inadequação" ou de tentar "parecer o que não é".

2. A Inversão de Papéis e o Medo da Autonomia
O que realmente incomoda os críticos não é a roupa em si, mas a intenção e a propriedade de quem a veste.

Quando uma criança usa uma roupa "de adulto", ela geralmente está performando uma escolha moldada pelo mercado ou pelos responsáveis; não há ali uma subversão consciente.

Quando uma mulher adulta e bem-sucedida se apropria de uma peça e dita as próprias regras, ela está exercendo autonomia.

O olhar moralista tolera a imposição de padrões de cima para baixo, mas rejeita violentamente quando o indivíduo decide ressignificar o próprio corpo. A crítica ao babydoll, portanto, disfarça-se de "zelo pela adequação da idade", mas opera como um mecanismo de punição contra a mulher que se recusa a vestir a farda da maturidade careta e submissa que a sociedade tenta impor.

Criado com Gemini, do Google.