Implacavelmente, as engrenagens fecham-se sobre nós, os dentes dela
pressionam-nos, nos dilaceram com suas brocas, somos triturados pelos rotores
até pulverizar a mínima poeira, só restando uma poeira tão fina que nem mesmo
um coador reteria. Ainda seremos centrifugados, para que todo peso possa ser
processado, apenas o que for uma fração, mas sem peso, ainda que sólido, será
retido por uma grade felpuda de penas, com mais fiapos que galhos em uma
floresta. O látex graxoso da grade nos escorre de volta a engrenagem e a
centrifugação, para que o óleo resultante de nossa moagem possa lubrificar o
engenho. O segundo óleo, obtido da terceira moagem, será usado como
comburente desta máquina, esta que gera toda a força que move a morte. Pois a
morte é sustentada pela Morte, através da moagem da Morte sobre a morte. A
morte pode ser a cabeça, mas a Morte é a máquina que gira a cabeça. O que
ceifam, é o produto delas, mais para experiências cientificas que propriamente
para alimentação ou necessidade. Elas são capazes de se parirem e manterem-
se, sem precisar de vida ou de qualquer outro protótipo ou substituto. A vida, ou
qualquer coisa semelhante, só cabe em si, enquanto as senhorias são cósmicas.
Através da válvula de escape deste motor de extrusora, nós saímos, um pouco
fuliginosos, mas nós estamos aptos a seguirmos a subida.
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