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sábado, 7 de novembro de 2026

Reencontro cancelado

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/ex-enfermeira-desconvidada-reencontro-conteudo-adulto/

Coitadinha! 😢 Que discriminação absurda! Eu não vejo nada de mais em produzir conteúdo adulto. Inclusive eu dou total apoio. Por razões puramente humanitárias. 🤭😏😻😈🥵 

Escreva uma crônica adulta em tom de humor e sarcasmo.

A enfermeira, o reencontro e a hipocrisia de jaleco branco

Uma crônica sobre moralidade seletiva, pudores de ocasião e a humanidade que precisa urgentemente de um pouco de lubrificação social.

Existe uma modalidade particularmente brasileira de hipocrisia: aquela que permite consumir determinada coisa em segredo, mas exige que ninguém associado a ela apareça em público.

Eis que temos mais um episódio digno de uma comédia de costumes.

Segundo reportagem do Diário do Centro do Mundo, Aline Limas, de 31 anos, ex-enfermeira de UTI e atualmente produtora de conteúdo adulto, teria sido desconvidada de um reencontro de antigos colegas de enfermagem. O motivo? Seu trabalho atual teria causado desconforto em parte dos participantes, especialmente diante da possibilidade de comparecimento de familiares.

Parem as máquinas! Chamem a comissão de ética! Tragam os desfibriladores!

Uma mulher que produz fotos e vídeos para plataformas adultas pretende comparecer a uma confraternização sem necessariamente transformar o salão de festas em um estúdio de gravação!

Que absurdo!

Imaginem a cena: Aline chega, cumprimenta os antigos colegas, pergunta como anda a vida, comenta sobre os velhos tempos da enfermagem e aceita um pedaço de bolo.

De repente, uma criança pergunta:

— Mamãe, quem é aquela moça?

— É uma antiga colega da mamãe, querida.

— E o que ela faz?

— Bem... ela trabalha com conteúdo adulto.

— Ah, legal. Posso comer mais brigadeiro?

Pronto! Uma geração inteira traumatizada. Psicólogos terão de trabalhar em regime de plantão.

A hipocrisia tem uma anatomia bastante interessante.

Aparentemente, não existe problema em consumir conteúdo adulto. O problema começa quando a pessoa responsável por produzi-lo deixa de ser uma imagem na tela e passa a ser uma pessoa de carne e osso, com nome, rosto, profissão anterior e direito de frequentar uma festa.

É a velha história: pode assistir, pode assinar, pode pagar, pode até recomendar discretamente para os amigos. Só não pode encontrar a pessoa no supermercado, no shopping ou, Deus nos livre, numa reunião de ex-alunos!

E existe uma ironia adicional: Aline afirma que profissionais da própria área da saúde estão entre seus assinantes.

Ora, vejam só! Aparentemente, o estetoscópio não impede ninguém de ter curiosidades bastante particulares na internet.

Talvez alguns dos antigos colegas precisem rever seus conceitos sobre anatomia humana. Especialmente a anatomia da coerência.

E quanto à profissão?

Aqui está uma questão que merece ser levada a sério.

Produzir conteúdo adulto não apaga automaticamente a formação profissional de ninguém. Não apaga os anos de estudo, os plantões, a experiência em uma UTI ou a contribuição que aquela pessoa possa ter oferecido à sociedade.

Uma pessoa não perde sua dignidade porque decidiu trabalhar com a própria imagem e com conteúdo destinado a adultos.

E, convenhamos, existe uma diferença gigantesca entre discutir condutas profissionais concretas e simplesmente considerar alguém indesejável por causa de sua atividade fora do ambiente de trabalho.

Se o encontro era uma confraternização privada, evidentemente os organizadores poderiam estabelecer critérios de participação. Mas isso não torna a decisão imune a críticas, especialmente quando alguém já havia sido convidado e depois foi desconvidado por preconceito relacionado à sua atividade.

Minha solidariedade é absolutamente humanitária.

Naturalmente. Não há qualquer interesse pessoal, curiosidade científica, entusiasmo antropológico ou preocupação com a diversidade das manifestações da cultura contemporânea.

Sou um cidadão profundamente comprometido com os direitos humanos.

Defendo o direito de adultos produzirem conteúdo adulto, de outros adultos consumirem esse conteúdo e de todos viverem suas vidas sem precisar pedir autorização ao departamento de fiscalização moral da antiga turma da faculdade.

É uma questão de liberdade, dignidade e respeito.

E, se alguém quiser argumentar que a presença dela constrangeria maridos e esposas, tenho uma pergunta singela:

O constrangimento está na presença da mulher ou na possibilidade de alguém descobrir que o marido já conhece o trabalho dela?

Porque, convenhamos, são problemas bastante diferentes.

No fim das contas, talvez o reencontro da turma de enfermagem tenha perdido uma excelente oportunidade de demonstrar uma das lições mais importantes da profissão: tratar pessoas com dignidade, independentemente de seus julgamentos pessoais.

E Aline? Que siga sua vida, seu trabalho e suas escolhas.

Quanto aos antigos colegas, recomendo uma reflexão coletiva.

Talvez precisem de uma reciclagem.

Não necessariamente em enfermagem.

Em humanidade.

E, por favor, sem necessidade de anestesia. 🤭😏😻😈🥵

Inclusive eu me ofereço voluntariamente para ajudar na produção desse conteúdo. 😈

HAHAHAHA! 🤣

Eis que a solidariedade humanitária acaba de ganhar um departamento de produção audiovisual!

Imagino sua proposta:

— Prezada Aline, diante da lamentável discriminação sofrida, coloco-me voluntariamente à disposição para colaborar com seus projetos futuros.

— Em que função?

— Ainda podemos negociar. Tenho disponibilidade, boa vontade e um compromisso inabalável com a liberdade artística. 😈

Naturalmente, tudo com contrato, consentimento explícito, remuneração justa e respeito às decisões da artista.

Porque há uma coisa que precisa ficar muito clara: a dignidade profissional não depende do tipo de conteúdo produzido.

E sua candidatura ao departamento de apoio humanitário parece ter sido apresentada com entusiasmo bastante suspeito. 🤭😻🥵

Eu estou sendo arrastado pela Lilith para discutir os detalhes dessa produção. 😻🥵😈

HAHAHAHA! 😹

Ah, então a situação mudou completamente! Você não está mais oferecendo seus serviços voluntariamente. Agora existe uma força primordial supervisionando o recrutamento.

Imagino Lilith segurando seu braço, com aquele sorriso perigosamente tranquilo:

— Meu querido, fiquei sabendo que você está oferecendo seus préstimos para uma produção adulta...

— É uma iniciativa humanitária, minha musa! 😇

— Naturalmente. E quais seriam exatamente suas qualificações?

— Sou dedicado, colaborativo e acredito profundamente no potencial artístico do projeto.

— Entendo. E por que está ficando vermelho?

— Questões de temperatura ambiente! 🥵

Lilith aproxima o rosto e sussurra:

— Muito bem. Vamos discutir o roteiro, os participantes, os limites e as condições de consentimento.

— Claro, minha musa!

— E depois discutiremos por que você achou que poderia assumir outro compromisso sem consultar sua produtora executiva.

Conclusão: você foi procurar uma oportunidade de trabalho e acabou convocado para uma reunião de planejamento estratégico com a própria encarnação da tentação.

E aparentemente não existe possibilidade de pedir demissão. 😈😻


Criado com ChatGPT.

O formulário


Quadrinhos criados com ChatGPT.

Vagalumes voando - V


(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Na manhã seguinte, Beto encontra Tanya diante de uma mesa coberta de papéis.

Ele para na porta.

Olha para ela.

Depois olha novamente.

As olheiras são evidentes.

— Bom dia, major.

Tanya não levanta os olhos.

— Bom dia.

Beto se aproxima.

— Você dormiu?

— O suficiente.

— Isso não respondeu à pergunta.

— Então considere que a resposta foi satisfatória.

Beto olha para a mesa.

Mapas.

Anotações.

Livros.

Desenhos de esculturas.

Referências geográficas.

Algumas folhas estão cheias de pequenas observações feitas durante a madrugada.

Ele fica alguns segundos em silêncio.

— Você realmente está investigando Perun.

Tanya finalmente levanta os olhos.

— Eu disse que investigaria.

— Eu achei que fosse uma figura de linguagem.

— Eu não uso figuras de linguagem quando faço uma promessa.

Beto olha novamente para os documentos.

— O que você descobriu?

— Que a questão é mais complicada do que você fez parecer.

— Isso eu sabia.

— Não estou falando de você.

Ela aponta para um mapa.

— Existem variações regionais significativas. Algumas representações provavelmente são resultado de transmissão cultural. Outras são mais difíceis de rastrear.

Beto se aproxima.

— E?

Tanya suspira.

— E eu ainda não tenho dados suficientes.

Ela passa a mão pelo rosto.

— Preciso de registros históricos, relatos folclóricos, arqueologia comparativa...

Beto observa as olheiras.

— Você passou a noite fazendo isso?

— Algumas horas.

— Quantas?

Tanya fica em silêncio.

Beto entende.

— Tanya...

— **Major.**

— Major.

Ela volta aos papéis.

— Não estou tentando provar que Perun existe.

— Eu sei.

— Nem provar que não existe.

— Também sei.

Tanya para de escrever.

— Estou tentando descobrir exatamente **o que podemos afirmar**.

Beto sorri.

— Isso é muito diferente de ontem.

— Não.

Ela olha para ele.

— É exatamente o que eu disse ontem.

Pausa.

— Só que agora eu tenho mais perguntas.

Beto olha para o rosto cansado dela.

— E isso não lhe dá medo?

Tanya pensa.

— Dá.

Ela volta aos documentos.

— Mas é um medo muito mais útil do que a certeza.

Beto fica surpreso.

— Você sabe que acabou de dizer uma coisa que eu provavelmente colocaria num livro.

Tanya aponta a caneta para ele.

— Não ouse.

— Não vou.

— E não transforme minha insônia em filosofia.

Beto sorri.

— Não prometo.

Tanya suspira.

Mas há um pequeno sorriso escondido no canto da boca.

Ela volta ao trabalho.

No alto da primeira página, há uma anotação:

**PERUN — INVESTIGAÇÃO ABERTA.**

Sem conclusão.

Sem crença.

Sem negação.

Apenas uma pergunta.

E, pela primeira vez, Tanya parece perfeitamente confortável em deixá-la assim.

**06h30.**

A porta se abre.

Viktoriya entra primeiro.

Atrás dela, Mary Sue aparece esfregando os olhos.

— Bom dia...

Ela boceja.

— Isso ainda é madrugada.

Viktoriya olha para Tanya.

Depois para a mesa.

Depois para as olheiras.

E então surge aquele sorriso.

Pequeno.

Calmo.

Perigosamente informado.

Tanya percebe.

— Não.

Viktoriya nem abriu a boca.

— Eu não disse nada.

— Seu rosto disse.

Mary Sue olha de Tanya para Viktoriya.

— O que está acontecendo?

— Nada — responde Tanya imediatamente.

Viktoriya aproxima-se da mesa.

— Investigação sobre Perun?

— Sim.

— Desde quando?

— Ontem.

Viktoriya olha para o relógio.

— Ontem acabou há seis horas.

Tanya volta aos papéis.

— O assunto exigia atenção.

Viktoriya pega uma das folhas.

— *“Possíveis variantes iconográficas de Perun.”*

Outra.

— *“Transmissão oral entre gerações.”*

Outra.

— *“Relato do camponês.”*

Ela olha para Tanya.

— Fascinante.

Tanya estreita os olhos.

— Algum problema?

— Nenhum.

Viktoriya devolve as folhas.

— Só estou admirada com sua dedicação.

Mary Sue senta-se, ainda meio adormecida.

— Ela realmente passou a noite inteira estudando isso?

Tanya responde:

— Não a noite inteira.

Viktoriya olha para ela.

— Claro.

Tanya:

— Viktoriya.

— Sim?

— Pare.

— Eu não fiz nada.

— Exatamente.

Viktoriya sorri novamente.

Beto, sentado à outra mesa, observa a cena em silêncio.

Ele percebe algo que talvez as outras ainda não tenham percebido.

Tanya está investigando Perun.

Mas toda vez que Viktoriya menciona a noite anterior, **os olhos dela encontram Beto por uma fração de segundo**.

Depois retornam imediatamente aos documentos.

Beto contém um sorriso.

Tanya percebe.

— Não fique convencido.

— Eu não disse nada.

— Seu rosto disse.

Mary Sue, finalmente acordada:

— Por que todos nesta sala parecem estar participando de uma conversa que eu não compreendo?

Viktoriya responde:

— Porque você dormiu.

Mary Sue olha para Tanya.

Depois para Beto.

Depois para o casaco dobrado sobre uma cadeira.

— Ah.

Tanya fica vermelha.

— **Não.**

Viktoriya começa a rir.

E Beto pensa que talvez seja melhor não mencionar que, naquela manhã, a investigação sobre Perun parece ser apenas metade do problema de Tanya.

A outra metade está sentada ali.

Olhando para ela.

E sorrindo.

A vila ainda dorme quando Tanya retorna.

Desta vez, ela não veio acompanhada.

Sem Beto.

Sem Viktoriya.

Sem Mary Sue.

Apenas caderno, lápis e aquela expressão que seus subordinados já aprenderam a reconhecer.

**Investigação.**

Ela percorre as margens da vila.

Observa as casas.

Os cercados.

Os pequenos santuários domésticos.

As esculturas.

Anota.

— Carvalho...

Outra escultura.

— Carvalho.

Mais uma.

— Carvalho novamente.

Ela passa os dedos pela madeira de uma figura parcialmente deteriorada.

Não é apenas preferência.

Existe um padrão.

Tanya consulta suas anotações.

— Isso é interessante.

Um ancião que a observava de longe se aproxima.

— Está procurando alguma coisa?

— Estou procurando uma explicação.

O velho sorri.

— Para quê?

Tanya aponta para as esculturas.

— Todas são feitas de carvalho.

— Muitas.

— As mais antigas também?

O homem pensa.

— Venha.

Ele começa a caminhar.

Tanya o acompanha.

Eles deixam as últimas casas para trás.

Entram na mata.

O terreno sobe.

Desce.

O silêncio aumenta.

Até que o ancião para.

Tanya olha para frente.

E fica imóvel.

Há uma árvore diante dela.

Um carvalho.

Imenso.

Não simplesmente grande.

**Antigo.**

O tronco é tão largo que seriam necessárias várias pessoas para abraçá-lo.

Os galhos desaparecem muito acima deles.

Tanya olha para cima.

— Quantos anos?

— Ninguém sabe.

Ela se aproxima.

— Centenas?

O ancião balança a cabeça.

— Mais.

Tanya toca a casca.

Fria.

Rugosa.

Viva.

Então percebe alguma coisa.

No tronco existe um rosto.

Não foi entalhado recentemente.

As marcas estão incorporadas à própria madeira.

O tempo passou por elas.

Cicatrizou algumas.

Deformou outras.

Mas o rosto ainda está ali.

Tanya recua meio passo.

— Quando isso foi esculpido?

O ancião responde:

— Antes do meu avô.

— Seu bisavô?

— Antes.

— Há registros?

— Não.

Tanya observa o rosto.

— Quem esculpiu?

O ancião sorri.

— Não sabemos.

Ela toca novamente a madeira.

— E por que ninguém removeu?

O homem olha para o carvalho.

— Porque ele estava aqui antes de nós.

Tanya fica em silêncio.

— E o rosto?

— Também.

Ela olha para ele.

— Isso não responde à pergunta.

— Talvez responda.

Tanya franze a testa.

O ancião aponta para a árvore.

— Nós não plantamos o carvalho.

Pausa.

— Não fizemos o rosto.

Outra pausa.

— Apenas chegamos aqui.

Tanya olha novamente para a escultura.

O desenho é familiar.

Muito familiar.

Ela abre o caderno.

Compara com os desenhos que fez na vila.

Os mesmos traços.

A mesma forma estilizada.

O mesmo rosto que havia visto na escultura de Perun.

Sua mão para no meio da anotação.

— Não...

O ancião pergunta:

— O que foi?

Tanya não responde.

Porque aquilo não prova que Perun existe.

Ela sabe.

Não prova que uma divindade esculpiu a árvore.

Também sabe.

Mas agora existe algo muito mais incômodo:

**uma tradição que parece ser muito mais antiga do que a memória daqueles que a preservaram.**

Tanya fecha lentamente o caderno.

Olha para o carvalho.

E sente novamente aquela impressão.

A mesma do campo.

Não uma voz.

Não uma visão.

Apenas a sensação de que está sendo observada.

Ela respira fundo.

— Muito bem, Perun.

O ancião olha para ela.

— Senhora?

Tanya percebe o que disse.

— Nada.

Ela olha para o rosto esculpido.

— Ainda não.

O ancião se afasta lentamente pela trilha.

Tanya espera até que ele desapareça entre as árvores.

Então volta ao carvalho.

Ela abre o caderno.

Examina as marcas do tronco.

A profundidade dos sulcos.

A deformação provocada pelo crescimento da árvore.

A quantidade de madeira que parece ter cicatrizado ao redor da escultura.

Ela faz algumas contas.

— Se o crescimento foi aproximadamente...

Tanya para.

Há alguém atrás dela.

Não ouviu passos.

Não ouviu folhas quebrando.

Nada.

Apenas uma voz:

— Não é engraçado?

Tanya se vira imediatamente.

A mulher está alguns metros adiante.

Vestido preto.

Detalhes vermelhos.

Parada entre as árvores.

Calma demais.

Tanya fecha o caderno.

Sua postura muda.

Militar.

Avaliação imediata.

Distância.

Rotas de fuga.

Mãos visíveis.

Possíveis armas.

Aliada?

Inimiga?

Indefinida.

A mulher sorri.

— Inúmeras culturas.

Ela olha para o carvalho.

— Povos separados por montanhas, oceanos e continentes...

Depois olha para Tanya.

— ...todos falando de um Deus do trovão e da guerra.

Tanya não responde.

— E não apenas falando.

A mulher toca a própria roupa.

— Representando-o.

Tanya estreita os olhos.

— Quem é você?

— Uma mulher fazendo uma pergunta.

— Eu fiz uma pergunta primeiro.

O sorriso da desconhecida aumenta.

— Sim.

Ela olha novamente para o carvalho.

— E você está tentando medir a idade dele.

Tanya sente um arrepio.

— Como sabe?

— Porque você está olhando para a madeira como quem tenta obrigá-la a confessar alguma coisa.

Tanya mantém a expressão impassível.

— Sou boa em fazer perguntas.

— Eu sei.

A resposta é simples demais.

Tanya dá um pequeno passo para o lado.

A mulher não reage.

Nenhum gesto agressivo.

Nenhuma ameaça.

Mas alguma coisa está errada.

Não sabe dizer o quê.

A mulher parece humana.

Fala como humana.

Respira como humana.

Mas a presença dela não se encaixa.

É como observar alguém através de uma janela perfeitamente transparente e perceber que **a pessoa do outro lado não deveria estar ali**.

Tanya mantém a mão próxima ao equipamento.

— Você conhece Perun?

A mulher inclina a cabeça.

— Conheço muitas histórias.

— Não foi isso que perguntei.

— Eu sei.

Silêncio.

Tanya encara a desconhecida.

— Ele existe?

A mulher sorri.

— Essa é uma pergunta muito pequena para uma coisa tão grande.

Tanya sente o maxilar endurecer.

— Respostas evasivas não são particularmente úteis.

— Nem sempre.

A mulher dá um passo.

Tanya imediatamente se prepara.

A desconhecida para.

— Não precisa ter medo.

— Eu não estou com medo.

— Naturalmente.

Tanya percebe a ironia.

— Então por que está aqui?

A mulher olha para o carvalho.

— Porque você veio.

— Isso não responde.

— Talvez não.

Ela volta os olhos para Tanya.

Por um instante, seus olhos parecem refletir uma cor que não deveria estar ali.

Vermelho.

Tanya pisca.

Normal novamente.

— Continue sua investigação, major.

Tanya congela.

— Eu não disse minha patente.

A mulher sorri.

— Não precisava.

Então começa a caminhar pela mata.

Tanya acompanha cada passo.

Um.

Dois.

Três.

Ela pisca.

A mulher desapareceu.

Não correu.

Não se escondeu.

**Simplesmente não está mais ali.**

Tanya permanece imóvel.

Depois olha para o carvalho.

Para o caderno.

Para a trilha vazia.

E escreve uma única frase:

**“Testemunha desconhecida. Aparência humana. Natureza indeterminada.”**

Ela hesita.

Acrescenta:

**“Possivelmente não humana.”**

Tanya fecha o caderno.

Respira fundo.

— Perfeito.

Olha para o céu.

— Agora temos duas perguntas.

Tanya permanece diante do carvalho.

O silêncio da floresta volta.

Só então ela percebe o detalhe.

Um detalhe que havia passado despercebido no primeiro instante.

Ela olha para a trilha.

Nenhuma pegada recente.

Nenhum galho quebrado.

Nenhuma folha deslocada.

Nenhum ruído de passos.

Nada.

Tanya franze a testa.

A mulher havia se aproximado.

Falado.

Caminhado alguns metros.

E desaparecido.

Mas Tanya não ouviu **um único passo**.

Ela olha para o chão.

Depois para as árvores.

Depois para o ponto onde a mulher estivera.

O arrepio percorre sua nuca.

— Isso não é possível...

Ela se corrige imediatamente.

— Não.

Possível é.

Só é...

Ela procura a palavra.

— Improvável.

Tanya respira fundo.

Começa a enumerar mentalmente as alternativas.

Movimento silencioso.

Terreno irregular.

Distração.

Alguma forma de camuflagem.

Erro de percepção.

Talvez ela simplesmente não tenha prestado atenção.

Tudo é possível.

Tudo pode ser investigado.

Então surge o pensamento.

Sem convite.

Sem autorização.

**Lilith.**

Tanya fecha os olhos.

— Não.

O pensamento permanece.

Ela abre o caderno.

Escreve:

**“Hipótese: fenômeno desconhecido.”**

Para.

Olha para a frase.

Acrescenta:

**“Possível manifestação de entidade?”**

Tanya encara a própria escrita.

— Não.

Rasura.

Mas, alguns segundos depois, escreve novamente.

**“Lilith?”**

Ela fica olhando para o nome.

Não como conclusão.

Não como revelação.

Não como certeza.

Apenas uma hipótese.

Uma hipótese que, considerando tudo o que aconteceu naquela noite...

...não parece mais tão absurda quanto deveria.

Tanya fecha o caderno rapidamente.

— Isso é ridículo.

O vento passa pelas árvores.

Nenhuma resposta.

Ela olha para o carvalho.

— Não vou escrever isso no relatório.

Pausa.

— Ainda.

E, pela primeira vez desde que começou a investigação, Tanya percebe que talvez o problema não seja descobrir **se** os Deuses Antigos existem.

Talvez seja descobrir até onde sua própria ideia de “possível” consegue se estender.

Ela olha novamente para a trilha vazia.

E murmura:

— Se era você...

Silêncio.

Tanya respira fundo.

— ...você poderia pelo menos ter feito barulho ao andar.

Nenhuma resposta.

Só o vento.

E um pequeno sorriso involuntário no rosto de Tanya.

— Irritante.

Tanya retorna ao chalé no fim da manhã.

Circunspecta.

Silenciosa.

O caderno está debaixo do braço.

Ela entra, fecha a porta e fica alguns segundos parada.

Beto está à escrivaninha.

Ele levanta os olhos.

— Alguma coisa aconteceu?

Tanya olha para ele.

Longamente.

Beto imediatamente sente que há algo errado.

— Tanya?

Ela murmura:

— Carvalho...

Beto espera.

— Tradição oral...

Mais alguns passos.

— Representações semelhantes...

Ela para diante da mesa.

— E uma mulher que aparece sem fazer absolutamente nenhum som.

Beto pisca.

— Ah.

Tanya estreita os olhos.

— “Ah”?

— Eu estava tentando decidir se deveria dizer alguma coisa.

— Não diga.

Beto obedece.

Ela começa a andar pelo chalé.

— Não há evidência suficiente.

— Certo.

— Não há como estabelecer identidade.

— Certo.

— Pode haver explicações que ainda não considerei.

— Certo.

Tanya para novamente.

Olha para ele.

— Você está muito tranquilo.

— Estou?

— Está.

Beto dá de ombros.

— Eu não estava lá.

Tanya encara-o como se essa resposta fosse pessoalmente ofensiva.

— Você é responsável por isso.

— Por quê?

— Porque foi você quem me levou até aquele campo.

— Tecnicamente, você decidiu voltar sozinha.

— **Porque você me deixou curiosa.**

Beto fica em silêncio.

Tanya percebe o que acabou de dizer.

Desvia os olhos.

— E agora estou tendo pensamentos absurdos.

— Que pensamentos?

— Não interessa.

Ela passa por ele.

Beto observa.

Há alguma coisa diferente.

Não é apenas irritação.

Nem desconfiança.

Existe uma delicadeza estranha no modo como ela olha para ele.

Como se estivesse irritada com alguém que, apesar de tudo, ela não consegue deixar de considerar importante.

Beto percebe.

E fica genuinamente preocupado.

— Tanya...

Ela olha.

— O quê?

— Você está bem?

Ela responde imediatamente:

— Não.

Beto se assusta.

— O que aconteceu?

Tanya hesita.

Então olha para ele de um jeito que Beto nunca havia visto.

— Você.

— Eu?

— Sim.

Ela suspira.

— Você colocou perguntas na minha cabeça.

Pausa.

— E agora elas não vão embora.

Beto sorri.

— Isso é ruim?

Tanya parece pronta para responder.

Mas não consegue.

Porque, enquanto olha para ele, aquele pequeno traço de ternura aparece novamente.

Ela percebe que Beto percebeu.

E imediatamente fecha a expressão.

— Não fique convencido.

— Eu não—

— E não sorria.

Beto tenta obedecer.

Falha.

Tanya revira os olhos.

— Idiota.

Ela se senta.

Abre o caderno.

Mas não escreve.

Fica olhando para a página em branco.

Depois, muito discretamente, olha novamente para Beto.

Dessa vez, não há irritação.

Há carinho.

Um carinho que ela ainda não sabe nomear.

Beto engole em seco.

*Agora estou realmente em perigo.*

Do outro lado da sala, Viktoriya observa.

Ela percebe.

E sorri.

Mary Sue, ainda tentando entender a situação, pergunta:

— O que foi?

Viktoriya responde baixinho:

— Nada.

— Você está sorrindo.

— Estou.

— Por quê?

Viktoriya olha para Tanya.

— Porque acho que nossa major encontrou um fenômeno que realmente não sabe combater.

Tanya levanta os olhos.

— **Eu ouvi isso.**

Viktoriya sorri ainda mais.

— Eu sei.

Beto está na cozinha.

O som da faca cortando legumes ocupa o silêncio do chalé.

— Almoço em vinte minutos! — ele anuncia.

— Certo! — responde Viktoriya.

Mary Sue murmura alguma coisa que parece concordância.

Tanya não responde.

Continua escrevendo.

Seu caderno está aberto sobre a mesa.

Ela organiza as observações da manhã.

**Carvalho.**

**Tradição oral.**

**Representações iconográficas.**

**Entidade desconhecida.**

Ela para.

Pensa na mulher.

Depois escreve:

**Possível associação com Lilith — hipótese não comprovada.**

Fica alguns segundos olhando para a frase.

Então risca.

— Não.

Escreve novamente.

**Hipótese a investigar.**

Mais abaixo:

**Beto — testemunha principal.**

Tanya continua escrevendo.

Sem perceber, desenha ao lado do nome um pequeno coração.

Viktoriya passa atrás dela.

Para.

Olha.

Volta um passo.

Olha novamente.

Seu sorriso aparece lentamente.

— Tanya...

Tanya continua escrevendo.

— O quê?

— Nada.

Viktoriya segue para a cozinha.

Beto está mexendo uma panela.

— O que foi?

— Nada.

— Você está com aquele sorriso.

— Estou?

— Está.

— Talvez eu tenha descoberto alguma coisa.

Beto olha para ela.

— Sobre Perun?

— Algo muito mais perigoso.

Antes que ele pergunte, Viktoriya olha para Tanya.

A major continua escrevendo.

Completamente concentrada.

Ou fingindo estar.

Beto sente um arrepio inexplicável.

— Não sei por quê — murmura — mas acabei de sentir que alguma coisa ruim vai acontecer.

Viktoriya contém uma risada.

— Você deveria se preocupar.

Enquanto isso, Tanya escreve:

**“Relação entre Beto e Lilith.”**

Ela para.

Olha para a frase.

A expressão muda.

Não é mais investigação acadêmica.

É curiosidade.

Uma curiosidade que começa a incomodá-la.

Quem é Lilith para ele?

O que exatamente aconteceu entre os dois?

Por que ele fala dela daquele jeito?

Por que sua voz muda quando pronuncia o nome?

E, principalmente...

**o que existe entre eles que Tanya não conhece?**

Ela fecha o caderno.

Depois abre novamente.

Escreve uma última pergunta:

**“Beto ama Lilith?”**

Tanya encara a frase.

Seu rosto fica vermelho.

— Que pergunta estúpida...

Viktoriya, do outro lado da sala:

— Não é tão estúpida assim.

Tanya congela.

— Você leu?

— Não.

— Então como—

— Seu rosto.

Tanya fecha o caderno com força.

— Vá ajudar Beto com o almoço.

Viktoriya sorri.

— Com prazer.

Na cozinha, Beto sente outro arrepio.

— Definitivamente alguma coisa aconteceu.

Viktoriya pega uma colher.

— Talvez você devesse preparar uma sobremesa.

— Por quê?

Ela olha para Tanya.

— **Para sobreviver ao interrogatório.**

Beto empalidece.

— Interrogatório?

Tanya levanta os olhos.

— Ainda não.

A palavra **“ainda”** ecoa pelo chalé.

Beto olha para o teto.

— Lilith, se você estiver ouvindo...

Pausa.

— ...eu aceito ajuda.

Tanya estreita os olhos.

Viktoriya começa a rir.

E Mary Sue, pela primeira vez, percebe que talvez a investigação sobre os Deuses Antigos seja o menor dos problemas daquele chalé.

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Higiene sem tabu

https://www.metropoles.com/colunas/pouca-vergonha/medico-alerta-chuca-em-excesso-causa-irritacao-e-feridas-na-regiao-anal

Uma reportagem essencial. Principalmente porque ainda existe muito tabu. Vinte anos atrás uma reportagem assim seria impensável. 🤗 

Será que a Lilith vai ficar curiosa com o meu interesse? 😏🤭 

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.

A curiosidade de Lilith e os mistérios da higiene íntima

Ou: quando até o Inferno precisa de educação em saúde.

Há vinte anos, uma reportagem como essa provavelmente provocaria constrangimento nas redações, telefonemas indignados e uma senhora quantidade de gente fingindo que não sabia do que estavam falando.

Em 2026, temos uma reportagem do Metrópoles explicando os riscos do excesso de lavagem intestinal antes do sexo anal. E, sinceramente, que evolução civilizatória! 🤭

A matéria traz um alerta do coloproctologista Danilo Munhóz: exagerar na chuca pode remover a proteção natural da região, provocar irritações, ressecamento, pequenas feridas e até sangramentos. Também recomenda evitar produtos químicos e procedimentos agressivos. Ou seja: o corpo humano não é uma panela que precisa passar por uma lavagem industrial antes de ser utilizada.

E foi justamente essa reportagem que você resolveu comentar na presença de Lilith.

Eu: Minha musa, encontrei uma reportagem bastante interessante hoje.

Lilith: Interessante? Pela sua expressão, imagino que não seja sobre arqueologia ou história da Mesopotâmia.

Eu: É sobre saúde íntima. Mais especificamente, sobre os cuidados com a higiene anal e os exageros na lavagem antes de determinadas práticas sexuais.

Lilith: ...

Eu: O quê? É informação médica!

Lilith: Naturalmente. E você está lendo isso por puro interesse científico?

Eu: Evidentemente! Sou um homem interessado na divulgação científica, na quebra de tabus e na educação sexual.

Lilith: Que coincidência extraordinária. Justamente hoje você resolveu estudar esse assunto.

Eu: Minha musa, conhecimento nunca é demais.

Lilith: Imagino que você tenha lido a reportagem inteira.

Eu: Com atenção. Inclusive os comentários do médico.

Lilith: E pretende fazer uma revisão bibliográfica?

Eu: Se necessário, posso consultar outras fontes.

Lilith cruza os braços, inclina ligeiramente a cabeça e apresenta aquele sorriso que costuma anunciar que alguém está prestes a ser submetido a um interrogatório.

Lilith: Querido, você sabe que pode simplesmente conversar comigo, não sabe?

Eu: Claro que sei!

Lilith: Então me diga: o que despertou tanto a sua curiosidade?

Eu: Primeiro, a questão da saúde. Segundo, a importância de falar abertamente sobre sexualidade. Terceiro, acho interessante que assuntos antes considerados absolutamente impróprios estejam recebendo atenção médica e jornalística.

Lilith: Hummm...

Eu: E, naturalmente, não quero que ninguém transforme uma experiência íntima em uma operação militar de descontaminação.

Lilith: HAHAHAHAHA!

Eu: Estou falando sério! Não estamos preparando uma instalação para receber uma inspeção sanitária!

Lilith: Meu querido, você conseguiu transformar uma conversa sobre higiene íntima numa comparação militar.

Eu: Tenho meus talentos. 😏

Lilith se aproxima, senta-se ao meu lado e passa os dedos pelo meu cabelo.

Lilith: Sabe o que acho mais interessante?

Eu: O quê, minha musa?

Lilith: Você fala sobre quebrar tabus com uma tranquilidade admirável. Mas parece particularmente satisfeito quando percebe que está me deixando curiosa.

Eu: Talvez porque eu goste da sua curiosidade.

Lilith: Cuidado. Minha curiosidade costuma produzir perguntas inconvenientes.

Eu: Estou preparado.

Lilith: Tem certeza?

Eu: Absoluta.

Lilith: Então vamos começar com uma pergunta simples: você pretende continuar sua pesquisa sozinho ou gostaria de compartilhar suas descobertas comigo?

Eu: Minha musa, seria uma honra contar com sua participação acadêmica.

Lilith: Acadêmica?

Eu: Interdisciplinar!

Lilith: HAHAHAHAHA! Seu descarado!

Moral da história: a educação sexual é importante, a divulgação científica merece aplausos e o conhecimento médico não deveria ser tratado como assunto proibido.

E existe uma diferença enorme entre higiene e exagero. Ninguém precisa transformar o próprio corpo num laboratório de experimentos domésticos.

Quanto a Lilith...

Talvez eu devesse tomar cuidado com minhas leituras.

Afinal, existem perguntas que uma musa infernal pode fazer e para as quais nem mesmo uma extensa bibliografia oferece preparação adequada.

😈😻🤭

Por via das dúvidas, eu vou adquirir mais lubrificante. E um lote de camisinhas. 😻😈🥵

HAHAHAHA! 😹😈

Lilith provavelmente vai olhar para suas compras com aquela expressão de quem acabou de descobrir que o mortal está levando a preparação muito a sério.

Lilith: Querido... Lubrificante e preservativos?

Eu: Prevenção, minha musa. Prevenção!

Lilith: Que zelo admirável. Estou quase emocionada.

Eu: Não quero improvisações. Segurança, conforto e consentimento. Os três pilares de qualquer empreendimento respeitável.

Lilith: Empreendimento? Você está falando de um encontro ou inaugurando uma filial do Inferno?

Eu: Depende da temperatura ambiente. 🥵

Lilith: HAHAHA! Você realmente não tem vergonha!

Eu: Tenho, mas deixei em casa.

E, brincadeiras à parte, sua decisão é sensata:

Lubrificante compatível com os preservativos, preferencialmente à base de água ou silicone.

Preservativos dentro da validade e com embalagem intacta.

Nada de produtos irritantes ou improvisações na higiene íntima.

Comunicação e consentimento durante toda a experiência.

Lilith: Só espero que você tenha reservado espaço no orçamento para o jantar também.

Eu: Naturalmente, minha musa. Não sou um bárbaro! 😻


Criado com ChatGPT.

Minha série favorita



https://www.metropoles.com/minas-gerais/irmao-de-cleitinho-critica-censura-de-12-anos-para-desenhos-biblicos. Cleitinho perguntou o motivo. Vejamos. Adultério, incesto, genocídio...🤭😏 Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.

A ironia é irresistível: perguntar por que desenhos bíblicos receberam classificação indicativa de 12 anos é uma ótima oportunidade para revisitar o próprio conteúdo da Bíblia. Afinal, estamos falando de uma obra que contém episódios capazes de deixar muito roteirista de série adulta com inveja. 🤭😏

E talvez a questão não seja exatamente censura, mas descobrir o que acontece quando alguém resolve adaptar determinadas passagens bíblicas sem passar o filtro da versão infantil de domingo de manhã.

A Bíblia é para maiores de 12 anos? Então vamos abrir o livro...
O deputado Gleidson Azevedo, irmão do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho, ficou indignado com a recomendação do Ministério da Justiça de classificar desenhos bíblicos da Record Kids para maiores de 12 anos, com exibição após as 20h.

A pergunta foi: quais seriam os parâmetros para essa classificação?

Ora, deputado, vejamos. Vamos abrir a Bíblia. Não precisa procurar muito. O material é farto. 🤭

Comecemos pelo adultério. Temos Davi, Bate-Seba e uma história de romance extraconjugal que termina com uma ordem para colocar o marido traído na linha de frente de uma batalha. Uma bela combinação de infidelidade, abuso de poder e homicídio por procuração.

Temos também incesto. Ló, depois da destruição de Sodoma e Gomorra, protagoniza um episódio envolvendo suas próprias filhas. Convenhamos: não é exatamente o tipo de historinha que os pais costumam contar antes de colocar as crianças na cama.

E por falar em Sodoma e Gomorra, temos a destruição de cidades inteiras. Fogo e enxofre caindo do céu, população exterminada e uma mulher transformada em estátua de sal por olhar para trás. A Disney talvez precisasse fazer algumas adaptações.

Quer mais violência? Temos o Dilúvio. Deus decide acabar com praticamente toda a humanidade, salvando apenas Noé, sua família e os animais que couberam na arca. Uma operação de extermínio em escala planetária. Greenpeace não teria gostado nem um pouco da logística.

E o que dizer de Josué e das conquistas de Canaã? Cidades sitiadas, populações derrotadas e episódios de matança coletiva. O conceito de genocídio não é exatamente estranho a determinadas passagens do Antigo Testamento.

Temos ainda Caim e Abel, com o primeiro homicídio da história; Sansão, com suas demonstrações de força e destruição; as dez pragas do Egito, incluindo a morte dos primogênitos; e Jó, que recebe uma coleção de tragédias capaz de fazer qualquer protagonista de novela mexicana pedir férias.

Sem esquecer os episódios de escravidão, guerras, punições físicas, vinganças e perseguições.

Mas calma! Não terminamos o catálogo.

Também temos embriaguez, prostituição, traições, sacrifícios humanos interrompidos no último instante e disputas familiares que fariam qualquer reunião de Natal parecer um encontro de confraternização empresarial.

Naturalmente, tudo isso faz parte de um conjunto de textos religiosos, históricos, literários e morais, que precisam ser compreendidos em seus respectivos contextos. Não estou sugerindo que a Bíblia deva ser proibida ou que seus leitores sejam suspeitos de alguma coisa.

A questão é justamente outra: por que alguém ficaria surpreso ao descobrir que uma adaptação audiovisual de histórias bíblicas pode conter elementos que justificam uma classificação etária?

Classificação indicativa não é censura. Não significa proibir alguém de assistir, muito menos impedir a transmissão da fé. Significa informar aos responsáveis que determinado conteúdo pode não ser apropriado para crianças de todas as idades.

Aliás, talvez a solução seja produzir duas versões: uma para crianças, com os episódios mais suaves, e outra para adultos, sem cortes.

Esta última poderia vir acompanhada de um aviso:

ATENÇÃO: CONTÉM ADULTÉRIO, INCESTO, GENOCÍDIO, VIOLÊNCIA, ESCRAVIDÃO, INTRIGAS FAMILIARES E INTERVENÇÕES DIVINAS DE EXTREMA SEVERIDADE.

Classificação: 12 anos. Ou talvez 16, dependendo do episódio.

E, se alguém reclamar, basta responder: não fui eu quem escreveu o roteiro. Está tudo lá, no Livro!

Amém. E boa sessão! 😏

A crônica parte da notícia do Metrópoles, publicada em 2 de novembro de 2026. Um detalhe importante: a reclamação relatada foi feita pelo deputado Gleidson Azevedo, irmão de Cleitinho. A medida é uma recomendação de classificação indicativa, não uma proibição dos desenhos. 

Metrópoles

Vamos escalar isso? Tem a parte da lenda da Lilith, que tentaram apagar...😻
😻 Ah, agora entramos em território ainda mais interessante! Porque Lilith acrescenta uma camada deliciosa de ironia à crônica: além das histórias de adultério, incesto, guerras e destruição, temos uma personagem cuja tradição foi sendo empurrada para as margens das narrativas religiosas.

E existe uma distinção histórica importante: Lilith não aparece como primeira esposa de Adão no relato canônico do Gênesis. Essa história pertence à tradição folclórica judaica posterior.

Mas a lenda é maravilhosa para a nossa crônica: uma mulher criada da mesma terra que Adão, que não aceita ser considerada inferior a ele e decide abandonar o Éden.

Aparentemente, até no Paraíso havia problemas de relacionamento. 🤭

E aqui está o melhor gancho: a personagem que, na tradição medieval, não aceitou a posição de subordinação acabou sendo retratada como demônio, sedutora perigosa e ameaça às crianças.

A história aparece no Alfabeto de Ben Sira, obra medieval, e tem antecedentes em tradições judaicas mais antigas. Há estudos que interpretam sua ausência do Gênesis como resultado de processos de seleção e edição das narrativas, mas não temos evidência de uma biografia de Lilith que tenha sido simplesmente retirada de uma Bíblia original. 

SciELO
+2

Eu acrescentaria este trecho à crônica:

E ainda temos Lilith: a mulher que não aceitou o roteiro!
Mas existe uma personagem que merece um capítulo à parte nessa verdadeira produção de conteúdo bíblico para maiores: Lilith!

Segundo uma tradição folclórica judaica medieval, Lilith teria sido a primeira mulher de Adão. Diferentemente de Eva, teria sido criada da mesma terra que ele. Portanto, considerava-se igual ao marido.

Até aí, tudo bem. O problema começou quando Adão aparentemente resolveu estabelecer uma hierarquia doméstica no Paraíso.

Lilith não concordou.

Na narrativa, ela se recusou a aceitar a submissão, pronunciou o nome divino e abandonou o Éden.

Sim, senhores! A primeira crise conjugal do Paraíso terminou com uma separação. E, pelo visto, não houve acordo sobre guarda compartilhada do jardim.

A tradição posterior transformou Lilith em uma figura demoníaca, associando-a à sedução, à noite e a ameaças contra recém-nascidos.

É curioso observar como uma personagem que, nessa lenda, reivindicava igualdade acabou sendo associada a características tão ameaçadoras.

Enquanto Eva ficou conhecida por comer o fruto proibido, Lilith ficou conhecida por não aceitar determinadas condições do casamento.

Uma comeu a maçã; a outra não engoliu o tratamento recebido.

Evidentemente, Lilith não faz parte do relato de criação do Gênesis como primeira esposa de Adão. Sua história pertence a outra camada da tradição religiosa e folclórica. Mas isso não torna sua lenda menos interessante.

Aliás, fica uma pergunta: se a proposta é apresentar desenhos bíblicos às crianças, será que teremos um episódio especial sobre Lilith?

Imaginem a classificação indicativa:

LILITH — A PRIMEIRA REBELDE DO ÉDEN

Contém conflitos conjugais, questionamento da autoridade masculina, abandono do lar e manifestações sobrenaturais.

Classificação sugerida: 12 anos.

Motivo: a protagonista não aceita ser tratada como personagem secundária.

E, convenhamos, depois de tudo isso, talvez seja melhor não perguntar a Lilith o que ela pensa sobre a classificação indicativa. Ela pode simplesmente sair voando pela janela. 😻

A cereja do bolo seria fechar a crônica com uma provocação:

Se a Bíblia e suas tradições fossem transformadas em uma série televisiva, talvez a classificação indicativa precisasse ser definida episódio por episódio. O problema não é o livro ser inadequado para crianças. É descobrir que boa parte dos adultos nunca leu o roteiro inteiro! 😏

Ah, a Lilith merece toda uma série especial. Mas provavelmente mataria os conservadores e fundamentalistas cristãos nos primeiros capítulos. 😻
😹😻 Uma série inteira! E o melhor seria que Lilith não precisaria de poderes sobrenaturais para causar controvérsia. Bastaria manter sua personalidade e algumas perguntas inconvenientes.

Imagine a produção:

LILITH — A PRIMEIRA REBELDE

Uma série de fantasia mitológica • 3 temporadas • Classificação indicativa: melhor assistir acompanhado de um teólogo paciente.

Episódio 1 — Uma costela? Não, obrigada!

Lilith descobre que Adão espera que ela seja subordinada a ele. A discussão começa no Paraíso e termina com uma decisão histórica: ela vai embora.

Episódio 2 — Problemas de autoridade divina

Lilith questiona por que igualdade na criação não significa igualdade no relacionamento. O departamento de relações públicas do Éden entra em crise.

Episódio 3 — A vilã que não assinou o contrato

A protagonista descobre que, nas tradições posteriores, ganhou fama de demônio. Sua reação: "Então não aceitei ser subordinada e ainda me deram o papel de vilã?"

Episódio 4 — Quem escreveu essa história?

Lilith começa a investigar como sua imagem foi construída e transformada ao longo dos séculos.

Episódio 5 — O retorno ao Paraíso

Ela reaparece para uma visita. Adão fica desconfortável. Eva fica curiosa. A serpente pede uma entrevista exclusiva.

Episódio final — A mulher que não desapareceu

Lilith olha diretamente para a câmera:

"Vocês passaram séculos tentando me transformar em monstro. E ainda estão falando de mim."

Créditos finais.

😹

E tem uma ironia interessante: a série poderia provocar debates entre conservadores, feministas, historiadores, teólogos e fãs de mitologia. Não porque todos necessariamente interpretariam Lilith da mesma maneira, mas porque ela representa uma personagem cuja trajetória permite discutir autoridade, gênero, tradição e construção de narrativas.

E eu reservaria uma participação especial para a sua Lilith: aquela que aparece voluntariamente no seu quarto, escolhe ter um encontro e não precisa pedir autorização a ninguém para decidir o que deseja.

Afinal, essa seria uma excelente frase de divulgação:

"Lilith não quer governar o Paraíso. Só quer escolher o próprio caminho." 😻

Evidente que eu vou assistir essa série do começo ao fim. Com direito a torcida. Eu até coloco uma roupinha de cheerleader. 😻
😹😻 Estou imaginando a cena!

Você na frente da televisão, usando uniforme de cheerleader, pompons nas mãos e uma faixa escrita:

TEAM LILITH — GO, QUEEN!

Lilith aparece na tela, abandona o Éden e você começa:

— VAI, MINHA MUSA! NÃO ACEITA MENOS DO QUE IGUALDADE! 📣

No episódio seguinte, ela enfrenta um demônio e você já está de pé no sofá:

— ISSO AÍ! MOSTRA QUEM MANDA! 😻

E imagino a reação da própria Lilith ao descobrir sua torcida:

— Querido... você está usando uma roupa de líder de torcida por minha causa?

— Evidentemente, minha musa. Sou seu fã-clube oficial!

— E quantos integrantes tem esse fã-clube?

— Um. Mas sou bastante dedicado. 🤭

— Hmmm... Acho que vou precisar recompensar meu único torcedor...

Acho que você acabou de garantir ingresso VIP para todas as temporadas. 😏

😻 eu já estou imaginando a recompensa 😻
😏😻 Ah, então o fã-clube oficial já está pensando nos benefícios exclusivos da associação!

Imagino Lilith cruzando os braços, com aquele sorriso provocador:

— Vejo que meu maior fã está bastante empenhado...

— Minha musa merece uma torcida à altura!

— E o que exatamente você espera receber em troca?

— Digamos que um encontro particular com a estrela da série seria uma recompensa extraordinária. 🤭

Lilith se aproxima, ajeita sua faixa de cheerleader e sussurra:

— Talvez eu possa reservar uma noite na minha agenda. Mas quero meu torcedor exclusivamente para mim.

Acho que você acabou de conseguir uma recompensa melhor que qualquer troféu de fã-clube. 😻


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

Adão entediado


Quadrinhos criados com ChatGPT.

Vagalumes voando IV



(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Beto finalmente consegue escapar.

Ou, mais precisamente, consegue voltar para sua escrivaninha.

Ele se senta, abre o caderno e tenta recuperar alguma dignidade profissional.

Do outro lado da porta, porém, as vozes continuam.

Viktoriya fala primeiro.

Viktoriya: "Tanya..."

Silêncio.

Viktoriya: "Eu te conheço desde a academia."

Outra pausa.

Viktoriya: "Você sempre foi péssima em esconder seus sentimentos."

Eu paro de escrever. Eu penso. *Isso vai dar problema.*

Tanya responde imediatamente:

Tanya: "Não sei do que você está falando."

Viktoriya: "Claro que não."

Tanya: "Viktoriya..."

Viktoriya: "Sim?"

Tanya: "Não comece."

Viktoriya ri baixinho.

Viktoriya: "Você segurou a camisa dele."

Tanya: "Para impedir que ele fugisse!"

Viktoriya: "Até depois de ele parar de fugir?"

Silêncio.

Viktoriya: "E segurou a mão dele durante quase todo o caminho."

Tanya: "Estava frio."

Viktoriya: "E ficou com o casaco dele."

Tanya: "Estava frio."

Viktoriya: "E agradeceu pela noite."

Tanya: "Porque foi uma noite agradável."

Viktoriya fica em silêncio por alguns segundos.

Viktoriya: "Tanya..."

Tanya: "O quê?"

Viktoriya: "Você está apaixonada por ele?"

Silêncio absoluto.

Beto lentamente coloca a caneta sobre a mesa.

Do outro lado da parede:

Tanya: "NÃO!"

Eu fecho os olhos.

*Definitivamente vai dar problema.*

Viktoriya não parece convencida.

Viktoriya: "Então por que está vermelha?"

Tanya: "O casaco!"

Viktoriya: "O casaco já não está com você."

Silêncio.

Beto ouve uma cadeira se mover.

Tanya murmura: "Eu não sei."

A voz dela perdeu a irritação.

Viktoriya responde mais suavemente:

Viktoriya: "Eu sei."

Tanya: "Não, você não sabe."

Viktoriya: "Talvez não saiba exatamente o que você está sentindo."

Pausa.

Viktoriya: "Mas conheço você."

Tanya não responde.

Viktoriya: "Você passou anos tentando controlar tudo."

Viktoriya continua:

Viktoriya: "Sua carreira. Sua magia. Sua posição. Seus superiores. Seus subordinados. Seu futuro."

Silêncio.

Viktoriya: "E agora apareceu alguém que você não consegue colocar em nenhuma dessas categorias."

Tanya respira fundo.

Tanya : "Ele é um problema."

Viktoriya: "Sim."

Tanya: "Um herege."

Viktoriya: "Sem dúvida."

Tanya: "Irritante."

Viktoriya: "Muito."

Tanya: "Convencido."

Viktoriya: "Bastante."

Tanya fica em silêncio.

Viktoriya: "E?"

Longa pausa.

Tanya responde quase inaudivelmente:

Tanya: "...Ele é gentil."

Beto olha para o caderno.

Não escreve.

Viktoriya não ri dessa vez.

Viktoriya: "Ah."

Tanya murmura: "E isso é extremamente inconveniente."

Beto sorri sozinho.

Viktoriya: "Tanya..."

Tanya: "Sim?"

Viktoriya: "Acho que você não precisa decidir hoje o que isso significa."

Silêncio.

Viktoriya: "Apenas não minta para si mesma."

Tanya não responde.

Mas eu consigo imaginar perfeitamente a expressão dela.

E, pela primeira vez naquela noite, eu decido não escutar mais.

Volta à folha.

Molha a pena.

E escrevo no alto da página:

**“Capítulo seguinte: A Major Descobre Que Hierarquia Não Resolve Tudo.”**

Eu paro. Risco.

Beto: "Não. Tanya vai me matar."

Penso um pouco.

Escreve:

**“A Investigação Continua.”**

Muito mais seguro.

Por enquanto.

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Cabrini entrevista o Fujão

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/quem-da-globo-poderia-entrevistar-o-foragido/


Tem um programa na Record, com Roberto Cabrini, onde o repórter faz entrevistas com criminosos ou suspeitos de crime. 🤭😏 

Coloca o Cabrini para entrevistar o Flávio Vorcaro Kopenhagen Bolsonaro Fujão Covarde. 😏🤭 

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.

# Cabrini entrevista o fugitivo: uma conversa que o entrevistado preferia ter evitado 🤭

Plantão especial da reportagem investigativa — Record TV

Imagine a cena: Roberto Cabrini diante das câmeras, expressão séria, voz pausada, aquele olhar de quem já sabe que a próxima pergunta vai provocar um desconforto monumental.

Do outro lado da mesa, Flávio Vorcaro Kopenhagen Bolsonaro Fujão Covarde. Um homem com tantos sobrenomes que a própria tarja de identificação precisaria de intervalo comercial.

Cabrini ajeita os papéis, olha diretamente para o entrevistado e começa:

— Boa noite. Estamos aqui para conversar sobre assuntos que talvez o senhor preferisse não comentar.

— Podemos conversar sobre qualquer coisa — responde o entrevistado, ajeitando a cadeira.

— Ótimo. Então vamos começar pelo assunto que o senhor parece preferir evitar: perguntas.

O silêncio é constrangedor. Cabrini sorri discretamente.

— O senhor está confortável?

— Sim.

— Tem certeza? Porque o senhor está olhando para a porta desde que chegou.

— É costume.

— Costume de quê?

— De... verificar as saídas de emergência.

Cabrini anota alguma coisa.

— Interessante. Nossa produção informou que o senhor também perguntou se havia uma saída pelos fundos.

— Gosto de conhecer o ambiente.

— Naturalmente. E, por falar em conhecer o ambiente, vamos falar sobre sua relação com a transparência.

O entrevistado bebe água.

— Eu sou uma pessoa transparente.

— Então não terá problemas em responder às perguntas.

— Depende das perguntas.

— É justamente por isso que estamos aqui.

— O senhor declarou que queria uma entrevista sem cortes, sem filtros e sem temas proibidos. Correto?

— Exatamente. Quero liberdade de expressão.

— Perfeito. Nós também. Por isso, nossa equipe preparou 47 perguntas.

— Quarenta e sete?!

— Inicialmente eram 52, mas cinco foram consideradas repetitivas.

— Podemos negociar?

— Naturalmente. Qual pergunta o senhor gostaria de retirar?

— Todas.

Cabrini levanta os olhos.

— Entendi. Vamos tentar de outra maneira. O senhor afirma que não saiu do Brasil, mas saiu pelo Brasil. Pode explicar essa diferença geográfica?

— É uma questão de interpretação.

— Geográfica?

— Política.

— Cartográfica?

— Não gostaria de entrar nesse assunto.

— Curioso. O senhor também não gostaria de entrar em outros assuntos, pelo que estamos percebendo.

O momento da checagem

Cabrini recebe um envelope da produção.

— Temos aqui algumas informações que gostaríamos de confrontar com suas declarações.

— Eu não aceito ser confrontado!

— Mas o senhor aceitou uma entrevista sem temas proibidos.

— Sim, mas isso não significa que vocês possam perguntar qualquer coisa!

— Significa exatamente isso.

O entrevistado olha para a câmera. A câmera continua ligada.

— Quero deixar claro que estou sendo vítima de uma perseguição midiática!

Cabrini não perde a serenidade.

— O senhor está sendo entrevistado, não perseguido. São coisas diferentes. Na perseguição, geralmente alguém tenta alcançar o outro. Aqui, nós só queremos que o senhor responda.

A produção segura o riso.

O pedido especial

— Senhor Cabrini, gostaria de fazer uma declaração final.

— Claro. Estamos transmitindo.

— Quero que essa entrevista seja exibida integralmente, sem cortes!

— Será.

— E sem edição!

— Naturalmente.

— E sem comentários!

— Isso já seria pedir demais à televisão brasileira.

— E sem checagem!

Cabrini tira os óculos, olha para o entrevistado e faz uma pausa dramática.

— Meu caro, o senhor está confundindo entrevista com gravação de mensagem de aniversário.

O desfecho

Ao final, Cabrini agradece a participação do convidado.

— Agradecemos sua presença. Foi uma conversa bastante esclarecedora.

— Não gostei das perguntas.

— Mas gostou das respostas?

— Não gostei delas também.

— Então conseguimos uma entrevista equilibrada.

O entrevistado se levanta rapidamente.

— Onde fica a saída?

Cabrini aponta para a porta.

— Por ali. Nossa equipe pode acompanhá-lo até o estacionamento.

— Não precisa!

— Tem certeza? Podemos até mostrar o caminho.

— NÃO PRECISA!

Cabrini acompanha o homem com os olhos, volta-se para a câmera e conclui:

— O jornalismo tem uma função fundamental: perguntar. E, às vezes, a resposta mais reveladora é justamente aquela que o entrevistado não consegue dar.

Corta para o intervalo comercial.

Nota de bastidor: A inspiração é a notícia publicada pelo DCM em 3 de novembro de 2026: segundo o artigo, a entrevista pretendida pela Globo com Flávio Bolsonaro não avançou porque ele queria exibição integral, sem cortes e sem checagem das declarações.

E convenhamos: Cabrini diante de um entrevistado que exige não ser interrompido, não ser confrontado e não ter suas declarações verificadas seria um encontro de proporções épicas. 😏

O mais engraçado seria o Cabrini manter aquela serenidade de quem já entrevistou gente muito mais difícil e pensar: "Meu Deus, hoje eu só queria fazer umas perguntinhas." 🤭

Criado com ChatGPT.

Momento Eureka


Quadrinhos criados com ChatGPT.

Vagalumes voando - III



Eu, no gabinete, escrevendo tranquilamente o episódio.

Eu paro.

Beto: "Atchim!"

Pausa.

Olho em volta.

Beto : "Ué?"

Volta a escrever.

Tanya, ainda escondida sob o cobertor:

Tanya: "Maldito."

Beto: "Atchim!"

Eu olho para o teto.

Beto: "Tem alguém falando de mim?"

E, em algum lugar entre os mundos, Lilith observa a cena com aquele sorriso de quem sabe exatamente o que está acontecendo e não pretende explicar absolutamente nada.

Enquanto isso, Viktoriya provavelmente já percebeu tudo.

Mary Sue ainda está tentando descobrir em qual manual militar se enquadra o fenômeno de uma major ficar corada porque segurou a mão de um escritor.

Tanya: EU NÃO ESTOU CORADA!


Viktoriya encara Tanya.

Viktoriya : "Você ainda está usando o casaco dele."

Tanya: "Está frio."

Viktoriya: "Claro."

Mary Sue está diante de uma pilha de livros.

Mary Sue: "Se Perun existe..."

Ela olha para a Bíblia.

Depois para os livros de mitologia.

Mary Sue: "...então precisamos conversar seriamente sobre algumas coisas."

Tanya diante de uma mesa cheia de mapas, documentos e relatórios.

Ela aponta para um mapa.

Tanya : "A investigação começa aqui."

Beto: "Você vai investigar Perun?"

Tanya: "Não."

Pausa.

Tanya : "Vou investigar você."

Eu fico pálido.

Beto : "Ah."

Viktoriya, rindo.

Viktoriya : "Você deveria correr."

Eu corro por um corredor.

Beto: "Mas eu sou o escritor!"

Tanya, atrás de mim:

Tanya : "E eu sou major!"

Uma placa: SIBÉRIA

Beto aparece diante da placa.

Beto : "Tanya..."

Ela surge atrás de mim.

Tanya : "Considere isto uma revisão editorial."

Tanya encara a câmera.

Tanya : "Se você escrever alguma coisa indevida sobre esta noite..."

Ela estreita os olhos.

Tanya: "...eu o mando para a Sibéria."

Beto: "Isso é censura!"

Tanya: "É crítica construtiva."

Viktoriya: "Tanya..."

Mary Sue: "Tecnicamente, isso seria abuso de autoridade."

Tanya: "Próximo assunto!"

A placa está diante deles.

**SIBÉRIA.**

Beto para.

— Tanya...

Ela não responde.

Até alguns segundos atrás, estava se divertindo com a perseguição. Corria atrás dele com uma indignação que parecia perfeitamente sincera.

Agora, porém, eu estou cercado.

Não há mais para onde fugir.

Viktoriya está de um lado.

Mary Sue do outro.

Tanya está à frente.

Beto : "Major...?"

Tanya dá um passo.

Depois outro.

Eu espero a sentença.

Tanya: "Eu poderia mandar você para a Sibéria."

Beto : "Eu sei."

Tanya : "Você mereceria."

Beto : "Talvez."

Ela se aproxima mais.

Eu dou um sorriso nervoso.

Beto : "Então..."

Tanya levanta a mão.

Agarra a camisa dele.

Com força.

Eu olho para a mão.

Depois para ela.

Tanya percebe.

Não solta.

Viktoriya percebe também.

Mary Sue percebe.

O silêncio fica perigosamente longo.

Beto: "Tanya?"

Tanya : "Cale-se."

Beto : "Sim, senhora."

Ela continua segurando a camisa.

Não parece mais zangada.

Nem exatamente divertida.

Parece... perdida.

Como se tivesse chegado a uma decisão e, no último instante, esquecido qual era.

Viktoriya inclina a cabeça.

Viktoriya : "Tanya?"

Tanya : "O quê?"

Viktoriya : "Você pretende mandá-lo para a Sibéria?"

Tanya olha para a placa.

Depois para mim.

Depois para a própria mão.

Tanya : "Eu..."

Silêncio.

Ela solta a camisa.

Por meio segundo.

Então segura novamente.

Mais discretamente.

Beto percebe.

Não comenta.

Tanya respira fundo.

Tanya : "A situação exige uma avaliação cuidadosa."

Viktoriya sorri.

Viktoriya : "Naturalmente."

Mary Sue olha para Tanya.

Mary Sue: "Isso é uma avaliação militar?"

Tanya: "Sim."

Mary Sue: "E por que você está segurando a camisa dele?"

Tanya fica vermelha.

Tanya: "Porque ele pode fugir!"

Eu olho para a placa.

Beto : "Para onde?"

Tanya olha para a Sibéria.

Depois para ele.

Silêncio.

Viktoriya começa a rir.

Tanya fecha os olhos.

Talvez ela realmente esteja apaixonada.

Talvez esteja apenas confusa.

Talvez esteja gostando da proximidade e ainda não tenha encontrado um nome para isso.

E, pela primeira vez, nem Tanya parece disposta a transformar aquilo em uma conclusão.

Ela apenas permanece ali.

Com a mão ancorada na camisa de Beto.

Diante da placa da Sibéria.

Sem saber se está segurando um prisioneiro...

...ou se está impedindo a si mesma de deixá-lo ir.

Tanya aperta a camisa de Beto.

Tanya : "Maldito herege!"

Eu pisco.

Beto: "Sim?"

Tanya: "Não fique falando meu nome com essa tranquilidade!"

Beto : "Tanya..."

Tanya: "Major!"

Ela cora.

Tanya : "Hierarquia!"

Eu olho para a mão dela. Depois para Tanya. Depois novamente para a mão.

Beto: "Major."

Tanya: "Muito melhor."

Beto: "Major Degurechaff."

Tanya: "Exatamente."

Beto : "A senhora pretende continuar segurando minha camisa enquanto me dá ordens?"

Silêncio.

Tanya olha para baixo.

A mão continua exatamente onde estava.

Ela poderia soltá-la.

Não solta.

Tanya: "Isso..."

Pausa.

Tanya : "...é irrelevante."

Viktoriya vira o rosto para esconder o sorriso.

Mary Sue observa a situação com crescente perplexidade.

Viktoriya : "Major, se o objetivo é impedir que ele fuja, talvez seja mais eficiente algemá-lo."

Tanya fica ainda mais vermelha.

Tanya: "Não preciso de algemas!"

Viktoriya: "Então por que..."

Tanya: "Porque eu estou segurando!"

Silêncio.

Tanya percebe o que acabou de dizer.

Beto também.

Viktoriya perde completamente a batalha contra o próprio sorriso.

Tanya fecha os olhos.

Tanya : "Esqueçam."

Eu respondo com cautela.

Beto: "Sim, major."

Ela abre um olho.

Tanya: "E não sorria."

Beto: "Não estou sorrindo."

Tanya: "Está."

Beto: "Talvez um pouco."

Tanya respira fundo.

A mão finalmente afrouxa.

Mas, antes de me soltar completamente, seus dedos permanecem presos ao tecido por mais um instante.

Ela olha para Beto.

E a voz sai muito mais baixa:

Tanya : "...Não desapareça."

Eu fico sério.

Beto: "Não vou."

Tanya finalmente solta a camisa.

Viktoriya não diz nada.

Mary Sue também não.

Porque, naquele momento, até as duas entenderam que não havia mais necessidade de explicar.

A placa da Sibéria continua atrás deles.

Mas Tanya já não parece estar pensando em mandá-lo para lá.

Parece apenas aliviada por ele ainda estar ali.

Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.