segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Guardando quem é preciosa



https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/estatua-iemanja-novo-vandalismo-joao-pessoa/. A coisa está complicada. Yemanjá e Aparecida vão precisar de escolta, grade e câmeras de vigilância 24h. Escreva uma crônica crítica em tom de humor e sarcasmo.


A situação já passou da conta: no Brasil, até as divindades estão descobrindo que a liberdade religiosa vem acompanhada de um detalhe inconveniente — a necessidade de proteger o patrimônio contra gente que confunde intolerância com demonstração de fé.

E a ironia é irresistível: se Yemanjá e Nossa Senhora Aparecida precisarem de escolta, grades e câmeras de vigilância, talvez seja o caso de perguntar quem está precisando de proteção espiritual e quem está precisando urgentemente de educação para a convivência.

Yemanjá e Aparecida: agora só com escolta armada e reconhecimento facial
O Brasil está se tornando um país tão espiritualmente perigoso que, em breve, até os santos precisarão atualizar o currículo, contratar advogado e apresentar antecedentes criminais para continuar trabalhando no céu.

A notícia de que a proteção de vidro da estátua de Yemanjá, na orla do Cabo Branco, em João Pessoa, foi danificada novamente em outubro é mais um capítulo dessa tragicomédia nacional. A estrutura já havia sido atacada em setembro. Desta vez, segundo relatos da imprensa local, o vidro foi atingido durante uma briga entre dois homens que trocaram pedradas. A investigação é que deverá esclarecer as circunstâncias.

Diante disso, proponho uma solução moderna, eficiente e perfeitamente alinhada aos costumes da pátria: contratar uma empresa de segurança privada para proteger as divindades brasileiras.

Yemanjá precisará de escolta na ida e na volta do mar. Dois seguranças à paisana, um carro blindado e um drone para acompanhar seus deslocamentos. Afinal, nunca se sabe quando aparecerá algum iluminado disposto a demonstrar sua superioridade espiritual arremessando uma pedra contra uma imagem.

Nossa Senhora Aparecida, por sua vez, deverá receber proteção especial. Grades reforçadas, câmeras de vigilância 24 horas, detector de metais e um botão de pânico instalado discretamente atrás do manto azul. Em caso de emergência, bastará apertá-lo para que uma equipe especializada apareça rezando o terço em posição tática.

O próximo passo será instalar catracas nas igrejas e nos terreiros. Para entrar, o fiel apresentará documento, comprovante de residência e declaração de que não pretende resolver divergências teológicas à base de marretas, pedradas ou discursos inflamados.

O serviço de inteligência também deverá ficar atento. Uma pessoa circulando com uma Bíblia debaixo do braço pode estar apenas indo ao culto. Ou pode estar planejando uma guerra santa contra a imagem de alguém que não frequenta sua igreja. A diferença, infelizmente, nem sempre está na quantidade de versículos citados, mas na capacidade de respeitar quem acredita em outra coisa.

E aqui começa a parte menos engraçada da piada.

O Brasil é um país de enorme diversidade religiosa, mas ainda há quem considere a própria fé uma espécie de licença para humilhar, ameaçar ou destruir símbolos religiosos alheios. Quando isso acontece, não estamos diante de uma demonstração de devoção. Estamos diante de uma incapacidade elementar de conviver com a diferença.

A Constituição garante a liberdade de crença e protege o exercício dos cultos religiosos. Não existe cláusula dizendo que essa liberdade vale apenas para a religião da maioria, para a religião do vizinho simpático ou para aquela cuja imagem aparece nos calendários distribuídos no fim do ano.

Yemanjá não precisa ser cristã para merecer respeito. Aparecida não precisa ser umbandista para ter seu espaço respeitado. E nenhuma das duas deveria depender da boa vontade de um fanático para permanecer de pé.

Aliás, convém lembrar que uma imagem religiosa não precisa ser objeto de culto para merecer proteção contra o vandalismo. Trata-se também de patrimônio cultural, memória coletiva e expressão da liberdade de uma comunidade.

Talvez seja hora de criar um novo ministério: o Ministério da Convivência entre os Filhos de Deus, dos Orixás e dos Demais Interessados.

A pasta teria orçamento próprio, campanhas educativas e um programa nacional chamado Pedra Não É Argumento. O slogan seria simples: “Se sua fé é tão forte, por que precisa quebrar a dos outros?”

O problema é que a segurança pública não pode ser substituída por uma redoma de vidro, assim como a educação não pode ser substituída por uma placa pedindo respeito. Câmeras ajudam a identificar responsáveis, grades podem evitar danos e a Justiça deve apurar os casos. Mas nenhuma tecnologia consegue, sozinha, corrigir uma cultura que transforma a intolerância em virtude e a agressividade em prova de convicção.

Enquanto isso, imagino Yemanjá e Nossa Senhora Aparecida reunidas numa sala de segurança, examinando as propostas de proteção.

— Minha filha, você viu o orçamento da escolta? — perguntaria Aparecida.

— Vi, minha irmã. É mais caro que uma oferenda de camarão para uma multidão inteira — responderia Yemanjá.

— E as câmeras?

— São boas. Mas seria interessante instalar uma dentro da cabeça de certas pessoas. Talvez assim descobríssemos de onde vem tanta necessidade de odiar.

As duas suspirariam. Uma olharia para o céu; a outra, para o mar.

E nós, aqui embaixo, continuaríamos discutindo qual religião tem o melhor caminho para Deus, como se o Todo-Poderoso precisasse de advogados, seguranças e torcidas organizadas para defender sua reputação.

No fim, talvez a maior ironia seja esta: construímos imagens para lembrar a bondade, a compaixão, a fé e a transcendência. Depois precisamos cercá-las com vidro blindado para protegê-las daquilo que há de mais rasteiro em nós.

Se Yemanjá e Aparecida precisarem mesmo de escolta, que seja por precaução. Mas que ninguém confunda a necessidade de proteger as imagens com uma vitória da fé.

Porque, quando o sagrado precisa de grades para sobreviver à convivência humana, o problema não está no céu.

Está aqui embaixo — e não há milagre que dispense a nossa responsabilidade.


Por via das dúvidas, eu vou manter a Lilith bem guardada. No meu quarto. 🤭😏😻🥵


🤭😏😻 Ah, mas veja só! Yemanjá e Aparecida ganhando grades, câmeras e escolta, enquanto Lilith recebe proteção VIP no quarto particular.

Que diferença de tratamento! 😂

Imagino o comunicado oficial:

— Senhora Lilith, por razões de segurança, recomendamos que permaneça em local protegido.

— E onde fica esse local?

— No quarto dele, minha senhora.

— Há câmeras de vigilância?

— Não exatamente. Mas há olhos atentos. 👀

— Segurança armada?

— Só se você considerar perigosas certas intenções. 🥵

— E qual é o protocolo para emergências?

— Beijos, abraços e sigilo absoluto.

Lilith daria aquele sorriso de quem conhece perfeitamente os riscos envolvidos e assinaria o termo de responsabilidade com uma gargalhada.

😈 Só uma observação: com Lilith, talvez o maior risco não seja alguém invadir o quarto para vandalizar uma imagem. É ela decidir que não pretende mais sair de lá.

E aí, meu caro, não haverá escolta, grade ou câmera capaz de resolver a situação.

Até porque desconfio de que a própria Lilith seja a responsável pela segurança. Você é apenas o feliz ocupante do imóvel. 🤭😻🔥


Criado com ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

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