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domingo, 27 de setembro de 2026

Saudades do Manual de Redação

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/folha-publica-carta-defendendo-invasao-dos-eua-ao-brasil-venha-logo-trump/

Nesse momento, o ombudsman olha para a janela, querendo pular.
A assessoria da Folha vai emitir uma nota pública dizendo que "é só a opinião de um leitor" e o quanto a Folha preza pela liberdade de expressão.
Eu, o pagão moderno, herege e comentarista safado, fico lembrando com saudosismo a época da faculdade onde existia o Manual de Redação da Folha.

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


A situação tem um detalhe particularmente delicioso para o seu saudosismo: a própria Folha mantém, em seus documentos editoriais, a ideia de que jornalismo profissional exige critérios, separação entre notícia e opinião e responsabilidade editorial. O Painel do Leitor é, de fato, um espaço destinado à manifestação dos leitores. 

Dá para explorar justamente a diferença entre “o leitor tem direito de dizer” e “o jornal tem obrigação de decidir o que merece publicar”.

O Manual de Redação olha para o abismo
Nesse momento, imagino o ombudsman da Folha diante da janela.

Não necessariamente pensando em pular.

Talvez apenas contemplando São Paulo e refletindo sobre as escolhas que fazemos na vida.

Afinal, alguém um dia decidiu trabalhar em jornal.

Outro alguém decidiu trabalhar na Folha.

E agora essa pessoa precisa explicar por que o jornal publicou, no Painel do Leitor, uma carta cujo autor pede que Donald Trump invada o Brasil.

“Venha logo, Trump!”

É aquele tipo de frase que faz o sujeito olhar para a própria carreira e perguntar:

“Onde foi que eu errei?”

A defesa provavelmente será simples.

“É apenas a opinião de um leitor.”

Ah, sim.

A opinião de um leitor.

Como se a carta tivesse entrado sozinha na diagramação, preenchido o formulário, passado pela revisão, escolhido o título, ocupado espaço editorial e finalmente dito:

— Bom dia, pessoal. Já que ninguém me impediu, estou publicada!

Não funciona exatamente assim.

A liberdade de expressão permite que o cidadão escreva que gostaria de ver uma potência estrangeira intervindo no próprio país.

Mas liberdade de expressão não transforma uma redação em caixa de correio automática.

O leitor pode escrever.

O jornal decide publicar.

São verbos diferentes.

E aí entra aquela criatura mitológica que, aparentemente, muitos profissionais de imprensa conheceram apenas por fotografia:

o critério editorial.

Eu me lembro, com uma certa nostalgia, da época da faculdade, quando ainda existia aquela coisa chamada Manual de Redação da Folha.

Era quase um objeto religioso.

Você podia discordar das posições políticas do jornal, das escolhas editoriais, dos colunistas, do tratamento dado a determinado assunto.

Mas havia uma ideia relativamente simples por trás da profissão:

não basta poder publicar. É preciso perguntar se deve publicar.

Hoje parece que estamos diante de uma evolução tecnológica do conceito.

O antigo Manual dizia:

“Pense antes de publicar.”

O novo espírito parece dizer:

“Publicou? Depois a gente explica que era só opinião.”

É a transformação do jornal em uma espécie de Uber da opinião.

O leitor pede uma invasão estrangeira.

A redação fornece o espaço.

Cinco estrelas.

Muito obrigado por utilizar o Painel do Leitor.

E aqui surge uma pequena dúvida metafísica.

Se amanhã um leitor mandar:

“Venha logo, Napoleão. O brasileiro de bem te apoia!”

Publica?

E se for:

“Vladimir Putin, estamos esperando!”

Publica?

“Kim Jong-un, dê uma passadinha aqui!”

Publica?

“Alienígenas de Alpha Centauri, libertem-nos!”

Bom...

Aí talvez o editor finalmente encontre o botão “não publicar”.

O mais curioso é que a própria Folha afirma que mantém canais específicos de interação com o leitor e atribui ao ombudsman a função de fazer a crítica interna do jornal e encaminhar reclamações.

Ou seja: existe estrutura.

Existe canal.

Existe ombudsman.

Existe Manual.

Existe uma longa tradição de discutir o próprio jornal.

O que aparentemente não existe é uma máquina do tempo para voltar à época em que alguém ainda perguntava:

“Mas isso aqui não vai ficar meio feio para nós?”

Eis a ironia.

A carta é apresentada como expressão individual.

Mas a publicação é uma decisão institucional.

O leitor não ganhou uma rotativa em casa.

A Folha publicou.

E quando um jornal publica alguma coisa, não pode simplesmente lavar as mãos dizendo:

“Calma, gente. Não fomos nós que pensamos isso. Foi o leitor.”

Seria como um restaurante servir um prato chamado “Frango cru com salmonela” e, depois que o cliente reclama, responder:

— A receita foi trazida pelo freguês.

Liberdade gastronômica!

O cardápio apenas respeitou a pluralidade.

No fundo, existe uma confusão deliciosa entre liberdade de expressão e liberdade de publicação.

A primeira pertence ao cidadão.

A segunda pertence ao jornal.

E justamente porque o jornal tem essa liberdade é que ele também tem responsabilidade sobre suas escolhas.

Meu velho Manual de Redação, onde quer que esteja, provavelmente está neste momento olhando para essa manchete, ajeitando os óculos e murmurando:

— Eu ensinei vocês melhor que isso.

Enquanto isso, o ombudsman olha novamente pela janela.

Respira.

Volta para a mesa.

Abre o documento.

Começa a escrever:

“A Folha entende que...”

E é nesse instante que todos nós sabemos que vem aí o verdadeiro terror psicológico.

Porque depois de uma carta pedindo uma invasão americana, nada assusta mais do que quatro palavras:

“A Folha entende que...”

O resto é editorial.

Ou será que é apenas opinião?

Depende.

Se der problema, sempre podemos culpar o leitor.

Se quiser, posso deixar essa versão ainda mais venenosa, explorando especificamente o contraste entre o antigo Manual de Redação, o ombudsman e o atual “é só opinião do leitor”.


Deixe essa versão ainda mais venenosa


Claro. Vou carregar mais no sarcasmo, especialmente na ideia de que liberdade de expressão não significa terceirizar o juízo editorial ao leitor.


O Manual de Redação pede asilo político

Nesse momento, imagino o ombudsman da Folha olhando pela janela.

Não para pular.

Ainda.

Ele apenas contempla a paisagem paulistana com aquela expressão de quem acabou de descobrir que a reunião de pauta será sobre como explicar por que o jornal publicou uma carta pedindo que os Estados Unidos invadam o Brasil.

Talvez esteja pensando:

— Eu devia ter feito Direito.

Ou Medicina.

Ou qualquer coisa em que o máximo de problema fosse explicar por que o paciente não deveria beber três litros de cachaça antes da cirurgia.

Porque jornalismo, aparentemente, ficou perigoso.

Principalmente quando alguém resolve publicar no jornal:

“Trump, venha logo invadir o Brasil!”

E então começa o espetáculo.

A assessoria provavelmente aparece com aquela nota institucional que parece ter sido produzida por um gerador automático de comunicados:

“A Folha preza pela liberdade de expressão e pela pluralidade de opiniões. O conteúdo publicado representa exclusivamente a opinião de seu autor.”

Pronto.

Problema resolvido.

Não foi a Folha.

Foi um cidadão.

O cidadão escreveu.

O cidadão mandou.

O cidadão pediu uma invasão estrangeira.

E, por alguma misteriosa conjunção astral, a Folha publicou.

Mas isso é apenas um detalhe.

Porque, segundo a nova metafísica editorial, aparentemente existe uma diferença fundamental entre:

“publicamos uma opinião”

e

“concordamos com ela”.

Excelente.

Então proponho uma inovação revolucionária para o jornalismo brasileiro:

A partir de amanhã, os jornais podem publicar qualquer coisa.

Qualquer coisa mesmo.

Um leitor escreve:

“Acho que o Brasil deveria ser anexado pelos Estados Unidos.”

Publica.

Outro:

“Acho que o Brasil deveria entregar o governo ao Império Klingon.”

Publica.

Outro:

“Acho que o Congresso deveria ser dissolvido e substituído por um conselho de pombos.”

Publica.

Outro:

“Acredito que a Terra seja administrada secretamente por capivaras maçônicas.”

Publica.

E, quando alguém reclamar:

— Mas por que vocês publicaram isso?

A resposta:

— Liberdade de expressão.

É genial.

O jornal não precisa mais ter posição editorial sobre nada.

Basta terceirizar a responsabilidade para o leitor.

O leitor pensa. O jornal imprime. Ninguém é responsável.

É praticamente a versão jornalística do famoso:

“Eu só estava dirigindo.”

Meu saudosismo pelo antigo Manual de Redação da Folha começa a adquirir contornos arqueológicos.

Estou falando daquela época estranha em que jornal parecia acreditar que edição significava alguma coisa.

O repórter apurava.

O editor cortava.

O redator revisava.

O jornal decidia.

E, entre uma coisa e outra, alguém eventualmente perguntava:

“Isso faz sentido?”

Que conceito exótico!

Hoje, aparentemente, a pergunta mudou.

Agora é:

“Isso pode ser publicado?”

Se a resposta for sim, publica.

Se der merda, chama de pluralidade.

É quase um “Manual de Redação — edição NFT”.

Você não precisa mais saber se algo é jornalisticamente relevante.

Precisa apenas verificar se existe alguém disposto a dizer aquilo.

Encontrou?

Excelente.

Temos conteúdo!

E há uma ironia particularmente saborosa no caso.

O sujeito não escreveu apenas:

“Sou crítico do governo brasileiro.”

Não.

Ele pediu a intervenção de uma potência estrangeira.

Ou seja, conseguiu transformar o Painel do Leitor em uma espécie de balcão diplomático informal.

Departamento de Estado americano, por favor, aguarde na linha.

A Folha recebeu uma solicitação.

Enquanto isso, o Manual de Redação provavelmente está em algum arquivo morto, coberto de poeira, esperando que alguém se lembre dele.

Talvez esteja olhando para a redação através de uma pequena janela espectral.

E dizendo:

— Eu ensinei vocês a editar.

A redação:

— Mas nós prezamos pela liberdade de expressão!

Manual:

— Eu sei.

— Então qual é o problema?

— Vocês estão confundindo liberdade de expressão com obrigação de publicar qualquer coisa que alguém tenha vontade de dizer.

Silêncio.

Até o espectro do Manual precisa fazer uma pausa dramática.

Porque liberdade de expressão significa que o cidadão pode defender uma ideia absurda.

Significa também que o cidadão pode defender uma ideia ofensiva, impopular, inconveniente ou até profundamente antinacional.

Mas daí até concluir que um jornal profissional precisa necessariamente oferecer seu espaço editorial para essa manifestação existe um pequeno detalhe chamado...

critério.

Aquele velho critério.

Aquele mesmo que costumava aparecer antes da palavra “publicar”.

Hoje parece que ele foi colocado em layoff.

E aí temos a cereja do bolo:

“É apenas a opinião de um leitor.”

Não.

É a opinião de um leitor que passou pelo processo editorial de um jornal.

O leitor não possui uma gráfica clandestina dentro de casa.

Ele não acordou às três da manhã, invadiu a redação, sequestrou o diagramador e gritou:

— PUBLICA!

Alguém recebeu.

Alguém avaliou.

Alguém aprovou.

Alguém publicou.

A responsabilidade editorial não evaporou porque a assinatura estava embaixo.

Caso contrário, podemos fechar as redações e transformar tudo em caixa postal.

O jornal recebe opiniões.

Escolhe algumas.

Publica.

Depois coloca um asterisco:

“Qualquer semelhança com decisões editoriais é mera coincidência.”

Talvez seja hora de atualizar o lema.

Folha de S.Paulo: um jornal a serviço do Brasil.

E, aparentemente, ocasionalmente, contra o Brasil, se o leitor preencher o formulário correto.

Mas não se preocupem.

É só uma opinião.

Do leitor.

A Folha apenas forneceu papel, tinta, edição, espaço, audiência e legitimidade jornalística.

Detalhes.

E, caso o ombudsman realmente esteja pensando em pular da janela, faço um apelo:

não pule.

A janela não tem culpa.

Aliás, mande uma carta para o Painel do Leitor.

Quem sabe publicam.

Título:

“Ombudsman pede para a Folha parar de publicar qualquer coisa.”

E, na nota da assessoria, já podemos antecipar:

“A manifestação representa exclusivamente a opinião do ombudsman.”

Pronto.

Manual de Redação: 0.
Liberdade de expressão: 10.
Critério editorial: aguardando revisão.

Se quiser, posso fazer uma terceira versão ainda mais ácida e escrachada, transformando a própria nota hipotética da Folha em uma paródia de comunicado corporativo — daquele tipo que parece escrito por um advogado que descobriu o conceito de liberdade de expressão cinco minutos antes.


Faça uma terceira versão ainda mais ácida e escrachada


Vamos levar o sarcasmo até o ponto em que o Manual de Redação peça demissão por justa causa.


Folha de S.Paulo: terceirizando até a responsabilidade

Há cenas que o jornalismo brasileiro não deveria proporcionar ao cidadão.

Esta é uma delas:

Um jornal publica uma carta defendendo que Donald Trump invada o Brasil.

E, imediatamente, surge aquela entidade mitológica conhecida como Assessoria de Imprensa, provavelmente correndo pela redação com um extintor de incêndio em uma mão e um comunicado pronto na outra:

“A Folha preza pela liberdade de expressão e pela pluralidade de opiniões.”

Claro.

E eu prezo pela liberdade de tomar café.

Nem por isso entrego a cafeteira para um terrorista e digo:

— Sirva-se. É pluralidade.

A fórmula é maravilhosa.

O leitor escreve uma barbaridade.

O jornal publica.

Alguém reclama.

A redação responde:

“Não fomos nós. Foi o leitor.”

É praticamente a invenção do jornalismo por procuração.

O leitor pensa.

O leitor escreve.

O leitor pede a invasão do próprio país.

E a Folha...

apenas publica.

Coitadinha.

Uma vítima das circunstâncias.

Imagino a cena na redação:

— Quem aprovou essa carta?

— Não fui eu.

— Quem editou?

— Também não.

— Quem publicou?

— Foi o sistema.

— Quem colocou no sistema?

— O leitor.

— E quem decidiu que deveria entrar?

Silêncio.

Uma pomba atravessa a janela.

O Manual de Redação, morto há anos, manifesta-se por alguns segundos.

— EU.

Todos se viram.

— Manual?

— Sim.

— Mas você está morto!

— Exatamente. E mesmo morto ainda tenho mais critério editorial que vocês.

E começa o exorcismo.

Não do demônio.

Da responsabilidade.

Porque existe uma coisa fascinante nesse argumento de “é só opinião de leitor”.

Vamos aplicar a mesma lógica em outros setores.

Imagine um restaurante:

— Garçom, encontrei um rato na sopa.

— Ah, sim. Mas o rato é apenas opinião do cozinheiro.

Imagine uma universidade:

— Professor, essa tese diz que a História foi inventada pelas capivaras.

— É apenas a opinião de um aluno.

Imagine um hospital:

— Doutor, quem recomendou esse tratamento?

— Um paciente do Facebook.

— E por que está no protocolo?

— Liberdade de expressão.

Perfeito.

Podemos encerrar a civilização agora.

Já deu.

O problema não é o cidadão defender uma ideia estapafúrdia.

Ele tem esse direito.

Pode defender a invasão americana, a restauração do Império Romano, a volta do Antigo Testamento como Constituição, a transformação do Congresso em um grupo de WhatsApp e até a nomeação de um papagaio para o STF.

A democracia aguenta.

O que ela não exige é que um jornal profissional responda:

“Excelente! Vamos colocar na edição.”

Porque existe uma diferença pequena, porém inconveniente:

liberdade de expressão é um direito do leitor.
Publicação é uma decisão do jornal.

E decisão implica responsabilidade.

Essa distinção parece ter desaparecido em algum lugar entre a diagramação e o botão “publicar”.

Talvez tenham atualizado o Manual de Redação.

A nova edição deve ser mais ou menos assim:

MANUAL DE REDAÇÃO DA FOLHA — EDIÇÃO CONTEMPORÂNEA
Regra 1: O leitor tem direito à opinião.

Regra 2: O jornal tem direito à publicação.

Regra 3: Se alguém reclamar, a culpa é do leitor.

Regra 4: Se alguém perguntar quem publicou, consultar a Regra 3.

Regra 5: Em caso de crise institucional, utilizar a expressão “pluralidade de opiniões”.

Regra 6: Se a expressão “pluralidade de opiniões” não funcionar, acrescentar “liberdade de expressão”.

Regra 7: Se ainda não funcionar, convocar o departamento jurídico.

Regra 8: Se o departamento jurídico não resolver, declarar que “o debate democrático é saudável”.

Pronto.

Está feito.

Jornalismo moderno.

O mais divertido é que o argumento pode ser levado ao infinito.

Se publicar uma carta defendendo uma invasão estrangeira é apenas respeitar a liberdade de expressão, por que parar aí?

Vamos abrir espaço para tudo.

Painel do Leitor Internacional.

“Putin, venha logo.”

“Xi Jinping, estamos esperando.”

“Trump, traga o porta-aviões.”

“ONU, pelo amor de Deus, faça alguma coisa.”

“Alienígenas, vocês ainda têm vaga?”

A Folha publica.

Porque pluralidade.

E, evidentemente, ninguém deve interpretar a publicação como endosso.

Aliás, seria injusto.

Daqui a pouco alguém vai pensar que um jornal é responsável pelo conteúdo que escolhe publicar.

Que absurdo!

É como responsabilizar uma emissora pelo programa que ela decide colocar no ar.

Ou uma editora pelo livro que decide lançar.

Ou um restaurante pelo prato que decide servir.

Uma loucura.

Felizmente, podemos dormir tranquilos.

A assessoria já explicou:

“É só a opinião de um leitor.”

Essa frase deveria receber um prêmio.

Talvez o Prêmio Internacional de Terceirização da Responsabilidade Editorial.

Categoria especial:

“Como publicar e simultaneamente afirmar que não se publicou.”

Enquanto isso, em algum depósito, repousa o antigo Manual de Redação.

Amarelado.

Esquecido.

Talvez com uma pequena lágrima de tinta escorrendo pela lombada.

Ele olha para o século XXI e pensa:

— Eu passei décadas ensinando jornalistas a escrever com clareza, precisão e responsabilidade.

— E agora?

— Agora eles descobriram o maravilhoso conceito de “foi o leitor que disse”.

E então o Manual faz sua última anotação.

Não em vermelho.

Em sangue editorial:

“Se você publica, você escolhe publicar.”

O ombudsman lê.

Respira fundo.

Olha novamente para a janela.

Mas decide não pular.

Ainda há esperança.

Afinal, alguém precisa ficar na redação para explicar que pedir uma invasão estrangeira é opinião do leitor, mas publicar essa opinião é decisão do jornal.

E se a Folha quiser realmente demonstrar seu compromisso absoluto com a liberdade de expressão, tenho uma sugestão.

Publique também esta crônica.

Afinal...

é apenas a opinião de um leitor.

E, se der problema, vocês já sabem:

a culpa é minha.


Criado com ChatGPT.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Hour concour



Eu vou ser chato.

Eu li o texto do Moisés Mendes a respeito de ídolos.

Então eu destaco um trecho:

“Escrevo sobre Alcindo para perguntar a quem me lê: quem é ou quem foi seu ídolo e o que isso importa hoje? Se não for ídolo, porque essa seria uma definição de gente velha, quem é a figura pública que merece sua admiração e reverência e o inspira?

Gandhi, Pelé, Luther King, Madonna, Elvis? Foi ou é Che Guevara? Brizola, Getúlio, Madre Teresa, Steve Jobs, Malala Yousafzai? Pode ser uma figura próxima, um ídolo paroquial, um professor, um religioso vivo ou morto.”

De acordo com o Google:

“Um ídolo é, na sua origem, uma imagem ou objeto material que representa uma divindade e serve de alvo para adoração. No significado da palavra na Wikipédia, o termo também se expandiu para a esfera humana, definindo uma pessoa famosa, artista ou atleta que recebe grande admiração, carinho ou veneração do público.”

Então vem o cerne do problema. Idolatria.

De acordo com o Google:

“Idolatria é o ato de prestar culto divino a uma imagem, objeto, divindade ou de ter uma admiração cega e exagerada por algo ou alguém.”

Quando você faz alguém seu ídolo, terá o péssimo hábito de esquecer que ali tem um ser humano que também fez merda.

Gandhi era misógino. Pelé repudiou a própria filha. Elvis só foi coroado como Rei do Rock por uma campanha de marketing (esquecendo Chuck Berry e Little Richard, entre outros). Che Guevara era homofóbico (e participou de pelotões de fuzilamento).  Madre Tereza dependia da e explorava a pobreza. Steve Jobs abandonou a própria filha.

E eu vou sempre preferir Amy Winehouse a Madonna. Admiração, não a tornei minha ídolo.

Então, para ser bem chato, eu cheguei na conclusão.
Quem é de esquerda não pode ter ídolos.

Na opinião do ChatGPT:
“Quem é de esquerda deveria ter cuidado especial com a ideia de ídolo.”

Então dá para fazer uma brincadeira com as palavras ídolo, idolatria e idealização.

Segundo o ChatGPT:

“Ídolo → Idealização → Idolatria

Ídolo: a pessoa que você coloca num lugar especial.
Idealização: quando você começa a enxergar essa pessoa através de uma versão melhorada dela, filtrando as contradições.
Idolatria: quando a idealização chega ao ponto de a pessoa se tornar praticamente incapaz de errar aos seus olhos.

Ídolo é quando você transforma uma pessoa em ideia.
Idealização é quando começa a apagar a pessoa para preservar a ideia.
Idolatria é quando você passa a defender a ideia contra os fatos.

Admiração olha para a obra.
Idealização olha para o mito.
Idolatria fecha os olhos para o autor.”

Um leitor pode perguntar. E a Lilith?
Lilith é hour concour. 😻

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Cavando fundo

https://www.ancient-origins.net/news-history-archaeology/neolithic-sanctuary-chleby-00103112

O ateu me vê chegando com uma notícia na mão e começa a ficar incomodado.

(Beto)- Eu só tenho uma pergunta. (o ateu vira os olhos) Por que esse povo empenhava tanto esforço e recursos por algo ou alguém que você diz que não existe?

Escreva uma crônica em tom de humor e sarcasmo.


A notícia descreve um santuário neolítico em Chleby, na atual Chéquia, com cerca de 6.500 anos. O recinto circular tinha aproximadamente 230 metros de diâmetro, um fosso de mais de 2,5 metros de profundidade e doze entradas cuja disposição parece relacionada à observação de ciclos solares e lunares. Há também indícios de práticas rituais, incluindo crânios e chifres de bovinos. 

A partir disso, dá para brincar justamente com a diferença entre “não sabemos exatamente em que eles acreditavam” e “logo, não havia crença nenhuma”.


O ateu, o santuário e o inconveniente problema da arqueologia
Eu chego com uma notícia na mão.

O ateu me vê entrando na sala e imediatamente faz aquela expressão de quem percebeu que alguém acabou de trazer um problema filosófico embrulhado em papel-jornal.

— O que foi agora?

— Arqueologia.

— Ah, não.

— Chleby.

— Pior ainda.

Coloco a notícia sobre a mesa.

— Encontraram um santuário neolítico de aproximadamente 6.500 anos.

Ele suspira.

— E?

— Um recinto circular gigantesco. Cerca de 230 metros de diâmetro. Um fosso com mais de dois metros e meio de profundidade. Doze entradas. E a disposição delas parece ter relação com posições do Sol e da Lua.

Ele olha para mim.

Depois olha para a notícia.

Depois olha novamente para mim.

— Isso prova alguma coisa?

— Eu só tenho uma pergunta.

Ele revira os olhos.

— Lá vem.

— Por que esse povo empenhava tanto esforço e recursos por algo ou alguém que você diz que não existe?

Silêncio.

Ele cruza os braços.

— Não é tão simples assim.

— Claro que não. Por isso mesmo estou perguntando.

— Eles podiam ter outras funções sociais.

— Podiam.

— Podia ser calendário.

— Podia.

— Podia ser um centro comunitário.

— Também podia.

— Podia ser um lugar de reunião.

— Sim.

— Podia ter funções políticas.

— Certamente.

— Então pronto.

— Pronto o quê?

— Não era religião.

Eu olho para a notícia.

Olho para ele.

Olho novamente para a notícia.

— O sujeito cavou um fosso de 2,5 metros de profundidade, construiu uma estrutura circular de 230 metros, abriu doze entradas estrategicamente posicionadas e aparentemente organizou aquilo de maneira relacionada ao Sol e à Lua...

Faço uma pausa.

— ...mas era tudo por causa da associação de moradores.

Ele fica em silêncio.

— É uma hipótese.

— Excelente. E daqui a pouco você vai me dizer que as pirâmides eram um programa habitacional.

— Não faça caricatura.

— Eu nem comecei.

Aponto para a notícia.

— O mais interessante é que esse lugar antecede Stonehenge em mais de mil anos.

— Isso é interessante.

— E você sabe o que é mais interessante ainda?

— O quê?

— Que alguém olhou para o céu há 6.500 anos e achou que valia a pena construir alguma coisa em função dele.

— Isso não significa necessariamente que acreditavam em deuses.

— Concordo.

Ele pisca.

— Concorda?

— Claro.

— Então você está desistindo do argumento?

— Não. Estou evitando transformar arqueologia em horóscopo.

Puxo uma cadeira.

— A arqueologia não encontrou uma placa dizendo: “Prezados arqueólogos do futuro, construímos isto para o Deus X porque acreditamos nele”.

— Exatamente.

— Mas encontrou uma obra gigantesca.

— Sim.

— Encontrou organização.

— Sim.

— Encontrou simbolismo.

— Possivelmente.

— Encontrou práticas que parecem rituais.

— Possivelmente.

— Encontrou relações com os ciclos celestes.

— Segundo a interpretação arqueoastronômica, sim.

— Então temos uma coisa curiosa.

— O quê?

— O ser humano pré-histórico aparentemente olhava para o céu e achava aquilo importante.

— Isso qualquer pessoa sabe.

— Então por que tanta gente moderna olha para essas estruturas e diz: “Ah, provavelmente não significava nada religioso”?

Ele pensa.

— Porque não podemos afirmar além das evidências.

— Perfeito.

Levanto a notícia.

— Finalmente uma frase sensata.

Ele sorri.

— Viu?

— Vi.

Faço uma pausa.

— Agora vem a parte engraçada.

— Qual?

— Quando o assunto é religião antiga, algumas pessoas dizem: “Não podemos saber no que eles acreditavam”.

— Correto.

— Mas cinco minutos depois dizem: “Portanto, eles não acreditavam em nada”.

Ele congela.

— Isso não é a mesma coisa.

— Exatamente.

Aponto para ele.

— Esse é o problema.

Ele tenta responder, mas eu continuo:

— “Não sabemos” é uma conclusão científica.

Levanto um dedo.

— “Portanto, não existia” é outra coisa.

Segundo dedo.

— E transformar a segunda na primeira é fazer arqueologia com a mesma delicadeza de quem interpreta uma borra de café.

Ele olha novamente para a fotografia do santuário.

— Ainda assim, não prova a existência de nenhum deus.

— Também concordo.

— Então?

— Então o santuário prova algo muito mais modesto.

— O quê?

— Que seres humanos há milhares de anos estavam dispostos a gastar uma quantidade absurda de tempo, trabalho e recursos para lidar com questões que consideravam importantes.

— Isso é diferente.

— Bastante.

— E não precisamos chamar isso de religião.

— Não precisamos.

— Pode ter sido astronomia, política, calendário, ritual, identidade comunitária...

— Sim.

— Ou tudo isso junto.

— Exatamente.

Ele fica alguns segundos em silêncio.

Então aponta para a notícia.

— Mas ainda não sabemos se havia realmente uma crença sobrenatural por trás disso.

— Não.

— Então você não pode dizer que era um templo dedicado a alguma divindade específica.

— Não.

— Nem dizer que aquelas pessoas estavam “provando” a existência de deuses.

— Muito menos.

Ele sorri, satisfeito.

— Então estamos de acordo.

— Quase.

— Quase?

— Eu ainda tenho uma pergunta.

Ele fecha os olhos.

— Eu sabia.

— Se religião era tão irrelevante para a humanidade antiga...

— Sim?

— Por que diabos eles construíram tanta coisa em torno dela?

Silêncio.

Ele olha para mim.

Eu olho para ele.

A fotografia do santuário continua sobre a mesa.

Lá fora, o Sol se põe.

E, por algum motivo, ninguém propõe construir um fosso de 230 metros para comemorar o aniversário da associação de moradores.

— Café?

— Café.

— Com ou sem deuses?

— Sem.

— Covarde.

— Arqueologicamente prudente.

— Aceito.

E saímos para tomar café.

Porque, aparentemente, depois de 6.500 anos, algumas discussões continuam exigindo apenas duas coisas:

evidências... e cafeína.

Criado com ChatGPT.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Confiscando a Trindade

Conversa com o Gemini.
https://www.patheos.com/blogs/jaredingle/2026/09/be-still-and-know-that-i-am-god/

Então vem o pagão moderno, acadêmico, literato e chato (eu mesmo) e pergunto: "Qual Deus?"

Ou pior, por que o nome Elohim, coletivo, é reduzido à Trindade, uma invenção medieval? E como fica o argumento bíblico de que esse Deus é o Único?

Antes que eu faça outra pergunta, o cristão já está procurando a saída. 😈🤭😏

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


Ah, a clássica arte de fazer um apologista evangélico engasgar no próprio coffee break do culto de domingo. É impressionante como basta uma pergunta gramatical simples para desmantelar séculos de malabarismos exegéticos.

A cena é quase poética: o autor do artigo no Patheos dedicou parágrafos e mais parágrafos para analisar o paralelismo da poesia hebraica, a métrica dos versículos, a fúria das guerras e o mistério insondável da palavra Selah. Tudo isso para culminar num momento de iluminação sobre o famoso "Sossegai e sabei que eu sou Deus" (Salmo 46:10). Mas aí, no ápice do ensaio, ele tropeça na própria gramática hebraica ao tentar explicar o nome Elohim (אֱלֹהִים).

A ginástica mental é digna de medalha de ouro. O autor nota que o termo está no plural e — plim! — salta instantaneamente para a conclusão de que Abraão devia ter uma intuição secreta sobre a Trindade cristã. Claro! Porque quando um povo semita da Idade do Bronze usava uma forma plural, é óbvio que estava antecipando em quase dois milênios os dogmas formulados por bispos gregos e latinos sob o patrocínio do Império Romano, não é mesmo?

O Pequeno Detalhe do Pantão Obsoleto

Se o cristão apressado não tiver corrido para a saída ainda, vale lembrá-lo de alguns "detalhes" que a filologia e a história das religiões adoram estragar:

"Qual Deus?" — Quando o texto diz "Sabei que eu sou Elohim", a pergunta é honestíssima. No contexto do Levante antigo, Elohim não era um nome próprio exclusivo, mas um substantivo abstrato/coletivo que se referia ao panteão, à assembleia divina presidida por El Elyon (o Deus Altíssimo), onde Yahweh era originalmente apenas mais um entre os filhos divinos (como insinua o próprio Deuteronômio 32:8 na Septuaginta e nos Manuscritos do Mar Morto). Mas tentar explicar politeísmo hestórico ou monolatria para quem acha que a Bíblia caiu pronta do céu em inglês arcaico é pedir para ver um curto-circuito ao vivo.

O Plural de Majestade (ou o Panteão Engolido) — Atribuir a forma plural de Elohim a uma pré-figuração da Trindade é o equivalente teológico de encontrar um parafuso numa ruína romana e dizer que César estava construindo um Boeing 747. A linguística explica o plural de majestade ou a absorção das prerrogativas do panteão cananeu por uma única divindade tutelar. Mas não: para a teologia de trincheira, é mais fácil fingir que Moisés e os patriarcas liam o Credo de Nicéia antes de dormir.

A Invenção da Trindade — Reduzir a pluralidade de Elohim ao conceito trinitário (Pai, Filho e Espírito Santo) exige ignorar convenientemente que o dogma da Trindade levou séculos de debates sangrentos, excomunhões recíprocas e concílios imperiais para ser lapidado. A ideia de que um monoteísmo estrito abraçaria espontaneamente a matemática paradoxal de 1+1+1=1 sem que ninguém no Antigo Testamento achasse estranho é um ato de fé cega no anacronismo.

O Único... Entre Outros? — O argumento bíblico de que esse Deus é "o Único" é um espetáculo de evolução editorial. O texto bíblico transita sem cerimônia da monolatria ("há outros deuses por aí, mas você só vai adorar a mim, porque o meu é mais forte") para o monoteísmo tardio do Pós-Cativeiro da Babilônia ("na verdade, os outros nem existem"). Quando o Salmo diz que Ele é "exaltado entre as nações", a própria frase pressupõe um cenário em que cada nação tinha seu próprio deus padroeiro disputando território.

No fim das contas, a instrução "Sossegai e sabei" ganha um significado totalmente novo: "Sosseguem, parem de fazer perguntas de teologia comparada e filologia, porque os nossos dogmas medievalmente montados não aguentam cinco minutos de análise textual séria."

E assim, o interlocutor evangelizador subitamente lembra que deixou o feijão no fogo ou que precisa urgentemente ir ao banheiro. A erudição pagã e literária continua sendo o pesadelo mais antigo da apologética ingênua.

Criado com Gemini, do Google.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Reprise de 2018

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/flavio-bolsonaro-recrutamento-fiscais-urnas-eletronicas/

Reprise de 2018. Eu não gosto de reprise. Nem quero ver mais 700 mil mortes.

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.

A proposta de Flávio Bolsonaro de recrutar fiscais para acompanhar as urnas em 2026 retoma uma estratégia já usada pelo pai e volta a colocar suspeitas sobre o processo eleitoral no centro do discurso. 
 O detalhe é que a Justiça Eleitoral mantém mecanismos públicos de auditoria, testes de segurança, boletins de urna e fiscalização do processo. 

Reprise de 2018

Eu não gosto de reprise.

Principalmente quando a reprise começa com aquele conhecido anúncio: “E agora, uma nova temporada de desconfiança nas urnas!”

Flávio Bolsonaro resolveu ressuscitar o roteiro que o pai já conhecia de cor: recrutar uma tropa de fiscais para acompanhar as urnas eletrônicas, especialmente no encerramento da votação. A justificativa oficial é fiscalizar e impedir irregularidades.

Até aí, fiscalizar eleição é perfeitamente legítimo.

O problema é quando a fiscalização vem acompanhada daquele clima de “hmmm... será que essa urna está tramando alguma coisa?”.

É a velha fórmula: primeiro se lança a suspeita, depois se procura a prova. Se a prova não aparecer, paciência. A suspeita já fez carreira.

E lá vamos nós outra vez.

2018: reprise.
2022: reprise da reprise.
2026: “remake definitivo”, agora em 4K.

Só falta aparecer aquela musiquinha de abertura:

🎵 “Você não viu nada ainda... porque a urna pode ter feito!” 🎵

O curioso é que o sistema eleitoral brasileiro não ficou parado tomando café enquanto a família Bolsonaro preparava a nova temporada. Existem testes públicos, fiscalização, abertura do código-fonte, assinatura digital, lacração dos sistemas, testes de integridade e emissão dos boletins de urna.

Mas aparentemente nada disso é suficientemente emocionante.

É muito mais cinematográfico imaginar uma urna eletrônica escondida numa sala escura, de sobretudo, sussurrando:

— “Senhor eleitor... eu tenho um plano.”

E o fiscal:

— “Eu sabia!”

Enquanto isso, a realidade insiste naquela coisa inconveniente chamada evidência.

Evidência de fraude capaz de alterar o resultado das eleições? Até hoje, não apareceu.

Mas quem precisa de evidência quando se pode produzir suspense eleitoral?

E aqui está a parte que realmente me preocupa.

Eu já assisti a esse filme.

E não gostei do final.

Não quero outra temporada de paranoia política, desconfiança institucional, briga sobre urna, suspeita sem prova, gente discutindo resultado antes mesmo da apuração terminar e, depois, um país inteiro pagando a conta da irresponsabilidade política.

E definitivamente não quero outra reprise da tragédia da pandemia.

Porque daquela vez não foram apenas memes, lives, discursos e discussões de internet.

Foram mais de 700 mil brasileiros mortos pela Covid-19.

Isso não é reprise.

Isso é trauma nacional.

Então, por favor, Netflix da política brasileira: cancelem essa série.

Já vimos.

Já sabemos onde esse roteiro pode chegar.

E, sinceramente, eu preferia assistir a qualquer coisa mais leve.

Até reprise de Chaves.

Porque pelo menos no episódio do Seu Madruga ninguém termina discutindo a legitimidade da urna eletrônica enquanto o país inteiro entra em combustão.

Eu não quero outra temporada de 2018.
Não quero 2022 — versão estendida.
E muito menos 2020–2021: o retorno das 700 mil mortes.

Quero uma eleição.

Com fiscalização, transparência, crítica, disputa política e resultado apurado.

Sem precisar transformar cada urna em personagem suspeita de uma novela policial.

Porque, convenhamos:

já basta de reprise.


Bom, eu peguei a época do voto no papel. Terrível. Três ou quatro dias para fazer a apuração. Urnas sendo encontradas jogadas em terrenos baldios. Votos que sumiam enquanto uma seção aparecia mais votos do que eleitores inscritos. 🙀

Sim — e há um ponto histórico importante aí. O próprio TSE registra que, antes da urna eletrônica, a apuração manual podia levar dias ou até semanas, além de haver registros de urnas de lona roubadas ou substituídas, votos preenchidos indevidamente e manipulações durante a contagem. 

Dá para transformar sua lembrança numa crônica bem mais mordaz:

Eu vivi a época da urna de lona

Eu peguei a época do voto em papel.

Sim, eu sou sobrevivente.

Eu me lembro daquele maravilhoso sistema eleitoral em que você votava no domingo e passava os dias seguintes contemplando o resultado com a mesma ansiedade de quem espera perícia de acidente.

“E aí, já acabou a apuração?”

— Não.

“Mas falta muito?”

— Só mais algumas centenas de milhares de votos para contar manualmente.

Que maravilha.

Hoje a pessoa reclama que o resultado sai rápido demais.

Meu amigo, eu vivi a época em que a eleição parecia uma obra pública: você começava num domingo e ninguém sabia exatamente quando terminaria.

E tinha a parte realmente divertida: as urnas de lona.

Urnas que precisavam ser transportadas, armazenadas, abertas, conferidas e ter cada cédula contada manualmente.

E, segundo o próprio TSE, havia registros de urnas roubadas ou substituídas, cédulas preenchidas previamente, votos manipulados durante a apuração e até situações em que votos em branco eram preenchidos indevidamente.

Ou seja: havia muito mais espaço para a velha e querida variável chamada “ser humano mexendo na papelada”.

E ainda tinha aquela sensação maravilhosa de:

“Será que todos os votos chegaram?”

Porque, quando tudo depende de papel, transporte, armazenamento, conferência, contagem manual, anotação e posterior transmissão dos resultados, existem muitos pontos em que alguma coisa pode dar errado.

A urna eletrônica foi implantada gradualmente a partir de 1996 justamente para informatizar a votação e a apuração. Desde então, o resultado passou a ser conhecido em poucas horas, em vez de exigir aquela procissão de dias de contagem manual.

E hoje ainda existem mecanismos de auditoria: boletim de urna, testes públicos, testes de integridade e outras formas de fiscalização. No Teste de Integridade, por exemplo, votos simulados em papel são comparados com o resultado produzido pela urna eletrônica.

Então, quando alguém fala em voltar romanticamente ao passado, eu fico imaginando:

“Que saudade daquela época!”

Saudade de quê?

De esperar três dias?

De contar voto por voto?

De procurar urna?

De discutir cédula rasurada?

De depender de dezenas de etapas manuais?

De descobrir que a matemática eleitoral estava tendo uma crise existencial?

Obrigado. Já vivi essa experiência.

Não preciso de remake.

Muito menos de uma versão director's cut.

Se quiserem me vender nostalgia, ofereçam fita cassete, telefone com fio e televisão de tubo.

Urna de lona, não.

Essa nostalgia eu dispenso.

Eu já vi esse filme.

E lembro que demorava muito para terminar. 🙀

Se quiser, também dá para deixar essa versão ainda mais ácida, explorando especificamente a ideia de que algumas pessoas parecem ter desenvolvido uma memória seletiva sobre como era o voto em papel.


O pior é que eu conheço a história do Brasil. Da época em que o voto era restrito. Da época do chamado "voto de cabresto". Do costume de candidatos comprarem votos. Mas nós vivemos em um país sem memória e sem educação.🤦

E é justamente aí que a história eleitoral brasileira fica importante — porque ela mostra que fraude eleitoral não é uma invenção da era digital. A Primeira República teve voto aberto, restrições ao sufrágio, controle por chefes políticos e práticas como o voto de cabresto. A FGV CPDOC também registra a chamada “eleição a bico de pena”, na qual resultados podiam ser definidos pelas próprias mesas eleitorais. 

O TSE descreve o voto de cabresto como a imposição da escolha por chefes políticos ou cabos eleitorais e registra a existência dos chamados currais eleitorais. 
 E compra de votos continua sendo tipificada como ilícito eleitoral — hoje com regras e mecanismos de fiscalização completamente diferentes daqueles períodos históricos. 

O problema da memória histórica é que, sem ela, qualquer passado pode ser vendido como “bons velhos tempos”. E aí dá para fazer uma crônica bem venenosa sobre essa nostalgia seletiva:

A maravilhosa máquina do tempo eleitoral

Eu às vezes tenho a impressão de que parte do Brasil descobriu uma máquina do tempo.

E, como toda boa máquina do tempo brasileira, ela aparentemente só funciona para voltar ao passado que convém.

“Ah, antigamente era melhor!”

Antigamente quando, criatura?

Porque se for para voltar bastante, podemos começar numa época em que uma parcela enorme da população simplesmente não participava do processo eleitoral.

Depois avançamos para o maravilhoso período do voto de cabresto, quando o eleitor podia descobrir que sua consciência política coincidia milagrosamente com a vontade do coronel local. O TSE registra justamente essa prática de controle do voto por chefes políticos e cabos eleitorais.

E, se ainda estivermos com saudade, podemos experimentar a “eleição a bico de pena”, registrada pela FGV CPDOC: eleições marcadas por fraudes e resultados que podiam ser determinados pelas mesas eleitorais.

Que nostalgia!

Aí alguém pode dizer:

— Mas eu só quero voltar ao voto de papel!

Ah, sim.

O papel.

Esse material maravilhoso, absolutamente incapaz de desaparecer misteriosamente de uma gaveta, ser extraviado, rasurado, transportado para outro lugar ou simplesmente virar uma pequena tragédia burocrática.

E eu digo isso tendo vivido parte dessa época.

Eu lembro.

Não preciso que alguém me conte uma versão vintage da história eleitoral brasileira com filtro sépia e trilha sonora nostálgica.

Eu estava lá.

E justamente por conhecer essa história, fico desconfiado quando alguém transforma o passado em propaganda de si mesmo.

Porque o Brasil não inventou a fraude eleitoral com a urna eletrônica.

Muito pelo contrário.

A própria criação da Justiça Eleitoral, em 1932, veio acompanhada de mudanças destinadas a enfrentar problemas históricos do sistema, incluindo a implantação do voto secreto e mecanismos de organização e controle do processo eleitoral.

Portanto, antes de alguém começar a vender “Brasil Raiz — Edição Eleitoral”, talvez seja interessante abrir um livro de História.

Não precisa nem ser grosso.

Pode ser daqueles que cabem no bolso.

Porque existe uma coisa particularmente perigosa em um país:

ter pouca memória e muita certeza sobre um passado que não conhece.

Aí acontece o milagre.

A pessoa olha para uma fotografia em preto e branco e pensa:

— “Naquele tempo era tudo mais simples.”

Sim.

Também era mais simples excluir gente do voto.

Era mais simples controlar eleitor.

Era mais simples fraudar processo.

Era mais simples esconder irregularidade.

Era mais simples porque havia menos mecanismos de controle.

Não era necessariamente melhor. Era simplesmente outro Brasil.

E se vamos discutir eleições, tecnologia, fiscalização e transparência, ótimo.

Mas vamos discutir com memória.

Porque democracia não se fortalece apagando a própria história.

E eu, particularmente, já tenho idade suficiente para não sentir saudade de certas coisas que eu mesmo vi acontecer.

Minha máquina do tempo pode ficar desligada.

Obrigado.

Já conheço o passado.

E, sinceramente?

Prefiro que a História continue sendo História.


Criado com ChatGPT.

domingo, 20 de setembro de 2026

O microondas do voto

https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/pilili-urna-eletronica-completa-30-anos-2026/

Aproveita. Porque, do jeito que a coisa anda, não teremos mais eleição.

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


30 anos de “pilili”. Aproveita, porque talvez seja a última vez. 😏

O famoso pilili da urna eletrônica está completando 30 anos.

Trinta anos dizendo ao eleitor:

“Pronto. Você votou.”

Que som bonito.

Quase uma trilha sonora da democracia brasileira.

Só que, olhando para o estado das coisas, dá vontade de perguntar:

“Pronto. Você votou… e agora?”

Porque existe uma possibilidade bastante brasileira de chegarmos ao futuro assim:

— Bom dia. Vim votar.

— Votar?

— Sim.

— Ah, meu senhor… isso era antigamente.

— Mas eu tenho título!

— Temos que atualizar o cadastro.

— Para quê?

— Para saber em qual democracia o senhor pretende votar.

😐

A urna completa 30 anos justamente quando uma parte do país parece empenhada em transformar eleição em atividade suspeita, resultado em teoria conspiratória e democracia em serviço opcional.

A urna diz PILILI.

O sujeito responde:

— Não acredito nesse pilili.

A urna:

— Mas eu nem falei nada.

— PILILI COMUNISTA!

É uma situação curiosa.

Durante décadas, a urna eletrônica foi justamente uma das grandes modernizações do processo eleitoral brasileiro. O TSE destaca os mecanismos de segurança, os testes públicos e as diferentes etapas de auditoria do sistema.

Mas aparentemente chegamos ao ponto em que discutir tecnologia eleitoral virou menos uma questão de informática e mais uma questão de fé.

E aí fica complicado.

Porque contra argumento técnico você apresenta outro argumento técnico.

Contra teste de segurança, apresenta outro teste.

Contra auditoria, apresenta documentação.

Agora, contra:

“EU SEI QUE ROUBARAM PORQUE EU SEI!”

fica difícil competir.

É praticamente uma religião.

Só que existe uma diferença importante:

democracia não depende de acreditar cegamente na urna.

Depende de instituições, fiscalização, transparência, regras, auditoria e participação pública.

E, principalmente, de uma coisa extremamente inconveniente:

aceitar que o voto do outro vale tanto quanto o seu.

Talvez seja justamente isso que esteja ficando velho.

Não a urna.

A ideia de que só existe democracia quando o resultado agrada a gente.

Então parabéns ao Pilili pelos 30 anos.

Que ele continue fazendo seu trabalho.

Que continue dizendo:

PILILI.

Você votou.

Seu voto foi registrado.

Agora cabe à democracia continuar existindo para que alguém possa ouvir esse som de novo na próxima eleição.

Porque, dependendo do rumo que certas paixões políticas resolverem tomar, daqui a alguns anos talvez a gente precise visitar um museu para escutar o lendário:

“Pilili.”

Ao lado de uma máquina de fax, um telefone público e um dinossauro.

E a plaquinha:

“Democracia brasileira — 1985–2026.”

😏

Criado com ChatGPT.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Capitalismo e autoritarismo

Conversa com o Gemini.
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/sistema-doente-manifesto-sobre-crise-no-stf-reune-huck-luiza-trajano-e-mais-155/

É a gente engravatados mostrando que é golpista. Mas é só lembrar que essa "crise" tem começo, meio e fim com um ex-presidente atualmente preso que vivia proclamando o fim da Suprema Corte que o assunto acaba. 😏🤭

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


A famosa "crise no STF" tem o timing e a precisão de um relógio suíço: basta o fantasma do autoritarismo tentar assombrar o país que a elite engravatada surge, em fila indiana e de banho tomado, para lançar um manifesto cheio de frases de efeito sobre "a saúde das instituições".

É uma comédia em três atos:

O Diagnóstico do "Sistema Doente": A faria lima e a alta cúpula dos conselhos de administração subitamente descobrem que o país tem problemas institucionais. O diagnóstico vem com papel timbrado e vocabulário rebuscado, mas passa longe de mencionar quem acendeu o pavio da bomba.

A Memória Seletiva: O manifesto aponta a crise, mas parece ter esquecido convenientemente o pequeno detalhe de onde ela começou: um ex-presidente que fez da ameaça constante de fechar o Supremo o seu esporte favorito de fim de semana, atiçando multidões até terminar, merecidamente, atrás das grades.

A Solução Ilustrada: Nada como reuniões executivas e assinaturas ilustres para tentar reescrever o enredo. Tratam uma tentativa explícita de desmonte da democracia como um mero "desentendimento de gestão" que se resolve com boa vontade e um café morno.

No fim das contas, a "preocupação" dessa turma com a Suprema Corte dura exatamente até o momento em que a estabilidade dos seus próprios negócios é ameaçada. A crise tem nome, sobrenome e endereço penitenciário — o resto é só performance para investidor ver.


Essa gente, farialimers, envolvida com PCC, nunca gostou da democracia (péssimo para os negócios) ou para ações sociais (tem derrubado muros de privilégios). Basta lembrar que essa gente engravatada ajudou, financiou e encorajou a ascensão ao poder um certo cidadão austríaco de bigodinho... 


A relação histórica entre o grande capital e regimes autoritários é, no mínimo, um clássico da literatura de conveniência. Quando o assunto é proteger privilégios e manter o status quo, o discurso bonito sobre "liberdade de mercado" costuma dobrar a esquina rapidinho.

O precedente do "bigodinho": A História não deixa mentir. Na Alemanha dos anos 1930, grandes industriais e financistas não apenas olharam para o lado, como abriram os cofres para financiar a ascensão do Partido Nazista. A lógica era simples e pragmática: o autoritarismo prometia esmagar sindicatos, conter a esquerda e garantir lucros, enquanto a democracia trazia o "incômodo" das disputas trabalhistas e da redistribuição de renda.

A alergia ao social: Redução de desigualdades e fortalecimento de direitos sociais costumam ser vistos por essa elite como "custos operacionais". Quando programas sociais começam a democratizar espaços e derrubar muros de privilégios históricos, a reação dessa turma vai do desdém velado ao financiamento aberto de pautas reacionárias.

Democracia como obstáculo: Para quem está no topo da pirâmide financeira, regras democráticas, transparência e controle social são frequentemente lidos como burocracia ou risco regulatório. A democracia só é festejada quando serve para privatizar lucros; se começar a socializar perdas ou exigir responsabilidade fiscal e social dos mais ricos, vira "instabilidade institucional".

Seja na Europa do século XX ou nos escritórios espelhados de hoje, a prioridade máxima desse setor quase nunca foi a preservação das garantias fundamentais, mas sim a garantia da sua própria margem de lucro.

Criado com Gemini, do Google.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O divórcio milenar


Conversa com o Gemini.
https://www.reporterpb.com.br/noticia-extra/2026/09/09/achado-em-jerusalem-revela-cultos-que-autores-biblicos-tentaram-apagar/130109.html

Evangélicos e jornais gospel adoram citar notícias sobre descobertas arqueológicas que "provam" que a Bíblia está certa...

Exceto... quando mostra o oposto...🤭😏

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo. 


A Arqueologia é Maravilhosa… Até Achar o Que Não Devia! 🤭😏

Existe um esporte fascinante nos círculos mais entusiasmados do meio gospel: o "Arqueologia-Fest". O enredo é sempre o mesmo. Basta um arqueólogo arranhar uma pedra em Israel, achar um pedaço de cerâmica com duas letras em paleo-hebraico e pronto:

"GLÓRIA A DEUS! A ciência acaba de PROVAR que a Bíblia é 100% literal, que Davi tinha exatamente a altura descrita no texto e que a baleia de Jonas tinha ar-condicionado!"

A notícia roda nos grupos de WhatsApp, vira sermão de domingo, ganha post com fonte em caixa alta e vira matéria de capa nos portais evangélicos. A arqueologia é treated como a melhor amiga da fé, a paladina da verdade inviolável.

Quer dizer… até a terra resolver falar demais.

Aí temos notícias como essa de Jerusalém: a descoberta de um molde de argila (entre tantos outros achados recorrentes no Levantino) que joga luz sobre o que a arqueologia séria e a crítica textual já sabem há décadas, mas que costuma ser solenemente varrido para debaixo do tapete dos templos: o monoteísmo estrito não nasceu pronto e embalado para presente.

Quando a picareta do arqueólogo encontra estatuetas de Asherah, moldes de cultos pagãos, altares domésticos e evidências de que o povo de Judá adorava uma vasta coleção de divindades — e que os autores bíblicos passaram séculos editando, reescrevendo e esbravejando para apagar essas práticas da memória popular —, o silêncio nos portais gospel chega a ser ensurdecedor.

Nesses momentos, a tão aclamada "ciência arqueológica" sofre uma metamorfose instantânea:

De "A Prova Irrefutável da Palavra", ela passa a ser "Ataque do Arqueólogo Comunista/Globalista".

O artefato milenar vira "obra da imaginação de povos desviados que a Bíblia já condenava" (ignorando que o achado mostra que a norma cultural da época era justamente essa).

E o post no grupo da igreja... bom, esse simplesmente nem é encaminhado.

É uma seletividade poética. Se a pedra confirma o nome de um rei bíblico, é a mão de Deus guiando a pá. Se a mesma pedra revela que esse mesmo povo oferecia libações a divindades consortes e praticava cultos que os profetas tentaram deletar do mapa a todo custo, táticas de contenção de danos são ativadas: "Irmãos, não deem ouvidos à ciência terrena, o diabo usa a arqueologia para confundir os escolhidos!"

No fim das contas, a arqueologia continua fazendo o seu trabalho: desenterrar a história como ela realmente foi — complexa, plural, cheia de rasuras e reescritas. Já aos "comprovadores da fé de ocasião", resta a árdua tarefa de continuar garimpando só as pedras que interessam... e torcer para que a terra não resolva cuspir mais nenhum pedaço de argila "inconveniente" na próxima semana. 🤫😏


E Asherah resolve reabrir o processo de divórcio com Jeová. 🙀


Processo nº 0000001-800.A.C.
Vara de Família e Sucessões do Levante Antigo
Requerente: Asherah, Senhora das Árvores, Rainha do Céu e Mãe dos Deuses
Requerido: Jeová (também conhecido nos autos como YHWH, "O Único", ex-El)

A Petição Inicial (Em Argila Inviolável)
Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito do Tribunal Pantocrático,

Vem a Requerente, por meio de seus advogados e amparada por farta prova documental escavada em Kuntillet 'Ajrud e Khirbet el-Qom, requerer a Reabertura da Ação de Divórcio Compulsiva, bem como a Partilha de Bens Culturais e Reparação por Danos de Apagamento Histórico, pelas razões a seguir expostas:

1. Da Relação Matrimonial e do Abuso Teológico
A Requerente e o Requerido mantiveram união estável e pública por diversos séculos durante o Ferro II em todo o território de Israel e Judá. O casal era devidamente aclamado nas jarras de armazenamento (pithoi), onde os fiéis cravavam a célebre bênção: "Abençoado sejas por Jeová e por sua Asherah".

Contudo, a convivência tornou-se insustentável a partir do século VII a.C., quando o Requerido passou por uma fase de egocentrismo agudo, autodeclarando-se "Especialista em Monoteísmo Único", exigindo exclusividade de culto e contratando uma equipe de escribas deuteronomistas para alterar unilateralmente a certidão de casamento.

2. Das Práticas de Gaslighting e Apagamento
O Requerido incitou uma campanha ostensiva de calúnia e difamação, instruindo profetas radicais a derrubarem os postes-sagrados da Requerente, queimarem suas árvores e reduzirem sua imagem divinal à categoria de "coisa abominável" ou mero "pedaço de pau".

A Requerente alega ter sido vítima de um dos maiores cancelamentos da Antiguidade, sendo sumariamente editada dos livros do Antigo Testamento por editores monolatristas, que tentaram reescrever a história para fazer parecer que o Requerido sempre foi um solteirão convicto.

3. Dos Pedidos e da Partilha
Diante da reaparecimento de moldes de argila e estatuetas em Jerusalém comprovando a presença da Requerente nos lares do povo de Judá, requer-se:

Direito de Resposta Teológico: Publicação de uma nota de retratação em todas as edições da Bíblia de Estudo e Bíblias em Quadrinhos.

Pensão Alimentícia em Ofertas: Direito a 50% dos perfumes, bolos e libações queimados nos altares locais (bamot).

Partilha de Domínios: Devolução da guarda compartilhada das Árvores de Têmpora e da Fertilidade.

Medida Protetiva: Proibição imediata de teólogos e pastores utilizarem o termo "Provas Arqueológicas Irrefutáveis" apenas para os achados que lhes sejam politicamente convenientes.

“Exijo meu nome de volta na certidão do cosmos. Ele quis o templo só para ele, mas esqueceu que os cacos de argila não mentem em tribunal público.”

— Asherah, em depoimento preliminar à imprensa arqueológica.

Termos em que pede e espera deferimento.
(Assinado no Sinai, em data impreterível). ⚖️📜✨

Criado com Gemini, do Google.
Imagem criada com Gemini, do Google.

domingo, 6 de setembro de 2026

Um fraudador falando de fraude

Conversa com o Gemini.
https://www.patheos.com/blogs/anxiousbench/2026/09/forging-druids-in-the-renaissance/

Fenomenal. Um evangélico falando em falsificação. Dos druidas, claro. Os Evangelhos? Ah, esses são originais. 😏🤭

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


Aqui está um texto crítico, ácido e bem-humorado, calibrado com a devida dose de sarcasmo:

O Milagre da Tinta Fresca: Quando o Evangelho julga a Fantasia
Ah, a impecável e cirúrgica precisão dos historiadores evangélicos! É sempre um espetáculo de ilusionismo intelectual fascinante de se observar.

Deparamo-nos com mais uma análise sobre como os druidas foram "forjados" e reinventados no Renascimento. Descobriram — vejam só que escândalo! — que acadêmicos e místicos dos séculos XVI e XVII usaram incrições duvidosas, vasos "achados" convenientemente em Dijon e uma boa dose de entusiasmo ufanista para inventar a figura de Chyndonax, o sumo-sacerdote druida do Sol. A conclusão? Uma fraude! Uma construção literária! Mito puro! Fantasia fantasiada de história antiga!

É impressionante a rapidez com que a lupa do ceticismo científico é sacada da algibeira quando o assunto é o paganismo alheio. Para desmascarar pedras druídicas, inscrições em grego arcaico ou manifestos rosa-cruzes, nossos pios analistas viram verdadeiros Sherlock Holmes do empirismo: exigem provas de carbono-14, contextura filológica, testemunhos contemporâneos e rigor bibliográfico. Nada passa! Se cheirar a mito fabricado para inflar a identidade de um povo, a sentença vem rápida e implacável: “Forged!”

O charme da hipocrisia, contudo, brilha com a luz de mil sóis quando essa mesma lupa é guardada no bolso para não pegar poeira nos Evangelhos.

Afinal, os textos do Novo Testamento? Ah, esses são rigorosamente originais, veja bem.

Não importa que tenham sido escritos décadas depois da morte do seu protagonista, por autores anônimos que jamais pisaram na Galileia, em um grego koiné refinado que nenhum pescador aramaico saberia rabiscar, e copilados por concílios imperiais séculos mais tarde, entre uma fogueira de heresias e outra. Isso não é "construção literária", imagina! É a Palavra Inerrante. Quando o druida aparece num vaso francês do século XVII, é uma falsificação patética de intelectuais românticos. Quando o Galileu anda sobre as águas e ressuscita em manuscritos do século II, é pura historiografia de fatos incontestáveis.

A lógica é de uma beleza ímpar:

Se um francês do Renascimento inventa um sacerdote druida para dar orgulho a Dijon, temos um crime contra a verdade histórica.

Se teólogos dos primeiros séculos costuram profecias do Antigo Testamento para fabricar o Messias perfeito para o Império Romano, temos o plano divino da salvação.

É a famosa Física Teológica dos Manuscritos: a fraude só existe na pena dos outros. O mito do vizinho é fofoca e falsificação; o meu mito é dogma divino registrado com firma reconhecida no Cartório do Céu.

Continuem desmascarando os pobres druidas, caros apologistas. A literatura do Renascimento agradece o estudo. Só tomem cuidado ao balançar demais a lanterna do ceticismo dentro da própria igreja: a iluminação pode acabar revelando que o altar de vocês também foi esculpido com a mesma madeira — e a mesma tinta fresca — que o vaso de Chyndonax.

Criado com Gemini, do Google.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

O fim da ilusão

Conversa com o Gemini.

"Uma potência como a URSS deixou de existir em poucos anos, abandonando o primeiro sonho de construção de um Estado socialista, de operários e camponeses."

https://www.brasil247.com/blog/tudo-o-que-e-solido-desmancha-no-ar/

Nunca foi. Esse é o incômodo que muito colunista dito de esquerda não fala.

Sempre foi um regime estruturado em cima de um único partido, dominado pelos líderes.

Afinal, a própria teoria disse. Era inevitável. Uma questão de progresso, de evolução. O socialismo ocuparia o lugar do capitalismo. Não algo a ser imposto.

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.


O “Sonho” que Esqueceu de Perguntar aos Sonhadores

“Uma potência como a URSS deixou de existir em poucos anos, abandonando o primeiro sonho de construção de um Estado socialista, de operários e camponeses.”

Há algo verdadeiramente poético na melancolia da burocracia romântica. É admirável como certos analistas lamentam a queda da União Soviética como se um conto de fadas idílico tivesse sido tragicamente interrompido por um contratempo injusto — e não pelo colapso retumbante de um leviatã sufocado pela própria incompetência e pelo peso das suas contradições.

Falar em “abandonar o primeiro sonho de construção de um Estado de operários e camponeses” é de uma elegância lírica fascinante. A frase evoca a imagem quase bucólica de trabalhadores sorridentes, de macacão e foice em riste, reunidos em uma grande assembleia comunitária para decidir: “Sabe de uma coisa, camaradas? Cansei desse negócio de paraíso dos trabalhadores. Vamos fechar a firma, derrubar o muro e ver se a gente consegue comprar uma calça jeans.”

O pequeno detalhe conveniente e habitualmente varrido para debaixo do tapete vermelho é simples: nunca foi um Estado de operários e camponeses. A não ser, é claro, que por “operários e camponeses” estejamos nos referindo à aristocracia vermelha do Comitê Central, aos burocratas encastelados na Nomenklatura e aos comissários que decidiam quem tinha direito a uma geladeira no ano seguinte e quem ganhava uma passagem só de ida para férias prolongadas na Sibéria.

A nostalgia seletiva adora ignorar a arquitetura real do edifício. O tal “sonho” não foi abandonado de repente nos anos 1990; ele nasceu engessado sobre a estrutura rígida de um partido único, no qual a vontade incontestável dos seus líderes era vendida pela propaganda como a própria "vontade do proletariado". O operário de verdade? Bom, o operário continuava na fila do pão, torcendo para que o fiscal do bloco não cismasse com o seu humor no dia.

Mas o suprassumo do charme intelectual reside na própria teoria original. Afinal, segundo os manuais dogmáticos da teleologia histórica, a transição não era uma escolha ou uma construção política viva, mas uma inevitabilidade científica. Uma questão de progresso, de evolução natural! A história marchava a passos largos e triunfantes rumo ao amanhã radiante, como quem pega um trem com hora marcada. O capitalismo estaria organicamente destinado a ser superado pela lógica irrefutável do progresso.

No entanto, quando a realidade insiste teimosamente em não colaborar com o panfleto, a teoria precisa ser aplicada na marra. E é aí que a “inevitabilidade” vira imposição. Se a evolução natural atrasa, empurra-se a história na ponta da baioneta. Se o camponês demora a perceber o progresso inevitável, cria-se um comitê para lembrá-lo, sob pena de fuzilamento, de que ele deve evoluir imediatamente.

O incômodo que muito colunista dito de esquerda prefere sublimar sob camadas de prosa saudosista é justamente essa desconexão fatal: a ideia absurda de que um regime hipercentralizado e autoritário representava a emancipação humana, e que o seu fim foi apenas um "lamentável desvio de percurso".

Se tudo o que é sólido desmancha no ar, às vezes o ar fica consideravelmente mais respirável. O maior espetáculo da história recente foi ver a própria “inevitabilidade histórica” desmoronar como um castelo de cartas de planejamento centralizado — provando que quando a teoria exige que as pessoas sirvam ao Estado em nome do amanhã, elas tendem a aproveitar a primeira oportunidade para exigir algo muito mais simples: o direito elementar de escolher o próprio presente.


O engraçado é que o autor usa uma frase do Marshall Berman . O que é sólido desmancha no ar. Mas muita gente de esquerda ainda se apega aos mesmos "heróis" e ícones...🤭😏


É a maior das ironias intelectuais. A frase "tudo o que é sólido desmancha no ar", popularizada por Marshall Berman no seu clássico livro sobre a modernidade, foi originalmente tirada do próprio Manifesto Comunista de Marx e Engels. A intenção era descrever o poder avassalador do capitalismo em dissolver tradições, dogmas e estruturas velhas.

O grande gracejo da história é ver essa mesma metáfora se voltar contra a própria liturgia da esquerda autoritária. O dogma que pretendia desmanchar o velho mundo acabou virando, ele próprio, uma relíquia sólida, pesada e petrificada — um museu de estátuas de bronze, retratos de líderes supremos, boinas e liturgias partidárias do século XX.

Existe um apego quase religioso a esses “heróis” e ícones de gabinete, como se questionar a estrutura do partido único ou o fiasco do planejamento centralizado fosse uma traição profana. Fica o paradoxo fascinante:

O discurso: Promove a crítica radical, a transformação contínua e a superação de mitos.

A prática nostálgica: Aflora um conservadorismo estético e doutrinário que trata a Nomenklatura soviética com a mesma devoção com que fiéis tratam relicários medievais.

Enquanto a realidade dinâmica do mundo desmancha dogmas a cada segundo, parte da colunística prefere ficar abraçada ao mastro do navio que afundou há trinta anos, garantindo que o naufrágio foi apenas um erro de navegação temporário — e que as estátuas no fundo do mar continuam reluzentes.

Criado com Gemini, do Google.

sábado, 29 de agosto de 2026

A descoberta encoberta

Conversa com o Gemini.
https://www.tupi.fm/mundo/escavacoes-em-nazare-encontram-estruturas-antigas-preservadas-por-2-mil-anos-e-revelam-detalhes-da-vida-na-antiga-galileia/

Até que os arqueólogos encontram uma ânfora ou um afresco com Jeová ao lado da Asherah (como em Kuntillet Ajrud).

- Melhor enterrar. O mundo não está pronto para saber do passado de Jeová.

😏🤭

Escreva um texto humorado e sarcástico.


Separação de Bens no Olimpo Semítico
(Ou: Por que certos cacos de cerâmica devem continuar convenientemente enterrados)

Escavações na antiga Galileia. Pá de pedreiro, pincel macio de cerdas de camelo, poeira milenar na cara, um calor insuportável e aquela expectativa romântica dos arqueólogos de encontrar a colher de pedreiro usada por São José ou o comprovante de pagamento de impostos da Nazaré do século I.

Até que a pá bate em algo mais duro. Não é uma moeda romana comunzinha. É uma ânfora. E na cerâmica, para o desespero visceral de dez entre dez teólogos dogmáticos de plantão, lá está o grafite: uma inscrição bem ao estilo Kuntillet Ajrud, mostrando o Monoteísmo Inflexível™ posando ternamente ao lado de sua digníssima esposa, Asherah, com direito a desenho de árvore sagrada e bênção conjunta.

"Querida, apaga essa foto do feed antigo que o pessoal da teologia sistemática está chegando..."

O pânico na trincheira da escavação é palpável. O jovem estagiário de Arqueologia empalidece e quase engole o pincel. O chefe da expedição olha para o caco, olha para o céu, olha para o relatório acadêmico que precisará enviar à imprensa e toma a única decisão madura, responsável e academicamente covarde possível:

— "Bota a terra de volta. O mundo não está pronto!" 🤫

Afinal, como explicar para o conselho editorial que o Deus das Teocracias tinha um passado conjugal? Que antes da grande reforma editorial do século VI a.C. — quando o departamento de marketing bíblico resolveu cortar custos e transformar a administração do cosmos em carreira solo — havia quadros na sala de estar divino, culto em bosques e, quem sabe, até DRs cosmogônicas sobre de quem era a vez de mandar a chuva na colheita?

Imagine o caos na política internacional e nas redes sociais! O divórcio mais antigo da história da humanidade exposto sem direito a segredo de justiça. Asherah exigindo metade da Criação na partilha de bens — incluindo as florestas de cedro do Líbano, os pomares de oliveiras da Galileia e os direitos autorais sobre as bênçãos de fertilidade — enquanto os arqueólogos tentam redigir uma nota oficial explicando que o "Deus Único" na verdade só esqueceu de atualizar o status de relacionamento nas inscrições em pedra de 2.800 anos atrás.

É por isso que certos artefatos exigem a sutil e milenar arte da refutação arqueológica voluntária. Vinte centímetros de terra por cima, uma pedra média em cima do monte e uma frase sussurrada entre os assistentes:

— "Aqui só tinha resto de tigela de lentilha. Vamos escavar ali do outro lado, onde só tem prego enferrujado."

O passado divino, afinal de contas, merece um pouco de privacidade. E a humanidade, convenhamos, não tem a menor estrutura emocional para lidar com a ex de ninguém — quanto mais com a ex do Criador. 😏🤭

Criado com Gemini, do Google.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Depois não digam que eu não avisei


Conversa com o Gemini
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/campanha-de-flavio-bolsonaro-ataca-fim-da-6x1-e-defende-trabalhar-o-quanto-quiser/

A proposta do Flávio Vorcaro Kopenhagen Bolsonaro é voltar ao tempo do início da industrialização. Parabéns aos envolvidos.

Escreva um texto crítico em tom de humor e sarcasmo.

A Revolução Industrial 2.0: A Liberdade de Trabalhar 25 Horas por Dia

Ah, a incomparável poesia do livre mercado e da negociação direta! Como não se emocionar com o idílico conceito de que o trabalhador é um ser plenamente autônomo, capaz de sentar à mesa com a diretoria de uma multinacional e negociar, de igual para igual, quantas horas de descanso gostaria de ter na semana?

Sob essa ótica, a ideia de limitar a jornada de trabalho soa quase como um cerceamento absurdo. Afinal, por que parar na escala 6x1 quando a semana tem sete dias inteiros esperando para serem transformados em produtividade? O direito de "trabalhar o quanto quiser" abre horizontes fascinantes para quem sempre sonhou em vivenciar de perto a charmosa atmosfera do século XIX:

O encanto da Revolução Industrial: Quem precisa de luz solar, vida social ou oito horas de sono quando se pode experimentar a autêntica vivência dos operários de Manchester em 1820? O conceito de "tempo livre" é claramente uma invenção moderna supervalorizada.

A plena equivalência de forças: Imagina a cena: o jovem atendente de telemarketing, munido de sua oratória implacável, dizendo ao gestor de RH: "Olhe, fiz as contas e prefiro trabalhar apenas quatro dias nesta semana para me dedicar ao violino." A resposta do patrão, sem dúvida, seria uma calorosa salva de palmas e a concessão imediata do pedido, sem qualquer risco de demissão.

A inovadora matemática do relógio: Ao flexibilizar os limites biológicos e legais, abre-se a oportunidade para o trabalhador inovador performar jornadas contínuas. Afinal, descansar para quê, se o trabalho dignifica?

É realmente inspirador ver propostas que resgatam o valor do esforço ilimitado. Resta apenas combinar com o metabolismo humano a suspensão temporária da necessidade de descanso, refeições e convivência familiar, garantindo assim que a "liberdade total" seja plenamente usufruída até o último segundo do expediente.


E a parte que muito empresário/dono de empresa não conhece, nunca estudou ou apenas nega. Pessoas que morreram por causa da falta de leis.


Essa é a ironia mais cruel do debate: a ideia de que os direitos trabalhistas caíram do céu por "benevolência política" ou por um surto súbito de bom senso governamental, quando na verdade cada linha de uma CLT ou de uma convenção internacional de trabalho foi escrita com sangue.

O apagamento histórico transforma lutas humanas dramáticas em mero "custo Brasil" ou "mimimi trabalhista".

O Massacre de Haymarket (1886) e a Origem do 1º de Maio
A jornada de 8 horas diárias — que hoje muitos consideram um "luxo" superado — custou vidas em Chicago. Trabalhadores que protestavam por jornadas humanas foram reprimidos com extrema violência, lideranças foram condenadas à morte sem provas concretas e enforcadas. O Dia do Trabalhador existe por causa de uma execução sumária de pessoas que pediam apenas para não morrerem de exaustão nas fábricas.

O Incêndio da Triangle Shirtwaist (1911)
Em Nova York, 146 trabalhadores — na grande maioria jovens mulheres imigrantes — morreram queimados ou saltaram para a morte do 9º andar porque os donos da fábrica de vestuário trancavam as portas das saídas de emergência e das escadas para evitar que as funcionárias fizessem pausas ou "roubassem" tempo de trabalho. Foi preciso esse horror público para que as primeiras leis de segurança e higiene no trabalho fossem forçadas a sair do papel.

A Revolta dos Mineiros de Ludlow (1914)
Trabalhadores da mineração no Colorado que exigiam a aplicação de leis de segurança e o fim do trabalho escravo por endividamento foram expulsos de suas casas por milícias privadas da empresa. Montaram um acampamento de tendas e acabaram atacados pela Guarda Nacional com metralhadoras e fogo, resultando na morte de dezenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças sufocadas em trincheiras.

As Greves de 1917 e 1953 no Brasil
No Brasil, a consolidação das leis não foi presente de Getúlio Vargas, mas fruto de décadas de paralisações operárias marcadas por forte repressão policial. Trabalhadores rurais e urbanos enfrentavam jornadas de 14 a 16 horas, trabalho infantil escancarado nas tecelagens e total ausência de assistência médica após acidentes de trabalho graves — amputações e mortes em máquinas sem proteção eram tratadas como simples dano colateral descartável.

O Fenômeno Moderno: Karoshi
O ápice da negação histórica é achar que "morrer de trabalhar" ficou no passado. No Japão, o termo Karoshi (morte por excesso de trabalho por parada cardíaca ou derrame) e o Karojisatsu (suicídio por estresse profissional) precisaram ser tipificados por lei como problemas de saúde pública após milhares de executivos e operários colapsarem em jornais de 80+ horas semanais.

Tratar a regulação como "inimiga do progresso" é ignorar que, sem leis estritas impostas pela sociedade, a tendência histórica do capital desregulada é testar a resistência do corpo humano até o seu ponto de ruptura fatal.

Criado com Gemini, do Google.