terça-feira, 18 de agosto de 2026

Revisionismo explícito

Conversa com o Gemini.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/comissao-da-camara-quer-censurar-termo-ditadura-militar-em-livro-sobre-a-independencia/

A galera reacionária que adora fazer revisionismo histórico aplaudiu em pé.

Escreva um texto crítico, em tom de humor e sarcasmo.


Ah, a ciência histórica da nossa douta Câmara dos Deputados! Nada como uma comissão de parlamentares bem-intencionados para corrigir os terríveis "excessos" cometidos pelos historiadores — esse pessoal antiquado que teima em se agarrar a detalhes irrelevantes, como fatos, documentos e a própria realidade.

Trata-se de um espetáculo de pura delicadeza semântica: por que usar a feia e indelicada palavra “ditadura” quando se pode adotar o eufemismo suave e aveludado de “regime militar” ou “governo militar”? É o milagre da gramática cívica! Se mudarmos o substantivo na página impresso, a tortura vira um simples "mal-entendido institucional", a censura vira "gestão de conteúdo" e os tanques na rua viram apenas uma parada militar um pouco mais entusiasmada.

O mais impressionante é a proeza de tentar "limpar" um livro sobre a Independência do Brasil. Afinal, o que seriam os 200 anos da nossa emancipação sem passar o pincel do esquecimento nas lutas indígenas, na Guerra do Paraguai e até no samba-enredo da Mangueira? Fatos históricos são tão ruidosos, não é mesmo? É muito melhor uma história asséptica, embalada para presente, onde o passado não incomoda e o presente não precisa aprender nada.

No fundo, a lógica é de uma simplicidade brilhante:

Se o fato histórico fere a sensibilidade ideológica de plantão, apague-se o fato.

Se o historiador protestar, censure-se o livro.

Se o livro for cancelado, declare-se que ele "não era prioridade editorial".

É a apoteose do revisionismo mofado: a tentativa de transformar a historiografia em manual de relações públicas. Aos saudosistas que comemoram de pé a "vitória sobre a narrativa", fica a sugestão: aproveitem e proponham também um decreto substituindo a gravidade por "uma leve atração do solo", para ver se o país finalmente decola sem sair do lugar.

Criado com Gemini, do Google.

Nenhum comentário: