Conversa com o Gemini.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/irma-de-edir-macedo-mandou-r-22-milhoes-em-emendas-a-eventos-da-universal/
Dinheiro público para empresa privada, digo, empreendimento religioso picareta? Só no Brasil.
Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.
O Milagre da Multiplicação das Emendas Parlamentares
É preciso tirar o chapéu para a genialidade do modelo de negócios da fé contemporânea. Enquanto o cidadão comum rala o mês inteiro, paga uma das maiores cargas tributárias do planeta e reza para o ônibus não quebrar, os grandes empreendedores do espírito descobriram o atalho definitivo para a prosperidade: o dízimo do contribuinte.
Por que se contentar apenas com a moedinha do fiel na caçapa se você pode ter o Tesouro Estadual de São Paulo como patrocinador master?
A Caminhada da Prosperidade (Alheia)
A deputada estadual Edna Macedo (Republicanos-SP) resolveu demonstrar que o amor em família não tem preço — mas tem orçamento público. Destinar R$ 2,2 milhões em emendas parlamentares para eventos ligados à igreja do próprio irmão, o bispo Edir Macedo, é um gesto de carinho fraternal que deixa qualquer ceia de Natal no chinelo.
E o cardápio da bênção estatal é diversificado:
R$ 1,2 milhão para a "The Love Walk – Caminhada do Amor", evento idealizado pela filha e pelo genro do bispo. Nada como financiar a pedagógica "escola do amor" com o suor de quem nem sabe que pagou o ingresso.
R$ 1,0 milhão para o "Família ao Pé da Cruz", uma modesta reunião no estádio da Neo Química Arena, devidamente carimbada no Portal da Transparência sob o poético rótulo de "apoio a evento cultural e criativo". De fato, "criatividade" é a palavra perfeita para definir o malabarismo conceitual de transformar culto em manifesto cultural.
O Triângulo das Bermudas da Cultura
Para que a mágica aconteça sem sobressaltos, entra em cena o intermediário perfeito: uma ONG, o Instituto Paulo Kobayashi, que funcionou como o duto por onde fluíram dezenas de milhões de reais de recursos estaduais nos últimos anos. Afinal, a burocracia precisa de verniz institucional para parecer republicana.
O enredo é quase poético:
O contribuinte trabalha e paga imposto sobre o feijão, o remédio e a conta de luz.
O governo recolhe e repassa ao deputado sob a rubrica de emenda parlamentar.
A emenda vai para a ONG sob o carimbo de "incentivo à cultura e economia criativa".
A ONG contrata e financia o megaevento de salvação da alma.
O bispo sorri no palco, abençoa a plateia e lembra a todos sobre a importância de contribuir.
O Estado se diz laico, mas na hora de passar a sacolinha com o dinheiro de quem não tem nada a ver com a crença alheia, demonstra uma devoção ecumênica invejável. Afinal, para que investir em saúde, ciência ou escolas públicas sucateadas se podemos patrocinar a iluminação e o som de alta fidelidade para o show da fé privada?
No fim das contas, a física e a teologia finalmente concordam em um ponto: no ecossistema político-religioso brasileiro, nada se perde, nada se cria — tudo se converte em emenda parlamentar.
Criado com Gemini, do Google.
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