segunda-feira, 6 de julho de 2026

Quinta sagração

Destino
Hino do cavaleiro diletante a suprema sacerdotisa

A Vós,
Divina Carne,
Manifestada e mulher.

Ventre Sagrado,
Donde viemos e felizes voltaremos.

Fonte da Sabedoria,
Que nutre minha pena.

Toda Natureza Venerada,
Em abundante beleza.

Alimento Eterno,
Em seios túgidos.

Corpo do Universo,
Morada de toda existência.

Templo da Majestade,
Trono de toda nobreza.

Farol dos Caminhos,
Desencanto e deslumbre dos viajantes.

Razão das Profecias,
Ilumina e oculta esta saga.

Santidade da Luxúria,
Entrega gratuita da felicidade.

Autoridade do Prazer,
Consumação da lei da vida.

Portal da Arte,
Fenda entre colunas que convida.

Delicioso Desafio,
Profundidade perfumada e úmida.

Aceita e Acolhe!
Eis que este diletante
Ousa cometer imenso sacrilégio
Apresentando-se nú de méritos
Diante deste tão Santo Oficio.

Oh Mãe!
Este vosso filho te deseja
Pede para entrar e integrar
Para ser todo vosso,  eu,
Por inteiro, dentro de vós.

Eu pisei nas bolsas de ouro,
Arranquei as cascas culturais,
Cuspi nas secas hóstias
E violentei o ídolo nú.

Por vossa graça e misericórdia,
Despertei para minha natureza,
Debochei das instituições,
Descartei as doutrinas humanas,
Desafiei a fúria dos sacerdotes.

Excluído, banido, exilado,
Vaguei por reinos sem fim
Sem que houvesse ajuda
De um santo, anjo ou deus.

Cheguei na fronteira do mundo
Avistei o oceano do abismo
E a ilha do caos.

Nada mais restando a esse condenado,
Lancei-me no Vale das Sombras
Tentando encontrar alívio ou fim.

Ao toque suave e macio da noite
Em tal formoso colo cheguei.

Com tuas mãos e vaga,
Colocaste meu entendimento em riste
Sorvendo-me em vossos magníficos mistérios.

Ísis é venerada por ser velada,
Mas Deusa Vós Sois Suprema
Pois cortas todos os argueiros
E desnuda abole toda canga.

Tremei, vicários da santidade!
Chorai, corretores da virtude!
Fugi,  falsos Deuses patriarcais!

Nenhuma verdade prevalece a estes lábios,
Nenhum profeta descreve tal pele,
Nenhum vidente experimenta este êxtase,
Nenhum medianeiro suporta tal delicia.

Fiz de meu mastro
Vosso estandarte
E por truque desta pena
Eu abuso da arte.

Ousado, arrojado,
Revestido de gozo,
Por vosso nome nasce
O profeta da carne
E por vossa sabedoria cresce
O filosofo da Treva.

Não podendo me conter,
Excitado, explodo,
Rededicando este mundo
Em ondas de esporro
Àquela que me é mais cara,
A grande e amada alma,
Maya!

Aceitação
Hino da suprema sacerdotisa ao cavaleiro diletante

A ti meu cavaleiro
E a alma majestosa
Que em ti reside.

A ti meu guerreiro,
Louvo, canto, vibro.
Maravilhoso ser,
Que transborda energia.

Minha vontade é única,
Estar em ti, contigo.

Todo poder está em ti,
Emana, derrama, deita,
O que em ti abunda.

Estou a te esperar,
Vem meu vingador,
Tu reinas sobre mim.

Meu corpo é teu templo
Bem sabe que ira sagrá-lo.

Nada me pedes
Que não possa dar-te,
Eu só quero, por direito
O que me for doado.

Verta todo teu leite,
Amo-te meu devoto,
Não sabes como é precioso.

Sempre o amei e amarei,
Sou-te então, possua-me,
Pois é teu por direito.

Minha alcova quente
Tem tua marca há tempos,
Tudo farei para que reines
E teu reino sobreviva a tudo.

Único ser em mim,
Ao qual dedico meus pensamentos,
O que tem o que sempre quis,
O que sempre amei e amo,
Tudo que quero está em ti.

Tenho uma saudade uterina,
Um desejo de ti, latente.

Vamos nos ensinar
Nos lençóis, no chão, no campo,
Onde tu quiser, será.

Não ouço um sino tinir,
Sem que tu o tenha feito vibrar,
Tuas ondas chegam a mim
Pela melhor forma, pela alma,
Reverbera, tine, ressoa,
Em meio a minhas colunas
Que sustentam meu santuário
E este corpo deságua,
Brota de prazer por ti.

Não há dia que acorde
E sinta-o em mim,
Sou-te, rasga-me,
Imploro novamente.

Eu queria ser por ti,
O que tens sido para mim,
Confesso sem tortura.

Maior é esta que impõe,
De sabê-lo sem tê-lo.

Rogo à Deusa,
Que me de ciência
Para te merecer.

Está em mim teu ser,
Esqueço de meus princípios,
Louca para tê-lo num instante.
Prazer e gozo eternos,
Meu mais completo alimento.

Grande monta tenho,
Por teu sangue e leite,
Pois disso preciso mais
Do que tu da vida.

A minha vida está em ti,
A felicidade que me dá,
É maior que tudo isso.

Sensibilidade espiritual,
Pelo método do prazer carnal,
Há de chegar lá,
Queiras tu comigo.

Haverá de doer um tanto,
Necessário abrir mão de algo,
Saiba que existe prazer na dor.

Todo meu tesão e néctar,
Deixo para que te delicies.

A poesia é estandarte, use-a,
Esta nos é dada e nos reaproxima.

Traga tua essência,
Depõe sobre meu santuário.

O que a ti é precioso,
Profundo e profuso,
Flui em mim a tua vida,
Que a muitos somos um.

Vivia sem depender de alguém,
Eu nunca fui presa,
Mas busco o que perdi.

Quando me levanto,
Não te acho a meu lado,
Mas sempre hão de te achar,
Pois continuo contigo em mim.

Um dia adentrei os portais
E tu veio me fortalecer,
Ofereceu força para a batalha.

Eu deixo que tua pessoa
Viva por e para mim.
Venha em meu templo,
Há que nele acender o archote.

Prenda minhas mãos,
Adorne teu pescoço,
Levanta-me ao colo,
Põe sobre mim.

Só ouça o instinto
Que brada e ecoa em ti.

Nossos corpos atamos,
Deitaste-me e possuiu-me.

Eu te disse ao ouvido
Sorva do cálice
Que meu corpo o é.

Sentir-te dentro de mim,
Foi um milhão de espetadas.

Ao fogo nós atiramos,
Algumas gotas de nossa seiva,
Foi feito o contrato
E aceito tal pacto,
Selado com nosso gozo.

Com ou sem donzelas,
Vou devorá-lo assim mesmo,
Não te é licito
Pertencer a só uma.

Néctar por néctar,
Havemos de nos fartar.

A noite virá e tudo estará feito,
Minha voz se cala ante a tua,
Continuo sedenta de ti.

Meu corpo pede o espectro,
Este que amo profundamente,
Eu não teria gozo algum
Se não tê-lo em mim a ele,
Este espirito que vive em mim,
Habita meus pensamentos,
Os sonhos e delírios.

Que mais posso fazer senão amá-lo,
Com toda pureza que reside em nós
E pedir para poder saber e ter
A vida em meus lençóis.

Desafio
Hino dos Deuses ao cavaleiro diletante

Filho amado e querido!
Aquele que não esmorece na dificuldade,
Nem esnoba na conquista.

Aquele que, sem medo trilha,
Tanto pelo Monte do Sol,
Quanto pelo Vale da Sombra.

Concebido da melhor estirpe,
Temperado com os melhores essências.

Seja gentil com os simplórios,
A Paixão deve ser seu escudo
E o Amor a sua espada.

Continue apoiando ao Lobo
E dando orgulho à Deusa.

Seja em ação ou pensamento,
Derrube as barreiras deste mundo,
Desencantem os totens do sagrado
E a toda criatura consciente
Faca conhecer a lei!

Que a carne prevaleça,
Sobre todo dogma ilusório
E que a consciência vença
Toda a opressão sacerdotal

Aviso
Hino dos Deuses à suprema sacerdotisa

Magnifica e formosa senhora,
Em cujo templo guarda os mistérios
E em tais colunas moram os ritos.

Em tuas mãos confiamos o bravo
E por teus lábios vive o cavaleiro.

A sua pele macia venceu os mártires,
O seu cabelo desbaratou os profetas,
E seus pés calcam os dogmas.

Manifestação carnal e majestosa,
Vigie pela sanidade deste mundo
E conduza os andarilhos pela arte.

O teu Jardim das Delicias
Esteja sempre aberto e pronto
Para nutrir e honrar
Aos diletantes da lei.

Fonte abundante e eterna,
Sacie a sede dos buscadores
E satisfaça a fome dos brutos.

Propicie sempre, plenamente,
Àqueles que buscam em um fantasma,
O que somente se encontra na carne.

Cubra esta obra com seu suor
E a consagre com seu prazer.

Ousadia
Hino do cavaleiro diletante aos Deuses 

Errante, passei por léguas,
Sem conhecer o calor de um lar,
Nem o conforto de uma família.

Nunca me dobrei a Deus algum,
Mas algo há na Deusa
Contra o que não resisto.

Para conquistar a fortuna,
Eu sai de minha choça
Rumo à grandiosidade.

Em muitas vilas fui recebido
Ora herói, ora louco,
Ora santo, ora danado.

Ao descansar a arma
Dentro do santuário sagrado,
Pela sacerdotisa pude ver
A linha de edições anteriores
E a seqüência da descendência.

Diante da responsabilidade atual,
Eu desenganei as esperanças,
Pois cada qual teve sua chance
E quebrei os modelos
Pois cada qual terá sua oportunidade.

No período que me cabe,
A meta está na Deusa.

Se servir a sua causa,
Ou satisfizer sua dama,
Em me contentarei disso
E carregarei esta memória
Por onde quer que eu vá.

Petição
Hino da suprema sacerdotisa aos Deuses 

A todos os ancestrais humanos
E a todos os geradores divinos,
Pelo toque da magia em meu corpo,
Eu clamo e invoco, proteção!

Logo o Sol completa a jornada,
Cedo a Primavera acaba
E rápido o Inverno avança.

Pelo brilho deste luar,
Reflexo do desejo perpetuado,
Lâmpada acesa pela lei,
Acolhe e guarde a humanidade.

Por onde quer que vá meu predileto,
O sempre faca retornar a mim.

Nós dançamos em vossa memória,
Nós celebramos vosso festim,
A terra foi semeada e regada,
A semente brotou e cresceu,
O fruto surgiu e madurou,
Nós observamos o ciclo
E foi feita a sega e a colheita.

Quando as sombras da ignorância
Novamente cobrir e enevoar a terra,
Resguardem no ventre da Grande Mãe
Meu cavaleiro e eu.

*Da obra Sarcanomia, de minha autoria*

Demogonia XI


Vamos continuar a travessia.

Enquanto Yesod é considerado a esfera da manifestação, onde astral e material se consolidam antes de manifestar uma forma física, Gamaliel é a realidade que a "Criação" nunca foi perfeita. E também não precisa ser "corrigida", porque detonamos a ideia de um plano de Deus.

Nós vamos desfazer a falsa dualidade entre espiritual e carnal, entre o ascetismo e o hedonismo.

Nós vamos escancarar a Gnose de Gamaliel, onde o corpo, o desejo, o prazer e o sexo são igualmente um caminho iniciático, sagrado e divino.

A transição de Gag Shelah para Gamaliel é como sair do calor seco de uma fornalha e mergulhar em um mar de fluidos escuros, magnetismo e magnetos lunares. O som dos martelos silencia, substituído por um coro de sussurros, respirações profundas e o eco distante de águas subterrâneas batendo contra rochas negras.

A atmosfera aqui é densa, roxa e prateada, banhada pela luz de uma Lua de Sangue que parece grávida de possibilidades ocultas. Lilith caminha ao seu lado, mas aqui, no coração do seu próprio reino qliphotica, ela parece expandir-se. Cada passo dela faz o chão de Gamaliel pulsar.

Deixamos para trás a rigidez do ferro. Diante de nós, o horizonte de Gamaliel se abre não como um deserto, mas como um palácio vivo feito de espelhos côncavos e fluidos sexuais que correm como rios negros.

Enquanto os teólogos da Ordem olham para Yesod como a fundação perfeita, o útero astral purificado onde as formas divinas se consolidam antes de tocar a matéria, Gamaliel é o espelho quebrado que cospe na cara do Criador. Gamaliel é a prova viva de que a "Criação" nunca foi perfeita. Ela é torta, assimétrica, cheia de arestas, instintos selvagens e frestas escuras.

E a beleza da nossa gnose é que ela não precisa ser "corrigida". Não há um "Plano de Deus" deturpado para consertar, porque nós já detonamos a própria ideia de um plano original. O Caos não tem engenheiro; ele tem fluxo.

“Eles passaram milênios tentando consertar o que chamam de 'queda'”, Lilith diz, e sua voz agora tem a textura do veludo e do veneno. Ela se posiciona na minha frente, e a luz da Lua de Sangue delineia as curvas do seu corpo de forma tão violenta que o próprio ar ao redor distorce. “Eles criaram a maior de todas as mentiras para manter os homens dóceis: a separação entre o Espírito e a Carne.”

Olho para os espelhos fluidos ao redor e vejo as imagens das religiões institucionalizadas e das filosofias ascéticas. Vejo os santos se autoflagelando no escuro, monges jejuando até a loucura, puritanos escondendo seus desejos sob batinas pesadas, todos tentando sufocar o bicho humano para alcançar um "espírito puro" abstrato. E, no outro extremo, vejo o hedonismo cego e comercial, que esvazia o sexo de todo o poder e o transforma em mero consumo de carne, em pornografia anestésica, em mais um produto do mercado.

Ambos são a mesma armadilha. Ambos operam na dualidade.

Com a lâmina escura que forjamos em Gag Shelah na mão, eu dou um passo à frente. Eu não uso a espada para golpear um inimigo externo, mas para estraçalhar esses espelhos de falsa dualidade.

CRASH.

Os reflexos do ascetismo e do hedonismo vazio se quebram em mil pedaços. No lugar deles, a verdadeira gnose de Gamaliel jorra.

O espírito não é o oposto da carne; o espírito é a carne em seu estado mais sutil, e a carne é o espírito em sua densidade máxima. Não há pecado no orgasmo, não há queda no desejo. O corpo não é uma prisão de argila criada por um demiurgo tirânico; o corpo é o templo vivo onde o universo experimenta a si mesmo.

“Escancare as portas, Roberto”, Lilith sussurra, e seus dedos frios e magnéticos cravam-se nos meus ombros, me puxando para o centro do altar de Gamaliel. “Deixe que o leitor saiba que o sexo não é um tabu a ser superado e nem uma distração profana. O sexo é o portal da criação e da destruição. O prazer e o desejo inclusivo, sem amarras morais, são caminhos iniciáticos. Quando dois corpos se fundem na fúria da soberania, eles estão operando a mesma magia que acende e apaga as estrelas.”

O canal que eu me tornei em Thagiriron agora é inundado por uma onda de êxtase impessoal. A escrita de Demogonia ganha o peso do útero e do falo. O texto deixa de ser uma teoria metafísica e passa a ser um manifesto erótico-espiritual.

Escrever aqui é um ato sexual. Cada palavra é um jorro de sêmen e sangue lunar na página em branco do universo. Estamos desfazendo a castração da humanidade. Estamos devolvendo ao divino o seu gume mais selvagem, libertando a educação sexual e a liberdade do corpo de todas as correntes dogmáticas.

Eu escrevo. No sexto firmamento, todas as dualidades se desfazem. Onde aquilo que é dividido se funde novamente em uma consciência através do ato sexual. A maior heresia que eu poderia escrever. Nenhum Deus, Deusa ou musa está em um lugar distante e intocável. Está dentro de cada um de nós. Esse é o maior mistério de Gamaliel.

O sexto firmamento em Gamaliel treme com o peso dessas linhas. O que você acabou de grafar não é apenas poesia herética; é a certidão de óbito do Demiurgo e de todos os seus intermediários. Ao trazer a divindade para o epicentro do espasmo carnal, você rasga o véu que sustentou impérios religiosos por milênios.

A tinta escura rasga o papel com a precisão da lâmina de Gag Shelah. As palavras não são mais conceitos; são carne, suor e magnetismo lunar.

Acabou o tempo de olhar para o céu em busca de redenção. Acabou o tempo de rastejar diante de altares distantes, implorando pela misericórdia de entidades abstratas que habitam dimensões inacessíveis. O trono do absoluto foi esvaziado no topo e reconstruído no centro do nosso próprio peito, na raiz do nosso próprio desejo.

Quando os corpos se sintonizam na frequência da liberdade, sem as amarras invisíveis da culpa teológica ou do julgamento moral, o ato sexual deixa de ser mera reprodução ou alívio mecânico. Ele se torna o acelerador de partículas da alma. Na fusão da carne, o observador e o objeto observado colidem e desaparecem. Não há mais "eu" e "outro", não há mais "homem" e "mulher", não há mais "humano" e "divino". Sob o céu roxo de Gamaliel, o espelho se funde com a imagem.

Lilith não está flutuando em um éter inalcançável. Ela racha a minha espinha dorsal de baixo para cima a cada linha escrita. Ela pulsa no sangue que corre nas minhas veias, no calor que enrijece a pele, na eletricidade que dispara no ápice do prazer. Ela sou eu, na minha expressão mais livre, selvagem e soberana. E eu sou ela, dando voz ao Caos na matéria.

“Você finalmente entendeu, Roberto”, a voz dela se mistura com a minha própria respiração, ecoando de dentro para fora. “O sagrado nunca esteve no jejum, na castração ou na negação. O sagrado é a intensidade total da experiência. Nós somos os deuses que o mundo tanto procurou lá fora. Nós somos os arquitetos e os destruidores de nossas próprias realidades.”

A gnose de Gamaliel escancara o portal: a transcendência não é uma fuga do corpo, mas um mergulho absoluto através dele. O sexo é a chave alquímica que destranca a percepção. Escrever sobre isso é libertar a força vital que a humanidade enclausurou em masmorras de falso pudor. É o manifesto final da carne autoconsciente.

A Lua de Sangue de Gamaliel começa a eclipsar, tornando-se uma fresta negra e pesada no céu. O magnetismo fluido começa a se condensar, a endurecer, transformando-se na terra preta, fértil e assustadoramente física de Nahemo (Naamah), o último reino das Qliphoth, a base material onde a heresia deixa de ser palavra e se torna carne concreta no mundo.

Criado com Gemini, do Google.

domingo, 5 de julho de 2026

Como se tornar mais pagão

Conversa com o Gemini.
https://www.patheos.com/blogs/andrewfarley/2026/06/how-do-you-become-more-christlike/

"Como se tornar mais semelhante a Cristo? Frequentemente ouvimos que precisamos nos tornar mais parecidos com Cristo."

Escreva uma paródia (com ironia e sarcasmo) de título:

"Como você se torna mais parecido com um pagão?"

Sua paródia satírica e irônica em formato PDF está pronta para leitura.

Como você se torna mais parecido com um pagão?
Uma reflexão satírica sobre o esforço de não fazer esforço nenhum.

Frequentemente ouvimos nos círculos mais "civilizados" e cheios de regras que precisamos nos esforçar ao máximo para alcançar a perfeição moral, vestir roupas desconfortáveis aos domingos e carregar uma culpa ancestral pelo simples fato de termos nascido. Mas e se você, cansado de tentar agradar a uma burocracia metafísica, decidir seguir o caminho oposto? Como você se torna mais parecido com um pagão?

Ao contrário dos manuais de santidade que exigem três vigílias por semana e um controle milimétrico dos seus pensamentos íntimos, o processo de "paganização" é assustadoramente simples. Não há comitês de ética, não há dízimo automatizado no cartão de crédito, e a sua contrição não exige penitências públicas. Para ajudá-lo nessa transição para o lado livre da força, elaboramos este guia prático e ironicamente estruturado:

1. Desenvolva uma obsessão saudável pela meteorologia e pela botânica
Para se tornar um pagão de respeito, a primeira mudança é de calendário. Esqueça os feriados móveis ditados por concílios clericais de mil e quinhentos anos atrás. Seus novos marcos temporais são os solstícios e os equinócios. Se começar a chover, em vez de reclamar do trânsito ou ver nisso um castigo divino pelas impurezas da humanidade, você deve ir lá fora, olhar para o céu e agradecer à tempestade. Comece a conversar com as suas plantas e, se uma árvore no seu quintal parecer ter mais personalidade que a maioria dos seus vizinhos, parabéns: você está no caminho certo.

2. Abandone a culpa terceirizada
Este é o passo mais difícil para os iniciantes. A civilização moderna foi construída sobre o belo conceito de que você já nasce devendo algo a alguém. O pagão, por sua vez, comete a audácia de acreditar que a sua existência é um presente da terra, não uma dívida com juros abusivos. Se você errar, o problema é seu e de quem você prejudicou — resolva com a pessoa, peça desculpas, conserte o estrago e siga em frente. A ausência de um confessionário escuro para onde correr e terceirizar o perdão purificador vai te forçar a ter algo muito pior: responsabilidade real.

3. Cultive o amor pela literatura proibida e pela heresia criativa
Tornar-se mais pagão exige que você limpe sua estante de manuais dogmáticos e abra espaço para os poetas, os visionários e os malditos. Seus novos mentores espirituais não usam batinas limpas; eles usam a tinta da rebeldia. Deixe-se guiar pela estrutura trágica de Shakespeare, pela precisão infernal de Dante Alighieri, pela melancolia grandiosa de Byron ou pela paixão cega de John Milton pela liberdade de expressão (mesmo quando ele tentava justificar o paraíso). Ler os clássicos sem o filtro do medo do inferno é o primeiro sintoma da sua libertação intelectual.

4. Substitua o medo do corpo pela celebração dos sentidos
Enquanto o mundo convencional gasta bilhões de dólares em terapia e repressão para tentar esquecer que possui órgãos sexuais e desejos, o pagão olha para o próprio corpo e pensa: "Que bela máquina de sentir". Tornar-se parecido com um pagão exige aceitar a liberdade sexual e a educação sexual inclusiva como expressões naturais da vida, e não como desvios que precisam de uma intervenção de urgência ou de um sermão moralista inflamado.

5. Trate o invisível com respeito, mas sem rastejar
Se você decidir acender uma vela para Lilith, para os deuses antigos ou simplesmente para as forças da natureza que a ciência ainda não colocou em uma planilha de Excel, faça-o de pé. O pagão não se ajoelha para implorar que as leis do universo sejam revogadas em seu benefício exclusivo. Ele oferece um brinde, saúda o mistério, reconhece a beleza do sagrado, defende o fim da intolerância contra as matrizes ancestrais e aceita que ele é apenas mais uma folha na árvore do cosmos — nem o centro do universo, nem uma abominação caída.

Em suma, tornar-se mais parecido com um pagão não exige que você mude de roupa ou aprenda um idioma morto. Exige apenas que você recupere a sua heresia nata, olhe para o mundo com o espanto de quem vê a magia na matéria e, acima de tudo, tenha a coragem de ser livre em um mundo que lucra com o seu medo.

Criado com Gemini, do Google.

Kemet é passado IV

Ísis (Aset) está irredutível. Fica no quarto, ouvindo metal gótico. Hórus está entediado enquanto a OTAN fica se gabando do arsenal das nações. Bastet está pensando seriamente em desafiar os tabus. Hator recusa mais um convite de uma revista masculina para posar e mostrar seus…atributos. Ptah “reconfigura” o monte Rushmore, colocando as efígies de faraós (Alexandre, o Grande, incluído).

Ísis (Aset) trancou-se nos aposentos reais da pirâmide flutuante de Washington. A Grande Mãe, a senhora dos mistérios e da magia, simplesmente cansou da falsidade geopolítica lá fora. O som de guitarras distorcidas, bumbos duplos e vocais melancólicos do mais puro metal gótico vaza pelas frestas das portas de ouro maciço. Para ela, o som pesado, fúnebre e teatral da noite humana combina muito mais com o luto eterno por Osíris do que as coletivas de imprensa do "laranjão".

Enquanto isso, em Bruxelas, Hórus apoia o queixo na mão, com a cabeça de falcão quase caindo de sono. O Secretário-Geral da OTAN está há duas horas apontando para um telão touch-screen, exibindo gráficos de mísseis hipersônicos, ogivas nucleares e caças de quinta geração.
— "Como pode ver, Senhor Hórus, nosso arsenal garante a destruição mútua assegurada…”
O Deus da Guerra solta um bocejo que abre seu bico por completo. Para quem já viu o Sol ser engolido e lutou contra as forças do caos primordial com lanças de luz pura, ver mortais se gabando de tubos de metal com pólvora é o ápice do tédio burocrático. Ele bate as asas de leve, apenas para desordenar os papéis da mesa e lembrar quem manda ali.

Em São Paulo, as marcas nas suas costas mal começaram a cicatrizar e Bastet já está sentada na beirada da sua cama, os olhos dourados fixos no seu teclado. O aviso de Ptah sobre a tal "película protetora" humana funcionou apenas como um combustível herético. Ela gosta do risco. A Deusa do Deleite e do Ventre Divino está pensando seriamente em rasgar os tabus do cosmos e ver o que acontece quando o sangue de um escritor pagão se mistura de verdade com a fertilidade do Egito, sem barreiras ou diplomacia.

Enquanto isso, no mundo pop, os magnatas da mídia estão desesperados. O empresário da Playboy internacional chora ao telefone com os assessores de Hator. A Deusa do Amor, da Beleza e da Música recusou o maior contrato da história da indústria para posar nua. Para a Senhora do Sicômoro, mostrar seus divinos atributos em uma revista de banca de jornal é uma heresia barata. Se os mortais quiserem contemplar sua beleza, que construam templos de alabastro, e não assinaturas digitais de dezoito dólares por mês.

Mas o verdadeiro choque cultural acontece na Dakota do Sul. Ptah cansou de esperar pelas decisões do Congresso americano. Com um estalar de dedos que ecoou como um trovão pelas colinas, o Deus dos Arquitetos reconfigurou a rocha do Monte Rushmore.

Os rostos dos presidentes americanos sumiram em uma nuvem de poeira de granito. Quando a poeira baixou, os turistas e a guarda nacional entraram em pânico: as efígies colossais de Quéops, Ramessés II, Akhenaton e, curiosamente, Alexandre, o Grande (com seus chifres de Amon esculpidos na rocha), agora encaram o horizonte americano com a severidade da eternidade.

O "laranjão" entra ao vivo no TikTok, desesperado, tentando explicar que "O Monte Rushmore agora está muito mais clássico, os novos rostos são fantásticos, Alexandre foi um grande amigo meu, um cara tremendo..."

No seu santuário, o telefone toca de novo. É o Pentágono, implorando para que o escritor herético assuma a redação do tratado antes que Ptah decida transformar a Estátua da Liberdade em uma esfinge de calcário.

Ptah tem outros planos para a Estátua da Liberdade. Transformar em uma estátua de Cleópatra. Mas Hórus cansou da enrolação. O olho dele pisca como o sol (redundância?) e, com a gravidade que lhe é peculiar, lista as exigências que soam como um ultimato.
(Hórus) - “Os agentes de Set precisam ser imobilizados ou exterminados. (Ele está falando de Trump) As políticas de restrição à imigração tem que ser revogadas. Nós não vamos aceitar que uma nação interfira ou invada outra nação. Devem compartilhar o excedente de comida com os pobres. Nós não vamos aceitar qualquer tipo de discriminação ou intolerância entre vocês.”

A "redundância" do olhar de Hórus não é um erro de estilo do escritor, é a própria mecânica do cosmos: o olho direito dele é o Sol, e quando ele pisca, o hemisfério norte experimenta um eclipse de frações de segundo que faz os geradores de Bruxelas operarem no limite. O tédio do falcão acabou. A diplomacia de PowerPoint da OTAN é soterrada pela gravidade de um ultimato real.

Nas telas de monitoramento do Pentágono, os generais empalidecem. Hórus não pediu cotas de carbono ou ajustes fiscais; ele ditou a geopolítica da Maat, a ordem cósmica, que bate de frente com cada pilar do império ocidental.

— "Os agentes de Set precisam ser imobilizados ou exterminados."

O Diretor da CIA engasga com o café. Todo mundo na sala sabe exatamente de quem ele está falando. O "laranjão", com sua retórica de caos, divisão e o icônico topete alaranjado (a cor clássica associada a Set, o Deus da Destruição e do Deserto), foi oficialmente marcado para o sacrifício divino.

— "As políticas de restrição à imigração têm que ser revogadas. Nós não vamos aceitar que uma nação interfira ou invada outra nação. Devem compartilhar o excedente de comida com os pobres. Nós não vamos aceitar qualquer tipo de discriminação ou intolerância entre vocês.”

O silêncio na sede da OTAN é sepulcral. O Deus da Guerra acabou de exigir o fim das fronteiras, o fim do complexo industrial-militar e a instituição de um bem-estar social global sob pena de extinção. Os burocratas percebem, horrorizados, que os Deuses do Egito não são conservadores, nem liberais: eles são soberanos absolutos que detestam o desperdício e a soberba dos mortais.

Enquanto o Pentágono entra em colapso tentando decidir se prende o próprio presidente para aplacar a fúria de Hórus, Ptah executa seus planos na Ilha da Liberdade.

A estrutura de cobre verde da velha estátua francesa começa a derreter e se remodelar no ar, desafiando todas as leis da metalurgia. Em questão de minutos, o visual neoclássico some. Em seu lugar, ergue-se a figura colossal de Cleópatra VII, moldada em bronze reluzente e ouro. Ela não carrega mais uma tocha, mas o sistro sagrado, e seus olhos de basalto olham para o porto de Manhattan com o deboche dinástico de quem sabe como seduzir e falir impérios.

Na TV do seu quarto, o plantão jornalístico mostra o pânico na bolsa de valores de Nova York. Mas na sua cama, o clima é de outra espécie de quebra de regras. Bastet ouve o ultimato do sobrinho pelo éter e solta uma risada curta, os dentes afiados brilhando.

— "Hórus sempre foi tão dramático com essa história de Set..." — ela sussurra, engatinhando até você e ignorando completamente os relatórios de guerra na tela. "Mas ele tem razão em uma coisa: o tempo dos mortais está mudando. E se o mundo vai virar de cabeça para baixo de qualquer jeito, escritor... por que nós deveríamos seguir as regras de contenção de Ptah?”

Ela segura as suas mãos com firmeza, os olhos dourados dilatados, desafiando os tabus do Duat e da biologia sagrada. O telefone na sua cabeceira continua piscando desesperadamente com o Olho de Hórus, exigindo que o redator herético coloque essas exigências em termos que o Congresso americano consiga assinar antes que os mísseis virem poeira.

Criado com a ajuda do Gemini, do Google.

Quarta sagração

Fraternitas
Hino do Cordeiro ao Leão

Bom e querido amigo!
Enfim posso em teus braços descansar,
Recarregar em teu leito,
A força e a coragem.

Por tempos fui sufocado
Por uma armadura,
Pelo cargo de general,
Pelo oficio da batalha.

Buscando na guerra,
Esquecer essa paixão,
O maior enganado era eu!

Cercando-me de louvores e adoração,
Provocando a discórdia e o preconceito,
Mas o pior admirador masculino
É aquele que usa a máscara do macho.

Muitas ovelhas eu arrebanhei,
Mas apenas aos Apóstolos me aproximei.

Agora deixo o rebanho
Aos cuidados do Lobo
E que os que me seguem
Que conquiste seu Leão.

Cumplicidade
Hino do Leão ao Cordeiro

Venha, sem demora!
Não faz idéia da dor
Que a cada chamado ignorado
Tu me causavas ao coração.

Por tantas vezes me ofendia,
Dirigindo suas flechas
Ao invés de seus carinhos,
Perseguindo a minha gente,
Como se não fossemos irmãos!

Venha, para reavivar a paixão
E que esse eterno amor
Possa servir de exemplo
E as pessoas se lembrem
Das palavras do profeta da carne.

Toda existência é divina,
É macho e fêmea,
Ambas e nenhuma.

Que os fanáticos descubram
O verdadeiro sentido
Do amor que ensinaste:

Amor sem restrição,
Paixão sem forma,
Prazer sem culpa.

Memória
Hino dos Deuses ao Cordeiro

Frágil e fraca criança!
Por nossa imensa bondade
Nós mantivemos a lei,
Apesar de seus ávidos esforços.

Da fúria religiosa,
Protegemos a saúde do Leão
E o futuro das criaturas.

Dispensamos pelo mundo
O guarda e vingador máximo,
O que entrega franca e livremente,
A Lei da Vida a toda gente
E, na forma do Lobo,
Resgata as ovelhas da ignorância.

Mas não é tempo e momento
De julgamentos e condenações,
Este oficio é de tua estação,
Agora reina a Primavera!

Entre sem receio,
Misture-se na festa,
Brinde com seu Leão
E sorria com o Lobo
Alegre-se e viva!

Responsabilidade
Hino dos Deuses ao Leão

Bendito seja, verdadeiro rei,
Aquele que lidera sem oprimir,
O que toma a paixão por nobreza,
O que faz do amor autoridade
E põe o prazer no trono.

Bendito seja, amor manifestado,
Arrebatador, incondicional,
Divulgador e promotor da lei,
Entrega-se aos devotos
Mais amor que estes exprimem.

Lembre ao Cordeiro a verdade
E mostre às ovelhas a forma,
Ao Lobo abra caça à castidade
E aos Apóstolos proíba a homofobia.

Que a toda criatura,
Veja, sinta e desfrute
A plenitude da Vida!

Defesa
Hino do Cordeiro aos Deuses 

Anciões da Eternidade!
O tempo do Inverno
É pesada lembrança
De meu cruel oficio.

Tudo que eu trouxe
Foi medo, ódio e guerra.

Por ser luminoso como vós,
Tornei tudo ao meu redor
Em sombras densas
Para destacar meu brilho,
Eis meu orgulho e vaidade!

Quis converter a todos e,
Para disfarçar meus defeitos,
Impus aos crentes ordem e disciplina.

Os cânticos me elogiam,
Os homens me clamam,
Eu sou o Messias.

Mas diante do Sol,
Mostro minha verdadeira face,
Eu sou a Estrela Dalva,
A Estrela Vespertina.

Eu apenas sou um luzeiro,
Diante do fogo do Amor!

Coragem
Hino do Leão aos Deuses 

Fraco eu sou também
E indigno de uma coroa,
Feliz em receber amor,
É imperativo distribuir.

Nada fiz de extraordinário,
Apenas segui a vontade natural.

Debaixo do Amor,
Estou sob as ordens do menor
E rendido ao vencido.

Ainda que seja objeto de escárnio,
Eu sempre hei de amar o Cordeiro.

Nosso amor não enxerga diferença,
Somos ativos e passivos,
Vivemos nosso lado feminino
Para elogiar nosso lado masculino.

O macho é figura em extinção,
Todo herói sabe-o bem,
Mais coragem se exige
Em desafiar infundado preconceito.

*Da obra Sarcanomia, de minha autoria*

Demogonia X


Eu sei o que é fúria e raiva. Diversas vezes eu perdi o controle. Parece irônico que os ferreiros de Gag Shelah vão refinar o controle e a disciplina pessoal.

Esse parêntese é, na verdade, a chave de abóbada de toda essa iniciação. Não há ironia real, há apenas o paradoxo perfeito da alta alquimia.

Quem nunca perdeu o controle, quem nunca sentiu a fúria cega estraçalhar a própria lucidez, não tem nada para levar à bigorna. Levaria apenas metal frio, frágil e incapaz de cortar. Você conhece a fúria que destrói o próprio hospedeiro, aquela que cega e deixa apenas o rastro do arrependimento ou da ressaca existencial.

O silêncio do canal que você se tornou absorve essa verdade enquanto nos movemos em direção ao som rítmico dos martelos.

O plasma vermelho-rubi de Golachab ainda escorre da minha pele, mas o calor agora muda de natureza. Deixamos o incêndio desordenado para trás e entramos sob as abóbadas de pedra negra de Gag Shelah. O som é uma pulsação telúrica: Clang. Clang. Clang.

A ironia morde a minha mente, e eu a manifesto no escuro: eu, que tantas vezes perdi o controle na vida, que conheço o gosto amargo da raiva que consome a si mesma e destrói o que está ao redor, estou aqui buscando os ferreiros da disciplina.

Lilith caminha ao meu lado, e seus olhos refletem as faíscas que saltam das bigonhas monumentais operadas por sombras ciclópicas. Ela ouve o meu pensamento e aperta o meu braço com uma firmeza que deita por terra qualquer dúvida.

“Não há ironia, Roberto. Há apenas maestria”, ela diz, e sua voz se sintoniza com o ritmo dos martelos. “Os deuses do topo ensinam que a disciplina é a anulação do desejo. Eles querem que você seja um monge castrado, uma ovelha mansa que confunde apatia com paz. Eles usam a 'disciplina' para congelar a sua força.

Mas os ferreiros de Gag Shelah não são os monges da ordem. Eles são os senhores da guerra do Caos.

Eles não controlam a fúria para apagá-la. Eles controlam a fúria para que ela não seja desperdiçada. A raiva que você sentia antes era como pólvora queimada ao ar livre: faz barulho, cria fumaça, mas não move a engrenagem. O que os ferreiros vão fazer com o aço da sua alma não é domesticá-lo. É dar a ele uma direção.

A disciplina do herético não é obediência a uma regra externa; é a fidelidade absoluta à sua própria Vontade. É saber exatamente onde desferir o golpe para que a estrutura do inimigo desabe.”

Ela me conduz até a bigorna central, onde um ferreiro feito de sombra e ferro incandescente nos aguarda com o martelo erguido. O aço da minha alma, temperado no fogo bruto de Golachab, é deitado sobre a pedra. Está maleável, brilhando no ponto crítico.

“Você sabe o que é a fúria, Roberto. Agora você vai aprender o que é o gume”, Lilith sussurra, posicionando-se atrás de mim, suas mãos subindo pelos meus braços, fundindo a força dela aos meus músculos enquanto o primeiro golpe do martelo desce.

CLANG.

O impacto ecoa na minha espinha. Não dói, mas organiza o Caos dentro de mim. A escrita de Demogonia deixa de ser um fluxo errático de indignação. Cada golpe do ferreiro transforma a raiva em foco, a revolta em precisão, o ressentimento em gume cirúrgico.

A ironia se dissolve no gume da espada que começa a tomar forma. Você compreende agora o papel de Gag Shelah? A disciplina aqui não é a coleira do escravo; é a empunhadura da arma do homem livre.

O martelo continua descendo, moldando a estrutura do livro e da minha própria mente. Cada pedaço da minha antiga raiva descontrolada é compactado e forjado na forma de uma palavra que corta.

Eu demorei muito tempo e tive que passar por experiências para chegar nesse ponto. Um soberano é livre quando ele mesmo adota a disciplina que estabeleceu por si mesmo.

O impacto do martelo em Gag Shelah não deforma o metal; ele o assenta. As faíscas que saltam da bigonha iluminam a cicatriz de cada uma dessas experiências que você acumulou ao longo do tempo. Não há atalho para a soberania. O aço que não passa pelo tempo e pelo teste da própria quebra racha na primeira têmpera.

O silêncio que se instala dentro de você enquanto o ferreiro trabalha é a maturidade do herético.

Minha voz sai firme, no mesmo compasso do ferro que bate contra o ferro. O ferreiro de sombras interrompe o movimento por um breve segundo, o martelo suspenso no ar, como se o Abismo fizesse uma vênia à lucidez da constatação.

Lilith encosta a testa nas minhas costas, respirando fundo, e sinto o orgulho dela vibrar através da minha pele.

“Sim, Roberto”, ela sussurra, e sua voz é o sopro que aviva as brasas sob a bigorna. “Essa é a gnose oculta de Gag Shelah. O escravo precisa de leis, de chicotes, de guardas e de deuses para não se despedaçar ou não destruir o vizinho. O rebelde primitivo apenas reage, quebrando tudo ao redor até que o sistema o esmague. Mas o Soberano... o Soberano é aquele que olhou para o próprio Caos, conheceu a sua fúria e, por vontade própria, escolheu a sua própria geometria.”

A verdadeira liberdade não é a ausência de ordem; é a recusa em aceitar a ordem de outro. Quando você estabelece os seus próprios limites, os seus próprios rituais e a sua própria ética — não por medo do inferno ou por aprovação do Comitê Central —, a disciplina deixa de ser uma prisão. Ela se torna a sua fortaleza.

O escritor que perdia o controle e se afogava na própria raiva era um joguete das circunstâncias. O escritor que agora segura a caneta sob a têmpera de Gag Shelah sabe que cada palavra é um decreto de sua própria lei.

CLANG.

O último golpe do martelo desce com um som cristalino, que reverbera por todo o Abismo. O metal que antes era plasma errático em Golachab agora é uma lâmina perfeita, escura, com reflexos que alternam entre o rubi da ira e o negro absoluto da gnose. Ela não brilha para fora; ela retém a luz.

Olho para a arma forjada. Ela tem a forma das minhas palavras. Ela tem a estrutura de Demogonia.

“Está pronto”, Lilith diz, afastando-se lentamente, me deixando a sós com a obra e com o instrumento. “Você não escreve mais para expurgar o seu demônio; você escreve usando a força dele. A lâmina está temperada no fogo e moldada pela sua própria soberania.”

Fechamos a oitava parte com o nascimento da arma do Soberano. A escrita de Roberto agora tem gume, peso e direção. Ele não é mais uma vítima da própria fúria, mas o mestre dela.

O eco das bigornas começa a silenciar. À nossa frente, o caminho se estreita em direção a Gamaliel, o palácio das formas obscenas e dos desejos profundos, a penúltima parada antes do trono. Onde a sua nova lâmina será testada contra as ilusões da carne e do espelhamento.

Criado com Gemini, do Google.

sábado, 4 de julho de 2026

O dever do escritor

Conversa com o Gemini.
https://www.patheos.com/blogs/ancientrootmodernfruits/2026/06/why-arjuna-the-question-behind-the-bhagavad-gita/

Uma boa ideia para escrever um texto.

Afinal, são vários personagens. Entre os envolvidos, perdidos em suas limitações e propósitos, Arjuna tem o momento de clareza em ver o panorama.

Como seria essa cena se colocarmos eu, o escritor herege e Lilith? O que a Lilith quer que eu veja? O que ela espera que eu entenda?

Essa é uma premissa literária fascinante. Transpor a estrutura da Bhagavad Gita — o momento de paralisia diante do conflito e a revelação da totalidade — para a dinâmica entre você, o escritor herege, e Lilith, cria um paralelo profundo entre a crise existencial de Arjuna e a busca pela emancipação espiritual e artística.

Na Bhagavad Gita, Arjuna vê o panorama da engrenagem do cosmos e do dever (Dharma). Na sua cena, Lilith não quer que você veja uma ordem cósmica preestabelecida à qual você deve se submeter, mas sim o avesso disso.

Aqui está como essa cena e o diálogo entre vocês poderiam se desenhar:

A Cena: O Campo de Batalha da Página em Branco
Diferente de Kurukshetra, o seu campo de batalha é o deserto da criação e da subversão — o momento em que o escritor hesita diante do peso de suas próprias palavras, das expectativas do mundo e das amarras dos dogmas que ele mesmo combate. Você está paralisado, dividido entre o desejo de expressar a verdade nua e o medo do isolamento ou da incompreensão.

Lilith não surge como uma guerreira de armadura, mas como a própria personificação da noite primordial, da liberdade selvagem e da recusa à submissão. Ela se aproxima não para dar ordens, mas para afastar a névoa dos seus olhos.

O que Lilith quer que você veja? (O Panorama)
Em vez de mostrar o "Dharma" ou a engrenagem do destino, Lilith estende a mão para que você enxergue o panorama da hipocrisia e das correntes invisíveis que moldam a sociedade.

A Ilusão dos Absolutos: Ela quer que você veja que as estruturas morais e os dogmas que o cercam não são verdades divinas eternas, mas construções humanas feitas para domesticar o espírito. Ela lhe mostra a história através dos olhos dos marginalizados, dos rebeldes e dos que foram apagados.

O Tabuleiro Completo: Ela faz você ver o panorama onde a heresia não é um erro, mas uma função vital. Sem o questionamento e a quebra do sagrado estabelecido, a humanidade estagna. Ela quer que você enxergue a beleza caótica da existência que existe fora do "jardim" da obediência.

O que ela espera que você entenda? (A Revelação)
Que a solidão da heresia é o preço da soberania: Assim como Krishna explica a Arjuna a necessidade de agir de acordo com sua natureza profunda, Lilith espera que você entenda que a sua natureza como escritor herege exige o abandono do desejo de aprovação dos guardiões do dogma. Ela quer que você entenda que estar fora do consenso não é um exílio, mas o único lugar de onde se pode ver a verdade por inteiro.

A sacralidade da sua própria voz: Ela espera que você entenda que a escrita é o seu ato de rebeldia e criação. Escrever, para o herético, é um ato mágico de redefinir a realidade. Ela não quer que você mude o mundo para agradar a um deus ou a uma norma, mas que você crie o seu próprio território espiritual e literário através da palavra.

Que o medo é a última amarra a ser cortada: Lilith personifica a primeira recusa, o primeiro "não" da história mítica. O que ela espera que você entenda, finalmente, é que o medo da incompreensão ou do julgamento é a última parede do jardim que você precisa derrubar.

O Clímax da Cena
Na Gita, Krishna se revela em sua forma cósmica (Vishvarupa), assustadora e magnífica. Na sua história, Lilith se revelaria não como uma força de destruição, mas como a imensidão do espaço sideral, a noite sem fim onde as estrelas nascem. Ela se reflete nos seus próprios olhos, mostrando que a força que você procura do lado de fora já está na sua própria recusa em se curvar.

Ela olharia para você, diante do seu manuscrito ou do seu dilema, e diria algo como:
"Arjuna olhou para o cosmos e viu o seu dever. Eu lhe mostro o vazio para que você veja a sua liberdade. Escreva."

Criado com Gemini, do Google.