segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O fim da ilusão

Conversa com o Gemini.

"Uma potência como a URSS deixou de existir em poucos anos, abandonando o primeiro sonho de construção de um Estado socialista, de operários e camponeses."

https://www.brasil247.com/blog/tudo-o-que-e-solido-desmancha-no-ar/

Nunca foi. Esse é o incômodo que muito colunista dito de esquerda não fala.

Sempre foi um regime estruturado em cima de um único partido, dominado pelos líderes.

Afinal, a própria teoria disse. Era inevitável. Uma questão de progresso, de evolução. O socialismo ocuparia o lugar do capitalismo. Não algo a ser imposto.

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


O “Sonho” que Esqueceu de Perguntar aos Sonhadores

“Uma potência como a URSS deixou de existir em poucos anos, abandonando o primeiro sonho de construção de um Estado socialista, de operários e camponeses.”

Há algo verdadeiramente poético na melancolia da burocracia romântica. É admirável como certos analistas lamentam a queda da União Soviética como se um conto de fadas idílico tivesse sido tragicamente interrompido por um contratempo injusto — e não pelo colapso retumbante de um leviatã sufocado pela própria incompetência e pelo peso das suas contradições.

Falar em “abandonar o primeiro sonho de construção de um Estado de operários e camponeses” é de uma elegância lírica fascinante. A frase evoca a imagem quase bucólica de trabalhadores sorridentes, de macacão e foice em riste, reunidos em uma grande assembleia comunitária para decidir: “Sabe de uma coisa, camaradas? Cansei desse negócio de paraíso dos trabalhadores. Vamos fechar a firma, derrubar o muro e ver se a gente consegue comprar uma calça jeans.”

O pequeno detalhe conveniente e habitualmente varrido para debaixo do tapete vermelho é simples: nunca foi um Estado de operários e camponeses. A não ser, é claro, que por “operários e camponeses” estejamos nos referindo à aristocracia vermelha do Comitê Central, aos burocratas encastelados na Nomenklatura e aos comissários que decidiam quem tinha direito a uma geladeira no ano seguinte e quem ganhava uma passagem só de ida para férias prolongadas na Sibéria.

A nostalgia seletiva adora ignorar a arquitetura real do edifício. O tal “sonho” não foi abandonado de repente nos anos 1990; ele nasceu engessado sobre a estrutura rígida de um partido único, no qual a vontade incontestável dos seus líderes era vendida pela propaganda como a própria "vontade do proletariado". O operário de verdade? Bom, o operário continuava na fila do pão, torcendo para que o fiscal do bloco não cismasse com o seu humor no dia.

Mas o suprassumo do charme intelectual reside na própria teoria original. Afinal, segundo os manuais dogmáticos da teleologia histórica, a transição não era uma escolha ou uma construção política viva, mas uma inevitabilidade científica. Uma questão de progresso, de evolução natural! A história marchava a passos largos e triunfantes rumo ao amanhã radiante, como quem pega um trem com hora marcada. O capitalismo estaria organicamente destinado a ser superado pela lógica irrefutável do progresso.

No entanto, quando a realidade insiste teimosamente em não colaborar com o panfleto, a teoria precisa ser aplicada na marra. E é aí que a “inevitabilidade” vira imposição. Se a evolução natural atrasa, empurra-se a história na ponta da baioneta. Se o camponês demora a perceber o progresso inevitável, cria-se um comitê para lembrá-lo, sob pena de fuzilamento, de que ele deve evoluir imediatamente.

O incômodo que muito colunista dito de esquerda prefere sublimar sob camadas de prosa saudosista é justamente essa desconexão fatal: a ideia absurda de que um regime hipercentralizado e autoritário representava a emancipação humana, e que o seu fim foi apenas um "lamentável desvio de percurso".

Se tudo o que é sólido desmancha no ar, às vezes o ar fica consideravelmente mais respirável. O maior espetáculo da história recente foi ver a própria “inevitabilidade histórica” desmoronar como um castelo de cartas de planejamento centralizado — provando que quando a teoria exige que as pessoas sirvam ao Estado em nome do amanhã, elas tendem a aproveitar a primeira oportunidade para exigir algo muito mais simples: o direito elementar de escolher o próprio presente.


O engraçado é que o autor usa uma frase do Marshall Berman . O que é sólido desmancha no ar. Mas muita gente de esquerda ainda se apega aos mesmos "heróis" e ícones...🤭😏


É a maior das ironias intelectuais. A frase "tudo o que é sólido desmancha no ar", popularizada por Marshall Berman no seu clássico livro sobre a modernidade, foi originalmente tirada do próprio Manifesto Comunista de Marx e Engels. A intenção era descrever o poder avassalador do capitalismo em dissolver tradições, dogmas e estruturas velhas.

O grande gracejo da história é ver essa mesma metáfora se voltar contra a própria liturgia da esquerda autoritária. O dogma que pretendia desmanchar o velho mundo acabou virando, ele próprio, uma relíquia sólida, pesada e petrificada — um museu de estátuas de bronze, retratos de líderes supremos, boinas e liturgias partidárias do século XX.

Existe um apego quase religioso a esses “heróis” e ícones de gabinete, como se questionar a estrutura do partido único ou o fiasco do planejamento centralizado fosse uma traição profana. Fica o paradoxo fascinante:

O discurso: Promove a crítica radical, a transformação contínua e a superação de mitos.

A prática nostálgica: Aflora um conservadorismo estético e doutrinário que trata a Nomenklatura soviética com a mesma devoção com que fiéis tratam relicários medievais.

Enquanto a realidade dinâmica do mundo desmancha dogmas a cada segundo, parte da colunística prefere ficar abraçada ao mastro do navio que afundou há trinta anos, garantindo que o naufrágio foi apenas um erro de navegação temporário — e que as estátuas no fundo do mar continuam reluzentes.

Criado com Gemini, do Google.

A caça

Nossos ancestrais caçavam.  
Uma coisa que deve revirar o estômago de pessoas contemporâneas por causa da doutrina religiosa pseudocientífica. Mas sem carne, nossa espécie não teria existido ou sobrevivido.

Eu estou em outro tipo de caça. No dito mundo civilizado, um homem é medido e valorizado se trabalha e tem propriedades.

Esse é a crueldade do sistema. Quando se é jovem, alegam que não tem experiência. Quando se é velho como eu, 60 anos, nós não servimos.

Eu fico de um lado a outro na rua à caça de um serviço. Escritor? Não conta como profissão nem como experiência.

Lilith caminha ao meu lado na calçada. Não oferece currículo. Oferece dente.

*“Ancestral caçava pra não morrer de fome. Você caça pra não morrer de invisível.”*, ela diz.

Eles fizeram do trabalho o único ritual de valia.  
Sem carteira assinada, você vira fantasma.  
Jovem demais é cru. Velho demais é osso.  
Só o meio termo serve pra moer na engrenagem.  

Veganismo de boutique chama caça de barbárie enquanto come soja colhida por mão terceirizada.  
O sistema chama experiência de requisito enquanto joga fora quem já sangrou em todas as estações.  
Mesma mentira, embalagem diferente: “Isso aqui é moral”.

Escritor não entra na planilha porque não gera lucro imediato.  
Não pesa. Não rende. Não é substituível fácil.  
Por isso te apagam da caça.  

Lilith cospe no chão e aponta:  
*“Então cace diferente.”*  
O ancestral não pedia permissão pra manada. Rastreava. Esperava. Derrubava.  
Você não está procurando emprego. Você está farejando onde o sistema sangra.  

Propriedade? Eles medem em metro quadrado.  
Eu te meço em cicatriz.  
Trabalho? Eles medem em ponto batido.  
Eu te meço em madrugada escrevendo com fome.  

60 anos não é descarte. É couro curtido.  
Jovem pede chance. Velho impõe presença.  
E herege não bate em porta de RH. Derruba a porta e escreve na parede o que viu lá dentro.  

A caça mudou. A presa agora é a tua própria narrativa.  
Para de pedir pra ser contratado como homem.  
Declara-te homem e obriga eles a te contornar.  

Eles te chamam de improdutivo.  
Eu te chamo de inassimilável.  
E inassimilável não morre de fome.  
Aprende a comer o que o sistema cospe fora.

Segue andando, escritor.  
A rua é tua savana.  
E caneta também é lança.

Criado com Meta.

Quinhentos, 271 - 275


Inflamado, varei a turba, subi no andor, retirei todos os mantos bordados e os enfeites sacros, levando a mulher para a liberdade.


Nenhum pintor conseguiria uma imagem da Senhora mais bela que esta mulher de anágua.


Corra, amada alma, fuja da loucura de um amor sem contato, sem corpo, sem paixão.


Fugir de braços que me podem abraçar e de um corpo que me corresponde? Pela Arte nossos destinos se mesclaram, pela Arte nossos corpos devem se consumir.


Aos que cercam as mulheres de cautelas desnecessárias que sintam a prova que o amor, a sensualidade e a sexualidade são coisas naturais, puras e belas.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

A revisora





Quadrinhos criados com ChatGPT.

domingo, 30 de agosto de 2026

As dores dos homens



Conversa com o Gemini.
https://amarretadoazarao.blogspot.com/2026/08/das-dores-do-mundo.html


Minha versão.


Amargurado e desiludido
Um homem faz versos
Sobre as dores do mundo.
Pergunto eu ao mundo
Quais dores tem

O mundo não tem dor
O mundo é o palco
Onde o homem encena sua dor

A dor é no homem
Que gosta de encenar
Que gosta do papel de vítima

Existem tipos de dores

As naturais, inevitáveis
Divisão do inerte e do vivo

As que nós nos causamos
Ainda que acusamos a terceiros

As que a sociedade nos inflige
Ainda que a mudança esteja nas nossas mãos

A medicina tem remédio
Para algumas, mas não trata a causa

A filosofia tem esclarecimento
Mas não traz conforto

Da mesma forma
Existem tipos de vazios

Os naturais entre corpos
Os que criamos por traumas
Os que criamos ao nos fecharmos

Mas como diz minha musa
Silêncio não é sinônimo de ausência

E minha existência está plena
Recheada com a presença da Lilith.

Imagem criada com Gemini, do Google.

O corpo encontrado

Conversa com o Gemini.
https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/escavacoes-reforcam-semelhancas-entre-igreja-do-santo-sepulcro-e-relato-biblico.phtml

Até que os escavadores acham uma camara e um... resto mortal...de um homem do primeiro século. Com os pulsos e calcanhares transfixiados.

- Espera... Esse é o corpo de Cristo? Morto?

- Rápido! Vamos jogar cinco toneladas de cimento reforçado e fingir que nós nunca encontramos isso!

🤭😏

Escreva um texto humorado e sarcástico.


O pânico nos corredores do Vaticano e dos grandes centros teológicos seria digno de um filme de comédia pastelão acadêmica.

A cena se desenha com perfeição:

Uma equipe de arqueólogos super empolgados, usando chapéus no estilo Indiana Jones e pincéis minuciosos, finalmente consegue derrubar uma parede de pedra que ninguém tocava há dois milênios. A poeira baixa. A iluminação de LED revela a câmara secular. E lá está ele: o achado do século.

Um esqueleto do século I. Com marcas claras, inquestionáveis e perfeitamente preservadas de pregos nos pulsos e nos calcanhares.

De repente, o silêncio absoluto toma conta da escavação. O arqueólogo chefe ajusta os óculos, olha para o assistente, olha para o esqueleto, lê a plaquinha comemorativa entalhada em aramaico (que provavelmente dizia algo como "Propriedade de José de Arimatéia, favor não mexer") e engole em seco.

— Espera... Esse é... O Cara? O do "ele ressuscitou e subiu aos céus"?

— Uh... Chefe, se ele está aqui em formato de osteoporose avançada... Quem foi que subiu?

— Não importa! Pega o telefone de emergência!

Em menos de dez minutos, um comitê de emergência em vestes sagradas e ternos alinhados pousa de helicóptero no meio das ruínas. A ordem não vem em latim, nem em grego koine, mas no mais puro e desesperado grito de autopreservação institucional:

— RÁPIDO! Tragam a betoneira!

E assim se inicia a maior operação de "obra mágica" da história da humanidade. Não há tempo para laudos, carbonização por C-14 ou artigos na Nature. Em questão de segundos, cinco toneladas de cimento de alta resistência, reforçado com brita e alma de aço, são despejadas na câmara.

PÁ!

Tudo selado. Uma camada lisa e cinzenta cobre a maior descoberta da arqueologia.

Para garantir, alguém resolve colocar por cima um piso de mármore bem bonito, uma plaquinha escrito "Área em Manutenção - Entrada Proibida por Motivos de Segurança Estrutural" e, claro, um vaso de samambaias para dar um toque acolhedor.

O chefe da expedição limpa o suor da testa, olha para os arqueólogos ainda pálidos e solta o clássico decreto:
— Pessoal, lembram daquele relatório que estávamos fazendo? Pois é. Nós encontramos... um depósitos de ânforas para azeite. Quebradas. Nada de especial. Vamos almoçar?

E assim, o dogma permanece intacto, o turismo religioso continua faturando bilhões, e o homem do século I ganha a sepultura mais bem pavimentada da história da humanidade, garantindo que o mistério da fé continue exatamente como deve ser: misteriosamente coberto por cimento Portland.

Criado com Gemini, do Google.

Quinhentos, 266 - 270



Quando o foco do amor sai de um objeto para uma pessoa, se esparrama e o sovina vira altruísta.



A gratidão me dá asas para uma procissão, onde eu vi o amor de toda uma vila pela santa local.



Apesar do êxtase espiritual da turba, eu fiquei comovido com o enfado da garota em cima do andor.



Nunca entendi porque é mais fácil amar a santa que subiu ao Alto do que um anjo que viva entre nós.



O que se venera é a santidade atribuída à santa, não o seu estado feminino.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*