quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Disputa de narrativas

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/menina-ergue-constituicao-em-ato-de-lula-e-e-comparada-a-crianca-com-arma-em-ato-de-flavio/

A enorme diferença nas atitudes das crianças diz tudo.


A diferença é tão evidente que quase dispensa comentários. Mas vale desenvolver a reflexão: o que estamos ensinando às crianças sobre o significado da cidadania?

De um lado, uma menina ergue a Constituição Federal de 1988. Do outro, um menino de 9 anos aparece segurando um objeto que a mãe identificou como uma arma de brinquedo, durante uma comemoração de apoiadores de Flávio Bolsonaro. O episódio levou ao envolvimento do Conselho Tutelar, da Polícia Civil e do Ministério Público.

O ponto não é transformar duas crianças em adversárias políticas. Nenhuma delas deveria carregar o peso das disputas dos adultos. A questão é justamente o ambiente em que essas imagens foram produzidas e os valores que elas simbolizam.

Uma criança com a Constituição remete à educação, aos direitos, à participação cidadã e à ideia de que a sociedade deve se organizar por leis. Uma criança exibindo uma arma, mesmo que de brinquedo, remete à normalização da força como símbolo de poder e afirmação.

E há uma ironia particularmente incômoda: enquanto a menina segura um documento que estabelece direitos e garantias fundamentais, o debate político brasileiro continua marcado por discursos sobre autoridade, força e mudanças nas próprias regras constitucionais.

Uma Constituição não é apenas um livro para ser erguido em comícios. É um compromisso com limites ao poder, direitos individuais e regras que devem valer inclusive para quem governa.

Talvez a melhor imagem de futuro não seja simplesmente aquela em que uma criança segura um livro em vez de uma arma. É aquela em que nenhuma criança precise aprender que a força é o caminho para conquistar respeito, que a violência é uma demonstração de autoridade ou que as leis só merecem ser respeitadas quando favorecem o próprio grupo.

Porque o verdadeiro contraste não está entre duas crianças. Está entre os projetos de sociedade que os adultos apresentam a elas.

E isso diz muito mais sobre os adultos do que sobre os pequenos.


Criado com ChatGPT.

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