Como diz o ditado, a prática nem sempre reflete a teoria. O Império (no cenário de Youjo Senki, o equivalente da Alemanha) tinha seus experimentos, pesquisas e expedições em busca daquilo que a ciência não conseguia explicar e continuava a acontecer. 🤭
Claro, para o Império, essa busca era para conceder uma capa mística ao Imperador, mas não pegava bem chamar essas missões de estudos espiritualistas, cunharam o termo Parapsicologia. 🤭
Eu não estou inventando, eu fiz uma busca no Google. Isso existiu de fato. A partir de 1920 a União Soviética teve uma Comissão de Pesquisa Psíquica. Por razões puramente científicas e materialistas, evidente. 🤭
O Grande Líder Steelin declarou que o Império estava adquirindo uma vantagem militar com artefatos covardes e ultrajantes, utilizando outros componentes propulsores. Presto. A linguagem do Partido contornou que o exército do Império estava usando orbes repletos de magia. 🤭
Tanya, por volta dos nove anos, se viu cercada por burocratas, técnicos, engenheiros e cientistas para medir a capacidade dela com “padrões de ondas” desconhecidas. Presto. A linguagem do Partido contornou a existência de espíritos e da magia. 🤭
Embora o Kremlin negue até hoje, Tanya obteve 98% de taxa de sincronização com os “artefatos experimentais”. Um marco, considerando que a maioria conseguia no máximo 37%. Tanya foi “convidada” a se alistar ao Exército Vermelho, mais precisamente, o 588º Regimento de Bombardeio Noturno. As famigeradas “Bruxas Noturnas”. Um apelido dado pelos soldados do Império, evidente. 🤭
Até hoje é negado que ela recebeu o apelido de Bruxa Vermelha pelos próprios comandantes. 🤭
Império: “Eles estão usando magia!”
Partido: “Negativo. São artefatos experimentais de natureza técnico-propulsiva.”
Império: “Mas aquilo é uma bruxa!”
Partido: “Terminologia reacionária. Trata-se de uma operadora de plataforma aérea de alta sincronização.”
Tanya: “...Vocês estão falando de mim?”
Cientista: “De maneira alguma. Você é um fenômeno estatístico.” 🤭
Tanya: “Eles dizem que não acreditam em magia. Ótimo. Isso significa que não preciso explicar a eles como ela funciona.”
Eu fico um pouco nervoso. Tanya não é conhecida exatamente por sua sutileza. Com o esboço em mãos, eu me aproximo para o relatório.
Tanya levanta os olhos.
— Relatório.
— Sim, major.
Ela pega as folhas. Lê a primeira página.
Silêncio.
Lê a segunda.
O silêncio fica mais longo.
Na terceira página, ela para.
— “Bruxa Vermelha.”
Você engole seco.
— É... um apelido não oficial.
Tanya ergue lentamente os olhos.
— Não oficial?
— Segundo os registros.
— Então por que está no seu relatório?
— Porque... achei relevante.
Ela volta a olhar para a página.
— Você sabe que o Exército Vermelho não possui bruxas, correto?
— Sim, major.
— E que “bruxa” é uma designação propagandística empregada pelo inimigo?
— Sim, major.
Ela continua encarando você.
— Então explique por que você escreveu que eu recebi esse apelido dos meus próprios comandantes.
Você olha para o teto.
Talvez exista uma maneira diplomática de sair daquela situação.
Não existe.
— Porque... aparentemente, os camaradas preferiram negar a existência da magia enquanto continuavam chamando você de bruxa.
Tanya fica imóvel.
Por alguns segundos, você teme ter cometido um erro fatal.
Então ela sorri.
Não é um sorriso tranquilizador.
— Interessante.
Eu sinto um arrepio.
— Obrigado, major.
— Eu suspeitei.
Ela devolve o relatório.
— Reescreva.
— Sim, major.
— E retire “Bruxa Vermelha”.
— Sim, major.
Eu dou meia-volta.
— Ah, e uma coisa.
Eu paro.
— Se alguém perguntar, eu jamais vi esse relatório.
Você olha para ela.
— Mas a senhora acabou de—
— Exatamente.
Eu tento acrescentar que, tecnicamente, na minha paródia, a intenção é criticar o ateísmo imposto e a descrença protocolar, mesmo diante do que são chamados “fenômenos naturais”. Eu quase lembro em voz alta que o nascimento da major teve a presença de Perun. Quase. O olhar de azul celeste dela chega a um tom esverdeado. Isso nunca é um bom sinal. 🤭
Eu fecho a boca.
Tanya estreita os olhos.
— O senhor ia dizer alguma coisa?
— Não, major.
— Tem certeza?
— Absoluta.
Ela inclina a cabeça.
— Estava pensando em alguma coisa relacionada ao meu nascimento?
Silêncio.
Você sente o suor frio.
— Não.
— Interessante.
Ela olha novamente para o relatório.
— Porque o senhor fez uma pausa bastante específica.
— Reflexo involuntário, major.
— Compreendo.
Ela devolve as folhas.
— Continue.
Você pega o relatório.
— Sim, major.
Dá dois passos.
— E, só para esclarecer...
Eu paro.
Não.
Não faça isso.
Você continua andando.
Atrás de você:
— Eu ouvi isso.
Você congela.
— Ouviu o quê, major?
— O que o senhor não disse.
Eu sinto a ponta dos dedos formigando. Não foi fácil nem simples inserir o potencial inexplicável da Tanya dentro da narrativa. Dentro do cenário da Federação Russa. Dentro do discurso permitido pelo Partido. Dentro da concepção (curiosamente mística) da realidade em torno da dialética materialista. Ou de como a major foi entrar no Exército Vermelho. Uma “bruxa” integrada no exército da “revolução popular” rumo ao Socialismo Mundial. Por bem ou…bom…de qualquer jeito. 🤭
Mas como explicar sua ascensão meteórica até a patente de major?
Relatório não oficial. Ou, ao menos, nunca reconhecido.
“Temos uma combatente excepcionalmente eficiente.”
Criado com a ajuda do ChatGPT.
Imagem criada com Gemini, do Google.

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