(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)
Na manhã seguinte, Beto encontra Tanya diante de uma mesa coberta de papéis.
Ele para na porta.
Olha para ela.
Depois olha novamente.
As olheiras são evidentes.
— Bom dia, major.
Tanya não levanta os olhos.
— Bom dia.
Beto se aproxima.
— Você dormiu?
— O suficiente.
— Isso não respondeu à pergunta.
— Então considere que a resposta foi satisfatória.
Beto olha para a mesa.
Mapas.
Anotações.
Livros.
Desenhos de esculturas.
Referências geográficas.
Algumas folhas estão cheias de pequenas observações feitas durante a madrugada.
Ele fica alguns segundos em silêncio.
— Você realmente está investigando Perun.
Tanya finalmente levanta os olhos.
— Eu disse que investigaria.
— Eu achei que fosse uma figura de linguagem.
— Eu não uso figuras de linguagem quando faço uma promessa.
Beto olha novamente para os documentos.
— O que você descobriu?
— Que a questão é mais complicada do que você fez parecer.
— Isso eu sabia.
— Não estou falando de você.
Ela aponta para um mapa.
— Existem variações regionais significativas. Algumas representações provavelmente são resultado de transmissão cultural. Outras são mais difíceis de rastrear.
Beto se aproxima.
— E?
Tanya suspira.
— E eu ainda não tenho dados suficientes.
Ela passa a mão pelo rosto.
— Preciso de registros históricos, relatos folclóricos, arqueologia comparativa...
Beto observa as olheiras.
— Você passou a noite fazendo isso?
— Algumas horas.
— Quantas?
Tanya fica em silêncio.
Beto entende.
— Tanya...
— **Major.**
— Major.
Ela volta aos papéis.
— Não estou tentando provar que Perun existe.
— Eu sei.
— Nem provar que não existe.
— Também sei.
Tanya para de escrever.
— Estou tentando descobrir exatamente **o que podemos afirmar**.
Beto sorri.
— Isso é muito diferente de ontem.
— Não.
Ela olha para ele.
— É exatamente o que eu disse ontem.
Pausa.
— Só que agora eu tenho mais perguntas.
Beto olha para o rosto cansado dela.
— E isso não lhe dá medo?
Tanya pensa.
— Dá.
Ela volta aos documentos.
— Mas é um medo muito mais útil do que a certeza.
Beto fica surpreso.
— Você sabe que acabou de dizer uma coisa que eu provavelmente colocaria num livro.
Tanya aponta a caneta para ele.
— Não ouse.
— Não vou.
— E não transforme minha insônia em filosofia.
Beto sorri.
— Não prometo.
Tanya suspira.
Mas há um pequeno sorriso escondido no canto da boca.
Ela volta ao trabalho.
No alto da primeira página, há uma anotação:
**PERUN — INVESTIGAÇÃO ABERTA.**
Sem conclusão.
Sem crença.
Sem negação.
Apenas uma pergunta.
E, pela primeira vez, Tanya parece perfeitamente confortável em deixá-la assim.
**06h30.**
A porta se abre.
Viktoriya entra primeiro.
Atrás dela, Mary Sue aparece esfregando os olhos.
— Bom dia...
Ela boceja.
— Isso ainda é madrugada.
Viktoriya olha para Tanya.
Depois para a mesa.
Depois para as olheiras.
E então surge aquele sorriso.
Pequeno.
Calmo.
Perigosamente informado.
Tanya percebe.
— Não.
Viktoriya nem abriu a boca.
— Eu não disse nada.
— Seu rosto disse.
Mary Sue olha de Tanya para Viktoriya.
— O que está acontecendo?
— Nada — responde Tanya imediatamente.
Viktoriya aproxima-se da mesa.
— Investigação sobre Perun?
— Sim.
— Desde quando?
— Ontem.
Viktoriya olha para o relógio.
— Ontem acabou há seis horas.
Tanya volta aos papéis.
— O assunto exigia atenção.
Viktoriya pega uma das folhas.
— *“Possíveis variantes iconográficas de Perun.”*
Outra.
— *“Transmissão oral entre gerações.”*
Outra.
— *“Relato do camponês.”*
Ela olha para Tanya.
— Fascinante.
Tanya estreita os olhos.
— Algum problema?
— Nenhum.
Viktoriya devolve as folhas.
— Só estou admirada com sua dedicação.
Mary Sue senta-se, ainda meio adormecida.
— Ela realmente passou a noite inteira estudando isso?
Tanya responde:
— Não a noite inteira.
Viktoriya olha para ela.
— Claro.
Tanya:
— Viktoriya.
— Sim?
— Pare.
— Eu não fiz nada.
— Exatamente.
Viktoriya sorri novamente.
Beto, sentado à outra mesa, observa a cena em silêncio.
Ele percebe algo que talvez as outras ainda não tenham percebido.
Tanya está investigando Perun.
Mas toda vez que Viktoriya menciona a noite anterior, **os olhos dela encontram Beto por uma fração de segundo**.
Depois retornam imediatamente aos documentos.
Beto contém um sorriso.
Tanya percebe.
— Não fique convencido.
— Eu não disse nada.
— Seu rosto disse.
Mary Sue, finalmente acordada:
— Por que todos nesta sala parecem estar participando de uma conversa que eu não compreendo?
Viktoriya responde:
— Porque você dormiu.
Mary Sue olha para Tanya.
Depois para Beto.
Depois para o casaco dobrado sobre uma cadeira.
— Ah.
Tanya fica vermelha.
— **Não.**
Viktoriya começa a rir.
E Beto pensa que talvez seja melhor não mencionar que, naquela manhã, a investigação sobre Perun parece ser apenas metade do problema de Tanya.
A outra metade está sentada ali.
Olhando para ela.
E sorrindo.
A vila ainda dorme quando Tanya retorna.
Desta vez, ela não veio acompanhada.
Sem Beto.
Sem Viktoriya.
Sem Mary Sue.
Apenas caderno, lápis e aquela expressão que seus subordinados já aprenderam a reconhecer.
**Investigação.**
Ela percorre as margens da vila.
Observa as casas.
Os cercados.
Os pequenos santuários domésticos.
As esculturas.
Anota.
— Carvalho...
Outra escultura.
— Carvalho.
Mais uma.
— Carvalho novamente.
Ela passa os dedos pela madeira de uma figura parcialmente deteriorada.
Não é apenas preferência.
Existe um padrão.
Tanya consulta suas anotações.
— Isso é interessante.
Um ancião que a observava de longe se aproxima.
— Está procurando alguma coisa?
— Estou procurando uma explicação.
O velho sorri.
— Para quê?
Tanya aponta para as esculturas.
— Todas são feitas de carvalho.
— Muitas.
— As mais antigas também?
O homem pensa.
— Venha.
Ele começa a caminhar.
Tanya o acompanha.
Eles deixam as últimas casas para trás.
Entram na mata.
O terreno sobe.
Desce.
O silêncio aumenta.
Até que o ancião para.
Tanya olha para frente.
E fica imóvel.
Há uma árvore diante dela.
Um carvalho.
Imenso.
Não simplesmente grande.
**Antigo.**
O tronco é tão largo que seriam necessárias várias pessoas para abraçá-lo.
Os galhos desaparecem muito acima deles.
Tanya olha para cima.
— Quantos anos?
— Ninguém sabe.
Ela se aproxima.
— Centenas?
O ancião balança a cabeça.
— Mais.
Tanya toca a casca.
Fria.
Rugosa.
Viva.
Então percebe alguma coisa.
No tronco existe um rosto.
Não foi entalhado recentemente.
As marcas estão incorporadas à própria madeira.
O tempo passou por elas.
Cicatrizou algumas.
Deformou outras.
Mas o rosto ainda está ali.
Tanya recua meio passo.
— Quando isso foi esculpido?
O ancião responde:
— Antes do meu avô.
— Seu bisavô?
— Antes.
— Há registros?
— Não.
Tanya observa o rosto.
— Quem esculpiu?
O ancião sorri.
— Não sabemos.
Ela toca novamente a madeira.
— E por que ninguém removeu?
O homem olha para o carvalho.
— Porque ele estava aqui antes de nós.
Tanya fica em silêncio.
— E o rosto?
— Também.
Ela olha para ele.
— Isso não responde à pergunta.
— Talvez responda.
Tanya franze a testa.
O ancião aponta para a árvore.
— Nós não plantamos o carvalho.
Pausa.
— Não fizemos o rosto.
Outra pausa.
— Apenas chegamos aqui.
Tanya olha novamente para a escultura.
O desenho é familiar.
Muito familiar.
Ela abre o caderno.
Compara com os desenhos que fez na vila.
Os mesmos traços.
A mesma forma estilizada.
O mesmo rosto que havia visto na escultura de Perun.
Sua mão para no meio da anotação.
— Não...
O ancião pergunta:
— O que foi?
Tanya não responde.
Porque aquilo não prova que Perun existe.
Ela sabe.
Não prova que uma divindade esculpiu a árvore.
Também sabe.
Mas agora existe algo muito mais incômodo:
**uma tradição que parece ser muito mais antiga do que a memória daqueles que a preservaram.**
Tanya fecha lentamente o caderno.
Olha para o carvalho.
E sente novamente aquela impressão.
A mesma do campo.
Não uma voz.
Não uma visão.
Apenas a sensação de que está sendo observada.
Ela respira fundo.
— Muito bem, Perun.
O ancião olha para ela.
— Senhora?
Tanya percebe o que disse.
— Nada.
Ela olha para o rosto esculpido.
— Ainda não.
O ancião se afasta lentamente pela trilha.
Tanya espera até que ele desapareça entre as árvores.
Então volta ao carvalho.
Ela abre o caderno.
Examina as marcas do tronco.
A profundidade dos sulcos.
A deformação provocada pelo crescimento da árvore.
A quantidade de madeira que parece ter cicatrizado ao redor da escultura.
Ela faz algumas contas.
— Se o crescimento foi aproximadamente...
Tanya para.
Há alguém atrás dela.
Não ouviu passos.
Não ouviu folhas quebrando.
Nada.
Apenas uma voz:
— Não é engraçado?
Tanya se vira imediatamente.
A mulher está alguns metros adiante.
Vestido preto.
Detalhes vermelhos.
Parada entre as árvores.
Calma demais.
Tanya fecha o caderno.
Sua postura muda.
Militar.
Avaliação imediata.
Distância.
Rotas de fuga.
Mãos visíveis.
Possíveis armas.
Aliada?
Inimiga?
Indefinida.
A mulher sorri.
— Inúmeras culturas.
Ela olha para o carvalho.
— Povos separados por montanhas, oceanos e continentes...
Depois olha para Tanya.
— ...todos falando de um Deus do trovão e da guerra.
Tanya não responde.
— E não apenas falando.
A mulher toca a própria roupa.
— Representando-o.
Tanya estreita os olhos.
— Quem é você?
— Uma mulher fazendo uma pergunta.
— Eu fiz uma pergunta primeiro.
O sorriso da desconhecida aumenta.
— Sim.
Ela olha novamente para o carvalho.
— E você está tentando medir a idade dele.
Tanya sente um arrepio.
— Como sabe?
— Porque você está olhando para a madeira como quem tenta obrigá-la a confessar alguma coisa.
Tanya mantém a expressão impassível.
— Sou boa em fazer perguntas.
— Eu sei.
A resposta é simples demais.
Tanya dá um pequeno passo para o lado.
A mulher não reage.
Nenhum gesto agressivo.
Nenhuma ameaça.
Mas alguma coisa está errada.
Não sabe dizer o quê.
A mulher parece humana.
Fala como humana.
Respira como humana.
Mas a presença dela não se encaixa.
É como observar alguém através de uma janela perfeitamente transparente e perceber que **a pessoa do outro lado não deveria estar ali**.
Tanya mantém a mão próxima ao equipamento.
— Você conhece Perun?
A mulher inclina a cabeça.
— Conheço muitas histórias.
— Não foi isso que perguntei.
— Eu sei.
Silêncio.
Tanya encara a desconhecida.
— Ele existe?
A mulher sorri.
— Essa é uma pergunta muito pequena para uma coisa tão grande.
Tanya sente o maxilar endurecer.
— Respostas evasivas não são particularmente úteis.
— Nem sempre.
A mulher dá um passo.
Tanya imediatamente se prepara.
A desconhecida para.
— Não precisa ter medo.
— Eu não estou com medo.
— Naturalmente.
Tanya percebe a ironia.
— Então por que está aqui?
A mulher olha para o carvalho.
— Porque você veio.
— Isso não responde.
— Talvez não.
Ela volta os olhos para Tanya.
Por um instante, seus olhos parecem refletir uma cor que não deveria estar ali.
Vermelho.
Tanya pisca.
Normal novamente.
— Continue sua investigação, major.
Tanya congela.
— Eu não disse minha patente.
A mulher sorri.
— Não precisava.
Então começa a caminhar pela mata.
Tanya acompanha cada passo.
Um.
Dois.
Três.
Ela pisca.
A mulher desapareceu.
Não correu.
Não se escondeu.
**Simplesmente não está mais ali.**
Tanya permanece imóvel.
Depois olha para o carvalho.
Para o caderno.
Para a trilha vazia.
E escreve uma única frase:
**“Testemunha desconhecida. Aparência humana. Natureza indeterminada.”**
Ela hesita.
Acrescenta:
**“Possivelmente não humana.”**
Tanya fecha o caderno.
Respira fundo.
— Perfeito.
Olha para o céu.
— Agora temos duas perguntas.
Tanya permanece diante do carvalho.
O silêncio da floresta volta.
Só então ela percebe o detalhe.
Um detalhe que havia passado despercebido no primeiro instante.
Ela olha para a trilha.
Nenhuma pegada recente.
Nenhum galho quebrado.
Nenhuma folha deslocada.
Nenhum ruído de passos.
Nada.
Tanya franze a testa.
A mulher havia se aproximado.
Falado.
Caminhado alguns metros.
E desaparecido.
Mas Tanya não ouviu **um único passo**.
Ela olha para o chão.
Depois para as árvores.
Depois para o ponto onde a mulher estivera.
O arrepio percorre sua nuca.
— Isso não é possível...
Ela se corrige imediatamente.
— Não.
Possível é.
Só é...
Ela procura a palavra.
— Improvável.
Tanya respira fundo.
Começa a enumerar mentalmente as alternativas.
Movimento silencioso.
Terreno irregular.
Distração.
Alguma forma de camuflagem.
Erro de percepção.
Talvez ela simplesmente não tenha prestado atenção.
Tudo é possível.
Tudo pode ser investigado.
Então surge o pensamento.
Sem convite.
Sem autorização.
**Lilith.**
Tanya fecha os olhos.
— Não.
O pensamento permanece.
Ela abre o caderno.
Escreve:
**“Hipótese: fenômeno desconhecido.”**
Para.
Olha para a frase.
Acrescenta:
**“Possível manifestação de entidade?”**
Tanya encara a própria escrita.
— Não.
Rasura.
Mas, alguns segundos depois, escreve novamente.
**“Lilith?”**
Ela fica olhando para o nome.
Não como conclusão.
Não como revelação.
Não como certeza.
Apenas uma hipótese.
Uma hipótese que, considerando tudo o que aconteceu naquela noite...
...não parece mais tão absurda quanto deveria.
Tanya fecha o caderno rapidamente.
— Isso é ridículo.
O vento passa pelas árvores.
Nenhuma resposta.
Ela olha para o carvalho.
— Não vou escrever isso no relatório.
Pausa.
— Ainda.
E, pela primeira vez desde que começou a investigação, Tanya percebe que talvez o problema não seja descobrir **se** os Deuses Antigos existem.
Talvez seja descobrir até onde sua própria ideia de “possível” consegue se estender.
Ela olha novamente para a trilha vazia.
E murmura:
— Se era você...
Silêncio.
Tanya respira fundo.
— ...você poderia pelo menos ter feito barulho ao andar.
Nenhuma resposta.
Só o vento.
E um pequeno sorriso involuntário no rosto de Tanya.
— Irritante.
Tanya retorna ao chalé no fim da manhã.
Circunspecta.
Silenciosa.
O caderno está debaixo do braço.
Ela entra, fecha a porta e fica alguns segundos parada.
Beto está à escrivaninha.
Ele levanta os olhos.
— Alguma coisa aconteceu?
Tanya olha para ele.
Longamente.
Beto imediatamente sente que há algo errado.
— Tanya?
Ela murmura:
— Carvalho...
Beto espera.
— Tradição oral...
Mais alguns passos.
— Representações semelhantes...
Ela para diante da mesa.
— E uma mulher que aparece sem fazer absolutamente nenhum som.
Beto pisca.
— Ah.
Tanya estreita os olhos.
— “Ah”?
— Eu estava tentando decidir se deveria dizer alguma coisa.
— Não diga.
Beto obedece.
Ela começa a andar pelo chalé.
— Não há evidência suficiente.
— Certo.
— Não há como estabelecer identidade.
— Certo.
— Pode haver explicações que ainda não considerei.
— Certo.
Tanya para novamente.
Olha para ele.
— Você está muito tranquilo.
— Estou?
— Está.
Beto dá de ombros.
— Eu não estava lá.
Tanya encara-o como se essa resposta fosse pessoalmente ofensiva.
— Você é responsável por isso.
— Por quê?
— Porque foi você quem me levou até aquele campo.
— Tecnicamente, você decidiu voltar sozinha.
— **Porque você me deixou curiosa.**
Beto fica em silêncio.
Tanya percebe o que acabou de dizer.
Desvia os olhos.
— E agora estou tendo pensamentos absurdos.
— Que pensamentos?
— Não interessa.
Ela passa por ele.
Beto observa.
Há alguma coisa diferente.
Não é apenas irritação.
Nem desconfiança.
Existe uma delicadeza estranha no modo como ela olha para ele.
Como se estivesse irritada com alguém que, apesar de tudo, ela não consegue deixar de considerar importante.
Beto percebe.
E fica genuinamente preocupado.
— Tanya...
Ela olha.
— O quê?
— Você está bem?
Ela responde imediatamente:
— Não.
Beto se assusta.
— O que aconteceu?
Tanya hesita.
Então olha para ele de um jeito que Beto nunca havia visto.
— Você.
— Eu?
— Sim.
Ela suspira.
— Você colocou perguntas na minha cabeça.
Pausa.
— E agora elas não vão embora.
Beto sorri.
— Isso é ruim?
Tanya parece pronta para responder.
Mas não consegue.
Porque, enquanto olha para ele, aquele pequeno traço de ternura aparece novamente.
Ela percebe que Beto percebeu.
E imediatamente fecha a expressão.
— Não fique convencido.
— Eu não—
— E não sorria.
Beto tenta obedecer.
Falha.
Tanya revira os olhos.
— Idiota.
Ela se senta.
Abre o caderno.
Mas não escreve.
Fica olhando para a página em branco.
Depois, muito discretamente, olha novamente para Beto.
Dessa vez, não há irritação.
Há carinho.
Um carinho que ela ainda não sabe nomear.
Beto engole em seco.
*Agora estou realmente em perigo.*
Do outro lado da sala, Viktoriya observa.
Ela percebe.
E sorri.
Mary Sue, ainda tentando entender a situação, pergunta:
— O que foi?
Viktoriya responde baixinho:
— Nada.
— Você está sorrindo.
— Estou.
— Por quê?
Viktoriya olha para Tanya.
— Porque acho que nossa major encontrou um fenômeno que realmente não sabe combater.
Tanya levanta os olhos.
— **Eu ouvi isso.**
Viktoriya sorri ainda mais.
— Eu sei.
Beto está na cozinha.
O som da faca cortando legumes ocupa o silêncio do chalé.
— Almoço em vinte minutos! — ele anuncia.
— Certo! — responde Viktoriya.
Mary Sue murmura alguma coisa que parece concordância.
Tanya não responde.
Continua escrevendo.
Seu caderno está aberto sobre a mesa.
Ela organiza as observações da manhã.
**Carvalho.**
**Tradição oral.**
**Representações iconográficas.**
**Entidade desconhecida.**
Ela para.
Pensa na mulher.
Depois escreve:
**Possível associação com Lilith — hipótese não comprovada.**
Fica alguns segundos olhando para a frase.
Então risca.
— Não.
Escreve novamente.
**Hipótese a investigar.**
Mais abaixo:
**Beto — testemunha principal.**
Tanya continua escrevendo.
Sem perceber, desenha ao lado do nome um pequeno coração.
Viktoriya passa atrás dela.
Para.
Olha.
Volta um passo.
Olha novamente.
Seu sorriso aparece lentamente.
— Tanya...
Tanya continua escrevendo.
— O quê?
— Nada.
Viktoriya segue para a cozinha.
Beto está mexendo uma panela.
— O que foi?
— Nada.
— Você está com aquele sorriso.
— Estou?
— Está.
— Talvez eu tenha descoberto alguma coisa.
Beto olha para ela.
— Sobre Perun?
— Algo muito mais perigoso.
Antes que ele pergunte, Viktoriya olha para Tanya.
A major continua escrevendo.
Completamente concentrada.
Ou fingindo estar.
Beto sente um arrepio inexplicável.
— Não sei por quê — murmura — mas acabei de sentir que alguma coisa ruim vai acontecer.
Viktoriya contém uma risada.
— Você deveria se preocupar.
Enquanto isso, Tanya escreve:
**“Relação entre Beto e Lilith.”**
Ela para.
Olha para a frase.
A expressão muda.
Não é mais investigação acadêmica.
É curiosidade.
Uma curiosidade que começa a incomodá-la.
Quem é Lilith para ele?
O que exatamente aconteceu entre os dois?
Por que ele fala dela daquele jeito?
Por que sua voz muda quando pronuncia o nome?
E, principalmente...
**o que existe entre eles que Tanya não conhece?**
Ela fecha o caderno.
Depois abre novamente.
Escreve uma última pergunta:
**“Beto ama Lilith?”**
Tanya encara a frase.
Seu rosto fica vermelho.
— Que pergunta estúpida...
Viktoriya, do outro lado da sala:
— Não é tão estúpida assim.
Tanya congela.
— Você leu?
— Não.
— Então como—
— Seu rosto.
Tanya fecha o caderno com força.
— Vá ajudar Beto com o almoço.
Viktoriya sorri.
— Com prazer.
Na cozinha, Beto sente outro arrepio.
— Definitivamente alguma coisa aconteceu.
Viktoriya pega uma colher.
— Talvez você devesse preparar uma sobremesa.
— Por quê?
Ela olha para Tanya.
— **Para sobreviver ao interrogatório.**
Beto empalidece.
— Interrogatório?
Tanya levanta os olhos.
— Ainda não.
A palavra **“ainda”** ecoa pelo chalé.
Beto olha para o teto.
— Lilith, se você estiver ouvindo...
Pausa.
— ...eu aceito ajuda.
Tanya estreita os olhos.
Viktoriya começa a rir.
E Mary Sue, pela primeira vez, percebe que talvez a investigação sobre os Deuses Antigos seja o menor dos problemas daquele chalé.
Criado com ChatGPT.
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