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Em breve teremos mais cenas do teatro dos absurdos da política brasileira. Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.
A política brasileira acaba de ganhar mais um episódio daquela série que, se fosse ficção, seria rejeitada por “excesso de exagero”. Pavanato teve mais de 3 milhões de votos em São Paulo, a segunda maior votação para deputado federal no estado, enquanto sua agenda inclui restrições ao uso de banheiros por pessoas trans.
O banheiro, a urna e o grande teatro nacional
Em breve teremos mais cenas do teatro dos absurdos da política brasileira.
E não é força de expressão. O país conseguiu transformar o banheiro — aquele lugar que, durante séculos, serviu basicamente para a humanidade resolver necessidades fisiológicas — em uma das grandes arenas ideológicas do século XXI.
Lucas Pavanato recebeu mais de 3 milhões de votos em São Paulo. É um número gigantesco. E entre as pautas que pretende levar para Brasília está justamente a regulamentação de quem pode ou não utilizar determinado banheiro.
Renan Santos resumiu a situação com ironia ao questionar a ideia de mobilizar milhões de votos para combater pessoas trans no banheiro. Também observou que parte da direita transformou a política em entretenimento para as redes sociais.
E aí chegamos ao ponto mais interessante.
Porque o problema não é o banheiro.
O banheiro é apenas o cenário.
O verdadeiro espetáculo é a capacidade da política contemporânea de transformar uma questão extremamente específica em uma batalha civilizacional.
Antes, o sujeito dizia:
— Precisamos discutir emprego, salário, educação, saúde, segurança, impostos, moradia e infraestrutura.
Agora aparece o algoritmo:
— MAS E O BANHEIRO?!
E milhões de pessoas entram imediatamente em estado de emergência nacional.
Imagine a reunião de prioridades de um país.
Ministro da Economia:
— Precisamos discutir crescimento, inflação e emprego.
Ministro da Saúde:
— Precisamos ampliar o atendimento.
Ministro da Educação:
— Precisamos melhorar a qualidade do ensino.
Ministro da Infraestrutura:
— Precisamos recuperar estradas.
E surge o ministro imaginário dos Banheiros Nacionais:
— Senhores, temos um problema gravíssimo.
Silêncio.
— Tem uma pessoa trans usando o banheiro.
Alguém derruba o café.
O Exército é acionado.
O Banco Central interrompe a reunião.
A ONU convoca uma sessão extraordinária.
E o Brasil finalmente encontra sua grande prioridade histórica.
A cabine número três.
O mais curioso é que a discussão não ficou apenas no terreno das redes sociais. Pavanato foi eleito e pretende transformar parte dessa agenda em atuação parlamentar. Portanto, a provocação digital pode chegar ao mundo concreto das leis.
É aí que o teatro deixa de ser apenas teatro.
Porque existe uma diferença importante entre fazer vídeo para conseguir engajamento e possuir mandato para tentar transformar aquele conteúdo em política pública.
A primeira coisa rende curtida.
A segunda pode render legislação.
E temos aí uma característica fascinante da política brasileira contemporânea: o algoritmo virou cabo eleitoral, o meme virou palanque e a indignação virou programa de governo.
O sujeito não precisa necessariamente apresentar uma solução para a crise habitacional.
Pode apresentar uma guerra contra o banheiro.
Não precisa explicar detalhadamente como melhorar a educação pública.
Pode explicar quem deve entrar na cabine sanitária.
Não precisa necessariamente convencer o eleitor de que possui respostas para todos os problemas estruturais do país.
Basta convencê-lo de que existe alguém usando o banheiro errado.
E pronto.
Temos uma carreira política.
O mais surreal é que isso acontece enquanto o próprio resultado eleitoral demonstra que existe público para esse tipo de discurso. Pavanato ultrapassou 3 milhões de votos, enquanto Erika Hilton também teve uma votação histórica, superior a 1,5 milhão.
Ou seja: o conflito não desapareceu.
Ele foi institucionalizado.
E provavelmente veremos muitos capítulos disso em Brasília.
Talvez o próximo grande debate nacional seja:
Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar quem deixou a tampa do vaso levantada.
Depois:
PEC da fiscalização da descarga.
Em seguida:
Frente Parlamentar pela Defesa da Pia Tradicional.
E, finalmente, o grande projeto de desenvolvimento nacional:
Plano Brasil 2040 — Um banheiro, uma identidade, uma nação.
Enquanto isso, alguém perguntará:
— E os salários?
— Depois a gente vê.
— E a aposentadoria?
— Depois.
— E a saúde?
— Depois.
— E a educação?
— Depois.
— E o emprego?
— Depois.
— Mas e o banheiro?
URGENTE.
E assim caminha a política brasileira: discutindo o lugar onde as pessoas entram para ficar alguns minutos enquanto os grandes problemas estruturais permanecem do lado de fora, esperando sua vez.
Só que esses problemas não fazem dancinha no TikTok.
Não viralizam.
Não rendem milhões de visualizações.
Não provocam guerra cultural em quinze segundos.
O banheiro, aparentemente, rende.
E eis a grande tragédia cômica: talvez tenhamos descoberto uma maneira de fazer política em que o cidadão passa quatro anos esperando soluções para a própria vida enquanto Brasília passa boa parte do tempo discutindo quem pode fazer xixi onde.
Bem-vindos ao Brasil.
O país onde até o banheiro pode virar questão de Estado.
E onde, aparentemente, a Constituição já não basta.
Agora precisamos também de um fiscal da cabine.
Só falta descobrir quem vai fiscalizar o fiscal.
Criado com ChatGPT.
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