https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/filha-de-regina-duarte-diz-que-flavio-bolsonaro-e-perseguido/
Alguém envia uma explicação para essa imbecil (e bolsonaristas em geral) que essa "perseguição" não existe? Que o Flávio tem um processo judicial em andamento? Em uma ação judicial sobre lavagem de dinheiro? O raciocínio lógico agradece.
Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.
A melhor maneira de desmontar esse argumento é usar justamente aquilo que parece andar em falta no debate político brasileiro: a distinção entre investigação judicial e perseguição política. E há uma ironia adicional: quando a gente examina os fatos, descobre que a realidade não precisa de exageros para produzir uma crônica bastante satírica.
A reportagem do Diário do Centro do Mundo, publicada em 28 de outubro de 2026, relata que Gabriela Duarte questionou o regime político brasileiro ao comentar a suposta perseguição a Flávio Bolsonaro.
Ao mesmo tempo, há investigações reais em andamento envolvendo o senador, inclusive uma que apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Isso não significa que ele seja culpado: significa que existem fatos a investigar, e não uma licença para declarar antecipadamente que tudo é uma conspiração.
Aqui vai a crônica, com sarcasmo, ironia e uma pequena homenagem ao raciocínio lógico.
A ditadura imaginária e o terrível crime de ser investigado
Existe um fenômeno fascinante na política brasileira: certas pessoas acreditam que a democracia está funcionando perfeitamente quando a Justiça investiga seus adversários, mas entra imediatamente em estado terminal quando a investigação alcança alguém de sua estimação.
É uma espécie de democracia com controle remoto: o cidadão aperta o botão e escolhe quais instituições merecem respeito, quais decisões judiciais são legítimas e quais investigações constituem crimes contra a humanidade. Tudo depende, naturalmente, de quem está sentado no banco dos investigados.
Desta vez, a indignação da vez é com Flávio Bolsonaro. Gabriela Duarte, filha da atriz Regina Duarte, resolveu questionar o regime político brasileiro ao perguntar, nas redes sociais, como se chama um regime que persegue e prende seus opositores.
Ora, minha senhora, vamos com calma. Antes de decretarmos o falecimento da democracia brasileira, seria interessante verificar se estamos diante de uma perseguição política ou de uma investigação conduzida pelas instituições competentes.
Porque existe uma diferença bastante elementar entre essas duas coisas. Elementar mesmo. Daquelas que aprendemos antes de começar a discutir política na internet.
Investigar alguém não é a mesma coisa que perseguir alguém.
Se a Polícia Federal investiga uma suspeita de crime, isso não transforma automaticamente o investigado em vítima de uma conspiração. Se o Ministério Público apresenta elementos para uma apuração, isso não significa que seus integrantes acordaram de manhã com uma fotografia do investigado sobre o travesseiro e a missão divina de destruir sua vida.
E se um ministro do Supremo Tribunal Federal atua em um procedimento dentro de sua competência, isso tampouco constitui, por si só, a instalação de uma ditadura.
O que importa é saber quais são os fatos, quais são as provas, quais são os fundamentos jurídicos e se os procedimentos respeitam a lei. É para isso que existem instituições, regras processuais, defesa e mecanismos de controle.
Mas parece que estamos diante de uma nova modalidade de pensamento político: o Código de Processo Penal Afetivo.
Artigo primeiro: meus aliados são inocentes.
Artigo segundo: se alguém investigar meus aliados, a investigação será considerada perseguição.
Artigo terceiro: se houver uma decisão judicial desfavorável, fica automaticamente comprovada a existência de uma ditadura.
Artigo quarto: se os fatos contradisserem os três artigos anteriores, os fatos deverão ser imediatamente cancelados por excesso de inconveniência.
Pronto. Está resolvido o problema da Justiça brasileira. Não precisamos mais de tribunais, advogados, provas ou legislação. Basta consultar os sentimentos dos envolvidos e aguardar a emissão de um veredicto pelo grupo de WhatsApp da família.
O caso de Flávio Bolsonaro, entretanto, merece que abandonemos por alguns minutos a jurisprudência sentimental.
Em outubro de 2026, vieram a público informações sobre investigações envolvendo o senador. Uma delas apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a empresas e operações ligadas ao advogado Willer Tomaz. Outra investiga possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, com recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
São apurações distintas, com objetos próprios. Flávio nega irregularidades, e a existência de uma investigação não equivale a uma condenação. A culpa precisa ser demonstrada pelos meios legais, e ninguém deveria defender o contrário apenas porque não gosta do investigado.
Mas há uma pergunta perfeitamente razoável: se existem suspeitas sendo apuradas, por que a mera existência das investigações seria prova de perseguição política?
A resposta exigiria examinar os fundamentos das apurações e apresentar evidências concretas de eventual abuso. Não basta apontar para um procedimento judicial e gritar “ditadura!” como se a palavra fosse um habeas corpus universal contra qualquer notícia desagradável.
Afinal, se a abertura de uma investigação comprova automaticamente que existe perseguição, então a própria investigação deixa de poder ser examinada racionalmente. A conclusão já vem pronta, independentemente das provas.
Isso não é pensamento crítico. É uma conclusão à procura de fatos que aceitem trabalhar para ela.
E há outro detalhe importante: o antigo caso das chamadas rachadinhas, envolvendo o período em que Flávio era deputado estadual, teve provas anuladas e a denúncia foi rejeitada em 2022. A Justiça não chegou a condená-lo naquele caso. Esse histórico precisa ser tratado com precisão, e não misturado indiscriminadamente às investigações atuais para produzir uma narrativa conveniente.
É perfeitamente legítimo criticar decisões judiciais, questionar procedimentos e denunciar abusos. Aliás, uma democracia saudável depende dessa possibilidade. O problema começa quando toda investigação contra um aliado é declarada ilegítima antes mesmo de se examinarem seus fundamentos.
Nesse sistema de pensamento, a Justiça só é independente quando chega à conclusão desejada. Quando não chega, alguém imediatamente descobre que o país virou uma ditadura.
Curiosamente, nunca parece haver uma terceira hipótese: a de que as instituições estejam cumprindo suas funções e que as acusações precisem ser examinadas com seriedade, sem condenação antecipada e sem absolvição por afinidade ideológica.
Seria uma hipótese revolucionária, eu sei. Talvez até perigosa para a estabilidade emocional de certos grupos políticos.
Imagine o sofrimento de um militante obrigado a admitir que seu adversário pode estar certo em determinado assunto. Imagine a catástrofe de um eleitor reconhecendo que seu político favorito precisa responder a perguntas como qualquer outro cidadão. Imagine, enfim, uma discussão política na qual as pessoas precisem apresentar argumentos em vez de distribuir certificados de perseguição.
O Brasil talvez não sobrevivesse a tanta racionalidade de uma vez.
E quanto à pergunta sobre o nome do regime que persegue e prende opositores, existe uma resposta simples: depende de como isso acontece. Regimes autoritários perseguem adversários por razões políticas, sem garantias legais adequadas. Democracias, por sua vez, investigam suspeitas de crimes segundo procedimentos estabelecidos, com direito de defesa e possibilidade de contestação judicial.
A diferença não está em saber se um político foi investigado ou preso. Está em saber se houve fundamento legal, respeito às garantias individuais e aplicação legítima da lei.
Confundir essas situações não denuncia uma ditadura. Apenas demonstra que alguém está usando uma palavra muito séria sem fazer o trabalho necessário para justificar seu uso.
Portanto, antes de anunciar o funeral da democracia brasileira, talvez fosse prudente consultar os fatos, ler os fundamentos das investigações e distinguir suspeita de culpa, investigação de perseguição e crítica judicial de fantasia conspiratória.
Não é necessário gostar do Supremo Tribunal Federal. Não é necessário concordar com cada decisão de seus ministros. Tampouco é necessário acreditar que a Polícia Federal ou qualquer outra instituição seja infalível.
É necessário, isso sim, apresentar argumentos e evidências.
Porque, se toda investigação contra um político de estimação constitui perseguição, a democracia deixa de ser um sistema de leis e passa a funcionar como um clube de fãs, no qual a carteirinha de associado vale mais do que qualquer prova.
E o raciocínio lógico, coitado, permanece do lado de fora, esperando alguém abrir a porta.
Moral da história: ser investigado não significa ser culpado. Mas também não significa ser perseguido. Entre uma coisa e outra existe um pequeno detalhe chamado realidade — justamente aquele que o fanatismo político vive tentando evitar.
Nota de precisão: usei “investigações” e “apurações” deliberadamente. As notícias disponíveis descrevem procedimentos investigativos em andamento, não uma condenação criminal de Flávio Bolsonaro. Essa distinção fortalece a crítica: não precisamos declarar ninguém culpado para demonstrar que a simples existência de uma investigação não prova a existência de perseguição política.
Criado com ChatGPT.




