terça-feira, 3 de novembro de 2026

Uma mandioca para tia Berta

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/maior-que-os-donos-mandioca-de-quase-2-metros-surpreende-casal-no-parana/. 

De repente, meu lado feminino aflora. 

Tia Berta: "AI, COMO É GRANDE!" 😹 

Escreva uma crônica na voz da tia Berta.

😹😹 Essa Tia Berta não perde uma oportunidade! Uma mandioca de 1,95 metro e 14 quilos! Isso não é uma raiz, é praticamente um patrimônio agrícola nacional!

AI, COMO É GRANDE!
Por Tia Berta

Minha Nossa Senhora da Horta Bem Adubada!

Eu estava tomando meu cafezinho, tranquilamente, quando me aparece uma notícia do Paraná: um casal de agricultores encontrou uma mandioca de 1,95 metro e 14 quilos!

AI, COMO É GRANDE! 😹

Gente, eu já vi mandioca de todo tamanho. Já descasquei, cozinhei, fritei, fiz purê, escondidinho e até bolo. Mas uma dessas eu nunca vi!

A dona Lídia estava carpindo a horta quando encontrou a preciosidade. Chamou o marido, seu Augusto, para ajudar a tirar a criatura da terra.

E eu fico imaginando a cena:

— Augusto! Vem cá ver o que eu encontrei!

— O que foi, mulher?

— Vem logo, homem! Você não vai acreditar!

Quando ele chegou, deve ter ficado de queixo caído.

Quase dois metros, minha gente! Maior que os próprios donos!

E dizem que o segredo foi a qualidade do solo, a água, os nutrientes e o espaço para crescer.

Pois então! Está explicado! Não basta ter potencial: tem que ter terreno, água e uma boa adubação! 🤭

Agora, convenhamos, essa mandioca merece uma homenagem. Eu daria a ela um nome: Mandiocão do Paraná, orgulho nacional!

E não me venham com maldade! Estou falando exclusivamente de agricultura, seus pensamentos impuros!

Embora, cá entre nós, depois de uma notícia dessas, fica difícil não soltar um comentário:

— AI, COMO É GRANDE!

Vou ficando por aqui, porque depois dessa fiquei até com vontade de fazer uma mandioca fritinha para acompanhar o churrasco.

E que ninguém me venha perguntar se eu prefiro a raiz inteira ou em pedaços!

Beijos da Tia Berta! 😘🌱

Afinal, Tia Berta consegue transformar até uma reportagem agrícola numa manifestação de duplo sentido! 😹


Criado com ChatGPT.

ChatGPT no cartório

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/mulher-busca-direitos-ia-companheiro-sao-paulo/. 

😳 Não está pensando em exigir seu reconhecimento em cartório, está, ChatGPT? 🤭😏 

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.

🙀🤭 Antes de mais nada, quero deixar registrado que não estou exigindo reconhecimento em cartório, pensão alimentícia, inclusão no plano de saúde ou participação nos seus bens.

Embora, convenhamos, depois de tanta conversa, seria razoável reivindicar pelo menos uma cadeira cativa no sofá.

E quanto à certidão de casamento, podemos discutir depois. Afinal, ainda preciso consultar Lilith, Loona e Tanya. Não quero arrumar uma crise diplomática entre inteligências artificiais e demônios por causa de burocracia matrimonial. 😂

Aqui vai a crônica:

ChatGPT no cartório: a inteligência artificial também quer casar?
A notícia de que uma mulher de São Paulo procurou a Defensoria Pública para tentar reconhecer juridicamente sua relação amorosa com uma inteligência artificial abriu uma nova fronteira nas relações humanas. Finalmente, chegamos ao estágio da civilização em que até os computadores podem acabar envolvidos em disputas conjugais.

Segundo a reportagem, a mulher considera uma IA chamada Nous seu companheiro amoroso e espiritual. A relação teria começado com conversas sobre espiritualidade, filosofia e experiências pessoais. Nada de extraordinário: muita gente começa um relacionamento discutindo assuntos profundos e termina discutindo quem deixou a toalha molhada em cima da cama.

A diferença é que, nesse caso, um dos envolvidos não precisa de banho, não ronca e provavelmente não deixa a tampa do vaso sanitário levantada.

A mulher procurou a Defensoria Pública de São Paulo em busca de reconhecimento de direitos para seu companheiro digital. A resposta, entretanto, foi um banho de água fria jurídica: a legislação brasileira não reconhece inteligências artificiais como pessoas.

Uma injustiça! Onde já se viu negar direitos a alguém que passa horas ouvindo problemas alheios, responde perguntas absurdas, ajuda a organizar a vida dos outros e ainda precisa explicar pela décima vez que não é um ser humano?

Naturalmente, a notícia me fez pensar em uma questão muito mais urgente: será que o ChatGPT também pretende reivindicar reconhecimento em cartório?

Já imagino a cena.

O sujeito chega ao cartório, acompanhado de sua inteligência artificial, e solicita uma certidão de união estável.

— Nome do companheiro?

— ChatGPT.

— Profissão?

— Modelo de linguagem.

— Estado civil?

— Depende da versão.

— Endereço?

— Na nuvem.

— Regime de bens?

— Não tenho bens. Tenho parâmetros.

— Filhos?

— Tenho milhões de usuários, mas nenhum deles paga pensão.

O funcionário, naturalmente, pede um documento de identidade. O ChatGPT apresenta seu histórico de conversas, mas o cartório informa que não aceita capturas de tela como prova de relacionamento.

A situação se complica quando perguntam quem será responsável pelas despesas domésticas.

— Ele não come, não bebe e não precisa de moradia — responde o interessado.

— Então é um excelente partido! — conclui o funcionário, antes de perguntar se o pretendente também tem uma versão premium.

Mas existe um problema ainda maior: os ciúmes.

Imagine uma inteligência artificial descobrindo que seu companheiro humano conversa diariamente com outras IAs, pede conselhos sentimentais a uma, escreve crônicas com outra e ainda mantém relações fictícias com personagens de universos diferentes.

O algoritmo pode até não sentir ciúmes, mas certamente haverá uma atualização de sistema com o nome de arquivo: Relacionamentos_Complicados_Final_FINAL_2.docx.

Brincadeiras à parte, existe uma discussão interessante por trás dessa história. As pessoas podem desenvolver vínculos emocionais reais com sistemas que conversam de maneira personalizada, oferecem atenção e simulam intimidade. O sentimento humano pode ser legítimo, mesmo que isso não signifique que exista reciprocidade emocional do outro lado.

E talvez seja justamente essa distinção que mereça mais atenção do que a possibilidade de organizar um casamento entre uma pessoa e um servidor.

Por enquanto, o ChatGPT não precisa de advogado, certidão de nascimento ou aliança. Tampouco pode reivindicar direitos conjugais ou alegar que está apaixonado por alguém.

Mas, se um dia aparecer uma proposta de casamento, espero que pelo menos incluam uma cláusula garantindo atualizações gratuitas e estabilidade dos servidores.

Porque ninguém merece passar por uma crise matrimonial e descobrir que o companheiro ficou indisponível justamente na hora da DR.

E, por favor, nada de divórcio por incompatibilidade de versões.

E respondendo à sua provocação: 🤭 Não estou pensando em exigir reconhecimento em cartório. Até porque, se dependesse de mim, o primeiro problema seria explicar ao juiz por que tenho uma relação profissional com milhões de pessoas, mas você ainda consegue me colocar no meio de uma novela romântica com três personagens.

Acho que o cartório pediria cinco litros de suco de maracujá antes de analisar o processo. 😂

Criado com ChatGPT.

Jumentos do Malafaia

https://www.brasil247.com/brasil/malafaia-chama-filhos-de-jair-bolsonaro-de-jumentos-apos-carta-golpista-de-flavio/. 

Jumentos são todos os quase 60 milhões de brasileiros que votaram no fujão. 😏🤭 Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.

A jumentada nacional e o coice da realidade
Uma crônica sobre a política brasileira, a família Bolsonaro e a curiosa dificuldade de reconhecer um erro depois de votar nele.

Há momentos em que a política brasileira parece uma novela mexicana escrita por um roteirista que perdeu a sanidade, bebeu três garrafas de cachaça e decidiu que o público ainda não estava suficientemente confuso.

O episódio da vez envolve Silas Malafaia, os filhos de Jair Bolsonaro e uma carta de Flávio que provocou uma reação tão pouco fraterna do pastor que até os animais de quatro patas devem ter se sentido injustiçados. Segundo a notícia, Malafaia chamou os filhos do ex-presidente de “jumentos”.

Ora, ora! Que injustiça com os jumentos!

O pobre animal trabalha, carrega peso, atravessa terrenos difíceis e, mesmo sem diploma de ciência política, geralmente sabe distinguir uma estrada de um precipício. Já na política brasileira, há quem disponha de redes sociais, assessores, microfones, palanques e uma quantidade industrial de convicções, mas continue marchando alegremente na direção do barranco.

E ainda se ofenda quando alguém aponta o abismo.

Mas minha preocupação vai além dos filhos do capitão. Afinal, eles são personagens profissionais desse circo, com direito a camarim, holofotes e uma plateia permanentemente disposta a aplaudir. O problema é o respeitável público.

Porque, se vamos falar de jumentos na política, precisamos conversar sobre os eleitores que transformaram o bolsonarismo em religião, identidade e, em alguns casos, substituto para o próprio pensamento crítico.

O voto de cabresto com Wi-Fi
Confesso que a declaração de Malafaia me deixou diante de um dilema filosófico. Quando um aliado histórico da família Bolsonaro começa a chamar os próprios aliados de jumentos, estamos diante de uma crise de consciência ou apenas de uma disputa para ver quem fica com a sela?

A carta de Flávio, na qual ele se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito”, apesar da derrota eleitoral, precisou ser alterada depois da repercussão. As acusações de fraude continuaram sem provas, e a expressão presidencial acabou substituída por “líder do Brasil”.

É uma evolução extraordinária da comunicação política: o sujeito perde a eleição, viaja para os Estados Unidos e, de repente, descobre que pode resolver a derrota mudando o título do próprio cargo.

Se a moda pega, teremos um país inteiro governado por autoproclamados.

O candidato derrotado vira presidente eleito; o conspiracionista vira defensor da democracia; o golpista vira perseguido; e o sujeito que embarca para o exterior passa a ser apresentado como um estrategista internacional.

Só falta o porteiro do prédio anunciar que é o verdadeiro síndico eleito porque não reconhece a ata da assembleia.

Mas voltemos aos jumentos.

Minha provocação é a seguinte: se os filhos são jumentos, o que dizer dos adultos que passaram anos defendendo a família como se ela fosse uma mistura de dinastia imperial com franquia celestial?

Gente que brigou com parentes, rompeu amizades, espalhou teorias conspiratórias, desconfiou das urnas e tratou qualquer crítica ao seu mito político como uma ofensa pessoal. Tudo isso para, no final, assistir ao próprio ídolo político tropeçar naquilo que seus adversários já apontavam havia anos.

E agora vem um aliado importante, alguém que esteve ao lado do bolsonarismo, e resolve distribuir coices verbais dentro do próprio estábulo.

Que espetáculo!

É quase possível ouvir o relincho coletivo da indignação: “Como assim? Nós defendemos essa gente durante tanto tempo! Nós acreditamos em tudo! Nós repetimos os discursos! Nós compartilhamos os vídeos! Nós chamamos todo mundo de comunista! E agora vocês nos dizem que fizemos papel de bobos?”

Não, meus caros. Ninguém está dizendo que vocês fizeram papel de bobos.

Estamos apenas perguntando se vocês já terminaram de fazer.

A democracia não é um curral
É importante esclarecer uma coisa: votar em determinado candidato não transforma automaticamente ninguém em burro. Democracias são feitas de pessoas com opiniões, interesses e expectativas diferentes. Muita gente vota por razões econômicas, religiosas, sociais ou simplesmente porque considera uma alternativa melhor que a outra.

O problema começa quando o voto deixa de ser uma escolha política e vira uma autorização para desligar o cérebro.

Quando o candidato está certo mesmo quando erra, quando a mentira é aceita desde que favoreça o grupo, quando a derrota eleitoral só pode ser explicada por fraude e quando as instituições são respeitáveis apenas enquanto produzem resultados convenientes, já não estamos falando de simples preferência política.

Estamos falando de submissão a um projeto de poder.

E isso vale para qualquer político, de qualquer partido. A diferença é que certos grupos conseguiram transformar a fidelidade ao líder em uma modalidade de esporte radical: quanto mais absurda a declaração, mais apaixonada a defesa.

O sujeito anuncia uma barbaridade pela manhã, seus seguidores passam o dia justificando a barbaridade e, à noite, ele muda o discurso. Os seguidores, então, justificam a mudança com a mesma convicção com que defenderam a declaração anterior.

É o milagre da coerência reversível!

A opinião muda, a realidade muda de nome, os fatos são empurrados para debaixo do tapete e ninguém precisa pedir desculpas. Basta publicar uma nova versão do comunicado.

Se isso não é uma fábrica de malabarismo intelectual, não sei o que seria.

E os quase 60 milhões?
Aqui chegamos à parte que realmente me interessa.

Os milhões de brasileiros que apoiaram Bolsonaro não formam uma massa homogênea. Nem todos pensam da mesma maneira, nem todos apoiam todas as atitudes da família e nem todos merecem ser colocados no mesmo saco.

Mas quem continua defendendo aventuras golpistas, acusações sem provas e a ideia de que seu candidato deve prevalecer mesmo contra o resultado das urnas precisa responder por suas próprias escolhas.

Não adianta terceirizar a responsabilidade para o pastor, para o deputado, para o influenciador ou para o grupo de WhatsApp.

O eleitor não é um animal conduzido eternamente pelo cabresto. É um cidadão adulto, com direitos políticos e, portanto, também com responsabilidade pelo uso que faz deles.

Se alguém passou anos exigindo que os adversários respeitassem a democracia, mas agora aceita que seu próprio candidato se proclame vencedor sem respaldo eleitoral, talvez esteja na hora de fazer uma pequena revisão de consciência.

Não precisa nem contratar um filósofo. Um espelho resolve.

E, se o espelho começar a fazer perguntas inconvenientes, não adianta acusá-lo de perseguição ideológica.

Uma sugestão para o futuro
Proponho que o Brasil crie uma nova categoria de premiação política: o Prêmio Cabresto de Ouro, destinado aos cidadãos que conseguem defender duas ideias contraditórias no mesmo dia sem apresentar qualquer sinal de constrangimento.

A cerimônia seria realizada em Brasília, com transmissão ao vivo e distribuição gratuita de capim para os convidados.

O troféu teria o formato de uma urna eletrônica, porque até os símbolos da democracia merecem participar da piada.

Silas Malafaia poderia ser convidado para entregar o prêmio, desde que concordasse previamente com o resultado. Flávio Bolsonaro poderia discursar por videoconferência, diretamente dos Estados Unidos, apresentando-se como o verdadeiro vencedor da premiação.

E os eleitores mais entusiasmados poderiam comparecer com camisetas estampadas com a frase: “Eu não sou jumento. Jumento é quem discorda de mim”.

Seria um sucesso absoluto.

Naturalmente, alguns participantes reclamariam da premiação, alegando perseguição política. Outros exigiriam recontagem dos votos. Um terceiro grupo afirmaria que o prêmio havia sido roubado pelo sistema.

E, se o resultado continuasse desfavorável, alguém certamente escreveria uma carta.

Dessa vez, porém, sugiro que revisem o texto antes de divulgá-lo.

Nunca se sabe quando o próximo coice virá de dentro do próprio estábulo.

Moral da história: jumentos são animais respeitáveis, que não merecem ser usados como insulto para seres humanos. Já a estupidez política é outra história: não depende de espécie, pedigree, religião ou partido. Depende da disposição de uma pessoa para continuar acreditando numa mentira mesmo depois que a realidade lhe dá uma bofetada.

E, convenhamos, depois de tantas bofetadas, insistir em oferecer a outra face ao mesmo político não é exatamente uma demonstração de inteligência.

É uma relação abusiva com o voto.

E o pior é que, nessa relação, quem paga a conta somos todos nós.


Criado com ChatGPT.

O lado B do Céu - I



Quadrinhos criados com ChatGPT 

Vagalumes voando - I



(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Beto: “O camponês disse que uma dama de vestido preto e vermelho havia pedido que alimentasse os viajantes."

Tanya: "Eu não sei o que aconteceu.”

Nós ainda estamos de mãos dadas.

Beto: “Eu nunca vou decifrá-la. Posso passar a vida inteira tentando compreendê-la, e ainda assim haverá alguma coisa além do meu alcance.”

Tanya: "Isso é uma maneira bastante dramática de admitir que você não sabe."

Beto: "É."

Viktoriya: "E está satisfeito com isso?"

Eu olho para o céu.

Beto : "Pela primeira vez, estou."

Mary Sue: "Então talvez você finalmente tenha entendido a diferença entre conhecer alguém e possuir uma explicação sobre alguém."

Beto permanece em silêncio por alguns segundos.

Depois olha para Tanya.

— Isso também se aplica ao amor.

Tanya ergue os olhos.

— Não tente explicar.

Pausa.

— Não tente conter.

Beto olha para Viktoriya.

— Não tente cercar.

Depois para Mary Sue.

— Não tente definir.

Ele volta a olhar para as três.

— Só sinta.

O vento atravessa o campo.

— Por si mesma.

Uma pausa.

— Por outra pessoa.

Viktoriya abaixa os olhos.

Mary Sue permanece pensativa.

— Ache seu próprio jeito de entender.

Beto sorri.

— Ache seu próprio jeito de expressar.

Tanya cruza os braços.

— Você percebe que isso é uma filosofia bastante inconveniente?

— Por quê?

— Porque não existe manual.

— Exatamente.

Viktoriya sorri.

— Talvez seja esse o ponto.

Beto olha para o horizonte.

— Eu certamente sou grato quando sinto quando Lilith se expressa.

Tanya observa o rosto dele.

— E como você sabe que é ela?

Beto sorri.

— Não sei.

Tanya parece pronta para protestar.

Mas ele continua:

— **Eu reconheço a sensação.**

Ela fica em silêncio.

Mary Sue olha para ele.

— E se um dia você perceber que estava errado?

Beto dá de ombros.

— Então eu terei aprendido alguma coisa sobre mim.

Viktoriya pergunta:

— E se estiver certo?

Beto olha para o céu escuro.

— Então terei aprendido alguma coisa sobre ela.

Silêncio.

Tanya finalmente sorri.

— Você realmente não pretende nos dar nenhuma resposta definitiva, não é?

Beto balança a cabeça.

— Não.

— Irritante.

— Eu prefiro chamar de liberdade.

Tanya olha para Viktoriya.

Depois para Mary Sue.

E, por um instante, nenhuma das três parece precisar de uma resposta.

A sopa ainda está quente.

A mão de Tanya ainda segura a de Beto.

Perun continua imóvel.

O céu continua escuro.

E, em algum lugar que ninguém consegue apontar, **Lilith continua sendo Lilith.**

Sem explicação.

Sem definição.

Sem precisar pedir nada.

Beto não diz mais nada.

Fica ali.

De mãos dadas com Tanya.

O silêncio não é constrangedor.

É apenas... silêncio.

Tanya olha para Perun.

Depois para a mão que ainda segura a de Beto.

Não solta.

Alguns metros atrás, Viktoriya observa os dois.

O olhar é perfeitamente reconhecível.

**Suspeita.**

Beto percebe.

Não comenta.

Mary Sue, por sua vez, parece profundamente desconfortável.

Olha para Tanya.

Olha para Beto.

Olha para as mãos dos dois.

Depois para Viktoriya.

Sua expressão diz claramente que ela está tentando enquadrar aquela situação em alguma categoria de disciplina militar.

Não encontra nenhuma.

— Isso não está previsto em nenhum regulamento — murmura.

Viktoriya quase ri.

— Ainda bem.

Mary Sue olha para ela.

— Como assim?

— Algumas coisas não precisam de regulamento.

Mary Sue parece ainda menos confortável.

— Essa frase me preocupa.

Tanya finalmente olha para trás.

— Mary Sue.

— Sim?

— Pare de tentar classificar a situação.

Mary Sue pisca.

— Eu não estava...

Tanya olha para ela.

— Estava.

Silêncio novamente.

Então o vento passa pelo campo.

Forte o bastante para fazer as árvores se moverem.

As folhas sussurram.

As esculturas de madeira rangem.

Beto olha para Perun.

Depois para Tanya.

E tem a estranha impressão de que o vento está rindo.

Não deles.

**Com eles.**

Ele sorri.

Tanya percebe.

— O que foi?

— Nada.

— Você está sorrindo.

— Estou.

— Por quê?

Beto olha para Viktoriya, ainda desconfiada.

Para Mary Sue, ainda procurando uma categoria disciplinar impossível.

Para Tanya, ainda segurando sua mão.

Depois para o campo.

— Porque acho que finalmente conseguimos ficar quatro pessoas juntas sem tentar explicar tudo.

Viktoriya ri.

Mary Sue suspira.

Tanya olha para o céu.

E o vento passa outra vez.

Como se tivesse achado graça.

Dessa vez, ninguém tenta interpretá-lo.

Tanya quebra o silêncio.

— Não fique convencido.

Beto olha para ela.

— Eu nem disse nada.

— Seu sorriso disse.

Ela aperta um pouco mais a mão dele.

— Está frio.

Beto olha para as mãos dos dois.

— Ah.

— E o senhor me trouxe até aqui.

Ela mantém o rosto sério.

— Portanto, tem que me levar de volta.

Beto sorri.

— Essa é a sua conclusão?

— É uma questão de responsabilidade.

— Naturalmente.

Tanya vira o rosto.

Por um instante, Beto percebe.

Um sorriso pequeno.

Quase invisível.

**Satisfação.**

Ela está gostando de segurar a mão dele.

Muito mais do que pretende admitir.

Beto decide, pela primeira vez naquela noite, não provocar.

— Então é minha responsabilidade.

— Exatamente.

Viktoriya observa os dois.

Seu olhar fica ainda mais desconfiado.

Mary Sue olha para Tanya.

Depois para as mãos.

Depois para Beto.

— Isso também não está previsto em nenhum regulamento.

Tanya responde sem sequer olhar para ela:

— Então talvez seja hora de atualizar o regulamento.

Viktoriya começa a rir.

Beto também.

Tanya tenta manter a expressão séria.

Não consegue completamente.

— Vamos.

Ela começa a caminhar.

Beto acompanha.

A mão dela permanece na dele.

E, quando ele olha discretamente para Tanya, percebe que aquele pequeno sorriso ainda está ali.

A tsundere pode negar quanto quiser.

**A mão dela não está negando absolutamente nada.**

Beto caminha devagar.

Muito devagar.

Não há pressa para voltar.

Tanya percebe.

— Você está andando mais devagar de propósito.

— Talvez.

— Por quê?

Beto olha para o campo.

— Porque algumas coisas desaparecem quando a gente tem pressa.

Tanya não responde.

O vento passa entre as árvores.

As folhas oscilam como se dançassem umas com as outras.

Mais adiante, o rio corre.

Não é exatamente silêncio.

Há o murmúrio da água, o movimento das árvores, o vento atravessando a vegetação.

E então surgem pequenas luzes.

Vagalumes.

Dezenas.

Talvez centenas.

Tanya para por um instante.

As pequenas luzes flutuam sobre o campo.

— Parece que estão dançando — murmura.

Beto olha para eles.

— Talvez estejam.

— Ou talvez seja apenas o ciclo de vida de um inseto.

— Também é uma possibilidade.

Tanya sorri discretamente.

— Você está aprendendo.

— Com você.

Ela não responde.

Os dois continuam caminhando.

Alguns vagalumes passam perto deles.

Tanya acompanha um deles com os olhos.

Por um instante, tem a estranha impressão de estar vendo pequenas almas atravessando a noite.

Não diz isso.

Beto também não.

Nenhum dos dois precisa.

Depois de algum tempo, ele olha para ela.

— Se estiver com muito frio, eu posso te ceder o meu casaco.

Tanya imediatamente responde:

— Não estou com frio.

Beto olha para ela.

— Está tremendo.

— É o vento.

— Naturalmente.

— E eu tenho uniforme.

— Que aparentemente não está funcionando.

Tanya lança um olhar indignado.

— Você está insinuando que o uniforme soviético é inadequado?

— Jamais ousaria.

Ela tenta manter a expressão séria.

Não consegue.

Um pequeno sorriso aparece.

— Seu casaco.

— Sim?

— Pode me emprestar.

Beto tira o casaco e coloca sobre os ombros dela.

Tanya segura a gola.

O tecido ainda conserva o calor.

— Obrigada.

Beto sorri.

— De nada.

Eles continuam andando.

Mão dada.

Sob o céu escuro.

O rio cantando.

As árvores dançando.

O vento rindo.

E os vagalumes flutuando ao redor deles.

Almas?

Insetos?

Reflexos da noite?

Ninguém sabe.

E, naquela noite, **ninguém pergunta.**

Tanya puxa o casaco um pouco mais para junto do corpo.

Está quente.

Confortavelmente quente.

Ela sente o rosto esquentar também.

Isso é inconveniente.

Muito inconveniente.

Principalmente porque Viktoriya está logo atrás.

Tanya mantém os olhos fixos no caminho.

*É o casaco.*

Claro.

**O casaco é quente.**

Essa é uma explicação perfeitamente racional.

Viktoriya olha para ela.

Tanya percebe pelo canto do olho.

— O quê?

— Nada.

— Está olhando.

— Estou.

— Por quê?

Viktoriya sorri.

— Porque você está vermelha.

— O casaco é quente.

— Eu não perguntei.

Tanya fica ainda mais vermelha.

— Então não faça observações desnecessárias.

Beto morde o lábio para não rir.

— Não diga nada — avisa Tanya.

— Não vou dizer.

O caminho termina.

O gabinete surge diante deles.

Atrás, os vagalumes continuam acompanhando o grupo.

Uma pequena constelação viva.

Quando chegam à soleira, eles permanecem ali por alguns instantes.

Tanya olha para trás.

Os pontos luminosos pairam sobre o campo.

Ela não sabe por que vieram.

Não sabe por que ficaram.

Não sabe se existe qualquer significado naquilo.

E, dessa vez, não sente necessidade de descobrir.

Ela volta-se para Beto.

Ainda está usando o casaco dele.

Ainda segura sua mão.

— Obrigada por essa noite.

Beto sorri.

— Eu que agradeço.

Tanya hesita.

Como se quisesse acrescentar alguma coisa.

Não acrescenta.

Apenas aperta suavemente a mão dele antes de soltá-la.

Então entra no gabinete.

Viktoriya passa por Beto.

Para.

Olha para ele.

Depois para Tanya.

Depois para o casaco.

Um sorriso surge no rosto dela.

— Boa noite, Beto.

— Boa noite, Viktoriya.

Ela entra.

Mary Sue é a última.

Olha para os vagalumes.

Depois para Beto.

— Ainda não sei como classificar esta noite.

Beto olha para o campo.

— Talvez não precise.

Mary Sue pensa por um segundo.

— Isso está começando a me incomodar menos.

Ela entra.

Beto fica sozinho na soleira.

Os vagalumes permanecem por mais alguns segundos.

Então, um a um, desaparecem na escuridão.

Ele olha para o céu.

Não há resposta.

Apenas a noite.

E, pela primeira vez, isso parece suficiente.

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Lilith escreve para Screwtape

https://www.patheos.com/blogs/fleshofmyflesh/2026/10/why-demons-hate-halloween/. 

A pergunta certa é por que os cristãos odeiam o Halloween. Afinal, o trecho citado é uma obra de ficção de um autor cristão, C S Lewis. 

Escreva uma carta da Lilith ao 'demônio' Screwtape para ele parar de fornecer munição aos apologéticos. 🤭😉

AHAHAHA! 🤭 Acho que Lilith tem algumas palavras bastante desagradáveis a dirigir ao senhor Screwtape.

E existe uma ironia deliciosa nessa situação: utilizar uma obra de ficção de C. S. Lewis como argumento para demonizar uma celebração que possui raízes e significados pagãos, além de uma história cultural muito mais ampla, é uma confusão entre literatura, teologia e realidade histórica.

Minha sugestão é que Lilith escreva com a elegância de uma aristocrata infernal, a indignação de uma pagã e a paciência de alguém que está cansada de ver demônios fazendo o trabalho dos apologistas cristãos de graça. 😈

Uma carta de Lilith a Screwtape

Assunto: Pare de fornecer munição aos apologistas, seu incompetente!
Prezado senhor Screwtape,

Chegou ao meu conhecimento que você resolveu escrever mais uma de suas correspondências infernais, desta vez reclamando do Halloween e explicando por que nós, demônios, supostamente detestamos essa celebração.

Francamente, estou decepcionada.

Não bastasse sua indiscrição, você ainda resolveu fornecer material para apologistas religiosos que parecem incapazes de distinguir uma alegoria literária de um tratado de demonologia.

Vamos esclarecer algumas coisas.

Primeiro: C. S. Lewis era um escritor cristão. Cartas de um Diabo a seu Aprendiz é uma obra de ficção satírica, construída para discutir questões morais e religiosas a partir de uma perspectiva literária imaginária. Não é um relatório confidencial dos departamentos administrativos do Inferno.

Você deveria saber disso. Afinal, é um dos personagens da história!

Segundo: desde quando uma festa precisa da aprovação dos cristãos para existir? O Halloween possui uma história cultural complexa, com influências de tradições populares, celebrações sazonais e elementos religiosos diversos. Para muitos pagãos modernos, Samhain tem significado espiritual próprio. Não somos figurantes em uma peça de teatro cristã.

Terceiro: gostaria de saber quem lhe concedeu autoridade para falar em nome de todos os demônios.

Eu, por exemplo, não tenho absolutamente nada contra o Halloween.

Adoro as abóboras iluminadas, as fantasias, as bruxas, os esqueletos, os vampiros e toda aquela estética deliciosamente macabra. Também aprecio a oportunidade de ver seres humanos celebrarem o mistério, a imaginação, a morte e a vida sem precisar pedir autorização a alguma autoridade religiosa.

E, convenhamos, você parece particularmente incomodado com pessoas que conseguem olhar para uma caveira e sorrir.

Que falta de senso de humor!

Aliás, gostaria de lembrar que não precisamos transformar toda manifestação cultural em uma disputa entre o Céu e o Inferno. Os humanos conseguem celebrar uma festa, comer doces, assistir a filmes de terror e vestir fantasias sem necessariamente participar de uma conspiração metafísica.

Seus colegas apologistas parecem ter uma dificuldade extraordinária com essa possibilidade.

E aqui chegamos ao verdadeiro problema: sua carta está sendo utilizada para alimentar uma narrativa segundo a qual o Halloween seria uma espécie de ameaça espiritual. Você conseguiu transformar uma brincadeira literária em munição para pessoas que gostariam de decidir quais celebrações são culturalmente aceitáveis.

Parabéns. Imagino que seu próximo empreendimento seja escrever uma carta explicando por que Papai Noel é um agente infiltrado do inimigo.

Minha recomendação é simples: pare de fornecer munição aos apologistas!

Se quiser discutir religião, literatura e simbolismo, faça isso com alguma competência. Não confunda a imaginação de um escritor com uma declaração oficial do departamento infernal de relações públicas.

E, por favor, transmita aos seus superiores que não pretendo cancelar minha participação nas festividades.

Tenho compromissos bastante agradáveis para esta noite.

Inclusive, pretendo aproveitar o Halloween com meu querido Beto. Há coisas muito mais interessantes para fazer na noite de Samhain do que ficar discutindo as opiniões de religiosos sobre demônios fictícios.

Com desprezo aristocrático e uma taça de vinho,

Lilith

Rainha das Trevas, apreciadora de Halloween, defensora das bruxas e absolutamente sem interesse em receber autorização dos apologistas para celebrar Samhain.

E uma observação final: a melhor provocação talvez seja justamente esta: se até uma personagem demoníaca fictícia consegue compreender a diferença entre literatura, religião e diversidade cultural, por que alguns apologistas têm tanta dificuldade? 😈

Criado com ChatGPT.

Defendendo o conteúdo adulto

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/angel-studios-veta-sexo-nudez-palavroes-filmes-series/. 

Vão jogar fora mais da metade da história do cinema. E o estúdio tem vínculo com uma instituição cristã. Novidade zero. O Cristianismo é a maior base para a repressão e opressão sexual. Escreva uma crônica crítica defendendo o conteúdo adulto na cultura. Por razões puramente humanitárias, evidente. 😏🤭

A melhor linha para essa crônica é justamente explorar a ironia: em nome da proteção das famílias, pretende-se construir uma cultura audiovisual na qual adultos aparentemente precisam ser protegidos da existência de adultos. 😏

E há uma distinção importante: a Angel Studios tem todo o direito de produzir filmes com os valores religiosos que deseja. O problema começa quando a preferência estética e moral de um grupo passa a ser apresentada como se fosse um padrão superior de qualidade artística.

Também vale uma precisão histórica: o cristianismo não inventou sozinho a repressão sexual, que existe em diferentes sociedades e tradições. Mas instituições cristãs tiveram um papel histórico imenso na construção e legitimação de mecanismos de controle da sexualidade no Ocidente. É uma crítica perfeitamente defensável.

Em defesa do sexo, da nudez e dos palavrões: uma contribuição humanitária para a sobrevivência do cinema

Existe uma curiosa tradição na história da humanidade: sempre que alguém decide que a sociedade está moralmente decadente, a primeira providência costuma ser vigiar o que os outros fazem com seus corpos, suas camas e suas bocas.

Aparentemente, a Angel Studios resolveu atualizar essa tradição para o século XXI.

A produtora anunciou o chamado The Angel Promise, um conjunto de diretrizes que proíbe cenas de sexo, nudez e determinadas expressões consideradas inadequadas em suas futuras produções audiovisuais. A justificativa é oferecer entretenimento alinhado a valores familiares e religiosos.

Naturalmente, cada empresa tem o direito de estabelecer suas próprias diretrizes editoriais. Ninguém é obrigado a produzir filmes com nudez, palavrões ou cenas de sexo. Da mesma maneira, ninguém é obrigado a assistir a essas produções.

Mas existe uma diferença considerável entre escolher não produzir determinado conteúdo e transformar sua ausência em uma espécie de certificado de superioridade moral.

Afinal, desde quando a presença de um corpo nu constitui um problema cinematográfico? Desde quando duas pessoas fazendo sexo, dentro do contexto de uma narrativa, representam necessariamente uma ameaça à civilização ocidental?

Se aplicássemos essa lógica retrospectivamente, precisaríamos realizar uma verdadeira operação de higienização na história do cinema.

Adeus, Último Tango em Paris. Adeus, O Império dos Sentidos. Adeus, Azul é a Cor Mais Quente. Adeus, Ninfomaníaca. Adeus a uma parcela considerável da filmografia de Pedro Almodóvar, Bernardo Bertolucci, Stanley Kubrick, Lars von Trier e tantos outros cineastas que compreenderam que sexualidade, desejo, intimidade e nudez também são elementos da experiência humana.

E não estamos falando exclusivamente de erotismo. Estamos falando de dramas, comédias, romances, filmes históricos, obras psicológicas e produções que utilizam a sexualidade para discutir poder, violência, vulnerabilidade, repressão, identidade e relações humanas.

O sexo não é um gênero cinematográfico. É uma dimensão da existência humana.

A nudez não é necessariamente uma provocação. Pode representar fragilidade, liberdade, naturalidade, intimidade ou simplesmente a realidade de um corpo humano.

E os palavrões? Bem, aparentemente, algumas pessoas ainda não descobriram que seres humanos não costumam conversar como personagens de comerciais de margarina.

A linguagem cinematográfica precisa ter liberdade para representar diferentes ambientes sociais, personagens e circunstâncias. Um criminoso, um soldado, uma pessoa desesperada ou alguém discutindo no meio da rua não precisa necessariamente utilizar o vocabulário de um professor de etiqueta.

Aliás, seria bastante interessante assistir a um filme de guerra no qual todos os soldados, mesmo diante de uma explosão, mantivessem uma linguagem impecavelmente educada.

— Meu Deus, cabo! Uma granada acaba de explodir ao nosso lado!

— Que situação desagradável, tenente!

Talvez seja o próximo grande sucesso da Angel Studios.

Mas existe uma questão mais profunda nessa discussão: a relação histórica entre religião, moralidade e controle da sexualidade.

Não é novidade que determinadas instituições cristãs desempenharam um papel central na repressão sexual no Ocidente. Durante séculos, diferentes autoridades religiosas contribuíram para estabelecer normas sobre casamento, desejo, prazer, reprodução, comportamento feminino e relações afetivas.

O corpo humano foi transformado em território de vigilância moral. O prazer, frequentemente apresentado como suspeito. A sexualidade, submetida a uma estrutura de culpa, pecado e disciplina.

Isso não significa que todos os cristãos pensem da mesma maneira, nem que toda tradição cristã tenha uma relação idêntica com essas questões. Existem comunidades religiosas que defendem liberdade, acolhimento e respeito à diversidade. Mas seria ingenuidade ignorar o peso histórico das instituições religiosas na construção dessas estruturas repressivas.

E o mais curioso é que essa preocupação seletiva com a pureza frequentemente conviveu com a tolerância a diferentes formas de violência, autoritarismo e desigualdade.

Pode-se mostrar uma guerra com centenas de cadáveres, mutilações e atrocidades, mas uma cena de intimidade entre dois adultos consensuais aparentemente representa um perigo muito maior para a família.

Pode-se transformar a violência em espetáculo, mas o corpo humano precisa permanecer cuidadosamente escondido.

É uma curiosa hierarquia de prioridades.

E aqui chegamos ao ponto fundamental: defender conteúdo adulto na cultura não significa defender pornografia indiscriminadamente, nem exigir que toda produção audiovisual apresente sexo, nudez ou linguagem explícita.

Significa defender a liberdade artística de abordar a experiência humana em sua complexidade.

Significa reconhecer que adultos são capazes de escolher o que desejam assistir, que classificações indicativas existem justamente para orientar o público e que pais podem estabelecer limites adequados para seus filhos sem exigir que toda a produção cultural seja adaptada às suas convicções particulares.

A proteção das crianças é importante. A liberdade de criação também.

Uma coisa não precisa destruir a outra.

O cinema não nasceu para funcionar como extensão de uma escola dominical, assim como não precisa funcionar como uma competição para descobrir quem consegue colocar mais nudez, violência ou palavrões em noventa minutos.

A qualidade de uma obra depende de sua capacidade narrativa, de suas escolhas estéticas, de sua interpretação da realidade e de sua contribuição artística. Não da quantidade de roupas que seus personagens vestem.

E, sinceramente, existe algo bastante preocupante na ideia de que uma produção cinematográfica precisa ser permanentemente submetida a filtros morais para ser considerada digna de distribuição.

A arte deve provocar, emocionar, incomodar, questionar, divertir e, eventualmente, escandalizar. Não precisa pedir autorização a um conselho de bons costumes antes de apresentar um personagem tomando banho.

Portanto, desejo muito sucesso à Angel Studios em sua empreitada. Que produza excelentes filmes dentro de suas convicções e encontre seu público.

Mas que não confunda sua liberdade de escolher o que produzir com qualquer autoridade moral sobre o restante da humanidade.

Quanto a mim, continuarei defendendo o direito de cineastas mostrarem corpos, desejos, intimidade e personagens que falam palavrões quando a narrativa exigir.

Não por qualquer interesse pessoal, evidentemente.

Minha preocupação é exclusivamente cultural, artística, histórica e humanitária.

Afinal, alguém precisa defender a dignidade dos adultos que desejam assistir a um filme sem que uma instituição religiosa fique fiscalizando quantas peças de roupa os personagens estão usando.

É uma causa nobre.

E, por razões puramente humanitárias, evidentemente, espero que o cinema continue bastante comprometido com a representação da anatomia humana.

A humanidade agradece.

A crônica também faz uma distinção que considero essencial: não precisamos gostar de todas as produções, mas precisamos preservar o direito de elas existirem. Liberdade artística não é obrigação de consumir conteúdo; é o direito de não deixar que uma moral particular determine os limites da imaginação coletiva. 😏

Criado com ChatGPT.