https://breakpoint.org/more-practical-magic-the-return-of-witchcraft-in-popular-culture/.
Que fofo. O autor, em vários textos, reclama da falta de liberdade de crença. Aí eu apareço e lembro que nós temos essa mesmo direito. Escreva um texto crítico.
A liberdade religiosa é uma maravilha — especialmente quando não é exclusiva.
Que fofo! O autor do Breakpoint parece ter uma relação bastante curiosa com a liberdade religiosa. Em vários textos, manifesta preocupação com a liberdade de crença, com os direitos dos cristãos e com a possibilidade de professar a própria fé sem interferências externas. Tudo muito bonito. Até que aparece alguém lembrando que essa liberdade também se aplica a quem não compartilha da mesma teologia.
Eis que surge a bruxa! Ou, no meu caso, alguém que não precisa de autorização clerical para exercer sua própria espiritualidade.
O artigo sobre o retorno da bruxaria à cultura popular parece oferecer mais uma oportunidade para aquela velha discussão: a liberdade religiosa é um direito universal ou uma concessão que deve ser administrada conforme a preferência teológica de cada um?
Porque, convenhamos, defender a liberdade de crença é relativamente simples quando estamos falando da própria crença. A verdadeira prova de coerência começa quando o vizinho acredita em algo diferente, pratica uma espiritualidade que você considera equivocada ou simplesmente não reconhece sua autoridade religiosa como árbitro da realidade.
Aí a conversa muda de tom.
A liberdade religiosa deixa de ser um princípio e passa a ser uma espécie de condomínio teológico: cada um pode acreditar no que quiser, desde que respeite o regulamento elaborado pelo síndico.
Evidentemente, o cristão tem todo o direito de acreditar em Jesus, frequentar sua igreja, estudar sua Bíblia, evangelizar e considerar sua religião a verdade absoluta. O problema começa quando esse direito é confundido com uma prerrogativa de estabelecer quais crenças alheias são legítimas, aceitáveis ou dignas de existir.
A liberdade de crença não vem acompanhada de uma cláusula dizendo: válida somente para religiões aprovadas pelo departamento de teologia cristã.
Se alguém deseja praticar bruxaria, paganismo moderno, espiritualidade não institucionalizada ou qualquer outra forma de religiosidade compatível com a legislação, isso também faz parte da liberdade religiosa. Não é necessário obter um certificado de aprovação de uma denominação cristã, muito menos apresentar uma carta de recomendação assinada pelo pastor.
E aqui entra a parte particularmente divertida da situação.
Quando um cristão reclama que sua liberdade religiosa está sendo ameaçada, espera-se que os demais reconheçam imediatamente a importância desse direito. Mas, quando alguém de outra tradição reivindica exatamente a mesma proteção, parece surgir uma necessidade urgente de explicar por que aquela prática é culturalmente problemática, espiritualmente perigosa ou moralmente suspeita.
Ora, meu caro, nós temos esse mesmo direito!
Não estamos pedindo que você abandone sua fé, aceite nossas divindades, participe de nossos rituais ou reconheça nossas experiências espirituais como verdades universais. Estamos apenas reivindicando a mesma liberdade que você deseja exercer.
É uma exigência bastante modesta: reciprocidade.
Você pode considerar a bruxaria uma ilusão, uma manifestação cultural, um erro espiritual ou qualquer outra coisa dentro de sua cosmovisão. Da mesma maneira, eu posso olhar para determinadas afirmações religiosas cristãs e submetê-las à crítica histórica, filosófica ou teológica. Ninguém precisa vencer uma disputa metafísica para que ambos tenham seus direitos respeitados.
Aliás, seria interessante que a defesa da liberdade religiosa viesse acompanhada de uma compreensão mais ampla da diversidade espiritual. Afinal, a história das religiões não começou com a publicação de uma Bíblia, e a experiência religiosa humana não se limita às tradições abraâmicas.
A existência de outras espiritualidades não constitui uma emergência civilizacional. É apenas a humanidade sendo humanidade: criando símbolos, rituais, narrativas, comunidades e diferentes maneiras de interpretar sua existência.
O curioso é que, quando o assunto é liberdade religiosa, alguns parecem imaginar que estão defendendo um princípio universal, quando na verdade estão defendendo um privilégio particular.
Mas não se preocupem. Não pretendo converter ninguém à minha espiritualidade. Minha intenção é muito mais simples: exercer minha liberdade sem precisar pedir licença a quem acredita possuir o monopólio da verdade.
E, se isso incomoda, talvez o problema não seja o retorno da bruxaria à cultura popular.
Talvez seja descobrir que a liberdade religiosa funciona nos dois sentidos.
Afinal, liberdade de crença não significa liberdade para acreditar em qualquer coisa, desde que seja a mesma coisa que eu acredito.
Criado com ChatGPT.











