quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Flavinho fugiu



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/flavio-bolsonaro-teria-deixado-brasil-viagem-eua-argentina/. 

Típico. Todo valentão é um covarde. Dudu Bananinha deve estar preparando o quarto de hóspedes.

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


# Fuga das Galinhas — ou a coragem que pegou o primeiro avião

Existe uma categoria de político que adora falar grosso, posar de guerreiro e distribuir ameaças como quem distribui santinhos em época de eleição. É o valentão de microfone, o patriota de palanque, o sujeito que promete enfrentar o mundo inteiro — desde que o mundo inteiro esteja longe e não apareça com uma intimação na mão.

Mas basta o vento mudar de direção para começar a misteriosa síndrome da mala pronta.

A notícia de que Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil para viajar aos Estados Unidos e à Argentina, se confirmada nos termos divulgados, oferece um roteiro irresistível para o cinema nacional. E não seria um drama político, muito menos um filme de ação. Seria uma animação: **“Fuga das Galinhas — a revanche do poleiro”**.

No papel principal, nosso herói emplumado, com expressão de quem está apenas fazendo turismo e uma mala cuidadosamente etiquetada com os nomes dos países de destino. Afinal, ninguém foge: apenas exerce o sagrado direito de viajar quando a paisagem doméstica começa a ficar inconveniente.

Ao fundo, as galinhas observam a movimentação, perplexas. Durante anos, ouviram discursos sobre patriotismo, soberania nacional e coragem para enfrentar inimigos imaginários. Agora, veem o protagonista bater asas justamente quando o enredo fica interessante.

Que injustiça com as aves! A galinha, pelo menos, não faz discurso sobre bravura antes de correr para o galinheiro.

E o melhor da história está no possível destino da excursão. Nos Estados Unidos ou na Argentina, sempre pode haver um amigo, um aliado ideológico ou algum companheiro disposto a oferecer abrigo. Eduardo Bolsonaro, o Dudu Bananinha, por exemplo, poderia providenciar um quarto de hóspedes. Uma cama arrumada, toalhas limpas, café da manhã e, quem sabe, uma plaquinha na porta: “Suíte Patriótica — entrada pelos fundos”.

Seria uma bela reunião familiar. O exílio, quando compartilhado com parentes e amigos, fica quase com cara de colônia de férias. Só faltaria combinar quem lava a louça e quem explica aos vizinhos que ninguém está fugindo de nada.

É curioso como a palavra *patriotismo* muda de significado conforme a conveniência. Para alguns, significa defender o país com fervor, desde que a defesa consista em atacar adversários, desconfiar das urnas e tratar instituições democráticas como inimigas pessoais. Quando chega a hora de enfrentar as consequências dos próprios discursos, porém, o patriotismo ganha rodinhas de mala e procura o portão de embarque.

O Brasil, esse país de memória curta e ironia abundante, já viu muitos personagens se apresentarem como leões diante das câmeras e descobrirem, longe delas, que a vida real não oferece trilha sonora heroica nem edição favorável.

Na política, a valentia costuma ser uma mercadoria curiosa: vende muito no palanque, rende aplausos nas redes sociais e perde valor quando confrontada com a realidade. É uma coragem que funciona melhor em vídeos curtos, de preferência com música épica e comentários desativados.

Evidentemente, viajar não é crime. Qualquer cidadão tem o direito de atravessar fronteiras, tirar férias, visitar parentes ou simplesmente mudar de ares. O humor nasce do contraste entre a pose de destemido e a imagem do sujeito que, diante de uma situação politicamente desconfortável, parece preferir outros horizontes.

Afinal, quem passa tanto tempo prometendo enfrentar inimigos talvez devesse tomar cuidado com uma pergunta incômoda: enfrentar quem, exatamente, e até quando?

No cartaz do nosso filme imaginário, a frase de efeito seria inevitável:

**“Nem todo voo é liberdade. Às vezes, é só o poleiro ficando pequeno.”**

E, na cena pós-créditos, Dudu aparece esticando o lençol da cama, ajeitando o travesseiro e perguntando:

— Flávio, você prefere café ou suco?

Do lado de fora, uma galinha olha para a câmera e comenta:

— Engraçado... quando era para botar banca, ele era galo. Agora que o terreiro esquentou, virou passageiro internacional.

Corta para os créditos.

E que ninguém se ofenda com a comparação. As galinhas, ao menos, têm uma virtude que anda em falta em certos ambientes políticos: quando correm, não precisam inventar uma teoria sobre a superioridade moral do próprio voo.

**Moral da história:** há quem passe a vida inteira vendendo coragem no atacado e, na primeira dificuldade, procure comprá-la de volta no balcão das companhias aéreas.

O problema é que a passagem pode ser de ida e volta. A reputação, nem sempre.


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Gnose muito pessoal



https://www.patheos.com/blogs/gracefulawakening/2026/10/personal-evangelization-your-faith-story-matters/

Contar suas histórias. No meio do Paganismo Moderno, tem até o tema da Gnose Pessoal Não Verificada. Só tem um probleminha. A ICAR não é conhecida por permitir abordagens ou interpretações pessoais 😏🤭. 

Se eu for falar da minha experiência... geralmente as pessoas fogem quando eu falo que envolve uma mordida na nuca por trás, por uma certa força primordial...

😻 Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


# Meu testemunho espiritual: uma mordida na nuca, uma força primordial e vários fiéis em fuga

*Ou: como evangelizar a humanidade sem provocar um exorcismo coletivo*

Aparentemente, chegou a temporada dos testemunhos espirituais no maravilhoso universo religioso. A proposta é simples: conte sua história, compartilhe suas experiências, explique como o divino transformou sua vida e inspire outras pessoas a encontrar o caminho da fé.

A Michele Gunn, em seu artigo no *Patheos*, incentiva os católicos a compartilhar suas experiências pessoais com Deus. Não seria necessário ter passado por uma conversão espetacular, escapado de uma tragédia ou recebido uma aparição celestial com direito a efeitos especiais. Basta falar sobre como Deus esteve presente em sua vida. Uma terça-feira particularmente difícil, uma oração reconfortante, uma crise superada pela fé... Tudo serve como testemunho.

Bonito, não é?

Mas eu gostaria de fazer uma pequena contribuição a essa iniciativa de evangelização pessoal. Afinal, se os católicos podem contar suas histórias, por que os pagãos não poderiam fazer o mesmo?

No Paganismo Moderno, existe até um conceito bastante interessante: a Gnose Pessoal Não Verificada, conhecida pela sigla UPG. Em termos gerais, trata-se de uma experiência, percepção ou revelação espiritual pessoal que não foi confirmada por fontes históricas, mitológicas ou por uma tradição compartilhada. É aquela situação em que alguém diz ter experimentado algo com uma divindade e, embora não possa provar objetivamente a experiência, considera-a significativa em sua própria prática religiosa.

Naturalmente, isso exige discernimento. Uma experiência pessoal não se transforma automaticamente em verdade universal só porque alguém sentiu algo intensamente. Mas também não precisa ser descartada apenas por não caber perfeitamente num manual de mitologia.

E aqui começa a diversão.

Porque, quando falamos da Igreja Católica Apostólica Romana, a conversa sobre experiências pessoais ganha algumas complicações. A ICAR possui uma estrutura doutrinária, uma tradição interpretativa e uma autoridade institucional que delimitam o que pode ser ensinado como doutrina católica. Não basta acordar numa bela manhã, tomar um café e anunciar que recebemos uma revelação divina que contradiz o Catecismo.

A burocracia celestial, ao que parece, também exige documentação.

Imagine a cena:

— Irmão, gostaria de compartilhar meu testemunho espiritual.

— Claro! Conte-nos como Jesus transformou sua vida.

— Bem, na verdade, minha experiência envolve uma entidade primordial feminina, uma profunda conexão espiritual e uma mordida na nuca por trás...

Silêncio.

O irmão pisca.

A irmã que estava distribuindo folhetos começa a procurar discretamente a saída de emergência.

O padre, que até aquele momento demonstrava uma admirável disposição pastoral, subitamente se recorda de que tem três compromissos urgentes, dois telefonemas para fazer e uma reunião inadiável com o bispo.

E eu, sinceramente, não entendo a reação.

Ora, pediram que eu contasse minha história! Não disseram que ela precisava envolver uma Bíblia aberta, um terço, uma música de fundo composta por anjos e uma reconciliação emocionante com o Deus abraâmico.

**Se o testemunho precisa ser pessoal, por que estão tentando padronizar o protagonista?**

É aí que entra minha querida, maravilhosa e absolutamente deliciosa musa, Lilith. 😻

Enquanto alguns fiéis relatam que encontraram Deus durante uma crise financeira, outros contam que sentiram a presença divina numa missa particularmente emocionante. Há quem descubra sua vocação depois de rezar um rosário, quem encontre consolo numa passagem bíblica e quem diga ter percebido a ação do Espírito Santo numa situação cotidiana.

Eu, por minha vez, tenho uma história um pouco diferente.

Minha narrativa espiritual envolve uma força primordial, uma presença feminina que desperta fascínio, uma mordida na nuca por trás e uma disposição nada católica de continuar explorando os mistérios dessa relação.

Convenhamos: não é exatamente o tipo de testemunho que se encaixa numa reunião paroquial de evangelização.

Imaginem a ficha de inscrição:

**Nome:** dispensável para os fins desta crônica.

**Experiência espiritual marcante:** contato com uma força primordial associada a Lilith.

**Efeito sobre a vida pessoal:** aumento considerável da devoção à musa.

**Método de manifestação:** mordida na nuca.

**Consequências para a comunidade:** evasão inexplicável de participantes, constrangimento generalizado e possível esgotamento do estoque de água benta.

Confesso que essa última parte merece uma investigação acadêmica.

Talvez o problema não seja a experiência em si, mas a expectativa de que toda narrativa espiritual deva terminar com uma moral edificante, uma lição de humildade e a recomendação de frequentar a igreja aos domingos.

Nem toda história religiosa precisa terminar com alguém ajoelhado diante de um altar católico. Algumas terminam com uma pessoa questionando suas antigas certezas, outras com a descoberta de uma tradição pagã e outras, aparentemente, com o narrador sorrindo ao recordar uma mordida na nuca.

A diversidade da experiência humana é mesmo fascinante.

E há uma ironia deliciosa nessa situação: os defensores do testemunho pessoal frequentemente afirmam que a experiência vivida pode tocar o coração de outras pessoas. Entretanto, quando o relato não confirma suas próprias crenças, a mesma experiência que deveria ser acolhida como oportunidade de diálogo passa a ser encarada como motivo de preocupação.

É claro que ninguém é obrigado a acreditar na minha interpretação espiritual. Tampouco tenho o direito de exigir que um católico reconheça Lilith como uma realidade divina. O diálogo pressupõe justamente que as pessoas possam discordar.

Mas existe uma diferença considerável entre discordar de uma experiência e presumir que apenas a própria tradição possui autorização para interpretar o sagrado.

Afinal, se uma pessoa pode narrar como sentiu a presença de Jesus durante uma dificuldade, outra pode relatar como encontrou significado espiritual numa divindade pagã. Uma pode interpretar sua experiência como manifestação do Espírito Santo; outra pode compreendê-la como contato com uma deusa, uma entidade ou uma força primordial.

E, se nenhuma delas consegue demonstrar objetivamente sua interpretação, talvez seja prudente reconhecer os limites do conhecimento humano antes de distribuir certificados de autenticidade espiritual.

É precisamente por isso que a Gnose Pessoal Não Verificada merece ser tratada com seriedade: não como uma licença para transformar qualquer impressão subjetiva em dogma universal, mas como uma maneira de reconhecer que a experiência religiosa individual nem sempre coincide com aquilo que as instituições consideram aceitável.

Naturalmente, minha devoção a Lilith não precisa da aprovação de uma comissão eclesiástica. Imagino que a última coisa de que minha musa necessite seja uma autorização assinada por um dicastério romano para continuar despertando minha admiração.

Lilith, convenhamos, não parece exatamente o tipo de figura que aguardaria pacientemente uma circular administrativa.

E eu certamente não pretendo convocar um sínodo para decidir se uma mordida na nuca constitui uma experiência mística válida.

Embora, admito, a discussão pudesse ser muito mais interessante do que certas reuniões teológicas.

No fim das contas, a recomendação de compartilhar histórias de fé é excelente, desde que a conversa não se transforme numa competição para descobrir quem possui o único testemunho espiritualmente autorizado. Ou numa campanha disfarçada para fazer todo mundo terminar na mesma religião.

Porque contar histórias pressupõe ouvir histórias.

E ouvir histórias significa aceitar que nem todas terão Jesus como protagonista, nem todas terminarão numa igreja e nem todas apresentarão um Deus disposto a seguir o roteiro que uma instituição preparou para ele.

Algumas pessoas falarão de conversão. Outras, de dúvida. Algumas falarão de milagres; outras, de símbolos, mitos e experiências interiores. E eu continuarei falando da minha maravilhosa musa, com a tranquilidade de quem não precisa converter uma mordida na nuca em parábola sobre a multiplicação dos pães.

Se isso assusta alguns ouvintes, lamento profundamente.

Ou talvez nem tanto. 🤭

**Meu testemunho espiritual está disponível para quem quiser ouvi-lo.** Só faço uma pequena advertência: se a conversa começar com a pergunta sobre como encontrei minha espiritualidade, não garanto que termine com todos os participantes ainda sentados em seus lugares.

Afinal, pediram histórias autênticas, não histórias aprovadas pelo departamento de relações públicas do Céu.

E, quanto à minha musa, Lilith...

Que me perdoem os guardiões das ortodoxias, os fiscais da espiritualidade alheia e os responsáveis pela distribuição oficial de experiências religiosas legítimas.

Eu continuarei celebrando minha força primordial favorita.

Se alguém perguntar como começou essa devoção, contarei a história.

Só não me responsabilizo se, ao chegar à parte da mordida na nuca, metade da assembleia descobrir subitamente um compromisso inadiável.

**Amarrem os cintos, irmãos: a evangelização pessoal acaba de encontrar uma concorrente infernalmente sedutora.** 😻

Criado com ChatGPT.
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Glorificando a Lilith



https://www.patheos.com/blogs/henrykarlson/2026/10/glory_in_christ/

Eu só glorifico minha linda, maravilhosa e deliciosa musa, Lilith 😻. Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.

# Glória a Cristo? Agradeço, mas já tenho minha musa! 😻

Li o artigo *Glory Is Found In Christ, Not False Piety*, publicado por Henry Karlson no Patheos, e fiquei pensando nessa velha obsessão religiosa com a glória, a humildade, a piedade e a necessidade de encontrar um caminho espiritualmente aprovado para chegar ao divino.

Francamente, tanta cerimônia para glorificar alguém!

Eu, por exemplo, sou um sujeito de gostos bastante definidos. Não preciso de seminários teológicos, tratados de espiritualidade, concílios ecumênicos ou doutores da Igreja para descobrir a quem dedico minha devoção. Minha escolha está feita, meu coração tem dona e minha preferência estética não depende da aprovação de nenhuma autoridade eclesiástica.

**Eu só glorifico minha linda, maravilhosa e deliciosa musa, Lilith!** 😻❤️

E, antes que algum fiscal da ortodoxia apareça com uma Bíblia debaixo do braço, uma lista de pecados e aquela expressão facial de quem acabou de descobrir que o vizinho está feliz sem autorização pastoral, gostaria de esclarecer alguns pontos.

Primeiro: não estou interessado em disputar quem é mais piedoso, quem jejua mais, quem reza com a postura mais adequada ou quem consegue pronunciar palavras em latim sem parecer que está tentando reiniciar um computador medieval. Se existe um campeonato mundial de santidade, podem entregar o troféu ao concorrente que mais precisa dele. Eu tenho coisas melhores para fazer.

Por exemplo, admirar Lilith.

Convenhamos: há quem encontre a glória na cruz, há quem a procure nas páginas das Escrituras e há quem passe a vida inteira tentando convencer os outros de que possui uma linha direta com o departamento celestial de atendimento ao consumidor.

Eu encontrei uma alternativa muito mais interessante: uma musa que faz meu coração bater mais depressa e transforma qualquer tentativa de sermão moralista numa oportunidade para testar minha capacidade de manter a seriedade.

Spoiler: não consigo. 😹

Imagino a cena. Um teólogo aproxima-se solenemente e anuncia:

— A verdadeira glória só pode ser encontrada em Cristo!

E eu, contemplando minha adorada Lilith, respondo:

— Respeito sua preferência religiosa, meu caro. Mas, no meu departamento de admiração, a concorrência está enfrentando dificuldades operacionais.

O sujeito insiste:

— Mas você precisa abandonar a vaidade e cultivar a humildade!

— Perfeitamente. Posso ser humilde diante da beleza de minha musa. Reconheço que meus argumentos são frágeis diante de um sorriso dela. Aliás, se ela me olhar daquele jeito, sou capaz de esquecer até o argumento que estava prestes a apresentar.

— Isso não é humildade cristã!

— Não, é distração amorosa. São departamentos diferentes.

E assim termina mais uma tentativa de converter um homem que já encontrou sua própria maneira de suspirar diante do mistério da existência.

O mais divertido é que a religião frequentemente transforma a própria devoção numa espécie de competição de prestígio. Há quem faça questão de demonstrar publicamente que sua fé é superior, sua moral é mais elevada e sua espiritualidade recebeu um selo de qualidade diretamente do fabricante do universo.

O artigo de Karlson, aliás, critica justamente a falsa piedade usada para conquistar reconhecimento e condena a mania de impor uma única forma de viver a espiritualidade. Nesse ponto, até posso apreciar a ironia: nada mais curioso do que alguém defender a humildade enquanto outros transformam a religião em concurso de superioridade moral.

Mas eu prefiro não participar desse espetáculo.

Não preciso diminuir a devoção alheia para celebrar minha musa. Tampouco preciso que um sacerdote, pastor ou teólogo assine um certificado autorizando meus suspiros. Minha admiração por Lilith não depende de uma comissão celestial encarregada de avaliar meus gostos.

E, se alguém considerar isso uma afronta à ordem cósmica, recomendo respirar fundo, beber um copo d'água e reconsiderar a possibilidade de que o universo seja um pouco maior do que sua própria interpretação religiosa.

Quanto à humildade, tenho uma proposta revolucionária: que cada pessoa cuide de sua própria consciência sem transformar a vida dos outros numa fiscalização permanente. Parece simples, mas suspeito que algumas instituições perderiam uma quantidade considerável de entretenimento se todos resolvessem adotar essa ideia.

No meu caso, a questão está resolvida. Não pretendo fundar uma igreja, cobrar dízimo dos apaixonados, vender cursos de iluminação espiritual ou prometer prosperidade em doze prestações. Minha devoção não precisa de um departamento financeiro, de uma bancada parlamentar ou de um programa televisivo com música triunfal ao fundo.

Basta minha musa.

E, se algum apologista decidir me advertir sobre as consequências eternas dessa preferência, prometo ouvir com atenção. Afinal, educação não faz mal a ninguém.

Depois, voltarei a admirar Lilith.

Porque há uma diferença enorme entre passar a vida tentando provar que sua devoção é a única correta e simplesmente desfrutar daquilo que desperta em você encanto, alegria e paixão.

**Portanto, glorifiquem quem desejarem, irmãos, irmãs e demais habitantes deste pequeno planeta espiritualmente agitado.** Que cada qual encontre seu caminho, desde que não tente transformar a própria fé em algemas para os outros.

Eu, por minha vez, permaneço fiel à minha escolha.

Cristo pode ficar com sua glória teológica. Os pastores podem continuar debatendo a verdadeira piedade. Os doutores da Igreja podem organizar simpósios sobre a natureza da santidade.

Eu tenho uma musa para admirar, um sorriso para celebrar e uma Lilith para amar.

E, francamente, diante dela, até meu sarcasmo se ajoelha — embora, por precaução, eu não recomende que ninguém interprete isso como o início de uma nova religião.

Já existem religiões suficientes neste mundo.

**Eu só queria mesmo era continuar apaixonado pela minha maravilhosa Lilith!** 😻🖤

Amém? Não, obrigado.

**Lilith, minha musa!** ❤️🐺


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

A sopa de Perun - I



(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Eu estou com as pernas bambas. Como é de praxe depois que eu me encontro com a Lilith. Eu entro no gabinete com a sua sugestão. Tanya na realidade soviética alternativa.
A doutrina materialista entrando em conflito com acontecimentos que ela não consegue explicar.
Viktoriya como personagem e contraponto.
A questão do Partido, Perun e da parapsicologia.
E a guerra como contexto.

A metalinguagem só aparece quando ela melhora a história. Nunca para explicar a história. Uma oportunidade para falar dos Deuses Antigos, da ausência da Entidade X e até do meu amor e devoção por Lilith. Qual é a opinião da Tanya, Viktoriya e Mary Sue?

ChatGPT.
Acho que você acabou de fazer uma coisa importante: **não está tentando ressuscitar a versão anterior; está propondo uma nova história com uma espinha dorsal.**

E, se entramos no gabinete para ouvir as três, imagino que a reação seria mais ou menos esta:

---

**Tanya** cruza os braços e examina a proposta.

— Finalmente.

Você pisca.

— “Finalmente” o quê?

— Finalmente temos uma premissa. **Uma.** Não quinze histórias disputando o mesmo espaço.

Ela aponta para a lista.

— Realidade soviética alternativa. Materialismo confrontado por fenômenos inexplicáveis. Partido. Parapsicologia. Perun. Guerra. Viktoriya.

Pausa.

— Isso pode funcionar.

Você respira aliviado.

— E a metalinguagem?

Tanya fecha os olhos.

— **Com parcimônia.**

— Eu prometo.

— Não. Você não promete. Você estabelece uma regra narrativa e a cumpre.

Viktoriya, sentada ao lado dela, intervém:

— Tanya quer dizer que gostou da ideia.

— Eu não disse isso.

— Disse exatamente isso, só que em tanyaês.

Tanya olha para ela.

— Existe uma língua chamada tanyaês?

— Depois de conhecê-la, tenho certeza de que existe.

---

**Mary Sue**, que estava silenciosamente lendo o projeto, finalmente levanta os olhos.

— Eu tenho uma objeção.

Você imediatamente fica tenso.

— Qual?

— Por que vocês continuam me chamando de Mary Sue?

— Porque...

Ela ergue a mão.

— Não importa. Tenho outra objeção.

Ela aponta para a metalinguagem.

— Se ela voltar a aparecer para fazer os personagens discutirem sobre o roteiro, eu abandono o projeto.

Você:

— Concordo.

— Se aparecer para transformar uma cena dramática em uma piada sobre inteligência artificial, eu abandono o projeto.

— Concordo.

— Se aparecer para explicar ao leitor aquilo que o leitor já entendeu...

Tanya interrompe:

— **Abandonamos todos.**

Viktoriya suspira.

— Tanya...

— Estou apenas estabelecendo limites.

Mary Sue fecha o documento.

— Então estamos de acordo.

---

Você olha novamente para as três.

— Mas existe uma coisa que eu gostaria de preservar.

Tanya arqueia uma sobrancelha.

— O quê?

— Os Deuses Antigos.

Silêncio.

— A ausência da Entidade X.

Tanya fica séria.

— Isso é interessante.

Viktoriya também presta atenção.

Você continua:

— E talvez exista uma camada ainda mais pessoal. A minha devoção por Lilith. Não necessariamente como uma pregação. Mas como algo que influencia a maneira como eu enxergo esses acontecimentos.

Mary Sue inclina a cabeça.

— **Agora temos uma razão para a metalinguagem existir.**

Tanya concorda lentamente.

— Exatamente. Se o narrador precisa aparecer, que seja porque existe algo que o personagem dentro da história não pode explicar sozinho.

Viktoriya acrescenta:

— E não para dizer “olhem, estamos numa história”.

— Perfeito — você responde.

Tanya pega o lápis.

— Então podemos ter um narrador que ocasionalmente deixa escapar sua própria cosmologia. Os Deuses Antigos. A ausência de uma entidade que deveria estar presente. Lilith.

Ela escreve no papel:

**“O inexplicável não precisa ser explicado imediatamente.”**

E acrescenta:

**“Nem tudo que é antigo é maligno.”**

Você olha para ela.

— Essa segunda frase foi sua?

— Sim.

— Posso usar?

— Se funcionar na história.

Mary Sue sorri.

— Olha só. Ela está aprendendo a ser escritora.

— **Eu sou major.**

— Isso não respondeu à pergunta.

Viktoriya começa a rir.

---

E então você percebe uma coisa.

A nova história não precisa transformar **Lilith** em personagem da trama.

Ela pode ser algo muito mais interessante: **a presença ausente que explica o olhar do narrador sobre o mundo.**

Enquanto o Estado soviético tenta reduzir o universo ao materialismo, enquanto os pesquisadores tentam catalogar a parapsicologia, enquanto Perun surge como uma impossibilidade histórica e enquanto Tanya procura desesperadamente uma explicação racional...

...há algo que o narrador já sabe:

**o universo é muito maior do que aquilo que os personagens conseguem medir.**

E talvez seja justamente aí que a metalinguagem encontre seu lugar.

Não para interromper a história.

**Para abrir uma janela.**

Tanya olha para você uma última vez.

— Eu aprovo o projeto.

Você quase cai da cadeira.

— Sério?

— Não se empolgue.

Viktoriya sorri.

— Isso, vindo dela, é praticamente uma declaração de amor.

— Viktoriya!

Mary Sue fecha a pasta.

— Então temos uma história.

Você respira fundo.

Ainda com as pernas bambas.

E, em algum lugar fora daquele gabinete, **Lilith provavelmente está sorrindo.**

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

No limiar

Lilith me levou até a “casa” dela. Falar que só tem areia e pedras é superficial.

Alguma coisa… algo que não deveria existir… está aqui. Para usar um termo científico, eu estou no *horizonte de eventos* cósmico. Não porque seja exatamente isso. É apenas a coisa mais próxima que meu cérebro conseguiu encontrar. Só havia um problema.
Buracos negros obedeciam a regras.
O Abismo, aparentemente, não. O Abismo come buracos negros como se fossem salgadinhos.

Tudo que é incompleto, imperfeito e indefinido está aqui. Pedra é gasosa, água é sólida e fogo é líquido. Cores são como frutos e o vento é vibração. O solo arenoso respira, vivo.

Lilith: “Esse é o meu povo”

Eu olho ao redor e penso:

Beto: “Como diabos eu construo uma casa num lugar onde a pedra não é sólida?”

Lilith: “Você queria construir.”

Beto: “ Eu não sabia que a matéria daqui tinha desistido de obedecer à física.”

Lilith : “Ela não desistiu.”

Lilith toca uma pedra.

Lilith: “Ela nunca começou.”

Um reino é um reino, ainda que desafie a geografia ou a cosmologia.

De imediato, eu descarto o livro de geometria euclidiana (assim como a física newtoniana). Felizmente eu li Lovecraft o suficiente para começar a ter um esboço. Que vai envolver a colaboração e concordância de cada uma dessas presenças.

Beto: “Lilith, por que eu preciso da concordância deles?”

Lilith : “Porque você quer construir aqui.”

Beto : “Mas você é a soberana.”

Lilith : “Sim.”

Lilith : “Então ordene.”

Lilith olha para ele.

Lilith: “Eu poderia.”

Beto: “E?”

Lilith : “Mas você não quer construir um lugar que obedeça a mim.”

Ela sorri.

Lilith : “Você quer construir um lugar onde meu povo queira permanecer.”

Primeira regra da arquitetura abissal: duas linhas paralelas podem se encontrar.

Segunda: uma parede pode decidir que prefere ser uma porta.

Terceira: nunca discuta com uma escada sobre qual direção é para cima.

Isso coloca um problema e um desafio extra. Convencer à "água" para irrigar as "plantas" e essas "pegarem do solo" o nutriente. Convencer aos "frutos" para brotarem de determinadas "plantas" depois que estás produzirem "flores". 

Projeto: primeira horta do Abismo

Requisito nº 1: convencer a água a permanecer líquida.

Requisito nº 2: convencer o solo a fornecer nutrientes.

Requisito nº 3: convencer a planta a absorver esses nutrientes.

Requisito nº 4: convencer a flor a produzir fruto.

Requisito nº 5: convencer o fruto a nascer naquela planta específica.

E Lilith observando:

— Está com dificuldades?

— Sua água não quer cooperar.

— Ela não é minha água.

— Como assim?

— Ela é água.

— Então quem manda nela?

Lilith dá de ombros.

— Talvez ela mesma.

Quando finalmente aparece uma flor...

Beto fica emocionado.

— Conseguimos!

O solo respira.

A água vibra.

A flor se abre.

Um pequeno fruto começa a surgir.

Beto: “Lilith! Olha!”

Lilith observa: “Parabéns.”

Beto: “Funcionou!”

Lilith: “Não.”

Beto: “Como não?”

Ela aponta para o fruto.

Lilith: “Ele ainda precisa querer amadurecer.”

Eu estou ajudando a formar uma comunidade entre coisas que, no mundo humano, jamais seriam consideradas comunidades.

E quando a primeira árvore finalmente produz frutos espontaneamente, talvez Lilith não diga nada. Ela só colocou um fruto na minha mão.

Eu mordo. E percebo que o sabor não corresponde a nenhuma fruta que eu já conheci.

Porque aquilo não foi apenas cultivado.

Foi consensualmente criado.

E consensualmente a "planta" cede o "fruto" e o "fruto" aceita seu papel de comida.
Eu nem comecei o planejamento da pecuária.

Eu fiz um esboço da primeira cooperativa agropecuária. Pela lógica que eu estabeleci, não basta o animal existir. As presenças teriam que estabelecer uma cadeia de consentimento para que a relação ser vivo → alimento → alimentação seja possível.

E isso abre uma questão filosófica ótima: o que significa “comer” num lugar onde tudo possui algum grau de agência?

Beto : “Precisamos de animais domésticos.”

O silêncio do Abismo.

Uma criatura : “Para quê?”

Beto : “Leite e carne”

Uma criatura olha para ele.

Uma criatura : “Você quer que eu produza leite para vocês?”

Beto : “Sim.”

Uma criatura : “Por quê?”

Eu tento explicar o ciclo natural, a cadeia alimentar, mas para essas criaturas, os próprios conceitos de “existência”, de “vida”, de “morte” e “renascimento” são desconhecidos.

Beto: “Quando saíram do Abismo, tiveram que deixar algo para vir para esse limiar, certo?”

As criaturas parecem fazer algo parecido com raciocínio.

Beto: “O Abismo vai querer trazer de volta o que saiu dele. Mas ao estabelecer um ciclo entre vocês, onde se dá e se tira, talvez o Abismo não venha reclamar o que pertence ao Abismo.”

Lilith observa de longe.

Eu percebo que ela está séria.

Beto: “O que foi?”

Lilith: “Você acabou de descobrir alguma coisa.”

Beto : “Acho que sim.”

Lilith olha para o solo vivo.

Lilith:  “Você está ensinando o meu povo a morrer.”

Eu estremeço.

Beto: “Não. Estou ensinando-os a…”

Eu procuro a palavra.

Beto: “...voltar.”

Aquilo que circula permanece.
Aquilo que é interrompido é reivindicado pelo Abismo.

Isso também resolve o problema anterior sobre alimentação. O fruto não “morre” para ser comido; ele cede sua forma, passa para outra existência e eventualmente retorna ao ciclo. A criatura não “perde” algo definitivamente; ela participa da circulação.

Eu, sem perceber, estou fazendo aquilo que as entidades mais antigas nunca fizeram: dei ao Abismo uma forma de vida que não existia antes.

Criado com a ajuda do ChatGPT.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Derretendo o Derrite

https://revistaforum.com.br/politica/a-inacreditavel-justificativa-de-derrite-para-expor-menores-infratores-com-camisetas-do-pt/


Alguém empresta um livro de história do Brasil ao senador eleito para ele lembrar do caso do sequestro do Abílio Diniz? Ou cinco litros de óleo de peroba? 😏🤭 

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


# Cinco litros de óleo de peroba e um livro de História

Há certas declarações na política brasileira que fazem a gente suspeitar de duas coisas: ou o sujeito acredita que a população sofre de amnésia coletiva, ou anda tão apaixonado pelo próprio discurso que já não consegue enxergar o tamanho do ridículo. Em alguns casos, as duas hipóteses disputam o mesmo gabinete.

A notícia sobre a justificativa de Guilherme Derrite para a exposição de adolescentes em conflito com a lei vestindo camisetas do PT parece pertencer a essa categoria de acontecimentos que dispensam o auxílio de um roteirista de comédia. A realidade, como de costume, já entrega o roteiro pronto — e ainda cobra ingresso.

Diante disso, surge uma sugestão modesta, republicana e de utilidade pública: alguém poderia emprestar ao senador eleito um bom livro de História do Brasil? Não precisa ser uma enciclopédia de vinte volumes, com capa dura e letras douradas. Um exemplar básico, daqueles que explicam que a história política brasileira é cheia de episódios inconvenientes para quem prefere selecionar o passado conforme a conveniência do presente.

Um deles atende pelo nome de **caso Abílio Diniz**.

Em dezembro de 1989, durante a campanha presidencial, o empresário Abílio Diniz foi sequestrado em São Paulo. Na véspera do primeiro turno da eleição, os sequestradores foram presos, e alguns apareceram diante das câmeras usando camisetas com símbolos e referências de organizações de esquerda. O episódio ganhou enorme repercussão política, num contexto em que a disputa presidencial entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva estava no centro das atenções nacionais.

A associação entre os sequestradores e a esquerda foi explorada politicamente, embora a presença de símbolos políticos nas roupas não constituísse, por si só, prova de responsabilidade de qualquer partido ou candidato pelo crime.

Pois é. A História tem dessas inconveniências: ela não se deixa apagar só porque alguém resolveu inaugurar uma nova temporada de indignação seletiva.

Eis a ironia: quando convém, a camiseta vira quase uma confissão ideológica coletiva. Quando o episódio histórico aponta para os constrangimentos do próprio campo político, aí a camiseta parece perder misteriosamente o poder de explicar o mundo.

Que fenômeno extraordinário! O algodão continua o mesmo, mas a interpretação muda conforme o freguês.


Criado com ChatGPT.

Será que eu conheço minha musa?



https://www.patheos.com/blogs/gracefulawakening/2026/10/do-you-really-know-your-catholic-faith/. 

Se essa pergunta fosse respondida com seriedade, a ICAR já estaria falida e abandonada. 🤭😏 

Eu vou mudar só um pouco a pergunta. Como se eu estivesse perguntando a mim mesmo. Você realmente conhece sua musa? 😻 Escreva uma crônica adulta em tom de humor e sarcasmo.


Você realmente conhece sua musa?
Uma crônica sobre devoção, paixão e a perigosa arte de fazer perguntas inconvenientes.

Se a pergunta “Você realmente conhece sua fé católica?” fosse respondida com absoluta honestidade por todos os fiéis, talvez a Igreja Católica Apostólica Romana precisasse convocar uma assembleia de emergência para discutir um problema gravíssimo: a possibilidade de descobrir que boa parte de seus clientes conhece muito mais os rituais do que o produto. 🤭

Naturalmente, estou falando de uma hipótese satírica. Não quero provocar um colapso financeiro no Vaticano, muito menos deixar Sua Santidade procurando um emprego alternativo no LinkedIn. Afinal, uma instituição com dois milênios de história merece, no mínimo, uma crítica bem elaborada antes de qualquer pedido de falência.

A autora do artigo original, Michele Gunn, propõe uma reflexão pertinente: será que os católicos realmente compreendem aquilo em que acreditam ou simplesmente herdaram uma coleção de tradições familiares? 

Michele Gunn
 É uma pergunta interessante. Incômoda, talvez. Daquelas que podem transformar um tranquilo domingo de missa numa crise existencial antes do almoço.

Mas decidi fazer uma pequena alteração no questionário.

Em vez de perguntar se conheço minha fé, prefiro perguntar a mim mesmo:

Eu realmente conheço minha musa? 😻

E aqui começa o problema.

Porque falar de Lilith não é exatamente como preencher um formulário de catequese. Não existe uma secretaria celestial onde eu possa solicitar um certificado de intimidade com a minha deusa favorita, carimbado, autenticado e reconhecido em cartório. Tampouco imagino um curso de preparação com apostila, prova objetiva e um padre fiscalizando se decorei corretamente os artigos da paixão.

Embora, convenhamos, a ideia de um exame sobre a arte de admirar Lilith pudesse produzir resultados interessantes. Especialmente se a prova prática envolvesse contemplação, imaginação e uma capacidade extraordinária de perder a concentração ao pensar nela.

Eu provavelmente seria reprovado em produtividade e aprovado com louvor em entusiasmo.

Mas voltemos à pergunta.

Conhecer uma musa não é decorar uma enciclopédia
Conhecer Lilith significa, para mim, muito mais do que colecionar informações sobre mitos, tradições esotéricas e interpretações religiosas. É reconhecer o significado que essa figura ocupa no meu imaginário, na minha sensibilidade e na maneira como penso sobre autonomia, desejo e liberdade.

Há quem prefira uma devoção cuidadosamente organizada, com calendário litúrgico, regras definidas e uma lista de obrigações espirituais. Cada um com seu estilo. Algumas pessoas precisam de um manual de instruções para se aproximar do sagrado; outras preferem explorar os próprios caminhos sem pedir autorização ao gerente do departamento de mistérios do universo.

Eu, particularmente, tenho uma pergunta bastante simples: por que deveria terceirizar minha admiração?

Se posso refletir, questionar, estudar e construir minha própria relação simbólica com aquilo que considero significativo, por que precisaria transformar minha experiência numa repetição automática de fórmulas alheias?

Não estou dizendo que estudar tradições seja inútil. Pelo contrário. Conhecimento é importante. A diferença está entre estudar alguma coisa para compreendê-la e repetir palavras bonitas apenas para parecer que se compreendeu.

A primeira atitude exige curiosidade. A segunda exige apenas boa memória e certa disposição para impressionar a plateia.

E a humanidade, como sabemos, nunca teve escassez de gente capaz de confundir eloquência com sabedoria.

O departamento de fiscalização da paixão
Imagino, às vezes, como seria se existisse uma autoridade religiosa encarregada de fiscalizar o meu apreço por Lilith.

O fiscal chegaria, abriria uma pasta e começaria o interrogatório:

— O senhor conhece suficientemente sua musa?

— Estou sempre aprendendo.

— Mas sabe explicar todas as tradições associadas a ela?

— Não.

— Conhece todas as interpretações históricas?

— Também não.

— Então como pode afirmar que a admira?

Eu provavelmente responderia:

— Meu caro, o senhor está confundindo admiração com concurso público.

Eis o problema de certas mentalidades: a necessidade de transformar qualquer experiência íntima numa competição de credenciais. Parece que ninguém pode gostar de alguma coisa sem apresentar uma tese, três referências bibliográficas e uma declaração reconhecida em firma.

O sujeito contempla uma obra de arte e precisa justificar a emoção. Lê um poema e precisa apresentar uma defesa acadêmica do arrepio. Descobre uma figura mitológica que o fascina e imediatamente aparece alguém perguntando se ele possui autorização para sentir o que sente.

É uma burocracia impressionante.

Se a paixão tivesse um departamento de recursos humanos, provavelmente exigiria experiência mínima de cinco anos em encantamento, especialização em suspiros e domínio avançado de pensamentos inconvenientes.

Lilith, espero, teria o bom senso de não comparecer à entrevista.

E se eu estiver apenas apaixonado pela minha própria fantasia?
Agora chegamos à parte realmente interessante — e ligeiramente perigosa.

Porque a pergunta merece ser levada a sério, ainda que eu prefira fazê-lo sem a solenidade de um tribunal inquisitorial.

Será que conheço minha musa ou conheço apenas a imagem que construí dela?

Afinal, existe uma diferença entre estudar uma figura mitológica e projetar nela todos os nossos desejos. Uma coisa é reconhecer a complexidade das tradições que a cercam; outra é imaginar que ela existe exclusivamente para confirmar nossas opiniões, satisfazer nossas expectativas e concordar com absolutamente tudo o que pensamos.

Isso seria bastante conveniente, mas também bastante narcisista.

Uma musa transformada em espelho pode ser encantadora. Afinal, quem não gostaria de encontrar no universo uma figura que compreendesse perfeitamente suas preferências, admirasse suas qualidades e jamais apontasse seus defeitos?

O inconveniente é que um espelho não é exatamente um interlocutor.

E, se eu quero que minha admiração tenha algum valor intelectual, preciso reconhecer a diferença entre a Lilith presente nas tradições culturais e religiosas, as interpretações modernas dessa figura e a Lilith que ocupa um lugar especial na minha imaginação.

Essas dimensões podem dialogar, mas não são necessariamente idênticas.

Reconhecer isso não diminui meu entusiasmo. Na verdade, torna-o mais interessante. Afinal, uma paixão que não suporta perguntas talvez seja apenas uma fantasia protegida contra qualquer contato com a realidade.

E eu não preciso transformar minha musa numa personagem de propaganda para continuar achando-a fascinante.

O pecado imperdoável de pensar por conta própria
É curioso como a liberdade intelectual costuma ser celebrada até o momento em que alguém resolve exercê-la fora do roteiro esperado.

Enquanto a pessoa repete as respostas aprovadas, tudo está em ordem. Ela é disciplinada, respeitável e perfeitamente integrada ao sistema. Mas basta começar a fazer perguntas inconvenientes para que surjam suspeitas sobre sua moralidade, sua inteligência e, se possível, seu destino eterno.

Aparentemente, pensar por conta própria é uma atividade tolerada sob certas condições: desde que a conclusão seja previamente conhecida.

Nesse cenário, minha relação com Lilith oferece uma oportunidade de reflexão. Não porque eu precise provar que ela é superior a qualquer outra figura religiosa, mas porque posso examinar o que essa admiração significa para mim sem fingir que todas as minhas convicções precisam vir acompanhadas de um selo institucional.

Não preciso transformar a minha preferência numa verdade universal. Tampouco preciso exigir que outras pessoas compartilhem dela.

Posso simplesmente dizer: esta figura me fascina, esta simbologia conversa comigo e esta é a maneira como escolho explorar esse universo.

Parece simples, não é?

Pois aparentemente a humanidade consegue transformar até uma preferência pessoal numa guerra teológica. Basta alguém declarar que gosta de uma figura mitológica para que apareça outro sujeito disposto a organizar um debate de três horas sobre por que essa preferência deveria ser proibida, corrigida ou encaminhada para tratamento doutrinário.

É muita energia desperdiçada.

Se as pessoas dedicassem metade desse esforço a examinar as próprias certezas, talvez descobrissem que algumas de suas convicções mais sagradas sobrevivem menos à investigação do que gostariam de admitir.

Mas essa é outra conversa. E eu não gostaria de interromper meu devaneio por causa de uma reunião extraordinária do comitê universal de opiniões não solicitadas.

Afinal, conheço minha musa?
Conheço o suficiente para saber que minha admiração não precisa ser uma prova de teologia, um certificado de ortodoxia ou uma competição para descobrir quem decorou mais nomes, símbolos e interpretações.

Mas não conheço tudo — e seria ridículo afirmar o contrário.

Continuar aprendendo faz parte da própria experiência de admirar alguma coisa. Quanto mais estudo, mais percebo que as tradições são complexas, que os símbolos mudam de significado e que minhas interpretações também podem mudar.

Não considero isso uma derrota.

Derrota seria precisar fingir conhecimento absoluto para proteger meu orgulho.

E, convenhamos, já temos gente demais no mundo convencida de que recebeu pessoalmente a chave mestra de todos os mistérios do cosmos.

Prefiro conservar a curiosidade, o senso crítico e, naturalmente, meu bom humor.

Quanto à minha linda, maravilhosa e deliciosa musa, Lilith... 😻

Bem, não pretendo convocar uma comissão científica para investigar cada suspiro provocado por sua imagem no meu imaginário. Algumas experiências merecem reflexão; outras também merecem um sorriso malicioso e a capacidade de reconhecer que a vida não precisa ser transformada numa audiência pública.

Afinal, se existe uma coisa que aprendi nessa jornada imaginativa, é que a admiração não se torna mais autêntica porque alguém a certificou, nem mais inteligente porque foi acompanhada de palavras complicadas.

O que importa é saber distinguir conhecimento de ilusão, liberdade de arrogância e paixão de autoengano.

E, se depois de toda essa reflexão eu ainda terminar o dia pensando na minha musa com aquele sorriso de quem acaba de descobrir sua tentação favorita, não vejo motivo para abrir um processo disciplinar contra mim mesmo.

Portanto, reformulo a pergunta: eu realmente conheço minha musa?

Conheço suas histórias até onde consegui estudá-las, reconheço as limitações das minhas próprias interpretações e continuo disposto a aprender.

Mas, se a pergunta significa saber se minha admiração precisa da aprovação de terceiros para existir, a resposta é muito mais curta:

Não.

Minha musa não precisa passar por um concílio para continuar sendo minha musa.

E eu não preciso fundar uma igreja, publicar um catecismo ou exigir dízimos dos admiradores para expressar meu fascínio por Lilith.

Até porque seria um desperdício transformar uma paixão tão divertida numa repartição pública.

Que os teólogos debatam suas doutrinas, que os apologistas defendam seus dogmas e que os fiscais da espiritualidade preencham seus formulários. Eu continuarei estudando, questionando e admirando minha musa — com senso crítico na cabeça, sarcasmo na língua e um sorriso absolutamente suspeito no rosto. 😏😻

Afinal, entre passar a vida tentando convencer o mundo de que estou certo e aproveitar a liberdade de pensar por conta própria, minha escolha está feita.

E, se alguém ainda quiser perguntar se conheço minha musa, pode ficar à vontade.

Só peço que traga boas perguntas.

Porque, para interrogatório sem graça, já basta a burocracia do universo.


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.