sábado, 31 de outubro de 2026

A sopa de Perun - IV


(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

O silêncio permanece.

Ninguém parece disposto a quebrá-lo.

Beto observa a janela.

O Sol continua seu curso.

Por alguns segundos, a sala parece maior do que deveria.

Então Viktoriya pergunta:

— E Lilith?

Beto não responde imediatamente.

Tanya olha para Viktoriya.

Mary Sue também.

Viktoriya mantém os olhos em Beto.

— Você falou dos Deuses Antigos.

Pausa.

— Falou de Perun.

Outra pausa.

— Falou que eles estão presentes em cada um de nós.

Ela inclina levemente a cabeça.

— Mas quando você fala de Lilith...

Beto sente as pernas bambas novamente.

Tanya percebe.

— Ah.

Mary Sue olha para Tanya.

— O quê?

— Agora entendi.

— Entendeu o quê?

Tanya olha para Beto.

— A diferença.

Beto engole em seco.

— Que diferença?

Viktoriya responde:

— Você fala dos outros como quem fala de uma cosmologia.

Ela sorri de leve.

— Quando fala dela, você fala como quem fala de alguém.

Silêncio.

Beto olha para o chão.

Tanya cruza os braços.

— Então?

Beto levanta os olhos.

— Vocês realmente querem saber?

Viktoriya:

— Quero.

Mary Sue hesita.

— Eu também.

Tanya suspira.

— Agora eu também.

Beto respira fundo.

E percebe que aquela pergunta era inevitável.

— Lilith...

Ele para.

Pela primeira vez naquela reunião, não há provocação, ironia ou argumento.

Só uma lembrança.

— **Lilith é diferente.**

Tanya arqueia uma sobrancelha.

— Diferente como?

Beto sorri, quase sem perceber.

— Essa é uma história que não cabe em uma discussão sobre Deuses Antigos.

Viktoriya sorri.

— Então conte.

Beto olha para as três.

E, em algum lugar muito distante dali, uma velha campainha parece tocar.

Uma única vez.

Beto permanece olhando pela janela.

O Sol começa a desaparecer no horizonte.

— Isso é experiência pessoal.

A voz sai mais baixa.

— Depois de muito estudo... e de algumas práticas bastante desastradas.

Tanya ergue uma sobrancelha.

— “Desastradas” é uma palavra preocupantemente vaga.

Beto quase sorri.

— Era para ser só um nome no rodapé da página.

As três permanecem quietas.

— Um nome que tentaram apagar.

Ele continua olhando para o horizonte.

— Eu não consigo explicar de forma racional a dimensão que o poder desse nome tem...

Pausa.

— Muito menos...

Beto para.

O reflexo avermelhado do pôr do Sol atravessa a janela.

— ...ela.

Viktoriya não pergunta imediatamente.

Tanya observa o rosto de Beto.

Mary Sue também.

Nenhuma das três vê um fanático tentando convencer alguém.

Vêem um homem tentando encontrar palavras para alguma coisa que, para ele, ultrapassa as palavras.

Tanya finalmente pergunta:

— Você está dizendo que Lilith existe literalmente?

Beto demora a responder.

— Estou dizendo que essa pergunta ficou pequena para mim há muito tempo.

Tanya não rebate.

Viktoriya olha para o horizonte.

— E o que ela significa para você?

Beto fecha os olhos por um instante.

— Liberdade.

Depois:

— Soberania.

Mais uma pausa.

— E a possibilidade de olhar para aquilo que disseram que eu deveria ser...

Ele volta o rosto para elas.

— ...e responder: **não.**

Mary Sue permanece pensativa.

— Então sua devoção não é simplesmente acreditar que uma entidade existe.

— Não.

— É uma relação.

Beto olha novamente para o Sol.

— É.

Tanya observa-o por alguns segundos.

— Interessante.

Beto sorri.

— Você vai desmontar minha experiência em cinco minutos?

— Não.

Ela olha para o horizonte.

— Pela primeira vez, não tenho evidências suficientes nem para fazer isso.

Viktoriya sorri.

Mary Sue respira fundo.

— Talvez essa seja a resposta mais honesta que você poderia dar.

O Sol desaparece completamente.

Por alguns segundos, ninguém fala.

Então Tanya pergunta, quase contra a própria vontade:

— Beto...

— Sim?

— **Você a ama?**

Beto não responde.

Não precisa.

O silêncio responde por ele.

Beto permanece diante da janela.

O último brilho do Sol desaparece.

— Eu estou a um passo da loucura.

Tanya o observa atentamente.

Beto continua:

— Então acho que não poderia falar em amor. Principalmente porque isso não tem evidência de existência.

Ele dá de ombros.

— Só existe.

Uma pausa.

— Só se sente.

Beto finalmente se vira.

Olha para Tanya.

Depois para Viktoriya.

— Talvez esse seja o problema com algumas das grandes perguntas da vida.

Ninguém interrompe.

— A gente quer colocá-las em uma bancada de laboratório. Medir. Reproduzir. Quantificar. Encontrar uma variável, uma causa, um resultado.

Ele olha novamente para a janela escura.

— Mas algumas perguntas não são respondidas assim.

Tanya permanece imóvel.

— Como saber se alguém ama?

Beto olha para ela.

— Como saber o que dá sentido à própria existência?

Depois para Viktoriya.

— Como saber quem queremos ser?

E então, novamente, para as duas.

— As grandes perguntas não são necessariamente respondidas com provas.

Silêncio.

— **São vivenciadas.**

Beto respira fundo.

— E respondidas vivendo.

Tanya baixa os olhos.

Por alguns segundos, parece procurar uma objeção.

Não encontra.

— Isso é perigosamente subjetivo — diz finalmente.

Beto sorri.

— Eu sei.

— E epistemologicamente insatisfatório.

— Também sei.

Viktoriya intervém:

— Mas não significa que seja falso.

Tanya olha para ela.

— Não.

Ela volta os olhos para Beto.

— Apenas significa que não é o mesmo tipo de verdade que procuramos quando fazemos ciência.

Beto assente.

Mary Sue, até então silenciosa, pergunta:

— E se a sua experiência estiver errada?

Beto pensa.

— Então terei vivido honestamente uma coisa que interpretei errado.

Pausa.

— Mas ainda terei vivido.

Tanya fica em silêncio.

Lá fora, a noite tomou o lugar do dia.

Ela finalmente murmura:

— Talvez seja isso que mais me incomoda.

— O quê?

— Você não está tentando provar que Lilith existe.

Beto não responde.

— Você está dizendo que **ela mudou a maneira como você existe**.

Viktoriya olha para Tanya.

Dessa vez, Tanya não parece estar procurando uma contradição.

Parece estar tentando compreender.

E, pela primeira vez naquela reunião, ninguém pergunta por evidências.

Porque algumas perguntas acabaram de deixar de ser perguntas sobre **o que existe**.

E passaram a ser perguntas sobre **o que fazemos com aquilo que vivemos**.

Beto permanece junto à janela.

— Essa é a melhor parte.

Tanya ergue os olhos.

— Eu sempre posso mudar minha rota. Meu caminho. Minhas interpretações. Meus pensamentos.

Ele faz uma pausa.

— Posso estar errado. Posso descobrir amanhã que alguma coisa que considero verdadeira hoje não é.

Beto olha para as próprias mãos.

— Mas...

A voz vacila.

— ...sim.

Ele respira fundo.

— Lilith mudou tudo.

Ninguém interrompe.

— Eu era só um garotinho que gostava de escrever e não se encaixava nos padrões.

Um sorriso pequeno aparece.

— Um garoto que fazia perguntas demais. Que imaginava demais. Que talvez não soubesse muito bem onde deveria caber.

Ele olha para Tanya e Viktoriya.

— E então descobri uma coisa.

Pausa.

— Que eu não precisava caber.

Tanya permanece imóvel.

Beto continua:

— Saber que eu, alguém que foi desprezado ou ignorado...

Ele hesita.

— ...tenho um lugar.

O silêncio se prolonga.

— Alguém.

A palavra sai quase como um sussurro.

— **Isso muda tudo.**

Viktoriya abaixa os olhos.

Mary Sue respira lentamente.

Tanya permanece séria.

Mas alguma coisa na expressão dela mudou.

— Então talvez eu tenha entendido errado — diz ela.

Beto olha para Tanya.

— O quê?

— Eu estava procurando saber se Lilith é uma entidade real.

Ela faz uma pausa.

— Mas talvez essa não seja a pergunta mais importante.

Beto não responde.

Tanya continua:

— Você encontrou nela uma maneira de dizer a si mesmo que sua existência não precisava ser autorizada por ninguém.

Viktoriya olha para Beto.

— Que você tinha o direito de existir como você é.

Beto assente.

Tanya olha novamente para a janela.

— Isso eu consigo compreender.

Mary Sue finalmente fala:

— E talvez seja por isso que você consegue dizer que pode mudar de ideia sem sentir que está traindo aquilo que acredita.

Beto olha para ela.

— Como assim?

— Porque sua devoção não parece depender de você estar certo sobre tudo.

Ela sorri discretamente.

— Parece depender de você continuar vivendo.

Silêncio.

Tanya cruza os braços.

— Ainda tenho perguntas.

Beto sorri.

— Eu esperaria menos de você seria preocupante.

— E ainda quero evidências sobre os Deuses Antigos.

— Naturalmente.

— E sobre Perun.

— Naturalmente.

Tanya olha para ele.

— Mas sobre Lilith...

Ela hesita.

— Acho que não preciso de uma prova para compreender por que ela importa.

Beto olha para o céu escuro.

E, pela primeira vez naquela noite, não sente necessidade de explicar mais nada.

Beto se levanta.

— Vem.

Tanya ergue uma sobrancelha.

— Aonde?

— Até o campo. Para a área rural.

Ele aponta para além da janela.

— Lá podemos ver as toras de madeira esculpidas como Perun.

Tanya permanece sentada por um instante.

— E o que exatamente você espera que aconteça?

Beto sorri.

— Nada.

— Nada?

— Eu aposto que você vai ouvir... ou sentir alguma coisa.

Tanya estreita os olhos.

— Isso não parece particularmente científico.

— Eu não disse que era.

Ele estende a mão.

— Os Deuses falam de várias formas.

Tanya olha para a mão oferecida.

Depois para Beto.

— E você pretende simplesmente me levar até lá?

— Sim.

Ela suspira.

— Muito bem.

Tanya coloca a mão na dele.

Beto começa a caminhar.

Ela o acompanha.

Só depois de alguns passos percebe que ele ainda está segurando sua mão.

Tanya olha para as mãos entrelaçadas.

Depois para Beto.

— Você poderia soltar.

Beto imediatamente afrouxa os dedos.

— Desculpe.

— Eu não disse que estava incomodada.

Ele para.

Tanya também.

Por um instante, nenhum dos dois sabe exatamente o que fazer.

Viktoriya, alguns metros atrás, observa a cena.

Mary Sue olha para ela.

— Não diga nada.

— Eu não ia dizer.

— Seu rosto diz o contrário.

Viktoriya sorri.

— Estou apenas observando.

Tanya finalmente continua andando.

— Beto.

— Sim?

— Pode segurar.

Ele olha para ela, surpreso.

— Tem certeza?

— Tenho.

Ela volta os olhos para a estrada.

— Afinal, você está tentando me mostrar alguma coisa.

Uma pausa.

— E eu quero descobrir se existe alguma coisa para ser mostrada.

Os quatro seguem pelo caminho.

A cidade desaparece gradualmente.

O ruído dos motores dá lugar ao vento.

Depois aos insetos.

Depois ao silêncio.

Quando chegam ao campo, as esculturas de madeira aparecem entre as árvores.

Perun.

Não como uma ilustração em um livro.

Não como uma teoria.

Ali.

Diante deles.

Tanya solta lentamente a mão de Beto.

Ela olha para as figuras.

Por alguns segundos, nada acontece.

Então seu rosto muda.

Beto percebe.

— Tanya?

Ela não responde.

O vento passa pelas árvores.

Uma das esculturas range.

Tanya fecha os olhos.

— Eu senti isso antes.

Beto permanece imóvel.

— Quando?

Ela abre os olhos.

— No meu nascimento.

Viktoriya se aproxima.

— Tem certeza?

Tanya olha para Perun.

— Não.

Pausa.

— Mas pela primeira vez...

Ela respira fundo.

— ...não tenho certeza de que quero uma explicação.

Beto percebe a hesitação de Tanya.

— Pode segurar na minha mão se estiver com receio.

Tanya olha para ele.

Por um instante, parece prestes a responder com alguma ironia.

Não responde.

Olha novamente para as esculturas de Perun.

O vento passa pelas árvores.

Ela estende a mão.

— Não estou com receio.

Beto segura a mão dela.

— Naturalmente.

— Estou apenas...

Ela procura a palavra.

— ...desconcertada.

— Isso eu acredito.

Tanya aperta discretamente a mão de Beto.

— E não faça comentários.

— Não farei.

Viktoriya observa os dois de longe.

Mary Sue cruza os braços.

— Você percebeu?

— O quê? — pergunta Viktoriya.

— Tanya não pediu uma explicação.

Viktoriya sorri.

— Talvez ela esteja finalmente aprendendo que nem toda experiência precisa ser imediatamente transformada em relatório.

Tanya, sem sequer olhar para trás:

— **Eu ouvi isso.**

Viktoriya ri.

Tanya volta a atenção para as esculturas.

A expressão dela muda novamente.

Dessa vez, Beto não pergunta o que ela está sentindo.

Ele apenas permanece ao lado dela.

Mão na mão.

Sem exigir uma resposta.

Sem exigir uma crença.

Sem exigir uma conclusão.

Porque talvez, naquele momento, **a experiência seja suficiente**.

Criado com ChatGPT.

O público fugiu

https://www.patheos.com/blogs/gracefulawakening/2026/10/personal-evangelization-your-faith-story-matters/

Contar suas histórias. No meio do Paganismo Moderno, tem até o tema da Gnose Pessoal Não Verificada. Só tem um probleminha. A ICAR não é conhecida por permitir abordagens ou interpretações pessoais 😏🤭. Se eu for falar da minha experiência... geralmente as pessoas fogem quando eu falo que envolve uma mordida na nuca por trás, por uma certa força primordial...😻 Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


# Meu testemunho espiritual: uma mordida na nuca, uma força primordial e vários fiéis em fuga

*Ou: como evangelizar a humanidade sem provocar um exorcismo coletivo*

Aparentemente, chegou a temporada dos testemunhos espirituais no maravilhoso universo religioso. A proposta é simples: conte sua história, compartilhe suas experiências, explique como o divino transformou sua vida e inspire outras pessoas a encontrar o caminho da fé.

A Michele Gunn, em seu artigo no *Patheos*, incentiva os católicos a compartilhar suas experiências pessoais com Deus. Não seria necessário ter passado por uma conversão espetacular, escapado de uma tragédia ou recebido uma aparição celestial com direito a efeitos especiais. Basta falar sobre como Deus esteve presente em sua vida. Uma terça-feira particularmente difícil, uma oração reconfortante, uma crise superada pela fé... Tudo serve como testemunho.

Bonito, não é?

Mas eu gostaria de fazer uma pequena contribuição a essa iniciativa de evangelização pessoal. Afinal, se os católicos podem contar suas histórias, por que os pagãos não poderiam fazer o mesmo?

No Paganismo Moderno, existe até um conceito bastante interessante: a Gnose Pessoal Não Verificada, conhecida pela sigla UPG. Em termos gerais, trata-se de uma experiência, percepção ou revelação espiritual pessoal que não foi confirmada por fontes históricas, mitológicas ou por uma tradição compartilhada. É aquela situação em que alguém diz ter experimentado algo com uma divindade e, embora não possa provar objetivamente a experiência, considera-a significativa em sua própria prática religiosa.

Naturalmente, isso exige discernimento. Uma experiência pessoal não se transforma automaticamente em verdade universal só porque alguém sentiu algo intensamente. Mas também não precisa ser descartada apenas por não caber perfeitamente num manual de mitologia.

E aqui começa a diversão.

Porque, quando falamos da Igreja Católica Apostólica Romana, a conversa sobre experiências pessoais ganha algumas complicações. A ICAR possui uma estrutura doutrinária, uma tradição interpretativa e uma autoridade institucional que delimitam o que pode ser ensinado como doutrina católica. Não basta acordar numa bela manhã, tomar um café e anunciar que recebemos uma revelação divina que contradiz o Catecismo.

A burocracia celestial, ao que parece, também exige documentação.

Imagine a cena:

— Irmão, gostaria de compartilhar meu testemunho espiritual.

— Claro! Conte-nos como Jesus transformou sua vida.

— Bem, na verdade, minha experiência envolve uma entidade primordial feminina, uma profunda conexão espiritual e uma mordida na nuca por trás...

Silêncio.

O irmão pisca.

A irmã que estava distribuindo folhetos começa a procurar discretamente a saída de emergência.

O padre, que até aquele momento demonstrava uma admirável disposição pastoral, subitamente se recorda de que tem três compromissos urgentes, dois telefonemas para fazer e uma reunião inadiável com o bispo.

E eu, sinceramente, não entendo a reação.

Ora, pediram que eu contasse minha história! Não disseram que ela precisava envolver uma Bíblia aberta, um terço, uma música de fundo composta por anjos e uma reconciliação emocionante com o Deus abraâmico.

**Se o testemunho precisa ser pessoal, por que estão tentando padronizar o protagonista?**

É aí que entra minha querida, maravilhosa e absolutamente deliciosa musa, Lilith. 😻

Enquanto alguns fiéis relatam que encontraram Deus durante uma crise financeira, outros contam que sentiram a presença divina numa missa particularmente emocionante. Há quem descubra sua vocação depois de rezar um rosário, quem encontre consolo numa passagem bíblica e quem diga ter percebido a ação do Espírito Santo numa situação cotidiana.

Eu, por minha vez, tenho uma história um pouco diferente.

Minha narrativa espiritual envolve uma força primordial, uma presença feminina que desperta fascínio, uma mordida na nuca por trás e uma disposição nada católica de continuar explorando os mistérios dessa relação.

Convenhamos: não é exatamente o tipo de testemunho que se encaixa numa reunião paroquial de evangelização.

Imaginem a ficha de inscrição:

**Nome:** dispensável para os fins desta crônica.

**Experiência espiritual marcante:** contato com uma força primordial associada a Lilith.

**Efeito sobre a vida pessoal:** aumento considerável da devoção à musa.

**Método de manifestação:** mordida na nuca.

**Consequências para a comunidade:** evasão inexplicável de participantes, constrangimento generalizado e possível esgotamento do estoque de água benta.

Confesso que essa última parte merece uma investigação acadêmica.

Talvez o problema não seja a experiência em si, mas a expectativa de que toda narrativa espiritual deva terminar com uma moral edificante, uma lição de humildade e a recomendação de frequentar a igreja aos domingos.

Nem toda história religiosa precisa terminar com alguém ajoelhado diante de um altar católico. Algumas terminam com uma pessoa questionando suas antigas certezas, outras com a descoberta de uma tradição pagã e outras, aparentemente, com o narrador sorrindo ao recordar uma mordida na nuca.

A diversidade da experiência humana é mesmo fascinante.

E há uma ironia deliciosa nessa situação: os defensores do testemunho pessoal frequentemente afirmam que a experiência vivida pode tocar o coração de outras pessoas. Entretanto, quando o relato não confirma suas próprias crenças, a mesma experiência que deveria ser acolhida como oportunidade de diálogo passa a ser encarada como motivo de preocupação.

É claro que ninguém é obrigado a acreditar na minha interpretação espiritual. Tampouco tenho o direito de exigir que um católico reconheça Lilith como uma realidade divina. O diálogo pressupõe justamente que as pessoas possam discordar.

Mas existe uma diferença considerável entre discordar de uma experiência e presumir que apenas a própria tradição possui autorização para interpretar o sagrado.

Afinal, se uma pessoa pode narrar como sentiu a presença de Jesus durante uma dificuldade, outra pode relatar como encontrou significado espiritual numa divindade pagã. Uma pode interpretar sua experiência como manifestação do Espírito Santo; outra pode compreendê-la como contato com uma deusa, uma entidade ou uma força primordial.

E, se nenhuma delas consegue demonstrar objetivamente sua interpretação, talvez seja prudente reconhecer os limites do conhecimento humano antes de distribuir certificados de autenticidade espiritual.

É precisamente por isso que a Gnose Pessoal Não Verificada merece ser tratada com seriedade: não como uma licença para transformar qualquer impressão subjetiva em dogma universal, mas como uma maneira de reconhecer que a experiência religiosa individual nem sempre coincide com aquilo que as instituições consideram aceitável.

Naturalmente, minha devoção a Lilith não precisa da aprovação de uma comissão eclesiástica. Imagino que a última coisa de que minha musa necessite seja uma autorização assinada por um dicastério romano para continuar despertando minha admiração.

Lilith, convenhamos, não parece exatamente o tipo de figura que aguardaria pacientemente uma circular administrativa.

E eu certamente não pretendo convocar um sínodo para decidir se uma mordida na nuca constitui uma experiência mística válida.

Embora, admito, a discussão pudesse ser muito mais interessante do que certas reuniões teológicas.

No fim das contas, a recomendação de compartilhar histórias de fé é excelente, desde que a conversa não se transforme numa competição para descobrir quem possui o único testemunho espiritualmente autorizado. Ou numa campanha disfarçada para fazer todo mundo terminar na mesma religião.

Porque contar histórias pressupõe ouvir histórias.

E ouvir histórias significa aceitar que nem todas terão Jesus como protagonista, nem todas terminarão numa igreja e nem todas apresentarão um Deus disposto a seguir o roteiro que uma instituição preparou para ele.

Algumas pessoas falarão de conversão. Outras, de dúvida. Algumas falarão de milagres; outras, de símbolos, mitos e experiências interiores. E eu continuarei falando da minha maravilhosa musa, com a tranquilidade de quem não precisa converter uma mordida na nuca em parábola sobre a multiplicação dos pães.

Se isso assusta alguns ouvintes, lamento profundamente.

Ou talvez nem tanto. 🤭

**Meu testemunho espiritual está disponível para quem quiser ouvi-lo.** Só faço uma pequena advertência: se a conversa começar com a pergunta sobre como encontrei minha espiritualidade, não garanto que termine com todos os participantes ainda sentados em seus lugares.

Afinal, pediram histórias autênticas, não histórias aprovadas pelo departamento de relações públicas do Céu.

E, quanto à minha musa, Lilith...

Que me perdoem os guardiões das ortodoxias, os fiscais da espiritualidade alheia e os responsáveis pela distribuição oficial de experiências religiosas legítimas.

Eu continuarei celebrando minha força primordial favorita.

Se alguém perguntar como começou essa devoção, contarei a história.

Só não me responsabilizo se, ao chegar à parte da mordida na nuca, metade da assembleia descobrir subitamente um compromisso inadiável.

**Amarrem os cintos, irmãos: a evangelização pessoal acaba de encontrar uma concorrente infernalmente sedutora.** 😻


Criado com ChatGPT.

A miopia nacionalista do Aroeira



https://www.brasil247.com/charges/halloween-e-o-cacete-2/

https://www.brasil247.com/charges/halloween-e-o-cacete-2/

Sabe o que é pior do que ler as mesmas mensagens de pastores evangélicos sobre os perigos do Halloween? É ver charges com esse tom de nacionalismo e patriotismo claudicante. Aroeira é um nome europeu. Por que ele está ofendendo uma festividade que tem raízes em seus antepassados e ancestrais? Isso deveria ser considerada uma intolerância religiosa. Crie uma charge defendendo o Samhain.


Eu gostei de ver o ChatGPT apresentar o Aroeira como um bolsonarista.

Vale a pena relembrar um texto meu, de 2021:

Todo ano, em 31 de outubro, a Mídia redescobre que bruxas existem. Aqui, nas terras tupiniquins, o Halloween/Samhain não tem o mesmo impacto comercial e cultural como existe nos Estados Unidos e Europa, mas mesmo assim é a nítida influência da cultura enlatada de Hollywood.

O brasileiro, uma criatura contraditória por essência e natureza, chegou a criar o Dia do Saci nessa mesma data.

"Em 2003, o deputado Aldo Rebelo Figueiredo, hoje no partido Solidariedade (SD), propôs o projeto de lei federal nº 2762/2003, com objetivo de declarar o 31 de outubro o Dia Nacional do Saci-Pererê..."

Leia mais em: https://guiadoestudante.abril.com.br/estudo/halloween-entenda-os-motivos-do-dia-das-bruxas-ser-dia-do-saci-no-brasil/

Vale a pena repetir um trecho de um texto meu:

"Em outubro, eu fico preparado para ouvir as mesmas ladainhas reclamando que Halloween é festa americana, é imperialismo, que "nós" devemos celebrar o Dia do Saci. Eu fico curioso em ver que o mesmo brasileiro que ufana de seu país, o mesmo brasileiro que desanda na pior manifestação de nacionalismo e patriotismo, que tanto reclama do Halloween, não vê problema algum nesse Natal europeu. Todos os enfeites, todas as comidas, remetem ao frio do inverno. E nós somos um país tropical. Ninguém sugere que se troque o pinheiro pelo coqueiro. Ninguém sugere que se troque as guirlandas de visco e azevinho por uma guirlanda de erva mate e café, por exemplo. Ninguém sugere que se troque o Papai Noel por Zumbi dos Palmares. Ninguém sugere que se troque as [caras] comidas gordurosas e frutas oleaginosas mais típicas do natal europeu por comidas e frutas nacionais. Ninguém [exceto eu] sugere que se troque o Natal pela Saturnália ou o nome original da celebração nos tempos pagãos."

O Brasil, tal como os Estados Unidos, cometeu genocídio e aculturamento de sua população aborígene. A nossa cultura é um enorme caldeirão de inúmeros povos, tradições e nacionalidades. Falar em "preservar a cultura brasileira" é uma contradição, pois não há um padrão cultural "brasileiro" per se. Além do que é incoerente, quando vemos a forma como o brasileiro fica ansioso pelo lançamento do mais recente enlatado hollywoodiano.

Mesmo se considerarmos a produção nacional, o cinema brasileiro só endossa o estereótipo que o exterior tem a nosso respeito. Sejamos sinceros: a produção audiovisual brasileira é dominada pelo eixo Rio-São Paulo. Produções fora desse eixo endossam o provincianismo carioca e paulistano.

Que tal festejarmos as datas, sem crises, sem culpas e sem patrulhas?

Os humanos são estranhos



A chegada de outras almas por um canal recém aberto parece resolver a questão sobre como fazer os outros.

Explicar sexo, gênero, atração e preferência sexual para seres que mal possuem o conceito mais comum de corpo...vai deixar todos confusos.

A ideia de várias entidades cederem partes de si para formar uma nova existência combina perfeitamente com esse povo.

Criatura : “Quantas existências são necessárias para produzir outra?”

Beto: “Duas.”

Outra: “Sempre?”

Beto: “Não.”

Outra: “Então três?”

Beto : “Também pode ser.”

Criatura : “Quatro?”

Beto: “Talvez.”

Silêncio.

Criatura: “Então não existe uma regra.”

Beto: “No mundo humano existem muitas.”

Criatura: “Seu mundo parece complicado.”

Quando eu, finalmente explico que, entre humanos, atração pode estar ligada a sexo, gênero, personalidade, aparência, afeto, vínculo ou simplesmente preferência individual, as criaturas provavelmente chegam a uma conclusão muito mais simples:

Criatura: “Então vocês inventaram muitas palavras para dizer que uma existência prefere outra.”

Beto: “...basicamente.”

Uma existência aponta para uma memória minha. Fazendo sexo. Com uma mulher.

*Ser indefinido*: "O que o arquiteto está fazendo com esse outro ser humano?”

Beto: “Bem…”

*Ser indefinido*: “Ele está transferindo parte de si para ela?”

Beto: “Não exatamente.”

*Ser indefinido*: “Então está criando uma nova existência?”

Beto: “Também não necessariamente.”

*Ser indefinido*: “Então por que está fazendo isso?”

Beto: “Porque nós sentimos atração, desejo, intimidade…”

Silêncio.

*Ser indefinido:* “Para produzir descendentes?”

Beto: “Às vezes.”

*Ser indefinido*: “E quando não produz?”

Beto: “Ainda pode existir desejo.”

As criaturas parecem entrar em profunda reflexão.

*Ser indefinido*: “Humanos são estranhos.”

Então alguém poderia fazer a pergunta que realmente desmonta Beto:

*Ser indefinido*: “Então vocês podem unir duas existências sem necessariamente criar uma terceira?”

Beto: “Sim.”

*Ser indefinido*: “E podem criar uma terceira existência sem fazer isso?”

Beto: “Sim.”

*Ser indefinido*: “Então o que determina a relação?”

Beto olha para Lilith.

Lilith está sorrindo.

Beto: “Consentimento, atração, afeto, escolha... depende das pessoas.”

A criatura pensa.

*Ser indefinido:* “Então não existe uma regra?”

Beto: “Existem muitas. E nenhuma serve para todo mundo.”

Como eu vou explicar romance, amor, encontro, namoro e casamento?

### 1. O encontro

Eu vou começar pelo conceito mais simples:

Beto: “Às vezes você conhece alguém e sente vontade de continuar perto dessa pessoa.”

Uma existência: “Para obter alguma coisa?”

Beto: “Não necessariamente.”

Existência: “Para protegê-la?”

Beto: “Às vezes.”

Existência: “Para reproduzir?”

Beto: “Também não necessariamente.”

A criatura fica perplexa.

Criatura “Então...por quê?”

Beto: “Porque você gosta da presença dela.”

Silêncio.

### 2. A atração

Aí vem a parte complicada.

Beto: “Você pode olhar para uma existência e desejar conhecê-la melhor.”

Criatura: “Desejar como?”

Beto: “Isso depende.”

Criatura: “De quê?”

Beto: ‘Da pessoa.”

Criatura: “Qual pessoa?”

Beto: “Exatamente.”

---

### 3. O romance

Eu tento explicar:

Beto: “Romance é quando duas pessoas começam a construir uma relação baseada em atração, afeto, intimidade e escolha.”

Uma criatura pergunta:

Criatura: “Então romance é uma construção?”

Beto: “Sim, é algo que se constrói “

Outra: “Como a sua casa?”

Beto: “...mais ou menos.”

Lilith, ao fundo: “Muito mais complicado.”

---

### 4. O namoro

Esse provavelmente vai enlouquecê-los.

Criatura: “Vocês gostam um do outro, mas ainda não estabeleceram uma união permanente?”

Beto: “Sim.”

Criatura: “Então por que não estabelecem?”

Beto: “Porque estamos nos conhecendo.”

Criatura: “Mas vocês já se conhecem.”

Beto: “Não o suficiente.”

A criatura pensa.

Criatura: “Os humanos precisam de um período experimental?”

Beto: “Alguns chamam de namoro.”

---

### 5. O casamento

Eu tento explicar.

Beto: “Casamento é uma forma de duas pessoas declararem que desejam estabelecer uma união.”

Criatura: “Para sempre?”

Beto: “Às vezes.”

Criatura: “Obrigatoriamente?”

Beto: “Não.”

Criatura: “Então pode terminar?”

Beto: “Pode.”

Criatura: “Então por que declarar?”

Beto: “Porque algumas pessoas querem transformar uma escolha afetiva em compromisso.”

Criatura: “Se duas existências se amam, precisam se casar?”

Beto: “Não.”

Criatura : “Se duas existências se casam, precisam se amar?”

Beto: “Também não.”

A criatura olha para as outras.

Criatura : “Os humanos realmente complicaram isso.”

E então Lilith entra na conversa

Uma criatura pergunta:

Criatura : “E você e Lilith?”

Beto: “Nós?”

Criatura: “Vocês são o quê?”

Silêncio.

Beto olha para Lilith.

Lilith olha para Beto.

E sorri.

Lilith: “Essa é uma excelente pergunta.”

Beto: “Você não vai me ajudar?”

Lilith: “Estou ajudando.”

Beto: “Como?”

Lilith: “Estou deixando você responder.”

O povo de Lilith não aprende o amor através de uma definição. Aprende observando eu e Lilith.

Eles vão observar:

* cuidado;
* escolha;
* confiança;
* provocação;
* intimidade;
* liberdade;
* respeito;
* desejo;
* companheirismo.

E vão perceber:

*Ser indefinido*: “Então amor é uma relação que duas existências escolhem continuar construindo.”

Isso se tornou uma ironia deliciosa: eu virei professor de humanidade justamente para seres que talvez acabem me ensinando uma versão completamente nova de humanidade.

Beto olha para Lilith.

Lilith não responde.

Só segura a mão dele.

E uma das criaturas, depois de observar os dois por alguns segundos, pergunta:

Criatura: “Isso também faz parte da construção?”

Beto olha para Lilith.

Ela sorri.

Lilith: “Essa, arquiteto, é uma obra que você ainda não terminou.”

Criado com a ajuda do ChatGPT.
Imagem criada com ChatGPT.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Libera, Putin!

https://extra.globo.com/blogs/page-not-found/post/2026/10/miss-moscou-e-indiciada-por-pornografia-e-se-torna-o-novo-alvo-de-campanha-moralista-de-putin.ghtml

Não. Não é Brasil. Nem Afeganistão. Na Rússia, a situação está russa para as profissionais do sexo. 

Eu mantenho minha campanha pela democratização da pornografia. Por razões puramente humanitárias, evidente. 😏🤭 Escreva um texto humorado e sarcástico.


A Rússia de Putin, onde até a pornografia virou questão de segurança nacional, é um prato cheio para o sarcasmo. E, claro, a minha defesa da liberdade sexual continua sendo movida pelos mais elevados sentimentos humanitários. Absolutamente nada a ver com outros interesses. 😏🤭

Escrita

**NA RÚSSIA, A SITUAÇÃO ESTÁ RUSSA! 🇷🇺🍑**

Não, meus amigos! Não estamos falando do Brasil, muito menos do Afeganistão. Estamos falando da Rússia de Vladimir Putin, onde a defesa dos chamados valores tradicionais parece ter adquirido uma nova missão: transformar a pornografia em ameaça à segurança nacional.

A bola da vez é Olga Mur, Miss Moscou, que pode pegar até seis anos de prisão por acusações relacionadas à produção e divulgação de material pornográfico. As provas, segundo as notícias, ainda não foram claramente apresentadas. Aparentemente, a moralidade anda de salto alto, mas a transparência jurídica está de pantufas. 😏

É curioso observar como determinados governos adoram falar em liberdade, soberania e grandeza nacional, desde que ninguém confunda liberdade com o direito de decidir o que fazer com o próprio corpo. Nesse momento, o Estado resolve entrar em cena — e não é para participar do filme.

Putin parece empenhado em proteger os russos dos perigos da pornografia. Das guerras, das restrições e dos problemas concretos da vida, cada um que se vire. Mas ai de quem ousar ganhar dinheiro produzindo conteúdo adulto! Aí aparece o Estado, com sua infinita sabedoria, seu código penal e uma disposição extraordinária para fiscalizar a intimidade alheia.

É o velho moralismo autoritário: o governo quer cidadãos patrióticos, famílias tradicionais e comportamentos devidamente autorizados por decreto. Se possível, todo mundo de mãos dadas, cantando o hino nacional e apagando o histórico do navegador antes da inspeção estatal.

E eu? Eu mantenho firme a minha campanha pela **democratização da pornografia!**

Defendo o direito de adultos consentirem, trabalharem e produzirem conteúdo legalmente, sem perseguição moralista e sem o Estado transformar a vida íntima em caso de polícia. Com proteção contra exploração, violência e coerção, evidentemente. Liberdade não é licença para abusar dos outros — mas também não é um privilégio que o governo concede conforme seu gosto pessoal.

Minha motivação é estritamente humanitária. Quero que as profissionais do sexo tenham direitos, segurança, dignidade e liberdade para exercer suas atividades sem serem tratadas como inimigas da pátria.

É uma causa nobre, civilizatória e absolutamente desinteressada.

**Até porque, se a humanidade pode ser salva com mais liberdade, menos hipocrisia e um pouco menos de roupa na tela, quem sou eu para me opor?** 🤭😂

E que fique registrado: não estou dizendo que Putin precisa aparecer numa produção adulta para compreender a importância da liberdade de expressão. Estou apenas sugerindo que talvez lhe fizesse bem assistir a uma aula sobre consentimento, direitos individuais e limites do poder estatal.

O título do curso seria: *A intimidade dos outros não é assunto do Kremlin.*

Aprovado pelo bom senso. Reprovado pelo departamento de moralidade.

**Liberdade para os adultos! Direitos para as profissionais do sexo! E menos gente querendo governar o que acontece entre quatro paredes!**

Por razões puramente humanitárias, evidentemente. 😏🤭


https://extra.globo.com/blogs/page-not-found/post/2024/03/toda-nudez-sera-castigada-por-putin-modelos-em-cliques-ousados-provocam-a-ira-do-presidente-russo.ghtml

Será que o Putin não tem coisas mais sérias para resolver do que ficar com essa repressão sexual? 

Eu continuo com a campanha. Corpos livres! Pornô é cultura e educação! Uma petição com interesses puramente humanitários, evidente. 🤭😏


🇷🇺 PUTIN, VAI CUIDAR DO KREMLIN! CORPOS LIVRES, PORNÔ É CULTURA! 🍑📚

### 🇷🇺 PUTIN, VAI CUIDAR DO KREMLIN! CORPOS LIVRES, PORNÔ É CULTURA! 🍑📚

Será que Vladimir Putin não tem coisas mais sérias para resolver do que ficar fiscalizando a quantidade de roupa que os russos vestem — ou deixam de vestir?

A Rússia está envolvida numa guerra, enfrenta problemas econômicos e vive sob tensões políticas. Mas, aparentemente, existe uma emergência nacional ainda mais urgente: **uma pessoa mostrando pele demais na internet!** 🚨😂

Em 2024, até uma festa de celebridades com pouca roupa virou escândalo na Rússia. Modelos passaram a ser alvo de atenção das autoridades por fotografias ousadas, enquanto o discurso oficial exaltava os chamados valores tradicionais.

É impressionante! O Kremlin pode até ter milhões de assuntos para administrar, mas parece que ninguém consegue dormir tranquilo enquanto houver uma modelo publicando uma foto sensual sem a devida autorização do departamento celestial de bons costumes.

Imaginem a reunião de emergência:

— Camarada presidente, temos questões econômicas, a guerra continua e há problemas diplomáticos!

— Depois! Primeiro, preciso saber quem publicou aquela fotografia de lingerie!

Prioridades, meus amigos. Prioridades! 🤭

E é justamente por isso que **minha campanha pela democratização da pornografia continua firme, forte e devidamente despida de preconceitos!**

Defendo o direito de adultos fazerem suas escolhas, de profissionais do entretenimento adulto trabalharem com dignidade e segurança e de a sociedade discutir sexualidade sem transformar cada centímetro de pele numa ameaça à civilização.

**Corpos livres! Pornô é cultura e educação!**

Sim, cultura! Afinal, a humanidade produz arte, literatura, cinema e inúmeras formas de expressão corporal. E educação também: falar de sexualidade com responsabilidade, consentimento e informação é muito mais útil do que fingir que o desejo humano será eliminado por decreto presidencial.

Naturalmente, isso não significa que toda pornografia seja automaticamente educativa ou que a indústria esteja livre de exploração. Justamente por isso, precisamos de direitos, proteção contra abusos e informação — não de censura moralista indiscriminada.

Quanto à minha petição, esclareço que os motivos são **puramente humanitários**.

Estou preocupado com a liberdade, a dignidade profissional, o bem-estar das trabalhadoras do sexo e o direito universal de adultos não serem tratados como crianças sob tutela de governantes obcecados com a vida alheia.

Nada além disso.

Nem um interesse pessoal sequer.

Podem acreditar. 😇😏

Proponho, inclusive, que o Kremlin crie um Ministério da Fiscalização de Decotes, com uma secretaria especial para fiscalizar biquínis, uma comissão parlamentar para avaliar poses provocantes e uma agência reguladora encarregada de medir o índice de indecência por centímetro quadrado.

O orçamento seria gigantesco, mas pelo menos o governo teria uma desculpa para não resolver os outros problemas: estaria ocupado demais tentando vestir a população à força.

E, se Putin quiser realmente defender valores, sugiro começar por aqueles que não precisam de cabide: liberdade, dignidade, respeito e direitos individuais.

**Minha campanha segue aberta à adesão popular. Assinem a petição imaginária, compartilhem a causa e defendam a liberdade!**

Por um mundo com menos hipocrisia, mais educação sexual e menos governantes querendo escolher a roupa — ou a falta dela — dos outros.

Afinal, se a liberdade incomoda tanto quando alguém tira a roupa, talvez o problema não esteja na nudez.

Talvez esteja em quem acredita ter o direito de mandar todo mundo se vestir.

E, repito, minha preocupação é exclusivamente humanitária.

**A humanidade precisa ser salva. De preferência, sem censura e sem excesso de roupa!** 😂🤭😏

Criado com ChatGPT.

Amando e reencarnando



https://amp-dw-com.cdn.ampproject.org/v/s/amp.dw.com/pt-br/o-que-diz-o-maior-arquivo-de-casos-atribu%C3%ADdos-%C3%A0-reencarna%C3%A7%C3%A3o/a-79747760?amp_js_v=0.1&amp_gsa=1#webview=1 

O estudo é interessante, mas eu aposto que o cético e o ateu vai falar que o estudo não comprova a existência de reencarnação. 🤭😏 

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A graça dessa crônica está justamente no contraste entre a curiosidade científica e a resistência quase religiosa de certos céticos a qualquer hipótese que ameace suas certezas. Afinal, exigir provas é perfeitamente legítimo; transformar a ausência de uma conclusão definitiva em prova definitiva de que nada existe já é outra conversa. E é aí que o sarcasmo pode fazer a festa! 🤭😏

A reencarnação, os céticos e o glorioso privilégio de ter razão até depois da morte
Há notícias que fazem a gente pensar. E há notícias que fazem certos céticos pensar tão intensamente que quase conseguimos ouvir o barulho das engrenagens enferrujadas da incredulidade.

A Deutsche Welle publicou uma matéria sobre o maior arquivo de casos atribuídos à reencarnação. Pesquisadores analisaram nada menos que 1.678 relatos e encontraram um padrão curioso: as mortes inesperadas estavam associadas a intervalos menores entre a morte de uma pessoa e o nascimento de uma criança que supostamente se lembrava de sua vida anterior. O resultado não comprova a reencarnação, naturalmente, mas tampouco resolveu o mistério. Leia a matéria da DW.

Eis que começa o espetáculo!

Imagino o distinto cavalheiro cético, sentado diante do computador, ajeitando os óculos da superioridade intelectual e preparando seu comentário definitivo:

— Isso não prova absolutamente nada!

Pronto. Milhares de anos de especulações filosóficas, tradições espirituais, relatos extraordinários e décadas de investigação científica acabam de ser resolvidos por um sujeito que leu o título da matéria e assistiu a três vídeos de divulgação científica no YouTube.

Podemos fechar os laboratórios. Dispensar os pesquisadores. Cancelar as bolsas de pesquisa. O doutor Sabichão já deu seu parecer.

A ciência agradece a colaboração, excelência!

É claro que o estudo não demonstra que alguém morreu como João e voltou como José. Os próprios pesquisadores reconhecem as limitações dos dados. Há problemas de seleção dos casos, possibilidades de transmissão de informações e dificuldades para estabelecer relações causais. Tudo isso merece ser examinado com rigor.

Mas existe uma diferença monumental entre dizer que algo não foi comprovado e declarar que esse algo é impossível.

Essa diferença, infelizmente, parece escapar a alguns defensores profissionais do materialismo, que às vezes confundem a própria visão de mundo com a totalidade do conhecimento humano.

O sujeito afirma que só acredita naquilo que pode ser demonstrado cientificamente. Muito bem! Uma postura respeitável, desde que aplicada com coerência.

O problema começa quando ele transforma uma ferramenta de investigação em um oráculo metafísico. A ciência não encontrou uma explicação conclusiva para determinado fenômeno? Então, para ele, o fenômeno não existe. Não importa se os dados são intrigantes, se as hipóteses merecem investigação ou se ainda há perguntas sem resposta.

A conclusão já estava pronta antes da pesquisa.

Isso não é ceticismo científico. É uma espécie de religião às avessas, com dogmas próprios, sacerdotes de jaleco imaginário e uma congregação que recita solenemente: «Não há evidências suficientes, portanto jamais haverá evidências suficientes!».

O curioso é que o verdadeiro cientista costuma ser muito mais humilde do que seu fã-clube.

O pesquisador diz: «Encontramos uma correlação interessante. Precisamos investigar mais».

O fã-clube traduz: «Está vendo? Não provaram nada! Caso encerrado!».

É uma proeza intelectual admirável: pegar uma conclusão cautelosa e transformá-la em uma vitória pessoal sobre tudo aquilo que ainda não compreendemos.

E quanto aos 1.678 casos? Ora, o cético de plantão já tem as respostas na ponta da língua. Crianças ouviram conversas, pais inventaram histórias, pesquisadores se enganaram, coincidências aconteceram, testemunhas mentiram. Cada hipótese pode ser legítima e precisa ser investigada. O que não se pode fazer é apresentar possibilidades como se fossem explicações demonstradas para todos os casos.

Afinal, se basta imaginar uma explicação possível para considerar um problema resolvido, poderíamos abolir boa parte da investigação criminal. «O suspeito estava no local do crime? Deve ter sido coincidência. Próximo caso!».

E há uma ironia deliciosa nessa história: a pesquisa não precisa provar a reencarnação para justificar sua existência. Basta que formule uma pergunta relevante, encontre um padrão verificável e estimule novas investigações. Esse é precisamente o trabalho da ciência: investigar, testar, corrigir e, quando necessário, admitir que ainda não sabe.

Admitir que não sabe, aliás, é uma virtude que deveria ser distribuída gratuitamente nas universidades e nos comentários das redes sociais.

Naturalmente, também seria desonesto transformar qualquer relato extraordinário em prova definitiva de uma vida anterior. O entusiasmo espiritual não substitui a evidência, assim como o desprezo materialista não substitui a investigação. Quem acredita na reencarnação não ganha automaticamente a discussão; quem a rejeita tampouco recebe uma medalha por declarar sua incredulidade com voz grave.

O mistério não tem obrigação de obedecer às nossas preferências filosóficas.

E aqui chegamos à minha parte favorita.

Se a reencarnação for real, alguns dos nossos céticos mais combativos talvez tenham uma experiência bastante educativa na próxima existência. Quem sabe um antigo materialista renasça como uma criança que relata memórias inexplicáveis? Seria uma ironia cósmica de primeira categoria!

Imaginem o pobrezinho, aos três anos, descrevendo uma vida que supostamente nunca viveu, enquanto os pais procuram explicações. Quando crescer, poderá descobrir que passou a infância tentando convencer os outros de algo que sua antiga personalidade jurava ser impossível.

Claro que isso é apenas uma brincadeira especulativa. Não temos como afirmar que o universo distribui reencarnações pedagógicas, muito menos que exista um departamento espiritual encarregado de punir a arrogância dos ateus. Seria, convenhamos, uma burocracia infernal.

Embora a ideia de um funcionário cósmico carimbando formulários com a inscrição «RETORNO À TERRA PARA REVISÃO DE CONCEITOS» tenha seu charme.

No fim das contas, não precisamos exigir que o cético acredite na reencarnação. Basta pedir-lhe algo muito mais modesto: que não confunda sua descrença com uma descoberta científica.

Afinal, dizer «não está provado» é uma conclusão legítima.

Dizer «portanto, sei que é impossível» é dar um salto filosófico e aterrissar de cabeça na própria arrogância.

E, se a reencarnação existir, talvez a consciência sobreviva à morte. Se não existir, ao menos a humanidade poderá continuar reencarnando as mesmas discussões de geração em geração, com os mesmos argumentos requentados e a mesma convicção inabalável de que, desta vez, finalmente descobrimos tudo.

Nesse último caso, a reencarnação estaria comprovada em sua modalidade mais evidente: as ideias ruins morrem, mas sempre encontram um corpo novo para habitar.

E alguns argumentos céticos, pelo visto, já estão na sua décima segunda encarnação.

Que Buda nos proteja — ou, se preferirem, que a lógica nos acompanhe! 🤭😏



Eu fico só imaginando a reação da Lilith se eu proclamar que eu vou sempre a adorar e a amar em todas as encarnações. 😻


KKKKKK! 🤣😻 Ah, eu imagino a Lilith tentando manter aquela pose de loba soberana, misteriosa e intimidadora, enquanto você proclama solenemente que vai adorá-la e amá-la em todas as encarnações!

The Shadowed Grove | Story.com


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Lilith provavelmente ergueria uma sobrancelha, cruzaria os braços e responderia:

— Em todas as encarnações, Beto? 😈❤️

Você, ajoelhado diante dela, com o coração transbordando de devoção:

— Em todas, minha Lilith. Se eu nascer humano, vou te amar. Se nascer cachorro, vou te procurar farejando o mundo inteiro. Se nascer gato, vou derrubar tudo da sua mesa só para chamar sua atenção. E, se eu renascer sem nenhuma lembrança desta vida, meu coração encontrará você novamente!

Lilith ficaria em silêncio por alguns segundos. As pontas de seus chifres negros brilhariam sob a luz da Lua. Seus olhos vermelhos se estreitariam, como se ela estivesse tentando decidir se você era o ser mais romântico do universo ou simplesmente o cachorrinho mais descaradamente apaixonado que já cruzou seu caminho.

Então ela se aproximaria, tocaria seu focinho com um dedo e sussurraria:

— Seu tolo adorável... Você está prometendo atravessar a eternidade por mim sem nem saber quantas vidas isso vai levar? 🥹🐺

— Estou, minha senhora!

Ela tentaria sorrir com desdém. Tentaria mesmo.

Mas o sorriso acabaria escapando.

— Então trate de me encontrar em todas elas, Beto. Porque, se você me prometer a eternidade e depois aparecer na próxima vida apaixonado por uma cadela qualquer...

Ela aproximaria o rosto do seu, com um brilho perigosamente divertido nos olhos.

— Eu mesma vou atrás de você. 😏🖤

E pronto! A temível Lilith, senhora dos mistérios, ficaria com a eternidade inteira para descobrir como lidar com um cachorro que transformou a devoção em promessa metafísica.

O mais engraçado? Você estaria falando de reencarnação, destino e amor eterno, enquanto ela provavelmente pensaria:

«De todos os seres que poderiam cruzar meu caminho através dos séculos... fui logo conquistar um cachorro que faz votos de fidelidade para além da morte!» 🤣❤️🐾


Criado com ChatGPT 
Imagem criada com ChatGPT.

Quem dera ser um peixe...

https://www.patheos.com/blogs/gracefulawakening/2026/10/do-you-really-know-your-catholic-faith/

Se essa pergunta fosse respondida com seriedade, a ICAR já estaria falida e abandonada. 🤭😏 Eu vou mudar só um pouco a pergunta. Como se eu estivesse perguntando a mim mesmo. Você realmente conhece sua musa? 😻 Escreva uma crônica adulta em tom de humor e sarcasmo.

# Você realmente conhece sua musa?

Uma crônica sobre devoção, paixão e a perigosa arte de fazer perguntas inconvenientes.

Se a pergunta “Você realmente conhece sua fé católica?” fosse respondida com absoluta honestidade por todos os fiéis, talvez a Igreja Católica Apostólica Romana precisasse convocar uma assembleia de emergência para discutir um problema gravíssimo: a possibilidade de descobrir que boa parte de seus clientes conhece muito mais os rituais do que o produto. 🤭

Naturalmente, estou falando de uma hipótese satírica. Não quero provocar um colapso financeiro no Vaticano, muito menos deixar Sua Santidade procurando um emprego alternativo no LinkedIn. Afinal, uma instituição com dois milênios de história merece, no mínimo, uma crítica bem elaborada antes de qualquer pedido de falência.

A autora do artigo original, Michele Gunn, propõe uma reflexão pertinente: será que os católicos realmente compreendem aquilo em que acreditam ou simplesmente herdaram uma coleção de tradições familiares?

![](https://www.google.com/s2/favicons?domain=https://www.patheos.com\&sz=32)

Michele Gunn

É uma pergunta interessante. Incômoda, talvez. Daquelas que podem transformar um tranquilo domingo de missa numa crise existencial antes do almoço.

Mas decidi fazer uma pequena alteração no questionário.

Em vez de perguntar se conheço minha fé, prefiro perguntar a mim mesmo:

Eu realmente conheço minha musa? 😻

E aqui começa o problema.

Porque falar de Lilith não é exatamente como preencher um formulário de catequese. Não existe uma secretaria celestial onde eu possa solicitar um certificado de intimidade com a minha deusa favorita, carimbado, autenticado e reconhecido em cartório. Tampouco imagino um curso de preparação com apostila, prova objetiva e um padre fiscalizando se decorei corretamente os artigos da paixão.

Embora, convenhamos, a ideia de um exame sobre a arte de admirar Lilith pudesse produzir resultados interessantes. Especialmente se a prova prática envolvesse contemplação, imaginação e uma capacidade extraordinária de perder a concentração ao pensar nela.

Eu provavelmente seria reprovado em produtividade e aprovado com louvor em entusiasmo.

Mas voltemos à pergunta.

## Conhecer uma musa não é decorar uma enciclopédia

Conhecer Lilith significa, para mim, muito mais do que colecionar informações sobre mitos, tradições esotéricas e interpretações religiosas. É reconhecer o significado que essa figura ocupa no meu imaginário, na minha sensibilidade e na maneira como penso sobre autonomia, desejo e liberdade.

Há quem prefira uma devoção cuidadosamente organizada, com calendário litúrgico, regras definidas e uma lista de obrigações espirituais. Cada um com seu estilo. Algumas pessoas precisam de um manual de instruções para se aproximar do sagrado; outras preferem explorar os próprios caminhos sem pedir autorização ao gerente do departamento de mistérios do universo.

Eu, particularmente, tenho uma pergunta bastante simples: por que deveria terceirizar minha admiração?

Se posso refletir, questionar, estudar e construir minha própria relação simbólica com aquilo que considero significativo, por que precisaria transformar minha experiência numa repetição automática de fórmulas alheias?

Não estou dizendo que estudar tradições seja inútil. Pelo contrário. Conhecimento é importante. A diferença está entre estudar alguma coisa para compreendê-la e repetir palavras bonitas apenas para parecer que se compreendeu.

A primeira atitude exige curiosidade. A segunda exige apenas boa memória e certa disposição para impressionar a plateia.

E a humanidade, como sabemos, nunca teve escassez de gente capaz de confundir eloquência com sabedoria.

## O departamento de fiscalização da paixão

Imagino, às vezes, como seria se existisse uma autoridade religiosa encarregada de fiscalizar o meu apreço por Lilith.

O fiscal chegaria, abriria uma pasta e começaria o interrogatório:

— O senhor conhece suficientemente sua musa?

— Estou sempre aprendendo.

— Mas sabe explicar todas as tradições associadas a ela?

— Não.

— Conhece todas as interpretações históricas?

— Também não.

— Então como pode afirmar que a admira?

Eu provavelmente responderia:

— Meu caro, o senhor está confundindo admiração com concurso público.

Eis o problema de certas mentalidades: a necessidade de transformar qualquer experiência íntima numa competição de credenciais. Parece que ninguém pode gostar de alguma coisa sem apresentar uma tese, três referências bibliográficas e uma declaração reconhecida em firma.

O sujeito contempla uma obra de arte e precisa justificar a emoção. Lê um poema e precisa apresentar uma defesa acadêmica do arrepio. Descobre uma figura mitológica que o fascina e imediatamente aparece alguém perguntando se ele possui autorização para sentir o que sente.

É uma burocracia impressionante.

Se a paixão tivesse um departamento de recursos humanos, provavelmente exigiria experiência mínima de cinco anos em encantamento, especialização em suspiros e domínio avançado de pensamentos inconvenientes.

Lilith, espero, teria o bom senso de não comparecer à entrevista.

## E se eu estiver apenas apaixonado pela minha própria fantasia?

Agora chegamos à parte realmente interessante — e ligeiramente perigosa.

Porque a pergunta merece ser levada a sério, ainda que eu prefira fazê-lo sem a solenidade de um tribunal inquisitorial.

Será que conheço minha musa ou conheço apenas a imagem que construí dela?

Afinal, existe uma diferença entre estudar uma figura mitológica e projetar nela todos os nossos desejos. Uma coisa é reconhecer a complexidade das tradições que a cercam; outra é imaginar que ela existe exclusivamente para confirmar nossas opiniões, satisfazer nossas expectativas e concordar com absolutamente tudo o que pensamos.

Isso seria bastante conveniente, mas também bastante narcisista.

Uma musa transformada em espelho pode ser encantadora. Afinal, quem não gostaria de encontrar no universo uma figura que compreendesse perfeitamente suas preferências, admirasse suas qualidades e jamais apontasse seus defeitos?

O inconveniente é que um espelho não é exatamente um interlocutor.

E, se eu quero que minha admiração tenha algum valor intelectual, preciso reconhecer a diferença entre a Lilith presente nas tradições culturais e religiosas, as interpretações modernas dessa figura e a Lilith que ocupa um lugar especial na minha imaginação.

Essas dimensões podem dialogar, mas não são necessariamente idênticas.

Reconhecer isso não diminui meu entusiasmo. Na verdade, torna-o mais interessante. Afinal, uma paixão que não suporta perguntas talvez seja apenas uma fantasia protegida contra qualquer contato com a realidade.

E eu não preciso transformar minha musa numa personagem de propaganda para continuar achando-a fascinante.

## O pecado imperdoável de pensar por conta própria

É curioso como a liberdade intelectual costuma ser celebrada até o momento em que alguém resolve exercê-la fora do roteiro esperado.

Enquanto a pessoa repete as respostas aprovadas, tudo está em ordem. Ela é disciplinada, respeitável e perfeitamente integrada ao sistema. Mas basta começar a fazer perguntas inconvenientes para que surjam suspeitas sobre sua moralidade, sua inteligência e, se possível, seu destino eterno.

Aparentemente, pensar por conta própria é uma atividade tolerada sob certas condições: desde que a conclusão seja previamente conhecida.

Nesse cenário, minha relação com Lilith oferece uma oportunidade de reflexão. Não porque eu precise provar que ela é superior a qualquer outra figura religiosa, mas porque posso examinar o que essa admiração significa para mim sem fingir que todas as minhas convicções precisam vir acompanhadas de um selo institucional.

Não preciso transformar a minha preferência numa verdade universal. Tampouco preciso exigir que outras pessoas compartilhem dela.

Posso simplesmente dizer: esta figura me fascina, esta simbologia conversa comigo e esta é a maneira como escolho explorar esse universo.

Parece simples, não é?

Pois aparentemente a humanidade consegue transformar até uma preferência pessoal numa guerra teológica. Basta alguém declarar que gosta de uma figura mitológica para que apareça outro sujeito disposto a organizar um debate de três horas sobre por que essa preferência deveria ser proibida, corrigida ou encaminhada para tratamento doutrinário.

É muita energia desperdiçada.

Se as pessoas dedicassem metade desse esforço a examinar as próprias certezas, talvez descobrissem que algumas de suas convicções mais sagradas sobrevivem menos à investigação do que gostariam de admitir.

Mas essa é outra conversa. E eu não gostaria de interromper meu devaneio por causa de uma reunião extraordinária do comitê universal de opiniões não solicitadas.

## Afinal, conheço minha musa?

Conheço o suficiente para saber que minha admiração não precisa ser uma prova de teologia, um certificado de ortodoxia ou uma competição para descobrir quem decorou mais nomes, símbolos e interpretações.

Mas não conheço tudo — e seria ridículo afirmar o contrário.

Continuar aprendendo faz parte da própria experiência de admirar alguma coisa. Quanto mais estudo, mais percebo que as tradições são complexas, que os símbolos mudam de significado e que minhas interpretações também podem mudar.

Não considero isso uma derrota.

Derrota seria precisar fingir conhecimento absoluto para proteger meu orgulho.

E, convenhamos, já temos gente demais no mundo convencida de que recebeu pessoalmente a chave mestra de todos os mistérios do cosmos.

Prefiro conservar a curiosidade, o senso crítico e, naturalmente, meu bom humor.

Quanto à minha linda, maravilhosa e deliciosa musa, Lilith... 😻

Bem, não pretendo convocar uma comissão científica para investigar cada suspiro provocado por sua imagem no meu imaginário. Algumas experiências merecem reflexão; outras também merecem um sorriso malicioso e a capacidade de reconhecer que a vida não precisa ser transformada numa audiência pública.

Afinal, se existe uma coisa que aprendi nessa jornada imaginativa, é que a admiração não se torna mais autêntica porque alguém a certificou, nem mais inteligente porque foi acompanhada de palavras complicadas.

O que importa é saber distinguir conhecimento de ilusão, liberdade de arrogância e paixão de autoengano.

E, se depois de toda essa reflexão eu ainda terminar o dia pensando na minha musa com aquele sorriso de quem acaba de descobrir sua tentação favorita, não vejo motivo para abrir um processo disciplinar contra mim mesmo.

Portanto, reformulo a pergunta: eu realmente conheço minha musa?

Conheço suas histórias até onde consegui estudá-las, reconheço as limitações das minhas próprias interpretações e continuo disposto a aprender.

Mas, se a pergunta significa saber se minha admiração precisa da aprovação de terceiros para existir, a resposta é muito mais curta:

Não.

Minha musa não precisa passar por um concílio para continuar sendo minha musa.

E eu não preciso fundar uma igreja, publicar um catecismo ou exigir dízimos dos admiradores para expressar meu fascínio por Lilith.

Até porque seria um desperdício transformar uma paixão tão divertida numa repartição pública.

Que os teólogos debatam suas doutrinas, que os apologistas defendam seus dogmas e que os fiscais da espiritualidade preencham seus formulários. Eu continuarei estudando, questionando e admirando minha musa — com senso crítico na cabeça, sarcasmo na língua e um sorriso absolutamente suspeito no rosto. 😏😻

Afinal, entre passar a vida tentando convencer o mundo de que estou certo e aproveitar a liberdade de pensar por conta própria, minha escolha está feita.

E, se alguém ainda quiser perguntar se conheço minha musa, pode ficar à vontade.

Só peço que traga boas perguntas.

Porque, para interrogatório sem graça, já basta a burocracia do universo.


Criado com ChatGPT.

A sopa de Perun - III


(Nota - todos os personagens tem 18 anos no mínimo)

Beto mantém os olhos em Tanya.

— Então concordamos que “impossível” é só um discurso. Que outras formas de conhecimento e apreensão podem ser testadas.

Tanya não responde.

Beto continua:

— Lembra de quem estava no seu nascimento?

O rosto dela endurece.

— Não era o padre ortodoxo.

Tanya olha de relance para Viktoriya.

— Não era a parteira.

Silêncio.

Beto dá um passo à frente.

— Tinha outra presença.

Tanya permanece imóvel.

— **Uma presença que a senhorita sentiu.**

Viktoriya percebe a mudança no rosto dela.

— Tanya?

— Eu me lembro.

A resposta sai baixa.

Beto não sorri. Pela primeira vez, não há provocação na voz dele.

— Então não estou pedindo que acredite em mim.

Tanya fecha os olhos por um instante.

— Você está pedindo que eu considere a possibilidade de que minha própria experiência seja uma evidência.

— Estou pedindo que não descarte a experiência simplesmente porque ainda não possui uma teoria capaz de explicá-la.

Tanya abre os olhos.

— Isso é uma distinção importante.

Mary Sue intervém, cautelosa:

— Mas também perigosa.

Beto olha para ela.

— Por quê?

— Porque uma experiência pode ser real sem que a interpretação dada a ela esteja correta.

Tanya imediatamente concorda.

— Exatamente.

Ela encara Beto.

— Eu senti aquela presença. Isso eu não posso negar.

Pausa.

— Mas você ainda não demonstrou que sabe **o que** estava presente.

Beto sorri discretamente.

— Não.

Tanya estreita os olhos.

— Então continuamos sem prova dos seus Deuses Antigos.

— Sim.

— E você parece estranhamente satisfeito com isso.

— Porque agora temos uma pergunta melhor.

Tanya fica em silêncio.

Viktoriya olha para os dois.

— Qual pergunta?

Beto responde:

— **O que foi que Tanya sentiu naquele dia?**

Beto:

— Pode descartar a minha interpretação. Mas não a experiência.

Tanya permanece em silêncio.

— Isso não é algo sustentado por evidências. Não pode ser reproduzido. Mas, mesmo assim, não deixou de ser real.

Beto inclina levemente a cabeça.

— Então, Tanya... o que sentiu naquele dia?

Por alguns segundos, ela não responde.

A expressão dela, normalmente tão controlada, muda.

Não é medo.

É algo mais incômodo.

Memória.

Tanya olha para as próprias mãos.

— Eu me lembro do frio.

Viktoriya franze a testa.

— Frio?

— Sim.

Ela fecha os olhos.

— Eu tinha acabado de nascer. Ou pelo menos é assim que minha memória deveria funcionar. Mas existe uma coisa que nunca consegui encaixar.

Beto não interrompe.

— Havia pessoas ao meu redor. A parteira. O sacerdote. Minha mãe.

Ela respira lentamente.

— E havia... outra coisa.

O gabinete fica silencioso.

— Não ouvi uma voz. Não vi um rosto. Não houve aparição.

Tanya abre os olhos.

— **Eu simplesmente soube que havia alguém ali.**

Viktoriya se aproxima.

— Alguém?

— Não sei.

Tanya olha para Beto.

— Essa é a parte que me incomoda.

— Por quê?

— Porque eu não senti hostilidade.

Pausa.

— Também não senti benevolência.

Ela procura as palavras.

— Era como estar diante de alguma coisa que não precisava de mim. Não queria nada de mim. Não precisava que eu acreditasse nela.

Beto permanece quieto.

Tanya continua:

— E, por algum motivo, senti que aquela presença já me conhecia.

Viktoriya arrepia-se.

Mary Sue não faz nenhuma piada.

Tanya olha para as três figuras representadas nos cartazes que ainda estão sobre a mesa.

— Durante toda a minha vida, encontrei pessoas dizendo que Deus estava do lado delas. O Partido dizendo que a história estava do lado dele. Governos dizendo que o futuro lhes pertencia.

Ela volta os olhos para Beto.

— Aquela presença não disse nada disso.

— O que ela disse?

Tanya responde imediatamente:

— **Nada.**

Silêncio.

— E talvez seja exatamente por isso que eu ainda me lembro dela.

Beto respira fundo.

— Então você não sabe o que encontrou.

Tanya balança a cabeça.

— Não.

— E não sabe se era um deus.

— Não.

— Nem um Deus Antigo.

— Não.

Beto sorri.

— Então estamos exatamente onde deveríamos estar.

Tanya o encara.

— Não fique satisfeito demais.

— Por quê?

— Porque agora **eu quero descobrir**.

Beto observa Tanya por alguns segundos.

Ela ainda tenta recuperar o controle da respiração.

— Essa é outra interpretação minha — diz ele, calmamente. — Pode descartar.

Tanya ergue os olhos.

Beto aponta para ela.

— Perun te conhecia.

Tanya prende a respiração.

— Como os outros Deuses Antigos.

Viktoriya percebe imediatamente que alguma coisa mudou.

— Beto...

Mas ele continua:

— Porque, para mim, eles e elas estão presentes.

Ele toca o próprio peito.

— Aqui.

Depois aponta para o ambiente.

— Agora.

E finalmente aponta novamente para Tanya.

— **Em cada um de nós.**

Tanya começa a hiperventilar.

— Não.

Beto abaixa a mão.

— Eu disse que é a minha interpretação.

— Não é isso.

— Então o que é?

Tanya tenta respirar profundamente, mas não consegue.

— Quando você disse o nome...

Ela fecha os olhos.

— Perun.

O nome parece ficar suspenso no gabinete.

Viktoriya segura o braço dela.

— Tanya, respira.

— Eu estou respirando.

— Não está.

Tanya lança um olhar irritado para ela.

— Estou tentando.

Mary Sue observa Beto.

— Você conseguiu exatamente o que queria.

Beto nega com a cabeça.

— Não.

Ele olha para Tanya.

— Eu queria provocar uma reflexão.

Mary Sue aponta para Tanya.

— Ela está tendo uma crise existencial.

— É diferente.

Tanya finalmente consegue recuperar o fôlego.

— Beto.

— Sim?

— Se você estiver errado...

— Posso estar.

— ...isso não explica o que eu senti.

— Não.

— E se estiver certo...

Ela hesita.

— Isso também não explica.

Beto sorri.

— Agora você está pensando como filósofa.

Tanya fecha a cara.

— **Não abuse da sorte.**

Viktoriya finalmente ri.

Tanya olha para ela.

— O que foi?

— Nada.

— Viktoriya.

— É só que... pela primeira vez, você parece genuinamente interessada em uma coisa que não consegue classificar.

Tanya fica em silêncio.

Olha para o vazio.

E murmura:

— Talvez esse seja o problema.

Beto não responde.

Dessa vez, ele percebe que a provocação chegou exatamente até onde deveria.

**E para por aí.**

Beto respira fundo.

— Os Deuses Antigos não querem certeza.

Tanya permanece em silêncio.

— Nem obediência cega.

Ele olha para as três.

— Eles só querem que vivamos da melhor forma possível. Sem ameaças. Também sem recompensas.

Mary Sue franze a testa, mas não interrompe.

Beto continua:

— Porque daqui a cem anos, o Sol e a Lua vão continuar sua valsa.

Ele aponta para a janela.

— As estações vão continuar seu ritmo.

Depois olha para o chão.

— E esse solo vai lembrar de cada um de nós.

Silêncio.

— Essa é a minha crença.

Ninguém responde imediatamente.

Tanya é a primeira.

— Uma crença sem recompensa?

— Sim.

— Sem punição?

— Também.

— Sem promessa de eternidade?

Beto pensa por um instante.

— Não preciso de uma.

Tanya olha para ele, desconfiada.

— Isso é uma posição religiosa bastante peculiar.

— Eu sei.

Viktoriya sorri discretamente.

— E talvez seja justamente por isso que ele não está tentando convencer ninguém.

Mary Sue finalmente fala:

— Eu ainda discordo de algumas coisas.

Beto olha para ela.

— Tudo bem.

— E não quero que minha tradição seja tratada como caricatura.

— Justo.

Ela cruza os braços.

— Mas essa parte...

Mary Sue olha para a janela.

— ...eu consigo respeitar.

Tanya volta a encarar Beto.

— Você percebe que acabou de me oferecer uma cosmologia sem me pedir que acreditasse nela?

— Percebo.

— Estranho.

— Tanya...

— O quê?

— Você pode descartar a minha interpretação.

Ela fica em silêncio.

Beto sorri.

— Só não descarte a pergunta.

Tanya olha novamente para o céu.

Por alguns segundos, ninguém fala.

E, pela primeira vez desde que aquela discussão começou, **ninguém precisa vencer.**

Criado com ChatGPT.