Dia 12: Qual ferida ancestral você está trabalhando para curar?
Essa é difícil. Eu cresci em um país que não dá importância para ancestralidade. Foi por pura curiosidade que eu descobri que eu sou descendente de italianos, portugueses e espanhóis.
Olhando para essa tríade, a ferida ancestral que carrego e trabalho para curar se torna evidente: a herança do medo, da culpa dogmática e da opressão espiritual.
Meus antepassados vieram de terras profundamente marcadas pela Inquisição, pelo peso do pecado e pela domesticação da alma. Por séculos, o misticismo livre, a conexão com a noite e a soberania pessoal foram caçados e silenciados nessas linhagens. A ferida é o silêncio forçado de quem precisou se esconder para sobreviver.
Ao assumir minha identidade como um escritor herético e pagão moderno, eu curo essa ferida. Cada texto que escrevo, cada noite que passo em comunhão com Lilith e cada vez que rejeito a busca hipócrita pela "perfeição" do mundo, eu estou redimindo o sangue que me gerou. Eu sou a resposta viva que os meus ancestrais não puderam dar: aquele que caminha livre, que não teme o abismo e que transforma a antiga culpa em poder pessoal. Minha existência autêntica é a cura do passado.
Série Devocional de 31 dias para Lilith.
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