sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O Grande Mausoléu

Eis a antecâmara do próprio corpo da Morte, onde já se sente a emanação de
uma energia forte e primordial de onde os espíritos de todas as coisas tiveram
origem. Uma ternura filial e uma excitação sexual conturba nossa pequena alma
em meio a tal imensidão e potência. Cada fresta exala sabedoria, a cada metro
acumulam-se enciclopédias, cada ossada alinhada, linha de forças cósmicas que
fazem brilhar as órbitas vazias dos crânios com um fogo fátuo, mapeando esse
cosmos da Morte. Nós tínhamos apenas começado a sair da pequena órbita da
morte, estamos iniciando na escalada final até os limites desse cosmo. Nós
temos que encontrar a passagem até as cinco salas, onde teremos que galgar os
doze degraus de cada uma, até tocar enfim o coração da Morte que se encontra
na mente e na fronteira da elipse mais impossível e absurda. Este é um jogo que
requer habilidade, inteligência e probabilidade, onde a combinação correta de
ossos e medulas, vão abrir pequenas escotilhas nas quais, combinadas em uma
ordem, vão originar um portal à próxima dimensão, um outro nível energético
maior e mais amplo, dentro deste incrível átomo da Morte. Na diferença de uma
costela há uma curva de aceleração, que vai rachar o crânio no parietal, nos
levando à caixa do próximo crânio.

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