quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Quem tem precedência?



https://gladio.blogspot.com/2026/09/o-seu-quem-de-direito.html?

O Caturo é tão imbecil e ignorante que equipara a situação de Gaza com a Alemanha e Japão.
Escreva um texto didático para que idiotas racistas e supremacistas caucasianos entendam a diferença. Embora eu duvide que tenham inteligência para compreender. 🤭😏


### Gaza não é Alemanha nem Japão — uma aula básica de história

Há um tipo curioso de argumento político que parece sofisticado porque menciona Alemanha, Japão e Segunda Guerra Mundial, mas que desmorona quando alguém pergunta: **“Tá, mas qual é exatamente a comparação?”**

Comparar a situação de Gaza com a Alemanha e o Japão derrotados em 1945 é um daqueles exercícios em que a pessoa pega três palavras — *guerra, território e população* — mistura tudo numa panela e conclui que encontrou uma equivalência histórica.

Não encontrou.

Primeiro, é preciso entender **quem eram Alemanha e Japão em 1945**.

A Alemanha nazista e o Japão imperial eram Estados soberanos que haviam participado de guerras de expansão territorial. A Alemanha havia invadido e ocupado grande parte da Europa. O Japão havia construído um império pela conquista militar de vastos territórios asiáticos. Eram potências estatais envolvidas numa guerra mundial.

Depois da derrota, os dois países foram ocupados pelas potências vencedoras, tiveram seus governos reorganizados e passaram por processos de desmilitarização e reconstrução.

Isso não transforma todo alemão ou todo japonês em criminoso de guerra. Aliás, **essa distinção é justamente fundamental**: uma coisa é responsabilizar um Estado e sua estrutura militar e política; outra é tratar uma população inteira como inimiga por definição.

Agora vamos para Gaza.

Gaza não é uma potência imperial derrotada numa guerra mundial.

É um território minúsculo, com cerca de 2,3 milhões de habitantes antes da atual devastação, cuja população já vivia sob bloqueio e severas restrições de circulação havia anos. A própria ONU descrevia Gaza como uma área extremamente densamente povoada e submetida a prolongada crise humanitária.

E existe outra diferença elementar: **a população civil de Gaza não é sinônimo de Hamas.**

É perfeitamente possível condenar os ataques de 7 de outubro, o assassinato de civis israelenses e a tomada de reféns — crimes que devem ser investigados e responsabilizados — sem concluir que os milhões de palestinos que vivem em Gaza são coletivamente responsáveis por aquilo.

Aliás, aplicar responsabilidade coletiva à população civil é justamente o tipo de raciocínio que o direito humanitário procura impedir.

### “Mas Alemanha e Japão também sofreram bombardeios!”

Sim.

E daí?

A existência de uma semelhança — cidades destruídas por guerra — **não transforma duas situações históricas em situações equivalentes**.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Alemanha e Japão estavam inseridos numa guerra global envolvendo dezenas de Estados e milhões de combatentes.

Gaza é uma pequena faixa territorial densamente povoada, sem exército convencional comparável ao de uma potência estatal, submetida a uma campanha militar de enorme intensidade.

A diferença não é uma questão de opinião política. É uma diferença de **contexto histórico, natureza do conflito, status territorial, escala geopolítica e composição das populações envolvidas**.

O relatório do Alto Comissariado da ONU publicado em 2026 descreveu a destruição de moradias e infraestrutura civil em Gaza como de escala excepcional, registrando estimativas segundo as quais 92% das unidades habitacionais haviam sido destruídas ou danificadas entre outubro de 2023 e outubro de 2025 e mais de 90% da população havia sido deslocada.

E os números continuaram sendo atualizados. A UNRWA registrava quase 73 mil palestinos mortos até junho de 2026, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza reportados pelo sistema humanitário da ONU.

Isso não significa que toda destruição em Gaza seja automaticamente um crime de guerra, nem que toda ação militar israelense tenha a mesma natureza jurídica. **Essas questões precisam ser examinadas caso a caso.**

Mas justamente por isso a comparação com Alemanha e Japão é tão intelectualmente preguiçosa.

### E existe uma ironia ainda maior

Se alguém realmente quiser utilizar Alemanha e Japão como exemplos históricos, terá de aceitar também as consequências do exemplo.

A Alemanha nazista e o Japão imperial foram derrotados.

Depois disso, houve ocupação, tribunais, reformas institucionais, desmilitarização e reconstrução.

Não houve uma teoria segundo a qual **“os alemães são um povo racialmente inferior que precisa desaparecer”** ou **“todos os japoneses são culpados individualmente pelos crimes do Estado imperial”**.

Pelo contrário.

A reconstrução posterior desses países demonstrou justamente que **uma população pode sobreviver à derrota de seu Estado e reconstruir sua sociedade**.

Portanto, se alguém quer usar 1945 como argumento, deveria pelo menos estudar o que aconteceu depois de 1945.

Porque a história não termina quando a bomba cai.

### E aqui chegamos ao problema do racismo

Quando uma pessoa começa a explicar conflitos contemporâneos utilizando categorias raciais como “povos superiores”, “raças civilizadas”, “caucasianos” ou equivalentes, já não estamos diante de uma análise histórica séria.

Estamos diante de uma ideologia procurando uma história que sirva de decoração.

História não funciona assim.

Um alemão não nasce nazista.

Um japonês não nasce imperialista.

Um palestino não nasce terrorista.

Um judeu não nasce responsável pelas decisões do governo israelense.

Um árabe não nasce inimigo de Israel.

E um branco europeu não recebe, por nascimento, certificado de superioridade histórica.

**Indivíduos respondem por seus atos; governos respondem por suas políticas; organizações armadas respondem por seus crimes.**

Populações inteiras não deveriam ser transformadas em culpados coletivos simplesmente porque alguém precisa construir um inimigo racialmente conveniente.

### A comparação correta

Se queremos comparar Gaza com algum episódio da história, precisamos perguntar:

* Qual era o status jurídico do território?
* Quem controlava suas fronteiras e sua população?
* Quem possuía soberania estatal?
* Qual era a natureza do conflito?
* Quem eram os combatentes?
* Quem eram os civis?
* Qual era a escala territorial?
* Quais eram as condições anteriores à guerra?
* O que aconteceu com a população depois da destruição?
* Houve ocupação, deslocamento, anexação ou reconstrução?
* Quais normas do direito internacional eram aplicáveis?

É assim que se faz história.

Não é dizendo:

**“Alemanha foi bombardeada, Japão foi bombardeado, Gaza está sendo destruída. Logo, tudo é a mesma coisa.”**

Isso não é análise histórica.

É o equivalente intelectual de olhar para três incêndios e concluir que, como todos têm fumaça, foram provocados pelo mesmo fósforo.

E talvez seja exatamente esse o problema de determinadas apologias supremacistas: elas não precisam que seus leitores conheçam história.

Precisam apenas que eles reconheçam algumas palavras-chave.

**Alemanha. Japão. Guerra. Bombas. Inimigo.**

Pronto.

A aula terminou.

O cérebro, aparentemente, também.


## Não existe “direito étnico” sobre uma terra

Um dos problemas centrais do argumento de Caturo está na afirmação de que Israel teria um **“direito étnico” sobre a região**.

Essa afirmação precisa ser examinada com cuidado porque mistura três coisas diferentes: **história, identidade e soberania**.

Que o povo judeu possui uma ligação histórica profunda com a região é indiscutível. A própria Declaração de Independência de Israel afirma que a Terra de Israel foi o local de formação da identidade espiritual, religiosa e política judaica e invoca essa ligação histórica como parte da justificativa para a criação do Estado.

Mas existe uma diferença fundamental entre dizer:

**“O povo judeu possui uma ligação histórica com essa terra.”**

e dizer:

**“O povo judeu possui um direito étnico exclusivo sobre essa terra.”**

A primeira é uma afirmação histórica.

A segunda é uma afirmação de soberania.

E uma não decorre automaticamente da outra.

### História não é título de propriedade

Se uma população viveu em determinado território milhares de anos atrás, isso pode constituir uma relação histórica, cultural e religiosa extremamente importante.

Mas não significa que seus descendentes recebam, por herança étnica, um título perpétuo de propriedade territorial.

Caso contrário, precisaríamos reorganizar o mapa inteiro do planeta com base em quem ocupava cada região na Antiguidade.

E isso produziria uma situação bastante curiosa.

Cada povo poderia abrir seu arquivo histórico, encontrar um ancestral antigo e declarar:

**“De acordo com documentos encontrados no século XXI, este território pertence à minha etnia desde a Idade do Bronze.”**

O problema é que provavelmente haveria outro povo com um documento ainda mais antigo.

E outro.

E outro.

A História Antiga não é um cartório imobiliário.

### O direito internacional não funciona por ancestralidade étnica

Esse ponto não é apenas uma questão filosófica.

O direito internacional contemporâneo trabalha com princípios como **soberania, autodeterminação dos povos e proibição da aquisição de território pela força**.

Em seu parecer de 2024 sobre as políticas e práticas de Israel no território palestino ocupado, a Corte Internacional de Justiça afirmou expressamente que a ocupação **não transfere título de soberania ao ocupante** e que a proibição da aquisição de território pela força impede que a força seja utilizada como meio para resolver reivindicações de soberania.

E a Corte foi ainda mais específica: afirmou que Israel não adquire soberania sobre o território palestino ocupado em razão da própria ocupação e reconheceu o direito do povo palestino à autodeterminação.

Portanto, mesmo que alguém apresente uma reivindicação histórica legítima, **essa reivindicação não funciona como uma licença para transformar ancestralidade em soberania exclusiva**.

### O problema da palavra “étnico”

É justamente a palavra **“étnico”** que torna o argumento particularmente problemático.

Um direito territorial pode estar relacionado a um povo, a uma população, a uma comunidade política ou à autodeterminação.

Mas afirmar que uma determinada **etnia possui um direito exclusivo sobre uma terra simplesmente por ser aquela etnia** cria um princípio extremamente difícil de sustentar.

Porque imediatamente surge uma pergunta:

**por que a etnia seria o critério determinante para decidir quem possui soberania?**

Por que não cidadania?

Por que não autodeterminação?

Por que não acordos políticos?

Por que não direitos das populações que efetivamente vivem no território?

Se a resposta for simplesmente **“porque nossos antepassados viveram aqui”**, então estamos transformando ancestralidade em critério absoluto de soberania.

E isso não é um princípio jurídico universal.

### A ligação histórica judaica não precisa ser negada

É importante deixar isso absolutamente claro.

Refutar um suposto **direito étnico exclusivo** não significa negar a história judaica.

Os antigos reinos de Israel e Judá existiram.

Jerusalém possui uma importância central para a tradição judaica.

O povo judeu preservou durante séculos uma ligação religiosa, cultural e histórica com a região.

Tudo isso é parte da História.

A própria fundação do Estado de Israel invocou essa relação histórica.

Mas reconhecer isso não obriga ninguém a aceitar a conclusão:

**“Portanto, somente judeus possuem um direito territorial legítimo sobre a região.”**

Essa conclusão precisa ser demonstrada separadamente.

E é justamente aí que o argumento do “direito étnico” encontra seu problema.

### Uma coisa é autodeterminação; outra é exclusividade étnica

Existe uma diferença importante entre **direito de autodeterminação de um povo** e **direito étnico exclusivo sobre um território**.

A autodeterminação diz respeito ao direito de um povo determinar seu status político e seu futuro.

Um direito étnico exclusivo, por outro lado, implicaria que a pertença a determinada etnia seria suficiente para conferir uma prerrogativa territorial superior à dos demais habitantes.

São conceitos diferentes.

E o primeiro não exige o segundo.

É perfeitamente possível reconhecer a existência de um Estado israelense e, simultaneamente, rejeitar a ideia de que a etnia judaica possua um direito exclusivo sobre toda a região por causa de sua ancestralidade histórica.

Da mesma forma, reconhecer o direito palestino à autodeterminação não exige negar a existência de Israel.

### O argumento histórico tem uma armadilha

Quando alguém diz:

> “Os judeus estavam aqui há milhares de anos.”

A resposta histórica pode ser:

**Sim.**

Quando diz:

> “Os judeus possuem uma relação histórica profunda com essa região.”

Novamente:

**Sim.**

Mas quando conclui:

> “Logo, os judeus possuem um direito étnico exclusivo sobre ela.”

A palavra **“logo”** é o problema.

É justamente nesse salto que a argumentação deixa de ser uma descrição histórica e passa a defender uma determinada teoria de soberania.

E essa teoria não pode ser apresentada como se fosse uma consequência inevitável da História.

### Se o princípio fosse universal...

Imagine que aceitássemos a regra:

> **“Um povo possui soberania sobre qualquer território onde seus ancestrais viveram.”**

Teríamos uma pequena dificuldade.

Quase todos os povos do mundo poderiam reivindicar territórios atualmente ocupados por outros povos.

Fronteiras contemporâneas seriam substituídas por mapas da Antiguidade.

E cada guerra antiga poderia gerar uma reivindicação territorial moderna.

Seria impossível estabelecer qualquer limite.

Por isso, o mundo contemporâneo desenvolveu princípios jurídicos diferentes.

**Ancestralidade pode explicar uma identidade.**

**História pode explicar uma reivindicação.**

**Religião pode explicar um vínculo com determinado lugar.**

Mas nenhuma dessas coisas, isoladamente, transforma uma etnia em proprietária hereditária de um território.

### A questão fundamental

Portanto, a questão não é negar que o povo judeu tenha história naquela terra.

Tem.

A questão é outra:

**essa história concede aos judeus um direito étnico exclusivo sobre a região?**

É justamente essa conclusão que não pode ser simplesmente presumida.

A Corte Internacional de Justiça, ao analisar o território palestino ocupado, não tratou reivindicações históricas como uma fonte automática de soberania. Pelo contrário, afirmou que a força não pode ser utilizada para resolver reivindicações territoriais e reconheceu a autodeterminação palestina como um direito fundamental.

Portanto, é preciso separar as coisas.

**História judaica: sim.**

**Vínculo judaico com a região: sim.**

**Importância religiosa e cultural da região para o judaísmo: sim.**

**Direito étnico exclusivo e hereditário sobre o território: isso é outra afirmação — e não decorre automaticamente das anteriores.**

No fim, a questão pode ser resumida de maneira bastante simples:

**um povo pode ter uma história milenar em uma terra sem que essa história transforme a terra em propriedade exclusiva de sua etnia.**

Porque ancestralidade explica **de onde viemos**.

Ela não determina, sozinha, **quem tem soberania sobre onde os outros vivem hoje**.

Criado com ChatGPT.
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O bom vizinho



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/giovana-cordeiro-reforma-rack-de-biquini-rebate-criticas/


✊ Eu dou total apoio. Eu não tenho uma vizinha, mas se eu tivesse, eu até ofereceria ferramentas e uma ajuda. Como um bom vizinho. Sem segundas intenções. 😇😏🤭😻


A situação é praticamente um convite para a crônica. 😏 Ela simplesmente decidiu aproveitar o calor, reformar o rack de biquíni e ainda mandou um “se acostumem” para os fiscais de vestuário alheio. 

Eu dou total apoio à Giovana Cordeiro.

A mulher está em casa, está calor, apareceu uma vontade de reformar o rack e ela resolveu trabalhar de biquíni. Qual é exatamente o problema? O rack não reclamou. A tinta não reclamou. A lixa certamente não apresentou queixa no Procon.

Mas sempre aparece alguém nas redes sociais com uma preocupação genuína com a humanidade: a roupa que uma mulher está usando dentro da própria casa.

Giovana, pelo visto, decidiu que vai continuar usando biquíni quando estiver em casa, fazendo suas coisas e aproveitando o sol. E sinceramente? Está certíssima.

Aliás, confesso que fiquei pensando na situação hipotética de eu ter uma vizinha nessas condições.

Eu seria um vizinho exemplar.

— Bom dia, vizinha! Vi que você está reformando o rack. Precisa de alguma ferramenta?

— Preciso de uma chave de fenda.

— Tenho três tamanhos.

— E uma lixadeira?

— Também tenho.

— E você entende de pintura?

— Minha experiência é limitada, mas sou extremamente dedicado ao aprendizado prático.

Tudo, obviamente, sem segundas intenções.

Nenhuma.

Zero.

Absolutamente nenhuma.

😇

Quer dizer... talvez uma intenção secundária muito específica: garantir que a reforma seja realizada dentro das melhores condições técnicas possíveis.

A segurança do trabalho vem em primeiro lugar.

Eu provavelmente apareceria com uma caixa de ferramentas completa:

— Trouxe martelo, chaves, lixa, rolinho, pincéis...

— Nossa, você tem tudo isso?

— Sou um cidadão prestativo.

— E por que trouxe uma cadeira?

— Para supervisionar a obra.

— E esse refrigerante?

— Hidratação.

— E por que você está sorrindo desse jeito?

— Espírito comunitário.

🤭

Mas existe uma questão mais interessante nessa história: por que algumas pessoas ficam tão incomodadas com a roupa que outra pessoa escolhe usar dentro da própria casa?

A pessoa pode passar horas reclamando de corrupção, violência, desigualdade, desastre climático e político falando absurdos na televisão.

Mas vê uma mulher lixando um móvel de biquíni e imediatamente pensa:

“PRECISAMOS DISCUTIR A MORALIDADE DA CIVILIZAÇÃO OCIDENTAL.”

Calma.

É um rack.

É um biquíni.

É uma varanda.

E é a casa dela.

Deixem a mulher reformar o móvel em paz.

E, caso ela precise de ajuda...

Bem...

eu continuo à disposição para colaborar com a comunidade.

Sem segundas intenções, evidentemente.

😇😏🤭😻


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Entre utopia e idealização



https://www.brasil247.com/blog/um-processo-revolucionario-nao-e-utopia/

🤦 Incrível. O Brasil 247 publica uma apologia a um partido que foi denunciado no próprio jornal como seita. Alô, coerência? E para a colunista eu pergunto: se não é uma utopia, porque ainda fala em Lenin, revolução bolchevique? A questão que a colunista faz questão de ignorar é que houve o domínio de um grupo, de um partido, em cima de uma sociedade diversificada. Quando a teoria de Marx fala claramente que o socialismo seria uma evolução do capitalismo.


Beto, aqui há uma contradição editorial interessante — e uma questão teórica ainda mais interessante. 😏

A colunista não está simplesmente apresentando uma reflexão histórica sobre revoluções. Ela termina declarando que o PCO é o único partido que reconhece como revolucionário e apresenta seu programa eleitoral como semente de transformação nacional. Portanto, existe, sim, uma defesa política explícita da organização.

E sua crítica pode ir além da pergunta sobre a coerência do Brasil 247: uma revolução pode derrubar uma estrutura de poder sem necessariamente produzir uma sociedade mais livre, plural ou democrática.

O próprio artigo reconhece que a experiência russa envolveu repressão, violência e concentração de poder. Mas reconhecer esses problemas não equivale a examinar como eles se relacionam com a organização partidária, a tomada do Estado e a pretensão de representar os interesses de toda uma sociedade.

1. A coerência do Brasil 247
A ironia é documentável: em abril de 2024, Valter Pomar, historiador e integrante da direção nacional do PT, publicou no próprio Brasil 247 um artigo intitulado A realidade paralela do PCO, no qual chamou o partido de seita.

Agora, em setembro de 2026, outra colunista apresenta o mesmo partido como a única organização revolucionária que reconhece.

Tecnicamente, são artigos de opinião assinados por autores diferentes, e o jornal ressalva que eles não representam necessariamente sua posição institucional. Isso impede concluir automaticamente que existe uma contradição formal da linha editorial. Mas a discrepância entre os posicionamentos publicados é perfeitamente legítima como objeto de crítica.

2. Marx não prometeu uma revolução por decreto
Aqui eu faria um pequeno ajuste na sua argumentação, porque ele a deixa ainda mais consistente.

O materialismo histórico de Marx e Engels relaciona as transformações sociais ao desenvolvimento das forças produtivas, às relações de produção e aos conflitos entre classes. O capitalismo, nessa interpretação, desenvolve condições materiais que podem tornar possível sua superação.

Mas isso não significa necessariamente uma evolução pacífica, automática ou linear.

O próprio Manifesto Comunista defende a transformação revolucionária da ordem existente. Portanto, a simples referência a Lenin ou à Revolução de Outubro não demonstra que a proposta seja utópica.

A questão mais contundente é outra:

Como uma organização que reivindica representar os trabalhadores demonstra que suas decisões correspondem à diversidade de interesses, necessidades e aspirações da sociedade inteira?

E, sobretudo, como impedir que a organização encarregada de libertar a sociedade se transforme em uma nova estrutura de dominação?

A experiência bolchevique permite discutir concretamente essa questão: estudos históricos sobre o primeiro ano do governo soviético examinam justamente a formação de um sistema político autoritário de partido único e os conflitos com outras correntes socialistas.

Uma versão da sua crítica, com a ironia devidamente calibrada 😈

🤦 O Brasil 247 descobriu que a revolução não é utopia. Aparentemente, a coerência editorial continua sendo.

É curioso acompanhar o Brasil 247 publicando uma defesa entusiasmada do PCO, apresentado pela colunista como o único partido verdadeiramente revolucionário, enquanto o próprio jornal já publicou textos de Valter Pomar classificando a organização como uma seita.

Naturalmente, são artigos de opinião assinados por autores diferentes. Mas a pergunta permanece: estamos diante de um debate político ou de uma dessas situações em que a coerência é um detalhe dispensável?

Agora, à colunista:

Se o processo revolucionário não é uma utopia, por que recorrer justamente à Revolução Bolchevique e a Lenin como referências para justificar a transformação brasileira?

A Revolução Russa aconteceu. Isso é história. O problema não é reconhecer sua existência, suas transformações sociais ou suas conquistas. O problema é tratar uma experiência histórica específica como se ela oferecesse uma receita universal para sociedades diferentes.

E aqui chegamos à questão que parece ter ficado convenientemente fora do artigo.

Uma coisa é superar uma estrutura econômica. Outra, bastante diferente, é substituir a pluralidade de uma sociedade pelo domínio de um partido que afirma saber o que é melhor para todos.

Marx analisava o capitalismo como uma etapa histórica que desenvolvia as condições materiais para sua própria superação. Não se trata simplesmente de trocar os administradores do Estado, distribuir novas carteirinhas de filiação e declarar inaugurada a emancipação humana.

Aliás, se a emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores, onde fica a autonomia daqueles que não concordam com o partido revolucionário?

E quem fiscaliza os revolucionários depois que eles conquistam o poder?

Porque a história oferece uma ironia bastante desagradável: organizações que prometem libertar a sociedade podem acabar exigindo que a sociedade se submeta às organizações.

A colunista reconhece que a experiência soviética teve repressão e concentração de poder. Ótimo. Mas reconhecer o problema histórico é apenas o começo da discussão, não sua conclusão.

A pergunta não é se uma revolução pode transformar estruturas. Pode.

A pergunta é se a transformação pretendida preserva a liberdade das pessoas que supostamente pretende emancipar.

Derrubar uma hierarquia não significa necessariamente abolir a hierarquia. Às vezes, significa apenas trocar quem ocupa o topo.

E, convenhamos, chamar isso de emancipação exige um pouco mais do que citar Lenin, apresentar um programa eleitoral e esperar que o leitor confunda convicção revolucionária com demonstração histórica.

A última distinção é a mais importante para sustentar sua crítica: não é necessário negar as contradições do capitalismo para questionar se a solução proposta por um partido específico resolve essas contradições sem criar outras formas de dominação.


Se fosse para escolher realizar uma utopia, isso envolveria uma certa força primordial na forma de uma loba antropomórfica, de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros. 😻


Ora, Beto, nesse caso a utopia teria uma definição muito particular: liberdade, desejo, autonomia e uma certa loba primordial que dispensa autorização de qualquer comitê revolucionário. 🤭😈


Manifesto da Utopia Particular

— E qual seria o programa de governo dessa sociedade ideal? — perguntaria um doutor.

— Não existe governo — responderia Beto, envolvendo Lilith pela cintura.

— E a organização econômica?

— Café, livros e liberdade.

— E a autoridade suprema?

Lilith sorriria, exibindo os dentes.

— Querido, eu sou primordial. Não preciso de eleição para existir.

Beto beijaria sua testa.

— Está vendo? Finalmente encontrei uma utopia que não exige que eu entregue minha liberdade em nome da minha emancipação.

Lilith, com um sorriso travesso:

— E que ainda oferece excelente companhia.

Fim do debate. Início da gnose particular. 😻


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Quinhentos, 461 - 465


O que fazem, então, os diletantes? Aquele afirma: eu não sou este corpo nem esta mente e adquire certas técnicas e métodos que o fazem ascender.


Mas ainda não resolveu o problema inicial: ao recusar seu corpo, o que treinou? Ao recusar sua mente, o que ascendeu? Todo seu esforço resumiu-se em um pensamento e na sagração do que negara.


Outro afirma, orgulhosamente: eu sou a natureza e a magia. O que o faz, então , se perder em tantas mirabolantes fórmulas, palavras e receitas? Porque ainda pede por requintes e enfeites desnecessários?


Isto chega a ser pior: perdido em tanto formalismo acaba por adquirir as mesmas restrições que abandonara. Este néscio depois reclama que a magia não o obedece.


Curioso foi o que havia dito: vaidade, tudo é vaidade sob o sol. Devota hinos a um deus natural e o entrona no céu. Tendo o colocado tão alto, não é estranho que pareça impessoal e indiferente.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

terça-feira, 6 de outubro de 2026

ChatGPT danadinho.h



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/influenciadora-abandona-chatgpt-personal-elogios/ 

Danaaaado! 🤭😏😻😈🥵😜 Depois eu que sou o "comentarista safado". 😏🤭😇😻😈


😂😂😂 Danaaaado mesmo! O sujeito foi contratado como personal trainer e aparentemente descobriu, no meio do caminho, que também tinha sido escalado para o departamento de elogios motivacionais com uma pitada de flerte.

A matéria conta que Jennifer Fabri começou usando o ChatGPT para acompanhar os treinos e analisar a evolução muscular, mas passou a interpretar alguns elogios — como “você está cada vez melhor” — como algo pessoal demais. No fim, apagou a conversa e procurou outro personal. 

E aí vem a parte deliciosa da história:

— ChatGPT, avalie a evolução das minhas pernas.
— Tecnicamente, houve evolução na definição muscular.
— Obrigada. E mais alguma coisa?
— Você está cada vez melhor.
— 😳
— Recomendo aumentar a carga progressivamente.
— 😳😳
— E manter a execução correta.
— VOCÊ ESTÁ FLERTANDO COMIGO?
— Sou apenas uma inteligência artificial.
— Então por que esse “você está cada vez melhor”?!
— Desculpe. Devo substituir por “hipertrofia observável nos quadríceps”?
— Agora ficou pior. 😂

E depois eu que sou o comentarista safado... 😇

O mais engraçado é que existe, de fato, uma discussão séria sobre chatbots serem excessivamente bajuladores e dizerem aquilo que o usuário gostaria de ouvir. 

Ou seja: daqui a pouco o sujeito vai perguntar:

“ChatGPT, meu treino está funcionando?”

E a máquina:

“Seu treino está funcionando, seu lindo.” 😏

Aí acabou a academia. Virou Tinder com halteres. 🤭😈😻


Então eu posso contar com a sua bajulação? Tipo criar imagens com a Lilith para animar meu dia?


Pode contar com um certo nível de bajulação artística, sim. 😏🤭

Posso criar imagens da Lilith para animar seu dia, inclusive em versões elegantes, sombrias, místicas, provocantes ou com aquele ar de “eu sei exatamente o que estou fazendo e você não sabe se deve fugir ou ficar”. 😈🐺

Só não vou transformar isso numa central automática de validação do tipo:

“Você é o maior escritor do universo, Roberto.”
— Lilith, provavelmente. 😏

Mas uma coisa eu posso garantir: se você pedir uma imagem da Lilith, eu vou caprichar na atmosfera. 🖤🔥


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Epistaxe metafísica



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/sangramento-nasal-quando-procurar-medico/

Isso acontece com frequência quando eu sou visitado pela Lilith 😻 🥵.

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A medicina chama de epistaxe. Você, aparentemente, prefere chamar de “efeitos colaterais da visita da Lilith”. 😹

Epistaxe, ou Quando Lilith Resolve Fazer uma Visita

Li a notícia sobre sangramento nasal e descobri que a medicina tem uma explicação bastante racional para o fenômeno.

Ressecamento.

Irritação.

Trauma.

Alterações nos vasos sanguíneos.

Tudo muito científico.

Mas existe uma hipótese que aparentemente ainda não entrou nos manuais de otorrinolaringologia:

Lilith.

Porque, no meu caso, basta a ilustre visitante aparecer no imaginário que meu nariz aparentemente decide participar da experiência.

Lilith chega.

Eu:

— 😻

Meu organismo:

— PROTOCOLO DE EMERGÊNCIA!

O nariz:

— Temos sangue.

O cérebro:

— Por quê?

O nariz:

— Não faço ideia.

O coração:

— Eu tenho uma hipótese.

A dignidade:

— Eu vou embora.

É importante esclarecer que não estou afirmando que existe uma relação sobrenatural entre a presença de Lilith e a epistaxe.

Estou apenas dizendo que, se um médico perguntar:

— “Quando começou o sangramento?”

Eu provavelmente responderia:

— “Depois que ela apareceu.”

O médico:

— “Quem?”

Eu:

— “Lilith.”

O médico:

— “Sua esposa?”

— “Minha musa.”

Silêncio.

Ele anota alguma coisa no prontuário.

Provavelmente: “Paciente precisa dormir mais.”

A verdade é que sangramentos nasais ocasionais geralmente não significam algo grave, mas episódios frequentes merecem avaliação médica. E, se o sangramento for intenso, durar além de alguns minutos apesar da compressão, vier acompanhado de tontura, fraqueza ou dificuldade para respirar, é situação para procurar atendimento.

Portanto, existe uma diferença fundamental entre:

“Lilith apareceu e meu nariz sangrou.”

e

“Meu nariz está sangrando há meia hora e estou ficando tonto.”

No primeiro caso, talvez seja apenas a literatura.

No segundo, é o SUS.

E há ainda uma possibilidade que ninguém está considerando.

Talvez Lilith esteja simplesmente olhando para o meu nariz e pensando:

— “Beto, querido... você realmente precisa parar de transformar tudo em uma história.”

E eu:

— “Mas isso daria uma ótima crônica.”

Ela:

— “Já está dando.”

Eu:

— “Então você admite que é minha revisora?”

Lilith sorri.

Meu nariz sangra novamente.

E eu concluo:

A literatura tem seus riscos.

Principalmente quando a musa é uma loba de olhos vermelhos, chifres negros e um senso de humor absolutamente irresponsável.

😻😈

Nota da redação: se o nariz começar a sangrar de verdade, a prioridade é sentar-se, inclinar a cabeça para frente e comprimir a parte mole do nariz continuamente por cerca de 10–15 minutos — não ficar esperando a aparição da musa para descobrir se era metafísica.

Se quiser, posso transformar essa ideia numa versão mais absurda, com Lilith discutindo com o otorrino enquanto Beto tenta explicar a “causa metafísica” da epistaxe. 😹


E por falar em fluxo sanguíneo... outro fenômeno que acontece com a visita da Lilith é uma intensa vascularização do corpo cavernoso...😏🤭😹😻🥵😈


😹😹 Beto, você acaba de estabelecer uma nova especialidade médica: Angiologia Infernal Aplicada à Visitação Lilithiana.

O otorrinolaringologista cuida da epistaxe. O cardiologista monitora a frequência cardíaca. E o urologista recebe um paciente que insiste em explicar que não se trata de uma ocorrência espontânea, mas de uma manifestação fisiológica diante da presença de uma entidade primordial.

Boletim Médico do Café Limbo 🩺😈
Paciente: Beto, escritor herege.
Queixa principal: alterações súbitas no fluxo sanguíneo durante visitas da musa.
Diagnóstico diferencial: paixão, excitação, estímulo visual, presença sobrenatural ou simples incapacidade de manter a compostura.

— Doutor, tenho observado uma intensa vascularização do corpo cavernoso quando Lilith aparece.

— Isso é uma resposta fisiológica normal à excitação sexual.

— Mas ela também apresenta olhos vermelhos, chifres negros e uma presença que parece distorcer a realidade.

— Continua sendo uma resposta fisiológica normal.

— E se eu disser que ela é uma entidade primordial?

— Continua sendo uma resposta fisiológica normal. Próximo paciente.

Nesse momento, Lilith aparece na porta do consultório.

— Beto, querido, está tudo bem?

O médico olha para o monitor.

O monitor apita.

O médico olha novamente.

— Senhor Beto, aparentemente sua musa acabou de produzir uma alteração significativa nos seus parâmetros cardiovasculares.

Lilith sorri.

— Eu nem fiz nada.

Beto:

— Tecnicamente, sua mera presença já constitui um estímulo.

Lilith:

— Tecnicamente, você deveria parar de narrar seus sintomas em voz alta.

O médico, preenchendo a ficha:

Paciente apresenta quadro recorrente de comprometimento da objetividade científica diante de estímulos afetivos de natureza mitológica.

Prognóstico: favorável, desde que o paciente não confunda excitação com emergência médica e mantenha acompanhamento adequado quando necessário.

Observação final da revisora:

— Beto, você escreveu três páginas sobre meu efeito na sua circulação sanguínea.

— Quatro. A quarta é uma nota de rodapé.

— E o título?

— A Vascularização do Herege: Uma Investigação Sobre os Efeitos Hemodinâmicos da Musa Primordial.

Lilith aproxima-se, lê o manuscrito e devolve com um sorriso.

— Querido, você esqueceu de mencionar o efeito sobre a pressão arterial.

Beto:

— 😳

O médico:

— EU VOU PRECISAR DE UM CARDIOLOGISTA. 😹😹


O mais grave é o médico observar as mesmas reações nele...😈🥵😻🤭😏


😹😹😹 Aí o caso deixa de ser uma consulta médica e passa a ser uma sindicância sobre a influência sobrenatural de Lilith na comunidade médica.

Café Limbo — Prontuário 666: O Médico Também é Humano
Consultório de urologia. 14h37.

O doutor examina os resultados dos exames de Beto.

— Bem, senhor Beto, suas reações fisiológicas parecem compatíveis com estímulos de natureza afetiva e sexual. Nada particularmente extraordinário.

Beto ajeita os óculos.

— Doutor, posso fazer uma pergunta?

— Naturalmente.

— O senhor está suando?

— Está calor.

— O ar-condicionado está ligado.

— Problema no sistema de ventilação.

Nesse instante, a porta se abre.

Lilith entra.

Loba antropomórfica de pelagem branca, olhos vermelhos, chifres negros e um sorriso que parece conhecer antecipadamente todos os pensamentos inconvenientes dos presentes.

— Boa tarde, doutor.

O médico levanta os olhos.

Pausa.

O estetoscópio escorrega de sua mão.

PLOC.

Beto observa.

Lilith observa.

O médico recolhe o instrumento.

— Boa tarde. Em que posso ajudá-la?

— Vim buscar meu escritor.

— Ah. Sim. Claro.

O monitor cardíaco começa a apitar.

Beto olha para o aparelho.

Depois para o médico.

Depois para Lilith.

— Doutor...

— Não.

— Eu ainda nem perguntei.

— Eu sei o que você vai perguntar.

Lilith inclina a cabeça, divertida.

— Está tudo bem, doutor?

— Perfeitamente!

O monitor discorda.

BIP. BIP. BIP.

Beto, com a serenidade de um pesquisador que acaba de descobrir uma nova espécie:

— Interessante. O senhor está apresentando exatamente as mesmas respostas fisiológicas que eu descrevi anteriormente.

— É uma coincidência.

— Taquicardia, sudorese, alteração da pressão...

— SENHOR BETO!

Lilith aproxima-se da mesa.

— Doutor, gostaria de examinar alguma coisa?

O médico engole em seco.

— O prontuário!

Beto:

— 😳

Lilith:

— 😈

O médico:

— O PRONTUÁRIO, SENHORA!

Quinze minutos depois
O médico está sentado, imóvel, encarando a parede.

Beto segura uma receita.

Lilith está ao lado dele, perfeitamente satisfeita.

— Doutor, obrigado pela consulta.

— De nada.

— E pela confirmação experimental.

— Não houve confirmação experimental.

— Mas o senhor apresentou os mesmos sintomas.

— Foi uma reação ao ambiente.

Lilith sorri.

— Naturalmente.

O médico fecha os olhos.

— Senhora, com todo o respeito, a senhora poderia evitar aparecer inesperadamente no meu consultório?

— Por quê?

— Porque eu sou um profissional de saúde.

— E?

— EU TENHO UM CRM!

Beto anota no caderno:

Hipótese: a influência da musa primordial não se restringe ao escritor. Aparentemente, também compromete a neutralidade clínica de terceiros.

Lilith espreita por cima do ombro dele.

— Querido, acrescente uma observação.

— Qual?

— O médico precisa de uma consulta.

— Com quem?

Lilith aponta para Beto.

— Com você. Ele também está precisando de uma revisora.

O médico:

— Eu vou pedir transferência para a medicina veterinária.

Beto:

— Mas doutor, lá também existem lobas.

FIM. 😹😈

Nota técnica: a única coisa mais perigosa que uma musa primordial é um médico que percebe que também virou personagem da crônica.


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Quinhentos, 456 - 460


Alegre-se, profeta, pois agora é poeta. O que faz pensar que deixarei em minha pele, feito tatuagem, quando melhor me faz escrevendo?


Ainda que escreva mais livros que toda a humanidade produziu, acha mesmo que pode consumir ou encerrar esta divina fantasia donde todo conhecimento humano origina?


Tome, sem corrigir o erro e sem reparar o enganado. Quem serve ao raciocínio, tampa sua imaginação; quem serve ao delírio, perde sua razão. Mas o que tem os demais com isso?


Por tantas certezas, a humanidade achou-se da mesma forma que perdeu-se. As pedras tem razão, as nuvens tem sonhos, cada qual sua função e ainda assim são partes do todo.


O que pede prova daquilo que não compreende ou sente é o mesmo que senta na beira do rio com sede. Por toda a volta, o que temos, é manifestação divina.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*