— Melhor nós voltarmos antes que a Viktoriya fique com ciúmes.
Ele abre um sorriso luminoso.
Tanya fica imóvel por um segundo.
Olha para a mão dos dois.
Depois para Beto.
— Ciúmes?
— Foi uma hipótese.
— Uma hipótese bastante imprudente.
Beto começa a caminhar.
— Por isso mesmo precisamos voltar rapidamente.
Tanya o acompanha, tentando esconder um sorriso.
— Você tem consciência de que Viktoriya provavelmente ouviu?
— Tenho.
— E mesmo assim disse?
— Tenho.
Atrás deles, uma voz:
— **Ouvi mesmo.**
Beto congela.
Tanya fecha os olhos.
— Eu avisei.
Viktoriya está parada alguns metros adiante, com os braços cruzados.
— Então?
Beto olha para Tanya.
Tanya olha para Beto.
— Corre — ela murmura.
Beto começa a rir.
E os três voltam para o gabinete enquanto o campo permanece para trás, silencioso sob o céu noturno.
Perun continua onde estava.
Sem explicar absolutamente nada.
Beto percebe que Viktoriya ainda está olhando para ele.
— Antes que alguém fique realmente brava...
Ele começa a cantar.
Uma velha melodia rural, simples e repetitiva.
Não há menção ao Partido.
Não há generais.
Não há impérios.
A canção fala da terra escura depois da chuva.
Da semente enterrada.
Das mãos que plantam.
Do trigo que cresce.
Da colheita que pertence primeiro à comunidade e só depois a qualquer indivíduo.
Tanya olha para ele, surpresa.
— Você conhece isso?
Beto continua cantando.
— Conheço algumas canções.
Viktoriya começa a sorrir.
— E você acha que cantar vai me fazer esquecer o que disse?
Beto canta ainda mais alto.
— **Não.**
Tanya ri.
— Ele está tentando distraí-la.
— Eu percebi — responde Viktoriya.
Beto continua:
— A terra não pergunta quem plantou.
— A chuva não pergunta quem colhe.
— O inverno não pergunta em qual partido você vota.
Tanya finalmente começa a rir.
— Isso sequer é uma música tradicional.
— Agora é.
Viktoriya balança a cabeça.
— Herege.
— Essa acusação está ficando recorrente.
A melodia prossegue.
Fala de vizinhos que se ajudam quando a colheita é ruim.
De uma família que oferece pão à outra.
De crianças correndo entre os campos.
De uma aldeia que não precisa de uma autoridade central para descobrir que alguém está precisando de ajuda.
Tanya observa em silêncio.
— Essa comunidade que você está cantando...
Beto olha para ela.
— Sim?
— Não parece com a comunidade do Partido.
— Não é.
— Então o que é?
Beto diminui o ritmo da canção.
— É o que acontece quando pessoas descobrem que podem cuidar umas das outras sem alguém precisar mandar.
Viktoriya olha para os campos.
— Uma comunidade espontânea.
— Exatamente.
Tanya pensa por alguns segundos.
— Interessante.
Beto sorri.
— Você está aprovando?
— Não exagere.
Ela olha para Viktoriya.
— Mas admito que prefiro isso a uma reunião política.
Viktoriya ri.
— Eu também.
Beto volta a cantar.
Dessa vez, Viktoriya acompanha.
Depois de alguns versos inventados, Tanya hesita.
Finalmente, quase inaudível, acompanha também.
Três vozes diferentes.
Nenhuma delas perfeitamente afinada.
Nenhuma delas obedecendo a um maestro.
E, por alguns minutos, **não existe Império, Partido, União, propaganda ou disputa metafísica.**
Existe apenas o caminho de volta.
A terra sob os pés.
O vento passando pelo campo.
E uma pequena comunidade improvisada que nasceu sem ninguém ter ordenado que ela existisse.
O grupo já está quase deixando o campo quando o camponês chama:
— Esperem!
Beto se vira.
O homem se aproxima carregando uma grande cumbuca de madeira.
Dela sobe vapor.
É uma sopa espessa, quente, feita de raízes, grãos e alguma carne. Comida simples. Comida de quem conhece o inverno e sabe que ninguém deveria atravessá-lo de estômago vazio.
O camponês estende a cumbuca.
— Para vocês.
Tanya olha para a comida.
Depois para o homem.
— Para nós?
— Para vocês.
Ela olha para Beto, desconfiada.
— Por quê?
O camponês responde como se a pergunta fosse estranha.
— Porque o solo conhece os seus.
Tanya fica imóvel.
— O solo... conhece os seus?
O homem assente.
— Perun pediu.
Silêncio.
Tanya olha imediatamente para Beto.
Mas o camponês ainda não terminou:
— E uma dama de vestido preto e vermelho pediu também.
O sorriso de Beto desaparece.
Tanya percebe.
Viktoriya também.
Mary Sue fica séria.
— Uma dama? — pergunta Tanya.
— Sim.
— Onde?
O camponês aponta para o campo.
— Por ali.
Tanya olha.
Não há ninguém.
— Quando?
O homem dá de ombros.
— Antes de vocês chegarem.
Tanya volta-se lentamente para Beto.
— Você conhecia essa mulher?
Beto não responde.
— Beto?
Ele olha para a cumbuca.
Depois para o horizonte.
— Não.
Tanya estreita os olhos.
— Você está mentindo?
— Não.
Ela fica alguns segundos observando o rosto dele.
Então percebe alguma coisa.
Beto está emocionado.
Não triunfante.
Não satisfeito.
**Emocionado.**
O camponês estende novamente a comida.
— Comam enquanto está quente.
Tanya hesita.
— E se eu não acreditar em Perun?
O homem sorri.
— A sopa não exige que a senhora acredite nele.
Viktoriya solta uma pequena risada.
Beto também.
Tanya finalmente aceita a cumbuca.
— Isso é...
Ela procura a palavra.
— ...absurdamente pragmático.
O camponês dá de ombros.
— É sopa.
Tanya prova uma colher.
Quente.
Grossa.
Simples.
Boa.
Ela olha para Beto.
— Não diga nada.
— Eu não disse nada.
— Seu rosto está dizendo.
Beto sorri.
— Estou apenas pensando.
— Em quê?
Ele olha para a escuridão onde o camponês disse ter visto a mulher.
— Que talvez os Deuses realmente falem de várias formas.
Tanya olha para o céu.
Depois para a sopa.
Depois para Beto.
— Ou talvez alguém simplesmente tenha sido gentil.
Beto sorri.
— Também é uma possibilidade.
Tanya toma outra colher.
E não pergunta mais nada.
Porque, naquela noite, talvez não fosse necessário decidir **quem** havia pedido a sopa.
Bastava reconhecer que alguém — humano ou divino — havia pensado neles.
E, por enquanto, isso era suficiente.
Criado com ChatGPT.

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