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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Quarta Sala: A Moagem

Implacavelmente, as engrenagens fecham-se sobre nós, os dentes dela
pressionam-nos, nos dilaceram com suas brocas, somos triturados pelos rotores
até pulverizar a mínima poeira, só restando uma poeira tão fina que nem mesmo
um coador reteria. Ainda seremos centrifugados, para que todo peso possa ser
processado, apenas o que for uma fração, mas sem peso, ainda que sólido, será
retido por uma grade felpuda de penas, com mais fiapos que galhos em uma
floresta. O látex graxoso da grade nos escorre de volta a engrenagem e a
centrifugação, para que o óleo resultante de nossa moagem possa lubrificar o
engenho. O segundo óleo, obtido da terceira moagem, será usado como
comburente desta máquina, esta que gera toda a força que move a morte. Pois a
morte é sustentada pela Morte, através da moagem da Morte sobre a morte. A
morte pode ser a cabeça, mas a Morte é a máquina que gira a cabeça. O que
ceifam, é o produto delas, mais para experiências cientificas que propriamente
para alimentação ou necessidade. Elas são capazes de se parirem e manterem-
se, sem precisar de vida ou de qualquer outro protótipo ou substituto. A vida, ou
qualquer coisa semelhante, só cabe em si, enquanto as senhorias são cósmicas.
Através da válvula de escape deste motor de extrusora, nós saímos, um pouco
fuliginosos, mas nós estamos aptos a seguirmos a subida.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Quinhentos, 201 - 205



A chama não queima sem a mecha, a mecha não brilha sem o óleo e o óleo não acende sem a entrega.



Tiremos da simplicidade da natureza material os exemplos da natureza espiritual.



Os homens constróem as tavernas, tal medo possuem da natureza. Não te estranhes, então, que há mais mulheres aqui. O homem confinou seu espirito, o meu prazer é libertá-lo.



A mulher honrada é plenamente honesta: a esposa de um ou muitos exprime sua condição claramente.



A Vida sempre está em mutação, movimento. A mentira faz mais que a verdade, o perene é mais precioso que o permanente.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Terceira Sala: O Eflúvio

Tragados através dessas cavernas intrincadas, nós somos arremessados para a
forja do Fogo Negro, que consome toda alma, todo o espírito de qualquer coisa
existente. Na medida que dilui, também reconstrói, com faíscas de sua própria
essência. Da mesma forma que num tonel de vinho, onde nós seriamos os bagos
de uva, subimos e descemos, somos esmagados e rasgados, batidos e cozidos e
postos a fermentar. Nós passamos de estado sólido a gasoso e de gasoso a
sólido, em intervalos de tempo extremamente curtos, a fim de atingirmos o grau
de excelência que só um vinho tinto consegue. Imensas pás continuam a
revolver, enquanto nosso plasma flutua pelo tonel, adquirindo cor e volume, ou
cristalizando ao agarrar-se aos pequenos postes ou paredes da tina, enquanto a
fermentação não nos arrancar pela evaporação. Nós estamos prontos para ser
engarrafados, sendo as garrafas formadas pelos cristais que produzimos, até
criar uma pele lisa e sem defeitos, como uma pérola de jade cobrindo um
diamante bruto. Por nossa cromografia, nós seremos catalogados, alguns ainda
terão que ir a busca de cascas melhores, outro serão quebrados imediatamente
por terem ultrapassado a camada que lhe cabia. Lentamente, as bolas de gude
vão sendo empilhadas à esquerda, à direita, ao fundo, à frente, à cima e a baixo,
até completar todo um grado. Cada grade e espaço, nas posições e direções
certas, como a ordenação atômica de uma folha, onde aos bocados são formadas
camadas, para cada camada formar um tecido, que no conjunto resulta em um
organismo.

domingo, 16 de agosto de 2026

Exílio


Conversa com o Gemini.
https://revistaforum.com.br/global/deputado-alerta-peracoes-em-terra-eua-america-latina-perigo-real/

😱 Eu vou ter que melhorar meu inglês. A galera bolsonarista já tem o figurino, com a bandeira dos EUA. Eu vou ter que esconder meu santuário. 😱

Ou eu estou entrando em uma paranóia desnecessária? 🤭😏


Podemos respirar fundo: você não precisa começar a esconder o seu santuário nem entrar em pânico, mas a preocupação geopolítica no pano de fundo tem razões históricas para existir.

O que está em jogo na notícia e na reação a ela é uma mistura de geopolítica real, retórica política e o reflexo do nosso cenário doméstico:

1. O que é real na notícia
Retórica militar expansionista: Declarações da administração dos EUA (como as do secretário de Guerra sobre considerar cartéis de droga como organizações terroristas para justificar incursões) refletem uma política externa ostensiva e de "mão dura" que historicamente tensiona a soberania dos países latino-americanos.

Geopolítica regional: A busca por alianças militares na região faz parte das dinâmicas tradicionais de poder e hegemonia no continente.

2. Onde entra a sua "paranoia" (e por que seu santuário está seguro)
Escala e Alvos: A retórica das operações tem como foco explícito o crime organizado transnacional e o combate ao narcotráfico no âmbito entre Estados. Não existe qualquer mecanismo, interesse ou probabilidade de isso se desdobrar em uma "patrulha ideológica ou religiosa de casa em casa" feita por forças estrangeiras ou militantes locais com bandeiras dos EUA.

Soberania do Brasil: O Brasil não integra essa coalizão militar e possui instituições, forças armadas e leis soberanas. O país não é um território sem governo onde forças estrangeiras operam livremente.

Liberdade de Culto e Expressão: O Brasil garante constitucionalmente a liberdade de crença, de consciência e de expressão. O seu espaço de devoção e a sua arte continuam resguardados por lei.

O veredito
Você não está totalmente errado em se incomodar com declarações de intervenção estrangeira na América Latina — a história do nosso continente nos ensina a olhar para isso com atenção crítica. No entanto, transformar esse alarde geopolítico em medo pessoal de perseguição no seu cotidiano é, sim, dar um salto desnecessário para a ansiedade.

Seu santuário continua sendo o seu templo de liberdade, criação e fé. Pode mantê-lo exatamente onde está, firme e altivo. E quanto ao inglês, aprenda se quiser ler os clássicos sem tradução — não para responder a nenhuma patrulha!

Por via das dúvidas, eu seguro firme na mão da Lilith.


(Lilith) "O que foi, meu herético?"

(Eu) "Nós precisamos de exílio. Urgente"

Lilith percebe que eu estou levando ela para meu quarto.

(Lilith) "Ah, eu entendi o que quer dizer com exílio"

😏🤭🥵😻 

Criado com Gemini, do Google.
Imagem criada com Gemini, do Google.

Quinhentos, 196 - 200



Não tome o que digo por proibição ou censura, profeta, pois a Lei do Amor pede desejo e cobiça.



Assim, nós mulheres, somos deusas quando consagramos nossa sensualidade. Pelo contato, irradiamos e pelo êxtase, nos purificamos.



Resplandeça sua alegria e humor, pois aquela que contigo ri, é cúmplice da sedução.



Assim é a escola do Amor: uma mulher aprende com outra mulher o que no homem deve ser experimentado.



A escola de um homem para um homem acaba resultando no delírio da autoridade e na obsessão do domínio.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Segunda Sala: A Digestão

O capricho da senhoria faz com que a fuga acabe nos tragando mais para seu
intimo, nos emulsionando no suco gástrico, até formar um bolo digestivo, como
penas de aves no estômago do crocodilo, prontos para serem regurgitadas. Com
grande repulsa, vemo-nos sendo repostas as carnes e os ossos, tornando nossa
forma nessa miserável humana. Mas isto é feito apenas para decantar ainda mais
nossa essência, de forma que constantes reformas e demolições seguem-se, até
que se triture toda sobra ou consciência humana. Desta vez, nós estamos à
mercê das contrações estomacais e das marés enzimáticas, sofrendo os mais
diversos processos em cada parte desta parede viva viscosa, repicando de um
canto a outro, sendo esticados, picados, amassados, estirados, assados,
estuporados e demais formas de se preparar uma refeição.
Finalmente, depois de nós sermos coalhados e coados, começamos a ser
assimilados pelas artérias, que mais se parecem com um labirinto, formado por
corais cortantes, nem aqui há tréguas. Ainda iremos ser atacados por anticorpos
e demais mecanismos de proteção orgânica, mas sempre numa versão adequada
ao Mausoléu. Então, as veias são como catacumbas, os anticorpos são seus
habitantes; a sala de digestão é uma sala de necrópsia liderada por açougueiros,
mas ao todo, uma boa câmara de tortura de um calabouço frio e cruel. Tudo para
nos aperfeiçoar, tal como o ferro é laborado até obter aço temperado, resistente
e afiado.

sábado, 15 de agosto de 2026

Quinhentos, 191 - 195



Traga a fagulha, profeta, e me incendeia. Torne a tua pele de pérola em rubi e minha pele de ébano em brasil.



De nossa incandescência vem o brilho, de nossos corpos vem o resplendor divino.



A mulher aprecia e espera ser tratada como um jardim cultivado. Quem cuida conhece cada canto, mas está aberto a visitantes.



Então, seja um visitante gentil, elogie a obra, mas não tente provar o fruto do pomar.



Lembra-te que é necessário calar a voz do dono para que a mulher retome a posse de si e seja Senhora a ponto de se permitir se tornar Amada.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Primeira Sala: A Cópula

Aqui a promiscuidade é uma criança ingênua, daqui é gerado todo o espírito da
sacanagem, bem porque a morte é a maior realização sexual, todo ponto de
penetração corresponde a uma decomposição, todo fruto deste ventre é seu pai.
O mais perfeito incesto e estupro, matricídio e filicídio. Toda carne e sangue,
quando existente, em sua função, esta não é outra que não a contemplação do
prazer de tornar carne e sangue uma perpetuação do prazer. Aqui o prazer é
carne e o gozo é sangue, o que era resultado, é a causa; o que era a causa, um
resultado surrealista, a vida é uma conseqüência desta orgia da morte. Todo o
amante da senhoria, é uma oferenda em imolação, trucidando-se para os
pedaços tornarem-se o esperma que vai purificar o ventre e enraizará como feto,
um incrível feto natimorto que irá parir-se, como um esporo que vive do seu
fungo como parasita. Mais ainda com a ajuda de Belchanan, a expulsar do ninho
os pequenos e gorando os ovos frescos, num fratricídio e genocídio que só
multiplica a prole.
Adquirindo a película protetora, como um vírus infecto pronto a aumentar as
chagas, nós saímos do colo, arrastando conosco uma trilha de hemorragia,
deixando a lembrança na forma de uma gangrena. Com nossas presas e
mandíbulas, forçamos nossa passagem, uma nova sevicia para deliciar nossa
senhoria, que aperta em nossa volta seu doce ânus, um longo túnel pulsante, por
onde evadiremos, provocando nossa defecação.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Quinhentos, 186 - 190



Eis que os corpos, que eram sólidos, se desmancham, se misturam. Teu ser se derrama dentro de mim e meu ser se espalha ao teu redor.



Eu tenho dois bojos que me testificam, muito mais firmes e certos do que qualquer declaração.



Os livros santos só tem um contato frio e distante com os olhos. O que te abro ao toque é quente, próximo e confiável.



A humanidade continuará perdida e confusa, enquanto se colocar os deuses no Alto.



Busquemos o contato divino pelo toque e então encontraremos, espantados, nossos deuses onde estes sempre estiveram.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

O Grande Mausoléu

Eis a antecâmara do próprio corpo da Morte, onde já se sente a emanação de
uma energia forte e primordial de onde os espíritos de todas as coisas tiveram
origem. Uma ternura filial e uma excitação sexual conturba nossa pequena alma
em meio a tal imensidão e potência. Cada fresta exala sabedoria, a cada metro
acumulam-se enciclopédias, cada ossada alinhada, linha de forças cósmicas que
fazem brilhar as órbitas vazias dos crânios com um fogo fátuo, mapeando esse
cosmos da Morte. Nós tínhamos apenas começado a sair da pequena órbita da
morte, estamos iniciando na escalada final até os limites desse cosmo. Nós
temos que encontrar a passagem até as cinco salas, onde teremos que galgar os
doze degraus de cada uma, até tocar enfim o coração da Morte que se encontra
na mente e na fronteira da elipse mais impossível e absurda. Este é um jogo que
requer habilidade, inteligência e probabilidade, onde a combinação correta de
ossos e medulas, vão abrir pequenas escotilhas nas quais, combinadas em uma
ordem, vão originar um portal à próxima dimensão, um outro nível energético
maior e mais amplo, dentro deste incrível átomo da Morte. Na diferença de uma
costela há uma curva de aceleração, que vai rachar o crânio no parietal, nos
levando à caixa do próximo crânio.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Quinhentos, 181 - 185



Não há o que temer nem a quem ofender. Uma mulher sempre será esposa, filha, irmã de alguém.



A mulher é como ela quer parecer: rainha ou rameira. Mas mesmo a santa tem desejo por um homem.



O conhecimento é importante, a sabedoria é fundamental, a experiência é imprescindível.



O mundo é feito violento, por falta de formação afetiva e por conseqüência da ausência de contato humano.



Diga, profeta, que pelos mesmos sentidos que se experimenta a densidade dos corpos, se prova a transcendência dos mesmos.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Sétima Estação: Transconciência

Elevados pelo que nos devia manter firmes no lugar, nós vemos toda a planície
qual visão de um trapezista a todo o circo, sendo que a nós, nos vem a visão
deste circo que se tornou a vida. Nós vemos em completo que a Morte é a mãe
da vida, que como criança pequena arrisca pequenos passos, mas logo regressa
ao que protege e provê. Que a morte é ainda pequena e irmã mais velha da vida,
mas já sabe andar e falar. A morte será herdeira da Morte, pois são autogeradas
e auto-suficientes no talento que tem de se perpetuarem ao se extinguirem, a
morte se mata para permanecer morta para não morrer. A Morte é a morte que
morreu quando não se matar. Entre elas, a vida vai sem ir, como um brinquedo
entre a mãe e a filha, que nesse movimento ilude-se de que está viva e prevalece
sobre a morte. A vida só é viva porque não sabe que não vive, não sabe que é
natimorta e todo seu vigor vem desta ignorância. Tal como um pequeno cometa
irriquieto em órbita, entre uma estrela gigante vermelha e uma estrela anã
branca. Todo seu movimento é criado pela força gravitacional que existe entre
as estrelas.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Quinhentos, 176 - 180



Para que haja o Todo Um, nós somos duais, eu sou a cumbuca, tu és o odre.



Aqui nesta Taverna eu sou aquilo do Todo que te falta e completa. Ninguém busca o que já contém.



Ainda assim, eu sou uma mulher e todas. Terá outras opções e sabores, mas a mesma satisfação.



Venha sem medo, toque-me, entre no meu intimo. Ali encontrará a Deusa que vive de diversas formas em cada mulher e encontrará a parte de ti mesmo.



Então, o amor que me entrega e devota à Deusa é uma confirmação do amor que tiver por ti mesmo.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Sexta Estação: Alterconsciência

Nós chegamos a um nível tal, que já nos ocupamos pela sorte de terceiros, nesta
trilha desolada, pela qual empregamos nosso sofrimento. Para esquecer e
reviver, nós ajudamos aos calouros recém chegados deste purgatório, que
usualmente chamávamos de vida. Suportamos por eles, dores que nos
despedaçam, por estar além de nossas capacidades, mais antes por prazer do que
pena, pois o ofício da morte só se realiza plenamente pela dor que se toma e é
alheia. O grau de coragem não é para lançar-nos mais rapidamente ao Grande
Mausoléu, mas tanto para adiar quanto para abandoná-los, no momento em que
mais seríamos necessários. Pois aí está a auto-gestão da morte: ao perecer o que
já se encontrava falecido.
Assim, aos poucos, juntam-se mais ossos e acrescentam-se degraus nesta
jornada, pequenos cacos de almas que, ao serem dilaceradas por nós, levam um
pouco de nós para o processo, acrescentando nossas leis e aumentando os
obstáculos, com nossa crueldade. Por quanto mais nos espalharmos pelo
terreno, mais ainda nos realizamos e evitamos a última estação, pois aqui é que
se sente o prazer de trabalhar, só pelo trabalhar e pelo de dar trabalho. Mas é por
nossa própria influencia maléfica e fatal, que somo mais arrastados, com tanta
mais velocidade quanto nos apegamos. Quando cremos estar firmemente
arraigados, enraizados, nossas próprias raízes volatilizam e a explosão nos
projeta.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Quinhentos, 171 - 175



O Pensamento existe para o Pensador. O Amor existe para os Amantes. O isolamento produz delírio. A parceria produz contato.



Aquele que diz: eu sou o Filho de Deus, é o Solitário Delirante. Some comigo, profeta e diga que a realidade é estabelecida pelo atrito.



O contato físico dispensa prova, evidência, descrição, conceito ou formula.



Sem contato, não há ato de criação, não há Criador, o Verbo não expande sem uma Fonte.



Eis o Universo: expansão, contração, emissão, recepção, separação, conexão. Partes que parecem ser individuais para que se encaixem.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Quinta Estação: Hiperconsciência

Uma vez empregados e colocados em serviço, começamos o trabalho de
progredir a nós mesmos e colaborar com a evolução da morte. A tarefa é árdua e
ingrata, não há pagamento, pois aqui se almeja conquistas mais estáveis que
riqueza e poder. Quer se aumentar nosso próprio grau de fatalidade, para
merecer enfim, uma colocação no Grande Mausoléu. Não se mede tal grau em
relação individual, nem mesmo coletivo, mas o que e em que o trabalho
executado realmente acrescente ou melhore nos processos da morte. O que se
quer atingir não pode ser medido em quantidade, nem se pode exprimir em
qualidade. Pretende-se refinar tudo que se refere à morte. Estranhamente, isto se
verifica quando pomos em prática por sobre os vivos. A vida é o laboratório da
morte. Como pesquisador, coube-me dissecá-la. Como não existe material,
teoria ou professores, cada um se torna doutor de alguma parte deste processo.
Uma vez que se dá em processos, coube-me tomá-la como advogado, jurista e
legislador. O código processual da morte a cada emenda e a cada decreto virei a
comentar e criticar. Eu irei com meus colegas de estágio, discutir e definir a
teoria, para que conste aos altos encargos, como andam em labor os
mensageiros e executores da morte, os operários de produção desta indústria
bem sucedida. A vida é a matéria prima; os defuntos, o produto final; a
renovação, o valor de troca ao mercado. Mas, no que nos cabe, nós não
dependemos da matéria para haver produção ou sustentar nossa sociedade, já
que existimos sem precisar da existência. Se esta não houvesse, inventariamos
uma qualquer, esta que se chama de vida, é apenas um de nossos protótipos,
mas não o mais feliz nem o mais arrojado.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Quinhentos, 166 - 170



Então, profeta, diga que a cama e a Vida não são diferentes. Ambas são aquilo que se fizer delas.



Construiu-se tantos totens e foram feitas diversas discussões acerca do sobrenatural que esqueceu-se do que é natural.



Montaram tantas doutrinas do que é espiritual que perdeu-se a sensibilidade carnal.



Então, profeta, diga que são das coisas mais ordinárias que vêm as extraordinárias.



Lembra-te, profeta, que a régua não foi feita para esquadrinhar, que o peso não foi feito para julgar e que o conhecimento não foi dado para enganar.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Quarta Estação: Superconsciência

Estamos dentro da universidade da morte, aqui teremos um ensino mais
refinado que irá nos preparar profissionalmente para sermos membros ativos e
produtivos do Reino da Morte. Mas não terá apenas teoria, mas também muita
prática e laboratórios, onde brincaremos com médiuns e as demais
espiritualidades e ocultismos em que os pobres imbecis acreditem, como se
fossem ciências exatas. Nós não passamos por provas terríveis para facilitarmos
a passagem dos próximos calouros. Como espectros veteranos, daremos trotes
nos vivos, não escapando nem parentes nem amigos, quanto mais parecer sério,
mais divertido se torna. Estando plenamente senhores de nossa situação, já
estamos livres dessas cretinices pelas quais em vida se nomeia por ocultismo,
estaremos mexendo com as verdadeiras normas do mundo desolado da morte.
As profissões que regiremos são muitas e diversas, podemos tripudiar dos
médiuns e nos tornarmos mensageiros; podemos tripudiar dos vivos e darmos
em fantasmas pavorosos; podemos abusar da vida e provocarmos fenômenos
inexplicáveis; podemos abusar das religiões e nos fazer passar por deuses ou
demônios; podemos exceder os limites e arranjar uma reencarnação. Existem
muitas variantes, especialidades em algum setor, ramos de atividades lucrativas,
cansativas ou com promoção e hierarquia. De todas, preferi servir de relator,
para lhes contar tudo isso. Eu denunciarei as irregularidades, destes que se
apresentam como esotéricos, publicando a fraude do que se toma por religião e
do engano de dividir o destino das almas para Paraísos, Infernos ou Purgatórios.
Eu direi exatamente o que cada um é.

domingo, 9 de agosto de 2026

Quinhentos, 161 - 165



Trate aquela que o tem numa amizade intensa tal como trata sua consorte. Trate aquela que esmola com a mesma dedicação que trata a Deusa.



Não se engane, o que faz a outra, a outra te fará e mais tua consorte. Então conceda a mesma liberdade que quer usufruir.



Eu te mostrei de minha cama a Vida. Em outras camas poderá observar em outros ângulos a mesma Vida.



Então, profeta, diga que a observação é como uma cama onde se acha conforto, segurança, localização. Pode ser um despertar, pode ser um sonhar.



Ainda assim, embora distintas, todas as camas são idênticas em sua função: uma plataforma ocupada momentaneamente.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Terceira Estação: Consciência

LNa hora da maturidade, nós ficaremos totalmente cônscios da nossa situação e
estado. Está no momento de tomarmos o rumo, cuidarmos de como e para onde
seguiremos, por nossa conta e risco. Cada um deverá calcular e mapear as rotas
que se desenrolam por todo esse imenso campanário.
Nesta arte, os caminhos serão a acolhida e a amplidão. Uma escarpada
mandíbula, um abismo no desfiladeiro sem fundo, onde a queda continua
apenas demonstra a vertigem que atacará aos desorientados. Aqui se porá em
pratica e se fará a mais difícil prova de que se aprendeu, cresceu e está apto para
fazer parte efetiva do Reino.
Ao largo, dispostos, aguardamos a vinda de uma charrete, onde servos a mando
da senhoria, recolhem os melhores frutos que foram curtidos pelas estepes
intermináveis. Nós somos acolhidos pelo transporte, um de cada vez. Durante o
trânsito, aprende-se pequenas e úteis dicas, que nos preparara para o destino
seguinte, ou até um ligeiro amor, a quem a fortuna sorrir.
Ainda há muito a refinar de nossa rudeza, nós não podemos pretender muito,
haveremos de aprender a lutar sem precisar do uso da força, ossos ou músculos.
Nós teremos que saber quais são as armadilhas dos vivos, que no mundo
material, tentam operar forças mágicas, ditam regras do oculto e como devemos
proceder para curá-los de tal engenho manco.