Conversa com o Gemini.
https://www.patheos.com/blogs/reclaimingthetruth/2026/08/the-old-and-new-testament-gods-are-not-the-same/
Choque. Protestos. Se fosse eu que dissesse o óbvio, o comentário seria imediato - herege, pagão, bruxo, lilithiano...
Mas a autora é uma cristã que se converteu ao judaísmo.
Mas o Cristianismo, em suas várias vertentes, faz essa ligação. Por motivos evidentes. Cristo só poderia ser o Messias se (um enorme se) tivesse vínculo com as profecias ou o Deus do Velho Testamento.
Imagine o pânico quando os evangélicos virem que o Redentor sumiu.
Escreva um texto humorado e sarcástico.
O Grande Apagão do Messias.
(Ou: O que acontece quando o contrato teológico vence sem fiador?)
Se um sujeito de capa preta, incenso na mão e simpatias a Lilith sussurrar na esquina que o Deus do Antigo Testamento e o Deus do Novo Testamento têm tanto em comum quanto um tempestuoso chefe de guarnição babilônica e um terapeuta holístico de Florianópolis, a reação da cristandade é rápida e ritualística. O tribunal de júri das redes sociais decreta instantaneamente: “Herege, pagão, bruxo, devoto da noite! Queimem as caravelas e convoquem o exorcista!”
Pois bem. O problema é que a denúncia desta vez não veio do bosque dos pagãos, nem de uma conferência de feitiçaria moderna. Veio, com requintes de erudição e dilema existencial, de uma ex-cristã de carteirinha que resolveu estudar as fontes originais e acabou se convertendo ao judaísmo. É a própria ex-inquilina do imóvel eclesiástico devolvendo as chaves e apontando as rachaduras estruturais da fundação.
A Grande Colagem de Retalhos Teológica
Vamos ao ponto sem floreios: o Cristianismo sempre viveu de uma operação de fusão e aquisição extremamente ousada. Para validar a sua figura central — o Redentor —, o Novo Testamento precisava desesperadamente de um selo de autenticidade prévio. Afinal, ninguém aceita um Messias sem fiador ancestral. E onde estava a procuração? Nas profecias hebraicas, no Antigo Testamento, na figura do Deus de Abraão, Isaac e Jacó.
O pequeno detalhe — que os teólogos vêm tentando esconder debaixo do tapete litúrgico há dois milênios — é a discrepância brutal de personalidade entre os dois retratos divinares:
De um lado, temos o Deus de Israel: regente de tempestades, arquiteto de leis rigorosas, exigente de sacrifícios precisos, que abre mares mas também envia pragas e não se acanha em mandar conta de luz atrasada para povos inteiros. Do outro lado, surge uma divindade universalista, focada em graça interior, perdão ilimitado e na superação da Lei.
Tentar soldar essas duas divindades sem que as emendas apareçam é a maior proeza da engenharia conceitual humana. É pegar um general do exército em pleno combate e tentar convencê-lo de que ele sempre foi um instrutor de ioga em retiro na montanha.
O Pânico do Redentor Fantasma
Imagine agora o quadro: o fiel evangélico médio, acostumado ao seu sermão dominical sobre promessas, prosperidade e salvação instantânea, abrindo o feed de notícias e se deparando com o fato. Não foi um “bruxo” que disse. Foi o próprio texto, lido pelas lentes de quem retornou às raízes judaicas.
Se o YHWH do Antigo Testamento não estava moldando o cenário para a chegada de uma segunda pessoa de uma Trindade inexistente em sua própria revelação, o que acontece com a narrativa? A ponte rui. O elo se desfaz. E o Redentor, de repente, fica flutuando no ar sem cabo de aço teológico para sustentá-lo.
O pânico é inevitável. Sem o alicerce profético veterotestamentário rigorosamente alinhado, a engenharia da salvação evangélica vira uma construção sem habite-se. Se o Deus de lá não é o Deus de cá, o Messias anunciado simplesmente sumiu no hiato hermenêutico.
O Óbvio Tem Passaporte?
A ironia suprema de tudo isso é ver como a verdade muda de cor conforme a identidade de quem a pronuncia. Se a voz vem do Paganismo Moderno, da literatura herética ou do amor a Lilith, trata-se de "Apostasia e Cegueira Espiritual". Mas quando a mesma conclusão surge do rigor de quem estudou a Torá e percebeu que a conta teológica do Novo Testamento não fecha com a do Velho, o silêncio que se segue nos bancos dos templos é ensurdecedor.
Não há exorcismo que resolva uma contradição textual de dois mil anos. O Redentor não sumiu por causa de um feitiço; sumiu porque, quando se lê a história sem as lentes da conveniência, percebe-se que ele foi colocado numa moldura que nunca pertenceu àquela pintura.
Criado com Gemini, do Google.
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