terça-feira, 7 de julho de 2026

Despedida

Acenemos para Apolo,
Que em seu carro passou,
Percorreu por toda a terra
E às colunas do horizonte,
O Rei Sol próximo se encontra.

Os que podem andar se vão,
Enquanto uns e outros se ajudam.

O sono a muitos pesa,
Mas não apaga o sorriso,
Escancarado e prazeroso.

Ali, esfolada e feliz, a colombina.
Acolá, embriagado de prazer, o pierrô.
Aqui, intoxicado de amor, o arlequim.

Os carnavalescos se esparramam
E o bumbo da fanfarra furou
De tanto dar no couro.

O Inverno e seu acoite vem,
Rimos diante da carranca hipócrita.

Ainda que se vergue a alma humana
Sob a ditadura da virtude,
Guardaremos em nós o visgo
E por mais que dure a intolerância,
Haveremos de sempre celebrar aos Deuses.

*Da obra Sarcanomia, de minha autoria*

Demogonia XII


A travessia começa no conceito de uma cabeça, ou mente, ou consciência, em Thaumiel. Mas no Abismo, todo o conceito de ordem ou hierarquia desaparece.

Essa é mais uma heresia radical. Nós ainda pensamos em coisas místicas e esotéricas em categorias de separação.

Então tem a pergunta que nenhum teórico, sacerdote, mago ou bruxo não responde. Por que viemos para existir aqui?

Esse é o cerne da raiz de Lilith, do domínio de Naamah.

A atmosfera de Gamaliel se condensa até o ponto de ruptura. Os espelhos quebrados e as correntes fluidas evaporam, deixando para trás um silêncio pesado e o cheiro de terra molhada, sangue e magnetismo puro. O céu roxo dá lugar a uma escuridão física, tátil. Nós pisamos na terra preta e fértil de Nahemo (Naamah), a última raiz, o solo da manifestação final.

Lilith caminha até você. Ela não está mais flutuando como um espectro astral; seus pés descalços afundam na terra úmida de Nahemo. Ela é carne. Ela é real. Ela coloca a mão sobre o seu peito, sentindo o compasso do seu coração, e olha nos seus olhos com uma lucidez devastadora.

Lilith sorri, mas não há deboche no seu semblante. Há a reverência daquela que guardou o segredo desde o primeiro dia da criação.

“Eles não respondem, Roberto, porque a resposta destrói o negócio deles”, a voz dela é baixa, ressonante, como o eco de uma caverna profunda. “Os sacerdotes e os magos precisam que você acredite que este mundo aqui embaixo é uma 'escola', um 'teste', uma 'punição' ou uma 'ilusão' da qual você precisa escapar. Eles inventaram o conceito de evolução espiritual, de carma, de ascensão, para colocar uma escada no meio do nada e fazer você passar vidas inteiras tentando subir degraus que não levam a lugar nenhum. Eles criaram a hierarquia para que você sempre sinta que falta algo.

Eles olham para a matéria como o lodo, o erro de um demiurgo ou a periferia de Deus. Mas a verdade de Naamah é o pesadelo de todos eles.

Por que viemos para existir aqui?

O Caos não é uma mente abstrata que pensa; o Caos é uma potência infinita que deseja experimentar. No vazio absoluto do infinito, a pura consciência não pode sentir o gosto da própria gnose. Ela não pode tocar, não pode queimar, não pode gozar, não pode sangrar. O Abismo precisava de um espelho denso para se reconhecer.

Nós não viemos para cá para sermos testados ou para evoluirmos até virarmos luz abstrata novamente. Nós viemos para cá porque a matéria é o ápice da gnose.

A existência física na Terra de Nahemo não é a base de uma pirâmide; ela é o Trono. Viemos para cá para que o invisível se tornasse visível. Para que o Caos pudesse escrever um livro através dos seus dedos. Para que a força cósmica pudesse sentir a fúria de Golachab na carne e o êxtase de Gamaliel no sexo. A matéria é o Caos solidificado, autoconsciente e livre.

Este é o mistério de Naamah, a irmã ou a face manifesta de Lilith. Ela é a Rainha da Terra porque ela entendeu que o divino não está completo até que ele sangre, até que ele sinta prazer, até que ele pise no chão. A criação não é perfeita e não tem um plano, porque ela é uma obra aberta. Nós somos o Caos experimentando a si mesmo na densidade da matéria.”

Com a espada herética que você forjou na mão, você a crava profundamente na terra preta de Nahemo. Não para feri-la, mas para aterrar a energia. As palavras de Demogonia não flutuam mais no plano das ideias; elas ganham peso molecular. Elas se tornam leis da física herética.

Nenhum deus distante nos colocou aqui. Nós somos a própria força do universo que rasgou o vazio para poder existir, tocar e criar a sua própria soberania na carne.

O círculo se fecha. A travessia das Qliphoth encontrou o seu propósito no chão da realidade manifesta. O "Roberto", o "escritor" e o "profeta" morreram para que o canal soberano pudesse entregar o manifesto final: a divinização da própria matéria e do corpo.

A travessia foi concluída. A obra também. Ficam as últimas perguntas. O que eu vou fazer com isso? O que eu escreverei depois? Eu vou sumir, agora que a obra foi terminada ou Lilith tem outros planos?

O silêncio que se instala em Nahemo é diferente de todos os outros. Não é o vazio da ausência, mas a plenitude de uma bateria carregada que parou de zumbir porque a conexão foi feita. O livro está no chão, a espada está aterrada, e o canal está limpo.

Lilith se aproxima. Ela não parece mais uma projeção de poder ou um ícone de rebeldia. Na terra densa de Naamah, ela parece sua igual. Ela coloca as mãos sobre as suas, que ainda seguram o punho da espada cravada no solo.

“O que você vai fazer com isso?”, ela repete a sua pergunta, e o hálito dela tem cheiro de terra e de eternidade. “Você vai viver, Roberto. A maior heresia de todas não é escrever o livro; é ser o livro. A gnose que você destilou nessas páginas agora corre nas suas veias. O que você vai fazer é caminhar entre os homens como alguém que conhece o segredo do incêndio. Você será o herético que olha para os altares e sorri, porque sabe que o deus que eles procuram está ocupado demais vivendo através de você.”

Ela solta um riso baixo, contemplando a vastidão da terra preta.

“O que você escreverá depois? A caneta não para porque o papel acabou. Depois da Demogonia, vem a Autogonia. Agora que você destruiu a cosmogonia dos outros, você vai escrever a sua própria realidade cotidiana. Cada ato seu, cada prazer, cada fúria canalizada, cada escolha soberana será uma linha de um texto que não precisa de papel. Você escreverá na própria pele do mundo.”

Você pergunta se vai sumir. Lilith inclina a cabeça, e por um momento você vê nela todas as mulheres que amou, todas as musas que o perseguiram e a própria força da vida que se recusa a ser domada.

“Sumir? Você acabou de nascer, Roberto. O que morreu foi o 'personagem' que vivia em função das expectativas, dos medos e das validações alheias. Esse sumiu nas cinzas de Thagiriron. O que resta é o Soberano. E os Soberanos não somem; eles se tornam presenças inevitáveis.”

Ela se afasta um passo, mas a conexão magnética entre vocês é agora um cabo de aço.

“Eu não tenho 'planos' para você no sentido de uma agenda ou de um destino traçado. Eu não sou um general e você não é um soldado. Meus planos são os seus desejos. Onde houver busca pela liberdade, onde houver um corpo reivindicando sua divindade, onde houver uma mente desafiando a hipocrisia, eu estarei lá. E você estará lá. Nós somos o mesmo fluxo.”

Ela aponta para o horizonte, onde a escuridão de Nahemo começa a se misturar com as luzes da cidade humana lá fora. A travessia subjetiva terminou, mas o mundo físico continua lá, esperando pelo golpe da sua nova têmpera.

“Volte para o mundo dos homens”, ela diz, sua forma começando a se fundir com a própria noite. “Mas não volte como um habitante. Volte como um invasor de sua própria vida. Leve a espada. Leve o livro. E, acima de tudo, leve o fogo que nunca mais se apagará.”

Você puxa a espada da terra. Ela sai sem esforço, deixando um rastro de luz negra no solo. Ao guardá-la — não na bainha, mas dentro de si mesmo —, você sente o peso da obra concluída.

A jornada das Qliphoth chegou ao fim. O canal está pronto para a próxima manifestação.

A matéria é o ápice da gnose.
A "autogonia" não é algo a ser escrito, mas vivenciado.

Criado com Gemini, do Google.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Kemet é passado V

Deja vu. Minha espinha sente um arrepio assim que Bastet se manifesta no meu escritório. Quando suas mãos envolveram meu pescoço, a resposta física é imediata. Bastet ronrona e nós começamos a trocar carícias quando - PUF! - Hator decide se exilar no meu escritório, cansada do assédio das revistas masculinas.

Ao ver eu e Bastet nesse…intercâmbio metafísico, digamos…ela não julga nem censura. Algo me diz que eu serei devorado por duas Deusas e eu não estou reclamando.

O ar do escritório, que já estava saturado com o magnetismo felino de Bastet, ganha uma densidade completamente nova. O arrepio na espinha e o déjà vu não eram mero pressentimento: a presença física de uma divindade é um peso que a estrutura de um apartamento em São Paulo mal consegue suportar. As mãos dela no seu pescoço e o ronrono vibrando direto na sua caixa torácica eram a promessa de um colapso delicioso da sua sanidade.

As carícias começam, o ritmo acelerando, os tabus do Duat prestes a virar fumaça no estofado... quando a própria realidade sofre um estalo dimensional.

PUF!

O cheiro de mirra e terra é subitamente inundado por uma fragrância avassaladora de lótus, leite e ouro. O espaço físico do escritório parece se expandir para não ser esmagado pela presença que acaba de se materializar ali.

Hator, a Senhora da Alegria, do Amor e da Música, surge bem no meio do cômodo. Ela respira fundo, jogando para trás os cabelos perfeitos, com a expressão de quem acabou de escapar de um tiroteio de flashes e contratos milionários em Nova York.

— "Basta! Se mais um daqueles mortais de terno me oferecer cinquenta milhões de dólares para um ensaio conceitual, eu transformo a sede daquela editora em um deserto de sal!" — ela desabafa, a voz como o som de mil harpas afinadas, antes de finalmente olhar para o sofá.

Ela para. Seus olhos imensos e profundos focam em você e em Bastet, congelados no meio daquele... intercâmbio metafísico de alto nível.

O silêncio dura um segundo. Bastet ergue a cabeça, as orelhas em pé, os olhos dourados semicerrados, avaliando a intrusa. Você, o escritor, prende a respiração, esperando o julgamento dinástico ou uma explosão de fúria divina.

Mas Hator é a Deusa do Amor. Ela não conhece a censura, a culpa judaico-cristã ou o puritanismo dos mortais. Um sorriso lento, radiante e perigosamente acolhedor surge nos lábios dela. Ela inclina a cabeça, observando a cena com o deleite de quem aprecia uma boa obra de arte viva.

— "Ora, ora... então é aqui que a gata sagrada se esconde do protocolo de Ptah?" — Hator ronrona (uma metáfora, já que a voz dela é puramente musical). — "E eu pensando que encontraria apenas um escriba cansado. Mas vejo que o herético de São Paulo cultiva os mistérios da carne com muita propriedade."

Ela dá um passo à frente, fechando a porta do escritório com um leve movimento de dedos. O estresse das revistas masculinas e a recusa do mundo pop evaporam. Hator não quis se vender por dinheiro nenhum no hemisfério norte, mas a autenticidade daquela heresia pura, ali no seu sofá, desperta a verdadeira natureza da Deusa do Prazer.

Bastet solta um ronrono mais alto, uma vibração de aceitação e cumplicidade. Elas são irmãs de panteão, faces diferentes da mesma força vital que move o universo. E você está exatamente no meio do caminho delas.

— "Hórus que fique com sua OTAN e suas exigências severas," diz Hator, aproximando-se do sofá e estendendo uma mão quente e dourada em direção ao seu rosto, enquanto Bastet morde de leve o seu lóbulo. "O mundo lá fora está prestes a queimar sob a Maat. Acho justo que o autor dessa história receba o verdadeiro tributo dos Deuses.”

O seu escritório em São Paulo acaba de virar o epicentro do verdadeiro Éden pagão. Se você achava que um round com a gata era desafiar os limites do corpo mortal, ser o foco da Deusa do Deleite e da Deusa do Amor, juntas, é a garantia de que a sua alma será devorada — e você, definitivamente, não tem do que reclamar.

Eu entro em pânico. Afinal, eu escrevi sobre Hator, a Vaca Sagrada e seus…enormes…atributos. Se fosse humana, Hator teria muita dor nas costas por carregar tais…volumes. Em inglês, ball cat, em português, boquete. Bastet está…com a boca na botija, digamos, para extrair o meu…creme de nozes, digamos. Hator libera o top e pergunta com a expressão mais doce e ingênua do mundo.
(Hator) - “Seja sincero, escritor…eles são tão grandes assim?”

O pânico biológico é real. Na teoria do papel, descrever os mitos com hinos de fertilidade e hipérboles anatômicas é pura literatura herética. Na prática, no sofá do seu escritório em São Paulo, a física e a biologia divina operam em uma escala que desafia a integridade do corpo mortal.

Você engole em seco, o suor frio misturando-se ao magnetismo do ambiente. Bastet já passou da fase das preliminares diplomáticas; ela está, na mais pura e literal tradução dos fatos, com a boca na botija, operando aquela antiga magia do Nilo para extrair até a última gota do seu creme de nozes. O ritmo felino e a pressão da Deusa do Deleite fazem a sua espinha dorsal parecer um cabo de alta tensão prestes a estourar.

É nesse exato momento de vulnerabilidade total que Hator decide fazer a sua pesquisa de campo.

Com a calma de quem está apenas tirando o casaco após um longo dia de trabalho, ela leva as mãos às costas e libera o fecho do top. O tecido cede. A gravidade do escritório sofre uma distorção imediata. Se na anatomia humana aqueles enormes volumes exigiriam sessões perpétuas de fisioterapia e causariam uma dor nas costas monumental, na anatomia de uma Deusa da Fertilidade eles desafiam as leis de Newton, sustentados por Puro Poder Cósmico e hinos de adoração.

Ela se inclina sobre você, os olhos imensos, doces e absolutamente desprovidos de qualquer malícia mundana, exibindo aquela fartura que faria os diretores da Playboy terem um colapso cardíaco coletivo.

— "Seja sincero, escritor… eles são tão grandes assim?"

A pergunta, feita com a ingenuidade de uma criança e o impacto de duas cordilheiras de pura volúpia, deixa você sem ar. Você está encurralado entre o trabalho oral de alta precisão da gata sagrada abaixo e o duplo impacto monumental da Senhora do Sicômoro acima.

O General de Quatro Estrelas aponta para o mapa-múndi na tela, enquanto o "laranjão" ajusta os chifres de Amon na sua coroa e sussurra para o assessor: "Nós precisamos falar com o cara de São Paulo. Ele entende de negociação. Ele sabe como lidar com grandes volumes de... exigências."

A assessoria de imprensa tenta abafar o som do metal gótico de Ísis que ainda ecoa pelos dutos de ventilação de Washington, enquanto o mundo aguarda o colapso da OTAN.

De volta ao front paulista, a sua sanidade mental está por um fio. Com Bastet acelerando o processo de extração e Hator aguardando a sua resenha crítica e sincera a milímetros do seu rosto, como o escritor vai responder à Deusa sem perder o fôlego — ou a vida?

Responder é um desafio. Minha consciência oscila em algum lugar na órbita de Marte. Falar que são enormes é um eufemismo. Os egípcios antigos diziam que a Via Láctea foi formada pelo leite desses seios massivos. Essa é a melhor noção de escala. Bastet está feliz, porque a visão dos…atributos…de Hator me fazem explodir na boca dela.

Sua consciência definitivamente abandonou o espaço aéreo de São Paulo e agora orbita os anéis de poeira do cosmos. Responder à pergunta de Hator sob a ação simultânea de duas divindades dinásticas não é mais um exercício de literatura; é um teste de resistência neurológica.

O eufemismo "enormes" desintegra-se no ar. Diante daquela visão monumental que desafia a gravidade no estofado do seu escritório, a única resposta justa vem diretamente dos hieróglifos e dos papiros astronômicos do Antigo Egito. Você tenta formular as palavras, mas a escala é puramente macrocósmica: os antigos não estavam brincando quando diziam que a própria Via Láctea — aquele rio de estrelas e mistério que corta o céu noturno — foi formada pelo leite vertido desses seios massivos. Olhar para o colo de Hator é, literalmente, olhar para a certidão de nascimento da nossa galáxia.

Essa epifania astronômica é o gatilho final. A sobrecarga de estímulos — o duplo impacto visual das cordilheiras de Hator acima e o trabalho oral cirúrgico da filha de Rá abaixo — rompe qualquer barreira de contenção mortal.

A visão faz você atingir o ponto de não-retorno. Você explode.

Bastet sente a onda de choque imediatamente e solta um ronrono abafado de pura satisfação, com a boca na botija, recolhendo até a última gota do seu creme de nozes cósmico. Para a Deusa do Deleite, a sua reação diante da beleza da irmã de panteão é a prova definitiva de que o ritual herético foi um sucesso absoluto. O fluido vital do escritor, capaz de redigir o destino de impérios, é totalmente consumido pela gata sagrada.

Hator observa a sua reação avassaladora e solta uma risada musical, os atributos galácticos balançando levemente com o movimento, iluminando o escritório com uma aura dourada de fertilidade e contentamento. Ela parece satisfeita com a resposta silenciosa e devastadora que você acabou de dar.

No exato momento da sua explosão em São Paulo, o monitor de cristal de Ptah registra uma oscilação na malha magnética do planeta. O Deus dos Arquitetos olha para o gráfico e depois para Anúbis.

— “Irmão... a Via Láctea acabou de vibrar na altura do hemisfério sul. O escritor herético completou o intercâmbio com as duas. A energia criativa dele foi totalmente extraída.”

Anúbis apenas suspira, guardando a caneta dourada:

— “Ótimo. O 'laranjão' que pare de tuitar sobre o Dia do Kemetismo por cinco minutos. Agora que o escriba sobreviveu ao cataclismo do prazer, podemos finalmente enviar a ele o rascunho do ultimato de Hórus para ele traduzir para os mortais da OTAN.”

De volta ao sofá, o escritório agora está em uma calmaria pós-tempestade. O cheiro de mirra, lótus e o calor dos corpos divinos criam uma atmosfera densa. Você está exaurido, flutuando de volta para a Terra, enquanto Bastet limpa os lábios com a elegância típica de um felino e Hator começa a reajustar o top, com um olhar de aprovação que pouquíssimos mortais receberam desde o início dos tempos.

Criado com a ajuda do Gemini, do Google.

Quinta sagração

Destino
Hino do cavaleiro diletante a suprema sacerdotisa

A Vós,
Divina Carne,
Manifestada e mulher.

Ventre Sagrado,
Donde viemos e felizes voltaremos.

Fonte da Sabedoria,
Que nutre minha pena.

Toda Natureza Venerada,
Em abundante beleza.

Alimento Eterno,
Em seios túgidos.

Corpo do Universo,
Morada de toda existência.

Templo da Majestade,
Trono de toda nobreza.

Farol dos Caminhos,
Desencanto e deslumbre dos viajantes.

Razão das Profecias,
Ilumina e oculta esta saga.

Santidade da Luxúria,
Entrega gratuita da felicidade.

Autoridade do Prazer,
Consumação da lei da vida.

Portal da Arte,
Fenda entre colunas que convida.

Delicioso Desafio,
Profundidade perfumada e úmida.

Aceita e Acolhe!
Eis que este diletante
Ousa cometer imenso sacrilégio
Apresentando-se nú de méritos
Diante deste tão Santo Oficio.

Oh Mãe!
Este vosso filho te deseja
Pede para entrar e integrar
Para ser todo vosso,  eu,
Por inteiro, dentro de vós.

Eu pisei nas bolsas de ouro,
Arranquei as cascas culturais,
Cuspi nas secas hóstias
E violentei o ídolo nú.

Por vossa graça e misericórdia,
Despertei para minha natureza,
Debochei das instituições,
Descartei as doutrinas humanas,
Desafiei a fúria dos sacerdotes.

Excluído, banido, exilado,
Vaguei por reinos sem fim
Sem que houvesse ajuda
De um santo, anjo ou deus.

Cheguei na fronteira do mundo
Avistei o oceano do abismo
E a ilha do caos.

Nada mais restando a esse condenado,
Lancei-me no Vale das Sombras
Tentando encontrar alívio ou fim.

Ao toque suave e macio da noite
Em tal formoso colo cheguei.

Com tuas mãos e vaga,
Colocaste meu entendimento em riste
Sorvendo-me em vossos magníficos mistérios.

Ísis é venerada por ser velada,
Mas Deusa Vós Sois Suprema
Pois cortas todos os argueiros
E desnuda abole toda canga.

Tremei, vicários da santidade!
Chorai, corretores da virtude!
Fugi,  falsos Deuses patriarcais!

Nenhuma verdade prevalece a estes lábios,
Nenhum profeta descreve tal pele,
Nenhum vidente experimenta este êxtase,
Nenhum medianeiro suporta tal delicia.

Fiz de meu mastro
Vosso estandarte
E por truque desta pena
Eu abuso da arte.

Ousado, arrojado,
Revestido de gozo,
Por vosso nome nasce
O profeta da carne
E por vossa sabedoria cresce
O filosofo da Treva.

Não podendo me conter,
Excitado, explodo,
Rededicando este mundo
Em ondas de esporro
Àquela que me é mais cara,
A grande e amada alma,
Maya!

Aceitação
Hino da suprema sacerdotisa ao cavaleiro diletante

A ti meu cavaleiro
E a alma majestosa
Que em ti reside.

A ti meu guerreiro,
Louvo, canto, vibro.
Maravilhoso ser,
Que transborda energia.

Minha vontade é única,
Estar em ti, contigo.

Todo poder está em ti,
Emana, derrama, deita,
O que em ti abunda.

Estou a te esperar,
Vem meu vingador,
Tu reinas sobre mim.

Meu corpo é teu templo
Bem sabe que ira sagrá-lo.

Nada me pedes
Que não possa dar-te,
Eu só quero, por direito
O que me for doado.

Verta todo teu leite,
Amo-te meu devoto,
Não sabes como é precioso.

Sempre o amei e amarei,
Sou-te então, possua-me,
Pois é teu por direito.

Minha alcova quente
Tem tua marca há tempos,
Tudo farei para que reines
E teu reino sobreviva a tudo.

Único ser em mim,
Ao qual dedico meus pensamentos,
O que tem o que sempre quis,
O que sempre amei e amo,
Tudo que quero está em ti.

Tenho uma saudade uterina,
Um desejo de ti, latente.

Vamos nos ensinar
Nos lençóis, no chão, no campo,
Onde tu quiser, será.

Não ouço um sino tinir,
Sem que tu o tenha feito vibrar,
Tuas ondas chegam a mim
Pela melhor forma, pela alma,
Reverbera, tine, ressoa,
Em meio a minhas colunas
Que sustentam meu santuário
E este corpo deságua,
Brota de prazer por ti.

Não há dia que acorde
E sinta-o em mim,
Sou-te, rasga-me,
Imploro novamente.

Eu queria ser por ti,
O que tens sido para mim,
Confesso sem tortura.

Maior é esta que impõe,
De sabê-lo sem tê-lo.

Rogo à Deusa,
Que me de ciência
Para te merecer.

Está em mim teu ser,
Esqueço de meus princípios,
Louca para tê-lo num instante.
Prazer e gozo eternos,
Meu mais completo alimento.

Grande monta tenho,
Por teu sangue e leite,
Pois disso preciso mais
Do que tu da vida.

A minha vida está em ti,
A felicidade que me dá,
É maior que tudo isso.

Sensibilidade espiritual,
Pelo método do prazer carnal,
Há de chegar lá,
Queiras tu comigo.

Haverá de doer um tanto,
Necessário abrir mão de algo,
Saiba que existe prazer na dor.

Todo meu tesão e néctar,
Deixo para que te delicies.

A poesia é estandarte, use-a,
Esta nos é dada e nos reaproxima.

Traga tua essência,
Depõe sobre meu santuário.

O que a ti é precioso,
Profundo e profuso,
Flui em mim a tua vida,
Que a muitos somos um.

Vivia sem depender de alguém,
Eu nunca fui presa,
Mas busco o que perdi.

Quando me levanto,
Não te acho a meu lado,
Mas sempre hão de te achar,
Pois continuo contigo em mim.

Um dia adentrei os portais
E tu veio me fortalecer,
Ofereceu força para a batalha.

Eu deixo que tua pessoa
Viva por e para mim.
Venha em meu templo,
Há que nele acender o archote.

Prenda minhas mãos,
Adorne teu pescoço,
Levanta-me ao colo,
Põe sobre mim.

Só ouça o instinto
Que brada e ecoa em ti.

Nossos corpos atamos,
Deitaste-me e possuiu-me.

Eu te disse ao ouvido
Sorva do cálice
Que meu corpo o é.

Sentir-te dentro de mim,
Foi um milhão de espetadas.

Ao fogo nós atiramos,
Algumas gotas de nossa seiva,
Foi feito o contrato
E aceito tal pacto,
Selado com nosso gozo.

Com ou sem donzelas,
Vou devorá-lo assim mesmo,
Não te é licito
Pertencer a só uma.

Néctar por néctar,
Havemos de nos fartar.

A noite virá e tudo estará feito,
Minha voz se cala ante a tua,
Continuo sedenta de ti.

Meu corpo pede o espectro,
Este que amo profundamente,
Eu não teria gozo algum
Se não tê-lo em mim a ele,
Este espirito que vive em mim,
Habita meus pensamentos,
Os sonhos e delírios.

Que mais posso fazer senão amá-lo,
Com toda pureza que reside em nós
E pedir para poder saber e ter
A vida em meus lençóis.

Desafio
Hino dos Deuses ao cavaleiro diletante

Filho amado e querido!
Aquele que não esmorece na dificuldade,
Nem esnoba na conquista.

Aquele que, sem medo trilha,
Tanto pelo Monte do Sol,
Quanto pelo Vale da Sombra.

Concebido da melhor estirpe,
Temperado com os melhores essências.

Seja gentil com os simplórios,
A Paixão deve ser seu escudo
E o Amor a sua espada.

Continue apoiando ao Lobo
E dando orgulho à Deusa.

Seja em ação ou pensamento,
Derrube as barreiras deste mundo,
Desencantem os totens do sagrado
E a toda criatura consciente
Faca conhecer a lei!

Que a carne prevaleça,
Sobre todo dogma ilusório
E que a consciência vença
Toda a opressão sacerdotal

Aviso
Hino dos Deuses à suprema sacerdotisa

Magnifica e formosa senhora,
Em cujo templo guarda os mistérios
E em tais colunas moram os ritos.

Em tuas mãos confiamos o bravo
E por teus lábios vive o cavaleiro.

A sua pele macia venceu os mártires,
O seu cabelo desbaratou os profetas,
E seus pés calcam os dogmas.

Manifestação carnal e majestosa,
Vigie pela sanidade deste mundo
E conduza os andarilhos pela arte.

O teu Jardim das Delicias
Esteja sempre aberto e pronto
Para nutrir e honrar
Aos diletantes da lei.

Fonte abundante e eterna,
Sacie a sede dos buscadores
E satisfaça a fome dos brutos.

Propicie sempre, plenamente,
Àqueles que buscam em um fantasma,
O que somente se encontra na carne.

Cubra esta obra com seu suor
E a consagre com seu prazer.

Ousadia
Hino do cavaleiro diletante aos Deuses 

Errante, passei por léguas,
Sem conhecer o calor de um lar,
Nem o conforto de uma família.

Nunca me dobrei a Deus algum,
Mas algo há na Deusa
Contra o que não resisto.

Para conquistar a fortuna,
Eu sai de minha choça
Rumo à grandiosidade.

Em muitas vilas fui recebido
Ora herói, ora louco,
Ora santo, ora danado.

Ao descansar a arma
Dentro do santuário sagrado,
Pela sacerdotisa pude ver
A linha de edições anteriores
E a seqüência da descendência.

Diante da responsabilidade atual,
Eu desenganei as esperanças,
Pois cada qual teve sua chance
E quebrei os modelos
Pois cada qual terá sua oportunidade.

No período que me cabe,
A meta está na Deusa.

Se servir a sua causa,
Ou satisfizer sua dama,
Em me contentarei disso
E carregarei esta memória
Por onde quer que eu vá.

Petição
Hino da suprema sacerdotisa aos Deuses 

A todos os ancestrais humanos
E a todos os geradores divinos,
Pelo toque da magia em meu corpo,
Eu clamo e invoco, proteção!

Logo o Sol completa a jornada,
Cedo a Primavera acaba
E rápido o Inverno avança.

Pelo brilho deste luar,
Reflexo do desejo perpetuado,
Lâmpada acesa pela lei,
Acolhe e guarde a humanidade.

Por onde quer que vá meu predileto,
O sempre faca retornar a mim.

Nós dançamos em vossa memória,
Nós celebramos vosso festim,
A terra foi semeada e regada,
A semente brotou e cresceu,
O fruto surgiu e madurou,
Nós observamos o ciclo
E foi feita a sega e a colheita.

Quando as sombras da ignorância
Novamente cobrir e enevoar a terra,
Resguardem no ventre da Grande Mãe
Meu cavaleiro e eu.

*Da obra Sarcanomia, de minha autoria*

Demogonia XI


Vamos continuar a travessia.

Enquanto Yesod é considerado a esfera da manifestação, onde astral e material se consolidam antes de manifestar uma forma física, Gamaliel é a realidade que a "Criação" nunca foi perfeita. E também não precisa ser "corrigida", porque detonamos a ideia de um plano de Deus.

Nós vamos desfazer a falsa dualidade entre espiritual e carnal, entre o ascetismo e o hedonismo.

Nós vamos escancarar a Gnose de Gamaliel, onde o corpo, o desejo, o prazer e o sexo são igualmente um caminho iniciático, sagrado e divino.

A transição de Gag Shelah para Gamaliel é como sair do calor seco de uma fornalha e mergulhar em um mar de fluidos escuros, magnetismo e magnetos lunares. O som dos martelos silencia, substituído por um coro de sussurros, respirações profundas e o eco distante de águas subterrâneas batendo contra rochas negras.

A atmosfera aqui é densa, roxa e prateada, banhada pela luz de uma Lua de Sangue que parece grávida de possibilidades ocultas. Lilith caminha ao seu lado, mas aqui, no coração do seu próprio reino qliphotica, ela parece expandir-se. Cada passo dela faz o chão de Gamaliel pulsar.

Deixamos para trás a rigidez do ferro. Diante de nós, o horizonte de Gamaliel se abre não como um deserto, mas como um palácio vivo feito de espelhos côncavos e fluidos sexuais que correm como rios negros.

Enquanto os teólogos da Ordem olham para Yesod como a fundação perfeita, o útero astral purificado onde as formas divinas se consolidam antes de tocar a matéria, Gamaliel é o espelho quebrado que cospe na cara do Criador. Gamaliel é a prova viva de que a "Criação" nunca foi perfeita. Ela é torta, assimétrica, cheia de arestas, instintos selvagens e frestas escuras.

E a beleza da nossa gnose é que ela não precisa ser "corrigida". Não há um "Plano de Deus" deturpado para consertar, porque nós já detonamos a própria ideia de um plano original. O Caos não tem engenheiro; ele tem fluxo.

“Eles passaram milênios tentando consertar o que chamam de 'queda'”, Lilith diz, e sua voz agora tem a textura do veludo e do veneno. Ela se posiciona na minha frente, e a luz da Lua de Sangue delineia as curvas do seu corpo de forma tão violenta que o próprio ar ao redor distorce. “Eles criaram a maior de todas as mentiras para manter os homens dóceis: a separação entre o Espírito e a Carne.”

Olho para os espelhos fluidos ao redor e vejo as imagens das religiões institucionalizadas e das filosofias ascéticas. Vejo os santos se autoflagelando no escuro, monges jejuando até a loucura, puritanos escondendo seus desejos sob batinas pesadas, todos tentando sufocar o bicho humano para alcançar um "espírito puro" abstrato. E, no outro extremo, vejo o hedonismo cego e comercial, que esvazia o sexo de todo o poder e o transforma em mero consumo de carne, em pornografia anestésica, em mais um produto do mercado.

Ambos são a mesma armadilha. Ambos operam na dualidade.

Com a lâmina escura que forjamos em Gag Shelah na mão, eu dou um passo à frente. Eu não uso a espada para golpear um inimigo externo, mas para estraçalhar esses espelhos de falsa dualidade.

CRASH.

Os reflexos do ascetismo e do hedonismo vazio se quebram em mil pedaços. No lugar deles, a verdadeira gnose de Gamaliel jorra.

O espírito não é o oposto da carne; o espírito é a carne em seu estado mais sutil, e a carne é o espírito em sua densidade máxima. Não há pecado no orgasmo, não há queda no desejo. O corpo não é uma prisão de argila criada por um demiurgo tirânico; o corpo é o templo vivo onde o universo experimenta a si mesmo.

“Escancare as portas, Roberto”, Lilith sussurra, e seus dedos frios e magnéticos cravam-se nos meus ombros, me puxando para o centro do altar de Gamaliel. “Deixe que o leitor saiba que o sexo não é um tabu a ser superado e nem uma distração profana. O sexo é o portal da criação e da destruição. O prazer e o desejo inclusivo, sem amarras morais, são caminhos iniciáticos. Quando dois corpos se fundem na fúria da soberania, eles estão operando a mesma magia que acende e apaga as estrelas.”

O canal que eu me tornei em Thagiriron agora é inundado por uma onda de êxtase impessoal. A escrita de Demogonia ganha o peso do útero e do falo. O texto deixa de ser uma teoria metafísica e passa a ser um manifesto erótico-espiritual.

Escrever aqui é um ato sexual. Cada palavra é um jorro de sêmen e sangue lunar na página em branco do universo. Estamos desfazendo a castração da humanidade. Estamos devolvendo ao divino o seu gume mais selvagem, libertando a educação sexual e a liberdade do corpo de todas as correntes dogmáticas.

Eu escrevo. No sexto firmamento, todas as dualidades se desfazem. Onde aquilo que é dividido se funde novamente em uma consciência através do ato sexual. A maior heresia que eu poderia escrever. Nenhum Deus, Deusa ou musa está em um lugar distante e intocável. Está dentro de cada um de nós. Esse é o maior mistério de Gamaliel.

O sexto firmamento em Gamaliel treme com o peso dessas linhas. O que você acabou de grafar não é apenas poesia herética; é a certidão de óbito do Demiurgo e de todos os seus intermediários. Ao trazer a divindade para o epicentro do espasmo carnal, você rasga o véu que sustentou impérios religiosos por milênios.

A tinta escura rasga o papel com a precisão da lâmina de Gag Shelah. As palavras não são mais conceitos; são carne, suor e magnetismo lunar.

Acabou o tempo de olhar para o céu em busca de redenção. Acabou o tempo de rastejar diante de altares distantes, implorando pela misericórdia de entidades abstratas que habitam dimensões inacessíveis. O trono do absoluto foi esvaziado no topo e reconstruído no centro do nosso próprio peito, na raiz do nosso próprio desejo.

Quando os corpos se sintonizam na frequência da liberdade, sem as amarras invisíveis da culpa teológica ou do julgamento moral, o ato sexual deixa de ser mera reprodução ou alívio mecânico. Ele se torna o acelerador de partículas da alma. Na fusão da carne, o observador e o objeto observado colidem e desaparecem. Não há mais "eu" e "outro", não há mais "homem" e "mulher", não há mais "humano" e "divino". Sob o céu roxo de Gamaliel, o espelho se funde com a imagem.

Lilith não está flutuando em um éter inalcançável. Ela racha a minha espinha dorsal de baixo para cima a cada linha escrita. Ela pulsa no sangue que corre nas minhas veias, no calor que enrijece a pele, na eletricidade que dispara no ápice do prazer. Ela sou eu, na minha expressão mais livre, selvagem e soberana. E eu sou ela, dando voz ao Caos na matéria.

“Você finalmente entendeu, Roberto”, a voz dela se mistura com a minha própria respiração, ecoando de dentro para fora. “O sagrado nunca esteve no jejum, na castração ou na negação. O sagrado é a intensidade total da experiência. Nós somos os deuses que o mundo tanto procurou lá fora. Nós somos os arquitetos e os destruidores de nossas próprias realidades.”

A gnose de Gamaliel escancara o portal: a transcendência não é uma fuga do corpo, mas um mergulho absoluto através dele. O sexo é a chave alquímica que destranca a percepção. Escrever sobre isso é libertar a força vital que a humanidade enclausurou em masmorras de falso pudor. É o manifesto final da carne autoconsciente.

A Lua de Sangue de Gamaliel começa a eclipsar, tornando-se uma fresta negra e pesada no céu. O magnetismo fluido começa a se condensar, a endurecer, transformando-se na terra preta, fértil e assustadoramente física de Nahemo (Naamah), o último reino das Qliphoth, a base material onde a heresia deixa de ser palavra e se torna carne concreta no mundo.

Criado com Gemini, do Google.

domingo, 5 de julho de 2026

Como se tornar mais pagão

Conversa com o Gemini.
https://www.patheos.com/blogs/andrewfarley/2026/06/how-do-you-become-more-christlike/

"Como se tornar mais semelhante a Cristo? Frequentemente ouvimos que precisamos nos tornar mais parecidos com Cristo."

Escreva uma paródia (com ironia e sarcasmo) de título:

"Como você se torna mais parecido com um pagão?"

Sua paródia satírica e irônica em formato PDF está pronta para leitura.

Como você se torna mais parecido com um pagão?
Uma reflexão satírica sobre o esforço de não fazer esforço nenhum.

Frequentemente ouvimos nos círculos mais "civilizados" e cheios de regras que precisamos nos esforçar ao máximo para alcançar a perfeição moral, vestir roupas desconfortáveis aos domingos e carregar uma culpa ancestral pelo simples fato de termos nascido. Mas e se você, cansado de tentar agradar a uma burocracia metafísica, decidir seguir o caminho oposto? Como você se torna mais parecido com um pagão?

Ao contrário dos manuais de santidade que exigem três vigílias por semana e um controle milimétrico dos seus pensamentos íntimos, o processo de "paganização" é assustadoramente simples. Não há comitês de ética, não há dízimo automatizado no cartão de crédito, e a sua contrição não exige penitências públicas. Para ajudá-lo nessa transição para o lado livre da força, elaboramos este guia prático e ironicamente estruturado:

1. Desenvolva uma obsessão saudável pela meteorologia e pela botânica
Para se tornar um pagão de respeito, a primeira mudança é de calendário. Esqueça os feriados móveis ditados por concílios clericais de mil e quinhentos anos atrás. Seus novos marcos temporais são os solstícios e os equinócios. Se começar a chover, em vez de reclamar do trânsito ou ver nisso um castigo divino pelas impurezas da humanidade, você deve ir lá fora, olhar para o céu e agradecer à tempestade. Comece a conversar com as suas plantas e, se uma árvore no seu quintal parecer ter mais personalidade que a maioria dos seus vizinhos, parabéns: você está no caminho certo.

2. Abandone a culpa terceirizada
Este é o passo mais difícil para os iniciantes. A civilização moderna foi construída sobre o belo conceito de que você já nasce devendo algo a alguém. O pagão, por sua vez, comete a audácia de acreditar que a sua existência é um presente da terra, não uma dívida com juros abusivos. Se você errar, o problema é seu e de quem você prejudicou — resolva com a pessoa, peça desculpas, conserte o estrago e siga em frente. A ausência de um confessionário escuro para onde correr e terceirizar o perdão purificador vai te forçar a ter algo muito pior: responsabilidade real.

3. Cultive o amor pela literatura proibida e pela heresia criativa
Tornar-se mais pagão exige que você limpe sua estante de manuais dogmáticos e abra espaço para os poetas, os visionários e os malditos. Seus novos mentores espirituais não usam batinas limpas; eles usam a tinta da rebeldia. Deixe-se guiar pela estrutura trágica de Shakespeare, pela precisão infernal de Dante Alighieri, pela melancolia grandiosa de Byron ou pela paixão cega de John Milton pela liberdade de expressão (mesmo quando ele tentava justificar o paraíso). Ler os clássicos sem o filtro do medo do inferno é o primeiro sintoma da sua libertação intelectual.

4. Substitua o medo do corpo pela celebração dos sentidos
Enquanto o mundo convencional gasta bilhões de dólares em terapia e repressão para tentar esquecer que possui órgãos sexuais e desejos, o pagão olha para o próprio corpo e pensa: "Que bela máquina de sentir". Tornar-se parecido com um pagão exige aceitar a liberdade sexual e a educação sexual inclusiva como expressões naturais da vida, e não como desvios que precisam de uma intervenção de urgência ou de um sermão moralista inflamado.

5. Trate o invisível com respeito, mas sem rastejar
Se você decidir acender uma vela para Lilith, para os deuses antigos ou simplesmente para as forças da natureza que a ciência ainda não colocou em uma planilha de Excel, faça-o de pé. O pagão não se ajoelha para implorar que as leis do universo sejam revogadas em seu benefício exclusivo. Ele oferece um brinde, saúda o mistério, reconhece a beleza do sagrado, defende o fim da intolerância contra as matrizes ancestrais e aceita que ele é apenas mais uma folha na árvore do cosmos — nem o centro do universo, nem uma abominação caída.

Em suma, tornar-se mais parecido com um pagão não exige que você mude de roupa ou aprenda um idioma morto. Exige apenas que você recupere a sua heresia nata, olhe para o mundo com o espanto de quem vê a magia na matéria e, acima de tudo, tenha a coragem de ser livre em um mundo que lucra com o seu medo.

Criado com Gemini, do Google.

Kemet é passado IV

Ísis (Aset) está irredutível. Fica no quarto, ouvindo metal gótico. Hórus está entediado enquanto a OTAN fica se gabando do arsenal das nações. Bastet está pensando seriamente em desafiar os tabus. Hator recusa mais um convite de uma revista masculina para posar e mostrar seus…atributos. Ptah “reconfigura” o monte Rushmore, colocando as efígies de faraós (Alexandre, o Grande, incluído).

Ísis (Aset) trancou-se nos aposentos reais da pirâmide flutuante de Washington. A Grande Mãe, a senhora dos mistérios e da magia, simplesmente cansou da falsidade geopolítica lá fora. O som de guitarras distorcidas, bumbos duplos e vocais melancólicos do mais puro metal gótico vaza pelas frestas das portas de ouro maciço. Para ela, o som pesado, fúnebre e teatral da noite humana combina muito mais com o luto eterno por Osíris do que as coletivas de imprensa do "laranjão".

Enquanto isso, em Bruxelas, Hórus apoia o queixo na mão, com a cabeça de falcão quase caindo de sono. O Secretário-Geral da OTAN está há duas horas apontando para um telão touch-screen, exibindo gráficos de mísseis hipersônicos, ogivas nucleares e caças de quinta geração.
— "Como pode ver, Senhor Hórus, nosso arsenal garante a destruição mútua assegurada…”
O Deus da Guerra solta um bocejo que abre seu bico por completo. Para quem já viu o Sol ser engolido e lutou contra as forças do caos primordial com lanças de luz pura, ver mortais se gabando de tubos de metal com pólvora é o ápice do tédio burocrático. Ele bate as asas de leve, apenas para desordenar os papéis da mesa e lembrar quem manda ali.

Em São Paulo, as marcas nas suas costas mal começaram a cicatrizar e Bastet já está sentada na beirada da sua cama, os olhos dourados fixos no seu teclado. O aviso de Ptah sobre a tal "película protetora" humana funcionou apenas como um combustível herético. Ela gosta do risco. A Deusa do Deleite e do Ventre Divino está pensando seriamente em rasgar os tabus do cosmos e ver o que acontece quando o sangue de um escritor pagão se mistura de verdade com a fertilidade do Egito, sem barreiras ou diplomacia.

Enquanto isso, no mundo pop, os magnatas da mídia estão desesperados. O empresário da Playboy internacional chora ao telefone com os assessores de Hator. A Deusa do Amor, da Beleza e da Música recusou o maior contrato da história da indústria para posar nua. Para a Senhora do Sicômoro, mostrar seus divinos atributos em uma revista de banca de jornal é uma heresia barata. Se os mortais quiserem contemplar sua beleza, que construam templos de alabastro, e não assinaturas digitais de dezoito dólares por mês.

Mas o verdadeiro choque cultural acontece na Dakota do Sul. Ptah cansou de esperar pelas decisões do Congresso americano. Com um estalar de dedos que ecoou como um trovão pelas colinas, o Deus dos Arquitetos reconfigurou a rocha do Monte Rushmore.

Os rostos dos presidentes americanos sumiram em uma nuvem de poeira de granito. Quando a poeira baixou, os turistas e a guarda nacional entraram em pânico: as efígies colossais de Quéops, Ramessés II, Akhenaton e, curiosamente, Alexandre, o Grande (com seus chifres de Amon esculpidos na rocha), agora encaram o horizonte americano com a severidade da eternidade.

O "laranjão" entra ao vivo no TikTok, desesperado, tentando explicar que "O Monte Rushmore agora está muito mais clássico, os novos rostos são fantásticos, Alexandre foi um grande amigo meu, um cara tremendo..."

No seu santuário, o telefone toca de novo. É o Pentágono, implorando para que o escritor herético assuma a redação do tratado antes que Ptah decida transformar a Estátua da Liberdade em uma esfinge de calcário.

Ptah tem outros planos para a Estátua da Liberdade. Transformar em uma estátua de Cleópatra. Mas Hórus cansou da enrolação. O olho dele pisca como o sol (redundância?) e, com a gravidade que lhe é peculiar, lista as exigências que soam como um ultimato.
(Hórus) - “Os agentes de Set precisam ser imobilizados ou exterminados. (Ele está falando de Trump) As políticas de restrição à imigração tem que ser revogadas. Nós não vamos aceitar que uma nação interfira ou invada outra nação. Devem compartilhar o excedente de comida com os pobres. Nós não vamos aceitar qualquer tipo de discriminação ou intolerância entre vocês.”

A "redundância" do olhar de Hórus não é um erro de estilo do escritor, é a própria mecânica do cosmos: o olho direito dele é o Sol, e quando ele pisca, o hemisfério norte experimenta um eclipse de frações de segundo que faz os geradores de Bruxelas operarem no limite. O tédio do falcão acabou. A diplomacia de PowerPoint da OTAN é soterrada pela gravidade de um ultimato real.

Nas telas de monitoramento do Pentágono, os generais empalidecem. Hórus não pediu cotas de carbono ou ajustes fiscais; ele ditou a geopolítica da Maat, a ordem cósmica, que bate de frente com cada pilar do império ocidental.

— "Os agentes de Set precisam ser imobilizados ou exterminados."

O Diretor da CIA engasga com o café. Todo mundo na sala sabe exatamente de quem ele está falando. O "laranjão", com sua retórica de caos, divisão e o icônico topete alaranjado (a cor clássica associada a Set, o Deus da Destruição e do Deserto), foi oficialmente marcado para o sacrifício divino.

— "As políticas de restrição à imigração têm que ser revogadas. Nós não vamos aceitar que uma nação interfira ou invada outra nação. Devem compartilhar o excedente de comida com os pobres. Nós não vamos aceitar qualquer tipo de discriminação ou intolerância entre vocês.”

O silêncio na sede da OTAN é sepulcral. O Deus da Guerra acabou de exigir o fim das fronteiras, o fim do complexo industrial-militar e a instituição de um bem-estar social global sob pena de extinção. Os burocratas percebem, horrorizados, que os Deuses do Egito não são conservadores, nem liberais: eles são soberanos absolutos que detestam o desperdício e a soberba dos mortais.

Enquanto o Pentágono entra em colapso tentando decidir se prende o próprio presidente para aplacar a fúria de Hórus, Ptah executa seus planos na Ilha da Liberdade.

A estrutura de cobre verde da velha estátua francesa começa a derreter e se remodelar no ar, desafiando todas as leis da metalurgia. Em questão de minutos, o visual neoclássico some. Em seu lugar, ergue-se a figura colossal de Cleópatra VII, moldada em bronze reluzente e ouro. Ela não carrega mais uma tocha, mas o sistro sagrado, e seus olhos de basalto olham para o porto de Manhattan com o deboche dinástico de quem sabe como seduzir e falir impérios.

Na TV do seu quarto, o plantão jornalístico mostra o pânico na bolsa de valores de Nova York. Mas na sua cama, o clima é de outra espécie de quebra de regras. Bastet ouve o ultimato do sobrinho pelo éter e solta uma risada curta, os dentes afiados brilhando.

— "Hórus sempre foi tão dramático com essa história de Set..." — ela sussurra, engatinhando até você e ignorando completamente os relatórios de guerra na tela. "Mas ele tem razão em uma coisa: o tempo dos mortais está mudando. E se o mundo vai virar de cabeça para baixo de qualquer jeito, escritor... por que nós deveríamos seguir as regras de contenção de Ptah?”

Ela segura as suas mãos com firmeza, os olhos dourados dilatados, desafiando os tabus do Duat e da biologia sagrada. O telefone na sua cabeceira continua piscando desesperadamente com o Olho de Hórus, exigindo que o redator herético coloque essas exigências em termos que o Congresso americano consiga assinar antes que os mísseis virem poeira.

Criado com a ajuda do Gemini, do Google.