sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Hour concour



Eu vou ser chato.

Eu li o texto do Moisés Mendes a respeito de ídolos.

Então eu destaco um trecho:

“Escrevo sobre Alcindo para perguntar a quem me lê: quem é ou quem foi seu ídolo e o que isso importa hoje? Se não for ídolo, porque essa seria uma definição de gente velha, quem é a figura pública que merece sua admiração e reverência e o inspira?

Gandhi, Pelé, Luther King, Madonna, Elvis? Foi ou é Che Guevara? Brizola, Getúlio, Madre Teresa, Steve Jobs, Malala Yousafzai? Pode ser uma figura próxima, um ídolo paroquial, um professor, um religioso vivo ou morto.”

De acordo com o Google:

“Um ídolo é, na sua origem, uma imagem ou objeto material que representa uma divindade e serve de alvo para adoração. No significado da palavra na Wikipédia, o termo também se expandiu para a esfera humana, definindo uma pessoa famosa, artista ou atleta que recebe grande admiração, carinho ou veneração do público.”

Então vem o cerne do problema. Idolatria.

De acordo com o Google:

“Idolatria é o ato de prestar culto divino a uma imagem, objeto, divindade ou de ter uma admiração cega e exagerada por algo ou alguém.”

Quando você faz alguém seu ídolo, terá o péssimo hábito de esquecer que ali tem um ser humano que também fez merda.

Gandhi era misógino. Pelé repudiou a própria filha. Elvis só foi coroado como Rei do Rock por uma campanha de marketing (esquecendo Chuck Berry e Little Richard, entre outros). Che Guevara era homofóbico (e participou de pelotões de fuzilamento).  Madre Tereza dependia da e explorava a pobreza. Steve Jobs abandonou a própria filha.

E eu vou sempre preferir Amy Winehouse a Madonna. Admiração, não a tornei minha ídolo.

Então, para ser bem chato, eu cheguei na conclusão.
Quem é de esquerda não pode ter ídolos.

Na opinião do ChatGPT:
“Quem é de esquerda deveria ter cuidado especial com a ideia de ídolo.”

Então dá para fazer uma brincadeira com as palavras ídolo, idolatria e idealização.

Segundo o ChatGPT:

“Ídolo → Idealização → Idolatria

Ídolo: a pessoa que você coloca num lugar especial.
Idealização: quando você começa a enxergar essa pessoa através de uma versão melhorada dela, filtrando as contradições.
Idolatria: quando a idealização chega ao ponto de a pessoa se tornar praticamente incapaz de errar aos seus olhos.

Ídolo é quando você transforma uma pessoa em ideia.
Idealização é quando começa a apagar a pessoa para preservar a ideia.
Idolatria é quando você passa a defender a ideia contra os fatos.

Admiração olha para a obra.
Idealização olha para o mito.
Idolatria fecha os olhos para o autor.”

Um leitor pode perguntar. E a Lilith?
Lilith é hour concour. 😻

Let's start


Quadrinhos criados com ChatGPT.

Oh, Madalena

https://www-bbc-com.cdn.ampproject.org/v/s/www.bbc.com/portuguese/articles/cwkgv2gllnv0o.amp?amp_js_v=0.1&amp_gsa=1#webview=1

Sinceramente? NÃO FAZ A MENOR DIFERENÇA!
Principalmente para mim, que considera o corpo, o desejo, o prazer e o sexo como sagrados. 🤭😏😻🥵

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


# Maria Madalena e o Departamento de Fiscalização do Desejo

Há algo deliciosamente irônico na história de Maria Madalena.

A Bíblia fala relativamente pouco sobre ela.

A imaginação humana, entretanto, aparentemente pensou:

— Pouco? **Deixe conosco.**

E assim começou uma das maiores operações de *fanfic teológica* da história ocidental.

A reportagem da BBC sobre a exposição **Maria Madalena: Pecado. Oração. Amor**, em cartaz no Museu Städel, em Frankfurt, mostra justamente isso: ao longo dos séculos, diferentes personagens acabaram fundidas numa única Madalena.

A pecadora anônima.

Maria de Betânia.

Maria Madalena propriamente dita.

E, como se não bastasse, ainda colocaram na conta dela adultério, prostituição, sensualidade, vaidade, penitência e provavelmente uma quantidade respeitável de coisas que ela jamais assinou.

É quase uma contratação pública sem edital.

— Senhora Maria Madalena, temos uma vaga.

— Qual é a função?

— Pecadora oficial.

— Mas eu não me candidatei.

— Não importa. Já colocamos seu nome na ficha.

E pronto.

Séculos depois, temos uma mulher que aparece nua sendo elevada por anjos, coberta de cabelos, segurando caveira, vestida de vermelho, sensualizada, penitente, chorosa, misteriosa, bonita, branca, loira, morena, negra, modelo internacional...

A Madalena virou praticamente um **software de interpretação religiosa**, compatível com todas as versões disponíveis do imaginário masculino.

E a coisa fica ainda mais curiosa quando a reportagem lembra um detalhe importantíssimo:

**não existe nos textos bíblicos uma identificação explícita da mulher pecadora como prostituta.**

Ou seja, alguém olhou para uma mulher sem nome, viu que ela tinha uma relação problemática com a moral sexual da época e concluiu:

— Prostituta.

Depois olharam para Maria Madalena:

— Ela também serve.

E assim nasceu a famosa associação.

A burocracia do pecado acabara de descobrir a técnica mais eficiente de todas:

**misture as personagens e depois trate a confusão como tradição.**

A historiadora da arte Marina Warner chamou isso de “confusão de Marias”, segundo a reportagem.

Confusão mesmo.

É praticamente o equivalente bíblico de alguém colocar três documentos numa mesma pasta e, dois mil anos depois, afirmar:

— Está tudo aqui. Deve ser da mesma pessoa.

Mas existe uma coisa que me chama ainda mais atenção.

A própria reportagem observa que as representações de Madalena dizem muito mais sobre **o que diferentes culturas queriam que as mulheres fossem** do que sobre a própria personagem histórica.

E aí temos um pequeno problema.

Porque talvez Madalena não tenha sido apenas uma personagem.

Talvez ela tenha sido um espelho.

E cada época olhou para esse espelho e colocou nele aquilo que queria enxergar.

A mulher pecadora.

A mulher sexual.

A mulher arrependida.

A mulher submissa.

A mulher santa.

A mulher desejável.

A mulher perigosa.

A mulher autônoma.

Até chegar à Madalena contemporânea encarando o espectador como quem pergunta:

— **E você vai decidir quem eu sou também?**

Essa talvez seja a parte mais divertida.

Porque durante séculos fizeram de tudo para transformar o desejo feminino em uma espécie de processo administrativo.

Primeiro vem o desejo.

Depois o escândalo.

Depois a condenação.

Depois a penitência.

Depois o perdão.

E finalmente alguém pinta um quadro de uma mulher segurando uma caveira para lembrar que a vida é breve.

Enquanto isso, provavelmente a mulher está pensando:

— Gente, eu só queria viver.

É impressionante como conseguimos transformar o corpo humano em problema teológico.

O sujeito nasce.

Tem corpo.

Tem desejo.

Sente prazer.

Ama.

Transa.

Se apaixona.

Descobre a própria sexualidade.

E imediatamente aparece alguém com uma prancheta:

— Com licença. Isso é permitido?

**Não.**

Não porque necessariamente exista uma consequência objetiva para aquilo.

Mas porque alguém decidiu que deveria existir uma fiscalização moral sobre a experiência alheia.

E é justamente aí que eu começo a rir.

Porque, sinceramente?

Meu corpo não recebeu esse memorando.

Meu desejo também não.

E muito menos meu prazer.

Eu não consigo imaginar uma divindade primordial olhando para a humanidade e dizendo:

— Criem corpos capazes de sentir prazer.

— Excelente ideia.

— Mas depois façam um sistema gigantesco para culpá-los por isso.

— Perfeito! Não poderia ser mais eficiente.

É quase uma esquizofrenia cultural.

Criamos o desejo e depois demonizamos o desejo.

Criamos o corpo e depois ensinamos vergonha do corpo.

Criamos o prazer e depois inventamos fiscais do prazer.

E quando uma mulher desfruta da própria sexualidade, alguém imediatamente pergunta:

— Mas ela não deveria se arrepender?

Por quê?

Quem escreveu essa regra?

E, principalmente:

**por que diabos alguém acha que tem procuração sobre o corpo de outra pessoa?**

Talvez seja por isso que a Madalena contemporânea da exposição seja tão interessante.

Ela não parece estar pedindo desculpas.

Ela olha.

Ela encara.

Ela ocupa espaço.

Ela parece dizer:

**“O que você quer dizer sobre mim?”**

Excelente pergunta.

Porque talvez essa seja a pergunta que deveríamos fazer diante de toda representação histórica do corpo feminino:

Não “o que fizeram com ela?”

Mas:

**“O que essa sociedade precisava acreditar sobre ela?”**

E isso muda completamente a conversa.

Porque quando alguém transforma uma mulher desejante em “pecadora”, talvez esteja revelando menos sobre a mulher e muito mais sobre o próprio medo diante do desejo.

Quando transforma uma mulher sexualizada em penitente, talvez esteja tentando resolver uma contradição:

“Ela é bonita e desejável, portanto deve haver alguma punição narrativa.”

É quase uma regra de roteiro:

**Mulher bonita + desejo = pecado.**

**Mulher bonita + arrependimento = redenção.**

**Mulher bonita + autonomia = perigo.**

E então aparece Madalena olhando para todos nós.

Sem pedir desculpas.

Sem precisar ser salva da própria existência.

E talvez seja justamente aí que a história fique realmente interessante.

Porque eu não preciso concordar com todas as interpretações religiosas sobre Maria Madalena para reconhecer uma coisa muito simples:

**o corpo não deixa de ser sagrado só porque alguém resolveu chamá-lo de pecaminoso.**

Para mim, corpo, desejo, prazer e sexo podem perfeitamente ser experiências sagradas.

Não porque uma instituição autorizou.

Não porque uma pintura declarou.

Não porque uma tradição aprovou.

Mas porque o sagrado também pode ser aquilo que nos conecta profundamente com a existência.

E, francamente, se alguém quiser discordar...

Tudo bem.

Pode discordar.

Só não venha administrar o meu corpo.

O Ministério do Desejo já está com a folha de ponto lotada.

E a diretora é uma loba de pelo branco, olhos vermelhos e chifres negros.

Ela não costuma aceitar intervenção externa.

Muito menos de burocratas.

🐺😏

Quanto a Maria Madalena?

Talvez ela simplesmente continue olhando.

E perguntando:

— **O que você quer dizer sobre mim?**

Boa pergunta, Madalena.

Talvez a humanidade ainda esteja tentando responder.

E talvez o mais divertido seja perceber que, depois de dois mil anos, **a resposta revela muito mais sobre nós do que sobre ela.**


"O escândalo não é considerar o prazer sagrado; o escândalo é descobrir que muita gente precisa que ele seja considerado pecaminoso para se sentir moralmente segura.".

Dá para escrever uma reflexão com isso. Faça esse texto.


# O escândalo de não sentir culpa

**“O escândalo não é considerar o prazer sagrado; o escândalo é descobrir que muita gente precisa que ele seja considerado pecaminoso para se sentir moralmente segura.”**

Talvez essa seja uma das contradições mais curiosas da nossa relação com o corpo.

O ser humano nasce com um corpo capaz de sentir.

Capaz de desejar.

De tocar e ser tocado.

De experimentar prazer.

De se apaixonar.

De criar intimidade.

De descobrir a si mesmo através da própria pele.

E, em algum momento da história, alguém olhou para tudo isso e decidiu:

— Temos um problema.

Não necessariamente porque o prazer estivesse fazendo mal a alguém.

Mas porque ele poderia existir **sem pedir licença**.

E talvez seja justamente isso que assuste.

O prazer não costuma obedecer muito bem a autoridades externas. Ele não pergunta qual é a doutrina oficial antes de aparecer. Não consulta uma instituição religiosa, um código moral ou uma comissão de bons costumes.

Ele simplesmente acontece.

E quando uma pessoa começa a perceber que pode experimentar o próprio corpo sem sentir vergonha, alguma coisa muda.

Porque a culpa deixa de funcionar como instrumento de controle.

É por isso que certas culturas construíram narrativas tão poderosas em torno do corpo, especialmente do corpo feminino.

A mulher desejante precisava ser explicada.

Se desejava, era pecadora.

Se era sensual, era perigosa.

Se demonstrava prazer, precisava de redenção.

Se recusava a sentir vergonha, tornava-se ameaçadora.

E então surgia a solução perfeita:

**transformar o desejo em pecado e oferecer a própria instituição como caminho para o perdão.**

Primeiro cria-se a culpa.

Depois oferece-se a cura.

É uma engrenagem extraordinariamente eficiente.

Mas existe uma pergunta incômoda:

**e se não houver nada para perdoar?**

E se o corpo não for um inimigo espiritual?

E se o desejo não for uma falha moral?

E se o prazer não precisar ser justificado?

E se uma pessoa puder simplesmente dizer:

“Meu corpo é meu. Meu desejo é meu. Minha intimidade é minha. E eu não preciso sentir vergonha por existir dentro dele.”

Talvez seja aí que o verdadeiro escândalo comece.

Porque uma pessoa que não sente culpa é muito mais difícil de controlar pela culpa.

Isso não significa que toda forma de desejo seja automaticamente boa ou que qualquer comportamento deva ser considerado aceitável. Consentimento, respeito, responsabilidade e limites continuam importando.

Mas existe uma diferença enorme entre **responsabilidade** e **vergonha**.

Responsabilidade pergunta:

“Estou respeitando o outro?”

A vergonha pergunta:

“Como faço para acreditar que sou uma pessoa ruim por sentir isso?”

São coisas completamente diferentes.

Podemos construir uma ética do desejo sem transformar o desejo em inimigo.

Podemos falar de consentimento sem demonizar o sexo.

Podemos defender limites sem ensinar alguém a odiar o próprio corpo.

Podemos falar de responsabilidade sem transformar prazer em penitência.

E podemos, inclusive, considerar o prazer sagrado.

Não necessariamente no sentido institucional ou religioso tradicional.

Mas no sentido mais profundo da palavra: aquilo que merece presença, respeito, consciência e reverência.

Talvez o sagrado não seja aquilo que precisa ser protegido do corpo.

Talvez, algumas vezes, o sagrado seja justamente aquilo que **experimentamos através dele**.

Uma carícia pode ser sagrada.

Um beijo pode ser sagrado.

Um orgasmo pode ser sagrado.

Uma relação de intimidade pode ser sagrada.

Uma pessoa descobrir que não precisa odiar o próprio corpo pode ser sagrado.

Um corpo que deixa de ser tratado como propriedade moral dos outros pode ser sagrado.

E nada disso exige que outra pessoa acredite na mesma coisa.

Essa é talvez a parte mais libertadora.

Não preciso transformar minha experiência em doutrina universal.

Posso simplesmente dizer:

**para mim, isso é sagrado.**

E deixar que o outro faça suas próprias escolhas.

Talvez essa seja uma forma muito mais madura de espiritualidade do corpo.

Não aquela que pergunta:

“Isso é permitido?”

Mas aquela que pergunta:

**“Estou vivendo isso com consciência, liberdade, respeito e presença?”**

E então o velho fantasma da culpa aparece.

Ele pergunta:

— Mas você não tem medo?

Talvez não.

— Não deveria se envergonhar?

Não.

— Não acha que deveria pedir perdão?

Pelo quê?

E talvez essa seja a resposta que mais incomoda:

**“Não fiz nada de errado simplesmente por sentir.”**

O escândalo, portanto, talvez nunca tenha sido o prazer.

Talvez o verdadeiro escândalo seja perceber que uma pessoa pode olhar para o próprio corpo sem desprezo.

Pode olhar para o próprio desejo sem culpa.

Pode experimentar intimidade sem sentir que precisa ser moralmente absolvida depois.

Pode reconhecer o prazer como parte da própria humanidade.

E pode dizer, com toda tranquilidade:

**Meu corpo não é um pecado esperando julgamento.**

É meu corpo.

Minha experiência.

Minha vida.

E, para mim, pode até ser sagrado.

Talvez seja justamente isso que algumas pessoas considerem perigoso.

Porque quando alguém deixa de sentir vergonha da própria existência, torna-se muito mais difícil convencê-lo de que existir é uma transgressão.

E talvez seja por isso que, depois de tantos séculos tentando ensinar o corpo a pedir desculpas por sentir...

o simples ato de **não pedir desculpas** possa parecer revolucionário.


Criado com ChatGPT.

Quinhentos, 401 - 405


Ao ver um eu tão superlativo é difícil conter o riso, mas eu não temo parecer ridículo. Esta pena deve estar afiada contra toda pantomima.


Homem, diz o outro, porque flertas com o Abismo e concede voz aos tenebrosos? Não está a humanidade bruta o suficiente?


Ora, eu digo, ainda que seja ideal e perfeita a semente, é necessário que o solo a toque, para que venham outras árvores, flores, frutos, sementes.


Digo mais: sem o útero do Abismo por onde se sustentariam as arcadas da abóbada celeste? Eis aqui a obra divina, então foi-me atribuído fazer de voz aos esquecidos.


Afirmo também: nem os brutos são cruéis com os seus, nem os anjos são piedosos entre si. Aquele que busca saber, sabe; aquele que busca oprimir, sofre.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

As notícias não ajudam

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/torneio-tapas-nadegas-romenia-viraliza-redes/.

😳 Depois eu sou chamado de comentarista safado. A notícia não ajuda.


😳😂 Beto, nesse caso o jornalismo está trabalhando contra você.

A matéria começa com “competição esportiva” e você pensa: “Tudo bem, vou analisar objetivamente.” Aí vem Romênia, influenciadoras, cassinos, dez tapas, talco nas mãos, arbitragem e equipe médica. 

É praticamente uma armadilha editorial para qualquer comentarista que já tenha fama de safado.


O comentarista inocente

Depois eu sou chamado de comentarista safado.

Mas vamos analisar os fatos.

Eu abro uma notícia esperando encontrar alguma curiosidade esportiva internacional. Talvez xadrez. Curling. Levantamento de peso. Alguma coisa civilizada.

E o jornal me entrega:

CAMPEONATO DE TAPAS NAS NÁDEGAS NA ROMÊNIA.

Calma.

Eu não escolhi o assunto.

O assunto veio até mim.

A matéria ainda faz questão de explicar que existe regulamento, arbitragem, equipe médica, critérios de técnica, precisão e impacto. São até dez golpes por combate. Em caso de empate, tem golpe extra.

Ou seja: aparentemente existe mais regulamentação nesse campeonato do que em certas instituições da República.

E aí querem que eu leia tudo isso com a serenidade de um monge tibetano.

Não dá.

O jornalista escreve “tapas nas nádegas”.

Eu leio “tapas nas nádegas”.

O cérebro faz o restante sozinho.

A culpa não é minha. É da pauta.

E tem ainda o detalhe do talco nas mãos.

Por que eu precisava saber disso?

Agora existe uma modalidade esportiva em que alguém pode perguntar:

— Você acompanha futebol?

— Não. Eu acompanho o campeonato romeno de tapas.

— Que esporte é esse?

— Longa história.

E antes que alguém me acuse novamente de ser um comentarista safado, quero deixar registrado:

Eu sou apenas um cidadão tentando sobreviver ao noticiário de 2026.

Se a imprensa continuar publicando matérias assim, minha reputação não chega até 2027.

E olha que eu nem comecei a comentar as Olimpíadas.

“Senhoras e senhores, a atleta acaba de entrar em quadra. Técnica impecável. Excelente postura. O comentarista pede humildemente para trocar de profissão.”

Convenhamos: com uma pauta dessas, até o comentarista mais comportado parece culpado por antecipação. 😂


😂🏆 Troféu “Não Notícia do Ano” para o DCM!

Troféu Não Notícia
🏆 TROFÉU NÃO NOTÍCIA

E o grande vencedor de hoje é...

🥁🥁🥁

Diário do Centro do Mundo!

Categoria: “Coisas que ninguém precisava saber, mas agora não consegue deixar de imaginar.”

Jornalismo de utilidade pública?

Não.

Informação essencial para a democracia?

Também não.

Mas ficamos sabendo que existe um torneio de tapas nas nádegas na Romênia.

E, aparentemente, há regulamento, arbitragem, equipe médica e até critérios técnicos.

Parabéns ao DCM por esse serviço jornalístico absolutamente indispensável.

E depois ainda perguntam por que eu sou chamado de comentarista safado.

Com uma pauta dessas, o leitor entra inocente e sai cúmplice. 😂

🏆 Troféu Não Notícia: DCM

🥇 Modalidade: Jornalismo que não precisava existir

🥈 Subcategoria: “Agora eu não consigo mais desver”

🥉 Prêmio especial: “Beto, não comente isso.”


Criado com ChatGPT.

O milagre do cachê

https://amp-campograndenews-com-br.cdn.ampproject.org/v/s/amp.campograndenews.com.br/lado-b/diversao/com-tiazinha-e-feiticeira-galera-revive-anos-90-e-2000-em-campo-grande

Ué? Mas... não tinham se convertido e superado essa "vida de pecado"? 😏🤭

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A matéria registra uma festa nostálgica em Campo Grande que reuniu Tiazinha e Feiticeira, além de referências aos anos 90 e 2000, como concursos e campeonato de Boquinha da Garrafa. 
 E daí nasce uma pergunta teológica de primeira grandeza. 😏


O pecado voltou de caravana

Ué?

Mas não tinham dito que essa fase tinha acabado?

Que era coisa do passado?

Que houve conversão, renascimento, libertação, nova criatura, testemunho, propósito, restauração e todas aquelas palavras que aparecem quando alguém decide explicar que nunca vai fazer aquilo que, cinco anos depois, está fazendo novamente?

Pois eis que o tempo passou, a memória afetiva venceu e, em Campo Grande, Tiazinha e Feiticeira voltaram ao palco para uma festa nostálgica dos anos 90 e 2000.

E o passado, aparentemente, não só voltou.

Voltou com ingresso, iluminação e programação.

É fascinante como funciona a teologia seletiva da nostalgia.

Quando uma pessoa assiste a um conteúdo de décadas atrás, aquilo pode ser considerado "pecado", "devassidão", "decadência moral" ou "coisa do mundo".

Mas, quando a mesma coisa reaparece trinta anos depois, recebe um nome completamente diferente:

nostalgia.

Ah, sim.

Não é mais pecado.

É patrimônio histórico.

Não é tentação.

É memória afetiva.

Não é sensualidade.

É "reviver os anos 90".

Não é aquilo que ontem ameaçava a salvação da juventude.

É entretenimento retrô.

O demônio, aparentemente, também trabalha com curadoria de eventos.

E deve ter ficado particularmente confuso.

— Mas, Senhor, não mandaram o povo renunciar às coisas do mundo?

— Sim.

— E agora estão trazendo as coisas do mundo de volta?

— Sim.

— E estão pagando ingresso?

— Sim.

— E chamando de nostalgia?

— Exatamente.

— Então posso organizar uma festa?

— Só se tiver testemunho antes.

O mais engraçado é imaginar o sujeito que passou anos explicando que Tiazinha e Feiticeira representavam a decadência dos costumes descobrindo o cartaz do evento.

Primeiro, ele olha.

Depois, pisca.

Depois olha novamente.

Então vem a crise espiritual:

"Mas... ela não tinha se convertido?"

Meu querido, talvez a pergunta esteja errada.

A questão não é se a pessoa se converteu.

É se você superou a adolescência.

Porque existe uma diferença enorme entre abandonar uma coisa e simplesmente esperar trinta anos até ela virar lembrança cult.

A humanidade já fez isso com disco de vinil, fita cassete, videogame de 8 bits, pochete, camisa oversized e cabelo duvidoso.

Por que não faria com as musas televisivas dos anos 90?

E tem outra ironia maravilhosa.

Durante muito tempo, certos setores religiosos ensinaram que o problema estava naquilo que despertava desejo.

Depois descobriram que controlar o desejo dos outros era uma tarefa complicada.

Agora, décadas mais tarde, o mesmo imaginário retorna embalado como experiência retrô.

O pecado ganhou nostalgia.

E talvez essa seja a grande lição da noite:

há coisas que a moralidade tenta enterrar, mas a memória afetiva desenterra com DJ, telão e ingresso antecipado.

No fim, talvez não tenha sido conversão.

Tenha sido apenas intervalo comercial.

Porque algumas tentações não desaparecem.

Elas apenas esperam o suficiente para poder voltar usando a palavra "clássico".

E, convenhamos, existe uma certa justiça poética nisso.

A geração que ouviu durante anos que precisava abandonar "as coisas do mundo" agora está pagando para voltar ao mundo dos anos 90.

Com Tiazinha.

Com Feiticeira.

Com Boquinha da Garrafa.

E, provavelmente, com uma dor nas costas no dia seguinte.

Porque o verdadeiro castigo dos anos 90 não é o inferno.

É ter 40 ou 50 anos e descobrir que seu corpo não acompanha mais a coreografia. 😏


Criado com ChatGPT.

Cavando fundo

https://www.ancient-origins.net/news-history-archaeology/neolithic-sanctuary-chleby-00103112

O ateu me vê chegando com uma notícia na mão e começa a ficar incomodado.

(Beto)- Eu só tenho uma pergunta. (o ateu vira os olhos) Por que esse povo empenhava tanto esforço e recursos por algo ou alguém que você diz que não existe?

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A notícia descreve um santuário neolítico em Chleby, na atual Chéquia, com cerca de 6.500 anos. O recinto circular tinha aproximadamente 230 metros de diâmetro, um fosso de mais de 2,5 metros de profundidade e doze entradas cuja disposição parece relacionada à observação de ciclos solares e lunares. Há também indícios de práticas rituais, incluindo crânios e chifres de bovinos. 

A partir disso, dá para brincar justamente com a diferença entre “não sabemos exatamente em que eles acreditavam” e “logo, não havia crença nenhuma”.


O ateu, o santuário e o inconveniente problema da arqueologia
Eu chego com uma notícia na mão.

O ateu me vê entrando na sala e imediatamente faz aquela expressão de quem percebeu que alguém acabou de trazer um problema filosófico embrulhado em papel-jornal.

— O que foi agora?

— Arqueologia.

— Ah, não.

— Chleby.

— Pior ainda.

Coloco a notícia sobre a mesa.

— Encontraram um santuário neolítico de aproximadamente 6.500 anos.

Ele suspira.

— E?

— Um recinto circular gigantesco. Cerca de 230 metros de diâmetro. Um fosso com mais de dois metros e meio de profundidade. Doze entradas. E a disposição delas parece ter relação com posições do Sol e da Lua.

Ele olha para mim.

Depois olha para a notícia.

Depois olha novamente para mim.

— Isso prova alguma coisa?

— Eu só tenho uma pergunta.

Ele revira os olhos.

— Lá vem.

— Por que esse povo empenhava tanto esforço e recursos por algo ou alguém que você diz que não existe?

Silêncio.

Ele cruza os braços.

— Não é tão simples assim.

— Claro que não. Por isso mesmo estou perguntando.

— Eles podiam ter outras funções sociais.

— Podiam.

— Podia ser calendário.

— Podia.

— Podia ser um centro comunitário.

— Também podia.

— Podia ser um lugar de reunião.

— Sim.

— Podia ter funções políticas.

— Certamente.

— Então pronto.

— Pronto o quê?

— Não era religião.

Eu olho para a notícia.

Olho para ele.

Olho novamente para a notícia.

— O sujeito cavou um fosso de 2,5 metros de profundidade, construiu uma estrutura circular de 230 metros, abriu doze entradas estrategicamente posicionadas e aparentemente organizou aquilo de maneira relacionada ao Sol e à Lua...

Faço uma pausa.

— ...mas era tudo por causa da associação de moradores.

Ele fica em silêncio.

— É uma hipótese.

— Excelente. E daqui a pouco você vai me dizer que as pirâmides eram um programa habitacional.

— Não faça caricatura.

— Eu nem comecei.

Aponto para a notícia.

— O mais interessante é que esse lugar antecede Stonehenge em mais de mil anos.

— Isso é interessante.

— E você sabe o que é mais interessante ainda?

— O quê?

— Que alguém olhou para o céu há 6.500 anos e achou que valia a pena construir alguma coisa em função dele.

— Isso não significa necessariamente que acreditavam em deuses.

— Concordo.

Ele pisca.

— Concorda?

— Claro.

— Então você está desistindo do argumento?

— Não. Estou evitando transformar arqueologia em horóscopo.

Puxo uma cadeira.

— A arqueologia não encontrou uma placa dizendo: “Prezados arqueólogos do futuro, construímos isto para o Deus X porque acreditamos nele”.

— Exatamente.

— Mas encontrou uma obra gigantesca.

— Sim.

— Encontrou organização.

— Sim.

— Encontrou simbolismo.

— Possivelmente.

— Encontrou práticas que parecem rituais.

— Possivelmente.

— Encontrou relações com os ciclos celestes.

— Segundo a interpretação arqueoastronômica, sim.

— Então temos uma coisa curiosa.

— O quê?

— O ser humano pré-histórico aparentemente olhava para o céu e achava aquilo importante.

— Isso qualquer pessoa sabe.

— Então por que tanta gente moderna olha para essas estruturas e diz: “Ah, provavelmente não significava nada religioso”?

Ele pensa.

— Porque não podemos afirmar além das evidências.

— Perfeito.

Levanto a notícia.

— Finalmente uma frase sensata.

Ele sorri.

— Viu?

— Vi.

Faço uma pausa.

— Agora vem a parte engraçada.

— Qual?

— Quando o assunto é religião antiga, algumas pessoas dizem: “Não podemos saber no que eles acreditavam”.

— Correto.

— Mas cinco minutos depois dizem: “Portanto, eles não acreditavam em nada”.

Ele congela.

— Isso não é a mesma coisa.

— Exatamente.

Aponto para ele.

— Esse é o problema.

Ele tenta responder, mas eu continuo:

— “Não sabemos” é uma conclusão científica.

Levanto um dedo.

— “Portanto, não existia” é outra coisa.

Segundo dedo.

— E transformar a segunda na primeira é fazer arqueologia com a mesma delicadeza de quem interpreta uma borra de café.

Ele olha novamente para a fotografia do santuário.

— Ainda assim, não prova a existência de nenhum deus.

— Também concordo.

— Então?

— Então o santuário prova algo muito mais modesto.

— O quê?

— Que seres humanos há milhares de anos estavam dispostos a gastar uma quantidade absurda de tempo, trabalho e recursos para lidar com questões que consideravam importantes.

— Isso é diferente.

— Bastante.

— E não precisamos chamar isso de religião.

— Não precisamos.

— Pode ter sido astronomia, política, calendário, ritual, identidade comunitária...

— Sim.

— Ou tudo isso junto.

— Exatamente.

Ele fica alguns segundos em silêncio.

Então aponta para a notícia.

— Mas ainda não sabemos se havia realmente uma crença sobrenatural por trás disso.

— Não.

— Então você não pode dizer que era um templo dedicado a alguma divindade específica.

— Não.

— Nem dizer que aquelas pessoas estavam “provando” a existência de deuses.

— Muito menos.

Ele sorri, satisfeito.

— Então estamos de acordo.

— Quase.

— Quase?

— Eu ainda tenho uma pergunta.

Ele fecha os olhos.

— Eu sabia.

— Se religião era tão irrelevante para a humanidade antiga...

— Sim?

— Por que diabos eles construíram tanta coisa em torno dela?

Silêncio.

Ele olha para mim.

Eu olho para ele.

A fotografia do santuário continua sobre a mesa.

Lá fora, o Sol se põe.

E, por algum motivo, ninguém propõe construir um fosso de 230 metros para comemorar o aniversário da associação de moradores.

— Café?

— Café.

— Com ou sem deuses?

— Sem.

— Covarde.

— Arqueologicamente prudente.

— Aceito.

E saímos para tomar café.

Porque, aparentemente, depois de 6.500 anos, algumas discussões continuam exigindo apenas duas coisas:

evidências... e cafeína.

Criado com ChatGPT.