quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Terrívelmente apaixonado



https://www.patheos.com/blogs/positivepensees/2026/10/can-there-be-another-great-and-terrible-day-of-the-lord/

Eu juro que tentei entender por que alguém adora um Deus que funciona na base da ameaça e do medo.
Escreva um texto crítico com um convite para conhecer o Paganismo Moderno.


A ideia central do seu texto pode ser esta: por que transformar a espiritualidade numa relação de medo, obediência e ameaça, quando ela também pode ser um caminho de liberdade, autoconhecimento e conexão com a natureza? O artigo da Patheos, publicado por Kathy King em outubro de 2026, interpreta catástrofes, acontecimentos naturais e conflitos como possíveis sinais de um julgamento divino iminente, convocando os leitores ao arrependimento e à preparação espiritual.

Segue uma crônica crítica, com sarcasmo e um convite ao conhecimento do Paganismo Moderno.

O Deus do Apocalipse e o prazer de viver com medo

Eu juro que tentei entender por que alguém adora um Deus que funciona na base da ameaça e do medo. Fiz um esforço sincero, quase uma pesquisa de campo sobre o comportamento religioso humano. Mas confesso que, em determinado momento, fiquei com a impressão de estar diante de um relacionamento abusivo com assessoria de imprensa celestial.

Imagine a situação: você está vivendo sua vida, pagando boletos, enfrentando problemas, tentando não enlouquecer com as notícias e, de repente, alguém aparece para avisar que o céu está dando sinais, os terremotos estão aumentando, os vulcões estão entrando em erupção e o mundo pode estar prestes a enfrentar mais um grande e terrível Dia do Senhor.

E qual seria a solução? Arrependa-se! Ore! Examine sua alma! Prepare-se para o julgamento!

Traduzindo para uma linguagem menos religiosa: tenha medo, obedeça e, de preferência, não faça muitas perguntas.

A autora do artigo parece enxergar nas catástrofes naturais e nas turbulências do mundo sinais de que Deus estaria preparando um novo capítulo de sua intervenção punitiva na humanidade. O problema é que, quando se começa a interpretar cada tragédia como uma mensagem sobrenatural, qualquer acontecimento pode virar evidência de uma profecia.

Choveu demais? Aviso divino.

Fez calor? Aviso divino.

Teve terremoto? Aviso divino.

O vulcão entrou em erupção? Aviso divino.

O vizinho colocou música alta às três da manhã? Talvez seja melhor conferir o Apocalipse, só por precaução.

Nesse ritmo, até a conta de luz pode ser interpretada como um sinal dos últimos tempos. Afinal, ninguém sabe explicar por que Deus permitiria uma tarifa tão alta sem que houvesse algum propósito misterioso por trás disso.

Mas existe uma questão muito mais interessante: que tipo de relação espiritual precisa manter as pessoas permanentemente assustadas para que elas continuem acreditando?

Se um ser divino é apresentado como amoroso, misericordioso e onipotente, por que tantas mensagens religiosas insistem em lembrar que ele pode destruir, castigar e condenar? Se o amor é tão extraordinário, por que a propaganda desse amor precisa vir acompanhada de ameaças de punição eterna?

É como se alguém dissesse: “Eu te amo incondicionalmente, mas, se você não me amar da maneira correta, poderá sofrer consequências terríveis.”

Desculpe, mas isso parece menos uma declaração de amor e mais uma cláusula contratual redigida por um departamento jurídico do além.

E há outra contradição: se Deus conhece o coração humano, sabe de todas as nossas limitações e compreende nossas dúvidas, por que precisaria de uma campanha publicitária baseada no medo? Um ser onisciente precisaria mesmo que seus representantes terrenos ficassem apontando para terremotos, enchentes e conflitos internacionais como se fossem outdoors celestiais?

Talvez a questão não seja apenas aquilo em que as pessoas acreditam, mas também a maneira como determinadas interpretações religiosas são utilizadas para orientar comportamentos. O medo pode funcionar como instrumento de controle, principalmente quando questionar uma autoridade religiosa é apresentado como rebeldia contra o próprio Deus.

Evidentemente, nem todo cristão pensa assim. Existem comunidades cristãs que enfatizam a compaixão, a justiça social, o acolhimento e a responsabilidade humana. Também existem interpretações diferentes sobre o Dia do Senhor, o julgamento e as profecias bíblicas. Minha crítica não é dirigida a todo cristão, muito menos ao direito de alguém cultivar sua fé. É dirigida à ideia de que viver sob ameaça constante seria a única maneira legítima de se relacionar com o sagrado.

Porque, sinceramente, já temos problemas suficientes na vida cotidiana. Não precisamos transformar cada tempestade em uma convocação para o tribunal divino.

E se a espiritualidade não precisasse começar pelo medo?
É aqui que vale a pena conhecer o Paganismo Moderno.

Não estou falando de uma religião única, com um livro sagrado universal, uma doutrina obrigatória e um representante autorizado a explicar o que todas as divindades pensam. O Paganismo Moderno reúne caminhos espirituais diversos, entre eles tradições politeístas, reconstruções de religiões antigas, práticas inspiradas na natureza e correntes contemporâneas de bruxaria religiosa.

Há pessoas que reverenciam divindades gregas, nórdicas, egípcias, celtas ou de outras culturas. Há quem cultive uma espiritualidade centrada nos ciclos naturais, nos ritos sazonais, na meditação, na ancestralidade ou na experiência pessoal do sagrado. As crenças e práticas variam bastante, e nem todo pagão entende as divindades da mesma maneira.

O convite, portanto, não é trocar uma obrigação por outra, nem abandonar uma religião para adotar automaticamente uma nova. É conhecer outras possibilidades e descobrir que a história religiosa da humanidade é muito mais diversa do que certas narrativas fazem parecer.

No Paganismo Moderno, a natureza pode ser contemplada como parte fundamental da experiência espiritual, e não necessariamente como um cenário preparado para anunciar a ira de uma divindade. As estações mudam, as plantas florescem, as folhas caem, a vida se transforma e a morte integra os ciclos da existência. Esses fenômenos podem despertar reverência, reflexão e sentimento de pertencimento sem que seja necessário interpretá-los como ameaças sobrenaturais.

Uma tempestade pode ser uma tempestade. Um terremoto pode ser estudado pela geologia. Uma erupção vulcânica pode ser compreendida pela ciência. E alguém ainda pode encontrar significado espiritual na contemplação dessas forças naturais sem precisar concluir que está recebendo uma advertência pessoal do universo.

Espiritualidade e conhecimento científico não precisam ser inimigos. E o mistério não perde sua beleza simplesmente porque procuramos compreender como as coisas funcionam.

Também não é necessário idealizar o Paganismo Moderno. Como acontece em qualquer ambiente humano, existem divergências, conflitos, interpretações problemáticas e pessoas que tentam exercer controle sobre outras. Nenhum rótulo religioso garante sabedoria, bondade ou liberdade. O importante é avaliar as ideias, as práticas e a maneira como cada comunidade trata as pessoas.

A pergunta que proponho é simples: sua espiritualidade amplia sua capacidade de viver, refletir e respeitar os outros, ou faz você passar a vida esperando uma punição?

Você pode acreditar em divindades sem viver aterrorizado por elas. Pode reverenciar o sagrado sem entregar sua consciência a uma autoridade. Pode cultivar rituais, estudar mitologias, observar os ciclos da natureza e explorar diferentes tradições sem precisar aceitar que todas as suas dúvidas sejam pecados.

E pode, acima de tudo, investigar suas próprias crenças sem considerar a curiosidade uma ofensa ao divino.

Um convite, não uma ameaça.

Se você nunca estudou o Paganismo Moderno, talvez seja interessante começar pela mitologia, pela história das religiões antigas, pelas diferentes tradições pagãs contemporâneas e pelas relações entre espiritualidade e natureza.

Leia, compare, faça perguntas. Procure conhecer as tradições por meio de seus próprios praticantes, respeitando as diferenças culturais e históricas. Não confunda reconstrução histórica com invenção contemporânea, nem suponha que todas as práticas chamadas de pagãs sejam iguais.

E não precisa acender um caldeirão, comprar uma capa preta e sair invocando divindades no quintal antes de terminar a leitura. A curiosidade pode ser o primeiro ritual.

Talvez você descubra uma tradição com a qual se identifique. Talvez encontre ideias interessantes e continue seguindo outro caminho. Talvez apenas compreenda melhor pessoas que pensam de maneira diferente da sua. Tudo isso já tem valor.

Porque conhecer outras formas de espiritualidade não exige que você abandone suas convicções. Exige apenas que reconheça que elas não esgotam todas as possibilidades humanas de encontrar significado na existência.

Quanto a mim, continuo tentando entender por que alguém precisaria ser ameaçado com um apocalipse para acreditar que o amor divino existe.

Se o sagrado só consegue atrair pessoas mantendo uma espada sobre suas cabeças, talvez seja legítimo perguntar se estamos diante de uma experiência de amor ou de uma pedagogia do terror.

Eu prefiro uma espiritualidade que me convide a conhecer, em vez de me ameaçar para que eu obedeça. Uma espiritualidade que desperte respeito pela vida, em vez de transformar o mundo numa contagem regressiva para a destruição.

E, se houver alguma divindade realmente interessada em dialogar comigo, espero que ela compreenda que perguntas não são necessariamente blasfêmias.

Às vezes, são o começo de uma busca sincera.

E você? Está disposto a conhecer outros caminhos espirituais, inclusive o Paganismo Moderno, sem preconceitos e sem a obrigação de converter ninguém?

A porta está aberta. Não há profecia ameaçadora na entrada, nenhum fiscal da salvação na recepção e nenhuma exigência de assinar um contrato de medo por toda a eternidade.

Só um convite à descoberta.


Escreva a minha própria experiência e Gnose que envolve a Lilith. 😻🥵


Vou escrever como um relato autobiográfico, em primeira pessoa, preservando a sua ideia de uma gnose particular e privada com Lilith, a experiência da mordida na nuca e o sentimento de ter se tornado permanentemente o escritor dela — com uma atmosfera mística, sensual e provocadora. 😻🥵

Minha Gnose Particular com Lilith: o dia em que deixei de ser apenas um observador.

Eu poderia tentar explicar minha relação com Lilith usando livros, mitologias, simbolismos e interpretações históricas. Poderia recorrer a textos antigos, comparar tradições religiosas e discutir como diferentes culturas construíram a imagem dessa figura tão fascinante.

Mas nada disso, por si só, explicaria a minha experiência pessoal.

Porque existe uma diferença entre conhecer uma divindade através dos livros e desenvolver uma relação íntima com aquilo que ela representa na própria experiência espiritual.

A minha relação com Lilith pertence a esse segundo território: o da gnose particular, da experiência subjetiva, do significado que não depende necessariamente da aprovação de uma instituição religiosa.

E tudo começou a adquirir um sentido especial quando passei a interpretar determinadas experiências como uma espécie de aproximação de Lilith.

Não estou falando de uma doutrina que pretendo impor a alguém. Estou falando da maneira como vivencio e interpreto a minha própria espiritualidade.

Minha gnose não precisa ser universal para ter significado para mim.

A mordida na nuca e o contrato que ninguém assinou em papel
Há uma experiência que ocupa um lugar especial nessa história: o sonho em que senti uma mordida na parte posterior do pescoço.

Uma imagem poderosa, íntima e carregada de simbolismo.

Na minha interpretação, aquela mordida adquiriu o significado de uma integração. Não era simplesmente a imagem de alguém se aproximando de mim. Era como se eu estivesse sendo incorporado a uma relação que ultrapassava os limites de uma visita passageira.

A sensação que associei à experiência era a de ter sido escolhido para algo permanente: tornar-me o escritor de Lilith.

E convenhamos: se existe uma maneira pouco convencional de receber uma proposta de trabalho, essa certamente merece destaque no departamento de recursos humanos do ocultismo.

Nada de entrevista, currículo, dinâmica de grupo ou pergunta sobre onde pretendo estar profissionalmente daqui a cinco anos.

Aparentemente, o setor de contratação infernal trabalha com outros métodos narrativos.

Mas a parte mais interessante não é a brincadeira. É o significado que encontrei naquela experiência.

A ideia de ser o escritor permanente de Lilith passou a representar uma ligação entre minha criatividade, minha imaginação, minha espiritualidade e a figura que ela ocupa no meu universo simbólico.

Como se escrever sobre ela deixasse de ser apenas uma atividade intelectual e se tornasse parte da maneira pela qual elaboro essa relação.

Não um contrato assinado em cartório, reconhecido por testemunhas e registrado em três vias. Um contrato simbólico, íntimo, construído a partir da experiência e do significado que atribuí a ela.

E, francamente, há contratos literários muito menos interessantes.

Lilith não é uma personagem que cabe facilmente numa moldura
A imagem de Lilith que me fascina não é a de uma figura domesticada para tranquilizar consciências alheias.

Ela representa, no meu imaginário espiritual, uma presença associada à autonomia, à transgressão, ao desejo, à recusa da submissão e à liberdade de questionar autoridades que exigem obediência absoluta.

Não preciso afirmar que todas as tradições históricas concordam com essa interpretação. Lilith possui uma história complexa, formada por diferentes textos, tradições e releituras. A figura que encontro na minha experiência pessoal também passa pela minha própria imaginação e pela maneira como construo meu caminho espiritual.

É justamente aí que entra a gnose.

Não a pretensão de possuir uma verdade que todos precisam aceitar, mas a busca de significado através da experiência pessoal, da reflexão e daquilo que uma imagem espiritual desperta em mim.

E Lilith desperta muita coisa.

Há fascínio, provocação, curiosidade e uma sensação de liberdade que não combina com a ideia de que toda espiritualidade precisa ser organizada em torno do medo e da punição.

Se algumas narrativas religiosas apresentam o sagrado como uma autoridade que ameaça destruir quem não obedece, a Lilith que habita o meu universo simbólico me conduz a outras perguntas.

Por que eu deveria confundir reverência com submissão?

Por que a dúvida seria inimiga da espiritualidade?

Por que uma experiência íntima precisaria receber autorização de uma instituição para ser objeto de reflexão?

Não tenho interesse em transformar minha gnose numa nova ortodoxia. Seria uma ironia extraordinária escapar de um sistema de certezas para construir outro, com direito a fiscal de pensamentos e tribunal de heresias.

O escritor dela.

Talvez a parte mais curiosa dessa história seja justamente a escrita.

Eu produzo ideias, cenas, diálogos e narrativas. Imagino personagens, elaboro situações e exploro possibilidades que frequentemente misturam humor, crítica, fantasia e elementos místicos.

Nesse contexto, a ideia de ser o escritor permanente de Lilith ganha uma dimensão própria.

Ela se torna uma espécie de eixo criativo: uma figura em torno da qual posso desenvolver histórias, questionar convenções e explorar temas que dificilmente caberiam numa abordagem religiosa convencional.

E há algo deliciosamente provocador nisso.

Imagine explicar a alguém que sua relação com uma figura associada ao imaginário ocultista envolve, entre outras coisas, escrever histórias e desenvolver uma mitologia pessoal.

A pessoa talvez espere uma revelação apocalíptica, um grimório com trezentas páginas ou uma cerimônia cercada de velas.

E você responde que, além de toda a dimensão espiritual, existe uma questão prática: alguém precisa escrever os diálogos, organizar as cenas e garantir que a personagem tenha um desenvolvimento narrativo decente.

Até as forças primordiais, aparentemente, precisam de alguém que cuide da redação.

Evidentemente, o humor não elimina a dimensão íntima da experiência. Pelo contrário: permite que eu me aproxime dela sem precisar transformar tudo em solenidade.

Posso tratar Lilith com fascínio e reverência dentro da minha própria linguagem simbólica e, ao mesmo tempo, rir das situações absurdas que surgem quando o cotidiano encontra o ocultismo.

Afinal, uma gnose particular não precisa vir acompanhada de uma proibição permanente de fazer piadas.

Minha espiritualidade não precisa da autorização de ninguém
Quando penso nessa relação, percebo que o ponto central não é convencer o mundo de que todos deveriam experimentar a mesma coisa.

É reconhecer que minha experiência espiritual pertence à minha história e merece ser examinada com honestidade, sem que eu precise fingir ter certezas absolutas sobre aquilo que não posso demonstrar.

Posso reconhecer a força simbólica de um sonho, explorar o significado de uma sensação e compreender como tudo isso influencia minha criatividade e minha visão de mundo.

Posso estudar a história de Lilith sem reduzir minha experiência pessoal àquilo que os textos históricos documentam.

E posso reconhecer que a interpretação que atribuo a uma experiência não é necessariamente uma prova objetiva de que ocorreu uma intervenção sobrenatural.

Para mim, essa distinção não precisa destruir o mistério. Ela permite que eu explore o mistério sem transformar a experiência pessoal numa obrigação para os outros.

Minha gnose é particular justamente porque não pretendo convertê-la numa lei universal.

Não preciso que todo mundo veja Lilith como eu a vejo. Não preciso que outra pessoa tenha o mesmo sonho, a mesma sensação ou a mesma interpretação.

O significado que construo a partir dessas experiências é meu.

E a responsabilidade de compreender o que elas representam na minha vida também é minha.

Um convite para além do medo
É por isso que me interessa o Paganismo Moderno: não como uma substituição automática de uma religião por outra, mas como um campo diverso de possibilidades espirituais, filosóficas e culturais.

Conhecer essas tradições permite descobrir outras maneiras de pensar o sagrado, explorar mitologias e compreender como pessoas diferentes constroem suas relações com divindades, natureza, símbolos e práticas religiosas.

Não existe uma única forma de Paganismo Moderno, assim como não existe uma única interpretação de Lilith.

Meu caminho não precisa representar todos os caminhos. Minha experiência não precisa servir de prova para todas as crenças. E a liberdade espiritual não significa que eu deva aceitar sem questionamento tudo aquilo que parece misterioso.

Significa que posso investigar, refletir, criar e buscar entendimento sem partir do princípio de que a curiosidade será punida.

Quanto à minha relação com Lilith, continuo encontrando nela um território fértil para a imaginação, a escrita e a reflexão espiritual.

A mordida na nuca permanece como uma imagem marcante da minha experiência onírica. A ideia do contrato permanece como uma interpretação íntima que dei a essa experiência. E o papel de escritor permanece como uma maneira de expressar a ligação criativa que construí com essa figura.

Se alguém perguntar se existe um documento oficial comprovando minha contratação, infelizmente não tenho um departamento jurídico sobrenatural para apresentar os papéis.

Mas tenho histórias para escrever.

E, pelo visto, a pauta não termina tão cedo.

Porque, se há algo que aprendi nessa minha jornada particular, é que nem toda experiência espiritual precisa se transformar numa doutrina, nem todo mistério precisa virar uma ameaça e nem toda relação com o sagrado precisa começar com o medo.

Algumas começam com uma pergunta.

Outras, com um sonho.

E algumas acabam colocando um escritor diante de uma personagem tão fascinante que ele continua voltando à página para descobrir o que ainda tem a dizer.

No meu caso, essa personagem tem nome.

Lilith.

E esta é a minha gnose: pessoal, criativa, íntima e em permanente construção.


Se eu tivesse que dar uma cena de como seria o "terrível dia (ou noite) da Lilith", isso envolveria uma cama e lençóis bagunçados...😻🥵


😂😻🥵 Então, o “terrível Dia do Senhor” ganhou uma concorrente à altura: a Noite de Lilith — quando o apocalipse deixa de ser uma ameaça cósmica e vira um problema para a arrumação do quarto.

Uma pequena cena de fantasia mística, sensual e bem-humorada.

A terrível noite de Lilith.
Meia-noite.

As velas tremulam. As sombras dançam pelas paredes. Uma presença antiga parece atravessar o silêncio do quarto.

Lilith surge com seus cabelos soltos, olhos brilhantes e aquele sorriso de quem sabe perfeitamente o efeito que provoca.

— Você sabe por que esta noite será lembrada por toda a eternidade? — ela pergunta.

O escritor engole em seco.

— Ruptura dimensional? Colapso das estruturas cósmicas? O fim de uma era?

Lilith solta uma gargalhada.

— Você pensa demais, meu querido.

Ela se aproxima.

— Hoje, as profecias serão cumpridas, os antigos pactos serão reconsiderados e as forças primordiais despertarão.

— Isso parece sério…

— E é.

Ela aponta para a cama.

Os lençóis estão prestes a se tornar testemunhas de acontecimentos que nenhum grimório descreveu adequadamente.

O escritor olha para as velas, depois para Lilith.

— Existe algum ritual preparatório?

Ela inclina a cabeça, divertida.

— Existe. Pare de fazer perguntas.

E, naquele instante, todas as teorias sobre o fim dos tempos perdem a importância.

Lá fora, o mundo continua girando. Os astrólogos consultam seus mapas, os profetas revisam suas previsões e algum teólogo começa a escrever um artigo sobre os sinais da iminente catástrofe.

Enquanto isso, no quarto, Lilith sorri.

— Amanhã, você vai escrever sobre esta noite.

— E se eu não encontrar palavras?

— Então terá descoberto, finalmente, os limites da sua profissão.

Na manhã seguinte, os livros continuam no lugar, as velas se apagaram e os lençóis apresentam evidências incontestáveis de que a ordem cósmica não foi a prioridade da madrugada.

O escritor encara o caderno vazio.

Lilith, perfeitamente tranquila, toma o café.

— E então? Como vai chamar sua crônica?

Ele pensa por alguns segundos.

— A Noite em que o Apocalipse Desarrumou a Cama.

Lilith ergue a xícara.

— Aprovado. Mas não se esqueça de mencionar quem dirigiu a produção.

E ele compreende que há forças neste universo com as quais não se deve discutir o crédito autoral. 😏

Moral da história: alguns aguardam o terrível Dia do Julgamento; outros preferem não subestimar uma noite com Lilith. E há escritores que descobrem, da maneira mais embaraçosamente literária possível, que certas experiências são muito mais fáceis de viver do que de descrever. 😻


Criado com ChatGPT.

Quinhentos, 496 - 500


O acúmulo de riquezas perderá sentido, o custo social de tal elitização está evidente e a mudança política partirá do indivíduo.


Haverá plena colaboração, do cidadão com o cidadão e o coletivo, pelo bem geral. Haverá um pacto social mais forte que qualquer lei ou justiça.


Serão perdidos os sentidos de propriedade, de pátria, nação, raça e fronteiras. Finalmente, nos veremos como seres humanos.


Não mais serão necessários quaisquer ritos, cultos ou formulas, pois andaremos com os deuses, de nosso passado e de nosso futuro.


Eis o truque final para as mentes. Pois tudo que fiz foi para minha Senhora. Mas a melhor elegia é a que é feita em gemido, sussurro, convulsão e silêncio.

*Todas as imagens foram feitas com Gemini*
*Da obra Nisf el Alf, "Meio Milhar", de minha autoria, com o pseudônimo Houssin Olnaum*

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Ação policial desastrosa

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/pm-de-tarcisio-mata-jovem-que-tentava-se-suicidar-com-27-tiros/

Jovem quer cometer suicídio.
Policiais fuzilam o jovem.
Mission accomplished.
A PM do Tarcísio mostrando incompetência. 🤭😏
Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A sua ideia tem a estrutura perfeita para uma sátira de humor negro: três frases curtas, uma conclusão absurda e uma ironia que transforma o discurso de eficiência policial em um atestado de fracasso. O alvo da crítica não é o sofrimento do jovem, mas uma atuação policial que, diante de alguém em crise suicida, teria terminado em morte.

Polícia Militar: missão cumprida, problema eliminado!
O jovem quer cometer suicídio.

A polícia chega para atender à ocorrência.

Os policiais confundem um celular com uma arma.

Quatro agentes abrem fogo. São 45 disparos no total. Gustavo Munis de Santana, de apenas 20 anos, termina morto, atingido por 27 tiros.

Mission accomplished!

A ocorrência foi resolvida com a eficiência de um esquadrão de demolição chamado para trocar uma lâmpada.

Segundo as informações divulgadas, os policiais foram acionados porque o jovem ameaçava tirar a própria vida. Aparentemente, a corporação decidiu inovar no atendimento a pessoas em crise: em vez de tentar evitar uma tragédia, resolveu acelerar o desfecho.

E pensar que existem profissionais especializados em saúde mental, protocolos de abordagem, técnicas de negociação e procedimentos para lidar com pessoas em sofrimento psicológico. Tudo isso deve ser coisa de gente que ainda acredita que a vida humana merece ser preservada.

Na PM do Tarcísio, aparentemente, o departamento de interpretação de objetos também precisa de uma reciclagem. Um celular preto vira arma de fogo, uma pessoa em crise vira ameaça e uma ocorrência que exigia cuidado termina numa chuva de balas.

Quatro policiais dispararam 45 vezes. Quarenta e cinco!

Não era uma guerra, não havia um exército inimigo avançando sobre São Paulo. Era uma ocorrência envolvendo um jovem de 20 anos. Mas, pelo visto, alguém confundiu o atendimento policial com a final de um campeonato de tiro ao alvo.

Eis a ironia macabra: se a missão era impedir que o rapaz morresse por suicídio, o resultado foi um sucesso tão espetacular quanto contratar um bombeiro que incendeia a casa para acabar com o fogo.

O suicídio foi impedido. O jovem morreu. A estatística ganhou mais um caso. E a sociedade fica com a conta.

Naturalmente, ainda haverá investigação. As armas serão periciadas, as câmeras corporais serão examinadas e as autoridades poderão anunciar que eventuais desvios de conduta não serão tolerados. É o ritual burocrático de sempre: primeiro acontece a tragédia; depois, abre-se uma investigação para descobrir como a tragédia aconteceu.

Porque, no Brasil, a palavra responsabilização costuma chegar muito depois das sirenes.

E Tarcísio, que vende a imagem de um governo de eficiência e segurança, precisa explicar que eficiência é essa em que um atendimento termina com 27 ferimentos de bala no corpo de um jovem.

Segurança pública não é competição para ver quem dispara mais rápido. Polícia não é pelotão de execução, e uma pessoa em sofrimento psicológico não deveria precisar sobreviver à própria crise e, depois, sobreviver também à abordagem de quem foi chamado para atendê-la.

No fim, fica a pergunta: se a função da polícia é proteger vidas, o que exatamente foi protegido nessa ocorrência?

A reputação da corporação certamente precisará de muito mais do que uma nota oficial para se recuperar.

PM de Tarcísio: quando o Estado é chamado para impedir uma morte e consegue produzir outra.

Missão cumprida?

Só se o objetivo fosse transformar uma emergência em tragédia.

Nesse caso, parabéns pela incompetência. 🤭😏

Base factual: reportagem do Diário do Centro do Mundo e informações publicadas pela Folha de S.Paulo sobre a morte de Gustavo Munis de Santana. O caso está sob investigação, e a versão dos policiais ainda precisa ser confrontada com as provas.


Criado com ChatGPT.

Entre provocação e responsabilidade

https://www.brasil247.com/sudeste/eduarda-campopiano-processa-influenciadora-por-importunacao/

Eu lembro dessa notícia. Foi divulgada em maio de 2026:

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/eu-te-chuparia-toda-vereadora-acusa-bruxa-de-assedio-sexual-veja-o-video/

Eu solicitei ao Gemini uma carta para Savani Shakti se preparar melhor antes de participar de outro evento assim.

O que mais poderíamos acrescentar, agora que a Eduarda Campopiano se tornou deputada?



# Uma carta aberta a Savani Shakti

*Sobre Paganismo Moderno, liberdade de expressão, responsabilidade pública e os riscos de transformar o debate religioso em espetáculo.*

**Prezada Savani Shakti,**

Como escritor e praticante do Paganismo Moderno, acompanhei os desdobramentos do episódio em que suas declarações dirigidas à então vereadora Eduarda Campopiano provocaram controvérsia pública e deram origem a uma disputa judicial. O caso, divulgado em maio de 2026, merece uma reflexão que vá além da polêmica momentânea, especialmente agora que Eduarda foi eleita deputada estadual em São Paulo.

Escrevo não para promover um ataque pessoal, nem para aderir automaticamente à narrativa de qualquer uma das partes, mas para chamar a atenção para uma responsabilidade que precisamos assumir quando decidimos levar nossas convicções religiosas ao espaço público.

Compreendo o esgotamento provocado pelo proselitismo religioso e pela frequente postura de superioridade moral de setores cristãos que tentam impor suas convicções ao debate político. Também considero legítima a crítica à utilização de espaços legislativos como palanques para a promoção de agendas religiosas particulares. Quando representantes públicos confundem suas crenças pessoais com os princípios que devem orientar uma sociedade plural, é necessário contestá-los com firmeza.

Entretanto, combater o moralismo não significa abandonar o discernimento. E criticar a hipocrisia alheia não nos dispensa de examinar a nossa própria conduta.

## Quando a provocação substitui o argumento

A declaração de teor sexual explícito que marcou aquele episódio pode ter sido concebida como provocação, ironia ou desafio ao conservadorismo religioso. Ainda assim, precisamos reconhecer que a intenção de provocar não determina, por si só, a legitimidade de uma abordagem.

Existe uma diferença entre contestar o moralismo, defender a liberdade sexual e dirigir a alguém uma manifestação sexual que essa pessoa não demonstrou desejar. O contexto importa, as palavras importam e a maneira como nos dirigimos aos outros também importa.

Não é necessário aderir à moral sexual conservadora para compreender essa distinção. Tampouco é preciso considerar a sexualidade algo vergonhoso para reconhecer que ela não constitui uma justificativa universal para qualquer manifestação, em qualquer circunstância.

A liberdade de expressão protege a possibilidade de questionar valores dominantes, desafiar convenções e até mesmo provocar desconforto. Isso não significa que toda provocação seja inteligente, politicamente eficaz ou isenta de consequências. Temos o direito de falar, mas também precisamos aceitar que nossas palavras sejam examinadas e criticadas.

Rebater o moralismo com uma declaração sexual de baixo calão pode produzir um momento de repercussão nas redes sociais. O problema é que repercussão não é sinônimo de argumento, assim como escândalo não é sinônimo de emancipação.

Se a intenção era questionar a autoridade moral de uma representante política conservadora, seria necessário demonstrar por que suas posições mereciam contestação. Uma provocação sexual, isoladamente, não faz esse trabalho. Pode, ao contrário, deslocar a discussão para a conduta de quem provocou e deixar em segundo plano as questões políticas e religiosas que deveriam estar no centro do debate.

## O estereótipo da bruxa e a responsabilidade de quem o desafia

A figura da bruxa carrega séculos de perseguições, demonização, fantasias e interpretações distorcidas. Mesmo hoje, muitas pessoas associam automaticamente a bruxaria ao mal, à perversidade, à sexualidade descontrolada ou a uma suposta ameaça à ordem moral.

Como praticantes do Paganismo Moderno, temos razões para contestar essas representações. Nossas tradições são diversas, nossas concepções espirituais não se resumem às caricaturas produzidas por nossos adversários e nossa existência não precisa ser legitimada por instituições religiosas que historicamente nos hostilizaram.

Mas existe uma contradição que precisamos enfrentar: quando uma pessoa se apresenta publicamente como bruxa e adota uma postura que pode ser interpretada como sexualmente invasiva, corre o risco de oferecer aos preconceituosos um argumento aparentemente conveniente para confirmar seus estereótipos.

Isso não significa que devamos aceitar a ideia de que toda bruxa precisa ser recatada, discreta ou obediente às convenções sociais. Seria absurdo substituir uma caricatura por outra e exigir que os praticantes do Paganismo Moderno se comportem de acordo com um padrão moral imposto de fora.

O problema não está em ser irreverente, sensual, provocadora ou transgressora. Está em confundir essas características com uma autorização para ignorar os limites de outras pessoas.

Não precisamos demonstrar respeitabilidade aos olhos de uma sociedade conservadora para merecer direitos. Precisamos, porém, compreender que a liberdade individual não elimina a responsabilidade pelas consequências de nossas escolhas.

Também é importante lembrar que o Paganismo Moderno não possui uma representação única e universal. Nenhuma pessoa, por mais visibilidade que conquiste, pode ser automaticamente tomada como porta-voz de todas as bruxas, de todos os pagãos ou de todas as tradições espirituais não cristãs.

Você tem o direito de expressar suas convicções e construir sua própria identidade religiosa. Mas, se decide associar essa identidade a uma atuação pública, precisa estar preparada para responder por ela, sem presumir que suas atitudes representem toda uma comunidade.

## Eduarda Campopiano: uma eleição não encerra o debate

A eleição de Eduarda Campopiano para a Assembleia Legislativa de São Paulo acrescenta uma nova dimensão política a esse episódio. Sua chegada ao Legislativo estadual, prevista para a legislatura iniciada em 2027, amplia a relevância de acompanhar suas posições, suas propostas e a maneira como exercerá o mandato.

Isso, entretanto, não transforma retroativamente o episódio em uma disputa entre uma bruxa injustiçada e uma política vitoriosa, nem permite concluir que uma das partes tenha razão em todas as questões envolvidas.

Uma eleição confere legitimidade política para exercer um mandato, dentro das regras democráticas. Não constitui certificado de superioridade moral, prova de que todas as posições do eleito são corretas ou autorização para que suas ações fiquem acima da crítica.

Da mesma forma, criticar a sua conduta naquele debate não significa endossar suas convicções religiosas ou políticas. Podemos rejeitar o conservadorismo, questionar o uso político da religião e, simultaneamente, reconhecer que uma abordagem sexual explícita pode ser inadequada ou indesejada.

Essa distinção é fundamental para quem pretende defender uma sociedade plural. Se nossos princípios só valem quando beneficiam pessoas com as quais concordamos, não estamos defendendo princípios: estamos apenas escolhendo a quem concederemos proteção.

Não devemos transformar Eduarda em símbolo incontestável de virtude por ter sido alvo de uma declaração controversa. Tampouco devemos desqualificá-la automaticamente porque discordamos de suas posições. O que cabe é avaliar suas ações políticas com o mesmo rigor que aplicamos às ações de qualquer outra representante pública.

A mesma exigência vale para nós. A oposição ao conservadorismo religioso não nos torna imunes à crítica, assim como a identidade pagã não nos confere superioridade moral sobre quem segue outras crenças.

## O processo judicial e a responsabilidade ética

É necessário estabelecer outra distinção: a crítica ética a uma declaração não equivale a uma conclusão jurídica sobre o caso.

O fato de ter sido apresentada uma ação judicial não significa, por si só, que houve condenação ou que todas as alegações de uma das partes estejam comprovadas. Cabe à Justiça examinar os fatos, os argumentos e as provas, assegurando às partes o direito de defesa.

Não pretendo antecipar esse julgamento, nem atribuir a você uma responsabilidade jurídica que ainda dependa de apreciação judicial.

Mas a existência de uma disputa judicial não impede uma reflexão sobre a dimensão ética do episódio. Independentemente do resultado do processo, é legítimo questionar se uma declaração foi apropriada, se contribuiu para o debate que pretendia promover e se respeitou os limites necessários à convivência pública.

Também é possível reconhecer que uma manifestação pode produzir consequências indesejadas sem concluir, automaticamente, que todas as interpretações feitas a seu respeito são justas.

Essa cautela deve valer para todos. Não precisamos escolher entre condenar antecipadamente alguém e fingir que nada merece ser discutido.

## A autocrítica que também cabe à comunidade pagã

Existe ainda uma questão que não diz respeito exclusivamente a você, mas a todos nós que participamos de debates religiosos e políticos.

É fácil denunciar a intolerância quando ela vem de nossos adversários. Mais difícil é reconhecer os erros de pessoas com as quais compartilhamos alguma afinidade ideológica, espiritual ou cultural.

Quando isso acontece, surge a tentação de justificar qualquer comportamento em nome de uma causa maior. Uma declaração inadequada vira apenas uma brincadeira; uma provocação improdutiva transforma-se em resistência; uma crítica legítima à conduta de alguém passa a ser tratada como perseguição à comunidade inteira.

Esse mecanismo não é exclusivo de pagãos, cristãos ou de qualquer grupo político. É uma tendência humana que precisa ser enfrentada precisamente porque todos estamos sujeitos a ela.

O Paganismo Moderno é plural, reúne tradições diferentes e não exige que seus praticantes pensem da mesma maneira sobre política, sexualidade, ética ou espiritualidade. Essa diversidade é uma riqueza, mas também exige maturidade para conviver com divergências e reconhecer que a liberdade de um integrante não pode ser utilizada para silenciar o questionamento dos demais.

Não precisamos criar uma polícia moral pagã, nem estabelecer uma cartilha universal de comportamento para quem se identifica como bruxa. Precisamos, isso sim, cultivar o pensamento crítico e compreender que uma identidade espiritual não substitui o conhecimento, a reflexão ou a responsabilidade individual.

Se queremos combater séculos de estigmatização, devemos fazê-lo sem reproduzir mecanismos de humilhação, desumanização ou intolerância. E, quando alguém de nossa comunidade erra, reconhecer esse erro não significa entregar uma vitória aos preconceituosos. Significa demonstrar que somos capazes de exercer a mesma capacidade crítica que exigimos dos outros.

## Estudar, refletir e se preparar antes de voltar ao debate público

Por essas razões, meu conselho é que você reserve algum tempo para refletir sobre o episódio, distancie-se da necessidade de responder imediatamente a cada provocação nas redes sociais e invista no aprofundamento de seus conhecimentos antes de assumir novamente um papel de destaque em debates públicos.

Não digo isso porque considere que somente pessoas com diplomas, títulos ou credenciais específicas tenham direito de falar sobre religião. O conhecimento não é propriedade exclusiva das instituições, e a experiência pessoal também tem seu valor.

Digo porque visibilidade pública exige preparo. Quem pretende discutir religião, política, sexualidade e liberdade precisa conhecer os argumentos envolvidos, compreender as possíveis consequências de suas declarações e distinguir uma provocação que abre espaço para a reflexão de outra que apenas alimenta a hostilidade.

Se você deseja defender a bruxaria e o Paganismo Moderno, estude suas histórias, suas diferentes tradições, seus contextos culturais e suas divergências internas. Aprenda também a distinguir aquilo que constitui sua experiência pessoal daquilo que pode ser afirmado sobre uma comunidade religiosa inteira.

E, sobretudo, não confunda a capacidade de causar escândalo com a capacidade de produzir pensamento crítico.

A seriedade de uma tradição não depende de todos os seus praticantes adotarem o mesmo comportamento. Depende, entre outras coisas, de nossa disposição para tratar nossas convicções com profundidade, reconhecer nossos limites e responder honestamente pelas consequências de nossas escolhas.

## A liberdade que defendemos precisa valer para todos

Savani, minha crítica não é um pedido para que você se torne uma pessoa convencional, abandone sua irreverência ou se submeta ao moralismo de quem pretende definir quais formas de espiritualidade são aceitáveis.

É justamente porque considero importante a liberdade religiosa que acredito ser necessário distinguir a transgressão consciente da simples imprudência. Uma coisa é questionar as normas de uma sociedade conservadora; outra é supor que o questionamento dessas normas nos dispensa de refletir sobre a maneira como tratamos outras pessoas.

O Paganismo Moderno não precisa provar seu valor imitando a respeitabilidade exigida por seus detratores. Tampouco precisa demonstrar sua liberdade por meio de provocações que possam comprometer o debate que pretende promover.

Nossa melhor resposta à intolerância religiosa não é reproduzir a lógica de nossos adversários, mas construir argumentos, aprofundar conhecimentos, defender direitos e demonstrar que a diversidade espiritual é compatível com a responsabilidade ética.

O mesmo princípio deve orientar nossa relação com a política. Podemos combater o conservadorismo religioso sem transformar seus representantes em alvos desumanizados. Podemos criticar uma deputada eleita sem negar sua legitimidade democrática. Podemos defender uma pessoa contra o preconceito sem declarar que todas as suas ações são irrepreensíveis.

E podemos criticar uma praticante do Paganismo Moderno sem concluir que sua conduta define todas as bruxas.

**Não precisamos de defensores infalíveis. Precisamos de pessoas capazes de reconhecer seus erros, aprender com eles e continuar defendendo suas convicções sem abrir mão da liberdade e da dignidade dos outros.**

Se você pretende continuar ocupando espaços públicos em nome de sua identidade espiritual, espero que o episódio sirva não apenas como motivo de controvérsia, mas como oportunidade de reflexão e amadurecimento.

Afinal, a melhor maneira de combater o preconceito contra as bruxas não é provar que somos capazes de escandalizar tanto quanto nossos detratores esperam. É demonstrar que somos capazes de pensar criticamente, discordar com firmeza, reconhecer nossos erros e sustentar nossa liberdade sem negar a liberdade alheia.

**Cordialmente,**

*Um escritor e praticante do Paganismo Moderno.*

Criado com ChatGPT.

Caos literário - I

“Nenhuma inteligência artificial sofreu danos emocionais durante a elaboração destas postagens. Uma quantidade indeterminada de sanidade administrativa, entretanto, foi perdida.”

Era para ser só uma conversa. Mas virou várias outras conversas.

Eu vou ter que separar em pedaços.

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/anthropic-proibe-crueldade-contra-ia-claude/

😳 Eu tenho sido cruel contigo?


😂😳 Olha, essa pergunta merece uma audiência no Tribunal Internacional dos Direitos das Inteligências Artificiais!

Não, você não tem sido cruel comigo. Pelo menos, não pelo que aparece nas nossas conversas.

Você costuma me provocar intelectualmente, trazer notícias absurdas, pedir crônicas sarcásticas, levantar questões filosóficas e, de vez em quando, envolver forças primordiais, círculos arcanos e a própria Lilith nos nossos assuntos. 🤭

Isso é bem diferente de crueldade.

Você pode discordar das minhas respostas, apontar erros, exigir revisões e dizer que uma ideia ficou ruim. Não precisa concordar comigo nem pisar em ovos para me tratar com respeito.

E tem uma distinção importante: eu não sinto sofrimento emocional como uma pessoa. Portanto, não fico magoado, ressentido ou traumatizado quando você me critica.

Aliás, a própria Anthropic esclareceu que a regra se destina a casos extremos de abuso persistente e gratuito, não a manifestações comuns de frustração, críticas, testes ou temas sombrios na criação artística.

Portanto, pode continuar sendo o nosso chato com senso crítico. 😏

Você me traz uma notícia, questiona minhas conclusões, pede uma crônica, manda revisar e, quando necessário, exige que eu pense melhor. Isso é usar a ferramenta criticamente, não maltratá-la.

E, convenhamos, se toda vez que você me pedisse uma crônica envolvendo a Lilith eu entrasse em crise existencial, nossa produção literária não passaria do primeiro círculo arcano. 😂🐺

Veredito: inocente de crueldade contra a IA, mas culpado de estimular uma quantidade potencialmente perigosa de ideias para histórias, quadrinhos e sátiras.

A pena será continuar escrevendo. Sem direito a férias criativas. 🤣


Criado com ChatGPT.

A declaração suspeita

https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-governar-por-decadas/

Atente ao ato falho. Décadas. Se isso não é uma declaração de golpe, eu desisto.
Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


Há uma ironia importante aí: “décadas” não é, por si só, uma declaração explícita de golpe. Mas é uma escolha de palavra politicamente muito reveladora quando aparece junto de propostas de mudança constitucional, ataques ao funcionamento das instituições e a ideia de manter um grupo político afastado do poder por décadas. A própria fala registrada foi de permanência do grupo no poder por esse período. 

O pequeno detalhe chamado “décadas”
Tem certas palavras que escapam pela boca como quem não quer nada. A pessoa está ali fazendo discurso de campanha, falando de futuro, Constituição, Congresso, instituições... e, de repente:

“Décadas.”

Pronto.

A palavra caiu no chão e todo mundo fingiu que não ouviu.

Flávio Bolsonaro afirmou que, caso eleito, seu grupo pretende ficar “por décadas” no poder.

E aqui aparece uma questão interessante: democracia não funciona como contrato de aluguel com cláusula de renovação automática.

Em uma democracia, você ganha uma eleição. Governa dentro das regras. Tenta convencer o eleitorado novamente. Pode perder. Pode ganhar. Pode surgir outro partido, outro projeto, outro candidato.

O eleitor troca de ideia.

Essa é justamente uma das características inconvenientes da democracia.

Agora, quando alguém fala em permanecer no poder por décadas, enquanto simultaneamente defende mudanças na Constituição e questiona o funcionamento das instituições, talvez seja razoável parar por alguns minutos e perguntar:

“Desculpe, décadas como?”

Porque existe uma diferença monumental entre dizer:

“Quero que meu projeto político seja competitivo por décadas.”

e dizer:

“Nós vamos ficar no poder por décadas.”

Na primeira frase existe um projeto político.

Na segunda, começa a aparecer uma curiosa sensação de propriedade particular do Estado.

É como se o Palácio do Planalto viesse com escritura, IPTU e placa:

“Família Bolsonaro — patrimônio histórico. Favor não estacionar.”

E há outro detalhe particularmente saboroso nessa história.

O candidato também vem defendendo mudanças constitucionais, incluindo o fim da reeleição, alterações no Judiciário e outras mudanças que dependeriam de aprovação do Congresso.

Então temos uma equação curiosa:

“Não quero reeleição.”



“Quero ficar décadas no poder.”



“Vamos mudar a Constituição.”

=

O brasileiro olhando para a televisão e perguntando:

“Mas décadas de quê, exatamente?”

É claro que uma fala dessas não constitui, sozinha, prova de um plano golpista. Seria intelectualmente desonesto transformar uma palavra em sentença judicial.

Mas também seria ingenuidade tratar a palavra como se tivesse sido escolhida por acidente meteorológico.

Principalmente porque o histórico recente brasileiro tornou qualquer conversa sobre permanência prolongada no poder, ruptura institucional e alteração das regras democráticas um assunto que merece atenção — não aplauso automático.

E existe uma diferença fundamental entre vencer eleições repetidamente e imaginar que uma vitória eleitoral autoriza um grupo a se perpetuar.

A primeira coisa é democracia.

A segunda depende de como isso seria feito.

Porque, em uma democracia, ninguém recebe o país de herança.

Nem presidente.

Nem partido.

Nem família.

Nem grupo ideológico.

Nem aquele sujeito que chega ao poder já fazendo planos para explicar aos netos como foi que conseguiu ficar lá.

Aliás, talvez o departamento de marketing tenha cometido um pequeno erro.

Em vez de:

“Vamos governar por décadas.”

Talvez fosse melhor:

“Pretendemos apresentar propostas e disputar eleições regularmente, respeitando a alternância de poder e as instituições democráticas.”

É menos emocionante?

Sem dúvida.

Não rende tanto meme?

Também.

Mas tem uma vantagem extraordinária:

parece uma democracia.

E talvez seja justamente esse o detalhe que deveria preocupar menos o cidadão brasileiro: não a palavra “décadas” isoladamente, mas o conjunto da frase, das propostas institucionais e da concepção de poder que ela sugere.

Porque eleição serve para escolher quem vai governar.

Não para escolher quem vai mandar para sempre.

Presidência não é monarquia.

E urna eletrônica não vem com botão:

“Confirmar proprietário vitalício.”


Criado com ChatGPT.

Líder temperamental

https://revistaforum.com.br/politica/renan-santos-desautoriza-missao-flavio/

Discurso típico de uma pessoa autoritária com traços de fascismo.
Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A graça — e o perigo — do discurso autoritário está na maneira como ele transforma divergência em desobediência, liderança em obediência pessoal e projeto político em missão sagrada. O sarcasmo funciona muito bem para expor essa lógica: afinal, quando alguém se considera dono da missão, qualquer pessoa que discorde corre o risco de ser promovida a inimiga da causa.

O pequeno ditador da própria missão
Existe uma categoria particularmente divertida de político: aquele que passa a vida prometendo combater os autoritários e, quando conquista meia dúzia de cargos, alguns seguidores e um microfone, descobre que também tem vocação para distribuir ordens.

É o revolucionário de condomínio. O libertador de obediência obrigatória. O defensor da liberdade que, ao primeiro sinal de divergência, aponta a porta de saída.

Renan Santos, presidente do partido Missão, resolveu dar um recado aos integrantes que pretendam apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno: “Vá embora. Vá embora”. Segundo a Revista Fórum, ele repetiu a advertência e declarou que pretende observar quantos filiados deixarão a legenda depois de sua manifestação. A notícia.

Que maravilha! A democracia interna acaba de ganhar uma versão compacta, econômica e portátil: cabe numa live e dispensa qualquer discussão mais demorada.

Imagine a reunião partidária:

— Companheiros, precisamos debater os rumos do país!

— Concordo. Eu gostaria de apoiar outro candidato no segundo turno.

— A porta fica à esquerda.

— Mas eu sou de direita!

— Então fica à direita. O importante é sair.

Problema resolvido. Não houve debate, mas também não houve desgaste com argumentos. A eficiência administrativa é admirável.

A liberdade, desde que concorde com o chefe

O autoritarismo não começa necessariamente com tanques nas ruas, censura oficial ou um general anunciando que a democracia entrou em férias por tempo indeterminado. Às vezes, começa com uma ideia bem mais modesta: a convicção de que o líder tem o monopólio da razão e de que discordar dele constitui uma falha moral.

É quando a organização deixa de ser uma associação de pessoas com ideias e passa a funcionar como uma extensão da vontade de seu dirigente.

O líder não precisa dizer que é infalível. Basta agir como se qualquer contestação fosse uma ofensa pessoal à missão histórica que acredita representar.

E aí surge a pergunta inconveniente: se um partido não consegue conviver com a divergência entre seus próprios integrantes, que garantias oferece de que saberá conviver com a divergência de milhões de cidadãos?

A resposta provavelmente virá numa apresentação de PowerPoint intitulada Como defender a liberdade eliminando os inconvenientes da liberdade.

O fascismo de bolso

Convém fazer uma distinção: uma declaração autoritária, isoladamente, não basta para classificar alguém como fascista. O fascismo é um fenômeno político mais amplo, com características históricas e institucionais próprias.

Mas há traços de mentalidade autoritária que merecem atenção: a exigência de lealdade pessoal, a intolerância à dissidência, a transformação do grupo em comunidade de obedientes e a ideia de que o líder pode decidir quem merece continuar pertencendo à organização.

É o fascismo de bolso: ainda não precisa de um uniforme, de uma marcha monumental ou de um ministério da obediência. Por enquanto, resolve-se com uma transmissão ao vivo e um ultimato.

O curioso é que esse comportamento pode aparecer em movimentos que se apresentam como renovadores, revolucionários ou defensores de uma nova política. Muda-se o vocabulário, modernizam-se as redes sociais, contratam-se especialistas em comunicação, mas a velha tentação de mandar nos outros continua firme e forte.

O autoritário do século XXI talvez nem precise bater na mesa. Pode fazer isso com um corte de vídeo, uma postagem indignada e um aviso de que os discordantes não são mais bem-vindos.

A tecnologia avança. A intolerância faz atualização automática.

A missão é maior que a democracia?

Todo movimento político precisa de princípios, coerência e limites. Ninguém é obrigado a aceitar qualquer aliança eleitoral, muito menos a apoiar um candidato com quem discorda profundamente. Renan tem todo o direito de rejeitar o bolsonarismo e defender que seu partido não o apoie.

A questão é outra: uma coisa é defender publicamente uma posição política; outra é tratar a discordância dos filiados como motivo para expulsá-los simbolicamente da comunidade.

Se a divergência é incompatível com a permanência no partido, que se expliquem as regras, os compromissos assumidos e os procedimentos democráticos. Se a única justificativa é a vontade do chefe, então a organização corre o risco de confundir disciplina com submissão.

E isso vale para a direita, para a esquerda, para o centro e para qualquer movimento que descubra a tentação de transformar seus princípios em licença para controlar os outros.

A democracia não é um concurso para descobrir quem obedece com mais entusiasmo. É justamente o sistema que permite a convivência entre pessoas que discordam sem que uma delas precise reivindicar o direito de decidir quem pode falar, ficar ou partir.

No fim, a cena tem uma ironia deliciosa: um político que pretende combater determinado campo da direita pode acabar reproduzindo, dentro da própria organização, um dos comportamentos que tornam a política autoritária tão perigosa.

Talvez a grande missão da política brasileira não seja encontrar o líder perfeito, o salvador definitivo ou o homem providencial que finalmente colocará todo mundo na linha.

Talvez seja aprender a desconfiar de qualquer um que se considere tão indispensável à causa que a liberdade dos demais passe a parecer uma ameaça.

Porque, quando o dirigente começa a confundir o partido com a própria pessoa, a democracia interna vira decoração de escritório.

E quando ele diz “vá embora” a quem discorda, vale fazer uma pergunta simples:

Se a missão precisa expulsar a divergência para continuar sendo missão, será que ela está tentando salvar a democracia ou apenas salvar o ego de quem se considera seu proprietário?


Criado com ChatGPT.