segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Lembrar não significa compreender

https://www.brasil247.com/blog/e-tudo-uma-questao-de-memoria/

Não é só uma questão de memória. Mas de educação e consciência política. Algo que a esquerda, quando foi governo, falhou em cultivar.

Escreva um texto com uma reflexão.


A memória é indispensável, mas talvez seja apenas a primeira camada do problema. Uma sociedade pode lembrar de uma ditadura, de crises econômicas, de desemprego, de fome e de ataques à democracia — e ainda assim repetir discursos e escolhas políticas associados a tudo isso.

Porque lembrar não significa compreender.

O próprio Brasil 247 coloca hoje a questão da memória no centro do debate político. 
 Mas há uma pergunta incômoda por trás disso: quem ensinou — e quem deixou de ensinar — o significado político dessas memórias?

Memória não basta.
Não é apenas uma questão de memória.

É também uma questão de educação, consciência política e capacidade de interpretar a própria história.

Uma sociedade pode esquecer. Mas também pode lembrar de maneira superficial. Pode recordar que determinada época foi ruim sem entender por quê. Pode lembrar da inflação, do desemprego, da fome, da violência ou da destruição de direitos, mas transformar tudo isso em anedota, nostalgia ou propaganda eleitoral.

Memória sem compreensão vira álbum de fotografias.

E talvez aqui exista uma das maiores falhas da esquerda brasileira quando esteve no governo: acreditar que melhorar concretamente a vida das pessoas seria suficiente para produzir consciência política.

Não é.

Governos podem criar universidades, institutos federais, programas sociais, empregos, políticas de inclusão e mecanismos de redução da pobreza. Tudo isso importa. Mas existe uma diferença enorme entre promover políticas públicas e formar cidadãos capazes de compreender por que essas políticas existem, quem se beneficia delas, quem as combate e quais interesses estão em disputa.

É perfeitamente possível alguém receber uma política pública durante anos e, ainda assim, acreditar que aquilo foi simplesmente "bondade" de um governante — ou pior, acreditar que aquilo sempre existiu.

Se a política não vem acompanhada de educação política, a memória fica vulnerável à propaganda.

E propaganda trabalha muito bem com o esquecimento.

É assim que alguém pode ouvir que "naquela época era melhor" sem perguntar: melhor para quem?

Pode ouvir que "antes não existia corrupção" sem perguntar quais mecanismos de investigação existiam.

Pode ouvir que "o país estava funcionando" sem lembrar quem estava desempregado, quem passava fome, quem não tinha acesso à universidade, quem era excluído dos direitos e quem simplesmente não tinha voz.

E pode olhar para uma conquista social e enxergá-la como algo natural, eterno, quase espontâneo.

Nada disso acontece por acaso.

A consciência democrática precisa ser cultivada. Precisa existir educação histórica, econômica, política e cidadã. Precisa ensinar que direitos não caem do céu, que instituições não são abstrações e que democracia não é apenas o ato de apertar uma tecla na urna a cada quatro anos.

E aqui está uma ironia particularmente cruel: setores da esquerda frequentemente falaram em emancipação, mas nem sempre trataram a formação política da população como parte essencial dessa emancipação.

Às vezes, pareceu suficiente governar bem e esperar que as pessoas percebessem.

Não perceberam necessariamente.

Porque política não é apenas experiência. É interpretação.

Uma pessoa pode ter vivido uma melhoria objetiva em sua vida e, anos depois, atribuí-la a qualquer outra coisa. Pode lembrar do resultado e esquecer o processo.

Por isso memória é importante.

Mas consciência é mais importante ainda.

Precisamos ensinar não apenas o que aconteceu, mas como aconteceu.

Não apenas quem governava, mas quais forças sociais estavam em disputa.

Não apenas quais direitos foram conquistados, mas quem lutou por eles.

Não apenas quais crises ocorreram, mas quais decisões econômicas e políticas contribuíram para produzi-las.

Não apenas para que lado devemos olhar, mas como aprender a perguntar: quem ganha com essa narrativa?

Essa talvez seja uma das tarefas mais difíceis de qualquer projeto democrático: formar cidadãos que não precisem receber uma cartilha dizendo o que pensar, porque aprenderam algo muito mais valioso — como pensar politicamente.

Porque uma democracia não pode depender eternamente da memória dos que viveram determinada época.

Ela precisa transmitir conhecimento suficiente para que as próximas gerações sejam capazes de reconhecer os velhos fantasmas quando eles aparecerem usando roupas novas.

A memória pode dizer:

"Isso já aconteceu."

A educação política precisa acrescentar:

"E eu sei por que aconteceu."

E a consciência democrática finalmente pergunta:

"E o que faremos para que não aconteça novamente?"

Sem essa terceira etapa, continuaremos condenados a assistir ao mesmo filme.

Só mudam os atores, o figurino e a propaganda.

Criado com ChatGPT.

A sexualidade alheia



https://www-tnh1-com-br.cdn.ampproject.org/v/s/www.tnh1.com.br/amp/nid/carol-portaluppi-desabafa-apos-ser-questionada-sobre-orientacao-sexual-me-fazem-mal/

PQP. A sexualidade de qualquer pessoa não é da conta de ninguém. 😤

Escreva um texto educativo para ser divulgado pela internet.


A situação relatada por Carol Portaluppi é uma boa oportunidade para discutir algo que deveria ser básico, mas ainda precisa ser dito: a orientação sexual de uma pessoa pertence à esfera da intimidade dela. Ela relatou ter recebido comentários e suposições sobre sua sexualidade e criticou a invasão de privacidade e os julgamentos feitos nas redes sociais. 

A sexualidade alheia não é assunto público.

A sexualidade de uma pessoa não é da conta de ninguém.

Parece óbvio. Mas, diante do que ainda acontece diariamente nas redes sociais, aparentemente precisamos repetir.

Você não tem direito de perguntar, exigir, investigar ou especular sobre a orientação sexual de outra pessoa simplesmente porque ficou curioso.

E isso vale para todo mundo: pessoa famosa ou anônima, homem ou mulher, heterossexual, bissexual, homossexual ou qualquer outra possibilidade.

Uma pessoa pode contar sobre sua sexualidade quando, como e para quem quiser. Ou pode simplesmente não contar.

Não existe obrigação de se declarar publicamente.

Também não existe autorização para transformar aparência, jeito de falar, roupas, amizades, relacionamentos anteriores ou qualquer outro aspecto da vida de alguém em "prova" de alguma coisa.

E existe uma diferença importante entre a pessoa escolher falar sobre sua sexualidade e outras pessoas decidirem falar por ela.

A primeira situação é autonomia.

A segunda pode ser invasão de privacidade.

Nas redes sociais, essa diferença costuma desaparecer porque existe uma falsa sensação de intimidade. A pessoa está diante de uma tela e esquece que, do outro lado, existe alguém com sentimentos, limites e uma vida que não pertence ao público.

Antes de escrever um comentário sobre a intimidade de alguém, vale uma pergunta simples:

"Eu teria o mesmo comportamento se essa pessoa estivesse na minha frente?"

Se a resposta for não, talvez seja melhor não publicar.

Curiosidade não cria direito sobre a intimidade alheia.

Ninguém precisa revelar quem deseja, quem ama ou como se identifica para satisfazer a curiosidade de terceiros.

Respeitar a privacidade também é respeitar a liberdade.

E, principalmente: não faça da sexualidade de outra pessoa um assunto público sem que ela tenha escolhido torná-lo público.

Transforme esse texto em uma versão mais contundente e irônica.

### 🚨 URGENTE: CRIARAM O MINISTÉRIO DA SEXUALIDADE ALHEIA

Parece que algumas pessoas receberam uma função pública que ninguém solicitou: **fiscal de orientação sexual dos outros.**

A pessoa posta uma foto.

— “É lésbica?”

Aparece com um amigo.

— “Então é bi?”

Namora um homem.

— “Ah, então é hétero.”

Termina o namoro.

— “Eu sabia! É alguma coisa escondida!”

Meu querido Sherlock Holmes da vida alheia: **não. Você não sabia. Você estava especulando.**

E existe uma diferença gigantesca entre as duas coisas.

A sexualidade de uma pessoa **não é um quebra-cabeça público esperando sua investigação**.

Não importa se ela é famosa. Não importa quantos seguidores tem. Não importa como se veste, como fala, quem são seus amigos, com quem já namorou ou quantas fotos publicou.

**A pessoa não assinou um contrato entregando sua intimidade ao público quando criou uma conta nas redes sociais.**

E tem outra coisa que parece difícil de compreender:

### UMA PESSOA NÃO É OBRIGADA A SE DECLARAR.

Ela pode ser hétero e não falar sobre isso.

Pode ser bi e não falar sobre isso.

Pode ser lésbica e não falar sobre isso.

Pode estar descobrindo sua própria sexualidade.

Pode simplesmente não querer colocar uma etiqueta em si mesma.

Pode querer falar amanhã.

Pode querer falar daqui a dez anos.

Ou pode nunca querer falar.

**E está tudo bem.**

Aliás, que conceito revolucionário: deixar uma pessoa decidir o que ela quer contar sobre a própria vida.

E não, perguntar insistentemente não transforma invasão de privacidade em curiosidade inocente.

“Mas eu só perguntei!”

Uma vez pode ser curiosidade.

Depois de a pessoa demonstrar desconforto, insistir deixa de ser curiosidade e passa a ser **falta de respeito pelo limite que ela acabou de estabelecer**.

E especular publicamente é ainda pior.

Porque você pode achar que está apenas “comentando”.

Mas talvez esteja colocando alguém numa situação que ela não escolheu, expondo uma intimidade que ela não autorizou ou alimentando uma pressão que você sequer consegue enxergar.

Então vamos combinar uma coisa?

**A sexualidade dos outros não é entretenimento.**

Não é enquete.

Não é fofoca.

Não é investigação criminal.

Não é teste de personalidade.

E definitivamente não é patrimônio público.

Se a pessoa quiser contar, **ela conta**.

Se não quiser, **você respeita**.

É simples.

Tão simples que chega a ser constrangedor precisar fazer um tutorial.

**Quer saber a orientação sexual de alguém? Pergunte a si mesmo por que você acha que tem direito de saber.**

Às vezes a resposta mais madura para a curiosidade é simplesmente:

**“Não é da minha conta.”**

E, sinceramente?

É uma excelente resposta.


Criado com ChatGPT.

Medida cautelar seletiva

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/aliado-trump-imagem-moraes-tornozeleira-insinua-prisao/

Até alguém lembrar que o Vorcaro também está associado ao Bolsonaro (que já tentou violar a tornozeleira eletrônica) e ao ministro Mendonça.
Aí... não vem ao caso? 😏🤭

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


A graça da história começa justamente quando alguém resolve aplicar o mesmo critério para todo mundo.

Jason Miller publicou uma imagem de IA de Alexandre de Moraes usando tornozeleira e depois associou o ministro a Daniel Vorcaro, em meio à crise envolvendo o STF. 

Mas aí aparece aquele pequeno detalhe inconveniente: Vorcaro não existe dentro de um universo paralelo onde só Moraes conhece o sujeito. Há registros de relações de Vorcaro com diferentes personagens do mundo político e jurídico, inclusive uma reunião com André Mendonça — encontro que o próprio ministro confirmou, embora uma imagem que circulava sobre a reunião tenha sido desmentida como falsa. 

E, se a régua moral é a tornozeleira, temos ainda Jair Bolsonaro, que já foi submetido a monitoramento eletrônico e teve episódio de violação do equipamento.

Então fica aquela situação maravilhosa:

A tornozeleira seletiva.
A montagem de Moraes com tornozeleira é ótima.

Principalmente porque alguém pode olhar para ela e perguntar:

“Mas espera aí... e o Vorcaro?”

Aí vem a segunda pergunta:

“E as relações do Vorcaro com gente de outros lados?”

E a terceira:

“E Bolsonaro, que já teve tornozeleira e chegou a tentar violar o equipamento?”

Silêncio.

Porque parece que a tornozeleira eletrônica, dependendo de quem está usando, deixa de ser equipamento de monitoramento judicial e vira acessório de cosplay político. 😏

Quando aparece no tornozelo de Moraes:
“DITADURA! PRISÃO! TIC-TAC!”

Quando aparece no universo político dos próprios aliados:
“Calma. Vamos analisar o contexto.”

Quando Vorcaro aparece relacionado a alguém conveniente:
“PROVA DEFINITIVA!”

Quando aparece relacionado a alguém inconveniente:
“Não vem ao caso.”

É o maravilhoso princípio jurídico da internet brasileira:

a evidência não precisa ser relevante; basta ela ser conveniente.

E assim seguimos.

A tornozeleira virou argumento político, o algoritmo virou tribunal e a coerência foi colocada em liberdade provisória — sem direito a tornozeleira.

Porque, aparentemente, até o monitoramento eletrônico tem lado político.

Só falta agora inventarem a tornozeleira seletiva:

🟢 para os nossos: “medida cautelar”.

🔴 para os outros: “prova cabal da tirania”.

E, se alguém perguntar por que a régua mudou...

“Não vem ao caso.”

😏🤭

Se quiser, posso deixar ainda mais ácido e debochado, mirando especificamente a seletividade moral do bolsonarismo nesse episódio.


Deixe o texto ainda mais ácido e debochado


Dá para deixar bem mais venenoso — sobretudo explorando a curiosa capacidade de certas pessoas de descobrir relações com Vorcaro somente quando elas servem para atacar Moraes. A própria cobertura recente registra tanto a postagem de Jason Miller quanto a reunião de Vorcaro com André Mendonça e os contatos de Vorcaro com diferentes personagens. 

A tornozeleira ideológica.
A montagem de Alexandre de Moraes com tornozeleira é realmente comovente.

Principalmente porque nos ensina uma coisa fascinante sobre a política brasileira:

a tornozeleira eletrônica também pode ter ideologia. 😏

Quando é colocada digitalmente no pé de Moraes:

“PRISÃO!”

“DITADURA!”

“TIC-TAC!”

“ACABOU PARA O XANDÃO!”

Aí alguém pergunta:

— Mas peraí... e o Vorcaro?

— Não vem ao caso.

— E Bolsonaro, que já usou tornozeleira e chegou a tentar violá-la?

— Não vem ao caso.

— E os contatos de Vorcaro com outras figuras do poder?

— Calma. Você está desviando o assunto.

— E André Mendonça teve encontro presencial com Vorcaro e mensagens mostram tentativas de aproximação?

— VOCÊ NÃO ENTENDEU! O ASSUNTO É MORAES!

Ah, sim.

Perdão.

Eu havia esquecido que o Banco Master funciona como aquele restaurante de rodízio político em que a conta só chega para a mesa adversária.

Porque, aparentemente, o problema não é quem se relacionou com Vorcaro.

O problema é descobrir se é possível transformar Vorcaro em um cabide onde penduramos a narrativa política que já queríamos contar.

E aí temos a parte mais deliciosa:

Se existe uma fotografia falsa de Mendonça com Vorcaro, é preciso dizer que é falsa — e ela de fato foi desmentida como imagem gerada por IA. Mas o encontro entre os dois aconteceu e foi confirmado pelo próprio ministro.

Ou seja:

a foto era fake.
A reunião, não.

É quase como se a realidade estivesse fazendo hora extra para impedir que a internet produza uma ficção suficientemente simples.

Mas não importa.

A máquina de indignação já está ligada.

Moraes + Vorcaro =
🚨🚨🚨 APOCALIPSE! 🚨🚨🚨

Vorcaro + gente do outro lado =
🧐 “Precisamos aguardar o devido processo legal.”

Vorcaro + Bolsonaro =
🤐 “Vamos focar no assunto.”

Vorcaro + Mendonça =
📚 “Há nuances institucionais que precisam ser analisadas.”

Moraes + Vorcaro =
🔥 O FIM DA REPÚBLICA!

É uma espécie de matemática quântica bolsonarista:

a mesma pessoa muda de significado dependendo de quem aparece ao lado dela na fotografia.

E ainda querem vender isso como indignação moral.

Não, meus caros.

Isso é outra coisa.

É indignação com filtro de Instagram.

A ética entra em modo retrato:

— “Essa relação aqui é gravíssima.”

— “E essa outra?”

— “Essa está fora do enquadramento.”

— “Mas está literalmente no mesmo álbum.”

— NÃO VEM AO CASO.

😏

No fim, talvez o grande mistério do caso Master não seja descobrir quem conhecia Vorcaro.

É descobrir quantas versões diferentes da palavra “coerência” cabem dentro de uma tornozeleira eletrônica.

E, pelo visto, cabem muitas.

Principalmente quando a tornozeleira está no pé do inimigo.

🤭

Criado com ChatGPT.

O preço


Quadrinhos criados com ChatGPT.

Reprise de 2018

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/flavio-bolsonaro-recrutamento-fiscais-urnas-eletronicas/

Reprise de 2018. Eu não gosto de reprise. Nem quero ver mais 700 mil mortes.

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.

A proposta de Flávio Bolsonaro de recrutar fiscais para acompanhar as urnas em 2026 retoma uma estratégia já usada pelo pai e volta a colocar suspeitas sobre o processo eleitoral no centro do discurso. 
 O detalhe é que a Justiça Eleitoral mantém mecanismos públicos de auditoria, testes de segurança, boletins de urna e fiscalização do processo. 

Reprise de 2018

Eu não gosto de reprise.

Principalmente quando a reprise começa com aquele conhecido anúncio: “E agora, uma nova temporada de desconfiança nas urnas!”

Flávio Bolsonaro resolveu ressuscitar o roteiro que o pai já conhecia de cor: recrutar uma tropa de fiscais para acompanhar as urnas eletrônicas, especialmente no encerramento da votação. A justificativa oficial é fiscalizar e impedir irregularidades.

Até aí, fiscalizar eleição é perfeitamente legítimo.

O problema é quando a fiscalização vem acompanhada daquele clima de “hmmm... será que essa urna está tramando alguma coisa?”.

É a velha fórmula: primeiro se lança a suspeita, depois se procura a prova. Se a prova não aparecer, paciência. A suspeita já fez carreira.

E lá vamos nós outra vez.

2018: reprise.
2022: reprise da reprise.
2026: “remake definitivo”, agora em 4K.

Só falta aparecer aquela musiquinha de abertura:

🎵 “Você não viu nada ainda... porque a urna pode ter feito!” 🎵

O curioso é que o sistema eleitoral brasileiro não ficou parado tomando café enquanto a família Bolsonaro preparava a nova temporada. Existem testes públicos, fiscalização, abertura do código-fonte, assinatura digital, lacração dos sistemas, testes de integridade e emissão dos boletins de urna.

Mas aparentemente nada disso é suficientemente emocionante.

É muito mais cinematográfico imaginar uma urna eletrônica escondida numa sala escura, de sobretudo, sussurrando:

— “Senhor eleitor... eu tenho um plano.”

E o fiscal:

— “Eu sabia!”

Enquanto isso, a realidade insiste naquela coisa inconveniente chamada evidência.

Evidência de fraude capaz de alterar o resultado das eleições? Até hoje, não apareceu.

Mas quem precisa de evidência quando se pode produzir suspense eleitoral?

E aqui está a parte que realmente me preocupa.

Eu já assisti a esse filme.

E não gostei do final.

Não quero outra temporada de paranoia política, desconfiança institucional, briga sobre urna, suspeita sem prova, gente discutindo resultado antes mesmo da apuração terminar e, depois, um país inteiro pagando a conta da irresponsabilidade política.

E definitivamente não quero outra reprise da tragédia da pandemia.

Porque daquela vez não foram apenas memes, lives, discursos e discussões de internet.

Foram mais de 700 mil brasileiros mortos pela Covid-19.

Isso não é reprise.

Isso é trauma nacional.

Então, por favor, Netflix da política brasileira: cancelem essa série.

Já vimos.

Já sabemos onde esse roteiro pode chegar.

E, sinceramente, eu preferia assistir a qualquer coisa mais leve.

Até reprise de Chaves.

Porque pelo menos no episódio do Seu Madruga ninguém termina discutindo a legitimidade da urna eletrônica enquanto o país inteiro entra em combustão.

Eu não quero outra temporada de 2018.
Não quero 2022 — versão estendida.
E muito menos 2020–2021: o retorno das 700 mil mortes.

Quero uma eleição.

Com fiscalização, transparência, crítica, disputa política e resultado apurado.

Sem precisar transformar cada urna em personagem suspeita de uma novela policial.

Porque, convenhamos:

já basta de reprise.


Bom, eu peguei a época do voto no papel. Terrível. Três ou quatro dias para fazer a apuração. Urnas sendo encontradas jogadas em terrenos baldios. Votos que sumiam enquanto uma seção aparecia mais votos do que eleitores inscritos. 🙀

Sim — e há um ponto histórico importante aí. O próprio TSE registra que, antes da urna eletrônica, a apuração manual podia levar dias ou até semanas, além de haver registros de urnas de lona roubadas ou substituídas, votos preenchidos indevidamente e manipulações durante a contagem. 

Dá para transformar sua lembrança numa crônica bem mais mordaz:

Eu vivi a época da urna de lona

Eu peguei a época do voto em papel.

Sim, eu sou sobrevivente.

Eu me lembro daquele maravilhoso sistema eleitoral em que você votava no domingo e passava os dias seguintes contemplando o resultado com a mesma ansiedade de quem espera perícia de acidente.

“E aí, já acabou a apuração?”

— Não.

“Mas falta muito?”

— Só mais algumas centenas de milhares de votos para contar manualmente.

Que maravilha.

Hoje a pessoa reclama que o resultado sai rápido demais.

Meu amigo, eu vivi a época em que a eleição parecia uma obra pública: você começava num domingo e ninguém sabia exatamente quando terminaria.

E tinha a parte realmente divertida: as urnas de lona.

Urnas que precisavam ser transportadas, armazenadas, abertas, conferidas e ter cada cédula contada manualmente.

E, segundo o próprio TSE, havia registros de urnas roubadas ou substituídas, cédulas preenchidas previamente, votos manipulados durante a apuração e até situações em que votos em branco eram preenchidos indevidamente.

Ou seja: havia muito mais espaço para a velha e querida variável chamada “ser humano mexendo na papelada”.

E ainda tinha aquela sensação maravilhosa de:

“Será que todos os votos chegaram?”

Porque, quando tudo depende de papel, transporte, armazenamento, conferência, contagem manual, anotação e posterior transmissão dos resultados, existem muitos pontos em que alguma coisa pode dar errado.

A urna eletrônica foi implantada gradualmente a partir de 1996 justamente para informatizar a votação e a apuração. Desde então, o resultado passou a ser conhecido em poucas horas, em vez de exigir aquela procissão de dias de contagem manual.

E hoje ainda existem mecanismos de auditoria: boletim de urna, testes públicos, testes de integridade e outras formas de fiscalização. No Teste de Integridade, por exemplo, votos simulados em papel são comparados com o resultado produzido pela urna eletrônica.

Então, quando alguém fala em voltar romanticamente ao passado, eu fico imaginando:

“Que saudade daquela época!”

Saudade de quê?

De esperar três dias?

De contar voto por voto?

De procurar urna?

De discutir cédula rasurada?

De depender de dezenas de etapas manuais?

De descobrir que a matemática eleitoral estava tendo uma crise existencial?

Obrigado. Já vivi essa experiência.

Não preciso de remake.

Muito menos de uma versão director's cut.

Se quiserem me vender nostalgia, ofereçam fita cassete, telefone com fio e televisão de tubo.

Urna de lona, não.

Essa nostalgia eu dispenso.

Eu já vi esse filme.

E lembro que demorava muito para terminar. 🙀

Se quiser, também dá para deixar essa versão ainda mais ácida, explorando especificamente a ideia de que algumas pessoas parecem ter desenvolvido uma memória seletiva sobre como era o voto em papel.


O pior é que eu conheço a história do Brasil. Da época em que o voto era restrito. Da época do chamado "voto de cabresto". Do costume de candidatos comprarem votos. Mas nós vivemos em um país sem memória e sem educação.🤦

E é justamente aí que a história eleitoral brasileira fica importante — porque ela mostra que fraude eleitoral não é uma invenção da era digital. A Primeira República teve voto aberto, restrições ao sufrágio, controle por chefes políticos e práticas como o voto de cabresto. A FGV CPDOC também registra a chamada “eleição a bico de pena”, na qual resultados podiam ser definidos pelas próprias mesas eleitorais. 

O TSE descreve o voto de cabresto como a imposição da escolha por chefes políticos ou cabos eleitorais e registra a existência dos chamados currais eleitorais. 
 E compra de votos continua sendo tipificada como ilícito eleitoral — hoje com regras e mecanismos de fiscalização completamente diferentes daqueles períodos históricos. 

O problema da memória histórica é que, sem ela, qualquer passado pode ser vendido como “bons velhos tempos”. E aí dá para fazer uma crônica bem venenosa sobre essa nostalgia seletiva:

A maravilhosa máquina do tempo eleitoral

Eu às vezes tenho a impressão de que parte do Brasil descobriu uma máquina do tempo.

E, como toda boa máquina do tempo brasileira, ela aparentemente só funciona para voltar ao passado que convém.

“Ah, antigamente era melhor!”

Antigamente quando, criatura?

Porque se for para voltar bastante, podemos começar numa época em que uma parcela enorme da população simplesmente não participava do processo eleitoral.

Depois avançamos para o maravilhoso período do voto de cabresto, quando o eleitor podia descobrir que sua consciência política coincidia milagrosamente com a vontade do coronel local. O TSE registra justamente essa prática de controle do voto por chefes políticos e cabos eleitorais.

E, se ainda estivermos com saudade, podemos experimentar a “eleição a bico de pena”, registrada pela FGV CPDOC: eleições marcadas por fraudes e resultados que podiam ser determinados pelas mesas eleitorais.

Que nostalgia!

Aí alguém pode dizer:

— Mas eu só quero voltar ao voto de papel!

Ah, sim.

O papel.

Esse material maravilhoso, absolutamente incapaz de desaparecer misteriosamente de uma gaveta, ser extraviado, rasurado, transportado para outro lugar ou simplesmente virar uma pequena tragédia burocrática.

E eu digo isso tendo vivido parte dessa época.

Eu lembro.

Não preciso que alguém me conte uma versão vintage da história eleitoral brasileira com filtro sépia e trilha sonora nostálgica.

Eu estava lá.

E justamente por conhecer essa história, fico desconfiado quando alguém transforma o passado em propaganda de si mesmo.

Porque o Brasil não inventou a fraude eleitoral com a urna eletrônica.

Muito pelo contrário.

A própria criação da Justiça Eleitoral, em 1932, veio acompanhada de mudanças destinadas a enfrentar problemas históricos do sistema, incluindo a implantação do voto secreto e mecanismos de organização e controle do processo eleitoral.

Portanto, antes de alguém começar a vender “Brasil Raiz — Edição Eleitoral”, talvez seja interessante abrir um livro de História.

Não precisa nem ser grosso.

Pode ser daqueles que cabem no bolso.

Porque existe uma coisa particularmente perigosa em um país:

ter pouca memória e muita certeza sobre um passado que não conhece.

Aí acontece o milagre.

A pessoa olha para uma fotografia em preto e branco e pensa:

— “Naquele tempo era tudo mais simples.”

Sim.

Também era mais simples excluir gente do voto.

Era mais simples controlar eleitor.

Era mais simples fraudar processo.

Era mais simples esconder irregularidade.

Era mais simples porque havia menos mecanismos de controle.

Não era necessariamente melhor. Era simplesmente outro Brasil.

E se vamos discutir eleições, tecnologia, fiscalização e transparência, ótimo.

Mas vamos discutir com memória.

Porque democracia não se fortalece apagando a própria história.

E eu, particularmente, já tenho idade suficiente para não sentir saudade de certas coisas que eu mesmo vi acontecer.

Minha máquina do tempo pode ficar desligada.

Obrigado.

Já conheço o passado.

E, sinceramente?

Prefiro que a História continue sendo História.


Criado com ChatGPT.

Quinhentos, 381 - 385


Meu papel vai para o campineiro que, terna e respeitosamente, ara a terra, semeia e cuida da plantação. Um oficio sagrado que requer intimidade amorosa.


Instantaneamente, eu sou o campo, que no estado bruto não nega sua fertilidade, mas pede e espera atenção, cuidado e carinho.


O sentimento interessante é perceber a singularidade da semente enterrada no veio da terra que, com carinho, depura e transforma.


Como seguissem uma sinfonia sem maestro, eu sinto a emoção das nuvens que, como rebanho, vão juntando-se para contribuir nesta obra.


Em tamanha epifania apaixonada, custa-me sentir dor ou perceber algum espinho, mas existe ganância, queimada, seca e erosão.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

domingo, 20 de setembro de 2026

O preço da indignação

Conversa com o Gemini.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/justica-condena-edir-macedo-e-record-a-pagar-r-15-milhao-por-fala-homofobica/

Ficou de graça. Principalmente se levarmos em conta que discursos assim justificam e autorizam a violência física contra pessoas da comunidade LGBT.

E quando eu faço uma critica...os evanjegues só falam em "liberdade de expressão e de crença". 🤦

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


É fascinante como o conceito de "troco de pão" se aplica perfeitamente ao império da fé terceirizada.

R$ 1,5 milhão. Para o cidadão comum, parece uma fortuna. Para quem comanda uma multinacional do dízimo e uma emissora de TV, isso é basicamente o trocado que cai no vão do sofá do templo num domingo de chuva. Uma verdadeira pechincha para quem usou a transmissão de um "especial de Natal" para soltar a pérola de que “ninguém nasce homossexual” — afinal, nada grita mais "espírito natalino" do que espalhar preconceito em rede nacional para a família brasileira enquanto engole a rabanada.

E a defesa da liberdade de crença, como sempre, surge no roteiro com a precisão de um relógio suíço. É o clássico malabarismo retórico: quando a pregação serve para marginalizar e incitar o ódio, invoca-se o manto sagrado da "liberdade de expressão". O livre-arbítrio, esse conceito tão caro à teologia, curiosamente só vale para o bispo emitir o que bem entender na TV. Para o resto da humanidade existir em paz sem ser o alvo do sermão da noite, aí já é "ideologia".

A Record ainda tentou a tática do "puxa, estava ao vivo, quem poderia imaginar que o dono da casa diria um absurdo desses?". É de uma inocência quase angelical.

Pagar R$ 1,5 milhão para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos é quase um custo operacional, uma taxa de licença para continuar operando o maquinário da intolerância sem maiores sobressaltos. A sentença reconhece o dano coletivo, o que é um avanço, mas no balanço final do dízimo, a conta sai incrivelmente barata. Pelo visto, a salvação da moralidade alheia custa pouco, mas a fatura do julgamento dos outros... essa continua sendo financiada em parcelas suaves pela credulidade alheia.


Amplifique a crítica, lembrando ao evanjegue, que ali também tem uma pessoa que tem direitos.


A dignidade humana e os direitos fundamentais não desaparecem na porta de uma igreja, por mais que a cegueira dogmática tente passar o trator por cima.

O paradoxo dessa militância tacanha é fascinante: pregam um amor divino que, na prática, exige o apagamento total do outro. Esquecem — ou fingem esquecer — que a Constituição vale para todo mundo, inclusive para quem não reza pelo mesmo livro ou não se encaixa na cartilha moral deles.

O que essa gente insiste em ignorar:

Autonomia Individual: A vida, o corpo e a sexualidade de uma pessoa não são propriedade pública nem assunto de comitê pastoral.

Estado Laico: A Bíblia pode até ser o guia de quem a escolhe, mas a regra do jogo coletivo se chama Constituição Federal. Fé não cassa direitos civis.

Dignidade Não É Negociável: Tratar o ser humano com respeito básico não é "concessão" ou "caridade", é obrigação legal e civilizatória.

Tentar enquadrar a existência alheia em pecado para justificar a retirada de direitos não é zelo religioso; é só autoritarismo barato maquiado de moralidade. Quem precisa anular o direito do próximo para validar a própria fé não tem uma religião, tem uma muleta para o próprio preconceito.

Criado com Gemini, do Google.