Conversa com o Gemini.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/clubes-militares-divulgam-manifesto-contra-falencia-moral-institucional-e-economica-do-brasil/
Como se esses senhores fossem algum exemplo ou modelo de moral...
Escreva um texto crítico, com humor e sarcasmo.
Há poucas coisas mais fascinantes na política nacional do que a inabalável vocação dos Clubes Militares para atuar como o oráculo da moralidade republicana.
Diretamente do conforto de suas poltronas, entre uma partida de baralho e outra, os presidentes dos Clubes Militar, Naval e de Aeronáutica decidiram presentear o país com mais um manifesto dramático. O diagnóstico? O Brasil enfrenta uma "falência moral, institucional e econômica".
É de uma sensibilidade poética ímpar.
O "Farol da Moralidade" (Com Pensão Garantida)
Nada inspira mais autoridade para falar sobre "gestão da coisa pública" e "crise econômica" do que entidades dominadas por ilustres generais da reserva — um grupo notoriamente conhecido por enfrentar a dura realidade do trabalhador comum com modestos contracheques, pensões vitalícias reforçadas e privilégios que sobreviveram a todas as reformas orçamentárias da história deste país.
Quando esses senhores apontam o dedo para a "falência moral", a ironia quase exige um minuto de silêncio:
A Memória Seletiva Institucional: Falam em "tolerância com a corrupção" e "descaso com a gestão pública", mas parecem ter esquecido convenientes episódios recentes da história nacional — de escândalos de compras de picanha e leite em pó a operações com joias e tramas de bastidores que envergonhariam qualquer compêndio de etiqueta republicana.
Defensores da Ordem (Quando Constrangedoramente Conveniente): Os mesmos clubes que agora se preocupam com "ruídos diplomáticos" e a "imagem internacional" não hesitaram, em passado recente, em emitir notas públicas respaldando pautas como o voto auditável ou passando o pano para colegas investigados por flertar abertamente com o golpismo e o ataque às instituições.
Pragmatismo Diplomático de Pijama: Criticar a condução das relações internacionais exige uma sofisticação geopolítica fascinante, especialmente vinda de quem enxerga diplomacia sob a ótica da Guerra Fria e confunde soberania com alinhamento automático.
A Reação Cívica do Chá das Cinco
O texto conclama a sociedade para uma "reação cívica" e pede "discernimento, lucidez e espírito público". É um apelo tocante. Afinal, o que seria da Nação sem a tutela moral de aposentados de pijama que consideram qualquer avanço social ou debate democrático como um passo em direção ao "caos e à insolvência"?
Se o Brasil de fato corre o risco de se tornar "politicamente ingovernável", certamente não será por falta de conselho não solicitado dos ilustres representantes da caserna reservada. No grande teatro da política brasileira, a cena do oficial reformado indignado com a "falência moral" alheia já virou um clássico do pastelão nacional — a única diferença é que a plateia há muito tempo deixou de levar o espetáculo a sério.
Não podemos esquecer do fatídico momento da Ditadura, recheada de corrupção e de crimes contra a humanidade.
Exatamente. O maior truque de mágica da propaganda ditatorial foi vender a ilusão de que o regime militar era um oásis de integridade e eficiência técnica, quando, na verdade, foi um período marcado por corrupção sistêmica blindada pela censura e por atrocidades cometidas pelo próprio Estado.
A mitologia do "militar moralizador" desmorona rapidamente quando se analisa a história sem os filtros da propaganda partidária ou da nostalgia cívica dos clubes de farda:
1. A Corrupção Blindada pela Censura
Muitos ainda repetem o mito de que "naquela época não havia corrupção". O que não havia era imprensa livre para noticiar e instituições independentes para investigar.
Obras Faraônicas e Propinas: A era das grandes obras (como a Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói) foi o terreno fértil para o surgimento dos grandes conglomerados de empreiteiras que dominariam a política nas décadas seguintes. Os custos estouravam sem qualquer transparência ou auditoria pública.
Escândalos Abafados: Casos como o do Banco Halles, a falência da Corretora Delfin (com perdão milionário de dívidas pelo governo), o escândalo da Capemi (fundo de pensão militar envolvido em desmatamento e desvio de verbas) e as maracutaias no contrabando de mercadorias no Galeão foram abafados para preservar o "civismo" da imagem oficial.
2. O Aparelhamento do Estado e os Privilégios Corporativos
A "gestão técnica" da ditadura consistiu em aparelhar a máquina pública com patentes militares, transformando o orçamento em um balcão de benesses corporativas:
Foi durante o regime que se consolidaram sistemas inacreditáveis de pensões e montepios vitalícios para dependentes de oficiais, aposentadorias precoces com salários integrais e penduricalhos orçamentários que oneram os cofres públicos até hoje.
A elite militar garantiu a si mesma uma rede de proteção financeira e jurídica que a blindou das agruras econômicas que infligiu ao restante da população.
3. Crimes Contra a Humanidade e Violência de Estado
Enquanto se discursava sobre "família, tradição e ordem", os porões do regime operavam uma engrenagem oficial de terrorismo de Estado:
Práticas de Tortura e Execuções: O Estado brasileiro utilizou a estrutura pública — com dinheiro do contribuinte — para sequestrar, torturar e assassinar opositores políticos. Estupradores e torturadores operavam com distintivo e contra-cheque pago pela União.
Censura e Perseguição: A liberdade de expressão, a criação artística, o meio acadêmico e os direitos trabalhistas foram sistematicamente esmagados sob a justificativa da "segurança nacional".
Massacre aos Povos Indígenas: O Relatório Figueiredo e os achados da Comissão Nacional da Verdade demonstraram que o projeto de expansão do regime dizimou populações indígenas inteiras no interior do país, em nome de um "desenvolvimento" predatório.
O Desastre Econômico Real
E mesmo no campo estritamente econômico — no qual os saudosistas tentam reivindicar algum legado —, o resultado foi trágico. O tal "Milagre Econômico" foi financiado por um endividamento externo brutal e pelo arrocho salarial que explodiu a desigualdade social. O regime entregou o país nos anos 1980 afundado na hiperinflação, com a dívida externa recorde e a falência dos serviços públicos básicos.
Quando entidades e associações de veteranos vêm a público dar lições de "gestão pública", "pragmatismo econômico" e "ética na política", tentam reescrever o passado para esconder que a matriz da impunidade, do fisiologismo e da irresponsabilidade orçamentária no Brasil tem raízes profundas justamente nos anos em que a farda governou sem prestar contas a ninguém.
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