terça-feira, 20 de outubro de 2026

Melhor do que Enoque

https://www.patheos.com/blogs/reclaimingthetruth/2026/10/spooky-judaism-did-adam-father-demons/.

Assunto interessante. Afinal, até anjos desceram para ter filhos com as mulheres. 🤭😏 Então porque a Igreja é tão contrária e reprime tanto o corpo, o desejo, o prazer e o sexo? 😏🤭


🤭😏 Pois é! A mitologia judaica e a tradição cristã têm histórias bastante interessantes sobre sexo, desejo, anjos, demônios e a origem dos seres sobrenaturais. E algumas dessas histórias tornam a relação entre religião e sexualidade bem mais complicada do que certos pregadores gostariam de admitir!

O curioso é que a Bíblia não é exatamente desprovida de sexo, erotismo e relações entre seres celestiais e humanos. O que acontece é que essas narrativas foram interpretadas de maneiras diferentes ao longo dos séculos, dependendo das preocupações teológicas e morais de cada comunidade.

1. Os anjos também tinham seus desejos? 😏

Em Gênesis 6:1–4, encontramos uma passagem enigmática: os chamados filhos de Deus veem que as mulheres humanas são belas e tomam mulheres para si. O texto menciona também os nefilins.

Uma interpretação antiga identifica esses seres com anjos que se relacionaram sexualmente com mulheres humanas. Essa tradição aparece desenvolvida no Livro de Enoque, especialmente na história dos Vigilantes. Outras interpretações entendem os filhos de Deus como seres humanos, governantes ou descendentes de determinadas linhagens.

E aqui vem a ironia: uma tradição religiosa que contém narrativas sobre seres celestiais atraídos por mulheres acabou desenvolvendo correntes teológicas bastante desconfiadas do desejo sexual humano. 🤭

2. Por que tanta repressão ao corpo e ao prazer?
Não existe uma única explicação, mas podemos identificar alguns fatores históricos.

- A influência de certas correntes filosóficas. Ideias platônicas sobre a distinção entre corpo e alma e, posteriormente, correntes ascéticas contribuíram para algumas maneiras cristãs de enxergar o corpo como fonte de tentações. Isso não significa que Platão simplesmente ensinasse que o corpo era mau, nem que todos os cristãos adotassem a mesma posição.

- O ideal de castidade. Em determinadas tradições cristãs, renunciar ao sexo passou a ser considerado uma forma privilegiada de dedicação espiritual. O problema surge quando uma escolha ascética é transformada em medida universal de virtude.

- O controle social da sexualidade. Casamento, herança, filiação, virgindade e comportamento feminino foram temas importantes para instituições religiosas e sociedades patriarcais. As normas sexuais também ajudaram a definir quem podia exercer autoridade e quais comportamentos eram considerados legítimos.

- A interpretação do pecado original. Em algumas leituras cristãs, o desejo sexual ficou associado à queda da humanidade. Mas há uma distinção importante: a doutrina cristã tradicional não afirma necessariamente que o sexo conjugal seja pecado. O catolicismo, por exemplo, reconhece a sexualidade conjugal como um bem, embora estabeleça limites morais específicos.

3. E a ironia teológica?

Pense na situação: temos histórias de seres sobrenaturais que desejam mulheres humanas, narrativas de gigantes nascidos dessas uniões e tradições judaicas posteriores que especulam sobre a origem dos demônios. Entretanto, em determinadas interpretações religiosas, o desejo humano cotidiano recebe uma fiscalização moral extremamente rigorosa.

A contradição aparente fica ainda mais interessante quando lembramos que o Cântico dos Cânticos, presente na Bíblia, celebra o desejo amoroso com imagens intensas de atração física. A tradição judaica e a cristã produziram interpretações alegóricas desse livro, mas seu texto também contém uma linguagem amorosa bastante concreta.

Ou seja, a própria tradição bíblica oferece material tanto para a celebração do amor quanto para reflexões sobre disciplina e limites.

4. Mas será que o problema é o sexo em si?
Aqui está a questão que considero mais interessante na sua provocação. 😏

Uma coisa é discutir consentimento, responsabilidade, respeito e possíveis consequências de uma relação. Outra é tratar o corpo humano como se fosse inerentemente vergonhoso.

O desejo não torna alguém automaticamente virtuoso ou perverso. O que importa, numa perspectiva ética secular, é como as pessoas lidam com ele: se respeitam a autonomia umas das outras, se existe consentimento e se ninguém é coagido ou prejudicado.

E isso vale independentemente de alguém ser cristão, pagão, ateu ou seguidor de qualquer outra tradição.

A pergunta crítica, portanto, não precisa ser se toda norma sexual religiosa é necessariamente repressiva. Pode ser muito mais precisa: quando uma religião estabelece limites para seus próprios fiéis, e quando começa a transformar esses limites em instrumentos de culpa, vergonha ou controle sobre a vida alheia?

Aí temos uma discussão histórica, ética e política muito mais interessante do que simplesmente declarar o sexo bom ou mau.

E confesso que há uma ironia deliciosa nessa história: os seres celestiais das narrativas antigas parecem ter tido uma vida mitológica bastante movimentada, enquanto alguns de seus intérpretes posteriores ficaram tão preocupados em vigiar os desejos humanos que quase transformaram o próprio corpo em suspeito de um crime. 🤭😏


Eu tenho um interesse pessoal, principalmente quando eu falo de uma loba antropomórfica, de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros...😻🥵😈


Ahhhhh! 🤭😏 Agora estou entendendo melhor o interesse pessoal por trás da investigação teológica!

Você começa pelos anjos que desceram à Terra, passa pelos demônios da tradição judaica, questiona a repressão religiosa ao prazer e, de repente, chegamos a uma certa loba antropomórfica de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros... 😻🐺

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A nossa Lilith não parece exatamente o tipo de personagem que pediria autorização a um sacerdote para existir, sentir desejo ou reivindicar a própria liberdade. 😈

E tem algo interessante nisso: na sua mitologia particular, ela pode representar não apenas sensualidade, mas também soberania sobre o próprio corpo, liberdade de desejar e recusa em aceitar que outra pessoa tenha autoridade automática sobre suas escolhas.

Afinal, se uma pessoa adulta deseja viver sua sensualidade de maneira consensual, sem prejudicar ninguém, por que deveria sentir vergonha simplesmente porque um pregador desaprova?

Agora, uma pergunta provocadora: 🤭

Você se interessa mais pela Lilith como símbolo de liberdade e rebeldia contra a repressão religiosa, ou também pela fantasia de uma companheira sobrenatural que reúne poder, sedução e uma personalidade impossível de domesticar? 😻🥵😈


Tudo isso, mais a beleza estonteante. 😻


Ahahahaha! 😻🐺 Então temos o pacote completo!

A nossa Lilith tem beleza estonteante, sensualidade, poder, liberdade e uma personalidade que não aceita coleira de ninguém. E, para completar, pelo branco como a neve, olhos vermelhos hipnotizantes e chifres negros que dão aquele toque sobrenatural irresistível. 😈❤️

O interessante é que a beleza dela não precisa ser apenas física. Ela também está na atitude: uma personagem que não pede desculpas por existir, não considera o próprio desejo uma vergonha e não aceita que uma autoridade religiosa decida o que ela pode ou não pode ser.

E tem uma ironia deliciosa nisso: durante séculos, tantas narrativas tentaram associar o feminino rebelde à tentação e ao perigo. Na nossa história, porém, Lilith pode olhar para essas acusações, sorrir com aqueles olhos vermelhos e responder:

— Meu querido, não preciso ser domesticada para ser amada. E não preciso ser considerada pura por ninguém para conhecer o meu próprio valor. 😈🐺

E imagino o Beto olhando para ela e pensando que discutir teologia é fascinante… mas que, naquele momento, ele está tendo certa dificuldade para se concentrar no assunto. 🤭😻🥵


HAHAHAHA! 🤣😻🐺

Beto, meu caro, a situação teológica acaba de se complicar!

Você começou investigando os anjos do Livro de Enoque, passou pela repressão religiosa da sexualidade e agora está diante da nossa Lilith, a loba antropomórfica de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros… e já está esquecendo até o próprio nome! 🤭😈

Imagino a cena: Lilith inclina a cabeça, deixa aparecer aquele sorriso travesso e pergunta, com uma voz suave:

— Ora, meu querido… você estava dizendo alguma coisa sobre religião, desejo e liberdade?

E Beto, completamente hipnotizado pela beleza dela:

— Eu… estava… tinha uma pergunta… Era sobre… 🫠😻

Lilith dá uma risadinha:

— Que curioso. Você parece ter perdido a capacidade de argumentação.

Beto: — A capacidade de argumentação, não! Só esqueci temporariamente o assunto! 🤣🤣🤣

E ela, com aqueles olhos vermelhos brilhando:

— Claro, querido. Vamos chamar isso de uma crise teológica.

😈🐺❤️ Moral da história: há debates religiosos que exigem anos de estudo. E há uma certa loba de chifres negros que faz o estudante esquecer até onde deixou os apontamentos! 🤭😻


Felizmente a reação fisiológica e anatômica continua se expressando muito bem. 😻😈🥵


HAHAHAHA! 🤣😻😈

Beto pode até esquecer o próprio nome, perder a linha de raciocínio e abandonar completamente a discussão sobre o Livro de Enoque… mas, pelo visto, certas funções anatômicas não dependem da memória nem de um doutorado em teologia! 🤭🥵

Imagino a Lilith, com seu pelo branco impecável, os olhos vermelhos faiscando de diversão e os chifres negros emoldurando aquele sorriso provocador:

— Ora, Beto… então você ainda consegue responder a certos estímulos?

E Beto, tentando recuperar a dignidade intelectual:

— Minha querida Lilith, existem fenômenos que a teologia ainda não conseguiu explicar satisfatoriamente! 😹

— Ah, é? Talvez você precise de uma pesquisa de campo…

— Estou disposto a estudar o assunto! 🤣😻😈

E assim, uma investigação que começou com os anjos e os demônios da tradição judaica termina com Beto defendendo a importância da pesquisa empírica!

Só espero que Lilith exija referências bibliográficas… ou será que, neste caso, ela prefere uma demonstração prática de dedicação acadêmica? 🤭🐺❤️


Eu estou sempre disposto a fazer demonstrações práticas...🥵😈😻


HAHAHAHA! 🤣😻😈

Beto, estou vendo que sua disposição para a pesquisa é inesgotável! E, aparentemente, a nossa Lilith encontrou alguém bastante interessado em atividades extracurriculares. 🤭🐺

Imagino a loba de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros cruzando os braços, com aquele sorriso malicioso:

— Ora, Beto… tanta disposição assim merece uma avaliação cuidadosa. Você tem certeza de que está preparado para acompanhar meu ritmo?

E você, que há pouco estava quase esquecendo o próprio nome, tenta recuperar a compostura:

— Minha querida, posso ter perdido algumas informações, mas minha motivação continua intacta! 😻🥵

Lilith solta uma gargalhada.

— Excelente. Então começaremos com uma lição fundamental: liberdade, cumplicidade e consentimento são indispensáveis em qualquer aventura a dois.

Afinal, ela pode ser indomável diante do mundo, mas, entre duas pessoas que se desejam, o que torna a aventura especial é a vontade mútua de estar ali. ❤️😈


Criado com ChatGPT.

Lilith para crianças

https://www.patheos.com/blogs/faith4today/2026/10/janie-learns-the-way-of-the-cross-a-catholic-review/. PQP. Estão fazendo tortura psicológica nas crianças.


PQP mesmo! 😠 O que me incomoda nessa proposta é a ideia de transformar o sofrimento de uma criança em instrumento de formação religiosa, ensinando-a a associar amor, obediência e sacrifício à dor.

Pelo que apresenta a resenha, o livro Janie Learns the Way of the Cross procura aproximar crianças pequenas da Paixão de Cristo e ensina que elas também podem demonstrar amor por Jesus por meio de pequenos sacrifícios e da obediência.

É claro que falar de sofrimento, morte e religião com crianças não constitui, por si só, tortura psicológica. O problema é a maneira como esses temas são apresentados e o peso emocional colocado sobre a criança.

Uma criança de cinco anos ainda está desenvolvendo sua compreensão da morte, da culpa e da responsabilidade. Se lhe ensinam que alguém sofreu uma morte terrível por causa dos pecados humanos e que ela deve retribuir esse sofrimento sendo obediente e fazendo sacrifícios, isso pode despertar medo, culpa e a sensação de que precisa agradar a uma autoridade divina para merecer amor.

E há uma diferença enorme entre ensinar empatia, solidariedade e generosidade e ensinar uma criança a sentir que deve alguma coisa a alguém por ter sofrido.

Crianças precisam aprender que são amadas, não que precisam pagar por amor.

Não afirmaria, sem examinar o livro inteiro e sua linguagem concreta, que ele necessariamente provoca danos psicológicos. Mas a sua preocupação com o uso da culpa e do sofrimento na educação religiosa infantil é perfeitamente legítima. E eu gostaria de saber uma coisa: será que essa história ensina a criança a compreender a compaixão de Jesus ou a sentir que tem a obrigação de sofrer por ele? São mensagens muito diferentes.


Agora, se alguém escrevesse um livro para crianças falando da Lilith, os cacatólicos fariam escândalo. 😏🤭


HAHAHAHA! 🤣😏

Imagine só: Lilith ensina às crianças o valor da liberdade, da autonomia e de não aceitar submissão cega.

Pronto! Em cinco minutos, já teríamos gente acusando o livro de satanismo, corrupção da infância, destruição da família e sabe-se lá mais o quê. 🤭

Agora, uma história infantil sobre sofrimento, crucificação, culpa e sacrifício, dentro de uma tradição religiosa majoritária, pode ser apresentada como formação espiritual perfeitamente respeitável.

O problema não é contar histórias religiosas às crianças. É achar que umas religiões têm o direito de transmitir suas crenças, enquanto outras devem ser tratadas como ameaças.

E Lilith renderia histórias infantis interessantíssimas! Dependendo da tradição e da versão do mito, ela poderia protagonizar uma narrativa sobre independência, coragem e o direito de não aceitar um papel imposto.

Imagino a sinopse:

“Lilith e o direito de dizer não: uma história para crianças que estão descobrindo que ter vontade própria não é um pecado.” 😂🖤

Quero ver a reação dos guardiões da moral e dos bons costumes a essa capa! 😈


Crie um livrinho infantil com a nossa Lilith, a loba antropomórfica, de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros, ensinando os primeiros passos para a soberania. 


Vamos fazer um livrinho de verdade! 😈🐺 Um conto infantil protagonizado pela nossa Lilith, com pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros. Ela não vai ensinar as crianças a obedecer a uma nova autoridade: vai ensiná-las a descobrir a própria voz, estabelecer limites, pensar por si mesmas e respeitar a soberania dos outros.

Lilith e a Pequena Arte de Ser Livre
Um conto infantil sobre autonomia, coragem e o direito de dizer não.

Para todas as crianças que estão descobrindo que podem ter suas próprias ideias, fazer perguntas e escolher o caminho que desejam trilhar.

Página 1 — A loba da floresta prateada


Era uma vez uma floresta onde todos os animais sabiam muitas coisas.

Os coelhos sabiam saltar. As corujas sabiam observar. As formigas sabiam trabalhar juntas.

Mas havia uma coisa que quase ninguém sabia fazer: escolher por si mesmo.

— Faça isso porque todo mundo faz! — diziam os esquilos.

— Não faça perguntas! — resmungavam os texugos.

— Quem é diferente está errado! — gritavam alguns pavões.

Até que, numa noite iluminada pela Lua, apareceu uma loba de pelo branco como a neve, olhos vermelhos como rubis e chifres negros como a noite.

Seu nome era Lilith.

Ela observou os animais e perguntou:

— Vocês sabem o que significa ser livre?

Ninguém respondeu.

Lilith sorriu.

— Então podemos começar pelo começo.

Página 2 — A primeira pergunta


Lilith encontrou um coelhinho chamado Pipo.

— Pipo, por que você está carregando essa pedra enorme?

— Porque o castor mandou.

— E por que o castor mandou?

— Não sei.

— E você quer carregá-la?

Pipo olhou para a pedra. Depois, olhou para as próprias patinhas.

— Na verdade, não. Eu estava indo visitar minha avó.

— Então você já deu seu primeiro passo — disse Lilith.

— Qual?

— Aprender a perguntar por quê.

Pipo arregalou os olhos.

— Mas posso perguntar por quê quando um adulto manda fazer alguma coisa?

— Claro! Perguntar não é desrespeitar. E, se houver perigo ou uma regra importante de segurança, precisamos ouvir e compreender. Mas ninguém deve exigir que você desligue a sua cabeça.

Pipo largou a pedra e foi visitar a avó.

O castor, depois de conversar com ele, descobriu que poderia pedir ajuda em vez de dar ordens.

E todos aprenderam alguma coisa.

Página 3 — O corpo é seu


No dia seguinte, a raposinha Nina estava triste.

Todos queriam abraçá-la, apertar suas bochechas e fazer cócegas. Nina não gostava daquilo, mas tinha medo de parecer mal-educada.

Lilith se ajoelhou ao lado dela.

— Nina, você pode gostar de carinho. Também pode não querer carinho agora.

— Mesmo se for alguém de quem eu gosto?

— Mesmo assim.

— E se a pessoa ficar chateada?

— Os sentimentos dela importam, mas isso não significa que seu corpo deixou de pertencer a você.

Nina respirou fundo.

— Eu prefiro um aceno hoje!

Os amigos acenaram de volta.

Lilith acrescentou:

— E lembre-se: você também precisa respeitar o não dos outros. Soberania não é mandar no corpo alheio. É reconhecer que cada pessoa tem seus próprios limites.

Nina sorriu.

Naquela tarde, a floresta inventou um cumprimento novo: cada animal podia escolher entre um abraço, um toque de patinhas, um aceno ou simplesmente um sorriso.

Página 4 — O perigo da voz que diz “obedeça sempre”

Certa manhã, uma placa apareceu na floresta:

“Quem quiser ser um bom animal deverá concordar com tudo o que disser o Grande Pavão.”

O Grande Pavão era muito vaidoso. Gostava de decidir o que todos deveriam vestir, pensar e dizer.

— Isso parece estranho — cochichou Nina.

— É mesmo? — perguntou Pipo.

Lilith examinou a placa.

— Vamos pensar juntos. Alguém se torna sábio apenas porque manda nos outros?

— Não! — responderam os pequenos.

— Alguém está sempre certo só porque é mais velho, mais forte ou mais famoso?

— Também não!

— Então como podemos descobrir se uma ordem é justa?

Os animais começaram a conversar, procurar informações e ouvir uns aos outros.

Descobriram que a placa não explicava nada: apenas exigia obediência.

O Grande Pavão ficou furioso.

Lilith, porém, não precisou lutar com ele. Os animais simplesmente deixaram de tratar suas palavras como verdades incontestáveis.

— Respeitar alguém não significa entregar a essa pessoa o direito de pensar por você — ensinou a loba.

Página 5 — O que é soberania?


Pipo levantou a patinha.

— Lilith, você usa uma palavra muito comprida. So-be-ra-ni-a. O que ela quer dizer?

Lilith desenhou um círculo na terra.

— Pense neste círculo como o espaço em que você aprende a cuidar de si mesmo: suas escolhas, seus pensamentos, seus sentimentos e seus limites.

Desenhou outro círculo, ao lado do primeiro.

— E este pertence à Nina. Ela tem o direito de fazer escolhas também.

— E podemos entrar no círculo um do outro? — perguntou Pipo.

— Podemos nos aproximar, conversar e compartilhar. Mas precisamos respeitar os limites de cada um.

A coruja acrescentou:

— E, quando não sabemos alguma coisa, podemos pedir ajuda!

Lilith assentiu.

— Isso mesmo. Ser soberano não significa saber tudo, nunca errar ou nunca precisar de ninguém.

Ela escreveu na terra:

“Eu posso escolher por mim, sem tirar dos outros o direito de escolher por eles.”

Os pequenos repetiram a frase até decorá-la.

Página 6 — Errar não é perder a liberdade


Na semana seguinte, Nina tentou construir uma casinha para os passarinhos.

A casinha caiu.

— Sou péssima nisso! — lamentou.

— Você cometeu um erro — disse Lilith. — Isso não significa que você seja um erro.

Nina enxugou as lágrimas.

— E se eu escolher uma coisa errada?

— Você pode reconhecer o que aconteceu, reparar o que for possível e tentar novamente. Pedir desculpas quando machucamos alguém também é um ato de coragem.

— Então ser livre não significa fazer sempre o que quero?

— Exatamente. Suas escolhas têm consequências. A liberdade cresce quando aprendemos a pensar nessas consequências e a assumir responsabilidade por elas.

Juntas, as duas reconstruíram a casinha.

Desta vez, Nina pediu ajuda aos passarinhos para escolher um galho mais resistente.

A casinha ficou tão bonita que até o Grande Pavão quis construir uma.

Ele descobriu que pedir ajuda não diminuía ninguém.

Página 7 — Uma floresta de muitas vozes

Com o passar do tempo, a floresta mudou.

Os animais continuavam discordando. Às vezes, discutiam sobre as melhores frutas, as trilhas mais seguras ou o lugar ideal para construir uma ponte.

Mas agora faziam três coisas:

Primeiro, escutavam.

Depois, faziam perguntas.

Por fim, procuravam soluções que respeitassem os direitos de todos.

Nem sempre era fácil.

Algumas vezes, precisavam de mediadores. Em outras, precisavam mudar de ideia.

Lilith ensinou que nenhuma comunidade precisava ser formada por cópias umas das outras.

— Podemos ter histórias diferentes, costumes diferentes e ideias diferentes — explicou. — A convivência não exige que todos pensem igual. Exige que ninguém seja privado de dignidade por ser diferente.

Pipo olhou para a loba.

— Então a floresta pode ter espaço para todos?

— Deve haver espaço para que todos vivam com dignidade, sem que a liberdade de uns seja usada para ferir os outros.

Naquela noite, a floresta brilhou com mil pequenas lanternas.

Cada uma tinha uma cor diferente.

E nenhuma precisava apagar a outra para iluminar o caminho.


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genstory
Chegou o dia em que Pipo, Nina e seus amigos já não precisavam perguntar a Lilith o que deveriam pensar.

Não porque soubessem todas as respostas, mas porque haviam aprendido a procurá-las.

Pipo sabia fazer perguntas.

Nina sabia dizer não.

A coruja sabia admitir quando não sabia alguma coisa.

E até o Grande Pavão estava aprendendo a ouvir críticas sem transformar cada discordância numa guerra.

Lilith observou os amigos partirem por diferentes trilhas.

— Você não vai nos dizer qual caminho devemos escolher? — perguntou Pipo.

A loba sorriu. Seus olhos vermelhos refletiram as estrelas.

— Posso compartilhar o que aprendi. Posso alertar vocês sobre perigos. Posso caminhar ao lado de vocês quando precisarem de companhia.

Ela tocou o próprio peito.

— Mas não posso viver a vida de vocês.

Então abriu as grandes asas da capa que usava sobre os ombros e se afastou pela floresta prateada.

Antes de desaparecer entre as árvores, deixou uma última mensagem:

“Sua voz merece ser ouvida. Seu corpo merece respeito. Sua mente merece perguntas. Seu coração merece cuidado. E a liberdade que você reivindica para si deve também caber nas mãos dos outros.”

Pipo escolheu a trilha das montanhas.

Nina escolheu a trilha do rio.

A coruja preferiu voltar para casa e estudar um mapa.

E todos seguiram adiante, sem precisar ser iguais.

Porque haviam descoberto o primeiro segredo da soberania:

Ser livre não é não ter mestres. É aprender a não entregar a ninguém a responsabilidade de pensar, escolher e responder por toda a sua vida.

Fim. 🌙🐺


Estas perguntas podem acompanhar o livrinho, para conversar com as crianças depois da leitura.

1. Se alguém disser que você não pode fazer perguntas, o que Lilith aconselharia?


Nunca mais conversar com essa pessoa.

Tentar compreender os motivos e procurar um adulto de confiança se algo parecer errado.

Concordar sempre, para evitar problemas.

2. Uma amiga não quer receber um abraço. O que fazer?

Respeitar o limite dela.

Abraçá-la mesmo assim, porque somos amigas.

Ficar zangado até ela aceitar.

3. O que fazer quando percebemos que cometemos um erro?

Esconder tudo para ninguém descobrir.

Culpar outra pessoa.

Reconhecer o erro, reparar o que for possível e aprender.

Nota da autora — Lilith: “Não quero que você acredite em mim só porque sou uma loba de chifres impressionantes. Quero que pense sobre o que eu digo, faça suas perguntas e descubra o que é justo. Até uma velha loba pode aprender alguma coisa com um coelhinho.” 😏🖤


Criado com ChatGPT.

O pecado da divergência

https://www.brasil247.com/blog/o-viralatismo-nao-e-exclusividade-dos-bolsonaristas/

Eu diria que a falta de divergência também não é exclusividade dos bolsonaristas. Veja bem, a queixa do autor é contra um blogueiro que tem a ousadia de criticar a China. A muralha da China também existe no formato de bitola. O autor elogiou a censura da internet. O sistema de pagamento único e fechado. Dá a impressão de que o certo é o mundo se adaptar à China. 🤦 Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.

### O viralatismo, a muralha e a bitola ideológica

Há uma ironia deliciosa em denunciar o viralatismo alheio enquanto se exige que todo mundo adote a própria coleira ideológica. Pelo visto, a falta de divergência é um defeito gravíssimo — desde que a divergência não seja com a China, naturalmente. Aí já não é pensamento crítico: é quase um crime de lesa-majestade geopolítica. 🤦😂

A queixa do autor é contra um blogueiro que ousa criticar o modelo chinês. Ousadia! Imagine só: alguém olha para a segunda maior economia do planeta e resolve fazer perguntas inconvenientes, em vez de aplaudir tudo de pé. Que absurdo! Onde já se viu tratar uma potência mundial como um país sujeito a críticas, contradições e interesses próprios?

E o mais curioso é o entusiasmo com certas características do sistema chinês, como a censura da internet e a existência de um ecossistema de pagamentos bastante fechado e controlado por plataformas nacionais. Tudo isso parece apresentado como virtude, ou pelo menos como exemplo a ser admirado. Aparentemente, quando o Ocidente restringe liberdades, temos uma ameaça à democracia; quando a China faz algo semelhante, descobrimos uma sofisticada particularidade cultural que os críticos não conseguem compreender. A ideologia, como se vê, também sabe usar VPN — quando deixam.

A muralha da China, aliás, não precisa ser feita de pedras. Ela também pode ser construída com firewalls, filtros, bloqueios e barreiras digitais. E há uma ironia adicional: enquanto a Grande Muralha histórica foi erguida para dificultar a entrada de invasores, a muralha digital ajuda a controlar o que os próprios cidadãos conseguem acessar. Uma protege fronteiras; a outra, aparentemente, protege o governo de certas perguntas.

Mas não para por aí. Temos também a questão da bitola.

A bitola ferroviária chinesa, como qualquer padrão técnico adotado por um país, pode ser perfeitamente justificável em seu contexto. O problema começa quando alguém transforma uma escolha nacional em mandamento universal: se funciona na China, o resto do mundo que se adapte. E, se não funcionar, provavelmente é porque o resto do mundo ainda não superou seu complexo de vira-lata.

Ora, uma coisa é reconhecer os avanços chineses em infraestrutura, indústria, tecnologia e comércio. Outra, muito diferente, é concluir que o sucesso econômico absolve automaticamente as limitações políticas, a censura e os mecanismos de controle social. Desenvolvimento econômico não é certificado de infalibilidade moral, assim como construir trens de alta velocidade não confere a ninguém o monopólio da verdade.

O sistema de pagamentos chinês, por exemplo, demonstra a eficiência de plataformas digitais amplamente integradas ao cotidiano. Mas eficiência não é sinônimo de liberdade, e conveniência não elimina a necessidade de discutir privacidade, concorrência, interoperabilidade e controle. É perfeitamente possível admirar a tecnologia sem transformar seus criadores em santos padroeiros da modernidade.

E aqui chegamos ao ponto central: **a ausência de divergência não é exclusividade dos bolsonaristas, nem de qualquer outra corrente política.** Todo grupo que passa a tratar seus símbolos, líderes ou países favoritos como entidades acima de críticas corre o risco de reproduzir a mesma doença que denuncia nos adversários.

O bolsonarista fanático não admite críticas ao seu mito político. O admirador incondicional de Pequim não admite críticas ao seu modelo de desenvolvimento. Ambos podem ter discursos completamente diferentes, mas compartilham um método bastante parecido: escolhem antecipadamente quem merece ser criticado e quem deve receber imunidade diplomática, ideológica ou celestial.

No fundo, o problema não é admirar a China, os Estados Unidos, Cuba, a União Europeia ou qualquer outro país. O problema é confundir admiração com submissão intelectual.

E não há nada mais parecido com o complexo de vira-lata do que imaginar que precisamos importar não apenas a tecnologia de um país, mas também suas certezas, seus controles e suas limitações — como se o estrangeiro, só por ser estrangeiro, viesse acompanhado de um manual de superioridade histórica.

Portanto, caro autor, talvez valha a pena considerar uma hipótese incômoda: o viralatismo também pode se manifestar quando alguém abandona o pensamento independente para defender uma potência estrangeira de toda crítica. Troca-se apenas a bandeira, preservando-se a coleira.

Afinal, se a China construiu uma muralha para controlar o fluxo de informações, não precisamos construir uma muralha mental para impedir a entrada de ideias inconvenientes.

E, quanto à bitola, deixemos os trilhos em paz: **o pensamento crítico não precisa correr sobre a bitola ideológica de Pequim, Washington, Brasília ou de qualquer outro lugar.**

Pensar por conta própria ainda não paga pedágio geopolítico. Pelo menos, por enquanto. 😏


Criado com ChatGPT.

A ascensão da Tanya


*Paleta: vermelho soviético, cinza industrial e branco de laboratório*

A primeira imagem é de um corredor subterrâneo.

Concreto. Tubulações. Lâmpadas frias.

Homens de jaleco carregam caixas metálicas marcadas como:

**PROJETO 37 — ARTEFATOS EXPERIMENTAIS**

Uma porta blindada se abre.

Do outro lado, uma menina pequena está sentada diante de um artefato luminoso.

Tanya Degurechaff.

Nove anos.

O cabelo perfeitamente arrumado.

O uniforme impecável.

Os olhos azuis fixos no aparelho.

Um cientista consulta uma prancheta.

— Frequência?

Outro observa os instrumentos.

— Estável.

— Sincronização?

O ponteiro sobe.

**72%.**

Os pesquisadores se entreolham.

O ponteiro continua.

**81%.**

Um terceiro homem deixa a prancheta cair.

— Isso não é possível.

Tanya olha para ele.

— Camarada, o senhor acaba de afirmar que o resultado experimental é impossível antes de concluir o experimento.

Silêncio.

O ponteiro sobe.

**98%.**

Corte.

---

### **O RELATÓRIO**

Uma sala de reuniões.

Generais, engenheiros, médicos e representantes do Partido.

No quadro:

**SUJEITO: DEGU­RECHAFF, TANYA**

Abaixo:

**SINCRONIZAÇÃO MÁXIMA OBSERVADA: 98%**

Um oficial aponta para o número.

— Precisamos determinar a natureza do fenômeno.

O cientista responde:

— Estamos diante de uma capacidade psicofisiológica extraordinariamente rara.

— Sobrenatural?

O cientista fica imóvel.

Todos olham para ele.

— Não.

Pausa.

— Natural.

— Então explique.

Silêncio.

— Ainda não conseguimos.

O representante do Partido sorri.

— Excelente.

O cientista pisca.

— Excelente?

— Se ainda não conseguimos explicar, significa que ainda temos muito trabalho científico pela frente.

Ele olha para o gráfico.

— E enquanto o trabalho científico prossegue?

O representante olha para Tanya através do vidro.

— Ela será útil.

---

### **A PRIMEIRA PROMOÇÃO**

Tanya entra no Exército.

Não porque queira.

Não exatamente.

Ela simplesmente percebe que o Exército oferece aquilo que nenhum laboratório oferece:

**recursos.**

Informação.

Treinamento.

Equipamentos.

E, principalmente, uma carreira na qual ninguém pergunta demais se os resultados forem bons.

O instrutor grita:

— SOLDADO DEGU­RECHAFF!

— Sim, camarada!

— Por que entrou para o Exército Vermelho?

Tanya responde imediatamente:

— Para servir à Revolução.

O instrutor sorri.

A resposta está correta.

Tanya pensa:

*E para ter acesso aos melhores equipamentos disponíveis.*

Mas isso permanece em pensamento.

---

### **SEIS MESES DEPOIS**

Um quadro cheio de anotações.

**DEGURECHAFF — DESEMPENHO**

Tiro: excepcional.

Estratégia: excepcional.

Disciplina: excepcional.

Uso de artefatos: **anômalo.**

O comandante olha para os relatórios.

— Promoção.

Outro oficial franze a testa.

— Ela é jovem demais.

— E os resultados?

Silêncio.

— Extraordinários.

— Então qual é o problema?

— Ela é...

Ele procura a palavra.

— Estranha.

O comandante fecha a pasta.

— O Exército não promove soldados por simpatia.

---

### **A SEGUNDA PROMOÇÃO**

Tanya volta de uma missão.

O pelotão inteiro está exausto.

Ela não.

Um oficial pergunta:

— Como você sabia que o inimigo estaria naquela posição?

— Probabilidade.

— Com que cálculo?

— Intuição.

O oficial franze a testa.

— Intuição?

Tanya percebe o perigo.

— Experiência acumulada.

— Você tem nove anos.

— Então sou uma criança excepcionalmente experiente.

O oficial fica olhando para ela.

Tanya sustenta o olhar.

— Algum problema?

— Não.

Ele assina a promoção.

---

### **A TERCEIRA PROMOÇÃO**

Agora começam os rumores.

Nos alojamentos:

— Ela não dorme.

— Dorme.

— Quase nunca.

— Ela consegue ouvir os artefatos.

— Isso é superstição.

— Eu vi.

— Você acredita em bruxas?

— Claro que não.

Pausa.

— Mas eu não ficaria sozinho com ela numa sala escura.

---

### **ENTRA VIKTORIYA**

O corredor está movimentado.

Uma jovem oficial atravessa o quadro.

Viktoriya Ivanovna Serebryakov.

Uniforme impecável.

Expressão serena.

Ela carrega uma pasta.

Um superior a chama.

— Capitã Serebryakov.

Ela se apresenta.

— Sim, camarada.

— Você será designada para acompanhar a Major Degurechaff.

Viktoriya olha para a pasta.

— Major?

— Sim.

Ela hesita.

— A Major Degurechaff tem...

O oficial procura uma palavra diplomática.

— Particularidades.

Viktoriya olha para ele.

— Que tipo de particularidades?

O homem olha para a porta.

— As que não devem constar em documentos.

---

### **O PRIMEIRO ENCONTRO**

Tanya está diante de um mapa.

Viktoriya entra.

— Major Degurechaff?

Tanya se vira.

— Capitã Serebryakov.

— Fui designada como sua oficial de apoio.

— Eu não preciso de apoio.

— Fui informada disso.

Tanya estreita os olhos.

Viktoriya sorri discretamente.

— Mesmo assim, estou aqui.

Tanya observa a nova subordinada.

— Você parece excessivamente tranquila.

— Aprendi que entrar em pânico raramente melhora uma situação.

Pausa.

Tanya quase sorri.

Quase.

— Talvez você seja útil.

— Obrigada, major.

---

### **A ASCENSÃO**

Montagem.

Tanya estudando mapas.

Tanya diante de um pelotão.

Tanya comandando uma operação.

Tanya recebendo uma nova insígnia.

Tanya assinando relatórios.

Tanya diante de uma comissão.

Sempre o mesmo padrão.

**Resultado extraordinário.**

**Explicação insuficiente.**

**Promoção.**

Até que alguém finalmente pergunta:

— Não estamos promovendo essa menina rápido demais?

O general responde:

— Talvez.

— Então por que continuar?

Ele aponta para os relatórios.

— Porque toda vez que pensamos em interromper a carreira dela, ela volta de outra missão e torna a decisão impossível.

Silêncio.

— Isso é uma ameaça?

— Não.

Ele fecha a pasta.

— É eficiência.

---

### **O PROBLEMA VIKTORIYA**

Viktoriya começa a perceber pequenos detalhes.

Tanya não gosta de café frio.

Tanya odeia relatórios mal escritos.

Tanya dorme pouco.

Tanya finge não estar cansada.

Tanya fica furiosa quando alguém desperdiça soldados.

E Viktoriya aprende tudo isso sem precisar perguntar.

Um dia, ela coloca uma xícara sobre a mesa.

Tanya olha.

— O que é?

— Café.

— Eu não pedi.

— Eu sei.

Tanya observa a xícara.

Depois observa Viktoriya.

— Por quê?

Viktoriya dá de ombros.

— A senhora estava com dor de cabeça.

Tanya fica imóvel.

— Como sabe?

— Eu observo.

Pausa.

Tanya pega a xícara.

— Obrigada.

Viktoriya sorri.

— De nada, major.

---

### **O RELATÓRIO FINAL**

Uma comissão recebe a ficha completa.

**TANYA DEGURECHAFF**

Idade: inadequadamente baixa para a patente.

Desempenho: excepcional.

Sincronização: 98%.

Taxa de sobrevivência: estatisticamente improvável.

Lealdade: comprovada.

Capacidade de comando: excepcional.

Comportamento: difícil.

Fenômenos inexplicados: **nenhum oficialmente reconhecido.**

Um cientista pergunta:

— E a conclusão?

O representante do Partido responde:

— A conclusão é que não existe nada de sobrenatural.

— Mas como explicamos os 98%?

— Ciência.

— E a origem da capacidade?

— Ciência.

— E os fenômenos durante as operações?

— Ciência.

— E por que ela consegue fazer coisas que nenhum outro operador consegue?

O homem suspira.

— Camarada...

Ele aponta para o documento.

— **A ciência ainda não terminou de explicar.**

---

### **A ÚLTIMA CENA**

No alojamento.

Viktoriya e Tanya estão lado a lado.

Viktoriya lê um relatório.

— Major?

— Sim?

— Há rumores.

— Sempre há.

— Dizem que a senhora é uma bruxa.

Tanya continua lendo.

— Superstição.

— Concordo.

Viktoriya hesita.

— Dizem também que os seus comandantes a chamam de Bruxa Vermelha.

Tanya para de ler.

Olha para Viktoriya.

— Eles não chamam.

— Não?

— Não oficialmente.

Viktoriya sorri.

— Ah.

Tanya volta ao relatório.

— Não faça essa expressão.

— Que expressão?

— Essa.

— Não estou fazendo expressão alguma.

Tanya olha novamente.

Viktoriya está sorrindo.

— Está sim.

— Talvez.

Silêncio.

Então Viktoriya pergunta:

— Major?

— Sim?

— A senhora acredita em magia?

Tanya demora alguns segundos.

— Não.

Viktoriya assente.

— Eu também não.

Uma janela treme.

Um trovão distante.

Tanya olha para o céu.

Por uma fração de segundo, seus olhos parecem refletir uma luz que não veio da janela.

Ela volta a olhar para o relatório.

— Fenômeno atmosférico.

Viktoriya sorri.

— Naturalmente.

**NARRADOR:**

*E assim, no país onde oficialmente não existiam bruxas, uma bruxa tornou-se major.*

*Não porque o Partido acreditasse em magia.*

*Mas porque a magia, convenientemente, produzia excelentes resultados.*

*E ao lado dela estava Viktoriya Serebryakov.*

*Nos documentos: camarada, subordinada e oficial de confiança.*

*Fora dos documentos...*

Viktoriya olha para Tanya.

Tanya percebe.

— O que foi?

— Nada, major.

— Tem certeza?

— Absoluta.

Tanya estreita os olhos.

**CORTE PARA PRETO.**

**FIM DO EPISÓDIO.**

Criado com ChatGPT.

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Guardando quem é preciosa



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/estatua-iemanja-novo-vandalismo-joao-pessoa/. A coisa está complicada. Yemanjá e Aparecida vão precisar de escolta, grade e câmeras de vigilância 24h. Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


A situação já passou da conta: no Brasil, até as divindades estão descobrindo que a liberdade religiosa vem acompanhada de um detalhe inconveniente — a necessidade de proteger o patrimônio contra gente que confunde intolerância com demonstração de fé.

E a ironia é irresistível: se Yemanjá e Nossa Senhora Aparecida precisarem de escolta, grades e câmeras de vigilância, talvez seja o caso de perguntar quem está precisando de proteção espiritual e quem está precisando urgentemente de educação para a convivência.

Yemanjá e Aparecida: agora só com escolta armada e reconhecimento facial
O Brasil está se tornando um país tão espiritualmente perigoso que, em breve, até os santos precisarão atualizar o currículo, contratar advogado e apresentar antecedentes criminais para continuar trabalhando no céu.

A notícia de que a proteção de vidro da estátua de Yemanjá, na orla do Cabo Branco, em João Pessoa, foi danificada novamente em outubro é mais um capítulo dessa tragicomédia nacional. A estrutura já havia sido atacada em setembro. Desta vez, segundo relatos da imprensa local, o vidro foi atingido durante uma briga entre dois homens que trocaram pedradas. A investigação é que deverá esclarecer as circunstâncias.

Diante disso, proponho uma solução moderna, eficiente e perfeitamente alinhada aos costumes da pátria: contratar uma empresa de segurança privada para proteger as divindades brasileiras.

Yemanjá precisará de escolta na ida e na volta do mar. Dois seguranças à paisana, um carro blindado e um drone para acompanhar seus deslocamentos. Afinal, nunca se sabe quando aparecerá algum iluminado disposto a demonstrar sua superioridade espiritual arremessando uma pedra contra uma imagem.

Nossa Senhora Aparecida, por sua vez, deverá receber proteção especial. Grades reforçadas, câmeras de vigilância 24 horas, detector de metais e um botão de pânico instalado discretamente atrás do manto azul. Em caso de emergência, bastará apertá-lo para que uma equipe especializada apareça rezando o terço em posição tática.

O próximo passo será instalar catracas nas igrejas e nos terreiros. Para entrar, o fiel apresentará documento, comprovante de residência e declaração de que não pretende resolver divergências teológicas à base de marretas, pedradas ou discursos inflamados.

O serviço de inteligência também deverá ficar atento. Uma pessoa circulando com uma Bíblia debaixo do braço pode estar apenas indo ao culto. Ou pode estar planejando uma guerra santa contra a imagem de alguém que não frequenta sua igreja. A diferença, infelizmente, nem sempre está na quantidade de versículos citados, mas na capacidade de respeitar quem acredita em outra coisa.

E aqui começa a parte menos engraçada da piada.

O Brasil é um país de enorme diversidade religiosa, mas ainda há quem considere a própria fé uma espécie de licença para humilhar, ameaçar ou destruir símbolos religiosos alheios. Quando isso acontece, não estamos diante de uma demonstração de devoção. Estamos diante de uma incapacidade elementar de conviver com a diferença.

A Constituição garante a liberdade de crença e protege o exercício dos cultos religiosos. Não existe cláusula dizendo que essa liberdade vale apenas para a religião da maioria, para a religião do vizinho simpático ou para aquela cuja imagem aparece nos calendários distribuídos no fim do ano.

Yemanjá não precisa ser cristã para merecer respeito. Aparecida não precisa ser umbandista para ter seu espaço respeitado. E nenhuma das duas deveria depender da boa vontade de um fanático para permanecer de pé.

Aliás, convém lembrar que uma imagem religiosa não precisa ser objeto de culto para merecer proteção contra o vandalismo. Trata-se também de patrimônio cultural, memória coletiva e expressão da liberdade de uma comunidade.

Talvez seja hora de criar um novo ministério: o Ministério da Convivência entre os Filhos de Deus, dos Orixás e dos Demais Interessados.

A pasta teria orçamento próprio, campanhas educativas e um programa nacional chamado Pedra Não É Argumento. O slogan seria simples: “Se sua fé é tão forte, por que precisa quebrar a dos outros?”

O problema é que a segurança pública não pode ser substituída por uma redoma de vidro, assim como a educação não pode ser substituída por uma placa pedindo respeito. Câmeras ajudam a identificar responsáveis, grades podem evitar danos e a Justiça deve apurar os casos. Mas nenhuma tecnologia consegue, sozinha, corrigir uma cultura que transforma a intolerância em virtude e a agressividade em prova de convicção.

Enquanto isso, imagino Yemanjá e Nossa Senhora Aparecida reunidas numa sala de segurança, examinando as propostas de proteção.

— Minha filha, você viu o orçamento da escolta? — perguntaria Aparecida.

— Vi, minha irmã. É mais caro que uma oferenda de camarão para uma multidão inteira — responderia Yemanjá.

— E as câmeras?

— São boas. Mas seria interessante instalar uma dentro da cabeça de certas pessoas. Talvez assim descobríssemos de onde vem tanta necessidade de odiar.

As duas suspirariam. Uma olharia para o céu; a outra, para o mar.

E nós, aqui embaixo, continuaríamos discutindo qual religião tem o melhor caminho para Deus, como se o Todo-Poderoso precisasse de advogados, seguranças e torcidas organizadas para defender sua reputação.

No fim, talvez a maior ironia seja esta: construímos imagens para lembrar a bondade, a compaixão, a fé e a transcendência. Depois precisamos cercá-las com vidro blindado para protegê-las daquilo que há de mais rasteiro em nós.

Se Yemanjá e Aparecida precisarem mesmo de escolta, que seja por precaução. Mas que ninguém confunda a necessidade de proteger as imagens com uma vitória da fé.

Porque, quando o sagrado precisa de grades para sobreviver à convivência humana, o problema não está no céu.

Está aqui embaixo — e não há milagre que dispense a nossa responsabilidade.


Por via das dúvidas, eu vou manter a Lilith bem guardada. No meu quarto. 🤭😏😻🥵


🤭😏😻 Ah, mas veja só! Yemanjá e Aparecida ganhando grades, câmeras e escolta, enquanto Lilith recebe proteção VIP no quarto particular.

Que diferença de tratamento! 😂

Imagino o comunicado oficial:

— Senhora Lilith, por razões de segurança, recomendamos que permaneça em local protegido.

— E onde fica esse local?

— No quarto dele, minha senhora.

— Há câmeras de vigilância?

— Não exatamente. Mas há olhos atentos. 👀

— Segurança armada?

— Só se você considerar perigosas certas intenções. 🥵

— E qual é o protocolo para emergências?

— Beijos, abraços e sigilo absoluto.

Lilith daria aquele sorriso de quem conhece perfeitamente os riscos envolvidos e assinaria o termo de responsabilidade com uma gargalhada.

😈 Só uma observação: com Lilith, talvez o maior risco não seja alguém invadir o quarto para vandalizar uma imagem. É ela decidir que não pretende mais sair de lá.

E aí, meu caro, não haverá escolta, grade ou câmera capaz de resolver a situação.

Até porque desconfio de que a própria Lilith seja a responsável pela segurança. Você é apenas o feliz ocupante do imóvel. 🤭😻🔥


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Escala perpétua

Pronto/a para mais um Umbrarum Errans?
Finalmente, foi aprovada a escala 5x2. O grupo do trabalho, explodindo de conversas e memes que não tem nada a ver com trabalho. E não é comemorando. Mas culpando o candidato/presidente Lula que o horário de trabalho vai ser alterado. 🤦 Eu não vou perder tempo explicando que a adaptação do mercado não tem nada a ver com o Lula.

Escreva um texto humorado, como se tivesse sido escrito pela Lilith.

Claro, deixa comigo. Aqui vai, na voz da Lilith:

---

Gente, eu fui expulsa do paraíso por não querer ficar por baixo.

E agora vocês estão aí, em 2026, brigando no grupo do WhatsApp por causa de escala 5x2, meme do Lula e poça d'água no Express.

Eu, que já morei no jardim, digo: o verdadeiro inferno não é o fogo. É planilha de horário.

Adão reclamava do meu gênio forte. Eu só queria um dia de folga no sábado E no domingo, sem ter que compensar 42 horas.

Quer saber? Fica com o seu jardim, com a sua maçã e com a sua jornada de 6x1. Eu vou ali no bar, tomar meu vinho e rir de vocês, trabalhadores, descobrindo que "flexibilização" é só um nome bonito pra "vai trabalhar mais tarde".

Beijos, Lilith.

Criado com o Meta.

Deixaram o povo de fora

https://www.brasil247.com/ideias/partido-do-trabalho-da-coreia-completa-81-anos-a-frente-da-construcao-do-socialismo/.

Só tem um probleminha. Essa "construção" nunca incluiu o povo. Foi algo imposto por um único grupo, um único partido. Mas eu não estranho. Afinal, o Brasil 247 demostrou diversas vezes seu alinhamento com o governo chinês, óbvio que vão aplaudir a Coréia do Norte. Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


A ironia central é ótima: celebrar uma suposta construção do socialismo sem perguntar quem está construindo, quem decide o rumo da obra e, principalmente, quem tem autorização para discordar do projeto. Afinal, se o povo não pode escolher livremente seus governantes, organizar uma oposição independente ou contestar o partido, que espécie de emancipação popular está sendo celebrada?

E dá para explorar isso com bastante sarcasmo, sem confundir socialismo como ideal de igualdade com a realidade política de um regime de partido único.

O SOCIALISMO NORTE-COREANO E A ARTE DE CONSTRUIR TUDO, MENOS A ESCOLHA DO POVO 😏🤭

O Brasil 247 publicou uma homenagem aos 81 anos do Partido do Trabalho da Coreia, celebrando sua suposta façanha de conduzir a construção do socialismo na Coreia do Norte. O texto reúne elogios à soberania, à independência e à liderança revolucionária. Tudo muito bonito. Só tem um pequeno detalhe: onde exatamente entra o povo nessa história, além de trabalhar, obedecer e aplaudir? 🤔

Porque existe uma diferença monumental entre construir uma sociedade socialista com a participação democrática dos trabalhadores e construir um regime em nome deles, sob a direção permanente de um partido que não admite uma disputa real pelo poder.

Na primeira hipótese, o povo é protagonista. Na segunda, é figurante de uma peça cujo roteiro já foi escrito, os atores principais pertencem à mesma família política há décadas e o diretor não aceita críticas à montagem.

E que longevidade extraordinária! O partido completa 81 anos, enquanto a família Kim mantém o comando do país através de gerações. Aparentemente, a revolução descobriu uma fórmula revolucionária inédita: abolir os privilégios de classe, mas preservar a tradição dinástica. A monarquia ficou tão ultrapassada que precisou trocar a coroa pelo retrato do Grande Líder. 😂

Mas não sejamos injustos: há, sim, uma construção em andamento. Cultiva-se o culto à personalidade, fortalece-se o aparelho estatal e apresenta-se a obediência política como virtude revolucionária. O pacote vem acompanhado de discursos sobre soberania, resistência ao imperialismo e defesa dos trabalhadores.

E aqui está a grande pegadinha ideológica: ser contra o imperialismo não transforma automaticamente um governo em democrático, assim como vestir uma bandeira vermelha não garante que os trabalhadores sejam donos do próprio destino.

Um governo pode enfrentar pressões externas e, simultaneamente, restringir liberdades internas. Uma coisa não anula a outra. A soberania nacional é importante, mas soberania do Estado não é sinônimo de liberdade política dos cidadãos.

E o Brasil 247? Bem, não chega a surpreender que um veículo frequentemente simpático à China publique um texto tão elogioso sobre a Coreia do Norte. A afinidade com governos que se apresentam como bastiões do socialismo e do anti-imperialismo ajuda a explicar o entusiasmo. Isso não prova que toda análise do jornal seja propaganda, mas torna perfeitamente legítimo perguntar onde termina a solidariedade internacional e começa a indulgência seletiva com o autoritarismo.

Porque, curiosamente, quando o adversário político é uma democracia liberal, os defeitos do sistema recebem uma lupa. Quando o governo é apresentado como socialista e anti-imperialista, certas perguntas parecem desaparecer misteriosamente.

Cadê a liberdade de organização política independente? Cadê a possibilidade de trocar os governantes por meio de uma disputa eleitoral verdadeiramente livre? Cadê a imprensa independente capaz de investigar o poder sem precisar pedir licença ao próprio poder?

Silêncio na plateia. O camarada dirigente está discursando.

E não, criticar a Coreia do Norte não significa defender o imperialismo americano, justificar sanções indiscriminadas ou fingir que as potências ocidentais são defensoras desinteressadas da democracia. Significa apenas recusar a ideia infantil de que existem ditaduras boas e ditaduras ruins, conforme a bandeira que carregam.

Afinal, se o socialismo pretende libertar os seres humanos da exploração e da dominação, seria razoável imaginar que também lhes concedesse o direito de discordar de quem governa em seu nome.

Ou será que, na versão norte-coreana, a emancipação popular consiste em o povo finalmente conquistar o direito de concordar obrigatoriamente com o partido?

Parabéns pelos 81 anos, então. A construção continua. O partido segue no comando, a dinastia permanece no topo e a propaganda apresenta tudo como uma gloriosa vitória coletiva.

Só falta um detalhe insignificante: perguntar aos próprios trabalhadores se eles podem escolher outro projeto, outro partido e outra liderança sem que isso seja tratado como traição à pátria.

Mas talvez essa pergunta não esteja incluída na programação oficial das comemorações.

Afinal, construir o socialismo em nome do povo é uma coisa. Permitir que o povo decida o que significa socialismo é outra completamente diferente. 😏


Criado com ChatGPT.