segunda-feira, 23 de julho de 2007

Comemorações em Agosto

Julho está acabando e em Agosto eu tenho dois motivos para comemorar: Em Primeiro de Agosto, pagãos do hemisfério Norte comemoram Lammas e pagãos do Hemisfério Sul comemoram Imbolc. Traduzindo: os Europeus e Americanos comemoram a Véspera do Outono e os Brasileiros comemoram a Véspera da Primavera. O segundo motivo para eu comemorar Agosto é o meu aniversário de 42 anos, dentro dos quais tenho quatro anos de casamento e pelo menos três anos como estudioso dedicado e adepto da Wicca. Eu peço de presente aos Deuses Antigos que haja no Brasil mais paz, amor, felicidade e abundância. Eu peço de presente aos cidadãos brasileiros mais consciência, responsabilidade e cidadania. Eu peço de presente aos políticos brasileiros mais transparência, vergonha e ética. Eu peço de presente aos líderes religiosos brasileiros mais tolerância, respeito e convivência. Eu peço de presente das mulheres brasileiras mais amor, carinho e afeto. Eu peço de presente das minhas amigas mais beijos na boca.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Família, esses estranhos

Antigamente, a família era o maior valor na vida de uma pessoa. As sociedades antigas existiam e eram mantidas graças à força que a família tinha. A família era a garantia de uma boa educação, formação e prosperidade de um indivíduo.
Com o advento da Industrialização e da mudança da cultura focada na família para o indivíduo, a família foi descrita como um empecilho para a o pleno desenvolvimento individual, um estorvo nessa era pós-moderna egocêntrica. Com isso, os valores da família foram vilipendiados, a liberdade e a realização pessoal foram estimuladas.
A conseqüência é que as famílias formadas em nossa época quebraram com os valores tradicionais – vistos como antiquados, obsoletos e arcaicos – e deram espaço para as novas idéias pedagógicas de dar mais liberdade aos filhos, permitindo aos pais trabalharem mais, produzirem mais e gerar riquezas para a elite dominante. A cada geração, essa falta de base, de valores, foi ficando cada vez maior até chegarmos no auge do século XXI com o problema da criminalidade juvenil, dando aos mesmos políticos oportunistas de sempre uma boa base para se promoverem.
Quantos de nós realmente conhecem seu irmão ou irmã, tem um relacionamento fraternal e uma convivência familiar consistente? Quantos de nós conhecem os pais, tios, avós, melhor que os amigos e amigas de rua? Quantos de nós têm uma amizade com primos, primas e sobrinhos melhor que a cultivada pelos colegas de trabalho? Eu posso dizer que nasci em uma família disfuncional, cheio de problemas, mas é minha família, eu não quero que minha família seja uma cópia dessas famílias felizes e resolvidas mostradas nas propagandas.
Ao contrário do que se pensa, a família é um valor que vem dos povos pagãos, não é nenhuma instituição Cristã. No tempo de nossos ancestrais, a família era a resguarda da religião e a responsável pela transmissão da tradição. O templo e o sacerdócio dependiam da estrutura da família para existir e continuar. No Cristianismo, em especial dentro do Catolicismo, a instituição religiosa interferiu e moldou a família conforme suas necessidades políticas, a família foi usada para manter a Igreja Católica e suas ideologias.
Com o atual resgate da Religião Antiga e o reaparecimento dos valores pagãos, talvez a família possa retomar sua importância, seu papel e sua formação. Não será apenas um grupo de desconhecidos que compartilham do espaço de um lar, mas pessoas ligadas por legítimos laços de afeição e consangüinidade.

sábado, 14 de julho de 2007

Para todas as mulheres

Esta mensagem não foi escrita no dia 08 de Março, considerado o Dia da Mulher por um simples motivo: eu não comemoro esta data. Antes que minhas amigas fiquem com raiva, eu esclareço: para mim, a Mulher é especial o ano todo.
Como 2007 está quase em sua metade e tudo indica que não será diferente de 2006 - exceto pelos espasmos - entre 2008 e 2010 eu espero que as mulheres façam alguma diferença neste mundo.
Pois nós, homens, como garotos que somos, podemos estragar ainda mais este mundo e a existência da humanidade. A Mulher demonstrou possuir capacidade e competência de sobra, o que falta são ações práticas para que Ela tome seu devido lugar.
Como bom admirador, eu dou algumas dicas:
Acabar com a imagem da mulher-objeto: não basta protestar contra as revistas masculinas “adultas” e a exposição de corpos femininos em completa e sagradíssima nudez, as mulheres precisam fazer um pacto de nunca mais aceitar oferta alguma para se exibirem feito filé no açougue.
Acabar com a disparidade salarial: não basta entrar em sindicatos, mas juntar forças para pressionar maridos, amantes, amigos e filhos para receber o salário equivalente a função exercida, conforme a categoria.
Acabar com a violência doméstica: não basta procurar delegacia, mas no primeiro desabafo entre amigas juntar várias mulheres para dar uma surra no valentão, que esta é a única linguagem que ele conhece.
Acabar com a submissão religiosa: não basta pleitear pelo direito ao sacerdócio, mas modificar o papel e a posição da mulher como um todo dentro das religiões.
Acabar com o papel social secundário: não basta exigir igualdade de direitos, mas também reconhecimento e respeito para acabar com o preconceito contra a feminilidade.
Acabar com a segregação política: não basta entrar em um partido político, mas defender a causa da mulher antes da ideologia partidária e exigir mais representatividade em todas as esferas do Governo.
Acabar com o privilégio sexual: não basta punir o assédio sexual, mas ter a liberdade de poder flertar com outros homens da mesma forma que nós nos damos tal liberdade. Com jeito, graça e beleza, as mulheres podem dar seu toque especial que irá permitir a humanidade sobreviver e eu estarei esperando para beijar seus pés.

Reverência sim, autoridade não

Quando um estudante começa a estudar a Wicca e a Witchcraft, vários nomes surgem.

Gerald Gardner, Doreen Valiente, Alex & Maxine Sanders, Stuart & Jane Farrah, Frederic Lamond, Philip Heselton, Patricia Crowther, Deborah Lipp, etc.

Então a primeira idéia que vem aos que estudam é que estas pessoas são autoriodades na Wicca e que seus livros são ou contém toda a religião Wicca.

Neste espaço contém muitos destes textos, de alguns autores aqui descritos, mas eu te garanto, caro visitante desta taberna, não há livros sagrados na Wicca nem autoridades.

O que faz um Alto Sacerdote ou Alta Sacerdotisa merecer nossa reverência é o tempo, dedicação e fidelidade às práticas que fazem a Wicca uma religião distinta das demais e diferenciam as Tradições e Linhagens que fazem parte deste Universo.

Enquanto a prática destas pessoas são incontestáveis, o mesmo não se dá com as opiniões e textos que estes/as possam ter manifestado em vida.

Ao contrário de muitas religiões, a Wicca espera e pede que seu buscador e aprendiz tenha massa encefálica, ouse duvidar e perguntar, desde que saiba igualmente ouvir e obedecer. A Wicca extrapolou suas fronteiras britânicas e transbordou sua forma Gardneriana, mas ainda mantém o cerne, princípios pelos quais ela é o que é, diferente das religiões anteriores a ela das quais ela bebeu da fonte e única entre as religiões Neo-pagãs.

Wicca não é ocultismo eclético nem esoterismo genérico, ainda é uma Escola de Mistérios Iniciática Duoteísta, com lugar para o Politeísmo e com ritos de fertilidade. Todos podem praticar, mas nem todos vão ser wiccans.

Para usar uma analogia, qualquer pessoa pode praticar aeromodelismo, mas nem por isso pode pilotar um avião. Por isso, cautela meu jovem. A Wicca não custa dinheiro, mas uma Tradição tem a liberdade de cobrar por seus serviços. A Wicca tem um treinamento pessoal e oral, mas os grupos tem a liberdade de oferecer cursos online. A Wicca pede uma iniciação formal por um Alto Sacerdote (se você for mulher) ou Alta Sacerdotisa (se você for homem), mas receitas de auto-iniciação existem (muito embora dificilmente pode ser comprovado sua eficácia).

A Wicca possui diversas Tradições e algumas vertentes não reconhecidas, mas ao optar por uma, não critique as outras. A Wicca tem rituais que mexem com magia sexual e nudez ritual, mas você não é obrigado a ter relações sexuais com o sacerdote/sacerdotisa em troca de uma "iniciação". A Wicca exige que o candidato seja maior de idade (21), tenha autonomia (financeira e psicológica) e saúde (mental, física e sexual). A Wicca não pode ser misturada com Xamanismo, Shintoismo, Budismo, Cristianismo, Islamismo ou com técnicas esotéricas como Reiki, Tantra, Cabala (ainda que estas sejam usadas dentro das muitas práticas da Wicca). A Wicca pede que o aprendiz esteja disposto a ouvir seu Elder, com reverência, mas não se dobrar à autoridade que ele/ela diz ter. Na Wica, somente devemos nos ajoelhar diante do Deus e da Deusa.

Razão e Raciocínio

A leitura e o trabalho de comentar a obra do Alfredo foi interessante e proveitosa porque mexeu com meu baú de memórias e me fez rever meus conceitos e preconceitos. Agora que eu estou ‘do outro lado’ desse mundo ateu e sou mais um ‘iludido’, eu vejo como exageramos quando criticamos nossos vizinhos.
Não parece nada ‘lógico’, mas é exatamente isto. Cada um em seu quintal falando dos defeitos dos outros e não percebendo esses mesmos defeitos em nossa casa. Em uma esquina, temos as muitas casas dos Cristãos e lá também vociferam que eles sabem e tem a verdade e fora daquele cercado só existe mentira e engano. Em outra esquina, temos as muitas casas dos Ateus que também adoram pechar todos os demais de burros e ignorantes. Nos verdes prados sagrados dos Pagãos, não poderia ser diferente, temos que lutar contra os Cristãos, os Islâmicos, os Judeus e os Ateus. Existem lutas até entre nós, pois o ser humano sempre interpretará um texto da forma que lhe convém e opiniões adversas sempre serão tomadas como ofensas pessoais.
O que é então afinal a razão e o raciocínio? Aqui eu tentarei explicar o lado dos processos mentais e psicológicos que produzem o raciocínio e conduzem a razão que concede ao que se fala ou a quem o diz esse atributo de verdade tão desejado e propalado.
O raciocínio é uma característica natural de nossa espécie que pode ser encontrada alguns sinais em outras, mas a nossa produz uma manifestação maior e mais extensa da presença desse raciocínio.
Este processo mental não opera de forma constante e igual para todos os indivíduos, pode ser extremamente desenvolvido em alguns e totalmente prejudicado em outros. Mesmo um louco internado no hospício raciocina e, dentro de sua loucura, há lógica em seu pensamento. Mesmo um indivíduo considerado como gênio dentro de um campo irá soar como louco para pessoas comuns. O meio termo é um campo extenso e cinza, chamado de senso comum, permeado pela mediocridade, vulgaridade, banalidade e ingenuidade.
Raros indivíduos conseguem pensar além destes pequenos círculos de conhecimento humano, destes conjuntos limitados que compõe a cultura popular, mas isto não concede a estes qualquer privilégio, a informação e o raciocínio estão a disposição de todos. Quando uma pessoa consegue usar plenamente o raciocínio, ele ou ela conquista uma espécie de iluminação, se os ateus me perdoam o termo místico, que lhe permite um vislumbre mais amplo do conjunto dos conhecimentos humanos e consegue ter opiniões mais abrangentes, uma perspectiva mais extensa da realidade, muito embora esteja longe de chegar à Verdade. Mas não nos enganemos, não há uma Verdade, toda verdade depende da existência de outras verdades, comprovações, comparações e fundamentações.
Para produzirmos esse processo mental chamado raciocínio é fundamental procurar várias fontes de informações e recursos para compararmos estas informações. Ao realizar esse processo, é importante evitar certos erros na metodologia:
Generalização: partir de informações básicas sobre algum assunto e os toma como regra para tudo que se refere a tal assunto.
Simplificação: partir de preconceitos próprios para analisar um assunto, sem buscar informações ou dados que embasem o argumento oferecido.
Reducionismo: partir de informações truncadas ou incompletas para juntar ou aglutinar em um mesmo conceito assuntos díspares.
Hiperbolismo: partir de dados subjetivos, infundados ou incomprovados para sustentar um argumento visivelmente tendencioso.
Superficialismo: partir de opiniões ou dados obtidos pelos métodos acima para produzir uma visão desprovida de conhecimento sobre o assunto, mas dando a esta visão o caráter de veracidade.
Em contraparte, devem ser estimulados:
Comparação: buscar diversas fontes de informação para conferir e certificar os dados e as opiniões obtidos. Inversão: tomar um dado ou opinião e verificar se seu inverso é verídico ou se por na posição da pessoa criticada.
Ampliação: esmiuçar dados e opiniões para que nos detalhes possam ser percebidos os erros de raciocínio.
Contextualização: colocar todo dado ou opinião em seu devido campo ou época ou cultura. Contrastação: ouvir opiniões contrárias ou controversas para testar todas as possibilidades e visões sobre o assunto.
Qualquer um munido de recursos consegue desenvolver um raciocínio, mas isto não é suficiente para se ter razão. A razão é algo que se conquista com o raciocínio bem elaborado, através de um argumento consistente e coerente uma pessoa demonstra que tem razão sobre determinado assunto ou questão específica colocada em debate em um diálogo.
Aqui começa a parte mais interessante e dinâmica do ser humano que é o enfrentamento de visões e o choque de opiniões. Neste embate de mentes, não é o importante vencer, mas que prevaleça o bom senso, que é a somatória dos conhecimentos humanos.
Não é quem melhor argumenta quem se sobrepõe em um debate, mas o conhecimento adquirido e melhor utilizado. A razão é como a verdade, não existe solitária, mas solidamente fundamentada pelo conhecimento que outros puderam comprovar e demonstrar ao longo do tempo. Não é a inteligência nem a velocidade de associar idéias que fazem o raciocínio, essas qualidades são o presente dos Deuses para nós, na esperança que façamos bom uso delas. Nós nos orgulhamos em nos considerar mais evoluídos por nossa inteligência, mas a única diferença que temos com os demais seres vivos é que nós somos mais barulhentos.

Anotações variadas

Introdução.
Uma noção bastante precisa sobre a Wica é que ela não é uma religião de livro, mesmo o famigerado Livro das Sombras não é mais que um mero instrumento para ser utilizado dentro do círculo, no contexto da assembléia que o formulou. Isto provoca muitas dúvidas e questões que somente o estudante, ao seguir e aprender a tradição que sua companhia sustenta, poderá resolver. Embora eu não pertença a um Coven, nem tenha sido iniciado dentro de uma tradição, acredito poder contribuir aos que passaram do básico, sobre alguns assuntos delicados que envolvem preferências pessoais, política, etiqueta, família e sociedade.

O que define a Wica.
Como toda religião, a Wica tem seus princípios, sua estrutura básica, um dogma, apesar do significado pejorativo desta palavra. O paradoxo é que a Wica não é definida por uma ortodoxia (uma fé certa), mas uma ortopraxia (uma prática certa). Ortopraxia deve ser entendida como esse conjunto de técnicas e credos que faz parte de uma determinada tradição, que são passados para seus estudantes e mantidos sem alterações. Apesar de algumas diferenças entre as tradições, há alguns princípios em comum, para que ainda sejam consideradas partes da Wica. Isto então significa que não se pode fazer o que bem se quiser, praticar diversas técnicas indiscriminadamente, misturar panteões ou mitos conflitantes, ou perceber as Divindades majoritárias da Wica da mesma forma que é encarada a Divindade majoritária nos credos monoteístas. Como meus colegas da Arte irão conhecer ou perceber este conjunto pode divergir da minha hipótese ou mesmo das outras possíveis hipóteses explicadas por outras pessoas. Independente disto ou de quanto outras pessoas discordem de minhas conclusões, com o devido respeito, eu os lembro que o princípio mais fundamental na Wica é que não há uma autoridade central. Portanto, o sacerdote e sacerdotisa de cada tradição podem falar apenas de seu grupo ou tradição, não tem autoridade para exigir ou criticar outros grupos e tradições, nem tem autoridade para exigir de pessoas que não pertençam ao seu grupo que concordem com suas visões.

Minha teoria.
Wica é uma religião Duoteísta, uma escola de mistérios iniciática originada de um ramo da Witchcraft Britânica que reúne práticas da mesma, mas com uma estrutura sacerdotal. Wica é a religião desenvolvida por Gerald Gardner, com o intuito de resgatar a Antiga Religião, as antigas escolas de mistérios, mas com uma estrutura particular e precisa, que é o que sustenta a tradição Gardneriana. Outros Deuses e Deusas possuem, dentro da tradição Gardneriana, um papel secundário ou acessório, sendo que estas Entidades são adotadas de forma independente, por uma linhagem, por um sacerdote ou por uma sacerdotisa, por motivos que convém a este contexto apenas. Tradições que utilizam ou aceitam trabalhar com múltiplos panteões, muitas vezes conflitantes, fazem por conta e responsabilidade própria e eu espero que o façam dentro de um critério, sem anular o princípio Duoteísta da Wica. Isto descarta então as hipóteses de que a Wica é uma religião xamânica, ou matrifocal, ou henoteísta, ou feminista, ou thelêmica, ou maçônica, ou satanista.

Gêneros, sexo, rituais.
Wica é uma religião extremamente humana e flexível, desde que cada tradição, linhagem, sacerdote e sacerdotisa se contenham em manter sua influência e hierarquia dentro de seus quadros. Nenhum grupo estritamente eclético ou constituído por “auto-iniciados” pode exigir de grupos tradicionais que sejam aceitos e reconhecidos como parte da Wica. Isto inclui grupos exclusivamente compostos por membros de um sexo (homossexuais) e grupos que privilegiam apenas o culto à Deusa (diânicos radicais).
Outro princípio da Wica tradicional Gardneriana é que seus rituais são heterossexuais, para isto é necessária a presença de um sacerdote e uma sacerdotisa que irão incorporar o Deus e a Deusa, de onde vem o sentido de dizer que a Wica é uma religião Duoteísta.
Grupos que privilegiam o culto somente à Deusa, a alijam de seu Consorte e a transformam em um Jeová de saias. Grupos que realizam rituais homossexuais estão realizando uma forma de magia sexual, mas certamente não estão realizando os ritos da Wica.
Quando a Wica floresceu nos EUA, havia um cenário de revolução, muitos grupos apareceram e alguns quiseram usar a Wica para dar uma sustentação sagrada a seus assuntos políticos e pessoais. Grupos que defendiam os direitos das mulheres, negros e homossexuais tinham um problema com o Cristianismo e a visão preconceituosa das igrejas cristãs nestes assuntos, tendo por base a Bíblia. Então, destes grupos que procuraram este suporte religioso aos seus assuntos políticos, surgiram as formas do Dianismo radical, fundado basicamente por um grupo feminista e lésbico que tinha androfobia, por isso que a doutrina destes enfocam uma estrutura mais matrifocal e um culto exclusivo à Deusa. Com essa exceção e a contribuição dada por escritores popularizadores da neo-wicca e da pop-wicca, apareceram igualmente grupos de Paganismo Moderno para gays que celebram rituais homossexuais. Ainda não apareceu um grupo que pleiteia uma Wica exclusiva para negros, mas existem grupos que misturam panteões nativos das Américas e da África em uma religião com um Deus e uma Deusa bem específicos.
Entretanto, isto não quer dizer que a Wica é homofóbica, não defenda os direitos das mulheres, negros e homossexuais. O que ela não pode ser é uma desculpa para propósitos políticos ou preconceito invertido. A Wica é a única religião tolerante quanto a outras formas de opção sexual, política e religião, desde que estas preferências não interfiram com sua estrutura, a ortopraxia que a define. Independente destas opções pessoais, quando um indivíduo encontra um Coven tradicional, ele ou ela deve concordar com a ortopraxia desta tradição e manter esta sem alterações, pois a prática tornará a ele ou a ela habilitados a celebrar os Antigos Mistérios, independente de suas opções pessoais fora do círculo.

O propósito da religião.
Houve uma época em que havia apenas uma instituição religiosa dominante e isto acarretou em inúmeros conflitos, guerras e disputas. Hoje em dia, nosso mundo está multiplicando em número de conflitos, guerras e disputas por que há uma disputa de poder entre três religiões majoritárias monoteístas que são o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. Isto ocorre porque faz parte da doutrina dos credos monoteístas que as demais religiões são produtos malignos de uma Entidade adversária do Deus de seu credo. Não é novidade nenhuma, na história da humanidade um grupo dominante sempre tentará suprimir ou demonizar os Deuses de seu passado, bem como as religiões antigas. Assim, não é difícil encontrar por várias mídias, ataques de grupos radicais fundamentalistas contra o Paganismo, a Witchcraft e a Wica. Isso criou um ressentimento contra as estruturas religiosas, contra a autoridade sacerdotal, contra a sistematização do credo. Em busca de uma liberdade de cunho mais político que religioso, algumas pessoas sempre usarão do clichê de acusar aos tradicionalistas de serem elitistas, radicais, fundamentalistas, ortodoxos e intolerantes, quando tudo que estas pessoas fazem é defender a ortopraxia que define a Wica. Por esse estresse de liberdade de cunho mais político que religioso é que existem grupos estritamente ecléticos e auto-iniciados, que tomam todo tipo de liberdade e adotam técnicas tão contrastantes, que dificilmente se pode definir o que fazem de Wica. Não se pode fazer uma leitura das práticas e história da Wica da forma que nos agradam, nós que devemos nos adaptar a uma religião, não ela às nossas preferências pessoais, por isso que se fala que a Wica requer uma observação da ortopraxia.

Toda religião tem um propósito, alguma meta, para nos transformar de criaturas comuns em seres humanos. Isso inclui um senso de ética, de etiqueta, de responsabilidade com a comunidade e com o ambiente em que vivemos. A Wica tem como propósito religar o ser humano ao seu potencial interno inato, isso requer uma reconsideração radical quanto a visão do nosso mundo, nosso corpo, nossa sexualidade e nossa consciência. Esse propósito só pode ser conquistado através de uma determinada prática, ritual e credo, que são parte da ortopraxia. Quando Gerald Gardner desenvolveu a Wica, ele teve um ponto de onde partir, que foi seu Coven de New Forest e teve um destino, que foi a estruturação da Wica como um sistema flexível, enquanto se mantivesse a ortopraxia e os Mistérios Antigos intactos. Quando Gerald Gardner recebeu seu grau de magister, dentro dessa forma de Bruxaria Hereditária, ele percebeu que a Arte estava fragmentada, então para tentar resgatá-la enquanto prática eficiente e como sistema sacerdotal ele reuniu diversas fontes, donde muitos grupos sem tradição ou estritamente ecléticos tiram a noção de que suas práticas sejam válidas. O problema com esse excesso de liberdade e permissividade está sendo sentida por estes mesmos grupos que reclamam da excessiva comercialização e popularização da Wica, tal como é visto em revistas, livros, programas de rádio e televisão. Então, gostem estes grupos ou não, há uma estrutura básica de onde se pode dizer o que é Wica e o que não é. Foi com este sentido que Gerald Gardner reuniu diversas fontes, para delas extrair pistas ou práticas que poderiam ter origem na escola de mistérios clássica, mais as raízes dos cultos originários europeus que são a base das múltiplas formas de Witchcraft ou Folklore da Europa. Dentro deste critério, Gerald Gardner estruturou a Wica, a partir dele se formou a tradição Gardneriana, a partir de Alex Sanders se formou a tradição Alexandrina e a partir delas, as muitas linhagens.

O futuro da Wica.
Gerald Gardner não desenvolveu a Wica para ser uma religião de massas, embora tenha deliberadamente a tornado pública, o que acarretou que a Wica deixou de ser uma religião exclusiva para ser uma religião inclusiva, excedeu as fronteiras e as definições compreensíveis para a época e continua crescendo como desafio ao Status Quo, bem como aos seus praticantes mais tradicionais. Talvez a Wica se torne uma religião mundial, como o Judaísmo, o Cristianismo, o Islamismo, o Budismo, o Xintoísmo e o Hinduísmo. Talvez vejamos entre suas divisões um conflito tão belicoso quanto o que ocorre entre as divisões do Cristianismo. Discussões bastante apaixonadas já ocorrem com freqüência entre as suas muitas divisões, bem como é comum cada qual destas divisões falar ora na doutrina, ora na independência. Como uma religião viva, uma vez que sua base mais fundamental é esta ligação com os Deuses Antigos, a Natureza e os Ancestrais, a Wica está em pleno desenvolvimento e produzindo frutos, mostrando a presença mais do que vívida do Casal Divino entre seus adoradores. A conclusão mais esperançosa é que haja convivência e tolerância entre suas múltiplas faces, com a mesma tolerância e convivência que procuramos ter hoje com outras religiões. Temos que aprender e não repetir os exemplos ruins que aconteceram nas histórias das outras religiões, para exigir respeito é necessário dar respeito. O mundo já sofreu demais com a perseguição e a guerra religiosa. Não damos exemplo algum, nem mostrando o quanto somos melhores, se continuarmos discutindo tão ferozmente quem é melhor, quem é mais certo, quem é mais verdadeiro. A Wica, tal como foi desenvolvida, começou com Gerald Gardner, mas não deve se restringir ao que foi desenvolvido por esta pessoa e sim deixar que o Casal Divino escolha como quer que seu culto se manifeste. Que os Deuses decidam qual tradição permanece e qual tradição irá sumir.

Nota póstuma: eu discordo da postura do Políticamente Correto e do Laisser Faire em voga no Neopaganismo Brasileiro. Infelizmente acabei aprendendo e descobrindo a duras penas que não é porque alguém está trabalhando pela Wicca que isto o torna necessáriamente confiável. Infelizmente, os discursos e ações destas pessoas que estão divulgando a Wicca para o público visa apenas a estabelecer uma ditadura hegemônica.

Mitos Modernos II

Fatos que neo-pagãos modernos, urbanos e românticos demais deveriam saber.

A causa animal
Eu analisei a fundo os motivos reais que movem essa defesa do direito dos animais e detonei o proselitismo Vegan. Mas lembrando em um breve relato, isso é uma tendência moderna ocidental vinda dos princípios religiosos do Hinduísmo, que inclui karma, metemsopsicose e metemsoplasmose. Os Hindus "respeitam" os animais porque crêem que ali pode estar encarnado um ancestral ou um deva, portanto, matar e comer uma vaca é assassinato e canibalismo. Segundo esse pensamento religioso, matar e comer um animal traria para o nosso corpo o karma que esse possível ancestral encarnado carrega consigo. Esse pensamento religioso se somou ao problema do meio ambiente e a visão reducionista de todas as espécies aos animais domésticos. Neo-pagãos não estão alinhados a uma religião especifica, mas tem a ideologia da conservação do meio ambiente como um todo, incluindo políticas de produção agrícola e pecuniária. Torna-se loucura e insensatez querer retornar à modos de produção medievais e locais. Respeito à vida começa com a nossa própria, lidando com as desigualdades sociais e questões de saúde.

A demonização do ser humano
De repente, por contextualizar a realidade da Natureza e desconstruir a ilusão do direito dos animais me tornou em um monstro que concorda com a matança indiscriminada. Sem dúvida, nossa espécie é a única que possui consciência e dá um motivo ao ato de matar, muitas vezes por prazer. Eu sou neo-pagão, mas sou realista, não existe essa Natureza harmônica nem animais santos. Não espere respeito de um predador carnívoro, não espere misericórdia do vírus do ebola. Muitos neo-pagão embarcam nessa viagem New Age e acreditam que ser pagão é respeitar toda forma de vida e viver em harmonia com a Natureza. Muitos acredita piamente que, se implementarem mundialmente os "valores" do Paganismo, que a humanidade irá retornar a uma Era Dourada onde humanos e animais viviam cordialmente em harmonia. Isso acontece com a falta de informação histórica e antropológica, em conjunto com uma propaganda alienante provindo de líderes auto-proclamados. Nós somos uma espécie bem sucedida graças ao domínio da Natureza e só podemos continuar existindo com o uso responsável desta, o que é bem diferente de glamourizar a causa do direito dos animais.

A "harmonia" da Natureza
Nós somos uma espécie interessante. Somos os únicos que, conscientes de nossa existência, projetamos na Natureza valores e características humanas. Neo-pagãos que crêem mesmo na "harmonia" da Natureza não deve ter visto noticiário ultimamente. Vulcões, terremotos, tsunamis, ciclones, nevascas, tempestades. Nem todas são conseqüência do vilão do momento, o Aquecimento Global, ou da ação predatória do ser humano. Mesmo entre os animais, esta convivência harmoniosa e respeitosa é uma bobagem que qualquer naturista sabe. Eu lembrei o exemplo do vírus do ebola, tem o caso da dengue hemorrágica e a Maré Vermelha, que é uma colônia de algas que cresce a um ponto de tornar impossível a vida de outras espécies. Recomendo aos neo-pagãos que compraram essa ideologia da "harmonia" da Natureza que vejam com mais freqüência o National Geografic, para ver como os bichos também lutam entre si e matam por prazer. Apenas os neo-pagãos românticos e alienados vêem harmonia, convivência e respeito onde não há, exemplos eu tenho de sobra, mas o espaço é limitado.

A vida de nossos ancestrais
Este é certamente o ponto mais frágil e delicado para se escrever a respeito aos neo-pagãos abobados, repletos da ideologia New Age. Infelizmente há uma enorme capa romântica cobrindo a história de nossos ancestrais, há um completo desconhecimento antropológico e uma enorme alienação a respeito da vida e dos valores de nossos ancestrais. Nossos ancestrais conseguiram sobreviver em comunidades tribais em um ambiente inóspito. Eles não conseguiram isto tendo respeito a toda forma de vida ou convivendo de forma harmônica com a Natureza. Querer impingir ideais modernos a eles é uma ofensa à memória e ao esforço deles. Hoje nós arrotamos essa bobagem provinciana e civilizada porque eles tiveram culhões, nenhum neo-pagão urbano moderno sobreviveria dois dias se estivesse nas mesmas condições. Nossos ancestrais guerreavam, matavam, pilhavam, estupravam, escravizavam, caçavam, desflorestavam e cometiam atos que, nos dias de hoje, chocaria os neo-pagãos abobados. Para citar um fato estranho, muitos neo-pagãos tem orgulho em falar do culto à fertilidade, mas pode se esperar uma reação moralista cristã quando se fala em prostituição sagrada, sacrifícios humanos e nudez ritual.

Conclusão
Os propósitos do Paganismo e do Neo-paganismo passa bem longe dos propósitos da New Age. Assim como nossos ancestrais, os neo-pagãos procuram ter um melhor relacionamento com o meio ambiente, pela simples equação de que, sendo nós parte deste meio ambiente, nossa existência depende da manutenção do mesmo, sem deixar de lado a realidade de nossa época e as condições da sociedade atual. Repito, isso envolve políticas efetivas de produção agrícola e pecuniária, envolve melhor distribuição destes insumos e justiça social. Basta de ficar chorando a respeito de fatos passados em que o abuso de poder de uma instituição (religiosa ou política) ceifaram tantas vidas inocentes. Vidas inocentes estão sendo ceifadas hoje, pela fome, pela guerra, pelo terrorismo, por doenças e catástrofes naturais. As conseqüências da falta de políticas sociais e de uma autoridade estão bem visíveis na guerra civil urbana. Por isso que defendo como parte do Neo-paganismo essa ação social, a justiça social é igualmente importante para nossa sobrevivência como espécie, uma vez que a existência de uma sociedade, tribo ou clã faz parte de nossa natureza. Entretanto, e não defendo a teoria marxista ou a bandeira socialista, mas sim um ideal acima de teorias e fórmulas, eu defendo a autogestão e a autonomia que venha da própria comunidade.