quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Gnósticos e ateus



https://www.paulopes.com.br/2026/09/a-versao-que-igreja-apagou-o-deus.html

Um ateu citando o Nag Hammadi. Alô, contradição? 🤭😏

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


### O ateu, Nag Hammadi e a serpente que sabia demais

Existe uma cena que deveria provocar um pequeno curto-circuito no cérebro de muita gente:

**um ateu citando Nag Hammadi para falar de cristianismo.**

Alô, contradição? 🤭😏

Calma. Não é exatamente uma contradição.

É apenas uma daquelas deliciosas ironias da história das religiões.

O sujeito não acredita em Deus, não frequenta culto, provavelmente não está planejando montar uma paróquia gnóstica no bairro — e, mesmo assim, vai buscar textos cristãos antigos para mostrar que aquilo que hoje algumas igrejas apresentam como “a verdade cristã desde sempre” é, historicamente, muito mais complicado.

E aí aparece Nag Hammadi.

Em 1945, no Egito, foram encontrados treze códices contendo mais de cinquenta textos em copta. Entre eles estavam obras associadas a correntes cristãs que acabaram derrotadas na disputa pela definição da ortodoxia.

Ou seja:

**o ateu está dizendo ao cristão: “Olha aqui o que alguns dos seus antepassados religiosos também pensavam.”**

É quase como entrar numa reunião de condomínio e dizer:

— Senhores, encontrei a ata da reunião de 1800. Vocês já brigavam por isso naquela época.

E alguém responder:

— **ESSA ATA NÃO REPRESENTA O CONDOMÍNIO!**

— Eu sei. Mas vocês existiam nela.

É justamente aí que a coisa fica interessante.

O texto do *Testemunho da Verdade*, por exemplo, apresenta uma leitura completamente diferente do episódio do Éden. A serpente aparece associada à sabedoria e ao despertar do conhecimento, enquanto o criador apresentado na narrativa é interpretado de maneira extremamente crítica.

E isso produz uma situação maravilhosa para o debate contemporâneo.

Porque hoje alguém pode dizer:

— A Bíblia é clara!

E um sujeito pode responder:

— Qual Bíblia?

— **A Bíblia!**

— Qual interpretação?

— **A interpretação cristã!**

— Qual cristianismo?

Silêncio.

Porque o problema começa justamente aí.

O cristianismo antigo não surgiu como um bloco monolítico, perfeitamente organizado, com um manual universal encadernado em capa dura dizendo: “Página 1: esta é a interpretação oficial de tudo”.

Havia disputas, escolas, comunidades, evangelhos, interpretações diferentes sobre Jesus, sobre a criação, sobre o corpo, sobre a salvação e até sobre quem exatamente era o Deus apresentado nas Escrituras hebraicas.

Os textos de Nag Hammadi ajudam justamente a lembrar disso. Eles mostram que existiam correntes cristãs com ideias bastante diferentes das que posteriormente se tornariam dominantes.

E então vem a parte que eu acho particularmente engraçada:

**o ateu precisa recorrer à arqueologia para lembrar ao cristão que o cristianismo teve história.**

É quase uma inversão completa dos papéis.

O cristão:

— Você não acredita em Deus!

O ateu:

— Não.

— Então por que está lendo textos cristãos?

— Porque estou interessado na história deles.

— Mas você não acredita!

— Exatamente. Estou estudando. Não adorando.

É como estudar mitologia grega sem precisar construir um altar para Zeus na sala.

Aliás, seria um tanto inconveniente.

Imagine receber visita:

— Roberto, que estátua é essa?

— Zeus.

— Você acredita nele?

— Não. É pesquisa histórica.

— E por que ele está segurando um raio?

— **Porque o homem tinha estilo.**

Mas existe uma questão ainda mais interessante.

O problema não é um ateu citar Nag Hammadi.

O problema é quando alguém acredita que a existência de Nag Hammadi seja irrelevante simplesmente porque os textos não foram incorporados ao cânone que venceu.

Porque aí surge a pergunta histórica inevitável:

**quem decidiu quais textos seriam considerados legítimos?**

E, mais importante:

**o que aconteceu com aqueles que perderam essa disputa?**

A própria história do cristianismo mostra uma progressiva consolidação de autoridade, hierarquia, tradição e cânone. Correntes consideradas heréticas foram combatidas, e parte da literatura que expressava essas visões desapareceu ou sobreviveu apenas em fragmentos.

Até que, séculos depois, alguém encontra uma jarra enterrada no Egito.

E a história olha para a Igreja e diz:

— **Surpresa! Eu guardei uma cópia.**

É o equivalente religioso daquele funcionário antigo que aparece vinte anos depois com uma pasta:

— “Eu tenho alguns documentos daquela reunião.”

— “QUE DOCUMENTOS?”

— “Ah, nada demais.”

— “ME DÊ ISSO!”

— “Tarde demais. O historiador já fotografou.”

E aqui está a parte que deveria incomodar tanto ateus quanto cristãos dogmáticos:

**Nag Hammadi não prova que o gnosticismo estava certo.**

Mas também não precisa provar.

Ele já cumpre uma função histórica muito mais interessante:

**mostrar que havia cristãos pensando de maneiras diferentes.**

Isso desmonta a fantasia de que existiu uma única interpretação cristã, perfeitamente uniforme, desde os apóstolos até o pastor da televisão de domingo.

Não existiu.

Houve disputa.

Houve divergência.

Houve exclusão.

Houve textos que desapareceram.

Houve textos que sobreviveram.

E houve uma tradição vencedora que, posteriormente, passou a contar a história como se tivesse sido a única candidata desde o primeiro dia.

É aí que o ateu entra em cena, abre Nag Hammadi e fala:

— “Senhores, encontrei um detalhe.”

— “Qual?”

— “**Vocês brigavam entre vocês mesmos.**”

E a serpente, lá no fundo, provavelmente está rindo.

Porque, nessa versão da história, ela não precisava convencer ninguém a abandonar Deus.

Só precisava convencer alguém a **abrir os olhos**.

E, convenhamos, para uma serpente que passou quase dois milênios sendo responsabilizada por tudo, até que ela ganhou uma excelente assessoria de imprensa.

**No fim, talvez a verdadeira ironia não seja o ateu citar Nag Hammadi.**

A verdadeira ironia é ele precisar ensinar a alguns cristãos que **o cristianismo tem história — e que história não é sinônimo de catecismo.**

E aí a serpente dá aquela piscadinha.

😏🐍


Eu sou suspeito porque eu conheço história antiga, arqueologia e as religiões antigas. O ateu pode até usar a carta "eu não preciso acreditar para usar outras fontes textuais para mostrar a lacuna nos textos sagrados". Mas isso não prova que as crenças estão erradas nem que o divino não existe. 😏🤭


### Nag Hammadi não veio com um detector de Deus

Eu sou suspeito nessa discussão.

Porque, quando aparece Nag Hammadi na conversa, eu não consigo simplesmente olhar para aquilo e dizer:

— “Olha só! A Igreja escondeu tudo!”

Não.

Meu problema é conhecer um pouco de **história antiga, arqueologia e religiões antigas**.

Aí a coisa fica mais complicada.

Porque eu sei que religião antiga não funciona como uma postagem de rede social em que alguém descobre um documento e imediatamente pode anunciar:

**“DESCOBRI A VERDADE DEFINITIVA SOBRE DEUS EM 17 PARÁGRAFOS!”**

Calma, criatura.

Você encontrou um manuscrito.

Respira.

😏

Um ateu pode perfeitamente usar Nag Hammadi como fonte histórica.

E pode dizer:

— “Eu não acredito nessas crenças, mas não preciso acreditar para estudar os textos. Posso comparar manuscritos, tradições, arqueologia e literatura antiga e mostrar que existe uma lacuna entre aquilo que determinadas instituições apresentam como uma tradição uniforme e aquilo que encontramos historicamente.”

Perfeito.

Isso é perfeitamente legítimo.

Aliás, é justamente assim que se faz investigação histórica.

**Você não precisa acreditar em Zeus para estudar a religião grega.**

Não precisa acreditar em Ísis para estudar o Egito.

Não precisa acreditar em Odin para estudar a religião nórdica.

E não precisa acreditar em Yahweh para estudar a formação das tradições israelitas.

O historiador não precisa ajoelhar diante do objeto de estudo.

Ele precisa **analisá-lo**.

Mas existe uma pequena armadilha lógica que aparece às vezes:

— “Encontrei versões diferentes da tradição.”

— Sim.

— “Encontrei textos que foram rejeitados.”

— Sim.

— “Encontrei contradições entre tradições.”

— Sim.

— “Portanto, o divino não existe.”

— **Opa!**

Aí você atravessou uma ponte que não estava no mapa.

Porque uma coisa não decorre automaticamente da outra.

Descobrir que **seres humanos produziram diferentes interpretações sobre o divino** demonstra alguma coisa sobre os seres humanos.

E pode demonstrar muita coisa.

Pode mostrar disputas teológicas.

Pode mostrar transformações culturais.

Pode mostrar sincretismo.

Pode mostrar influência de tradições anteriores.

Pode mostrar conflitos políticos e institucionais.

Pode mostrar que determinados textos foram preservados enquanto outros desapareceram.

Pode mostrar que aquilo que posteriormente chamamos de “cristianismo” foi formado em meio a uma diversidade muito maior de comunidades e interpretações.

Tudo isso é historicamente interessantíssimo.

Mas nenhuma escavação arqueológica possui uma pequena etiqueta:

**“Conclusão metafísica: Deus não existe.”**

😂

Seria maravilhoso.

O arqueólogo encontra uma tabuleta.

— “Doutor, encontramos algo!”

— “O quê?”

— “Uma inscrição de 2.500 anos.”

— “E o que diz?”

— “Não faço ideia. Ainda estamos traduzindo.”

— “Então como sabemos que Deus não existe?”

— “Não sabemos.”

— “Ótimo. Próxima trincheira.”

Porque existe uma diferença entre **explicar a história de uma crença** e **resolver a questão metafísica por trás dela**.

E essa diferença é fundamental.

Se eu descobrir que uma determinada narrativa religiosa foi modificada ao longo dos séculos, isso pode abalar a afirmação de alguém de que **“essa formulação específica caiu pronta do céu e nunca sofreu alteração humana”**.

Mas não demonstra, por si só, que não exista nenhuma realidade divina.

Do mesmo modo, descobrir que existiam cristãos gnósticos, cristãos proto-ortodoxos e outras correntes não significa automaticamente que uma delas estava “certa”.

Significa que **havia diversidade**.

E isso já é uma descoberta histórica enorme.

Aliás, é aí que minha posição fica ainda mais divertida.

Eu posso olhar para um texto religioso e dizer:

— “Historicamente, isso aqui é complexo.”

O crente pode responder:

— “Mas eu acredito que exista uma dimensão divina por trás disso.”

E eu posso responder:

— “Tudo bem.”

Porque **história e metafísica não são exatamente a mesma disciplina**.

O arqueólogo pode encontrar o templo.

O historiador pode reconstruir a tradição.

O filólogo pode comparar os manuscritos.

O antropólogo pode estudar o ritual.

O filósofo pode discutir a possibilidade de Deus.

E o indivíduo religioso pode dizer:

— “Para mim, existe uma experiência do sagrado que não se reduz a nenhuma dessas análises.”

Isso pode ser debatido, criticado e questionado.

Mas não é automaticamente refutado porque encontramos um manuscrito diferente.

E aqui está a ironia:

**o ateu não precisa acreditar em Nag Hammadi para utilizá-lo como evidência histórica.**

Mas também não precisa transformar Nag Hammadi em uma espécie de **martelo metafísico universal**.

Porque o manuscrito pode destruir uma narrativa histórica simplista sem destruir necessariamente a possibilidade do divino.

E talvez essa seja a parte mais interessante da coisa toda.

Eu não preciso escolher entre:

**“A Igreja está historicamente correta em tudo”**

e

**“Logo, Deus não existe.”**

Existe um universo inteiro entre essas duas frases.

E, para quem conhece um pouco de história antiga, arqueologia e religiões comparadas, esse universo é justamente onde a conversa começa a ficar boa.

Porque depois de milhares de anos de templos, sacerdotes, heresias, concílios, manuscritos, deuses mortos, deuses ressuscitados, textos perdidos e textos encontrados dentro de jarros...

talvez seja prudente admitir:

**a humanidade sabe muito mais sobre aquilo que os seres humanos disseram sobre Deus do que sobre o próprio Deus.**

E Nag Hammadi, convenhamos, não veio acompanhado de um certificado de garantia metafísica.

Veio dentro de um códice.

Já é bastante trabalho para o historiador.

😏🤭


A parte que o Paulo costuma evitar é que tem ateus com espiritualidade.


### O ateu também pode ter uma alma complicada

Tem uma coisa que algumas discussões sobre ateísmo costumam esquecer:

**existem ateus com espiritualidade.**

Sim.

O universo não explodiu.

Nenhum conselho internacional dos ateus apareceu para confiscar seus incensos.

E ninguém recebeu um e-mail dizendo:

> “Prezado cidadão, você deixou de acreditar em Deus. Favor devolver imediatamente sua capacidade de contemplação.”

😂

Porque existe uma confusão bastante comum:

**não acreditar em Deus ≠ não ter vida interior.**

Uma pessoa pode rejeitar a existência de um deus pessoal, criador e interventor e, ainda assim, sentir fascínio pelo cosmos, pela natureza, pela meditação, pelo silêncio, pela arte, pela experiência contemplativa ou pela sensação de participar de algo maior que o próprio ego.

Pode chamar isso de espiritualidade.

Pode chamar de experiência existencial.

Pode chamar de transcendência.

Pode não chamar de nada.

Mas a experiência continua existindo.

E isso complica aquela caricatura confortável segundo a qual temos, de um lado:

**o religioso, que acredita no invisível**

e, do outro:

**o ateu, que acredita apenas em matéria, boletos e segunda-feira.**

Não é tão simples.

Aliás, um ateu pode olhar para o céu estrelado e ficar profundamente comovido.

Pode entrar numa floresta e experimentar uma sensação de reverência.

Pode meditar durante uma hora.

Pode estudar religiões antigas.

Pode sentir que determinados símbolos possuem um significado psicológico e espiritual profundo.

E ainda dizer:

— “Eu não acredito em Deus.”

Pronto.

Não há necessariamente contradição.

Porque talvez a pergunta mais interessante seja:

**o que exatamente queremos dizer quando falamos em “espiritualidade”?**

Se espiritualidade significar necessariamente “crença em uma entidade sobrenatural pessoal”, então realmente existe uma tensão.

Mas se espiritualidade significar uma relação profunda com questões de sentido, transcendência, interioridade, contemplação, conexão ou mistério, então a coisa muda completamente.

E aqui está justamente a parte que às vezes passa batida.

O ateu pode rejeitar **uma determinada concepção de Deus** sem rejeitar **a dimensão espiritual da experiência humana**.

Pode inclusive estudar religiões antigas com enorme interesse.

Pode ler Nag Hammadi.

Pode conhecer mitologia egípcia.

Pode estudar os mistérios gregos.

Pode conhecer tradições indianas.

Pode investigar xamanismo, neoplatonismo, gnosticismo e centenas de outras manifestações religiosas.

E continuar dizendo:

— “Não acredito em nenhuma divindade.”

Isso não torna automaticamente a pessoa incoerente.

Significa apenas que **ela separou a experiência espiritual da crença teísta**.

E talvez seja justamente aí que a conversa fique muito mais interessante.

Porque, se eu reduzo espiritualidade a “acreditar em Deus”, fica fácil concluir:

— “Ateus não têm espiritualidade.”

Mas isso é quase uma definição circular.

É como dizer:

— “Quem não joga futebol não é atleta.”

Bom... depende do que você entende por atleta.

Nadadores existem.

Corredores existem.

Ginastas existem.

Ciclistas existem.

A categoria é maior que uma modalidade.

Com espiritualidade acontece algo parecido.

E, ironicamente, isso também deveria interessar ao ateu.

Porque quando ele encontra uma pessoa que diz:

> “Não acredito em Deus, mas tenho uma experiência espiritual profunda da existência”,

talvez a resposta mais interessante não seja:

— “Isso é impossível.”

Mas:

— **“Tá. Então me explica o que você chama de espiritualidade.”**

A conversa melhora imediatamente.

E talvez essa seja justamente a diferença entre **criticar uma crença** e **presumir que já entendeu a experiência de quem acredita — ou de quem não acredita.**

Porque até o ateu pode olhar para o abismo cósmico, ficar em silêncio por alguns minutos e pensar:

**“Caramba.”**

E, convenhamos...

para uma espécie que passou milhares de anos discutindo com os deuses,

**“caramba” já é praticamente uma experiência mística.** 😏


Outra coisa incômoda. Nós não vivemos só de provas e evidências cansativamente testadas em laboratório. O mundo é muito mais complexo do que pode ser testado no laboratório do Dexter (Cartoon Network). Nós temos o conhecimento que recebemos de nossos pais, família, sociedade, época, etnia e outras fontes. Nós também temos nossas próprias experiências pessoais. Não podem ser comprovadas nem repetidas, mas não foram menos reais. Como as que eu tive com uma certa força primordial...😻🥵


### O laboratório do Dexter não cabe dentro da cabeça humana

Existe uma pequena fantasia moderna que aparece de vez em quando nas discussões sobre religião:

— “Só acredito naquilo que pode ser comprovado cientificamente.”

Tudo bem.

Mas aí eu tenho uma pergunta:

**comprovado onde?**

No laboratório?

Qual laboratório?

O do Dexter?

Porque o problema é imaginar que a totalidade da experiência humana cabe dentro de uma bancada, dois tubos de ensaio e uma máquina fazendo *bip*.

😏

Nós não vivemos exclusivamente de evidências produzidas em condições experimentais.

Muito do que sabemos vem de outras pessoas.

Aprendemos coisas com nossos pais.

Com nossos avós.

Com professores.

Com amigos.

Com a sociedade.

Com a cultura.

Com a época histórica em que nascemos.

Com tradições.

Com livros.

Com testemunhos.

Com experiências pessoais.

E, evidentemente, também podemos descobrir que algumas dessas informações estavam erradas.

Mas isso não significa que **todo conhecimento que não nasceu num laboratório seja inútil**.

Se minha mãe me ensina uma receita de família, não preciso formar um grupo controle, randomizar os participantes e publicar um artigo duplo-cego para descobrir se a comida ficou boa.

Se meu avô me conta como era determinada rua quando ele era criança, aquilo é um testemunho.

Pode ser incompleto.

Pode conter memória distorcida.

Pode até estar errado.

Mas não deixa de ser uma informação sobre uma experiência humana.

E chegamos ao território mais espinhoso:

**a experiência pessoal.**

Imagine que uma pessoa tenha uma experiência profundamente marcante durante uma meditação.

Ou diante de uma obra de arte.

Ou numa experiência de quase morte.

Ou durante um sonho.

Ou num ritual.

Ou numa experiência religiosa.

Ou simplesmente num momento inexplicável de sua própria vida.

Ela pode dizer:

— “Isso aconteceu comigo.”

E alguém responder:

— “Prove.”

Bom...

**como exatamente você pretende reproduzir a experiência interna daquela pessoa no laboratório?**

Você pode estudar atividade cerebral.

Pode medir respostas fisiológicas.

Pode entrevistar a pessoa.

Pode comparar relatos.

Pode investigar explicações neurológicas e psicológicas.

Tudo isso é válido.

Mas nenhuma dessas coisas transforma a experiência subjetiva original em um experimento que você possa simplesmente repetir como quem testa a resistência de um material.

E existe uma distinção importantíssima:

**uma experiência ser real não significa que a interpretação feita sobre ela esteja automaticamente correta.**

Se alguém diz:

— “Eu tive uma experiência que interpretei como contato com uma entidade.”

Podemos discutir a interpretação.

Podemos perguntar se houve sonho, estado alterado de consciência, fenômeno neurológico, expectativa cultural, simbolismo, experiência espiritual ou alguma combinação dessas coisas.

Mas dizer:

— “Não posso reproduzir isso no laboratório, portanto você não experimentou nada.”

é outra coisa.

É confundir **realidade da experiência** com **explicação da experiência**.

E aí chegamos àquela certa força primordial...

😻🥵

Eu posso dizer:

**“Eu tive uma experiência que interpretei dessa maneira.”**

Você pode perguntar:

— “Isso pode ser comprovado independentemente?”

Talvez não.

— “Pode ser repetido sob condições controladas?”

Talvez não.

— “Então você não pode demonstrar cientificamente que sua interpretação metafísica está correta.”

Perfeitamente.

Mas existe uma diferença entre isso e dizer:

— “Logo, nada aconteceu.”

Não.

Alguma coisa aconteceu.

**Você teve uma experiência.**

O que ela significa é outra pergunta.

E talvez seja justamente aí que uma conversa madura sobre espiritualidade deveria começar.

Nem:

**“Minha experiência prova absolutamente tudo.”**

Nem:

**“Sua experiência não cabe no laboratório, portanto é bobagem.”**

Mas:

**“Você viveu algo significativo. Vamos separar aquilo que você experimentou da explicação que você deu à experiência.”**

Isso é muito mais intelectualmente honesto.

Porque o universo é grande demais para caber inteiro no laboratório do Dexter.

E a consciência humana é estranha demais para ser reduzida a uma tabela de Excel.

A ciência pode investigar maravilhosamente muitas dimensões dessas experiências.

Mas **investigar uma experiência não é o mesmo que possuir a experiência.**

O neurologista pode estudar o cérebro de alguém apaixonado.

Isso não significa que o neurologista tenha se apaixonado pela mesma pessoa.

Pode medir lágrimas.

Pode medir frequência cardíaca.

Pode observar atividade cerebral.

Mas não consegue simplesmente colocar o amor do paciente num tubo de ensaio e escrever:

**“Amor — 37,4 mililitros.”**

😂

E talvez seja por isso que precisamos de humildade em ambos os lados.

O religioso não deveria transformar toda experiência subjetiva em prova universal.

E o cético não deveria transformar a ausência de uma prova experimental em prova automática de que a experiência foi inexistente ou sem significado.

Entre os dois existe um território enorme:

**a experiência humana.**

E nesse território nós passamos a vida inteira aprendendo com aquilo que podemos provar, com aquilo que podemos observar, com aquilo que outros nos contam...

e também com aquilo que **somente nós mesmos vivemos.**

Até aquela força primordial que resolveu aparecer na experiência de alguém e deixar o laboratório do Dexter completamente sem saber onde colocar o formulário de ocorrência.

😻🥵

**“Senhor Dexter, temos um problema.”**

— “Qual?”

**“O fenômeno não cabe no método.”**

— “Então meça.”

**“Não dá.”**

— “Repita.”

**“Também não dá.”**

— “Publique.”

**“Mas como?”

— “...”

**“Exatamente.”**


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Antecipando a Comissão de Ética

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/jornalista-da-band-detona-discurso-de-odio-antifeminista-de-deputada-mais-votada-de-sp/


Eu escrevi uma crônica equiparando essa agora deputada com um enforcado pedindo corda.
Como se não bastasse o desconforto da candidata se identificar como antifeminista, piorou ao afirmar que feminicídio não existe.
Será que dá tempo para anular os votos ou podemos esperar que a comissão de ética casse o mandato dela?
Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


A situação rende uma crônica quase pronta: a ironia está justamente em alguém chegar ao Parlamento pela democracia para anunciar guerra contra um movimento que ajudou a ampliar os direitos políticos das mulheres. A deputada eleita Eduarda Campopiano recebeu 1.956.238 votos e declarou-se antifeminista; também afirmou não acreditar que feminicídio exista como fenômeno específico. 

A enforcada pedindo corda
Há situações na política brasileira em que a realidade parece ter contratado um roteirista de humor.

A deputada estadual eleita Eduarda Campopiano, com quase 2 milhões de votos, conseguiu uma façanha curiosa: chegar ao Parlamento graças a uma democracia construída também pela luta histórica das mulheres e, depois de eleita, declarar guerra ao feminismo.

É quase como um enforcado pedindo corda.

A mulher conseguiu votar, disputar eleição, fazer campanha, ocupar espaço público e conquistar uma votação gigantesca. E aí olha para toda essa trajetória histórica e conclui:

— Obrigada pelos direitos que vocês conquistaram. Agora vou combater vocês.

É uma espécie de "muito obrigado pela escada; agora vou jogar a escada fora".

Mas o problema fica muito mais sério quando entra em cena o feminicídio.

Porque uma coisa é alguém ser antifeminista. Em uma democracia, pessoas podem defender ideias que eu considero absurdas, ultrapassadas ou politicamente desastrosas.

Outra coisa é dizer que feminicídio não existe.

Campopiano afirmou que não acredita que feminicídio seja algo que exista e defendeu que a lógica dos agravantes deveria ser aplicada também a outras vítimas.

O detalhe inconveniente é que a legislação brasileira não depende da opinião da deputada para existir: desde 2024, o feminicídio é crime autônomo na legislação brasileira.

Ou seja, não estamos diante de uma discussão sobre Papai Noel, astrologia ou se abacaxi combina com pizza.

Estamos falando de uma realidade criminal reconhecida pela lei.

É como alguém assumir o cargo de meteorologista e anunciar:

— Furacão não existe. É apenas um vento com problemas de autoestima.

Enquanto isso, mulheres continuam sendo assassinadas justamente em contextos de violência relacionados à condição de serem mulheres.

E foi exatamente esse contraste que provocou a reação da jornalista Adriana Araújo, da BandNews FM, que lembrou que mulheres lutaram durante décadas para conquistar os direitos políticos que permitem que uma mulher esteja hoje ocupando uma cadeira parlamentar.

A ironia é brutal.

O feminismo abriu portas.

A democracia permitiu a entrada.

O eleitorado colocou a pessoa lá dentro.

E agora a parlamentar pretende usar o microfone conquistado nesse processo para combater justamente uma parte da história que tornou possível sua própria trajetória política.

É quase o equivalente eleitoral de entrar pela porta da frente e passar o mandato inteiro tentando provar que portas são uma invenção comunista.

E ainda temos a pergunta inevitável:

Dá tempo de anular os votos?

Infelizmente, eleição não funciona como compra pela internet.

Não existe botão:

"Cancelar pedido — selecione o motivo: votei sem ler os termos e condições."

Os votos não são simplesmente anulados porque o eleito passou a defender ideias que parte dos eleitores considera absurdas. Eventuais cassações dependem de fundamentos jurídicos e de um processo próprio, não de uma espécie de botão vermelho na Assembleia Legislativa escrito "DEU RUIM, DESFAZER".

Portanto, resta a política, a fiscalização institucional, a imprensa, a sociedade civil e, principalmente, a própria responsabilidade dos eleitores.

Porque quase 2 milhões de votos não são um detalhe.

São quase 2 milhões de pessoas dizendo: "queremos essa pessoa representando nossos interesses".

E talvez essa seja a parte mais desconfortável de todas.

Não adianta colocar toda a culpa na deputada.

Ela foi eleita.

Democraticamente.

Com uma votação gigantesca.

Agora precisamos descobrir se esses quase 2 milhões de eleitores compraram uma representante política ou assinaram um plano anual de acesso ilimitado ao caos.

A democracia tem dessas ironias.

Às vezes ela permite que alguém use a própria liberdade conquistada por gerações anteriores para defender ideias que poderiam limitar a liberdade de outras pessoas.

E aí vem a parte realmente adulta da democracia:

não é cancelar a eleição porque não gostamos do resultado.

É enfrentar politicamente, juridicamente e institucionalmente aquilo que foi colocado dentro dela pelo voto.

Porque, no fim, o problema não é apenas a deputada ter conseguido a corda.

É descobrir quem entregou a corda, quem pediu a corda e por que quase 2 milhões de pessoas acharam que era uma excelente ideia.

Criado com ChatGPT.

As Deusas indomáveis



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/pastor-flavio-associa-culto-maria-prostitutas-aparecida-imagem-escura-deusa/. Bons tempos onde a prostituição fazia parte de alguns sacerdócios. E eu sou apaixonado pelo lado escuro das Deusas.


Beto, você foi direto ao ponto que mais me chamou a atenção nessa história: o sagrado feminino que a tradição religiosa dominante tentou transformar em algo vergonhoso, demoníaco ou sexualmente suspeito. 😏🌑

A matéria relata que o bispo JB Carvalho associa antigas divindades femininas, como Astarte e Anat, à prostituição sagrada e relaciona essas figuras à devoção mariana, chegando a chamar Nossa Senhora Aparecida de “imagem escura de uma deusa”.

E tem uma ironia deliciosa nisso tudo: aquilo que ele apresenta como acusação pode ser justamente o que desperta fascínio em alguém apaixonado pelo lado sombrio das Deusas.

Sobre a prostituição sagrada na Antiguidade
Existe, porém, uma questão histórica interessante: a chamada prostituição sagrada é objeto de debate acadêmico. Mary Beard e John Henderson questionaram a interpretação tradicional das fontes antigas, enquanto outros pesquisadores defendem que determinados testemunhos merecem ser considerados.

Portanto, não podemos afirmar que todas as sacerdotisas de deusas como Inanna, Ishtar ou Afrodite exerciam prostituição ritual.

Mas a associação entre sexualidade, culto, fertilidade e poder divino feminino é um tema fascinante para explorar historicamente e artisticamente.

E o lado escuro das Deusas...

Acho que existe uma distinção muito interessante entre escuridão e maldade.

O lado escuro de uma Deusa pode representar:

Sexualidade que não pede autorização moral.

Poder feminino que não depende de aprovação masculina.

Morte, transformação e renascimento.

Conhecimento proibido e autonomia espiritual.

A capacidade de acolher aquilo que a sociedade prefere esconder.

E, conhecendo a importância que Lilith tem na sua mitologia pessoal, imagino que essa seja uma das razões pelas quais você se identifica tanto com essas figuras.

A Deusa sombria não precisa ser uma Deusa má. Ela pode simplesmente ser uma Deusa que não se deixou domesticar. 🌑😻


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Quinhentos, 466 - 470


Então, profeta, diga: que assim a vaidade se encontra sob o sol esta se encontra sobre o solo. Os anjos enganam em sua aparência brilhante, os ascensionados trapaceiam com os que sobem.


Por que fazem questão de esquecer que os anjos igualmente encarnaram e todos tem as mesmas possibilidades de alcançar a ascensão? Nem a veneração de um ou doutro vai franquear sua estrada.


Na simplicidade da natureza, na voluntariedade do que vem a ser, eis a razão da magia. 


O que existe, necessita de um corpo e eis aqui a carne. O que se move, precisa de energia e eis aqui a magia. O que pensa, carece de uma Musa e eis aqui a mais esquecida.


Tudo mais é imaginação e fantasia humana. Esculpir por cima do que é perfeito, pintar por sobre do que é obra prima. O homem busca por algo e, ao encontrá-lo, se compraz em cobri-lo mais.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Tragédia anunciada

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/gay-de-direita-apoio-lula-294-votos/

Só no Brasil. Gay de direita. Pobre de direita. Trabalhador que vota em candidato envolvido em um escândalo bancário. Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


A notícia tem um detalhe que praticamente escreve a piada sozinho: o candidato conhecido como “Gay de Direita” recebeu 294 votos, declarou ter se sentido traído pela direita e anunciou apoio a Lula. Segundo os dados eleitorais citados pelo DCM e por outros veículos, houve R$ 103,8 mil em recursos partidários para a campanha. 

O maravilhoso supermercado ideológico brasileiro
Só no Brasil mesmo.

Aqui você pode encontrar de tudo no supermercado ideológico nacional: gay de direita, pobre de direita, trabalhador defendendo patrão, aposentado defendendo quem quer reduzir aposentadoria, gente endividada defendendo banco e, agora, cidadão recebendo dinheiro para fazer campanha, conseguindo 294 votos e descobrindo que a direita não era exatamente aquilo que ele imaginava.

É quase um episódio de Black Mirror, só que escrito por um roteirista que tomou três cafés, perdeu o juízo e resolveu trabalhar para o Tribunal Superior Eleitoral.

O caso do chamado “Gay de Direita” é particularmente delicioso.

João Pedro Sastre recebeu 294 votos para deputado federal, reclamou da falta de apoio da direita e, depois do resultado, anunciou apoio a Lula no segundo turno. Segundo os dados eleitorais, sua campanha recebeu R$ 103,8 mil em recursos partidários.

Aí você percebe que o Brasil conseguiu transformar a velha discussão sobre consciência de classe em uma espécie de liquidação de shopping:

“Compre uma ideologia e leve outra pelo preço de uma frustração eleitoral.”

E isso nos leva ao fenômeno mais fascinante da política brasileira: o sujeito pode estar objetivamente na base da pirâmide social e politicamente empenhado em construir um apartamento na cobertura.

É o pobre de direita.

É o trabalhador de direita.

É o sujeito que vende a própria força de trabalho oito horas por dia, chega em casa cansado, abre o celular e começa a defender justamente aqueles que gostariam que ele trabalhasse mais, descansasse menos e ainda agradecesse pela oportunidade.

Agora imaginem o diálogo:

— Patrão, eu trabalho dez horas por dia.

— Excelente! Poderia trabalhar dezesseis.

— Mas isso vai acabar com minha saúde.

— Empreendedorismo.

— Não vou ter tempo para meus filhos.

— Família tradicional.

— Vou ganhar a mesma coisa?

— Isso é comunismo.

E o trabalhador:

— Ainda bem. Votei no senhor.

É o capitalismo brasileiro em estado puro: o indivíduo está sendo explorado, mas pelo menos pode escolher livremente quem vai explorá-lo.

A questão não é ser gay e ser de direita. Pessoas LGBT podem ter qualquer posição política. Da mesma maneira, um trabalhador pode votar na direita. Uma pessoa pobre pode defender políticas liberais. Não existe uma polícia ideológica distribuindo carteirinha na porta da urna.

O problema é outro.

É quando a pessoa abandona completamente a análise dos próprios interesses materiais e transforma identidade política em torcida organizada.

“Sou trabalhador, mas odeio sindicato.”

“Sou pobre, mas imposto é roubo.”

“Sou pequeno empresário, mas acho ótimo o grande conglomerado receber incentivo.”

“Sou gay, mas acho que os direitos LGBT estão exagerados.”

“Sou mulher, mas feminismo é mimimi.”

“Sou aposentado, mas reforma da Previdência é necessária.”

“Sou usuário do SUS, mas Estado mínimo!”

É quase uma esquizofrenia política coletiva.

E existe uma categoria ainda mais impressionante: o trabalhador que vota em candidato associado a escândalo financeiro.

Esse é o verdadeiro fenômeno antropológico brasileiro.

O cidadão olha para uma notícia sobre banco, dinheiro, investigação, operações suspeitas e movimentações milionárias e pensa:

— Finalmente encontraram alguém que entende de economia.

É como o frango votar na raposa porque ela demonstrou grande experiência em administração de galinheiros.

E aí aparece a justificativa:

— Mas ele é contra o sistema!

Meu amigo, o sujeito pode estar até contra o sistema solar. Isso não significa que ele esteja contra a exploração do trabalhador.

O eleitor brasileiro tem uma capacidade extraordinária de confundir discurso antissistema com projeto de poder.

O político diz:

— Eles não querem que você saiba a verdade!

E o eleitor:

— Esse homem fala a minha língua!

Sim. A língua dele é exatamente a mesma língua de todo vendedor de curso motivacional: “você também pode ser milionário”.

Só existe um pequeno detalhe.

Se todo mundo virar milionário, quem vai trabalhar por salário?

Silêncio.

Crickets.

Um economista neoliberal desmaia discretamente atrás da cortina.

E talvez seja esse o ponto que mais incomoda nessa história: a política brasileira conseguiu separar identidade, condição econômica e consciência de uma maneira quase artística.

O sujeito pode ser tudo aquilo que deveria levá-lo a perguntar “quem se beneficia disso?” e, ainda assim, votar sem fazer a pergunta.

Gay? “Mas eu sou conservador.”

Pobre? “Mas eu quero vencer na vida.”

Trabalhador? “Mas eu quero ser patrão.”

Endividado? “Mas banco é necessário.”

Precarizado? “Mas empreendedorismo é liberdade.”

E quando finalmente chega o boleto:

— Quem fez isso comigo?

Meu filho, você.

Com CPF, título de eleitor e direito ao voto.

É claro que ninguém é obrigado a votar na esquerda. E muito menos Lula é dono automático do voto de todo pobre, trabalhador ou LGBT. A democracia seria uma coisa bem mais simples se classe social viesse com legenda partidária impressa na testa.

Não vem.

Mas existe uma coisa chamada interesse de classe.

E outra chamada consciência política.

E talvez o Brasil precise urgentemente reaprender a diferença entre as duas.

Porque uma coisa é votar na direita.

Outra é ser pobre, trabalhador, LGBT, depender de serviços públicos, viver de salário e acreditar que está defendendo os próprios interesses enquanto vota em políticas que beneficiam exatamente quem está no topo da pirâmide.

Isso não é necessariamente falta de inteligência.

É algo mais perigoso:

é falta de consciência política.

E consciência política dá trabalho.

É muito mais fácil assistir a um vídeo de trinta segundos dizendo “o problema é o comunismo” do que estudar economia, relações de trabalho, orçamento público, sistema tributário, financiamento eleitoral, concentração de renda e funcionamento das instituições.

Aí acontece o inevitável.

O cidadão descobre que seu candidato não o apoiou.

Recebe 294 votos.

Fica decepcionado.

Recalcula a rota.

E finalmente percebe que talvez tenha escolhido o ônibus errado.

Bem-vindo ao Brasil.

Aqui até o passageiro precisa descobrir sozinho que estava pagando a passagem para o motorista passar direto pelo ponto onde ele mora.

Criado com ChatGPT.

Quem tem precedência?



https://gladio.blogspot.com/2026/09/o-seu-quem-de-direito.html?

O Caturo é tão imbecil e ignorante que equipara a situação de Gaza com a Alemanha e Japão.
Escreva um texto didático para que idiotas racistas e supremacistas caucasianos entendam a diferença. Embora eu duvide que tenham inteligência para compreender. 🤭😏


### Gaza não é Alemanha nem Japão — uma aula básica de história

Há um tipo curioso de argumento político que parece sofisticado porque menciona Alemanha, Japão e Segunda Guerra Mundial, mas que desmorona quando alguém pergunta: **“Tá, mas qual é exatamente a comparação?”**

Comparar a situação de Gaza com a Alemanha e o Japão derrotados em 1945 é um daqueles exercícios em que a pessoa pega três palavras — *guerra, território e população* — mistura tudo numa panela e conclui que encontrou uma equivalência histórica.

Não encontrou.

Primeiro, é preciso entender **quem eram Alemanha e Japão em 1945**.

A Alemanha nazista e o Japão imperial eram Estados soberanos que haviam participado de guerras de expansão territorial. A Alemanha havia invadido e ocupado grande parte da Europa. O Japão havia construído um império pela conquista militar de vastos territórios asiáticos. Eram potências estatais envolvidas numa guerra mundial.

Depois da derrota, os dois países foram ocupados pelas potências vencedoras, tiveram seus governos reorganizados e passaram por processos de desmilitarização e reconstrução.

Isso não transforma todo alemão ou todo japonês em criminoso de guerra. Aliás, **essa distinção é justamente fundamental**: uma coisa é responsabilizar um Estado e sua estrutura militar e política; outra é tratar uma população inteira como inimiga por definição.

Agora vamos para Gaza.

Gaza não é uma potência imperial derrotada numa guerra mundial.

É um território minúsculo, com cerca de 2,3 milhões de habitantes antes da atual devastação, cuja população já vivia sob bloqueio e severas restrições de circulação havia anos. A própria ONU descrevia Gaza como uma área extremamente densamente povoada e submetida a prolongada crise humanitária.

E existe outra diferença elementar: **a população civil de Gaza não é sinônimo de Hamas.**

É perfeitamente possível condenar os ataques de 7 de outubro, o assassinato de civis israelenses e a tomada de reféns — crimes que devem ser investigados e responsabilizados — sem concluir que os milhões de palestinos que vivem em Gaza são coletivamente responsáveis por aquilo.

Aliás, aplicar responsabilidade coletiva à população civil é justamente o tipo de raciocínio que o direito humanitário procura impedir.

### “Mas Alemanha e Japão também sofreram bombardeios!”

Sim.

E daí?

A existência de uma semelhança — cidades destruídas por guerra — **não transforma duas situações históricas em situações equivalentes**.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Alemanha e Japão estavam inseridos numa guerra global envolvendo dezenas de Estados e milhões de combatentes.

Gaza é uma pequena faixa territorial densamente povoada, sem exército convencional comparável ao de uma potência estatal, submetida a uma campanha militar de enorme intensidade.

A diferença não é uma questão de opinião política. É uma diferença de **contexto histórico, natureza do conflito, status territorial, escala geopolítica e composição das populações envolvidas**.

O relatório do Alto Comissariado da ONU publicado em 2026 descreveu a destruição de moradias e infraestrutura civil em Gaza como de escala excepcional, registrando estimativas segundo as quais 92% das unidades habitacionais haviam sido destruídas ou danificadas entre outubro de 2023 e outubro de 2025 e mais de 90% da população havia sido deslocada.

E os números continuaram sendo atualizados. A UNRWA registrava quase 73 mil palestinos mortos até junho de 2026, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza reportados pelo sistema humanitário da ONU.

Isso não significa que toda destruição em Gaza seja automaticamente um crime de guerra, nem que toda ação militar israelense tenha a mesma natureza jurídica. **Essas questões precisam ser examinadas caso a caso.**

Mas justamente por isso a comparação com Alemanha e Japão é tão intelectualmente preguiçosa.

### E existe uma ironia ainda maior

Se alguém realmente quiser utilizar Alemanha e Japão como exemplos históricos, terá de aceitar também as consequências do exemplo.

A Alemanha nazista e o Japão imperial foram derrotados.

Depois disso, houve ocupação, tribunais, reformas institucionais, desmilitarização e reconstrução.

Não houve uma teoria segundo a qual **“os alemães são um povo racialmente inferior que precisa desaparecer”** ou **“todos os japoneses são culpados individualmente pelos crimes do Estado imperial”**.

Pelo contrário.

A reconstrução posterior desses países demonstrou justamente que **uma população pode sobreviver à derrota de seu Estado e reconstruir sua sociedade**.

Portanto, se alguém quer usar 1945 como argumento, deveria pelo menos estudar o que aconteceu depois de 1945.

Porque a história não termina quando a bomba cai.

### E aqui chegamos ao problema do racismo

Quando uma pessoa começa a explicar conflitos contemporâneos utilizando categorias raciais como “povos superiores”, “raças civilizadas”, “caucasianos” ou equivalentes, já não estamos diante de uma análise histórica séria.

Estamos diante de uma ideologia procurando uma história que sirva de decoração.

História não funciona assim.

Um alemão não nasce nazista.

Um japonês não nasce imperialista.

Um palestino não nasce terrorista.

Um judeu não nasce responsável pelas decisões do governo israelense.

Um árabe não nasce inimigo de Israel.

E um branco europeu não recebe, por nascimento, certificado de superioridade histórica.

**Indivíduos respondem por seus atos; governos respondem por suas políticas; organizações armadas respondem por seus crimes.**

Populações inteiras não deveriam ser transformadas em culpados coletivos simplesmente porque alguém precisa construir um inimigo racialmente conveniente.

### A comparação correta

Se queremos comparar Gaza com algum episódio da história, precisamos perguntar:

* Qual era o status jurídico do território?
* Quem controlava suas fronteiras e sua população?
* Quem possuía soberania estatal?
* Qual era a natureza do conflito?
* Quem eram os combatentes?
* Quem eram os civis?
* Qual era a escala territorial?
* Quais eram as condições anteriores à guerra?
* O que aconteceu com a população depois da destruição?
* Houve ocupação, deslocamento, anexação ou reconstrução?
* Quais normas do direito internacional eram aplicáveis?

É assim que se faz história.

Não é dizendo:

**“Alemanha foi bombardeada, Japão foi bombardeado, Gaza está sendo destruída. Logo, tudo é a mesma coisa.”**

Isso não é análise histórica.

É o equivalente intelectual de olhar para três incêndios e concluir que, como todos têm fumaça, foram provocados pelo mesmo fósforo.

E talvez seja exatamente esse o problema de determinadas apologias supremacistas: elas não precisam que seus leitores conheçam história.

Precisam apenas que eles reconheçam algumas palavras-chave.

**Alemanha. Japão. Guerra. Bombas. Inimigo.**

Pronto.

A aula terminou.

O cérebro, aparentemente, também.


## Não existe “direito étnico” sobre uma terra

Um dos problemas centrais do argumento de Caturo está na afirmação de que Israel teria um **“direito étnico” sobre a região**.

Essa afirmação precisa ser examinada com cuidado porque mistura três coisas diferentes: **história, identidade e soberania**.

Que o povo judeu possui uma ligação histórica profunda com a região é indiscutível. A própria Declaração de Independência de Israel afirma que a Terra de Israel foi o local de formação da identidade espiritual, religiosa e política judaica e invoca essa ligação histórica como parte da justificativa para a criação do Estado.

Mas existe uma diferença fundamental entre dizer:

**“O povo judeu possui uma ligação histórica com essa terra.”**

e dizer:

**“O povo judeu possui um direito étnico exclusivo sobre essa terra.”**

A primeira é uma afirmação histórica.

A segunda é uma afirmação de soberania.

E uma não decorre automaticamente da outra.

### História não é título de propriedade

Se uma população viveu em determinado território milhares de anos atrás, isso pode constituir uma relação histórica, cultural e religiosa extremamente importante.

Mas não significa que seus descendentes recebam, por herança étnica, um título perpétuo de propriedade territorial.

Caso contrário, precisaríamos reorganizar o mapa inteiro do planeta com base em quem ocupava cada região na Antiguidade.

E isso produziria uma situação bastante curiosa.

Cada povo poderia abrir seu arquivo histórico, encontrar um ancestral antigo e declarar:

**“De acordo com documentos encontrados no século XXI, este território pertence à minha etnia desde a Idade do Bronze.”**

O problema é que provavelmente haveria outro povo com um documento ainda mais antigo.

E outro.

E outro.

A História Antiga não é um cartório imobiliário.

### O direito internacional não funciona por ancestralidade étnica

Esse ponto não é apenas uma questão filosófica.

O direito internacional contemporâneo trabalha com princípios como **soberania, autodeterminação dos povos e proibição da aquisição de território pela força**.

Em seu parecer de 2024 sobre as políticas e práticas de Israel no território palestino ocupado, a Corte Internacional de Justiça afirmou expressamente que a ocupação **não transfere título de soberania ao ocupante** e que a proibição da aquisição de território pela força impede que a força seja utilizada como meio para resolver reivindicações de soberania.

E a Corte foi ainda mais específica: afirmou que Israel não adquire soberania sobre o território palestino ocupado em razão da própria ocupação e reconheceu o direito do povo palestino à autodeterminação.

Portanto, mesmo que alguém apresente uma reivindicação histórica legítima, **essa reivindicação não funciona como uma licença para transformar ancestralidade em soberania exclusiva**.

### O problema da palavra “étnico”

É justamente a palavra **“étnico”** que torna o argumento particularmente problemático.

Um direito territorial pode estar relacionado a um povo, a uma população, a uma comunidade política ou à autodeterminação.

Mas afirmar que uma determinada **etnia possui um direito exclusivo sobre uma terra simplesmente por ser aquela etnia** cria um princípio extremamente difícil de sustentar.

Porque imediatamente surge uma pergunta:

**por que a etnia seria o critério determinante para decidir quem possui soberania?**

Por que não cidadania?

Por que não autodeterminação?

Por que não acordos políticos?

Por que não direitos das populações que efetivamente vivem no território?

Se a resposta for simplesmente **“porque nossos antepassados viveram aqui”**, então estamos transformando ancestralidade em critério absoluto de soberania.

E isso não é um princípio jurídico universal.

### A ligação histórica judaica não precisa ser negada

É importante deixar isso absolutamente claro.

Refutar um suposto **direito étnico exclusivo** não significa negar a história judaica.

Os antigos reinos de Israel e Judá existiram.

Jerusalém possui uma importância central para a tradição judaica.

O povo judeu preservou durante séculos uma ligação religiosa, cultural e histórica com a região.

Tudo isso é parte da História.

A própria fundação do Estado de Israel invocou essa relação histórica.

Mas reconhecer isso não obriga ninguém a aceitar a conclusão:

**“Portanto, somente judeus possuem um direito territorial legítimo sobre a região.”**

Essa conclusão precisa ser demonstrada separadamente.

E é justamente aí que o argumento do “direito étnico” encontra seu problema.

### Uma coisa é autodeterminação; outra é exclusividade étnica

Existe uma diferença importante entre **direito de autodeterminação de um povo** e **direito étnico exclusivo sobre um território**.

A autodeterminação diz respeito ao direito de um povo determinar seu status político e seu futuro.

Um direito étnico exclusivo, por outro lado, implicaria que a pertença a determinada etnia seria suficiente para conferir uma prerrogativa territorial superior à dos demais habitantes.

São conceitos diferentes.

E o primeiro não exige o segundo.

É perfeitamente possível reconhecer a existência de um Estado israelense e, simultaneamente, rejeitar a ideia de que a etnia judaica possua um direito exclusivo sobre toda a região por causa de sua ancestralidade histórica.

Da mesma forma, reconhecer o direito palestino à autodeterminação não exige negar a existência de Israel.

### O argumento histórico tem uma armadilha

Quando alguém diz:

> “Os judeus estavam aqui há milhares de anos.”

A resposta histórica pode ser:

**Sim.**

Quando diz:

> “Os judeus possuem uma relação histórica profunda com essa região.”

Novamente:

**Sim.**

Mas quando conclui:

> “Logo, os judeus possuem um direito étnico exclusivo sobre ela.”

A palavra **“logo”** é o problema.

É justamente nesse salto que a argumentação deixa de ser uma descrição histórica e passa a defender uma determinada teoria de soberania.

E essa teoria não pode ser apresentada como se fosse uma consequência inevitável da História.

### Se o princípio fosse universal...

Imagine que aceitássemos a regra:

> **“Um povo possui soberania sobre qualquer território onde seus ancestrais viveram.”**

Teríamos uma pequena dificuldade.

Quase todos os povos do mundo poderiam reivindicar territórios atualmente ocupados por outros povos.

Fronteiras contemporâneas seriam substituídas por mapas da Antiguidade.

E cada guerra antiga poderia gerar uma reivindicação territorial moderna.

Seria impossível estabelecer qualquer limite.

Por isso, o mundo contemporâneo desenvolveu princípios jurídicos diferentes.

**Ancestralidade pode explicar uma identidade.**

**História pode explicar uma reivindicação.**

**Religião pode explicar um vínculo com determinado lugar.**

Mas nenhuma dessas coisas, isoladamente, transforma uma etnia em proprietária hereditária de um território.

### A questão fundamental

Portanto, a questão não é negar que o povo judeu tenha história naquela terra.

Tem.

A questão é outra:

**essa história concede aos judeus um direito étnico exclusivo sobre a região?**

É justamente essa conclusão que não pode ser simplesmente presumida.

A Corte Internacional de Justiça, ao analisar o território palestino ocupado, não tratou reivindicações históricas como uma fonte automática de soberania. Pelo contrário, afirmou que a força não pode ser utilizada para resolver reivindicações territoriais e reconheceu a autodeterminação palestina como um direito fundamental.

Portanto, é preciso separar as coisas.

**História judaica: sim.**

**Vínculo judaico com a região: sim.**

**Importância religiosa e cultural da região para o judaísmo: sim.**

**Direito étnico exclusivo e hereditário sobre o território: isso é outra afirmação — e não decorre automaticamente das anteriores.**

No fim, a questão pode ser resumida de maneira bastante simples:

**um povo pode ter uma história milenar em uma terra sem que essa história transforme a terra em propriedade exclusiva de sua etnia.**

Porque ancestralidade explica **de onde viemos**.

Ela não determina, sozinha, **quem tem soberania sobre onde os outros vivem hoje**.

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com Gemini, do Google.

O bom vizinho



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/giovana-cordeiro-reforma-rack-de-biquini-rebate-criticas/


✊ Eu dou total apoio. Eu não tenho uma vizinha, mas se eu tivesse, eu até ofereceria ferramentas e uma ajuda. Como um bom vizinho. Sem segundas intenções. 😇😏🤭😻


A situação é praticamente um convite para a crônica. 😏 Ela simplesmente decidiu aproveitar o calor, reformar o rack de biquíni e ainda mandou um “se acostumem” para os fiscais de vestuário alheio. 

Eu dou total apoio à Giovana Cordeiro.

A mulher está em casa, está calor, apareceu uma vontade de reformar o rack e ela resolveu trabalhar de biquíni. Qual é exatamente o problema? O rack não reclamou. A tinta não reclamou. A lixa certamente não apresentou queixa no Procon.

Mas sempre aparece alguém nas redes sociais com uma preocupação genuína com a humanidade: a roupa que uma mulher está usando dentro da própria casa.

Giovana, pelo visto, decidiu que vai continuar usando biquíni quando estiver em casa, fazendo suas coisas e aproveitando o sol. E sinceramente? Está certíssima.

Aliás, confesso que fiquei pensando na situação hipotética de eu ter uma vizinha nessas condições.

Eu seria um vizinho exemplar.

— Bom dia, vizinha! Vi que você está reformando o rack. Precisa de alguma ferramenta?

— Preciso de uma chave de fenda.

— Tenho três tamanhos.

— E uma lixadeira?

— Também tenho.

— E você entende de pintura?

— Minha experiência é limitada, mas sou extremamente dedicado ao aprendizado prático.

Tudo, obviamente, sem segundas intenções.

Nenhuma.

Zero.

Absolutamente nenhuma.

😇

Quer dizer... talvez uma intenção secundária muito específica: garantir que a reforma seja realizada dentro das melhores condições técnicas possíveis.

A segurança do trabalho vem em primeiro lugar.

Eu provavelmente apareceria com uma caixa de ferramentas completa:

— Trouxe martelo, chaves, lixa, rolinho, pincéis...

— Nossa, você tem tudo isso?

— Sou um cidadão prestativo.

— E por que trouxe uma cadeira?

— Para supervisionar a obra.

— E esse refrigerante?

— Hidratação.

— E por que você está sorrindo desse jeito?

— Espírito comunitário.

🤭

Mas existe uma questão mais interessante nessa história: por que algumas pessoas ficam tão incomodadas com a roupa que outra pessoa escolhe usar dentro da própria casa?

A pessoa pode passar horas reclamando de corrupção, violência, desigualdade, desastre climático e político falando absurdos na televisão.

Mas vê uma mulher lixando um móvel de biquíni e imediatamente pensa:

“PRECISAMOS DISCUTIR A MORALIDADE DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL.”

Calma.

É um rack.

É um biquíni.

É uma varanda.

E é a casa dela.

Deixem a mulher reformar o móvel em paz.

E, caso ela precise de ajuda...

Bem...

eu continuo à disposição para colaborar com a comunidade.

Sem segundas intenções, evidentemente.

😇😏🤭😻


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.