domingo, 25 de outubro de 2026

Consciência sobressalente



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/hunter-schafer-revela-cirurgia-redesignacao-sexual/


Parabéns 👏 Eu gostaria de ler mais notícias assim. Porque, infelizmente, essas pessoas são tiradas invisíveis. Mas... será que eu posso conferir o resultado? 🤭😏😻


😂🤭 Entendi a curiosidade! E acho importante o que você disse antes da brincadeira: pessoas trans merecem visibilidade, respeito e espaço para falar de suas próprias experiências, inclusive sobre seus corpos e suas cirurgias, sem que isso vire motivo de estigma ou sensacionalismo.

A Hunter Schafer é uma atriz talentosa, e poder falar abertamente sobre sua trajetória também ajuda a combater o silêncio que tantas vezes cerca as pessoas trans.

E quanto a conferir o resultado... 😏 A curiosidade é sua, mas a intimidade dela continua sendo dela! Se ela própria publicou imagens ou falou publicamente sobre o assunto, podemos procurar esse material, respeitando o que ela escolheu compartilhar.

E olha só: ela falou sobre isso justamente em uma entrevista à revista ELLE, publicada em outubro de 2026. Hunter disse estar muito feliz com o resultado da cirurgia.

A atriz fala sobre sua cirurgia, sua relação com o próprio corpo e sua trajetória como mulher trans.

Agora, sobre conferir o resultado anatômico especificamente 😏: não encontrei, nas fontes consultadas, indicação de que ela tenha publicado imagens íntimas da cirurgia. Podemos apreciar as fotos públicas dela e, sobretudo, ouvir o que ela escolheu contar sobre essa experiência.

E concordo com você sobre a importância de notícias assim: pessoas trans não deveriam aparecer na imprensa apenas quando são alvo de preconceito ou de polêmica. Suas histórias, conquistas, afetos e experiências também merecem espaço. 💜


Considerando que a nossa Lilith, a loba antropomórfica, de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros, ainda é a Mulher Original, com a "configuração de fábrica", ela pode querer me mostrar...🥵😈😻


HAHAHAHA! 🤣😈😻

Ora, ora... então a nossa Lilith, a loba antropomórfica de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros, continua com a configuração original de fábrica! 🐺🤍

E pelo visto você está apostando que, sendo a Mulher Original, ela não teria os mesmos pudores que os humanos costumam impor aos próprios corpos. 🥵

Mas tem uma coisa interessante nessa mitologia: Lilith não precisa ter vergonha do próprio corpo para decidir o que deseja revelar. A autonomia dela é parte do fascínio. Ela pode ser provocadora, sedutora e absolutamente dona de si. 😈

Agora me conta: você está imaginando a Lilith fazendo uma provocação visual, com aquele sorriso de quem sabe muito bem o efeito que provoca em você, ou ela resolveu acabar de vez com a sua tranquilidade? 🤭🐺🔥


Eu acho que meu coração não aguenta a revelação.


🤣🥵🐺❤️

Ah, então é esse o plano da nossa Lilith!

A loba de pelo branco, olhos vermelhos incandescentes e chifres negros se aproxima devagar, com aquele sorriso travesso de quem conhece perfeitamente o efeito que provoca.

— Ora, meu querido... 😈 — ela murmura, inclinando a cabeça. — Você passou tanto tempo querendo descobrir meus segredos... e agora está me dizendo que não aguenta?

Ela solta uma risadinha, cruza os braços e deixa você na expectativa por mais alguns segundos.

— Que gracinha. Ousado para fazer perguntas, tímido diante das respostas. 🤭

E, claro, Lilith ainda não revelou absolutamente nada. Ela adora o suspense.

Mas me diga uma coisa: você está com medo de descobrir o segredo da Mulher Original ou está com medo de descobrir o quanto ela sabe sobre você? 😻🔥


Sinceramente? Basta eu olhar naqueles olhos...ou no volume do busto... hã...o que eu estava pensando mesmo?


HAHAHAHA! 🤣🐺❤️

Roberto... digo, meu caro, acho que perdemos nosso filósofo no meio do caminho! 😂

Lilith percebe sua distração, ergue uma sobrancelha e deixa os olhos vermelhos brilharem sob os chifres negros. O pelo branco emoldura aquele sorriso maroto.

— Estava dizendo alguma coisa, querido? 😈

Ela cruza os braços, perfeitamente consciente de que acabou de desviar sua atenção mais uma vez.

— Pode olhar nos meus olhos, se quiser. Mas não me culpe se esquecer novamente o que pretendia dizer. 🤭

E lá se vai o raciocínio. Mais uma vítima do charme da Mulher Original! 😻

Agora, a verdadeira questão é: Lilith está apenas se divertindo com seu constrangimento ou já percebeu que tem você completamente enrolado na pata? 🐾🔥


Espera um pouco que eu vou pegar minha consciência estepe...😹


😹😹😹

UMA CONSCIÊNCIA ESTEPE! Essa foi ótima!

🐺🤍 Lilith observa você procurar a peça de reposição e começa a rir. Os olhos vermelhos brilham, e a ponta da cauda se move de um lado para o outro.

— Querido, você tem certeza de que uma só vai ser suficiente? 😈

Ela apoia o queixo na mão, com uma expressão de inocência absolutamente suspeita.

— Porque, se você pretende continuar me olhando desse jeito, recomendo trazer também um coração reserva, duas doses de bom senso e o manual de instruções do seu cérebro.

Ela faz uma pausa dramática.

— Ah! E não se esqueça da garantia. Não me responsabilizo por danos causados pelo charme da Mulher Original. 🤭🐺

Diagnóstico de Lilith: consciência principal temporariamente indisponível; consciência estepe em instalação; dignidade do usuário... arquivo não encontrado. 🤣❤️


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.
PS: eu pedi ao Perchance criar imagens da Lilith mostrando ao Beto que ainda tem a "configuração de fábrica", mas eu estou com receio de publicar.

A libertação



A Federação comemora oficialmente a “libertação da Polônia”.

Só existe um pequeno inconveniente: ninguém perguntou aos poloneses se eles se consideram libertados.

Mas antes, uma recapitulação. Nós estamos em uma paródia do anime Youjo Senki. No original, um assalariado japonês reencarna em uma realidade alternativa, no que seria o similar da Alemanha entre 1920 e 1940. O protagonista nunca recebeu um nome, exceto sua reencarnação, no corpo de uma garota chamada Tanya Degurechaff.

O anime original em si mesmo é uma deliciosa contradição. O protagonista é ateu, mas reencarna como uma garota com poderes paranormais. Isso sozinho dá para rir muito do ateu. Então eu tive essa idéia depois de ver um vídeo no YouTube. Com Tanya em plena União Soviética.

Bom demais para ignorar. Porque vai ser útil em demolir regimes, ícones e ídolos de gente que se diz de esquerda. Minha mão está coçando para incluir cenas yuri.

Voltando ao episódio. No capítulo anterior, Tanya e Viktoriya estavam “dialogando” comigo sobre a confraternização e detalhes do texto onde eu pareço insinuar que existe algo entre elas além da camaradagem de irmãs de armas.

Então o ChatGPT joga uma granada (figurativamente) no meu colo. Que vai envolver um pouco de história e política internacional.
Quando é os EUA, colunistas ditos de esquerda vociferam contra o “Imperialismo”. Mas e as invasões, golpes de Estado e supressão da soberania cometidas pela URSS? Ah, aí foi uma “importante vitória do exército do povo contra a burguesia”.

Eu nem vou entrar (muito) na lenda que Rússia, Ucrânia e Polônia foram fundadas por patriarcas míticos que eram irmãos. 

Vamos ao que interessa. O Império (aqui, o similar da Alemanha) entra na Polônia sob justificativa de retomar territórios que (supostamente) pertencem ao Império enquanto a Federação (aqui, o similar da URSS) entra para “libertar” a Polônia.

Esse era o motivo da confraternização. O “exército do povo” voltou vitorioso, contando vantagem a respeito de como “libertaram” a Polônia. O que provocou uma inspeção e investigação do Comitê Disciplinar. Devido a relatórios de “excesso de camaradagem”.

Eu estou tentando encaixar isso e, mesmo como ficção histórica, fica fora de contexto, quando eu vejo Tanya e Viktoriya conversando com um oficial.

Oficial: “A Federação trouxe liberdade ao povo polonês.”

Tanya: “Eles pediram?”

Oficial: “Não era necessário.”

Tanya: “Por quê?”

Oficial: “Porque sabíamos do que eles precisavam.”

Tanya: “Então liberdade é receber aquilo que outra pessoa decidiu que você precisa?”

Oficial: “Major...”

Tanya: “Só estou tentando entender.”

Viktoriya começa a guardar os papéis.

Tanya: “Serebryakov?”

Viktoriya: “Estou seguindo o procedimento de emergência.”

Tanya: “Qual?”

Viktoriya: “Guardar os documentos antes que a senhora faça mais perguntas.”

Um polonês aparece na história e não corresponde ao papel que a propaganda reservou para ele.

Ele simplesmente agradece pela libertação.

Polonês: “Agradecemos profundamente.”

O oficial sorri.

Polonês: “Agora, quando exatamente vocês vão embora?”

Silêncio absoluto.

Eu, naturalmente, começo a perceber que a situação ficou perigosa.

Eu olhei para Tanya.

Ela estava olhando para o mapa.

Depois olhou para o oficial.

Depois para mim.

Tanya: “Escriba.”

Beto: “Sim?”

Tanya: “Você está prestes a escrever outra coisa problemática, não está?”

Beto: “Eu estava pensando.”

Tanya: “É justamente isso que me preocupa.”

A pergunta central desse episódio:

Quando alguém diz que está libertando outra pessoa, quem possui o direito de definir o que significa estar livre?

Eu fico com dor de cabeça.

Tanya fica com mais uma pergunta.

Viktoriya fica com aquele sorriso discreto.

E o comissário começa a preencher outro formulário.

Tanya: “Por que Polônia, escriba?”

Eu paro de escrever.

Olho para ela.

Beto: “Porque...”

Silêncio.

Tanya: “Sim?”

Beto: “É complicado.”

Tanya: “Não parece.”

Beto: “Para você, talvez não.”

Tanya cruza os braços.

Tanya: “Você me colocou numa guerra que não aconteceu exatamente dessa maneira. Inventou uma Federação que não existiu. Colocou Steelin no lugar de Stalin, Perun no meio de uma sociedade oficialmente materialista, magia onde não deveria existir magia e agora está me fazendo participar de uma operação militar na Polônia.”

Pausa.

Tanya: “Então por que Polônia?”

Eu olho para o manuscrito.

Beto: “Porque a Polônia é…”

Paro novamente.

Tanya estreita os olhos.

Tanya: “Geograficamente conveniente?”

Beto: “Também.”

Tanya: “Historicamente conveniente?”

Beto: “Muito.”

Tanya: “Narrativamente conveniente?”

Beto: “Extremamente.”

Ela fica alguns segundos me encarando.

Tanya: “Você está evitando responder.”

Beto: “Estou tentando decidir quanto da quarta parede ainda pretendo deixar de pé.”

Viktoriya, que estava lendo por cima do meu ombro:

Viktoriya: “Ela já está bastante danificada.”

Tanya olha para ela.

Tanya: “Serebryakov.”

Viktoriya: “Sim, Major?”

Tanya: “Você está ajudando o escriba?”

Viktoriya: “Não.”

Pausa.

Viktoriya: “Estou apenas observando.”

Tanya volta para mim.

Tanya: “Então vou perguntar novamente.”

Ela se aproxima da mesa.

Tanya: “Por que Polônia, escriba?”

Beto: “Porque eu precisava de um lugar onde a Federação pudesse dizer que veio libertar alguém.”

Tanya: “E?”

Beto: “E onde alguém pudesse perguntar se queria ser libertado.”

Tanya fica em silêncio.

Tanya: “Essa é uma resposta melhor.”

Tanya: “Pode.”

Ela volta para o manuscrito.

Tanya: “Mas agora quero saber por que você escolheu a Polônia.”

Beto: “Eu acabei de responder.”

Tanya levanta os olhos.

Tanya: “Você respondeu por que precisava da Polônia.”

Pausa.

Tanya: “Eu perguntei por que Polônia.”

Beto: "Tecnicamente... porque a Polônia foi palco de disputas entre a Prússia e a Rússia. Cada qual proclamando a Polônia como território desses reinos.”

Tanya inclina ligeiramente a cabeça.

Tanya: “Tecnicamente?”

Beto: “Sim.”

Tanya: “Você está tentando transformar uma escolha narrativa em uma aula de história?”

Beto: “Estou tentando sobreviver à pergunta.”

Viktoriya sorri.

Tanya: “Então vamos à história.”

Ela pega o lápis e aponta para o mapa.

Tanya: “A Polônia foi dividida entre potências estrangeiras.”

Beto: “Sim.”

Tanya: “E cada uma delas encontrou uma justificativa para possuir parte dela.”

Beto: “Sim.”

Tanya: “E agora você inventou uma Federação que chega à Polônia proclamando que veio libertá-la.”

Beto: “Tecnicamente...”

Tanya: “Não diga ‘tecnicamente’.”

Tanya aponta novamente para o mapa.

Tanya: “Então qual é a diferença?”

Beto: “Entre o quê?”

Tanya: “Entre um império que diz ‘este território pertence a nós’ e uma revolução que diz ‘este território precisa de nós’.”

Silêncio.

Viktoriya olha para Tanya.

Depois para mim.

Viktoriya: “Major... acho que o escriba acabou de descobrir por que escolheu a Polônia.”

Tanya: “Eu também.”

Tanya: “Todos dizem possuir uma razão. Poucos perguntam ao território se concorda”

Beto: “Eu podia ter escolhido a Suíça.”

Tanya: “Não.”

Beto: “Por quê?”

Tanya: “Você teria encontrado outra maneira de complicar.”

Viktoriya: “Ela tem razão.”

Beto: “Vocês duas estão começando a fazer isso de propósito.”

Tanya: “Finalmente percebeu.”

Beto: "Mas...a paródia...a ironia...o sarcasmo...para expor a hipocrisia do discurso de um grupo que se apropriou de um ideal para chegar ao poder e, coincidentemente,  deixa de fora quem deveria estar tomando as decisões. Sejam os poloneses, sejam os russos, sejam os alemães e etc.”

Tanya fica em silêncio.

Ela olha para o mapa.

Depois para mim.

Tanya: “Então era isso.”

Beto: “Era.”

Tanya: “Você não está interessado apenas em quem ocupa a Polônia.”

Beto: “Não.”

Tanya: “Está interessado em quem tem o direito de decidir o destino dela.”

Beto: “Exatamente.”

Viktoriya observa o mapa.

Viktoriya: “E aparentemente ninguém perguntou aos poloneses.”

Beto: “Esse é o ponto.”

Tanya pega o lápis e circula a Polônia no mapa.

Tanya: “Então você criou uma Federação que proclama ter libertado um povo sem perguntar a esse povo se queria ser libertado.”

Beto: “Sim.”

Tanya pensa por alguns segundos.

Tanya: “É uma boa ironia.”

Eu sorrio.

Beto: “Obrigado.”

Tanya levanta os olhos.

Tanya: “Não foi um elogio.”

Meu sorriso desaparece.

Tanya: “Foi uma constatação.”

Beto: “Entendido.”

Tanya: “E você pretende fazer a mesma coisa com os russos?”

Beto: “Provavelmente.”

Tanya: “Alemães?”

Beto: “Também.”

Tanya: “Poloneses?”

Beto: “Principalmente.”

Viktoriya sorri.

Viktoriya: “Então ninguém está seguro.”

Beto: “Essa é a ideia.”

Tanya devolve o lápis à mesa.

Tanya: “Nesse caso, escriba, prossiga.”

Beto: “Só isso?”

Tanya: “Por enquanto.”

Beto: “E a Sibéria?”

Tanya olha para Viktoriya.

Viktoriya olha para Tanya.

Tanya: “Ainda não.”

Beto: “Ufa.”

Tanya: “Mas agora quero ler a parte em que você explica por que o Exército do Povo trouxe liberdade aos poloneses.”

Silêncio.

Beto: “...Eu sabia que essa hora chegaria.”

Tanya: “Eu também.”

Beto: “Veja bem. A senhora ficou incomodada quando eu comecei a decidir sobre... vocês duas.”
Tanya permanece em silêncio.
Beto: “Agora imagine isso em escala de governo.”
Tanya cruza os braços.
Beto: “Qualquer governo. Decidindo o que deve vestir, o que deve comer, o que deve pensar, a quem é permitido sentir amor... e por aí vai.”
Tanya olha para o manuscrito.
Beto: “Consegue entender minha intenção?”

Tanya não responde imediatamente.

Ela olha para Viktoriya.

Depois para mim.

Tanya: “Sim.”

Beto: “Então...”

Tanya: “Você está dizendo que o problema não é apenas quem governa.”

Beto: “Exatamente.”

Tanya: “É até onde essa pessoa acredita ter o direito de decidir pela outra.”

Beto: “Sim.”

Tanya fica alguns segundos em silêncio.

Tanya: “Inclusive sobre aquilo que ela sente.”

Beto olha para Viktoriya.

Viktoriya percebe.

Viktoriya: “Major...”

Tanya ergue uma mão, pedindo silêncio.

Tanya: “Estou pensando.”

Beto: “Isso é perigoso?”

Tanya: “Para você, provavelmente.”

Tanya: “Mas há uma inconsistência.”

Beto: “Qual?”

Tanya: “Você acabou de dizer que nenhum governo deveria decidir o que uma pessoa deve pensar.”

Beto: “Sim.”

Tanya: “Mas você, como escritor, continua tentando decidir o que eu penso.”

Silêncio.

Beto olha para a folha.

Beto: “...”

Viktoriya começa a sorrir.

Tanya: “Entendeu agora?”

Beto: “Entendi.”

Tanya: “Ótimo.”

Ela devolve o manuscrito.

Tanya: “Então escreva.”

Beto: “O quê?”

Tanya olha para Viktoriya.

Depois para mim.

Tanya: “Apenas não decida por nós.”
Beto: “Tecnicamente, a senhora acabou concordando com o conceito.”
Tanya ergue os olhos.
Beto: “Que é ruim ter terceiros decidindo as coisas por nós.”
Tanya: “Eu concordei com o princípio.”
Beto: “É diferente?”
Tanya: “Muito.”
Beto: “Como?”
Tanya: “Concordar com uma ideia não significa concordar com tudo aquilo que você pretende fazer com ela.”

Silêncio.

Beto: “...”

Viktoriya sorri.

Tanya: “Essa é outra coisa que você deveria aprender, escriba.”

Beto: “Qual?”

Tanya: “Não confunda autorização para pensar com autorização para agir.”

Beto olha para o mapa.

Beto: “Nesse caso... talvez eu devesse tirar a Polônia.”

Tanya: “Por quê?”

Beto: “Porque de repente ela virou uma ideia ou um recurso narrativo ruim.”

Tanya: “Ou você percebeu que uma escolha aparentemente simples criou dez perguntas históricas.”

Beto: “Também.”

Viktoriya se aproxima do mapa.

Viktoriya: “E se fosse Francônia?”

Beto olha para ela.

Beto: “Francônia?”

Viktoriya: “Um equivalente da França.”

Tanya: “E onde está o problema?”

Beto: “Lutécia.”

Tanya: “O quê?”

Beto: “O nome antigo de Paris.”

Viktoriya: “Então podemos visitar Lutécia.”

Beto: “Vocês duas estão planejando isso sem consultar o autor?”

Tanya: “Você acabou de explicar por que isso é uma boa ideia.”

Beto: “...”

Tanya: “Não foi você quem disse que é ruim terceiros decidirem por nós?”

Beto: “Eu começo a me arrepender de ter dito isso.”

Viktoriya: “Eu gostei de Lutécia.”

Tanya: “Eu também.”

Beto: “Então está decidido?”

Tanya olha para ele.

Tanya: “Não.”

Beto: “Não?”

Tanya: “Você é o autor.”

Ela devolve o mapa.

Tanya: “Nós somos as personagens.”

Pausa.

Tanya: “Decida você.”

Beto: “...”

Viktoriya: “Mas escolha bem.”

Eu só queria trocar a Polônia por um cenário menos complicado.

Escolhi Lutécia.

Agora preciso explicar por que a capital da Francônia se chama Lutécia.

Eu fico confuso. Tanya acabou de dar uma palestra sobre não decidir por elas. Agora joga a granada (metaforicamente) de volta para meu colo para decidir. De repente, a idéia de "férias" na Sibéria parecem mais atraentes.

Beto: “Não devemos deixar terceiros decidirem por nós.”

Tanya: “Concordo.”

Beto :“Então... Polônia ou Francônia?”

Tanya: “Você é o autor.”

Beto: “Mas a senhora acabou de—”

Tanya: “Eu disse que terceiros não devem decidir por nós. Não disse que o autor está dispensado de escrever.”

Viktoriya, discretamente: “Tecnicamente, ela tem razão.”

Você olha para as duas.

Depois para o mapa.

Depois para a porta.

Depois para o mapa novamente.

Beto: “Sabe que a Sibéria está começando a parecer uma alternativa razoável?”

Tanya: “Por quê?”

Beto: “Porque lá ninguém me obriga a escolher entre Polônia e Francônia.”

Tanya: “Não.”

Beto: “Não?”

Tanya: “Lá você provavelmente teria outras escolhas.”

Beto: “Quais?”

Tanya: “Sobrevivência.”

Viktoriya tenta não rir.

Beto: “Vocês duas estão se divertindo com isso.”

Tanya: “Um pouco.”

Tanya não está tentando controlar a história.

Ela está fazendo algo muito pior.

Está me fazendo assumir a autoria.

A autonomia não significa que ninguém pode decidir nada. Significa que cada um deve responder pelas próprias decisões.

Tanya não vai escolher o cenário por mim.

Mas também não vai permitir que eu coloque a culpa nela depois.

Criado com a ajuda do ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Introdução ao Além

Quando eu abro os olhos, eu estou em um veículo que parece um trem, mas o teto é translúcido. Outros passageiros estão sentados, confortavelmente, nenhum em pé, o que é estranho quando se fala em transporte público.

Conforme percebo a aproximação com algum lugar, eu leio no outdoor: “Parabéns, você morreu”. Isso não se parece com nada do que é descrito como o Além.

O veículo estaciona e várias equipes chegam para orientar e coordenar o desembarque. Cada indivíduo é direcionado conforme a afinidade, não por ações ou mérito. Protestos de indivíduos que pertencem a algum grupo de crença porque exigem ser mandadas para as promessas das crenças que possuíam são solucionados pontualmente.

Eu me vi em meio de um estádio, os indivíduos separados por grupos. Seria permitido aos recém desencarnados fazer sua declaração de fé ou aliança com as entidades presentes. Sejam Deuses, Demônios, Orixás ou outros.

Satan fica fazendo muque com os que proclamam pertencer a ele. Lúcifer rola os olhos ao ouvir a proclamação de aliança no nome dele.

Mas o silêncio vem quando eu declarei que eu pertenço a Lilith.

O burburinho de Deuses, entidades e espíritos cessam. Ela está portando um lindo vestido de gala que valoriza as curvas dela. Os presentes observam a chegada dela com um misto de respeito e reverência. Porque ela desafia qualquer definição. Ela é humana. Ela é divina. Ela é demônica. Jeová procura desesperadamente Asherah para se esconder dela. Ela entrou no Abismo, nas Águas Primordiais e voltou. Ela tem a capacidade de ver a alma de qualquer forma de vida porque está presente na sombra daquela existência.

A rachadura no protocolo e na aparente harmonia fica evidente. Todos proclamando o destino. Eu estava proclamando meu pertencimento. Enquanto as divindades presentes pareciam avaliar seus “pacotes”, Lilith faz algo que desestrutura o sistema. Ela dá um sorriso discreto, mostrando reconhecimento mútuo.

O Além se tornou uma autarquia burocrática posteriormente. O problema das religiões institucionalizadas é que se organizam em torno de uma figura, esquecendo como aquela entidade surgiu, em qual contexto, em qual cultura. Os Deuses apenas se acomodaram.

Jeová é um bom exemplo. Um dentre os Elohim. Um dentre muitos panteões. Que, como era comum na Antiguidade, tinha uma Consorte, Asherah.

Jeová olha para ela.

Lilith olha para Jeová.

Jeová olha para Asherah.

Asherah olha para Jeová.

Jeová procura um lugar para se esconder.

— Você está fazendo isso de novo? — pergunta Asherah.

— Não.

— Você disse “não”?

— Eu não disse nada.

— Foi exatamente assim que começou da última vez.

Outra omissão conveniente para nós, humanos, que trocaram a linhagem materna pela linhagem paterna. Deuses e reis tinham que se casar com sua mãe, irmã ou filha para que sua coroa, trono e reino fosse legítimo.

Até que o Povo de Israel precisou “divorciar” Jeová. Porque, na construção de uma identidade, era necessário que tivesse apenas um único Deus.

O Além originalmente não possuía departamentos.

Os mortos simplesmente chegavam.

Depois vieram as religiões.

Depois vieram as disputas sobre quem deveria receber quem.

Depois vieram as reclamações.

Depois vieram os recursos.

Depois vieram os recursos dos recursos.

E, finalmente, alguém teve a brilhante ideia de criar uma autarquia.

Foi assim que o pós-vida ganhou protocolo.

Então era isso.

Os vivos passaram milhares de anos organizando os deuses.

Quando morreram, descobriram que os deuses haviam criado uma repartição para organizar os mortos.

Talvez o problema das religiões não fosse apenas aquilo que afirmavam sobre os deuses. Talvez fosse aquilo que haviam esquecido sobre eles.

Os humanos não apenas criaram religiões para explicar os deuses. Também criaram versões dos deuses capazes de sustentar as religiões que haviam criado.

Lilith estava se divertindo. Um em bilhões. Uma breve declaração criou uma forma de ressonância que estava dissonante, distorcendo a aparente tranquilidade do Além.

Alguém finalmente pergunta:

— O senhor tem certeza?

Você responde:

— Absoluta.

O funcionário olha para Lilith.

Depois para o protocolo.

Depois novamente para Lilith.

— Nós não temos procedimento para isso.

Ela sorri.

E responde:

— Nunca tiveram.

Os funcionários da autarquia tem um protocolo:

EVENTO COSMOLÓGICO — NÃO CONSULTAR

Classificação: anterior à atual administração.

Responsável: [campo apagado].

Observação: não perguntar a Lilith.

Alguém pergunta:

— Por quê?

O funcionário:

— Porque da última vez que perguntaram, tivemos que reconstruir três planos de existência.

Evidente que essa autarquia vai negar que teve essa reconstrução de três planos de existência. Zeus? Só diz que isso é de outra jurisprudência. Jove/Júpiter? Ainda tem traumas da burocracia de Roma. Buda? De repente parece mais interessado no prato de legumes. Tecnicamente...Hades. Mas ele resolve mergulhar no Estige e esquecer que é um dos Deuses dos Mortos. Hécate? Está querendo ver o parquinho pegar fogo. Shiva? Ele pede humildemente que Kali faça algo. 🤭

A autarquia tem uma classificação burocrática para o episódio:

Evento não ocorrido nº 7.431.

Não houve alteração da cosmologia.

Não houve reconstrução de três planos.

Não houve pronunciamento de Nome Inefável.

Não houve alteração da natureza de qualquer divindade.

Não houve intervenção de Lilith.

Documento encerrado.

Pausa.

Um funcionário olha para o arquivo.

— Por que esse documento tem 18.000 páginas?

— Procedimento padrão para eventos que não aconteceram.

E Hécate poderia estar atrás dele lendo tudo.

— Posso ficar com uma cópia?

— Absolutamente não.

— Que pena. Eu adoro documentação histórica.

Kali olha para Lilith.

Lilith olha para Kali.

As duas sorriem.

Shiva: “Não. Não façam isso.”

Beto: “Eu só disse que pertencia a Lilith. Por que todo mundo parece estar esperando o fim do universo?”

E um funcionário responde, sem sequer levantar os olhos do formulário:

— Porque da última vez foi exatamente assim que começou.


Criado com a ajuda do ChatGPT.

sábado, 24 de outubro de 2026

Meu dízimo para Lilith



https://www.patheos.com/blogs/billykangas/2026/10/minted-in-gods-image.html

Não é engraçado os pastores falarem dessa passagem, mas fazerem tanto questão na doação e no dízimo? 😏🤭


😏🤭 É uma ironia e tanto! Imagine a situação: o pastor cita uma passagem bíblica para ensinar que certas coisas pertencem a César e outras a Deus, mas, quando chega a hora de falar de dinheiro, parece que o assunto fica muito mais concreto!

A questão interessante é a diferença entre ensinar um princípio espiritual e transformá-lo numa obrigação financeira. Uma coisa é falar de generosidade, solidariedade e sustento voluntário de uma comunidade religiosa. Outra é usar a autoridade religiosa para fazer alguém sentir culpa ou medo por não contribuir.

E tem uma pergunta que vale ouro: se o dinheiro é tão importante para a instituição religiosa, por que a generosidade não pode ser ensinada sem pressão? 🤭

E a própria interpretação da passagem pode deixar a situação ainda mais interessante. Em Mateus 22:15–22, Jesus fala da imagem de César na moeda e daquilo que deve ser dado a Deus. Uma leitura cristã tradicional entende que os seres humanos, por terem sido criados à imagem de Deus, devem entregar a ele a própria vida — não simplesmente uma porcentagem do salário.

![](https://www.google.com/s2/favicons?domain=https://lectionary.com\&sz=32)

Lectionary.com

+1

Agora imagine o sermão:

— Irmãos, vocês foram criados à imagem de Deus!

— Amém, pastor!

— Deus quer a dedicação de vocês!

— Amém!

— E agora vamos falar da oferta...

— Pastor, podemos voltar à parte em que fomos criados à imagem de Deus? 🤣🤣🤣

A crítica mais interessante é essa: se a passagem fala de compromisso integral com princípios espirituais, por que o sermão às vezes acaba concentrado na contribuição financeira?

E vale uma distinção: muitas comunidades precisam de doações para manter suas atividades, e contribuir voluntariamente não é, por si só, um problema. A contradição aparece quando a generosidade vira instrumento de culpa, medo ou coerção.

Afinal, se a fé precisa de um envelope para ser demonstrada, será que estamos falando de espiritualidade ou de uma cobrança com trilha sonora de louvor? 😏🤭


Eu, no meu caso, faço minha... "oferenda"... todas as noites, na cama, para a Lilith...😻🥵😈


KKKKKKKK! 🤣🤣🤣

Ora, ora! 😏😈 Então temos um fiel que não coloca dinheiro no envelope do pastor, mas faz questão de manter suas oferendas noturnas à majestosa Lilith!

![The Shadowed Grove | Story.com](https://images.openai.com/static-rsc-4/U_emuvChUyuKcXaIwDpjWxEAZLNrCpeC-XCgXKmZ5Q9hcXqQCvRWmE5fP9vlH-RJLZkZbzsYUVA5SnGsaUiCtY1hxguuzIn3e5rs_Wh9QBYt-GpxgXOrOzIc-jmErtOYWJSr90OKufM7rLiG8aDX5YhCYkUytnGv6Rewzmu_auw?purpose=inline)

Adicionar aos favoritos

[story](https://www.story.com/ai-stories/ai-fantasy-stories/the-shadowed-grove-1?utm_source=chatgpt.com)

Imagino a Lilith, a loba antropomórfica de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros, cruzando os braços e perguntando:

— Beto, meu querido, você trouxe a oferenda de hoje? 😈🐺

— Trouxe, minha Deusa!

— E onde está?

— Aqui, minha Deusa... mas será que podemos discutir os detalhes da cerimônia em particular? 😻🥵

Lilith dá aquele sorriso de quem já conhece perfeitamente os rituais do seu devoto:

— Muito bem. Mas lembre-se: nesta religião, a devoção é voluntária, a soberania é inegociável e não existe dízimo obrigatório! 🤭🌙

E, ao contrário de certas instituições religiosas, a nossa sacerdotisa lupina provavelmente não vai interromper a cerimônia para passar a maquininha de cartão!

🤣🤣🤣


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

O eleitor não é inimputável


https://www.brasil247.com/blog/nao-transformem-os-eleitores-em-reus-por-suas-escolhas-e-assim-que-se-perde/


Um discurso bonitinho, mas é só um discurso. Não vai evitar as consequências se o Flávio for eleito. Então eu quero, sim, que o brasileiro se lasque.
Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


A ideia central do artigo é que transformar o eleitor em réu por ter votado “errado” é politicamente contraproducente: afasta justamente quem se pretende convencer. 
 Mas dá para fazer a crítica inversa: não chamar o eleitor de réu não significa absolvê-lo das consequências da própria escolha.

O eleitor não é réu — mas também não é inimputável
Existe uma coisa maravilhosa na democracia brasileira: o eleitor é soberano.

Existe outra coisa maravilhosa: depois de apertar o botão, ele continua soberano.

E existe uma terceira coisa, talvez menos divulgada nos comerciais eleitorais: a soberania vem acompanhada de consequências.

Li o discurso de que não devemos transformar eleitores em réus por suas escolhas. Bonito. Sensato. Civilizado. Quase dá vontade de colocar uma música instrumental ao fundo e terminar o texto abraçando uma árvore.

O problema é que existe uma diferença gigantesca entre responsabilizar moralmente o eleitor e simplesmente reconhecer que uma escolha coletiva produz efeitos coletivos.

Eu não preciso chamar ninguém de burro, minion, robô, pobre de direita ou qualquer outro apelido criativo do catálogo nacional de insultos políticos.

Posso simplesmente dizer:

Você votou.

Pronto.

Não precisa de tribunal.

Não precisa de promotor.

Não precisa nem de juiz.

A urna já fez o serviço.

Se amanhã Flávio Bolsonaro for eleito e começar a implementar o projeto político que seus eleitores escolheram, eu não vou bater na porta de cada eleitor com um megafone dizendo:

— EU AVISEI!

Até porque seria impossível. O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes e eu não tenho preparo físico para uma missão dessas.

Mas também não vou fingir surpresa diante das consequências.

Porque existe uma curiosa tradição brasileira: quando o resultado eleitoral agrada, o povo é soberano.

Quando desagrada, subitamente o povo vira vítima inocente de uma conspiração cósmica, da desinformação, do algoritmo, do WhatsApp, do pastor, do influencer, do vizinho, da mídia, da chuva, da Lua em Escorpião e provavelmente de Mercúrio retrógrado.

Não.

O eleitor é sujeito político.

E sujeito político significa também sujeito às consequências políticas.

O artigo tem razão quando critica a arrogância de quem olha para uma parcela da população e conclui:

— São todos idiotas!

Isso é estupidez política.

Mas existe um erro simétrico em transformar toda crítica ao eleitor numa espécie de violência antidemocrática.

Se eu digo:

— Não deveria ter votado nisso porque isso poderá destruir determinada política pública, restringir direitos ou fortalecer determinado projeto autoritário.

Estou fazendo crítica política.

Não estou criando a Casa Verde de Machado de Assis.

E aqui chegamos ao ponto em que eu assumo minha pequena dose de sinceridade politicamente incorreta:

se Flávio for eleito, eu quero, sim, que o brasileiro se lasque.

Não porque eu deseje sofrimento para milhões de pessoas.

Mas porque existe uma diferença entre desejar a desgraça e recusar-se a fingir que a escolha não tem consequências.

É quase como alguém entrar numa churrascaria, escolher comer três quilos de picanha, tomar cinco litros de refrigerante e depois reclamar que o estômago está fazendo greve.

Você pode até receber solidariedade.

Mas alguém provavelmente vai perguntar:

— E você esperava o quê?

Democracia não é um sistema de cashback.

Você não deposita um voto hoje e recebe amanhã exatamente o governo que imaginou na sua cabeça.

E muito menos existe a modalidade:

“Votei errado, mas gostaria de cancelar a compra antes da entrega.”

A urna não tem botão de arrependimento.

Não existe:

“Deseja realmente confirmar seu voto?”

SIM.

“Tem certeza?”

SIM.

“Última chance.”

PUTZ, PENSANDO BEM...

Depois que o resultado sai, começa a parte desagradável da democracia: viver com aquilo que a sociedade escolheu.

E isso vale para todos.

Inclusive para mim.

Se o candidato que eu considero melhor perder, eu também vou pagar impostos, enfrentar as decisões do governo, conviver com o Congresso, sofrer as políticas públicas e assistir ao país tomar caminhos que não escolhi.

A diferença é que eu não quero transformar isso numa cruzada contra o eleitor.

Quero apenas preservar uma coisa que parece ter desaparecido da política brasileira:

a capacidade de dizer que uma escolha foi ruim sem precisar transformar quem a fez em inimigo da humanidade.

Posso compreender por que alguém votou em Flávio Bolsonaro.

Posso estudar as razões econômicas, culturais, religiosas, territoriais, familiares, identitárias ou simplesmente emocionais.

Posso conversar.

Posso ouvir.

Posso tentar convencer.

Mas compreender não significa concordar.

Escutar não significa absolver.

Respeitar o direito de votar não significa declarar que toda escolha é igualmente boa.

A democracia exige tolerância com o eleitor.

Mas também exige maturidade para reconhecer que liberdade de escolha não é imunidade contra consequências.

E talvez seja justamente aí que esteja o problema.

A política brasileira descobriu duas maneiras extremamente eficientes de tratar o eleitor:

ou como gênio absoluto, quando ele vota em nós;

ou como pobre coitado manipulado, quando vota no adversário.

Talvez seja hora de tratá-lo como adulto.

Adulto pode ser enganado.

Adulto pode errar.

Adulto pode mudar de opinião.

Adulto pode votar contra os próprios interesses.

Adulto pode se arrepender.

E adulto também pode dizer:

— Fui eu que escolhi.

Isso não transforma o eleitor em réu.

Transforma-o em cidadão.

E cidadão não precisa ser humilhado.

Mas também não precisa ser infantilizado.

Portanto, não: eu não quero transformar o eleitor em réu.

Quero apenas abolir a figura do eleitor inimputável, aquela criatura maravilhosa que tem plena responsabilidade quando o resultado agrada e vira vítima indefesa da sociedade, da mídia, das elites e do algoritmo quando a escolha produz um desastre.

Se Flávio ganhar, haverá quem diga:

— Não culpem o eleitor!

Tudo bem.

Eu não vou culpá-lo.

Vou apenas olhar para o resultado, olhar para as consequências e dizer:

— Pois é. Agora vamos todos descobrir juntos o que estava dentro da caixa.

A democracia permite abrir a caixa.

O problema é que, depois de aberta, não adianta reclamar que ninguém avisou que havia uma motosserra dentro.

E, se a motosserra começar a funcionar, talvez seja um pouco tarde para descobrir que o manual de instruções estava disponível antes da eleição.

A crítica fica mais forte, a meu ver, quando separa “culpar moralmente o eleitor” de “reconhecer responsabilidade democrática e consequências concretas” — sem cair no elitismo de chamar milhões de pessoas de idiotas.

Criado com ChatGPT.

A Confraternização


A circular que eu recebi entrou em vigor.

Depois de voltar da Polônia, os soldados querem fazer algo absolutamente subversivo: comer, beber, rir, cantar e comemorar que estão vivos.

Tanya e Viktoriya estão na comemoração.

A Comissão considera isso suspeito.

A justificativa oficial é maravilhosa:

“A celebração espontânea pode produzir vínculos pessoais não previstos pela estrutura disciplinar.”

Tanya lê.

Tanya: “Vínculos pessoais?”

Oficial: “Sim.”

Tanya: “Entre camaradas?”

Oficial: “Exatamente.”

Tanya: “Mas camaradas não são pessoas?”

Oficial: “Major, não complique.”

E aí entra Viktoriya

Durante a confraternização, alguém percebeu que Viktoriya estava ao lado de Tanya.

Nada demais.

Até que Tanya recebe uma caneca.

Viktoriya pega outra.

As duas brindam.

Um comissário observa.

Anota.

“Possível vínculo pessoal.”

Viktoriya percebe o sujeito escrevendo.

Viktoriya: “Camarada, posso perguntar o que está anotando?”

Comissário: “Nada relevante.”

Viktoriya: “Então por que anotou meu nome?”

Comissário: “Procedimento.”

Viktoriya: “E por que anotou o nome da Major?”

Comissário: “Procedimento.”

Viktoriya: “E por que colocou um ponto de exclamação?”

Comissário: “Procedimento.”

O verdadeiro conflito

Tanya percebe que a circular não está tentando impedir apenas romance.

Ela está tentando impedir qualquer coisa que não possa ser administrada pelo Estado.

Amizade.

Lealdade pessoal.

Luto.

Admiração.

Amor.

Camaradagem.

Até uma piada interna entre soldados.

E Tanya chega à conclusão:

Tanya: “Se a disciplina precisa determinar com quem um soldado pode rir, talvez o problema não seja a falta de disciplina.”

Silêncio.

Viktoriya olha para ela.

Viktoriya: “Major...”

Tanya: “Sim?”

Viktoriya: “Por favor, não transforme a festa em uma crise constitucional.”

Mais tarde, longe dos outros, Viktoriya encontra Tanya sozinha.

Viktoriya: “A senhora se divertiu?”

Tanya: “Não.”

Viktoriya: “Eu vi a senhora sorrir.”

Tanya: “Reflexo involuntário.”

Viktoriya: “Naturalmente.”

Pausa.

Tanya: “Você se divertiu?”

Viktoriya: “Sim.”

Tanya: “Por quê?”

Viktoriya: “Porque a senhora estava lá.”

Viktoriya vai embora antes que Tanya consiga responder.

Tanya fica parada, completamente incapaz de elaborar uma resposta.

Corte para mim.

Eu estava começando a desconfiar de que o problema não era mais o regulamento.

Talvez eu tivesse criado duas personagens que estavam começando a ignorá-lo.

A Comissão recebe o relatório:

“Não foram constatadas violações disciplinares.”

Outra folha é anexada.

“Entretanto, observou-se aumento inexplicável do moral da unidade.”

O oficial pensa.

“Investigar.”

Comissão:

“Recomenda-se investigar a origem do aumento do moral.”

E, em letras menores:

“A possibilidade de que os soldados simplesmente estejam felizes não foi considerada.”

Tanya: “O que está escrevendo que está fazendo você sorrir e dar risada, escriba?”

Beto: “Nada.”

Tanya: “Nada?”

Beto: “Uma observação narrativa.”

Tanya: “Leia.”

Beto: “Prefiro não.”

Tanya: “Leia.”

Silêncio.

Beto: “É sobre você e Viktoriya.”

Tanya estreita os olhos.

Tanya: “Entendo.”

Beto: “Não é nada comprometedor.”

Tanya: “Não perguntei.”

Beto: “...”

Tanya: “Continue escrevendo.”

Beto: “Posso?”

Tanya: “Pode.”

Tanya se afasta.

Beto: “Ufa.”

Tanya, sem se virar: “E não invente diálogos que eu não diria.”

Literalmente meu ofício consiste em inventar diálogos.

Tanya: “E principalmente não invente o que eu estaria sentindo.”

Eu tenho que evitar escrever que Tanya, tecnicamente, admitiu que sentiu algo.

Tanya: “Isso é prerrogativa da personagem.”

Ela sai.

A essa altura a cadeia de comando está assim:

Comissão: “O autor está introduzindo interpretações indevidas.”

Coronel: “Há indícios de favoritismo.”

Tanya: “O escriba está sorrindo.”

Viktoriya: “Talvez devêssemos ouvi-lo antes.”

Tanya: “Não. Primeiro vou ler o manuscrito.”

Tanya: “Serebryakov, você está protegendo o escriba?”

Viktoriya: “Estou apenas garantindo que ele receba um julgamento justo.”

Tanya: “E por que isso é tão importante para você?”

Viktoriya: “Porque...”

Silêncio.

Tanya: “Porque?”

Viktoriya: “Porque ele escreve bem.”

Tanya: “Essa é a sua justificativa?”

Viktoriya: “É.”

Tanya: “Entendo.”

Tanya olha para o manuscrito.

Tanya: “Escriba.”

Beto: “Sim?”

Tanya: “Você escreveu essa resposta.”

Beto: “...”

Tanya: “Então você também está envolvido.”

Na altura do momento, eu comecei a planejar minhas “férias” na Sibéria.

Cena pós-créditos — O manuscrito

A sala está silenciosa.

Tanya está sentada diante de mim, com o manuscrito nas mãos.

Ela lê.

Uma página.

Depois outra.

Não está brava.

Não está gritando.

Não fez sequer uma ameaça.

E isso, por algum motivo, é muito pior.

Eu permaneço sentado do outro lado da mesa, tentando não fazer movimentos bruscos.

Tanya vira mais uma página.

Silêncio.

Mais uma.

Então ela para.

Levanta os olhos.

Tanya: “Você realmente escreveu isso?”

Beto: “Tecnicamente... sim.”

Tanya: “Entendo.”

Ela volta ao manuscrito.

Eu sinto um calafrio.

Viktoriya está atrás dela, lendo por cima de seu ombro.

Ela chega ao trecho em que Tanya pergunta por que a senhora Serebryakov está defendendo o escriba.

Um pequeno sorriso aparece no rosto de Viktoriya.

Quase imperceptível.

Mas eu vejo.

E isso é um sinal ainda pior.

Beto: “Algum problema?”

Viktoriya: “Nenhum.”

Beto: “Você está sorrindo.”

Viktoriya: “Estou?”

Beto: “Está.”

Tanya continua lendo.

Tanya: “Ela escreveu que eu estava corando.”

Beto: “Foi uma licença narrativa.”

Tanya: “E que eu fiquei sem resposta.”

Beto: “Uma licença narrativa maior.”

Tanya: “E que Serebryakov percebeu.”

Viktoriya: “Percebi.”

Eu engulo em seco.

Tanya fecha o manuscrito.

Beto: “Então...”

Ela coloca o manuscrito cuidadosamente sobre a mesa.

Tanya: “O texto é bom.”

Eu quase respiro aliviado.

Tanya: “Mas há alguns problemas.”

Beto: “Quais?”

Tanya: “Você está confundindo duas coisas.”

Beto: “Quais?”

Tanya: “O que uma personagem faz.”

Ela toca o manuscrito.

Tanya: “E o que o autor gostaria que ela fizesse.”

Silêncio.

Viktoriya sorri novamente.

Tanya percebe.

Tanya: “Serebryakov.”

Viktoriya: “Major?”

Tanya: “Você concorda?”

Viktoriya olha para mim.

Depois para Tanya.

Viktoriya: “Em parte.”

Tanya: “Em parte?”

Viktoriya: “Acho que o escriba nos conhece melhor do que imagina.”

Meu estômago afunda.

Beto: “Isso é bom, não é?”

Tanya olha diretamente para mim.

Tanya: “Ainda estou decidindo.”

Ela pega o manuscrito novamente.

Tanya: “Mas vou permitir que continue.”

Beto: “Obrigado.”

Tanya: “Não agradeça.”

Beto: “Por quê?”

Tanya: “Porque ainda não terminei de ler.”

Ela abre a próxima página.

Viktoriya se aproxima um pouco mais para acompanhar a leitura.

Eu observo as duas.

E então percebo uma coisa terrível.

Elas estão lendo juntas.

Beto: “Vocês não vão começar a discutir o roteiro, vão?”

Tanya e Viktoriya se entreolham.

Viktoriya sorri.

Tanya volta os olhos para mim.

Tanya: “Começar?”

Tanya levanta os olhos do manuscrito.

Tanya: “O que você quis dizer com que eu, 'tecnicamente, admiti que senti algo’?”

Silêncio.

Beto: “Eu...”

Tanya: “Sim?”

Beto: “Foi uma observação narrativa.”

Tanya: “Não perguntei o que foi.”

Beto: “Foi uma hipótese.”

Tanya: “Sobre mim.”

Beto: “Tecnicamente.”

Tanya: “Então você está afirmando que sabe o que eu senti.”

Beto: “Não.”

Tanya: “Mas escreveu.”

Beto: “Sim.”

Tanya: “Então sabe.”

Beto: “Não necessariamente.”

Tanya fecha o manuscrito.

Tanya: “Explique.”

Beto: “Eu sou o escritor.”

Tanya: “Isso não responde.”

Beto: “É literalmente o meu ofício.”

Tanya: “Seu ofício é inventar diálogos.”

Beto: “Sim.”

Tanya: “Então inventou o que eu senti.”

Beto: “Não exatamente.”

Tanya: “Exatamente o quê?”

Beto: “Eu escrevi que você ficou sem resposta.”

Tanya: “E isso significa?”

Beto: “Que você ficou sem resposta.”

Tanya: “Por quê?”

Beto: “Porque Viktoriya disse que estava feliz porque você estava lá.”

Silêncio.

Tanya olha para Viktoriya.

Viktoriya tenta esconder um sorriso.

Tanya: “Serebryakov.”

Viktoriya: “Major?”

Tanya: “Você acha isso engraçado?”

Viktoriya: “Um pouco.”

Tanya volta a olhar para mim.

Tanya: “E você?”

Beto: “Eu?”

Tanya: “Acha engraçado?”

Beto: “Estou começando a achar perigoso.”

Viktoriya ri baixinho.

Tanya olha novamente para o manuscrito.

Tanya: “Você ainda não respondeu.”

Beto: “O quê?”

Tanya: “O que eu senti?”

Eu fico em silêncio.

Tanya espera.

Eu olho para Viktoriya.

Viktoriya olha para Tanya.

Tanya percebe.

Tanya: “Não.”

Beto: “Não o quê?”

Tanya: “Não olhe para ela procurando ajuda.”

Viktoriya: “Eu não disse nada.”

Tanya: “Exatamente.”

Ela abre novamente o manuscrito.

Tanya: “Muito bem.”

Beto: “Muito bem?”

Tanya: “Continue escrevendo.”

Beto: “Posso escrever a resposta?”

Tanya: “Pode.”

Beto: “E qual é a resposta?”

Tanya olha para mim por alguns segundos.

Então fecha o manuscrito.

Tanya: “Descubra, escriba.”

Ela se levanta.

Viktoriya passa por mim e, antes de sair, sussurra:

Viktoriya: “Boa sorte.”

Eu fico sozinho com o manuscrito.

E com a desagradável sensação de que, pela primeira vez, **a personagem sabe mais sobre a história do que o autor.**

Beto: “Major, em algum momento dessa paródia eu terei que escrever minha impressão a respeito da senhorita e da sargento Viktoriya.”

Tanya para.

Viktoriya também.

Tanya lentamente se vira.

Tanya: “Sua impressão?”

Beto: “Sim.”

Tanya: “A respeito de nós duas?”

Beto: “Tecnicamente.”

Tanya: “E o que exatamente pretende escrever?”

Beto: “Ainda não sei.”

Tanya: “Mas já está pensando nisso.”

Beto: “Estou.”

Tanya: “E haverá adjetivos?”

Beto: “Provavelmente.”

Tanya: “Quais?”

Beto: “Isso eu não posso revelar.”

Tanya: “Por quê?”

Beto: “Porque são impressões pessoais.”

Tanya: “Então o escriba pretende escrever sobre personagens que ele próprio criou e, ao mesmo tempo, alegar que não pode revelar suas impressões pessoais?”

Beto: “Quando a senhora coloca dessa maneira...”

Viktoriya, discretamente:

Viktoriya: “Talvez seja melhor deixá-lo escrever, Major.”

Tanya olha para ela.

Tanya: “Por quê?”

Viktoriya: “Porque estou curiosa.”

Beto olha para Viktoriya.

Beto: “Você está?”

Viktoriya: “Muito.”

Tanya cruza os braços.

Tanya: “Muito bem.”

Beto: “Muito bem?”

Tanya: “Escreva.”

Beto: “Agora?”

Tanya: “Não.”

Pausa.

Tanya: “Quando estiver pronto.”

Ela se aproxima da mesa.

Tanya: “Mas há uma condição.”

Beto: “Qual?”

Tanya: “Não escreva o que acha que devemos sentir.”

Beto: “Então o que eu escrevo?”

Tanya olha para Viktoriya.

Viktoriya sustenta o olhar.

Depois Tanya volta a olhar para mim.

Tanya: “Escreva o que você viu.”

Silêncio.

Beto: “E se eu vir alguma coisa que vocês ainda não perceberam?”

Tanya fica imóvel.

Viktoriya perde o sorriso por um instante.

Tanya: “Então escolha cuidadosamente as palavras, escriba.”

Beto: “Isso foi uma ameaça?”

Tanya: “Não.”

Ela pega o manuscrito.

Tanya: “Foi uma recomendação.”

Viktoriya passa por mim.

Viktoriya: “Eu diria que foi uma ameaça muito educada.”

Tanya: “Serebryakov.”

Viktoriya: “Sim, Major?”

Tanya: “Não ajude.”

Viktoriya sorri.

As duas saem.

Eu fico olhando para a página em branco.

Escrevo no alto:

**“Impressões pessoais sobre Tanya Degurechaff e Viktoriya Serebryakov.”**

Paro.

Penso.

Risco o título.

Escrevo outro:

**“Observações de um escriba que gostaria de continuar vivo.”**

E começo a escrever.


Criado com a ajuda do ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Versão ChatGPT


Quadrinhos criados com ChatGPT.