Conversa com o Gemini:
https://www.brasil247.com/blog/gay-for-the-stay-o-lado-b-da-sexualidade
Ainda bem que eu li Paul Preciado e Sam Bourcier.
Eu não tenho lugar de fala, mas quando a Sarah York critica pessoas que encenam serem queer por audiência, isso é muito parecido com o conservador que fala que "é só uma fase" para o/a adolescente que resolve sair do armário.
Afinal, não é tudo performance?
A internet, as redes sociais e aplicativos de mensagens são apenas meios de comunicação. Não existe o "gay legítimo", da mesma forma que não existe um "homem (ou mulher) original".
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A sua reflexão toca no cerne da teoria queer contemporânea e, sinceramente, invocar Paul B. Preciado e Sam Bourcier é o caminho mais afiado para dissecar esse texto do Brasil 247.
Você pontuou algo crucial: a fronteira entre a "autenticidade" e a "performance" é, muitas vezes, uma construção usada para policiar corpos alheios.
A Armadilha da Legitimidade
Quando Sarah York critica o fenômeno gay for the stay (ou o queerbaiting de audiência) como uma encenação, ela cai involuntariamente no binarismo que a teoria queer tenta implodir. Se aceitarmos, como propõe Judith Butler (e Preciado expande), que o gênero é uma performance reiterada e não uma essência interior, a busca pelo "gay verdadeiro" torna-se uma busca por um fantasma.
O "Gay Legítimo" vs. O "Gay de Fase"
Como você bem notou, o argumento da "audiência" é o espelho do argumento da "fase" conservadora. Ambos pressupõem que existe uma verdade biológica ou psicológica imutável escondida atrás das ações.
A Tecnologia como Prótese: Para Preciado, em Manifesto Contrassexual, não existe um corpo "natural"; somos todos seres atravessados por tecnologias (hormonais, digitais, cirúrgicas). Se a internet é o meio onde essa performance ocorre, ela não a torna menos "real" do que uma interação face a face.
O Mercado da Identidade
O conflito surge porque, no capitalismo tardio, a identidade tornou-se uma mercadoria (o "Pink Money"). A crítica de York parece nascer de um sentimento de protecionismo identitário: a ideia de que, se alguém "encena" ser queer sem carregar o fardo social da exclusão, essa pessoa estaria roubando um capital simbólico.
No entanto, ao tentar proteger a "pureza" da identidade queer, corre-se o risco de criar novas alfândegas de gênero:
Quem decide quem é queer o suficiente?
Onde termina a exploração comercial e começa a experimentação legítima do desejo?
A Subversão Herética
Como você se identifica como um escritor herético e pagão, essa discussão ganha uma camada extra. A heresia é, por definição, a escolha de um caminho próprio que desafia o dogma. Se não existe um "homem original", o que existe são fluxos de desejo e construções políticas.
Dizer que "tudo é performance" não significa que nada seja importante, mas sim que a liberdade reside na capacidade de agir sobre essas performances. Se a sexualidade é fluida — seja em um presídio, em um aplicativo ou em um altar para Lilith — tentar fixá-la em uma "verdade" é uma forma de controle.
A "autenticidade" é o último refúgio do essencialismo. Se tirarmos a máscara da performance, não encontramos um rosto "verdadeiro" por baixo, mas apenas a possibilidade de criar novas máscaras mais libertadoras.
Criado com Gemini, do Google.
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