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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Quinhentos, 496 - 500


O acúmulo de riquezas perderá sentido, o custo social de tal elitização está evidente e a mudança política partirá do indivíduo.


Haverá plena colaboração, do cidadão com o cidadão e o coletivo, pelo bem geral. Haverá um pacto social mais forte que qualquer lei ou justiça.


Serão perdidos os sentidos de propriedade, de pátria, nação, raça e fronteiras. Finalmente, nos veremos como seres humanos.


Não mais serão necessários quaisquer ritos, cultos ou formulas, pois andaremos com os deuses, de nosso passado e de nosso futuro.


Eis o truque final para as mentes. Pois tudo que fiz foi para minha Senhora. Mas a melhor elegia é a que é feita em gemido, sussurro, convulsão e silêncio.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Quinhentos, 491 - 495


Esta foi sempre a natureza humana, planejada: vivendo no limite, desafiando os extremos, para com o impulso chegar a novas realidades. Este não é o cerne das cartas de amor?


Por tempos, vivemos de coleta, estivemos por ordens femininas. Outros tempos, começamos a plantar, o senso de propriedade veio junto com o domínio masculino. Acaso não teríamos sensibilidade em perceber que vem tempos melhores?


Novamente, procuramos pelo nosso lado divino; novamente, despertamos nossa natureza dual; novamente, estamos prontos para aceitar a Lei, tal como vem da natureza.


O futuro não é uma ficção futurista tecnológica, cientificista, previsível. Nem vai voltar a ser as eras douradas de comunhão plena com Gaia.


Teremos muito para caminhar, mas chegaremos ao inevitável: maturidade e responsabilidade. Aceitação de nossa natureza e convivência com as diferenças.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Quinhentos, 486 - 490


Por sonhos que temos, nós somos enganados e, para não ficarmos sós, tentamos trazer outros ao mesmo sonho. Não é isto o que encontramos quando amamos?


Por generalizações, místicamente esclarecidas pelos sentidos, fazemos uma fórmula, transformando magicamente a acepção em realidade. Não nos emprestamos esta mesma certeza quando estamos apaixonados?


Dos medos primitivos, tiramos as visagens de um mundo externo, interno e espiritual. Disto nasceram os mitos e os deuses. Mas não tiramos da poesia a mesma intuição que nos faz projetar a divindade que existe dentro de nós?


Tantos oferecem o Paraíso, bem como a verdade da palavra do Deus Criador. Alguns, divorciam este mundo do outro. Mas suas palavras e devoções não são idênticas ao amante embriagado?


Nunca tivemos um equilíbrio ou temperança, nos atiramos aos extremos, do ascetismo até a orgia, da maturidade ao fanatismo. Não existe mais graça quando dois amantes se combinam no balanço de uma gangorra?

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

domingo, 11 de outubro de 2026

Quinhentos, 481 - 485


Invariavelmente, ao aqui chegarem, demonstram confusão e recusa. Por idéias morais e virtuosas, adquiriram certos hábitos e condutas que se prolongarão.


Isto nem vem a ser uma questão de justiça ou lei, prêmio ou castigo. A vida é a mesma, não existe tempo ou espaço; aquilo que se faz dela, ela se torna.


Antigamente, empilhavam-se pedras e galhos, em respeito aos finados. Hoje se constróem catedrais de vidro e aço. Mas a busca continua, sem descanso. A alma continua vazia.


Antigamente esculpiam-se madeiras e enfeitavam-se de penas, transformando seus fetiches em artigos mágicos. Hoje os fetiches estão nos livros e nas experiências científicas. Mas a pergunta permanece, insolúvel. O cérebro continua complexado.


Ainda que eu corra o risco de desagradá-la, Paixão Perfeita, deixe meu sentimento defender a minha gente, tua cria.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

sábado, 10 de outubro de 2026

Quinhentos, 476 - 480


Debaixo de meus amieiros vieram sombras e tomando o direito sobre meus portais, tornaram meus mistérios em muralha. Qual porteiros, resignam-se em franquear por enganos o que nunca conheceram.


Quem pode ser porta sem conhecer a dobradiça? Quem pode franquear a entrada se desconhece o portal? Quem há de limpar minha soleira de tais impertinentes?


Pior que esses falastrões, pior que os operários diligentes, o que eu faço com os meditantes? Percebem o efeito dos atos, mas negam-se a envolver-se com os elementos que os causam!


Quem há de provar pela carne a natureza da magia e a simplicidade da vida espiritual? Como posso fazer-me entender, sem que haja algum esclarecido, sem que haja compreensão?


Na viajem, os que enviei esqueceram ou distorceram meus sinais. Os que atentaram, viram o que queriam ver, meu sinal foi perdido.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Quinhentos, 471 - 475


Houve quem tomasse as estrelas como bússola e ignorou que em lugar algum haveria de chegar sem vento ou vela. As estrelas são o que vem e o que foi. São as crianças em meu ventre e os ancestrais em minha cova.


Houve quem buscou em espíritos desencarnados um guia e ignorou que todos nascem pelados e morrem sem posses. Nunca se sabe demais ou suficiente para aconselhar outrem.


Houve quem entrou em meus jardins e se vangloriou de ter encontrado o caminho ao meu pomar. Quem me dera tivessem mais Héracles que, diante das hespérides, fizesse algo mis do que simplesmente deslumbrar-se com elas.


Quantas tabuinhas de argila, pergaminhos, palavras e bibliotecas foram erguidas e tombadas. Mas mesmo assim o Conhecimento nunca foi perdido nem esquecido.


Pelas bocas de bardos, pelas cenas de atores e pela pena de melhores que tu, meus lábios falaram e tantos ouvem uma voz paterna, cruel e distante. Quem tem ventre é quem sabe como as coisas são criadas.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Quinhentos, 466 - 470


Então, profeta, diga: que assim a vaidade se encontra sob o sol esta se encontra sobre o solo. Os anjos enganam em sua aparência brilhante, os ascensionados trapaceiam com os que sobem.


Por que fazem questão de esquecer que os anjos igualmente encarnaram e todos tem as mesmas possibilidades de alcançar a ascensão? Nem a veneração de um ou doutro vai franquear sua estrada.


Na simplicidade da natureza, na voluntariedade do que vem a ser, eis a razão da magia. 


O que existe, necessita de um corpo e eis aqui a carne. O que se move, precisa de energia e eis aqui a magia. O que pensa, carece de uma Musa e eis aqui a mais esquecida.


Tudo mais é imaginação e fantasia humana. Esculpir por cima do que é perfeito, pintar por sobre do que é obra prima. O homem busca por algo e, ao encontrá-lo, se compraz em cobri-lo mais.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Quinhentos, 461 - 465


O que fazem, então, os diletantes? Aquele afirma: eu não sou este corpo nem esta mente e adquire certas técnicas e métodos que o fazem ascender.


Mas ainda não resolveu o problema inicial: ao recusar seu corpo, o que treinou? Ao recusar sua mente, o que ascendeu? Todo seu esforço resumiu-se em um pensamento e na sagração do que negara.


Outro afirma, orgulhosamente: eu sou a natureza e a magia. O que o faz, então , se perder em tantas mirabolantes fórmulas, palavras e receitas? Porque ainda pede por requintes e enfeites desnecessários?


Isto chega a ser pior: perdido em tanto formalismo acaba por adquirir as mesmas restrições que abandonara. Este néscio depois reclama que a magia não o obedece.


Curioso foi o que havia dito: vaidade, tudo é vaidade sob o sol. Devota hinos a um deus natural e o entrona no céu. Tendo o colocado tão alto, não é estranho que pareça impessoal e indiferente.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Quinhentos, 456 - 460


Alegre-se, profeta, pois agora é poeta. O que faz pensar que deixarei em minha pele, feito tatuagem, quando melhor me faz escrevendo?


Ainda que escreva mais livros que toda a humanidade produziu, acha mesmo que pode consumir ou encerrar esta divina fantasia donde todo conhecimento humano origina?


Tome, sem corrigir o erro e sem reparar o enganado. Quem serve ao raciocínio, tampa sua imaginação; quem serve ao delírio, perde sua razão. Mas o que tem os demais com isso?


Por tantas certezas, a humanidade achou-se da mesma forma que perdeu-se. As pedras tem razão, as nuvens tem sonhos, cada qual sua função e ainda assim são partes do todo.


O que pede prova daquilo que não compreende ou sente é o mesmo que senta na beira do rio com sede. Por toda a volta, o que temos, é manifestação divina.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Quinhentos, 451 - 455


Diante das tábuas que ergueram meu berço, há uma tenda de lona, uma mesa, comida e convidados.


Diante de meus olhos saúda-me minha mãe, livra-me do peso da bagagem, coloca-me sentado entre os poetas.


 Na cabeceira, eu encontro a taverneira, que brinda-me com farta cerveja. Em sua destra, eu vejo minha pequena mestra, que presenteia-me com chocalhos. Do lado da umbra, eu vejo a anciã, que parece satisfeita com minha provação.


Na copa, preparando os pratos, eu vejo minha sombra, alegre enfim por encontrar seu espaço e função.


Minhas anotações são tiradas de minha mão, por Aquela quem eu venho delirando por tempos sem fim, declamando meus pobres prolegômenos.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*