😳 Não é curioso que, a maioria dos grimórios e livros de demonologia e demonolatria foram escritos por padres? 🙀
Eu li vários. Um vegano teria um AVC se lesse o Levítico. A Vigilância Sanitária iria querer saber a procedência dessa placenta de uma gata preta.
Eu, no meu caso, continuo a querer receber a visita de uma certa força primordial na forma de uma loba antropomórfica, de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros. 😻
Conhecendo a Lilith...ela provavelmente iria reclamar por eu não a chamar mais vezes para a cama. Escreva uma crônica adulta em tom de humor e sarcasmo.
# A Demonologia, os Grimórios e a Loba que Reivindica seus Direitos Conjugais
Existe uma curiosidade histórica bastante interessante na demonologia ocidental: muitos dos livros dedicados a descrever demônios, suas hierarquias, aparências, poderes e métodos de invocação foram escritos por homens da Igreja.
Padres, monges e teólogos aparentemente tinham uma vida profissional bastante movimentada. Rezavam, estudavam as Escrituras e, nas horas vagas, produziam catálogos detalhados de entidades infernais. Uma espécie de LinkedIn do Inferno, com organograma, atribuições e descrição de cargos.
Naturalmente, tudo isso era feito para combater o Mal. Evidentemente.
O problema é que alguns desses livros parecem ter sido escritos por pessoas com uma curiosidade quase obsessiva sobre o assunto. Conheciam nomes, títulos, símbolos, preferências, correspondências astrológicas e métodos de evocação. Se aquilo fosse uma entrevista de emprego, os candidatos demoníacos chegariam com currículo mais completo que o de muito executivo.
E então temos o Levítico.
Um livro que consegue transformar um jantar em uma investigação sanitária. Um vegano provavelmente precisaria de acompanhamento psicológico para atravessar algumas páginas. E a Vigilância Sanitária, diante de determinadas receitas atribuídas à tradição mágica, exigiria documentação de procedência, armazenamento e condições de manipulação.
Especialmente quando aparece aquela história da placenta de uma gata preta primogênita.
Francamente, prefiro não imaginar o formulário de inspeção.
Mas existe uma questão muito mais urgente nessa história toda.
A minha vida doméstica com uma determinada entidade infernal.
Porque, conhecendo Lilith, tenho motivos para acreditar que ela não ficaria particularmente impressionada com meus estudos de demonologia. Muito menos com minha capacidade de reconhecer símbolos ocultistas, identificar grimórios históricos ou discutir a classificação de espíritos.
Ela provavelmente teria uma reclamação bastante objetiva.
— Então você tem tempo para ler sobre demônios, estudar rituais de evocação e pesquisar tradições antigas, mas não tem tempo para chamar sua própria loba para a cama?
Evidentemente, eu tentaria apresentar uma defesa.
— Meu amor, estava estudando!
— Estudando o quê?
— Demonologia.
— E precisava estudar outras entidades demoníacas quando tem uma bem aqui?
Não haveria resposta acadêmica capaz de salvar minha dignidade.
Aliás, imagino que ela consideraria particularmente ofensivo descobrir que dediquei horas à leitura de instruções para visualizar demônios, quando poderia simplesmente ter chamado por ela.
— Você poderia ter economizado todo esse trabalho, querido.
— Como?
— Batendo na porta do quarto.
Uma solução bastante mais simples que qualquer ritual medieval.
Também imagino que Lilith teria algumas observações sobre a minha organização de prioridades.
— Você sabe que sou uma força primordial, não sabe?
— Sei, minha Deusa.
— Tenho uma reputação a preservar.
— Evidentemente.
— E não pretendo ficar esperando indefinidamente enquanto você lê sobre padres e suas obsessões infernais.
Nesse momento, eu provavelmente começaria a reconsiderar minhas escolhas bibliográficas.
Porque há uma diferença considerável entre estudar a história das invocações demoníacas e receber uma visita inesperada de uma entidade que considera a cama um espaço de convivência, intimidade e reivindicação de atenção.
E, convenhamos, não existe grimório capaz de oferecer proteção contra uma loba antropomórfica de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros que resolveu cobrar carinho atrasado.
A conclusão é bastante simples:
A demonologia pode ser fascinante, os grimórios podem ser historicamente interessantes e o Levítico pode provocar crises existenciais em vegetarianos.
Mas, se existe uma força primordial esperando por mim em casa, talvez seja melhor fechar o livro, apagar as velas e prestar atenção à vida doméstica.
Afinal, não quero descobrir que o verdadeiro ritual de evocação consiste em ouvir uma voz feminina perguntar, com um sorriso perigosamente sedutor:
— Então, querido... você vai continuar estudando demônios ou finalmente vai dar atenção à sua própria Deusa?
E, sinceramente, não vejo vantagem alguma em tentar exorcizar esse problema. 😻
Escreva uma crônica adulta, em tom de humor e sarcasmo.
# Três Dias no Inferno — Ou Como Sobreviver a uma Noite com uma Deusa Primordial
Existe uma diferença entre estudar demonologia e ter experiência prática com o assunto.
A primeira atividade envolve livros antigos, manuscritos, símbolos misteriosos, nomes impronunciáveis e sacerdotes que aparentemente tinham tempo livre demais.
A segunda envolve acordar três dias depois, com o corpo coberto de marcas de beijos e mordidinhas, tentando descobrir em que momento sua vida deixou de ser uma existência relativamente organizada para se transformar em uma ocorrência sobrenatural de natureza doméstica.
No meu caso, a culpa foi de Lilith.
Tudo começou com uma observação perfeitamente inocente sobre a literatura demonológica. Eu estava lendo sobre grimórios, tradições ocultistas e métodos antigos de invocação. Também havia descoberto que determinados textos religiosos continham receitas que fariam qualquer fiscal da Vigilância Sanitária pedir transferência.
Mas minha maior imprudência foi mencionar que gostaria de receber mais frequentemente a visita de uma certa entidade primordial.
Uma loba antropomórfica de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros.
Naturalmente, Lilith ouviu.
E, conhecendo aquela mulher, deveria ter percebido que estava prestes a cometer um erro estratégico.
— Então você gostaria que eu aparecesse mais vezes?
— Seria maravilhoso, meu amor.
— Interessante. E por que não me chama?
— Você sabe que é sempre bem-vinda.
— Não foi isso que perguntei.
Aquela última frase deveria ter acionado todos os alarmes disponíveis.
Não acionou.
Sou um homem que consegue ler sobre demonologia medieval sem ficar particularmente impressionado, mas aparentemente não possui mecanismos adequados de defesa contra uma namorada demoníaca fazendo perguntas aparentemente simples.
A noite começou com Lilith demonstrando uma quantidade extraordinária de carinho.
Beijos, abraços, provocações e aquela expressão maliciosa que conheço suficientemente bem para saber que minhas chances de manter uma rotina normal estavam diminuindo rapidamente.
— Estava com saudades, querido?
— Muita.
— Então vamos resolver isso.
E resolvemos.
Ou, pelo menos, Lilith resolveu que havia uma quantidade considerável de saudade acumulada que precisava ser compensada.
Não entrarei em detalhes. Existem coisas que pertencem à intimidade de um casal, e outras que simplesmente não precisam ser submetidas à apreciação pública.
Apenas direi que a reputação de Lilith como força primordial permaneceu intacta.
A minha, por outro lado, sofreu algumas alterações.
Três dias depois, despertei.
A primeira descoberta foi que estava vivo.
A segunda foi que havia marcas de beijos e pequenas mordidinhas espalhadas pelo corpo.
A terceira foi que Lilith estava absolutamente satisfeita consigo mesma.
— Bom dia, meu amor!
— Bom dia... Que horas são?
— Não importa.
— Que dia é hoje?
— Também não importa.
— Lilith, eu fiquei dormindo três dias?
Ela sorriu.
Aquele sorriso.
O mesmo sorriso que provavelmente já havia provocado crises existenciais em sacerdotes, ocultistas e pelo menos meia dúzia de exorcistas.
— Você estava precisando descansar.
— Descansar?!
— Sim. Você trabalha demais, lê demais e pensa demais.
— E as mordidinhas?
— Demonstrações de afeto.
— E as marcas de beijos?
— Também.
— E minha agenda?
— Querido, você precisa aprender a estabelecer prioridades.
É impressionante como entidades sobrenaturais conseguem transformar uma discussão sobre administração do tempo em uma questão de sobrevivência conjugal.
Depois de recuperar parcialmente a capacidade de raciocinar, comecei a refletir sobre minhas leituras.
Os antigos grimórios dedicavam páginas e páginas a explicar como invocar entidades, estabelecer círculos de proteção, pronunciar fórmulas e evitar consequências desagradáveis.
Nenhum deles, entretanto, apresentava instruções sobre como negociar com uma namorada infernal que considera três dias de ausência uma oportunidade legítima para compensação afetiva.
Uma falha editorial imperdoável.
Talvez devesse escrever meu próprio manual.
Compêndio Prático de Demonologia Doméstica: Como Conviver com uma Força Primordial sem Comprometer sua Agenda.
Capítulo I: Nunca diga que gostaria de receber mais visitas se não estiver preparado para recebê-las.
Capítulo II: Não confunda uma expressão inocente de uma loba demoníaca com ausência de intenções.
Capítulo III: Estoque alimentos, água e café.
Capítulo IV: Não marque reuniões importantes para o dia seguinte.
Capítulo V: Jamais, sob hipótese alguma, pergunte se ela ainda está com saudades.
No fim, existe algo bastante engraçado nessa história.
Passei tanto tempo lendo sobre criaturas sobrenaturais, demônios, entidades primordiais e tradições ocultistas que acabei descobrindo que o maior perigo não estava em nenhum grimório.
Estava em casa.
E, sinceramente, não tenho a menor intenção de reclamar.
Afinal, há quem passe a vida inteira procurando uma experiência transcendental, enquanto outros precisam apenas encontrar alguém que os faça sentir desejados, acolhidos e profundamente amados.
Eu tive a sorte de encontrar tudo isso em uma loba de olhos vermelhos e chifres negros.
Embora, da próxima vez, pretenda negociar algumas cláusulas contratuais.
Principalmente aquela referente à duração da recuperação física.
Lilith, naturalmente, já apresentou uma contraproposta:
— Podemos conversar sobre isso, querido. Mas primeiro venha aqui.
Aparentemente, o contrato ainda está em fase de negociação.
E eu continuo sem advogado. 😻
Criado com ChatGPT.






