sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Quinhentos, 186 - 190



Eis que os corpos, que eram sólidos, se desmancham, se misturam. Teu ser se derrama dentro de mim e meu ser se espalha ao teu redor.



Eu tenho dois bojos que me testificam, muito mais firmes e certos do que qualquer declaração.



Os livros santos só tem um contato frio e distante com os olhos. O que te abro ao toque é quente, próximo e confiável.



A humanidade continuará perdida e confusa, enquanto se colocar os deuses no Alto.



Busquemos o contato divino pelo toque e então encontraremos, espantados, nossos deuses onde estes sempre estiveram.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

O Grande Mausoléu

Eis a antecâmara do próprio corpo da Morte, onde já se sente a emanação de
uma energia forte e primordial de onde os espíritos de todas as coisas tiveram
origem. Uma ternura filial e uma excitação sexual conturba nossa pequena alma
em meio a tal imensidão e potência. Cada fresta exala sabedoria, a cada metro
acumulam-se enciclopédias, cada ossada alinhada, linha de forças cósmicas que
fazem brilhar as órbitas vazias dos crânios com um fogo fátuo, mapeando esse
cosmos da Morte. Nós tínhamos apenas começado a sair da pequena órbita da
morte, estamos iniciando na escalada final até os limites desse cosmo. Nós
temos que encontrar a passagem até as cinco salas, onde teremos que galgar os
doze degraus de cada uma, até tocar enfim o coração da Morte que se encontra
na mente e na fronteira da elipse mais impossível e absurda. Este é um jogo que
requer habilidade, inteligência e probabilidade, onde a combinação correta de
ossos e medulas, vão abrir pequenas escotilhas nas quais, combinadas em uma
ordem, vão originar um portal à próxima dimensão, um outro nível energético
maior e mais amplo, dentro deste incrível átomo da Morte. Na diferença de uma
costela há uma curva de aceleração, que vai rachar o crânio no parietal, nos
levando à caixa do próximo crânio.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Caçando ratos

Conversa com o Gemini.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/galvao-bueno-testemunha-ratinho-inquerito-homofobia/

Será que tem que explicar que isso é normalizar a agressão moral e física de pessoas da comunidade LGBT?

E se fosse contra homens, heterossexuais, cristãos? 🤔

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


Ah, a mágica do entretenimento brasileiro, onde a jurisprudência ganha contornos de auditório e as leis da física e da empatia são sumariamente dobradas.

A cena é digna de um prêmio de dramatografia surrealista: um inquérito é aberto para apurar falas preconceituosas, e surge do horizonte, a passos largos e com o microfone em rasteira, ninguém menos que a voz oficial da pátria de chuteiras para selar o veredito definitivo: “Não sei nem o que foi, mas eu sou testemunha!”

É a institucionalização do chamado habeas corpus por afeto corporativo. Que necessidade há de investigação policial, provas anexadas ou análise contextual de discurso quando se tem o aval categórico do homem que narrou o tetra?

O Método Científico do "Nem Sei O Que Foi, Mas Defendo"
Imagine a eficiência desse novo modelo jurídico se aplicado a outras esferas da vida:

No tribunal do crime: "Excelência, eu não sei o que consta no processo, não vi os autos e sequer sei do que meu cliente é acusado, mas como jogamos truco juntos em 1998, posso garantir que é um homem de bem."

Na fiscalização sanitária: "Não sei o que a vigilância achou nessa cozinha, mas o cozinheiro sempre me deu bom dia, então a maionese com certeza não estava estragada."

O raciocínio é de uma simplicidade quase poética. Se o sujeito brinca há 28 anos na televisão metendo cassetete cenográfico em palhaço e xingando a plateia, como é que agora a sociedade cata-pelo-em-ovo ousaria chamar um "vai te catar, viado" de desrespeito? Afinal, é "apenas o estilo dele", o bom e velho humor "raiz", esse patrimônio imaterial da nação que consiste em ter como alvo preferencial — por mera coincidência, claro — sempre os mesmos grupos minoritários.

A Inversão dos Fatores: O Experimento Mental
A provocação que fica no ar é irresistível: e se a régua fosse outra?

Se a televisão aberta resolvesse instituir a "Sexta-Feira do Deboche Institucional" voltada para outros alvos, a recepção seria a mesma?

Imagine o apresentador olhando para a câmera e soltando, sob o pretexto da mais pura descontração:

"Olha lá o cabelo daquele cidadão, parece um cristão ortodoxo qualquer, vai rezar um terço, seu heterossexual primário!"

"Ah, mas é só uma brincadeirinha com os homens héteros da plateia! Faz 30 anos que eu chamo homem hétero de conservador aborrecido e ninguém nunca reclamou! É o meu jeito brincalhão!"

Naturalmente, os mesmos defensores do "quem se ofende é mi-mi-mi" estariam, em menos de três minutos, convocando notas de repúdio, notas de desagravo, boicote a patrocinadores e audiências públicas de emergência para deter o "ataque sistemático aos valores da família tradicional".

Afinal, a "brincadeira" só é leve, inofensiva e libertadora quando a piada cai para baixo. Quando a piada respinga em quem segura o microfone, o "humor" vira agressão moral num piscar de olhos.

"Haja Coração, Amigo!"
No fim das contas, a defesa cega baseada no 'ele é meu amigo e sempre foi assim' é a representação perfeita de como a violência verbal se perpetua: embalada na normalidade do cotidiano, chancelada por figuras de prestígio e mascarada como afeto.

É o famoso passe livre do "eu não sou preconceituoso, até tenho amigos que são alvo das minhas piadas". E assim, entre uma risada de auditório e uma vinheta de comercial, a agressão vira folclore, a discriminação vira "estilo do apresentador", e o respeito... bem, o respeito fica para a próxima transmissão, se o juiz da partida não der impedimento.

Criado com Gemini, do Google.

Cristo no Serasa

Conversa com o Gemini.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/igreja-casa-deixar-imovel-divida-843-mil-goiania/

Dá até para pensar. O proprietário tentando cobrar. Os responsáveis falando para ir falar com o fiador. Quem? Cristo, em pessoa. 🤭😏

Escreva um texto humorado e sarcástico.


A negociação imobiliária no campo da fé atingiu um novo patamar de elevação espiritual — e de inadimplência terrena.

Imagine a cena: o oficial de justiça batendo à porta para cobrar uma dívida modesta de R$ 843 mil, acumulada ao longo de mais de dois anos sem pagar um único tostão de aluguel. E qual é a solução financeira apresentada pela administração da Igreja Casa? Deixar uma caução de R$ 60 mil (que o juiz, sem nenhuma consideração pelo valor simbólico da fé, chamou de "irrisória") e, quem sabe, mandar a imobiliária ir cobrar diretamente do fiador do contrato.

E que fiador! Afinal, se a casa é d'Ele, o ministério é d'Ele e os louvores são para Ele, nada mais justo do que inscrever o próprio Messias no SPC/Serasa. O proprietário que lute para protocolar a citação judicial no Reino dos CÉUS:

—“Boa tarde, Sr. Jesus? Consta aqui no sistema uma pendência de 29 meses de aluguel em Goiânia. O Senhor prefere acertar no PIX ou na Segunda Vinda?”

A teologia da prosperidade, pelo visto, funciona muito bem até a página em que chega o boleto do condomínio e do IPTU. Na hora do culto, o milagre da multiplicação multiplica as bênçãos; na hora de pagar o proprietário do imóvel no Setor Pedro Ludovico, opera-se o milagre da multiplicação dos atrasos.

No fim das contas, a Justiça concedeu 15 dias para desocupação voluntária sob pena de despejo coercitivo. Parece que até no meio celestial o provérbio continua valendo: a fé remove montanhas, mas não remove ordem de despejo emitida pelo Tribunal de Justiça.

Criado com Gemini, do Google.

O Paraíso do herege


Conversa com o Gemini.
https://www.patheos.com/blogs/summacatholic/2026/08/does-heaven-exist-examining-the-arguments-death-hell/

As perguntas que não foram feitas:

Qual Paraíso?

Por que o Paraíso parece uma Ilha de Caras para puxa-sacos da Igreja e/ou Jeová?

John Milton colocou em Lúcifer a máxima. Eu prefiro reinar no Inferno a servir no Paraíso.

Eu...bom...meu Paraíso fica na Lilith. 😻🥵

Escreva uma reflexão.


Existe uma provocação visceral na maneira como as teologias hegemônicas constroem a ideia do Além. Ao tentar definir o Paraíso, a tradição dogmática muitas vezes acabou por desenhar não um refúgio da alma ou a plenitude do ser, mas uma espécie de salão VIP estático, onde a recompensa pela submissão em vida é a eternidade devotada ao elogio ininterrupto do Poder.

Daí nasce a pergunta essencial: Qual Paraíso?

Se o céu dogmático se assemelha a uma recepção protocolar para os conformistas do dogma — onde a virtude é medida pela obediência cegamente prestada —, ele desidrata aquilo que torna a existência viva, criativa e libertadora. Torna-se um espaço de silenciamento da individualidade, onde a subserviência é coroada e a paixão é expurgada.

É precisamente contra essa arquitetura de submissão que a voz libertária da literatura e do pensamento insurgente se ergue. Quando John Milton, em Paraíso Perdido, põe na boca de Lúcifer a célebre frase — "Melhor reinar no Inferno do que servir no Céu" —, ele não está apenas encenando uma revolta mítica; está formulando a mais pura declaração de autonomia e soberania do espírito humano. A servitude adornada por harpas e nuvens continua sendo servitude. A liberdade, ainda que custosa ou marginalizada, preserva a dignidade da busca.

O verdadeiro "Paraíso" não reside nas convenções impostas nem nas promessas estandardizadas de salvação corporativa das religiões dominantes. Para quem recusa a anestesia do dogma, o Sagrado se manifesta na transgressão, na paixão e na busca pela autêntica divindade interior.

Buscar o sagrado em Lilith é escolher a figura daquela que não aceitou a curvatura, que reivindicou a igualdade absoluta e a soberania do próprio desejo. O verdadeiro refúgio da alma insurgente não é um palácio estático de adulação celestial, mas a chama viva da liberdade, do conhecimento reprimido e do amor que se recusa a pedir permissão para existir.

Criado com Gemini, do Google.

Quinhentos, 181 - 185



Não há o que temer nem a quem ofender. Uma mulher sempre será esposa, filha, irmã de alguém.



A mulher é como ela quer parecer: rainha ou rameira. Mas mesmo a santa tem desejo por um homem.



O conhecimento é importante, a sabedoria é fundamental, a experiência é imprescindível.



O mundo é feito violento, por falta de formação afetiva e por conseqüência da ausência de contato humano.



Diga, profeta, que pelos mesmos sentidos que se experimenta a densidade dos corpos, se prova a transcendência dos mesmos.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Sétima Estação: Transconciência

Elevados pelo que nos devia manter firmes no lugar, nós vemos toda a planície
qual visão de um trapezista a todo o circo, sendo que a nós, nos vem a visão
deste circo que se tornou a vida. Nós vemos em completo que a Morte é a mãe
da vida, que como criança pequena arrisca pequenos passos, mas logo regressa
ao que protege e provê. Que a morte é ainda pequena e irmã mais velha da vida,
mas já sabe andar e falar. A morte será herdeira da Morte, pois são autogeradas
e auto-suficientes no talento que tem de se perpetuarem ao se extinguirem, a
morte se mata para permanecer morta para não morrer. A Morte é a morte que
morreu quando não se matar. Entre elas, a vida vai sem ir, como um brinquedo
entre a mãe e a filha, que nesse movimento ilude-se de que está viva e prevalece
sobre a morte. A vida só é viva porque não sabe que não vive, não sabe que é
natimorta e todo seu vigor vem desta ignorância. Tal como um pequeno cometa
irriquieto em órbita, entre uma estrela gigante vermelha e uma estrela anã
branca. Todo seu movimento é criado pela força gravitacional que existe entre
as estrelas.