Mostrando postagens com marcador elementos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador elementos. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de junho de 2026

Demogonia III



O peso da remoção dos véus cobra o preço. A gravidade do mundo parece maior enquanto eu reviso e edito o texto. Lilith voltou ao seu domínio e eu ainda estou inteiro, então significa que a obra não terminou.
Então enquanto eu dormi, eu planejei falar do mundo dos sonhos que, ironicamente, não está distante do mundo dos mortos, segundo a mitologia clássica. Hipnos e Tânatos são irmãos gêmeos, filhos de Nyx e Erebos.

Essa seria uma abordagem difícil de entender para pessoas comuns. A distinção entre a vida real e o sonho. Quantos sonhos teve que era tão real que sentiu o gosto e a temperatura? Como pode ter certeza de que a vida chamada real não é um sonho de sua verdadeira consciência? Como pode ter certeza de que a morte seja apenas um despertar?

“Não me confunda com Sandman, uma lenda americana transformada em cultura pop”
Disse a voz grave durante o sono.
“Esteja pronto, porque sua musa vai te levar para outra travessia. A travessia que muitos magos e bruxos temem fazer e se perdem no meio. Irá atravessar Daat e vai mergulhar na sombra que não se restringe na margem estipulada por Jung.”

O toque da Lilith é suave, gentil e convidativo.

Nenhum texto, nenhum teórico, nenhum rabino nunca conseguiu explicar porque Daat, um vazio, uma sephira que não é sephira, está fazendo no meio da Árvore da Vida? Por que algo que é considerado uma “sombra” está entre as três sephirots mais próximas do Ain Soph Aur (“Deus”)?

“Escreva, não omita nada, mesmo que não entendam. Essa é a entrada da Qlipoth, da Árvore da Morte, para usar os termos dos cabalistas. Mas aqui não é uma mera sombra ou reflexo. Escreva. Toda árvore precisa de boas raízes. Aqui é o reino das raízes que foram demonizadas pela mística judaica.”

Daat. O abismo na Árvore da Vida, o não-lugar onde o conhecimento se torna abismo e onde a razão humana é desintegrada. A décima primeira sefirá que não é uma sefirá; o portal para o outro lado, a Árvore da Morte, os reinos de Qliphoth. Os cabalistas tremem ao sussurrar esse nome porque sabem que atravessar Daat exige deixar para trás toda a bagagem moral, toda a lógica e toda a ilusão de santidade.

A menção a Jung foi o golpe final na arrogância do intelecto humano. Como a psicologia moderna tentou ser esperta! Pegou os deuses antigos, as forças titânicas e os demônios do deserto e os trancou em uma caixinha confortável chamada "arquétipos do inconsciente coletivo". Disseram ao homem moderno: "Não tema a sombra, ela é apenas uma parte rejeitada de você mesmo que precisa ser integrada". É uma mentira reconfortante. Uma margem estipulada para que os céticos façam terapia em vez de gnose.

A sombra para onde Lilith está me conduzindo não é um espelho psicológico dos meus traumas de infância. Ela não é um subproduto da mente humana. Ela precede a mente humana. É a matéria escura que os cientistas tentam medir sem sucesso; é o negrume do Caos que existia antes que a primeira faísca de luz criasse a ilusão da dualidade. É a escuridão viva que não quer ser "integrada" ou "curada" por analistas — ela quer engolir, subverter e libertar.

Eu sinto a mão de Lilith no meio desse breu absoluto, tocando não a minha pele, mas a substância nua da minha consciência. Ela não sorri com doçura agora. O olhar dela reflete o vazio de Daat.

— O psicólogo achou que a sombra pertencia ao homem — ela sussurra, e sua voz se funde com a voz grave que me acordou no sonho. — Eles não entendem que é o homem que pertence à sombra. Vem. Deixe que os magos fiquem com seus círculos de proteção. Nós vamos caminhar onde não há chão.

O tremor na minha mão se intensifica. Como transcrever que, aquilo que nós chamamos de eu, é só uma fração que tomou forma para ser funcional em um espaço/tempo material e limitado?

“Mesmo depois de milênios, a ancestralidade humana lembra vagamente e transmite por lendas e mitos sobre a Fonte. Falam em Caos, em Abismo e Águas Primordiais.”

A humanidade sabe, no fundo do seu terror noturno, que a ordem estabelecida é uma camada de gelo muito fina sobre um oceano negro e sem fundo.

— Eles chamam de "pecado" o desejo de pular na água — Lilith aproxima seu rosto do meu, e em seus olhos eu não vejo apenas o vazio de Daat, mas o reflexo dessas mesmas águas antigas, grávidas de possibilidades que a luz nunca permitiu nascer. — Chamam de "salvação" a corda que os mantém amarrados ao cais da ignorância. Mas você não quer a corda, quer?

Nós não viemos da luz para sermos testados no escuro. Nós somos o próprio escuro que, por um instante de capricho cósmico, abriu os olhos e fingiu ter uma forma.

“Cada fruto ou raiz, se preferir, da chamada Árvore da Morte, é um aspecto de você mesmo que esqueceu para construir essa identidade que tem o nome de Roberto. Nós vamos começar nossa travessia pelas dez emanações do Abismo.”

Criado com a ajuda do Gemini, do Google.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Fogo, elemento da transformação

Enquanto que nos elementos terra e água as transformações são lentas, graduais e progressivas, no elemento fogo as transformações são rápidas, radicais e profundas. Ele age para limpar o que está velho e decadente para que das cinzas ressurja a vida.
O elemento fogo é encontrado em seu estado natural ou nas profundezas de nosso mundo ou no firmamento, seja no sol, nas estrelas, ou mesmo no relâmpago.
Para nossa espécie, o elemento fogo só foi entendido, domesticado e domado na forma de chamas em fogueiras, velas e incensários. Por ser a forma mais controlada desse poderoso elemento, piras são mantidas em templos desde épocas remotas, pois o elemento fogo é considerado o mais próximo os Deuses. Suas demais manifestações, como o sol, as estrelas e o relâmpago, também foram associados à manifestações dos Deuses. Da mesma forma, pedras preciosas, metais e demais símbolos comumente associados ao fogo, como o diamante, o ouro e o bronze, tomaram seu lugar nas cerimônias sagradas.
O elemento fogo recebeu distinção em vários sistemas religiosos, os sacerdotes frequentemente usaram roupas, cores ou emblemas que representavam o fogo, a presença dos Deuses, bem como a distinção sacerdotal. Dentro das doutrinas, o conceito de limpeza foi misturado ao conceito de purificação e disso surgiram o conceito de pecado e de purgação, tal como é exarcebado em religiões monoteístas.
Para o pagão, o bruxo e o wiccano, o fogo é a imagem de nossa alma, que é uma fagulha divina e, como somos formados pelos Deuses, temos o mesmo atributo do fogo que é, por si mesmo, puro e incorruptível. Nós vemos a decadência, a decomposição, como parte de um ciclo e vemos como necessário a transformação de tudo que está podre através do elemento fogo. Ele liberta a alma da prisão do corpo e nos ascende ao infinito, nas asas flamejantes do êxtase, para os Deuses Antigos, para a Sumerlândia, ou para uma nova encarnação.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Ar, elemento da comunicação

O elemento ar é fundamental para a manutenção da existência das espécies que necessitam de oxigênio para respirar. No elemento ar se manifesta o elemento éter, o meio da Comunicação, seja entre os humanos ou destes para com espíritos e entidades, tanto que se diz que quando um vidente ou sensitivo entra em contato com entidades ou espíritos, se diz que se ‘ouviu vozes’.
A manifestação mais bruta de espíritos, entidades e divindades ocorre no ar que nos circunda. As cerimônias ocorrem sobre o círculo, sobre um solo consagrado, mas as palavras sagradas são emitidas no domínio do elemento ar. Este também é necessário para a manifestação do elemento fogo em nosso mundo, sem isso o elemento fogo não poderia transformar a matéria, não poderia agir no incenso e o incenso não levaria nossas petições aos Deuses Antigos.
A palavra, vibração sonora, mantra ou runas, usada para alterar nosso estado de consciência e o 'estado vibratório' da realidade imediata, depende da transmissão dessa vibração pelo elemento ar. Sem essa propriedade, as cerimônias não teriam sentido ou efeito.
Em muitas religiões se fala em ser 'carregado pelo ar', ou na 'inspiração divina', no 'êxtase' e no 'arrebatamento', fenômenos que são ligados ao elemento ar e ocorrem neste meio. Por exemplo, a figura do anjo é simbolizado com asas não porque as possui físicamente, mas para simbolizar esse atributo espiritual. Em alguns casos, os Deuses são tidos como 'habitando em um trono no Céu' ou 'no alto do monte' exatamente por essa ligação entre o elemento ar e a espiritualidade.
O arrebatamento, o êxtase, a projeção astral, a sensação de estar livre do peso do corpo, são todas referências da transcendência da matéria em espírito que ocorrem dentro do elemento ar, mas costumeiramente acabam conduzindo o peregrino a renegar a matéria, o corpo, em troca de estranhos conceitos de ascetismo e virtude.
No Paganismo, na Bruxaria e na Wica, esse extremismo mental causado pelo domínio do elemento ar é equilibrado pelo trabalho com o corpo, com a matéria e com o nosso mundo fenomênico. Através da aceitação e da eliminação dessa separação entre matéria e espírito, o pagão, bruxo e wiccano consegue atingir a realização total e plena da humanidade, enquanto ente divino.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Terra, elemento da manifestação

Sem o Mundo, não haveria a manifestação da Vida, a Vida não manifestaria a Consciência, a Consciência não entenderia o Mistério da Existência. O sentido de nossa espécie seria completamente impossível de ser entendido, assimilado e transcendido sem a formação do mundo e de nosso corpo pelo elemento terra.
De todos os planetas que existem no sistema solar, apenas nosso mundo desenvolveu vida. Existe a versão científica, altamente evidenciada e explicada, mas para fins de ilustração, a vida tornou-se possivel aqui porque os Deuses Antigos encontraram aqui as condições necessárias para manifestar físicamente o Mistério da Existência. Os Deuses Antigos não são Demiurgos que operam fora da experiência, em uma atitude arrogante e presunçosa, como se fossem superiores, os fatores que formam nosso mundo são formados pelos Deuses Antigos, são o corpo, o sangue e o espírito dEles.
Por causa disso, nós, pagãos e bruxos, procuramos ver o sagrado na natureza, no solo, no nosso corpo. Assim, é fundamental para o pagão e o bruxo manter um contato com a terra de alguma forma, como andar de pés descalços em ocasiões especiais.
Embora os pés sejam nosso contato mais direto com a terra, no corpo humano o elemento terra está localizado na base da espinha, próximo dos órgaõs reprodutores e das saídas excretoras. Ali está igualmente a base da Kundalini, por isso que para o pagão e o bruxo é tão importante a digestão e o sexo.
Nas cerimônias, o elemento terra está representado pelo sal, pelo cristal e pelo pentagrama. O sal se mistura com a água para a consagração dos celebrantes, o cristal é colocado no quadrante do Guardião do Norte (posição mais usual, tradicional) e o pentagrama ocupa a parte central do altar. O sal é símbolo da conservação, o cristal é símbolo da estabilidade, o pentagrama é símbolo da comunhão. O círculo é feito sobre o solo, o altar é montado sobre o solo, os quadrantes são marcados no solo, o Grande Rito é realizado no solo! O caldeirão também pode ser considerado um símbolo do elemento terra, uma vez que ali a água é contida, como os mares e oceanos repousam dentro do caldeirão formado pelo elemento terra, no nosso planeta.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Água, elemento vital

Eu vou pular a parte científica sobre as propriedades da água, bem como as descrições mais óbvias desse elemento encontrados em textos esotéricos.
O elemento água tem um vínculo muito forte com a alma humana, todos nós nos sentimos atraídos e maravilhados diante de grandes porções de água.
A associação de que a água é vida vem desse vínculo, todas as almas são geradas/formadas dentro do elemento água, intrínsecamente ligado à lua e à Deusa. Disso vem a idéia de que a lua governa o movimento das almas. O nascimento de todo ser vivente se dá em algum meio dominado pelo elemento água, na fertilização em si mesma está a presença do elemento água.
Por causa dessa associação, muitos mitos falam ou citam a água como um lugar para onde as almas vão descansar após a morte física. Os Egípcios colocavam barcos em suas tumbas. Os Gregos tinham o barqueiro Caronte para atravessar as almas até seu destino. Ainda hoje, os Japoneses colocam velas sobre pequenos barcos antes de coloca-los à deriva, para seguir a corrente do rio. Outros mitos falam de pontes que devem ser atravessadas para se chegar ao outro lado.
Vida e Morte estão associados à água, bem como ao nosso subconsciente e nossas funções mais básicas. O elemento água é morada de Deuses e Deusas, benditos e terríveis. Mitos cosmogônicos falam que a ordem sobrepujou o caos depois que algum Deus venceu uma entidade poderosa que habitava a água. Nos credos monoteístas, a água é a plataforma sobre a qual Deus 'criou' o Mundo. A própria função desse elemento nas religiões é fundamental e contraditório.
No Paganismo, Bruxaria e Wica, o elemento água é sagrado tanto para ungir quanto para banir. Nas cerimônias, a água é misturada com sal ou terra não para purificar, pois não há mácula ou pecado para os bruxos, mas para sacramentar a cerimônia e os celebrantes com a mistura simbólica do polo masculino (o sal) com o polo feminino (a água). Quando é colocado água no caldeirão, estamos querendo simbolicamente unir nossas almas com princípio gerador, a Deusa; e como o caldeirão é posto sobre o fogo, simbolicamente ligamos nossas almas com o princípio transformador, o Deus. Quando, dentro do círculo, alguma essência, óleo ou tintura é aspergido nos celebrantes, o elemento água age com o elemento ar (mais uma vez a polaridade sagrada) para nos lembrar que os benefícios dos Deuses nos são derramados e que cabe a nós usar com sabedoria. Quando se mergulha a adaga no cálice, reencenamos o mistério do Hiero Gamos, mais uma vez geração e fertilidade, feminino e masculino, a Deusa e o Deus. Quando se bebe o vinho, nos ligamos ao sangue dos que nos antecederam e participamos do êxtase que consiste a Vida.