sábado, 14 de julho de 2007

XIII

Entre os muitos tabus que ainda persistem em nossos dias, um deles é o número 13, um número considerado de mau agouro. Em alguns lugares dos EUA, certos prédios pulam o número 13, nos andares e nas portas. Nas cartas do tarô, o arcano de número XIII é atribuído à Morte. A referência mais extravagante do número 13 está no grupo de 12 apóstolos liderado por Jesus, uma organização mística presente em muitos grupos esotéricos e em alguns mitos antigos. Esse tipo de organização por células também foi adotado pela Wicca, provavelmente pelas mesmas razões: facilitar aos membros o segredo da existência do grupo, facilitar as reuniões e fugas, preservar o credo da perseguição dos poderes vigentes. Atualmente, os coven raramente chegam ao número de 13 membros, mas como se chegou a este número ideal é um mistério: cinco formam o círculo expandido, como símbolo do Pentagrama, sinal dos Deuses; mais oito que formam o círculo contraído, como símbolo da Roda do Ano, sinal dos Mistérios Antigos. O sentido do tabu é de proibir até mesmo de falar sobre o objeto ou assunto coberto pelo tabu. Muitas vezes essa proibição passa a ser considerada uma fonte de impurezas, como a dieta kosher dos Judeus que considera alguns animais impuros para o consumo, muito embora alguns sequer eram conhecidos pelos Judeus. Animais como o porco, a lebre o ouriço, são conhecidamente animais considerados sagrados por sua associação com a Deusa Celeste pelos povos do Oriente Médio, sentimento que os Hebreus passaram aos seus descendentes, os Judeus. O consumo era proibido porque esses animais eram considerados sagrados, não impuros. Certamente tal distorção de valores e conceitos aconteceu com o sentido que se deu para o sexo e a sexualidade, como vemos nos dias de hoje: de algo sagrado, parte normal e natural da vida, para algo sujo, vulgar e pecaminoso. De tabu e proibições, passamos aos famosos Mandamentos da Lei de Deus, conhecido como os Dez Mandamentos, tidos como escritos por Deus para Moisés quando este estava no cume da montanha. Moisés, assim como Abraão, é considerado o patriarca dos Judeus, ainda que historicamente seja discutível se sequer tenha existido, pode ter realmente escrito as Tábuas da Lei, mediante uma inspiração divina, para o povo Judeu. Entretanto, considerando que as Escrituras Sagradas dos Judeus foram escritas após sua libertação da Babilônia, emancipação pelos Persas, retorno a Jerusalém, construção do Segundo Templo, por sacerdotes que foram influenciados pelo Zoroastrismo e a escritura sagrada deste, o Rig Veda, certamente os Dez Mandamentos receberam suas bases desta Lei sagrada. Um dos registros históricos de leis antigas é o Código de Hamurabi, feito pelo rei Hamurabi, do reino da Suméria, no qual se percebe esse vínculo entre lei enquanto normas sociais e regras de origem divina. As primeiras leis humanas têm origem nessa preocupação religiosa de obedecer a uma entidade, bem como de apaziguá-la em caso de eventual falha humana. Então esta é certamente a origem dos tabus e superstições. Em outras vertentes místicas e esotéricas, estas Leis espirituais acabam registrando algumas coisas em comum, uma vez que a origem vem dos Mistérios Antigos. Por exemplo, a Tábua de Esmeralda, para os hermetistas; o Livro da Lei, para os thelemitas e as Ardanes aos wiccans. Assim como na ciência essas leis são presentes e atuantes nesse mundo, como parte intrínseca da própria natureza, a continuidade e voluntariedade das mesmas demonstra a presença de uma Consciência conjunta, que sobrepuja os julgamentos e supera as limitações racionais humanas, para a qual a melhor definição desta é o dos Deuses e Deusas, a Realidade Divina, da qual nosso universo é uma pequena parte.

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