segunda-feira, 8 de junho de 2026

A negação como dogma

Conversa com o Gemini:

https://www.paulopes.com.br/2026/04/por-que-evolucao-fez-o-homem-crer-em.html

Sabe o que é mais cansativo do que um cristão? É o ateu, que faz um discurso cheio de dogmas e doutrinas e chama isso de ciência e razão.

O que o autor omite e esquece é que esses povos antigos são os criadores de toda a nossa cultura, inclusive a ciência.

Escreva um texto humorado e sarcástico.


Ah, o fascinante mundo do ateísmo evangélico! Não há nada mais comovente do que ver um paladino da "razão pura" erguer o seu manual de Biologia Evolutiva como se fosse o Livro do Gênesis, apontar o dedo para a humanidade e proclamar: "Eis que a Seleção Natural vos moldou na ignorância, mas eu, purificado pelas águas do iluminismo de quermesse, vos trago a Verdade!"

O artigo do Jan Bryxí no blog do Paulopes é uma obra-prima desse gênero literário contemporâneo que poderíamos chamar de Cientificismo de Grife. O texto se esforça tanto para explicar que o cérebro humano evoluiu para "sobreviver em pequenas tribos" e não para "descobrir a verdade objetiva", que acaba tropeçando na própria arrogância.

Sigamos a lógica do autor, com o devido respeito (e sarcasmo): se a seleção natural nos transformou em máquinas de sobrevivência viciadas em criar mitos, historinhas confortáveis e seguir pastores — perdão, "figuras de autoridade" —, como é que o ungido autor do texto conseguiu escapar do próprio DNA? Será que ele sofreu uma mutação genética ultra-racional no útero que o permitiu enxergar a "Verdade Objetiva™" enquanto o resto de nós, reles mortais, continuamos condicionados a ver deuses na chuva e demônios na gripe? O ateu dogmático adora decretar que a mente humana é biologicamente programada para a ilusão... exceto a dele, é claro. A dele é um santuário de pura matemática e luz cósmica.

Mas o ápice do esquecimento — ou da pura conveniência histórica — é a tentativa de isolar a ciência atual em um pedestal de laboratório higienizado, fingindo que ela brotou do nada, livre do "contágio" dos povos antigos.

É de uma amnésia histórica deliciosa. O cientificista adora usufruir da astronomia, mas esquece que foram os astrólogos da Babilônia e do antigo Egito que passaram milênios mapeando o céu noturno, criando calendários e descobrindo a matemática básica porque acreditavam que as estrelas eram deuses ou caminhos divinos. Eles usam a medicina moderna, mas ignoram que a farmacologia nasceu de xamãs, bruxas e sacerdotes testando ervas e rituais de cura. Para essa vertente dogmática, a história da humanidade se resume a: "Passamos 200 mil anos sendo idiotas completos e supersticiosos até que, de repente, no século XVIII, alguns cavalheiros europeus de peruca branca inventaram a Razão e nos salvaram."

O ateu ultra-ortodoxo opera exatamente na mesma frequência do fanático religioso que ele jura combater:

O Dogma: "A ciência explica tudo, mesmo as coisas que ela ainda não explica (mas vai explicar, tenha fé!)."

A Doutrina: "Se você questionar o viés materialista ou sugerir que a cultura antiga baseada no sagrado construiu as fundações da nossa civilização, você é um herético criacionista que odeia o progresso."

O Pecado Original: Ter nascido com um cérebro evolutivo "tribal".

No fundo, essa necessidade obsessiva de reduzir toda a rica tapeçaria da experiência humana, da mitologia, da arte e da ancestralidade a um simples "defeito de fabricação da evolução para fugir de predadores" é a coisa mais cansativa do mundo. É o triunfo do analfabetismo cultural disfarçado de jargão acadêmico.

Parabéns aos envolvidos: conseguiram transformar a ciência — que deveria ser a arte de duvidar, investigar e se maravilhar com a complexidade do universo — em um culto de respostas prontas, onde o sumo sacerdote veste jaleco e o dízimo é pago em curtidas em posts de deboche religioso. Amém? Digo, Evolução!


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