O retorno de lorde Fluffybutt III a Versalhes é marcado pelo excesso. Enquanto os criados descarregam os caixotes com os charutos caribenhos de Yara e os diários proibidos do Marquês de Sade confiscados do Papa-Avestruz, o Palácio de Versalhes está em polvorosa.
A razão do alvoroço não é apenas a volta do Primeiro-Ministro, mas a carruagem real britânica que acaba de cruzar os portões de ferro dourado. Dela, desembarca sua graça, a Duquesa de Devonshire.
Diferente da futilidade felina da corte francesa, a Duquesa exala uma imponência calorosa, típica de sua raça. Sua pelagem dourada é perfeitamente escovada, contrastando com um vestido de corte inglês impecável e uma peruca imensa adornada com pérolas. Ela carrega aquela simpatia natural que os cães usam para desarmar os outros, mas Fluffybutt sabe que, por trás daquele rabo abanando sutilmente sob a anágua, existe a mente de uma das maiores estrategistas políticas de Lundun.
Fluffybutt, vestindo suas luvas brancas limpas e com o monóculo a postos, encontra a Duquesa no Salão dos Espelhos. Sophia e Amélie observam de longe, com as caudas levemente inquietas — afinal, a presença de uma canina daquele porte no território delas exige atenção.
Duquesa: (Abre um sorriso radiante, exibindo dentes brancos e perfeitos, estendendo a pata com luva de renda) "Ah, milorde Fluffybutt! É um prazer indescritível finalmente conhecê-lo. Os boatos sobre sua... eficiência em Roma cruzaram o canal da Mancha mais rápido que os nossos navios."
Fluffybutt: (Aproxima-se e faz uma reverência impecável, beijando o ar logo acima da pata da Duquesa) "Minha querida Duquesa, Versalhes se ilumina com vossa dourada presença. Devo admitir que as histórias sobre vossa beleza e intelecto não fazem justiça à realidade. Embora eu me pergunte... o que traria a joia da coroa britânica ao nosso modesto palácio? Lundun ficou entediante ou o chá de vocês finalmente perdeu o sabor?"
Duquesa: (Solta uma risada leve, abanando o leque com graça) "Vim tratar de negócios, milorde. Soube que a França anda fazendo acordos muito... liberais no Caribe com certas felinas locais, e que o Vaticano anda assinando concessões bizarras. A coroa britânica não gosta de ver o equilíbrio comercial balançar... especialmente quando envolve o sumiço misterioso do nosso estimado inquisidor Woodford."
Fluffybutt conhece esse jogo. Primeiro ele mostra os charutos e o rum de Havana. Mostra os perfumes da Argélia (e os beduínos).
Informação é a maior arma a ser usada aqui. A duquesa veio com um típico traje da corte britânica, Fluffybutt tenta "ler" nas palavras e ações da duquesa se ela é anglicana ou protestante.
Os dois não querem e não vão entrar no "acordo matrimonial" feito com o rei Jorge III para "relevar" as peripécias de sir Barnaby.
O Salão dos Espelhos testemunha o início de um embate mental silencioso, onde cada palavra é um peão movido com precisão milimétrica. Lorde Fluffybutt III não é um amador; ele conhece esse jogo de salão melhor do que ninguém. Antes de permitir que a Duquesa de Devonshire dite o tom da conversa, ele assume as rédeas da narrativa através de uma sutil exibição de poder e colheita de informações.
Fluffybutt conduz a exuberante Golden Retriever ao seu gabinete privado. Ele não economiza na ostentação de suas conquistas ultramarinas: faz questão de servir o rum mais puro de Havana, cujas notas adocicadas perfumam o ar, e oferece a ela um dos charutos perfeitamente esculpidos por Yara. Para completar o cenário de dominância, o lorde ordena que seus guardas beduínos — com seus trajes nômades imponentes e olhares afiados — sirvam essências e perfumes raros trazidos diretamente da Argélia pacificada.
Enquanto a Duquesa, mantendo a postura impecável de sua raça, aceita o rum com uma elegância que quase disfarça o leve abanar de cauda sob o pesado vestido da corte britânica, Fluffybutt a observa fixamente através do monóculo.
A Duquesa veste o típico e rígido traje da corte de Lundun: espartilho severo, gola alta adornada com rendas aristocráticas e broches de heráldica tradicional. O lorde, como um escritor herético atento aos detalhes dogmáticos, tenta "ler" nas entrelinhas de suas palavras, em seus gestos contidos e na sobriedade de suas reações se ela se inclina para a pompa da alta igreja Anglicana ou se carrega a austeridade pragmática das linhagens Protestantes mais puritanas. O modo como ela evita os excessos visuais, mas aprecia a sofisticação geopolítica do ambiente, entrega as primeiras pistas de sua inclinação espiritual.
A conversa inevitavelmente converge para o elefante político na sala — ou melhor, para o arranjo dinástico que paira sobre o Canal da Mancha. O rei Jorge III da Inglaterra havia proposto um "acordo matrimonial" de conveniência entre a linhagem da Duquesa e os interesses franceses, uma manobra destinada a fazer a corte de Versalhes "relevar" e esquecer de uma vez por todas as peripécias e contrabandos do infame sir Barnaby.
A Duquesa pousa sua taça de cristal, soltando uma lufada de fumaça do tabaco cubano com extrema distinção.
Duquesa: "Milorde... sabemos que Lundun e Paris estão interligadas por fios muito finos. Sua Majestade, o rei Jorge, acredita sinceramente que uma... união de laços entre nossas casas acalmaria as águas turbulentas que sir Barnaby agitou em suas fronteiras."
Fluffybutt solta um ronronar baixo, quase irônico, ajustando suas luvas brancas. Nenhum dos dois tem a menor intenção de se curvar a um casamento arranjado por coroas teimosas. A liberdade do lorde e a autonomia da duquesa valem ouro.
Fluffybutt: "Minha cara Duquesa, o rei Jorge possui uma imaginação admirável para a poesia romântica, mas uma miopia trágica para a realidade. Um acordo matrimonial? Por favor... Vossa Graça é inteligente demais para se deixar acorrentar pelas conveniências de Lundun, e eu prezo demais a minha... independência intelectual e liberal para me trancar em um contrato de fidelidade britânica. Sir Barnaby cometeu seus erros, mas negociar a nossa liberdade para perdoá-lo seria um preço alto demais, não concorda?"
A Duquesa de Devonshire abre um sorriso largo e cúmplice, revelando que a proposta do rei inglês era apenas uma fachada para testar o terreno.
Duquesa: "Fico imensamente aliviada em ver que sua reputação de pragmatismo é verdadeira, lorde Fluffybutt. Se Jorge III quer salvar a pele de Barnaby, que pague com concessões nas colônias, não com as nossas vidas. Agora que as tolices românticas foram descartadas... passemos ao que realmente importa: o que a França deseja para que os navios britânicos não interfiram com as suas jaguatiricas em Havana?"
Fluffybutt: "A notícia de minha aventura na Santa Sede deve ter sido intrigante, duquesa. Deve ter ouvido falar que eu recebi a coleção dos textos do Marquês de Sade que estavam guardados no Vaticano."
A Duquesa de Devonshire dá uma pausa dramática, segurando a taça de rum cubano a meio caminho da boca. Suas orelhas douradas erguem-se sutilmente e os olhos castanhos fixam-se no lorde com uma mistura de choque aristocrático e profunda curiosidade intelectual. A rigidez do traje da corte britânica parece, por um milissegundo, ceder ao peso daquela revelação bombástica.
Ela solta uma risada curta, seca e refinada, abanando o leque com um vigor ligeiramente maior do que antes, tentando recuperar a compostura puritana que o lorde acabou de desafiar.
Duquesa: "Milorde... eu sabia que vossas garras eram longas, mas confiscar a literatura mais profana e escandalosa do continente diretamente das mãos do Papa-Avestruz? Isso supera qualquer boato que tenha cruzado o Canal. Lundun inteira ficaria horrorizada com tamanho atrevimento... o que, admito, torna tudo ainda mais fascinante."
Fluffybutt sorri por trás do monóculo, percebendo que a menção aos textos proibidos atingiu o alvo. Se ela fosse uma protestante puritana intransigente, teria se retirado do gabinete imediatamente; a reação dela, equilibrada entre o decoro e o interesse genuíno, denuncia a flexibilidade de uma anglicana de alta corte que sabe o valor de um segredo bem guardado — e de um prazer proibido.
Duquesa: (Inclinando-se um pouco mais, baixando o tom de voz) "Diga-me, lorde Fluffybutt... o que um escritor herético e pagão pretende fazer com os delírios libertinos do Marquês? Vai usá-los para corromper a moral da corte do rei Leão VI ou está apenas colecionando os pecados do mundo para usá-los como moeda de troca?"
Fluffybutt: "Ora, minha querida Duquesa, o conhecimento nunca deve ficar trancado em masmorras, seja ele sagrado ou... deliciosamente profano. Digamos que o Marquês de Sade compreendia a natureza dos desejos sem as amarras das hipocrisias clericais. Algo que eu, como um liberal, aprecio profundamente."
Fluffybutt: "Eu negociei diretamente com os nativos do Caribe. Algo que a coroa espanhola deveria aprender. Eu soube que a coroa britânica tem tido problemas com seus colonos no Novo Mundo. Talvez nós dois possamos tirar vantagem disso..."
As palavras do lorde pairam no ar, carregadas de um perfume que mistura a fumaça de Havana com a audácia política de Versalhes. A Duquesa de Devonshire, que estava prestes a tomar um gole de rum, congela por um instante. O abanar discreto de sua cauda para imediatamente sob as saias de seda britânica.
Fluffybutt tocou no ponto mais sensível da geopolítica de Lundun: a agitação dos colonos nas Treze Colônias. O fato de ele ter mencionado sua negociação direta com os nativos de Yara e Havana — ignorando as formalidades mofadas das metrópoles — serve como um espelho incômodo para os problemas que o rei Jorge III enfrenta com seus próprios súditos rebeldes no além-mar.
Duquesa: (Seus olhos castanhos brilham com uma inteligência afiada enquanto ela pousa a taça) "Vós sois um mestre da provocação, milorde. Trazer à tona a insubordinação de nossos colonos enquanto ostenta vossas vitórias 'liberais' no Caribe... é quase tão escandaloso quanto vossa coleção de Sade. Mas não sou tola. Sei que a França observa aquela costa com olhos de águia — ou melhor, de gato — esperando o momento em que a fruta cairá do pé."
Fluffybutt aproxima-se, as patas cruzadas às costas com elegância felina.
Fluffybutt: "A fruta já está madura, minha cara. E a coroa espanhola, com sua burocracia de aves e coelhos assustados, como vimos com Don Flopito, não tem estômago para a nova ordem mundial. Se a Grã-Bretanha continuar a tratar seus colonos com a rigidez de um inquisidor Woodford, acabará perdendo tudo. No entanto... se certos acordos secretos forem feitos, talvez possamos garantir que o comércio flua sem as... interrupções de uma guerra total."
A Duquesa sorri, uma expressão complexa que mistura o dever para com Lundun e sua própria sede de poder e liberdade intelectual.
Duquesa: "Vós sugeris uma aliança por baixo da mesa? A França ajuda a 'acalmar' os ânimos através de seus contatos em Havana, e em troca, Lundun faz vista grossa para certas rotas comerciais francesas... e talvez para o sumiço de certos inquisidores?"
Fluffybutt: "Exatamente. O mundo está mudando, Duquesa. As coroas que não aprenderem a negociar com o 'profano' e o 'nativo' serão as primeiras a cair. E creio que Vossa Graça prefere estar do lado que segura o chicote — ou, neste caso, o diário do Marquês."
Sophia e Amélie, percebendo que a conversa atingiu o nível das conspirações que mudam o mapa do mundo, trocam olhares de aprovação. O lorde está prestes a transformar uma visita diplomática britânica em um pacto de dominação comercial e libertinagem intelectual.
Fluffybutt: "O que acha de anexar a Louisiana ao território? Seus colonos estarão muito mais interessados nas riquezas e nós dois podemos lucrar muito."
A Duquesa de Devonshire dá um passo atrás, as orelhas douradas erguendo-se ao máximo. O leque de rendas para de se mover no ar. Propor a partilha e a reconfiguração do mapa da América do Norte, bem ali, entre uma tragada de charuto e um gole de rum, é uma audácia que apenas a mente de lorde Fluffybutt III poderia conceber com tanta naturalidade.
Os olhos da canina brilham com o reflexo dourado dos candelabros de Versalhes enquanto ela processa a magnitude da proposta. A Louisiana, aquele vasto e misterioso território de pântanos, florestas e rios estratégicos, sob o controle combinado da astúcia francesa e do pragmatismo comercial que ambos compartilham, seria o xeque-mate definitivo contra a decadente coroa espanhola.
Duquesa: (Aproximando-se da mesa de centro, apoiando as patas com luvas de renda sobre o mapa do Novo Mundo) "Anexar a Louisiana... Milorde, vós não estais apenas jogando xadrez político; estais virando o tabuleiro no colo do rei da Espanha. Se os meus colonos em Lundun e nas Treze Colônias virem as portas da Louisiana abertas para o comércio e a expansão, a atenção deles se voltará totalmente para o oeste. Eles estarão ocupados demais contando lucros para se rebelarem contra o Parlamento britânico."
Fluffybutt dá um sorriso felino perfeitamente esculpido, ajustando o monóculo.
Fluffybutt: "Exatamente, minha cara. O ouro e o tabaco são os melhores calmantes para a insubordinação. Enquanto os colonos lucram e a França expande sua soberania sobre o Mississippi, nós dois controlamos o fluxo da riqueza. Deixemos que os velhos reis se preocupem com casamentos dinásticos e dogmas mofados. Nós negociamos o futuro."
A Duquesa solta uma risada cúmplice e rica, o rabo abanando abertamente agora sob a saia pesada, esquecendo por completo a rigidez puritana de sua corte.
Duquesa: "É uma proposta deliciosamente escandalosa, lorde Fluffybutt. Quase herética... o que significa que estou perfeitamente inclinada a aceitar. Se Jorge III quer um tratado com a França, eu darei a ele este mapa. Mas sob uma condição..."
Ela desliza o dedo com garra pela linha do rio Mississippi no mapa.
Duquesa: "...Eu quero acesso exclusivo às rotas de comércio de peles do norte, e uma cópia impecavelmente encadernada daqueles diários do Marquês de Sade que vós tirastes de Roma. Um pouco de heresia francesa para as minhas noites em Devonshire parece o preço justo por esta aliança."
Amélie e Sophia, observando das sombras, sorriem. O lorde não apenas evitou um casamento indesejado, como usou a maior diplomata da Inglaterra para iniciar a expansão do império francês na América, tudo regado a bom tabaco, rum e literatura proibida.
Criado com Gemini, do Google.
Imagem criada com Gemini, do Google.


