Houve quem tomasse as estrelas como bússola e ignorou que em lugar algum haveria de chegar sem vento ou vela. As estrelas são o que vem e o que foi. São as crianças em meu ventre e os ancestrais em minha cova.
Houve quem buscou em espíritos desencarnados um guia e ignorou que todos nascem pelados e morrem sem posses. Nunca se sabe demais ou suficiente para aconselhar outrem.
Houve quem entrou em meus jardins e se vangloriou de ter encontrado o caminho ao meu pomar. Quem me dera tivessem mais Héracles que, diante das hespérides, fizesse algo mis do que simplesmente deslumbrar-se com elas.
Quantas tabuinhas de argila, pergaminhos, palavras e bibliotecas foram erguidas e tombadas. Mas mesmo assim o Conhecimento nunca foi perdido nem esquecido.
Pelas bocas de bardos, pelas cenas de atores e pela pena de melhores que tu, meus lábios falaram e tantos ouvem uma voz paterna, cruel e distante. Quem tem ventre é quem sabe como as coisas são criadas.
*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*





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