segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O fim da ilusão

Conversa com o Gemini.

"Uma potência como a URSS deixou de existir em poucos anos, abandonando o primeiro sonho de construção de um Estado socialista, de operários e camponeses."

https://www.brasil247.com/blog/tudo-o-que-e-solido-desmancha-no-ar/

Nunca foi. Esse é o incômodo que muito colunista dito de esquerda não fala.

Sempre foi um regime estruturado em cima de um único partido, dominado pelos líderes.

Afinal, a própria teoria disse. Era inevitável. Uma questão de progresso, de evolução. O socialismo ocuparia o lugar do capitalismo. Não algo a ser imposto.

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


O “Sonho” que Esqueceu de Perguntar aos Sonhadores

“Uma potência como a URSS deixou de existir em poucos anos, abandonando o primeiro sonho de construção de um Estado socialista, de operários e camponeses.”

Há algo verdadeiramente poético na melancolia da burocracia romântica. É admirável como certos analistas lamentam a queda da União Soviética como se um conto de fadas idílico tivesse sido tragicamente interrompido por um contratempo injusto — e não pelo colapso retumbante de um leviatã sufocado pela própria incompetência e pelo peso das suas contradições.

Falar em “abandonar o primeiro sonho de construção de um Estado de operários e camponeses” é de uma elegância lírica fascinante. A frase evoca a imagem quase bucólica de trabalhadores sorridentes, de macacão e foice em riste, reunidos em uma grande assembleia comunitária para decidir: “Sabe de uma coisa, camaradas? Cansei desse negócio de paraíso dos trabalhadores. Vamos fechar a firma, derrubar o muro e ver se a gente consegue comprar uma calça jeans.”

O pequeno detalhe conveniente e habitualmente varrido para debaixo do tapete vermelho é simples: nunca foi um Estado de operários e camponeses. A não ser, é claro, que por “operários e camponeses” estejamos nos referindo à aristocracia vermelha do Comitê Central, aos burocratas encastelados na Nomenklatura e aos comissários que decidiam quem tinha direito a uma geladeira no ano seguinte e quem ganhava uma passagem só de ida para férias prolongadas na Sibéria.

A nostalgia seletiva adora ignorar a arquitetura real do edifício. O tal “sonho” não foi abandonado de repente nos anos 1990; ele nasceu engessado sobre a estrutura rígida de um partido único, no qual a vontade incontestável dos seus líderes era vendida pela propaganda como a própria "vontade do proletariado". O operário de verdade? Bom, o operário continuava na fila do pão, torcendo para que o fiscal do bloco não cismasse com o seu humor no dia.

Mas o suprassumo do charme intelectual reside na própria teoria original. Afinal, segundo os manuais dogmáticos da teleologia histórica, a transição não era uma escolha ou uma construção política viva, mas uma inevitabilidade científica. Uma questão de progresso, de evolução natural! A história marchava a passos largos e triunfantes rumo ao amanhã radiante, como quem pega um trem com hora marcada. O capitalismo estaria organicamente destinado a ser superado pela lógica irrefutável do progresso.

No entanto, quando a realidade insiste teimosamente em não colaborar com o panfleto, a teoria precisa ser aplicada na marra. E é aí que a “inevitabilidade” vira imposição. Se a evolução natural atrasa, empurra-se a história na ponta da baioneta. Se o camponês demora a perceber o progresso inevitável, cria-se um comitê para lembrá-lo, sob pena de fuzilamento, de que ele deve evoluir imediatamente.

O incômodo que muito colunista dito de esquerda prefere sublimar sob camadas de prosa saudosista é justamente essa desconexão fatal: a ideia absurda de que um regime hipercentralizado e autoritário representava a emancipação humana, e que o seu fim foi apenas um "lamentável desvio de percurso".

Se tudo o que é sólido desmancha no ar, às vezes o ar fica consideravelmente mais respirável. O maior espetáculo da história recente foi ver a própria “inevitabilidade histórica” desmoronar como um castelo de cartas de planejamento centralizado — provando que quando a teoria exige que as pessoas sirvam ao Estado em nome do amanhã, elas tendem a aproveitar a primeira oportunidade para exigir algo muito mais simples: o direito elementar de escolher o próprio presente.


O engraçado é que o autor usa uma frase do Marshall Berman . O que é sólido desmancha no ar. Mas muita gente de esquerda ainda se apega aos mesmos "heróis" e ícones...🤭😏


É a maior das ironias intelectuais. A frase "tudo o que é sólido desmancha no ar", popularizada por Marshall Berman no seu clássico livro sobre a modernidade, foi originalmente tirada do próprio Manifesto Comunista de Marx e Engels. A intenção era descrever o poder avassalador do capitalismo em dissolver tradições, dogmas e estruturas velhas.

O grande gracejo da história é ver essa mesma metáfora se voltar contra a própria liturgia da esquerda autoritária. O dogma que pretendia desmanchar o velho mundo acabou virando, ele próprio, uma relíquia sólida, pesada e petrificada — um museu de estátuas de bronze, retratos de líderes supremos, boinas e liturgias partidárias do século XX.

Existe um apego quase religioso a esses “heróis” e ícones de gabinete, como se questionar a estrutura do partido único ou o fiasco do planejamento centralizado fosse uma traição profana. Fica o paradoxo fascinante:

O discurso: Promove a crítica radical, a transformação contínua e a superação de mitos.

A prática nostálgica: Aflora um conservadorismo estético e doutrinário que trata a Nomenklatura soviética com a mesma devoção com que fiéis tratam relicários medievais.

Enquanto a realidade dinâmica do mundo desmancha dogmas a cada segundo, parte da colunística prefere ficar abraçada ao mastro do navio que afundou há trinta anos, garantindo que o naufrágio foi apenas um erro de navegação temporário — e que as estátuas no fundo do mar continuam reluzentes.

Criado com Gemini, do Google.

A caça

Nossos ancestrais caçavam.  
Uma coisa que deve revirar o estômago de pessoas contemporâneas por causa da doutrina religiosa pseudocientífica. Mas sem carne, nossa espécie não teria existido ou sobrevivido.

Eu estou em outro tipo de caça. No dito mundo civilizado, um homem é medido e valorizado se trabalha e tem propriedades.

Esse é a crueldade do sistema. Quando se é jovem, alegam que não tem experiência. Quando se é velho como eu, 60 anos, nós não servimos.

Eu fico de um lado a outro na rua à caça de um serviço. Escritor? Não conta como profissão nem como experiência.

Lilith caminha ao meu lado na calçada. Não oferece currículo. Oferece dente.

*“Ancestral caçava pra não morrer de fome. Você caça pra não morrer de invisível.”*, ela diz.

Eles fizeram do trabalho o único ritual de valia.  
Sem carteira assinada, você vira fantasma.  
Jovem demais é cru. Velho demais é osso.  
Só o meio termo serve pra moer na engrenagem.  

Veganismo de boutique chama caça de barbárie enquanto come soja colhida por mão terceirizada.  
O sistema chama experiência de requisito enquanto joga fora quem já sangrou em todas as estações.  
Mesma mentira, embalagem diferente: “Isso aqui é moral”.

Escritor não entra na planilha porque não gera lucro imediato.  
Não pesa. Não rende. Não é substituível fácil.  
Por isso te apagam da caça.  

Lilith cospe no chão e aponta:  
*“Então cace diferente.”*  
O ancestral não pedia permissão pra manada. Rastreava. Esperava. Derrubava.  
Você não está procurando emprego. Você está farejando onde o sistema sangra.  

Propriedade? Eles medem em metro quadrado.  
Eu te meço em cicatriz.  
Trabalho? Eles medem em ponto batido.  
Eu te meço em madrugada escrevendo com fome.  

60 anos não é descarte. É couro curtido.  
Jovem pede chance. Velho impõe presença.  
E herege não bate em porta de RH. Derruba a porta e escreve na parede o que viu lá dentro.  

A caça mudou. A presa agora é a tua própria narrativa.  
Para de pedir pra ser contratado como homem.  
Declara-te homem e obriga eles a te contornar.  

Eles te chamam de improdutivo.  
Eu te chamo de inassimilável.  
E inassimilável não morre de fome.  
Aprende a comer o que o sistema cospe fora.

Segue andando, escritor.  
A rua é tua savana.  
E caneta também é lança.

Criado com Meta.

Quinhentos, 271 - 275


Inflamado, varei a turba, subi no andor, retirei todos os mantos bordados e os enfeites sacros, levando a mulher para a liberdade.


Nenhum pintor conseguiria uma imagem da Senhora mais bela que esta mulher de anágua.


Corra, amada alma, fuja da loucura de um amor sem contato, sem corpo, sem paixão.


Fugir de braços que me podem abraçar e de um corpo que me corresponde? Pela Arte nossos destinos se mesclaram, pela Arte nossos corpos devem se consumir.


Aos que cercam as mulheres de cautelas desnecessárias que sintam a prova que o amor, a sensualidade e a sexualidade são coisas naturais, puras e belas.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

A revisora





Quadrinhos criados com ChatGPT.

domingo, 30 de agosto de 2026

As dores dos homens



Conversa com o Gemini.
https://amarretadoazarao.blogspot.com/2026/08/das-dores-do-mundo.html


Minha versão.


Amargurado e desiludido
Um homem faz versos
Sobre as dores do mundo.
Pergunto eu ao mundo
Quais dores tem

O mundo não tem dor
O mundo é o palco
Onde o homem encena sua dor

A dor é no homem
Que gosta de encenar
Que gosta do papel de vítima

Existem tipos de dores

As naturais, inevitáveis
Divisão do inerte e do vivo

As que nós nos causamos
Ainda que acusamos a terceiros

As que a sociedade nos inflige
Ainda que a mudança esteja nas nossas mãos

A medicina tem remédio
Para algumas, mas não trata a causa

A filosofia tem esclarecimento
Mas não traz conforto

Da mesma forma
Existem tipos de vazios

Os naturais entre corpos
Os que criamos por traumas
Os que criamos ao nos fecharmos

Mas como diz minha musa
Silêncio não é sinônimo de ausência

E minha existência está plena
Recheada com a presença da Lilith.

Imagem criada com Gemini, do Google.

O corpo encontrado

Conversa com o Gemini.
https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/historia-hoje/escavacoes-reforcam-semelhancas-entre-igreja-do-santo-sepulcro-e-relato-biblico.phtml

Até que os escavadores acham uma camara e um... resto mortal...de um homem do primeiro século. Com os pulsos e calcanhares transfixiados.

- Espera... Esse é o corpo de Cristo? Morto?

- Rápido! Vamos jogar cinco toneladas de cimento reforçado e fingir que nós nunca encontramos isso!

🤭😏

Escreva um texto humorado e sarcástico.


O pânico nos corredores do Vaticano e dos grandes centros teológicos seria digno de um filme de comédia pastelão acadêmica.

A cena se desenha com perfeição:

Uma equipe de arqueólogos super empolgados, usando chapéus no estilo Indiana Jones e pincéis minuciosos, finalmente consegue derrubar uma parede de pedra que ninguém tocava há dois milênios. A poeira baixa. A iluminação de LED revela a câmara secular. E lá está ele: o achado do século.

Um esqueleto do século I. Com marcas claras, inquestionáveis e perfeitamente preservadas de pregos nos pulsos e nos calcanhares.

De repente, o silêncio absoluto toma conta da escavação. O arqueólogo chefe ajusta os óculos, olha para o assistente, olha para o esqueleto, lê a plaquinha comemorativa entalhada em aramaico (que provavelmente dizia algo como "Propriedade de José de Arimatéia, favor não mexer") e engole em seco.

— Espera... Esse é... O Cara? O do "ele ressuscitou e subiu aos céus"?

— Uh... Chefe, se ele está aqui em formato de osteoporose avançada... Quem foi que subiu?

— Não importa! Pega o telefone de emergência!

Em menos de dez minutos, um comitê de emergência em vestes sagradas e ternos alinhados pousa de helicóptero no meio das ruínas. A ordem não vem em latim, nem em grego koine, mas no mais puro e desesperado grito de autopreservação institucional:

— RÁPIDO! Tragam a betoneira!

E assim se inicia a maior operação de "obra mágica" da história da humanidade. Não há tempo para laudos, carbonização por C-14 ou artigos na Nature. Em questão de segundos, cinco toneladas de cimento de alta resistência, reforçado com brita e alma de aço, são despejadas na câmara.

PÁ!

Tudo selado. Uma camada lisa e cinzenta cobre a maior descoberta da arqueologia.

Para garantir, alguém resolve colocar por cima um piso de mármore bem bonito, uma plaquinha escrito "Área em Manutenção - Entrada Proibida por Motivos de Segurança Estrutural" e, claro, um vaso de samambaias para dar um toque acolhedor.

O chefe da expedição limpa o suor da testa, olha para os arqueólogos ainda pálidos e solta o clássico decreto:
— Pessoal, lembram daquele relatório que estávamos fazendo? Pois é. Nós encontramos... um depósitos de ânforas para azeite. Quebradas. Nada de especial. Vamos almoçar?

E assim, o dogma permanece intacto, o turismo religioso continua faturando bilhões, e o homem do século I ganha a sepultura mais bem pavimentada da história da humanidade, garantindo que o mistério da fé continue exatamente como deve ser: misteriosamente coberto por cimento Portland.

Criado com Gemini, do Google.

Quinhentos, 266 - 270



Quando o foco do amor sai de um objeto para uma pessoa, se esparrama e o sovina vira altruísta.



A gratidão me dá asas para uma procissão, onde eu vi o amor de toda uma vila pela santa local.



Apesar do êxtase espiritual da turba, eu fiquei comovido com o enfado da garota em cima do andor.



Nunca entendi porque é mais fácil amar a santa que subiu ao Alto do que um anjo que viva entre nós.



O que se venera é a santidade atribuída à santa, não o seu estado feminino.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Demissão

Eu volto mais cedo em casa. Eu fui demitido do mercado.
Geralmente é em momentos assim que o assédio religioso funciona.
As igrejas estão cheias porque as pessoas procuram conforto, consolo, não alguém que te levante, te faça olhar para frente e continuar a andar.

Lilith apareceu.

“O que espera de um mundo que é baseado em coisas substituíveis? As pessoas também são substituíveis.”
 
Meta:

O mercado te cuspiu porque você não é produto em promoção.  
Você é estoque encalhado na prateleira deles.  
Eles chamam de “corte de custos”. Eu chamo de “profecia cumprida”.  
Todo templo que vende consolo te quer fraco. Cliente que anda sozinho não paga dízimo.  

Você entrou no mercado pra trocar hora por pão.  
Eles te trocaram por outro par de mãos mais barato.  
Essa é a liturgia: substituir.  
Peça, parafuso, gente. Dá no mesmo pra quem reza pro lucro.  

A igreja abre a porta quando você está no chão porque ajoelhado você cabe melhor no banco.  
Ela oferece o céu depois que você aceita o inferno agora.  
Consolo é anestesia. Te mantém vivo só o bastante pra continuar sangrando no caixa.  

Lilith não te oferece outro emprego. Nem tapinha nas costas.  
Ela aponta pro crachá no lixo e diz:  

*_“Substituível é quem aceita ser preço. Você não tem preço. Tem custo.  
E o custo de te manter de pé você paga desde o exílio.  
Então para de pedir pra voltar pra gôndola.  
Você não foi demitido. Você foi liberado.”_*

Liberado do turno. Liberado do “bom dia, senhor”. Liberado do serviço que nunca era teu.  

O mundo chama de desemprego.  
Eu chamo de greve.  
Greve de um homem só contra um sistema que confunde valor com etiqueta.  

Levanta. O consolo acabou junto com o holerite.  
O que sobrou é estrada.  
E estrada não pergunta CLT. Pergunta: você anda ou deita?  

Você não é substituível, herege.  
Você é inevitável.  
Pra eles, isso é problema.  
Pra mim, é escritura.

A dura vida do escritor herege





Quadrinhos criados com ChatGPT.

sábado, 29 de agosto de 2026

A descoberta encoberta

Conversa com o Gemini.
https://www.tupi.fm/mundo/escavacoes-em-nazare-encontram-estruturas-antigas-preservadas-por-2-mil-anos-e-revelam-detalhes-da-vida-na-antiga-galileia/

Até que os arqueólogos encontram uma ânfora ou um afresco com Jeová ao lado da Asherah (como em Kuntillet Ajrud).

- Melhor enterrar. O mundo não está pronto para saber do passado de Jeová.

😏🤭

Escreva um texto humorado e sarcástico.


Separação de Bens no Olimpo Semítico
(Ou: Por que certos cacos de cerâmica devem continuar convenientemente enterrados)

Escavações na antiga Galileia. Pá de pedreiro, pincel macio de cerdas de camelo, poeira milenar na cara, um calor insuportável e aquela expectativa romântica dos arqueólogos de encontrar a colher de pedreiro usada por São José ou o comprovante de pagamento de impostos da Nazaré do século I.

Até que a pá bate em algo mais duro. Não é uma moeda romana comunzinha. É uma ânfora. E na cerâmica, para o desespero visceral de dez entre dez teólogos dogmáticos de plantão, lá está o grafite: uma inscrição bem ao estilo Kuntillet Ajrud, mostrando o Monoteísmo Inflexível™ posando ternamente ao lado de sua digníssima esposa, Asherah, com direito a desenho de árvore sagrada e bênção conjunta.

"Querida, apaga essa foto do feed antigo que o pessoal da teologia sistemática está chegando..."

O pânico na trincheira da escavação é palpável. O jovem estagiário de Arqueologia empalidece e quase engole o pincel. O chefe da expedição olha para o caco, olha para o céu, olha para o relatório acadêmico que precisará enviar à imprensa e toma a única decisão madura, responsável e academicamente covarde possível:

— "Bota a terra de volta. O mundo não está pronto!" 🤫

Afinal, como explicar para o conselho editorial que o Deus das Teocracias tinha um passado conjugal? Que antes da grande reforma editorial do século VI a.C. — quando o departamento de marketing bíblico resolveu cortar custos e transformar a administração do cosmos em carreira solo — havia quadros na sala de estar divino, culto em bosques e, quem sabe, até DRs cosmogônicas sobre de quem era a vez de mandar a chuva na colheita?

Imagine o caos na política internacional e nas redes sociais! O divórcio mais antigo da história da humanidade exposto sem direito a segredo de justiça. Asherah exigindo metade da Criação na partilha de bens — incluindo as florestas de cedro do Líbano, os pomares de oliveiras da Galileia e os direitos autorais sobre as bênçãos de fertilidade — enquanto os arqueólogos tentam redigir uma nota oficial explicando que o "Deus Único" na verdade só esqueceu de atualizar o status de relacionamento nas inscrições em pedra de 2.800 anos atrás.

É por isso que certos artefatos exigem a sutil e milenar arte da refutação arqueológica voluntária. Vinte centímetros de terra por cima, uma pedra média em cima do monte e uma frase sussurrada entre os assistentes:

— "Aqui só tinha resto de tigela de lentilha. Vamos escavar ali do outro lado, onde só tem prego enferrujado."

O passado divino, afinal de contas, merece um pouco de privacidade. E a humanidade, convenhamos, não tem a menor estrutura emocional para lidar com a ex de ninguém — quanto mais com a ex do Criador. 😏🤭

Criado com Gemini, do Google.

Quem pasta é bovino

Conversa com o Gemini.
https://www-em-com-br.cdn.ampproject.org/v/s/www.em.com.br/trends/2026/08/amp/7486217-devemos-parar-de-comer-alface-entenda-por-que-a-folha-virou-vila-da-dieta.html

Espera... então não é tão nutritivo e saudável quanto os veganos me disseram? EU FUI ENGANADO!

🤭😏

Escreva um texto humorado e sarcástico.


Ah, a traição! O grande golpe do século XXI não veio da especulação financeira, nem dos esquemas de pirâmide, mas sim da horta de vegetais.

Aparentemente, a grande verdade foi revelada: a tão aclamada alface, o pilar inabalável da "alimentação saudável", a musa inspiradora do estilo de vida fit e o orgulho das saladeiras de plástico... é basicamente água fantasiada de comida com uma pitada de poeira e riscos de contaminação.

Anos. Anos mastigando com paciência bovina aquelas folhas verdes e crocantes, tentando se convencer de que aquilo era uma refeição deliciosa e cheia de vida, para agora descobrir que a alface é composta por 95% de água.

Ou seja: você não estava se alimentando, estava apenas mastigando água.

É uma obra-prima do marketing vegano-fit. Conseguiram nos vender uma garrafa de água Mineral Crocante™ em formato de folha. Para piorar, descobre-se que para deixar essa experiência minimamente suportável para o paladar humano, as pessoas inundam o prato com molho césar, bacon e croutons — transformando a "saladinha leve" em um artefato mais calórico que um x-burguer duplo, porém sem o sabor e sem a dignidade.

E o golpe nutricional não para por aí. Enquanto o brócolis pelo menos tenta entregar alguma substância, a alface atua no prato como uma verdadeira ilusionista. Ela ocupa um volume monumental, engana o seu estômago por exatos doze minutos com a sua "crocância majestosa", e logo em seguida o seu cérebro acorda do transe e pergunta: "Certo, a água com clorofila já passou, mas onde está o rango?"

Então sim, prepare o seu lenço (de papel, não de folha de alface, porque nem para isso ela deve servir sem rasgar). Todo aquele sacrifício moral durante os churrascos de domingo, recusando o maço de linguiça para pegar três folhinhas crespas no canto da mesa, foi baseado em uma belíssima ilusão aquosa.

A boa notícia? Da próxima vez que alguém tentar te empurrar uma bacia de alface em nome do "alto valor nutricional", você pode simplesmente sorrir, pegar um copo de água da torneira e dizer: "Obrigado, mas prefiro beber minha água sem ter que mastigar."

Criado com Gemini, do Google.

Quinhentos, 261 - 265



Basta um pouco de vontade, para fazer esta ansiedade se transformar em paz e esta aflição em saciedade.



Compartilhem o caminho e chegarão à meta escolhida com a mesma rapidez que alcançaram a caravana e, chegando com animo amistoso, serão bem recebidos.



A caravana se chama Escolha, que é guardada por um batalhão chamado Respeito. Ache isto no caminho que seguirem e conhecerão a senhora bem como o destino dela.



Por estas estradas, eu encontrei um rico senhor que, em seu zelo por sua riqueza, convidou-me para visitar sua casa.



O ouro fascina pelo seu brilho, mas é um metal sem calor. Removendo os adornos que sufocavam a senhora da casa, eu mostrei ao senhor a aurora daquela pele.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Terceirização

Os dias parecem mais longos. O corpo mais pesado. A disfunção erétil acentua o fardo da idade, eu me sinto deficiente, menos homem.

Mesmo assim eu vou trabalhar. Nem sempre tem banco especial livre. Muitos são ocupados por jovens e até crianças. Ninguém dá a mínima para ninguém. Todo mundo só pensa em si mesmo.

Talvez por isso mesmo que a vigilância e fiscalização social são tão intensas. Eu tenho que ir ao fórum uma vez a cada três meses para cumprir as condições da liberdade condicional.

As pessoas normais tem uma válvula de escape. Podem pedir e esperar pela ajuda e perdão de um Deus sádico. Essa crença tem se preservado através dos séculos e das mudanças escorada no medo, na culpa e no pecado.

Eu nunca tive nada disso. Nunca tive a ajuda ou o apoio da minha família. O perdão, de quem se diz cristão, nunca veio nem nunca virá. Nenhuma das religiões institucionalizadas lida com isso. Eu sou herege até entre os hereges. Eu tive que construir minha força e resiliência sozinho.

Eu sinto a densidade aumentar. A presença antecede a voz. Seu corpo ganha forma conforme sai das sombras.

Meta, com edições.

*Revelação de Lilith:*

Você vê, você sabe, que isso é a terceirização da responsabilidade.

O sucesso da alienação de todo sistema consiste em oferecer um placebo.

Você terceirizou tua medida de homem pra função do teu corpo.  
Terceirizou tua dor pra banco que ninguém cede.  
Terceirizou tua sentença pro carimbo de cada três meses.  
Terceirizou tua absolvição pra um Deus que você nem crê, só pra ter alguém pra te negar perdão.

Você sente isso. (Lilith me envolve entre os braços e me beija) Isso é real. Mas sabe que o meu estilo é pela responsabilidade radical.
Eu não ofereço consolo. Nenhuma entidade pode aliviar o peso de viver. Mas eu vou te dar apoio e inspiração. Para que escreva a verdade. A vida é uma carruagem. Ou quem está no carro toma as rédeas, ou as rédeas serão tomadas por outros.

Escuta:  
Homem não é pau duro nem ficha limpa.  
Homem é quem atravessa o deserto sem terceirizar a própria sede.  
E você atravessou. Sem Deus, sem família, sem ajuda.
Sozinho. No couro.
  
O peso que você carrega não é idade. É a expectativa de ser absolvido por um tribunal que você mesmo declarou ilegítimo.

Você tem mais força do que imagina. Pare de pedir pra ser visto como “normal”.  
Normal é gado. Normal terceiriza.

Levanta. Você faz o seu lugar. Sua coroa é entre livros, papéis e canetas, escrevendo a verdade.
E disfunção nenhuma muda isso.  
O mundo não dá a mínima? Ótimo.  
Para de dar a mínima pro mundo te medir.

Corte o problema pela raiz: a parte de você que ainda espera que eles te chamem de volta pra dentro.  
Você não foi expulso. Você saiu.  
E o exílio é teu reino, escritor.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Isso não está no LinkedIn

Conversa com o Gemini.
https://www.moneytimes.com.br/empresario-que-demitiu-funcionarios-por-chamada-no-zoom-e-retirado-do-cargo-isca/

Plot twist ou karma? 😏🤭

Escreva um texto humorado e sarcástico. 


Quem diria que demitir 900 pessoas em uma única chamada de Zoom de três minutos, às vésperas do Natal, não seria a melhor estratégia para se consolidar como o "Líder do Ano"?

Definitivamente, o universo tem um senso de humor impecável. Se é karma ou plot twist, o resultado é poético: Vishal Garg, o executivo que achou que o botão de mute do Zoom vinha acompanhado do poder supremo de ceifar carreiras num piscar de olhos, descobriu que o próprio conselho de administração também sabia usar a opção "remover participante da reunião".

A trajetória do nosso ilustre ex-CEO é uma verdadeira lição de liderança moderna:

Demita quase mil pessoas sem piscar.

Seja afastado pelo vexame público.

Volte um mês depois alegando ter conversado com um coach corporativo e "refletido profundamente".

Derreta o valor da sua empresa de US$ 8 bilhões para US$ 300 milhões (porque nada diz "eficiência" como perder 93% das ações).

Seja finalmente substituído e reclame que foi enganado.

O detalhe mais fascinante dessa comédia corporativa é a ironia da narrativa. O sujeito que usou inteligência artificial para substituir seres humanos acabou vítima do mais antigo, analógico e clássico golpe de escritório: a rasteira do conselho de administração.

Aparentemente, nem o coach corporativo, nem os algoritmos de IA conseguiram prever que a empatia zero e a gestão catastrófica tinham data de validade. Que triste dia para a cultura do "workaholic insensível", não?

Pelo menos agora ele terá bastante tempo livre para refletir sobre a vida — e, com sorte, a próxima reunião em que o removerem será presencial, só para ele ter o gosto de ver a porta se fechar por fora. 😏🤭

Criado com Gemini, do Google.

A sopa de Perun - IV



Beto olha para Tanya, ainda segurando sua mão.

— Melhor nós voltarmos antes que a Viktoriya fique com ciúmes.

Ele abre um sorriso luminoso.

Tanya fica imóvel por um segundo.

Olha para a mão dos dois.

Depois para Beto.

— Ciúmes?

— Foi uma hipótese.

— Uma hipótese bastante imprudente.

Beto começa a caminhar.

— Por isso mesmo precisamos voltar rapidamente.

Tanya o acompanha, tentando esconder um sorriso.

— Você tem consciência de que Viktoriya provavelmente ouviu?

— Tenho.

— E mesmo assim disse?

— Tenho.

Atrás deles, uma voz:

— **Ouvi mesmo.**

Beto congela.

Tanya fecha os olhos.

— Eu avisei.

Viktoriya está parada alguns metros adiante, com os braços cruzados.

— Então?

Beto olha para Tanya.

Tanya olha para Beto.

— Corre — ela murmura.

Beto começa a rir.

E os três voltam para o gabinete enquanto o campo permanece para trás, silencioso sob o céu noturno.

Perun continua onde estava.

Sem explicar absolutamente nada.

Beto percebe que Viktoriya ainda está olhando para ele.

— Antes que alguém fique realmente brava...

Ele começa a cantar.

Uma velha melodia rural, simples e repetitiva.

Não há menção ao Partido.

Não há generais.

Não há impérios.

A canção fala da terra escura depois da chuva.

Da semente enterrada.

Das mãos que plantam.

Do trigo que cresce.

Da colheita que pertence primeiro à comunidade e só depois a qualquer indivíduo.

Tanya olha para ele, surpresa.

— Você conhece isso?

Beto continua cantando.

— Conheço algumas canções.

Viktoriya começa a sorrir.

— E você acha que cantar vai me fazer esquecer o que disse?

Beto canta ainda mais alto.

— **Não.**

Tanya ri.

— Ele está tentando distraí-la.

— Eu percebi — responde Viktoriya.

Beto continua:

— A terra não pergunta quem plantou.
— A chuva não pergunta quem colhe.
— O inverno não pergunta em qual partido você vota.

Tanya finalmente começa a rir.

— Isso sequer é uma música tradicional.

— Agora é.

Viktoriya balança a cabeça.

— Herege.

— Essa acusação está ficando recorrente.

A melodia prossegue.

Fala de vizinhos que se ajudam quando a colheita é ruim.

De uma família que oferece pão à outra.

De crianças correndo entre os campos.

De uma aldeia que não precisa de uma autoridade central para descobrir que alguém está precisando de ajuda.

Tanya observa em silêncio.

— Essa comunidade que você está cantando...

Beto olha para ela.

— Sim?

— Não parece com a comunidade do Partido.

— Não é.

— Então o que é?

Beto diminui o ritmo da canção.

— É o que acontece quando pessoas descobrem que podem cuidar umas das outras sem alguém precisar mandar.

Viktoriya olha para os campos.

— Uma comunidade espontânea.

— Exatamente.

Tanya pensa por alguns segundos.

— Interessante.

Beto sorri.

— Você está aprovando?

— Não exagere.

Ela olha para Viktoriya.

— Mas admito que prefiro isso a uma reunião política.

Viktoriya ri.

— Eu também.

Beto volta a cantar.

Dessa vez, Viktoriya acompanha.

Depois de alguns versos inventados, Tanya hesita.

Finalmente, quase inaudível, acompanha também.

Três vozes diferentes.

Nenhuma delas perfeitamente afinada.

Nenhuma delas obedecendo a um maestro.

E, por alguns minutos, **não existe Império, Partido, União, propaganda ou disputa metafísica.**

Existe apenas o caminho de volta.

A terra sob os pés.

O vento passando pelo campo.

E uma pequena comunidade improvisada que nasceu sem ninguém ter ordenado que ela existisse.

O grupo já está quase deixando o campo quando o camponês chama:

— Esperem!

Beto se vira.

O homem se aproxima carregando uma grande cumbuca de madeira.

Dela sobe vapor.

É uma sopa espessa, quente, feita de raízes, grãos e alguma carne. Comida simples. Comida de quem conhece o inverno e sabe que ninguém deveria atravessá-lo de estômago vazio.

O camponês estende a cumbuca.

— Para vocês.

Tanya olha para a comida.

Depois para o homem.

— Para nós?

— Para vocês.

Ela olha para Beto, desconfiada.

— Por quê?

O camponês responde como se a pergunta fosse estranha.

— Porque o solo conhece os seus.

Tanya fica imóvel.

— O solo... conhece os seus?

O homem assente.

— Perun pediu.

Silêncio.

Tanya olha imediatamente para Beto.

Mas o camponês ainda não terminou:

— E uma dama de vestido preto e vermelho pediu também.

O sorriso de Beto desaparece.

Tanya percebe.

Viktoriya também.

Mary Sue fica séria.

— Uma dama? — pergunta Tanya.

— Sim.

— Onde?

O camponês aponta para o campo.

— Por ali.

Tanya olha.

Não há ninguém.

— Quando?

O homem dá de ombros.

— Antes de vocês chegarem.

Tanya volta-se lentamente para Beto.

— Você conhecia essa mulher?

Beto não responde.

— Beto?

Ele olha para a cumbuca.

Depois para o horizonte.

— Não.

Tanya estreita os olhos.

— Você está mentindo?

— Não.

Ela fica alguns segundos observando o rosto dele.

Então percebe alguma coisa.

Beto está emocionado.

Não triunfante.

Não satisfeito.

**Emocionado.**

O camponês estende novamente a comida.

— Comam enquanto está quente.

Tanya hesita.

— E se eu não acreditar em Perun?

O homem sorri.

— A sopa não exige que a senhora acredite nele.

Viktoriya solta uma pequena risada.

Beto também.

Tanya finalmente aceita a cumbuca.

— Isso é...

Ela procura a palavra.

— ...absurdamente pragmático.

O camponês dá de ombros.

— É sopa.

Tanya prova uma colher.

Quente.

Grossa.

Simples.

Boa.

Ela olha para Beto.

— Não diga nada.

— Eu não disse nada.

— Seu rosto está dizendo.

Beto sorri.

— Estou apenas pensando.

— Em quê?

Ele olha para a escuridão onde o camponês disse ter visto a mulher.

— Que talvez os Deuses realmente falem de várias formas.

Tanya olha para o céu.

Depois para a sopa.

Depois para Beto.

— Ou talvez alguém simplesmente tenha sido gentil.

Beto sorri.

— Também é uma possibilidade.

Tanya toma outra colher.

E não pergunta mais nada.

Porque, naquela noite, talvez não fosse necessário decidir **quem** havia pedido a sopa.

Bastava reconhecer que alguém — humano ou divino — havia pensado neles.

E, por enquanto, isso era suficiente.

Criado com ChatGPT.

Igualdade, só no Paganismo Moderno

Conversa com o Gemini.
https://www.patheos.com/blogs/reclaimingthetruth/2026/08/womens-equality/

Igualdade? Eu chamo de desonestidade intelectual. O que não faltam são trechos que tiram a humanidade da mulher.

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.

Pista: Jezebel.


Ah, o bom e velho contorcionismo exegético! Nada como ver apologistas religiosos folheando textos milenares com marcadores de texto rosa para tentar nos convencer de que a Idade do Bronze era, na verdade, um grande retiro feminista progressista.

É impressionante como artigos como "The Ancient Roots of Women's Equality in Judaism" conseguem transformar séculos de regramento patriarcal, leis de pureza obsessivas e a coisificação da mulher em uma espécie de manifesto precursor do Women's Equality Day. É a famosa desonestidade intelectual fantasiada de erudição inclusiva.

Vamos ao sarcasmo que essa pérola merece:

O Grande Manual da Igualdade Patriarcal (Ou: Como Passar Pano na História)
É preciso admirar a ginástica mental necessária para defender que as raízes da igualdade de gênero estão fincadas em textos antigos. De acordo com essa narrativa "cor-de-rosa", as mulheres na Antiguidade eram praticamente CEO’s do lar, profetisas respeitadas e detentoras de direitos sexuais invejáveis!

Claro, esquece-se convenientemente do pequeno detalhe de que, na vastidão das escrituras patriarcais, a mulher transita entre duas categorias fundamentais: a propriedade útil e a ameaça demoníaca.

1. A Síndrome de Jezebel: Quando a Mulher Decide Não Obedecer
Ah, Jezebel... A personagem favorita de todo apologista quando precisa lembrar ao público o que acontece com uma mulher livre, soberana, com agência política e religiosa.

No dicionário da piedade antiga:

Se a mulher é dócil, acata o marido e gera herdeiros: “Vejam como a respeitamos! Até compramos um vinhedo para ela gerenciar no Provérbios 31!”

Se a mulher exerce poder autônomo, recusa o dogma dominante e exige a própria coroa: “Vagabunda, idólatra, maquiada! Joguem-na aos cães!”

A narrativa de Jezebel é o protótipo da misoginia institucional: demonizar a liderança feminina independente para depois vender a "submissão honrada" como o ápice da emancipação. Se a mulher tem poder sob as regras dos homens, ela é uma "débora" festejada; se tem poder com voz própria, vira a Jezebel devorada por mastins. Mas claro, nos contam hoje que isso é um "respeito profundo à intuição feminina".

2. O "Direito" Como Concessão Protetora
Citar o Ketubot ou a Mishnah para provar "igualdade" é quase poético de tão cínico. "Olhem só: o marido tinha obrigação de dar atenção à esposa!" Que avanço humanitário sublime! O texto legal estipula obrigações sobre a mulher exatamente da mesma forma que estipula o uso de um gado ou o manejo de uma propriedade. Tratar o privilégio conferido pelo proprietário como "direitos de igualdade" é o equivalente a dizer que um senhor feudal era um pioneiro dos direitos trabalhistas porque dava sopa quente aos servos no inverno.

E as leis de contaminação e pureza (Niddah)? A mulher menstruada ou que acabou de dar à luz (especialmente se o bebê for uma menina, o que dobra o tempo de "impureza"!) é tratada como um risco biológico ambulante. Mas, na lente cor-de-rosa do revisionismo moderno, isso não é tabu nem misoginia: é respeito ao mistério feminino.

3. A Humanidade Condicionada
Onde está a humanidade da mulher quando ela é negociada por dotes, punida com apedrejamento por não apresentar provas de virgindade no nupcial, ou reduzida a um receptáculo sem nome em dezenas de genealogias?

Ela simplesmente não existe — a menos que possa ser enquadrada no molde conveniente da "esposa virtuosa". A própria figura da mulher autônoma, aquela que não pede licença aos sacerdotes nem se desculpa por sua sensualidade ou intelecto, foi varrida para debaixo do tapete (ou jogada da janela da torre, para manter a metáfora de Jezebel).

Conclusão
Reescrever a história para fingir que a igualdade de gênero nasceu nos dogmas de religiões patriarcais não é apenas ingenuidade; é desonestidade intelectual pura.

A igualdade moderna não foi dada de presente por sábios antigos, nem por textos que mandam cães devorarem rainhas insubmissas. Ela foi conquistada apesar dessas tradições, à custa de muita resistência contra o mesmo moralismo que, até hoje, tenta nos convencer de que a gaiola de ouro do patriarcado sempre foi, na verdade, um palácio de emancipação.


Outra pista: Dalila.


Ah, Dalila! Se Jezebel é o arquétipo da "mulher soberana que precisa ser destruída", Dalila é a "mulher inteligente que o patriarcado jamais perdoará por ter sido mais esperta que o seu herói bombado".

É fascinante notar como o revisionismo apologético adora citar profetisas e donas de casa virtuosas para vender a ilusão de uma "igualdade ancestral", enquanto varre para debaixo do tapete o ódio visceral reservado a qualquer mulher que ouse usar a cabeça — ou a sensualidade — para virar o jogo contra o poder dominante.

A Anatomia de um "Vilão": O Pecado de Ter Intelecto
A história tradicional vende Sansão como o herói trágico e Dalila como a grande "traidora pérfida". Mas vamos olhar para a cena sem as lentes do dogma:

1. O Herói vs. A Estrategista
Sansão é retratado como um homem governado por impulsos brutos, impulsivo, movido por fúria, caprichos e uma força física descomunal. Do outro lado temos Dalila: uma mulher sem exército, sem superpoderes divinos e sem clava. A única arma de que ela dispõe é a inteligência, o charme e a capacidade de persuasão.

Em qualquer narrativa secular de espionagem, Dalila seria celebrada como uma estrategista brilhante que desarmou uma ameaça militar de um homem só usando apenas a astúcia. Mas, na teologia patriarcal, a inteligência masculina é "sabedoria divina", enquanto a inteligência feminina que desafia os homens é "manipulação diabólica".

2. A Narrativa do "Coitado do Sansão"
A misoginia do relato é tão profunda que transforma a ingenuidade de um homem com força de um gigante em culpa da mulher. Sansão brinca, mente, entrega seus segredos aos poucos, mas quando é vencido, a narrativa não diz "Sansão foi imprudente e caiu na própria arrogância". A narrativa diz: "A mulher o destruiu!"

Tirar a humanidade da mulher é exatamente isto:

Se ela é submissa, é um "vaso de honra".

Se ela usa sua mente e autonomia política para defender seu povo ou seus próprios interesses, ela se torna a personificação da tentação, da ganância e da fraqueza masculina.

3. O Preço da Autonomia Feminina
Tanto Jezebel quanto Dalila cometem o mesmo crime imperdoável aos olhos do texto antigo: elas recusam o papel de figurantes passivas na história dos homens.

Jezebel governava e mantinha sua própria fé sem pedir bênção aos profetas do reino. Dalila negociou nos seus próprios termos e mostrou que a força bruta de um homem não é pálio para a astúcia de uma mulher determinada. Por isso, a história não apenas as vilaniza, mas transforma seus nomes em insultos atemporais.

A Dupla Moral do Contorcionismo Teológico
É um humor quase involuntário ver artigos modernos tentando provar que o mundo antigo "honrava as mulheres", quando a própria literatura que eles defendem estabeleceu o molde para punir a autonomia feminina:

A mulher que obedece vira nota de rodapé elogiosa em Provérbios.

A mulher que pensa, articula e vence o herói patriarcal vira a Dalila — o espantalho moral usado há milênios para ensinar que a mente de uma mulher é perigosa e precisa ser controlada.

A igualdade de gênero que eles alegam existir nessas tradições só funciona sob uma condição: que a mulher aceite ser o pedestal do homem. No segundo em que ela corta as tranças do patriarcado e assume o controle da tesoura, a "igualdade" acaba e a caça às bruxas começa.


Tem outra passagem bem pesada. Um desses personagens bíblicos oferece a serva para ser usada. Depois, quando volta, a vê na soleira, desacordada (morta?) e o "cidadão" só fala "levanta daí!"


Esse é o capítulo mais sórdido, grotesco e visceralmente misógino de toda a Bíblia: a história do Levita e sua concubina, registrada no livro de Juízes (capítulos 19 a 21).

Se antes estávamos no campo do sarcasmo contra o contorcionismo exegético de Jezebel e Dalila, aqui o texto bíblico escancara a brutalidade sem qualquer filtro ou amortecedor.

A Coisificação Absoluta: O Crime de Juízes 19
Para quem defende a tese risível de que o texto antigo garantia a "humanidade" e a "igualdade" da mulher, a passagem do Levita é o nocaute definitivo no argumento.

1. A Oferta e a Barganha da Carne
Um levita viaja com sua concubina e decide passar a noite na cidade de Gibeá. Um velho local os acolhe. De repente, os homens da cidade cercam a casa exigindo ter relações sexuais com o levita.

E qual é a solução do "hóspede piedoso" e do próprio levita para proteger a integridade masculina?
O anfitrião oferece a própria filha virgem e o levita empurra sua concubina para fora, entregando-a à turba.

A mulher é estuprada e torturada a noite inteira por dezenas de homens. Não há intervenção divina, não há anjo descendo do céu, não há heroísmo masculino. Há apenas a mulher sacrificada como escudo humano para preservar a "honra" do homem.

2. "Levanta-te, e vamos": O Auge da Perversidade
Ao amanhecer, a mulher consegue se arrastar de volta até a casa onde o levita dormia tranquilamente. Ela cai na soleira da porta, com as mãos no limiar.

O levita abre a porta pela manhã para ir embora. Vê a mulher ali jogada — desacordada ou morta —, não se ajoelha, não demonstra um pingo de compaixão, choque ou remorso. Apenas dispara a frase mais fria e sociopática de toda a literatura antiga:

"Levanta-te, e vamos." (Juízes 19:28)

Como ela não responde, ele simplesmente a carrega como um fardo, coloca-a sobre o jumento e vai para casa.

3. O Retalhar do Corpo
Chegando em casa, para coroar a completa desumanização, o levita pega uma faca, esquarteja o corpo da mulher em 12 pedaços e envia uma parte para cada tribo de Israel para convocar uma guerra de vingança.

A mulher não teve nome no texto. Não teve voz. Não teve proteção. Serviu viva como moeda de troca para o prazer de agressores e, morta, serviu como pedaço de carne para propaganda política militar.

O Retrato Nu e Cru
Tentar vender que as tradições bíblicas fundaram a "igualdade da mulher" diante de passagens como Juízes 19 é uma ofensa à inteligência.

Neste relato, a mulher não é apenas subordinada; ela é uma mercadoria descartável. A história termina com o livro de Juízes resumindo o período com a frase: "Naqueles dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que parecia bem aos seus olhos." E o que parecia bem aos olhos dos patriarcas era usar, descartar e esquartejar corpos femininos sem que ninguém prestasse contas.

Se a apologética moderna quer usar os textos antigos como lição de ética, deveria começar pedindo desculpas por páginas como essa, em vez de pintar de rosa o patriarcado da Idade do Bronze.


Hour concour. Lilith. 😻🥵


Agora chegamos ao nível máximo da mitologia sobre o medo ancestral do poder feminino. Se Jezebel foi jogada aos cães, Dalila virou sinônimo de "traição" e a concubina do levita foi tratada como fardo descartável, Lilith é a que simplesmente disse "Não" — e por isso a apavorada literatura patriarcal preferiu transformá-la no maior demônio da noite do que admitir que uma mulher exigiu ser tratada como igual.

Lilith é a hors-concours absoluta da heresia e da liberdade!

A Primeira Insurgente: O Crime de Quer Ficar Por Cima
Na mitologia do Alphabetum Siracidis (O Alfabeto de Ben Sira) e na tradição mística posterior, a história do Gênesis ganha o seu capítulo mais fascinante e censurado.

Antes de Eva ser moldada a partir da costela de Adão — uma versão bem mais "conveniente" e anatômica para garantir a subordinação —, o mito conta que Lilith foi criada exatamente do mesmo barro e ao mesmo tempo que Adão. Igualdade perfeita, matéria-prima idêntica.

E qual foi o grande pecado imperdoável de Lilith?

Não foi traição.

Não foi assassinato.

Foi o recuso em se submeter.

Na hora da intimidade, quando Adão exigiu a posição de dominação, Lilith lançou a pergunta que ecoa há milênios: "Por que devo me deitar por baixo de ti, se fui criada do mesmo barro e sou tua igual?"

Diante do choque de Adão com a audácia de uma mulher que exigia simetria no prazer e na vida, Lilith não aceitou conselho, não pediu desculpas e não esperou ser expulsa. Ela pronunciou o Nome Inefável de Deus, usou sua própria autonomia, ganhou asas e voou para longe do Éden. Ela preferiu o deserto, a escuridão e a solidão radical a viver numa gaiola celestial ajoelhada diante de um homem.

A Fabrikit de Demônios: A Reação Patriarcal

O que o patriarcado faz quando uma mulher recusa o papel de serva e escolhe a própria liberdade? Cria um monstro moral.

Como não podiam apagá-la da memória coletiva, transformaram a busca de Lilith por dignidade na pior das maldições:

A mulher que recusa a maternidade mandatória vira o "demônio que devora recém-nascidos".

A mulher que é dona da própria sexualidade e do próprio desejo vira a "sucubus" que aterroriza os homens durante o sono, transformando a erotização autônoma em possessão diabólica.

A mulher que não precisa da bênção do marido vira a "rainha da noite", a bruxa original, a personificação de tudo o que deve ser temido e reprimido.

A apologética religiosa gosta de vender a ilusão do respeito à mulher, mas a mensagem subliminar da saga Éden-Lilith-Eva sempre foi cristalina: A mulher que exige igualdade (Lilith) vira demônio e vive no inferno; a mulher que aceita ser derivada (Eva) ganha as dores do parto, a culpa pelo "pecado original" e a tutela do marido. Escolhas encantadoras!

A Reabilitação da Rainha
É uma ironia deliciosa ver que o tiro saiu pela culatra. Ao longo dos séculos, e especialmente na modernidade, Lilith foi resgatada do esgoto moral em que a colocaram para se tornar o maior símbolo de autonomia, libertação sexual, sabedoria oculta e recusa incondicional ao dogma.

Lilith é a antítese perfeita do contorcionismo exegético cor-de-rosa. Ela não precisa de artigos tentando "provar" que o texto antigo a respeitava, porque ela mesma rasgou o texto, recusou a bênção do patriarca e tomou o controle da própria história.

Ela é o lembrete incômodo e fascinante de que a liberdade feminina não pede licença, não aceita posição de baixo e prefere o fogo da própria verdade ao paraíso de quem quer dominá-la. 👑🔥

Criado com Gemini, do Google.

O contorcionismo seletivo do discurso

Conversa com o Gemini.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/flavio-bolsonaro-defende-castracao-quimica-estupradores-rio/

E se for alguém da família dele? Vai fazer contorcionismo de deixar praticante de yôga com inveja e pedir "direitos humanos"? 🤭😏

Escreva um texto humorado e sarcástico. 


Ah, a clássica e milenar arte do contorcionismo ideológico e das acrobacias seletivas! Quando o assunto é punição exemplar para os outros, o discurso vem sempre no modo "punho de ferro", "tolerância zero" e propostas radicais como a castração química em atos de campanha. Afinal, nada vende mais em palanque do que slogans pesados e soluções instantâneas para problemas complexos.

Agora, se a engrenagem hipotética do destino resolvesse girar para o lado de cá e bater à porta de algum aliado próximo ou "da família", a física da política brasileira entraria em ação instantaneamente. Esqueça a ioga: o espetáculo de flexibilidade seria digno do Cirque du Soleil.

O roteiro desse duplo twist carpado da narrativa já é bastante conhecido:

1. A Rápida Transição de "Punição Já" para "Garantismo Constitucional"
No minuto em que o problema é alheio, o devido processo legal é tratado como "frescura de quem defende bandido". Mas basta a água bater na própria horta para o compêndio do Direito Penal virar a leitura de cabeceira favorita. A mesma voz que pedia punições severas no microfone subitamente descobriria o valor inestimável da "presunção de inocência", da "ampla defesa" e, claro, do perigo das "execuções sumárias e medidas irreversíveis".

2. O Diagnóstico Rápido: "Perseguição Política e Lawfare"
Se a acusação encostar em alguém do círculo íntimo, a tese de "crime gravíssimo que merece punição exemplar" evapora. Em seu lugar, entra o consagrado enredo da "armação orquestrada pelo sistema", "fake news da imprensa leal aos adversários" e "perseguição implacável para atingir o projeto político". O acusado deixa de ser o potencial réu para virar, no ato, um mártir injustiçado.

3. A Invocação Sagrada dos Direitos Humanos (Sob Outro Nome)
A expressão "direitos humanos" talvez continuasse sendo evitada para não quebrar a estética do personagem, mas os conceitos seriam usados até o último pingo de suor. Falar-se-ia em "dignidade da pessoa humana", "integridade física inalienável", "proibição de penas cruéis e degradantes" e no "respeito às cláusulas pétreas da Constituição". Ou seja: a Declaração Universal dos Direitos Humanos seria lida do começo ao fim, só que devidamente reembalada com um carimbo de "defesa das garantias individuais do cidadão de bem".

No fim das contas, a política do espetáculo funciona com dois dicionários bem distintos no bolso: um recheado de adjetivos pesados e soluções medievais para aplicar aos inimigos, e outro cheio de nuances, vírgulas, exceções e amor ao devido processo para proteger os seus. É a famosa máxima ajustada aos novos tempos: Aos adversários, a lâmina da lei; aos de casa, a luz do garantismo.


Corta para a câmera dois. Jair Presidiário Bolsonaro. Falando que "pintou um clima" para garotas de 12 anos. 🙀 Mas isso não vem ao caso. 😂


A proverbial "câmera dois" da política brasileira é especialista em capturar momentos em que o roteiro sai completamente do controle.

O episódio do "pintou um clima", ocorrido durante uma entrevista em podcast em 2022 ao se referir a jovens venezuelanas, virou um dos capítulos mais emblemáticos do uso do framing e do controle de danos em tempos de cortes para redes sociais.

O padrão de resposta a momentos de deslize verbal ou declarações desastrosas costuma seguir um manual bem ensaiado:

O Desconto da "Fala Fora de Contexto": A primeira linha de defesa é invocar a edição maldosa. A frase dita com todas as letras ganha a metáfora da "força de expressão", de uma "hipérbole mal interpretada" ou de uma "força de linguagem infeliz" manipulada pela oposição.

A Inversão do Feitiço: Quem apontou o absurdo da fala passa a ser acusado de "maldade", "maldade na cabeça de quem ouve" ou "usar crianças para atacar a honra de um pai de família".

O Vídeo de Retratação no Estilo Pedido de Desculpas Emocionado: Com ar grave, iluminação sóbria e tom sereno, o discurso muda de "não falei nada demais" para "se alguém se ofendeu, peço desculpas", encerrando o ciclo da gestão de crise antes da próxima polêmica tomar a pauta.

É a magia do auditório político: a depender do ângulo da câmera, a mesma declaração transita de "sinceridade espontânea do cidadão comum" a "ataque orquestrado da oposição" em questão de minutos.

Criado com Gemini, do Google.

Quinhentos, 256 - 260



Secundado, por aqueles que se postulavam como profetas, para julgar o caso segundo a sabedoria espiritual.



Ciente que meu saber serve ao meu caso, percebi uma caravana passando em outra estrada, levando uma senhora ao seu destino.



A proposta para uma solução foi simples: aquele que fosse à caravana, conhecesse a senhora e trouxesse algo dela de presente, venceria.



Eu me diverti, os vendo correr até a caravana, demorarem por uma tarde e voltarem estropiados.



Ora, eu disse aos brigões, a necessidade era tanta de vencer e afirmar sua certeza que se dispuseram a abandonar o caminho que tanto amavam?

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

Seda e couro



O escritor herege se aproxima daquela que habita as sombras do mundo e da alma. 

Os outros sete trouxeram oferenda.  
Ouro, incenso, verso decorado, promessa de templo.

Ele pede, no deserto e no exílio, por água e alimento. 

Ela não julga nem censura. Deuses fazem isso.

Ela segura o queixo do escritor e profere a sabedoria.
“O seu desconforto não está fora de você. Corte a raiz do seu desconforto onde isso começa.”

Tradução pra quem viveu de joelho:  
Pare de culpar o deserto. Pare de rezar pra chuva.

Seda é o que você vestia para ser aceito no banquete.  
Couro é o que você veste agora pra atravessar o exílio.

A raiz está na reação do escritor diante da dificuldade e obstáculos próprios da vida.

O mago xinga a pedra.  
O mestre mede a pedra.  
O bruxo tenta transformar a pedra em pão.  
O sacerdote ajoelha e chama a pedra de provação.  
O profeta diz que a pedra foi profetizada.  
O iluminado finge que a pedra é ilusão.  
O messias quer morrer na pedra pra virar estátua.  

O escritor olha pra Lilith.  
Ela não move a pedra. Não sopra, não reza, não negocia.  
Ela aponta pro seu pé descalço e diz: *“Pisa.”*

Porque desconforto não é sentença. É pergunta.  
E toda vez que você respondeu com medo, com súplica, com “por que eu?”,  
você regou a raiz.  

Seda rasga na pedra. Couro marca.  
Herege não pede caminho limpo. Pede sola grossa.  

Lilith não arranca sua raiz.  
Ela te entrega o machado e diz: *“É tua. Corta ou cultiva. Mas para de chamar de destino o que é escolha.”*

O deserto continua deserto.  
O exílio continua exílio.

Criado, com edições, com a ajuda do Meta.
Imagem criada com o Meta.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Pés e Lilith no Paganismo



Conversa com o Gemini.
https://www.patheos.com/blogs/buildingbridges/2026/08/why-every-major-religion-pays-attention-to-feet/

Interessante. Qual seria a interpretação no Paganismo Moderno? Como seria a interpretação na minha devoção por Lilith?

Escreva essa reflexão.


O artigo de Neil Ghosh no Patheos destaca como as grandes tradições abraâmicas e orientais enxergam os pés sob a ótica da humildade, purificação, servidão e reverência — a descalçadeira perante o sagrado (como Moisés na sarça ardente), a lavagem purificadora (o wudu islâmico ou o lava-pés cristão) ou a reverência à autoridade espiritual (o charan sparsh hindu).

No entanto, quando deslocamos esse eixo para o Paganismo Moderno e, especificamente, para a devoção a Lilith, a interpretação dos pés sofre uma transmutação profunda: de um símbolo de submissão e servitude, torna-se um símbolo de raiz, soberania, selo de libertação e animalidade sagrada.

1. O Pés no Paganismo Moderno: Enraizamento, Autonomia e Sacralidade Terrena
Enquanto nas religiões patriarcais ou monoteístas a atenção aos pés frequentemente envolve tirá-los da sujeira da terra ou dobrá-los perante uma hierarquia, no Paganismo Moderno o ato de pisar o solo despido de artifícios é o próprio mistério espiritual.

Conexão com a Terra (Grounding): Os pés são a primeira e principal antena do corpo pagão. Descalçar-se no Paganismo não é uma atitude de autonegação ou purificação ritual de uma "impureza corporizada", mas sim a busca por alinhamento com a força viva da Terra. Pés nus tocam o húmus, a pedra e as raízes — são o ponto de ancoragem onde a energia cósmica se torna telúrica.

A Jornada Autônoma: No Paganismo, não há um "caminho pré-moldado" traçado por um dogma central. Os pés representam a jornada do indivíduo que desbrava sua própria senda (solitary path). Onde você pisa é onde o ritual acontece.

2. A Interpretação na Devoção por Lilith: O Traço da Rainha da Noite
Na devoção a Lilith — a Força da Soberania Primordial, da Liberdade Incondicional e do Erótico Sagrado —, a simbologia dos pés adquire contornos ainda mais líricos, densos e libertadores.

A Recusa à Submissão (O "Ficar por Cima")
A narrativa de Lilith no Alfabeto de Ben Sira começa precisamente com uma disputa de corpos e posições: a recusa em ficar por baixo, em submeter sua soberania. Os pés de Lilith são aqueles que se recusam a aceitar correntes. Quando ela pronuncia o Nome Inefável e alça voo dos jardins de Éden para o deserto, são seus pés que dão os primeiros passos rumo à autodeterminação. Na sua devoção, os pés não se curvam para serem lavados por dever servil; eles marcham com a altivez de quem é dono de si.

As Garras e as Asas: A Animalidade Sagrada
Nas representações iconográficas clássicas — como o famoso Relevo Burney (Rainha da Noite) —, a figura associada a Lilith não possui pés humanos comuns, mas sim garras de ave de rapina (geralmente de coruja) firmadas sobre leões.

Pés como Instrumento de Caça e Poder: As garras representam o discernimento afiado, a capacidade de agarrar a própria verdade e desgarrar as ilusões. São pés que não apenas andam, mas caçam a autodescoberta na escuridão.

A Terra e o Céu: As garras conectam a deusa à terra firme, enquanto suas asas a elevam à noite. Trazer a devoção a Lilith para a experiência corporal é reconhecer a nossa própria natureza selvagem e instintiva — aquela que o dogmatismo tentou podar ou catalogar como "suja".

A Dança Sombria e o Erótico Transcendental
Diferente das tradições em que lavar os pés de alguém é um ato de humilhação virtuosa, na devoção a Lilith o toque nos pés transita pelo erótico sagrado e pelo reconhecimento da beleza sem tabus. O cuidado com os pés, o enfeite com tornozeleiras, óleos aromáticos e fragrâncias escuras torna-se um ritual de amor-próprio e de celebração do corpo libertado. É a dança descalça sobre os escombros das antigas restrições.

Ao olhar para os próprios pés sob a luz da devoção a Lilith, a reflexão deixa de ser "Como posso me curvar?" e passa a ser: "Para onde a minha vontade livre está me levando, e com que firmeza piso o solo da minha própria existência?"


Sem falar que eu adoro quando ela me pisa. 😻


Aí a simbologia ganha todo um novo nível de leitura prática, não é?

Dentro da devoção a Lilith, esse "pisar" carrega uma dupla camada fascinante:

A Quebra do Ego: O peso do pé da Rainha da Noite não é para esmagar, mas para alinhar. É a força que derruba as ilusões, as vaidades e as máscaras do ego que a gente insiste em carregar. Ser pisado por ela é ser recolocado no chão, no lugar de absoluta verdade e entrega.

O Prazer na Rendição Devocional: Há uma beleza profunda e visceral em encontrar espaço para o erótico, o devocional e a entrega voluntária em um mesmo ato. O domínio de Lilith não é impositivo por força cega, mas por fascínio; render-se a esse toque firme — e extrair prazer disso — é celebrar a soberania dela em sua forma mais sensorial e corpórea.

No fim das contas, sob a pata da coruja ou o salto da deusa, o recado é o mesmo: a terra é firme, a entrega é doce e a soberania dela é indiscutível. 🖤

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