sábado, 30 de setembro de 2023

Intolerância e crime empresarial

O Terreiro Icimimó, histórica casa de matriz africana, com 102 anos de atividade e desde 2015 reconhecida como Patrimônio Cultural do Estado da Bahia, está sendo gravemente ameaçado dentro das suas próprias terras. Armados e portando drones, os funcionários da empresa Penha Papel e Celulose passaram a demarcar o terreno desde a última quarta-feira, 27 de fevereiro, alegando que o mesmo se trata de propriedade da empresa.

Seguranças armados da Penha Papel e Celulose invadiram o terreiro, e ameaçaram o líder religioso Antônio Santos (Pai Duda) sob o argumento de que o mesmo estava lesando o patrimônio alheio quando realizava a poda de um bambuzal dentro das cercanias do templo religioso.

Membros do Terreiro chegaram a ligar para a empresa argumentando sobre o equivoco que estava ocorrendo, entretanto o setor jurídico da companhia afirmou que a propriedade era deles e que, se não estivessem satisfeitos, procurassem a Justiça.

Nascido no ano de 1736, mas situado na localidade de Terra Vermelha, em Cachoeira, há 102 anos, o Terreiro do Icimimó está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), além de já ser protegido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). O templo religioso tem representação jurídica através de sua Associação Civil Seguidores de São Gerônimo.

Desde o século XIX a casa de candomblé atua como instituição de preservação do patrimônio cultural afro-brasileiro, não apenas como comunidade detentora da tradição cultural e religiosa do candomblé, mas também como entidade de combate ao racismo.

Em 2018, o terreiro já havia sido ameaçado com uma invasão de parte de suas terras e deu entrada junto ao Ministério Público Estadual numa representação contra os invasores, que à época coletaram mudas de bambu no local. Contudo, o processo foi arquivado porque a empresa em questão, mesmo provocada, não se manifestou nos autos, configurando, assim, uma invasão eventual para extração livre – e não sistemática – de bambu.

Em seu espaço, o Terreiro Icimimó também acolhe projetos e atividades educativas que debatem estratégias de resistência cultural da população negra.

Dentre suas parcerias recentes junto aos poderes públicos destacam-se a parceria junto ao Estado da Bahia, com o qual o terreiro desenvolveu estratégias em prol da preservação dos hábitos alimentares e votivos, e com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), instituição que tem auxiliando no debate sobre a produção de discursos patrimoniais – um diálogo que ocorre também com a Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e com ativistas de movimentos sociais e culturais da Bahia.

“Neste momento de profunda apreensão, o Terreiro Icimimó declara que lutará pelo direito de manter seu solo sagrado incólume da sanha voraz do grande capital”, afirmou Pai Duda.

O líder religioso informou que já foram realizados contatos com IPHAN, IPAC, Policia Militar da Bahia, Ministério Público, SEPROMI, SECULT e Secretaria da Casa Civil. “Esperamos nesse momento de dor e de luta que os órgãos de Estado tomem as providências cabíveis para salvaguardar esse patrimônio da Bahia, do Brasil e do mundo”, pediu.

Fonte: https://revistaafirmativa.com.br/urgente-empresa-penha-papel-e-celulose-invade-terreiro-historico-de-cachoeira/
Nota: a notícia é de 2019 e o Carta Capital publicou notícia em 29/09 para denunciar que a violência continua.

A mão invisível do mercado

Citando:
"A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Americanas concluiu suas investigações nesta terça-feira (26) sem indiciar os possíveis culpados pela fraude de R$ 20 bilhões na varejista. Parte do colegiado apontou “blindagem” ao trio de controladores da empresa (Carlos Alberto da Veiga Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Hermann Telles). O relatório final foi aprovado por 18 votos contra 8 contrários."

Uma notícia que não é notícia. Dificilmente empresários, ricos e milionários serão punidos por crimes financeiros. Eu não entendo porque alguém fica espantado ou surpreso, com o editorial da Folha mostrando-se favorável ao Inominável.

Depois do escândalo da fraude fiscal da Americanas, outra notícia que não é notícia. A 123 Milhas cancelou inúmeros pacotes de viagens. Agora foi pedido a abertura de recuperação judicial e a empresa foi incluída na CPI das pirâmides financeiras.

Adam Smith escreveu A Riqueza das Nações em 1776 a partir de dados concretos, como uma forma de crítica ao sistema econômico, o Mercantilismo. Ali ele fala do conceito de mercado livre e da mão invisível.

Foi a primeira teoria econômica, mas não foi o suficiente. Outra escola de teoria econômica publicou o que é conhecido como neoliberalismo, partindo daquilo que era considerado o ideal, para aumentar os lucros. Reagan e Thatcher aplicaram a teoria e foi desastroso. E tem gente aqui no Brasil (MBL) que defende a adoção do neoliberalismo. Sabe Deus com qual intenção.

Então, caro dileto e eventual leitor, tenha cuidado. A mão invisível do mercado está furtando sua carteira.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

As faces da contravenção

A Imprensa tem publicado notícia que não é notícia.
Citando:
"Aparentemente dá a impressão de ser mais um inofensivo game disponível entre tantos. Porém, este é ilegal no Brasil e está sendo alvo de investigação pela Polícia Civil do Maranhão. O jogo vem causando prejuízos financeiros a usuários e até casos de suicídios.

Trata-se do Fortune Tiger, mais conhecido como Jogo do Tigrinho. A suspeita é que o game esteja ligado a um esquema de pirâmide financeira."

Retomando.
Aqui no Brasil o jogo de azar, casino, é ilegal. Mas o Brasil não é um país sério. Eu explico:
Em 1892 foi criado no Rio de Janeiro (onde mais?) pelo Barão de Drummond o jogo do bicho.
Barão, aqui no Brasil, não possuía nobreza. A monarquia portuguesa, ao se refugiar aqui, para pagar pelas dividas, vendeu títulos nobiliários. Então o barão Drummond, vulgo João Batista Vianna Drummond, era apenas um empresário.
O fato é que o jogo ganhou popularidade e é mantido, mesmo ilegal e não é difícil encontrar uma banca pelas ruas do Brasil.

Outro "jogo inofensivo" é o bingo, presente em quermesses e igrejas. Subitamente os bingos se espalharam pelas ruas, tornando-se uma alternativa de diversão e socialização para os idosos. Não demorou para aparecer denúncias de que as máquinas eram preparadas para nunca darem o prêmio e o bingo foi proibido.

Mas a contravenção encontrou outros meios. O "jogo do tigrinho" é apenas um de muitos jogos à disposição pelo Google Play. Além disso, tem várias páginas online para jogar e fazer apostas esportivas. Não demorou muito para aparecer denúncias de que os jogos tinham o resultado combinado. Mas como tem muito dinheiro envolvido, o que se fala é em regulamentar essa atividade.

Outra contravenção que as autoridades fazem vistas grossas é a venda de remédios na televisão. Remédios oferecidos como solução para todos os problemas, mas o material e a eficácia desses remédios são discutíveis.
Bem vindo ao Bordel Brasil.

Condenado por intolerância religiosa

O pastor evangélico Aijalon Berto Florêncio, do Ministério Dúnamis em Igarassu, na Região Metropolitana do Recife, foi condenado pela Justiça pernambucana a dois anos e seis meses de prisão, além do pagamento de uma indenização de R$ 100 mil por danos coletivos, devido à prática de discurso de ódio contra religiões de matriz africana.

Essa sentença resultou de uma denúncia apresentada por membros de religiões de matriz africana, que solicitaram a remoção de um vídeo das redes sociais no qual o pastor associou pinturas de painéis relacionadas à religiosidade afro-brasileira no Túnel da Abolição, no Recife, a “entidades satânicas” e “feitiçaria”.

Durante o desenrolar do processo, o pastor chegou a ser detido por cinco meses por se negar a cumprir as ordens judiciais. Contrariando a determinação da Justiça, Aijalon criou um novo perfil nas redes sociais, onde reiterou os discursos de ódio.

Segundo a juíza Ana Cecília Toscano Vieira Pinto, da Vara Criminal de Igarassu (PE), o discurso do acusado atentou de forma discriminatória e preconceituosa contra as religiões de matriz africana e seus praticantes. A sentença saiu no dia 11 de setembro.

“A conduta do réu comprometeu a integridade física dos adeptos das religiões de origem africana, deixando-os temerosos por suas vidas e para praticar seus cultos, notadamente porque, historicamente, são grupos já estigmatizados socialmente e perseguidos de formas diversas, sendo, não raramente, afugentados de seus locais de culto justamente em razão da discriminação como a praticada pelo acusado”, disse Ana Cecília.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/pastor-e-condenado-a-pagar-r-100-mil-por-associar-religioes-africanas-ao-satanismo/

Nota: falta julgar e prender os outros. Por intolerância religiosa e por homofobia.

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

Solte seus cachorros

Se espalhou pelas redes sociais uma fake news de que pessoas que “se identificam como cães” protestaram por direitos em um encontro em Berlim, na Alemanha. Diversos sites noticiaram o ocorrido, explicando que as pessoas “se sentem como animais” e “gostariam de ser reconhecidas socialmente por isso”.

No vídeo em questão, que bombou na web, pessoas com máscaras e em posições que lembram a de cachorros aparecem uivando e latindo repetidamente.

O tal protesto é, na verdade, um festival de fetiches sexuais que acontece em Berlim anualmente há 20 anos, chamado Folsom Europe. As imagens são da edição de 2023 do evento, ocorrido no último dia 9 de setembro.

O que explica o vídeo

O vídeo viral mostra, na verdade, um tipo de frequentadores do festival, aqueles que gostam do chamado “puppy play”, isto é, um fetiche sexual em que a pessoa submissa se caracteriza como um animal de estimação, daí os uivos e latidos.

O Folsom se popularizou ao promover um espaço para que as pessoas adeptas ao BDSM e outros tipos de fetiches sexuais pudessem se expressar. No site do evento, há, inclusive, um destaque para os chamados “puppies”. Eles explicam que “não dá para negar que os puppies estão crescendo” e, por isso, haverão novos “eventos voltados a esse grupo”.

Como surgiu a fake news

Ao ver as notícias, internautas prontamente identificaram a fake news.

“Esse vídeo tirado de contexto parece ter se espalhado em redes ‘antiwoke’ e antitrans antes de chegar à mídia mainstream, que prontamente resolveu faturar cliques, sem perceber ou ligar que essas publicações distorcidas normalmente têm uma agenda sinistra por trás”, disse um dos usuários do X (antigo Twitter).

Nesta terça-feira (19), o vídeo com as informações falsas foi noticiado em uma matéria do New York Post. Na quinta (21), diversos veículos da mídia nacional, como CNN e Uol, decidiram replicar a notícia como verdadeira.

Fonte: https://revistaforum.com.br/amp/no-pessoas-que-se-identificam-como-cachorros-no-se-reuniram-em-protesto-em-berlim-144595.html

Nota: o Brasil 247 caiu na cilada e publicou a fake news.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

O poder dos estereótipos

O Wild Hunt publicou uma resenha interessante da animação Nimona, disponível na Netflix (eu não estou ganhando um centavo com isso)
Eu vou destacar alguns trechos (traduzidos) e comentar.

Citando:
"Nimona (2023), de Nick Bruno e Troy Quane, é um filme de animação engraçado, triste e doce que exige que seus espectadores considerem cuidadosamente a demanda típica de nossa sociedade de que as pessoas permaneçam fiéis a uma identidade imutável."

A preocupação, recente, dos estúdios, na representatividade da comunidade LGBT não tem como interesse a luta pelo respeito e reconhecimento de seus direitos, mas para manter a audiência e lucrar com isso.

Citando:
"Como uma pessoa que é “melhor e [tem] trabalhado mais arduamente”, Bal representa qualquer minoria que teve de ser não apenas tão boa, mas melhor do que aqueles que nasceram num ambiente privilegiado para obter qualquer medida de aceitação. Embora os personagens sejam diversos, as mulheres ocupem posições de poder e o amor de Bal por Ambrosius seja apresentado sem nenhuma piscadela maliciosa no diálogo ou no design do personagem, ele ainda é tratado como um outro devido à sua origem de “garoto de rua”. “Plebeu” é usado como um insulto, e sua armadura é cinza e preta, diferentemente dos tons platinados dos demais candidatos à cavalaria."

Ou seja, o personagem apresenta uma imagem estereotipada, do vilão, do rejeitado social (por sua origem, etnia, língua, crença, sexualidade ou opinião política). Eu tenho consciência de que sou privilegiado por causa de minhas características. Mas isso não significa que seja fácil nem que eu não tenha obstáculos e dificuldades. Então eu tenho consciência de uma realidade social que segrega algumas pessoas, tornando tudo muito mais difícil.
Existe então uma falha no roteiro, afinal, Nimona, que deveria cumprir o papel da aceitação das diferenças, procura Bal exatamente por reconhecer nele a imagem do vilão, em busca de ocupar a vaga de capanga dele.
A sugestão da animação falha porque mostra Nimona sendo fiel à sua natureza como metamorfo, achando que isso vai convencer o público geral, que sofre com a influência do conservadorismo e do fundamentalismo cristão. Bal está dividido e lutando contra o estereótipo que é reconhecido pela Nimona e ela/ele mesmo tem dificuldade em aceitar sua natureza.

Como nós estamos no mundo do cinema, podemos aguardar o final feliz, ainda que forçando muito o roteiro.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Drama infantil e delírio cristão

Nos últimos dias, um fato inusitado tem ocorrido em relação à claque bolsonarista nas redes sociais: inúmeros perfis de influenciadores e parlamentares da extrema direita estão empenhados na divulgação de um filme e afirmam que o objetivo da "elite" é esconder tal produção do grande público. Puro delírio.

O filme em questão chama-se "O Som da Liberdade" (Sound of Freedom/2023), dirigido por Alejandro Monteverde. Narra a história real do agente da CIA Tim Ballard (Jim Caviezel), que trabalha em um departamento da agência estadunidense focado em desbaratar quadrilhas que traficam crianças para crimes sexuais.

Após uma bem-sucedida primeira missão, Tim Ballard trava um diálogo com a criança chamada Miguel, que lhe conta que a sua irmã também foi sequestrada e ainda está sob controle da quadrilha. Com isso, Ballard pede autorização para ir à Colômbia e tentar resgatar a irmã do garoto.

A partir desse momento, o filme mergulha em mediocridade, estereótipos racistas e delírios cristãos. Vamos por partes: na Colômbia, ele faz uma parceria com "Vampiro", homem que atuava no narcotráfico, mas, após um chamado de Deus, mudou de lado e ajuda a desbaratar quadrilhas que traficam pessoas.

O próprio Tim Ballard também entende que atende a um chamado divino, prova disso é que, após a sua primeira busca pela garota fracassar, ele recebe um chamado da CIA para que volte imediatamente. Diante disso, ele resolve enfrentar a burocracia, se demite e monta um grupo para enfrentar as quadrilhas.

Ao justificar a sua demissão para o seu chefe na CIA, Tim Ballard diz a seguinte frase para ele: "os filhos de Deus não estão à venda". É com esse espírito que ele vai para a Colômbia.

Além de ser uma produção completamente apelativa, o filme "O Som da Liberdade" é profundamente racista, o que fica evidente na maneira como ele contrapõe Tim Ballard e os personagens colombianos: Ballard é retratado como angelical, ingênuo e saudável, enquanto os latinos são apresentados como rudes, fumantes, quase sempre bêbados e violentos. Isso remete à clássica definição colonial sobre os habitantes da América Latina.

Os filtros utilizados para demarcar essas diferentes civilizações também gritam na tela, visto que as cenas nos EUA são sempre limpas e harmoniosas, enquanto do lado colombiano prospera o caos, a sujeira e a corrupção.

Há outro paralelo que podemos fazer com o personagem Tim Ballard e a maneira como ele é retratado no filme: trata-se de um missionário que veio libertar as crianças das mãos dos selvagens. Ballard é o tipo homem branco desbravador, mas a sua missão colonial, que também é catequizadora, tem por objetivo salvar as crianças, pois essas ainda podem ser modeladas conforme os valores coloniais.

Não é à toa que o filme, em momento algum, toca no ponto do tráfico de pessoas jovens e adultas, mas sim nas crianças. A base do roteiro é a mesma que alimenta o pânico moral da extrema direita, que cresce em cima do “tirem as mãos das crianças” e transforma tudo em “ideologia de gênero” e fim da família.

Todo esse clima delirante e cristão faz com que "O Som da Liberdade" transforme algo grave, que é o tráfico de corpos, em uma missão para apenas pessoas iluminadas por Deus. No outro campo, estão as pessoas que viraram as costas, na leitura do filme, “o sistema”.

Não à toa, o filme foi abraçado pela extrema direita dos EUA e por grupos fundamentalistas que lançaram uma intensa campanha e colocaram o filme no Top 10 das maiores bilheterias. No Brasil, bolsonaristas tentam fazer o mesmo e, caso a bilheteria fracasse, vão culpar a "elite cultural", esse argumento já corre por aí.

Ainda que retiremos da análise todo o delírio cristão e a ideia do "homem branco salvador" de crianças das mãos dos "latinos selvagens", o que resta é um cinema de quinta categoria, com fotografia cafona e atuações que beiram o sofrível.

Destaque para a trilha sonora, uma das coisas mais irritantes do filme: com o objetivo de forçar lágrimas e comoção, somos torturados por 2h15 com músicas cafonas e melodramáticas que não cumprem a sua função, no caso, nos deixar um pouco tristes e esquecer a barbárie que esse longa-metragem é.

Fonte: http://revistaforum.com.br/amp/filme-o-som-da-liberdade-mediocre-transforma-drama-infantil-em-delirio-cristo-144527.html

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Santa cerveja

Um padre causou controvérsias ao instalar duas máquinas de chopp na Igreja de St Ives, na Cornualha (Inglaterra), para a realização de um festival local. Ele afirmou que era uma forma de atrair mais pessoas para a paróquia. Teve gente que não gostou nem um pouco e acusou o padre de profanação, segundo o jornal britânico Daily Mail.

O evento acontece até o dia 23 de setembro, com música e várias outras manifestações artísticas, atrai milhares de visitantes durante duas semanas todos os anos.

A igreja de St Ives tem mais de 600 anos. As duas máquinas foram cedidas à Casa de Deus pela Cervejaria St Ives. Para piorar ainda mais a situação, o padre foi fotografado com a mesma batina usada na Eucaristia tirando um chopinho pra ele. Fiéis ficaram chocados e fizeram inúmeras críticas.

Um pároco declarou à revista The Week que colocar um bar de bebidas alcoólicas num local sagrado "profana a memória dos que morreram pela fé". Ele disse ainda que é “inaceitável” que o padre seja fotografado bebendo cerveja.

Outros fiéis alertaram que a igreja é a "casa de Deus e não um pub".

Há quem discorde. Angela Homer, por exemplo, que frequenta St Ives há mais de 30 anos, entrou na igreja pela primeira vez na semana passada. Ela acha que o bar pode atrair pessoas ao local.

O padre, por sua vez, esclarece que as chopeiras são "temporárias" e uma forma de "receber todos os tipos de pessoas" na igreja.

Fonte: https://revistaforum.com.br/amp/padre-divide-fieis-ao-instalar-chopeiras-dentro-da-igreja-profanao-144495.html

Nota: que isso aconteça em toda igreja. Alguns reclamaram que as igrejas abandonadas estavam virando boates. O padre apenas está se adaptando. Nós, pagãos, não temos esse problema. Aqui tem culto à Dionísio.

domingo, 24 de setembro de 2023

Faculdade incapacitante

Diz o ditado que o filho bom à casa torna. Filho consegue ser bom graças à educação dada desde o berço e tem outro ditado que diz que bom só é Deus.

Os pensadores tem opiniões divergentes, para uns nós nascemos bons e para outros, nascemos maus. Eu tendo a defender que nascemos neutros.

E o que eu tenho visto comentarem é a notícia que não é notícia sobre os alunos da Unisa.
Citando:

Estudantes do curso de Medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa), localizada em São Paulo, causaram revolta depois de serem flagrados cometendo atos de importunação sexual durante uma partida de vôlei feminino, que fazia parte da competição esportiva Intermed, envolvendo universidades da região. O incidente chocante aconteceu no último sábado, dia 16 de setembro, quando mais de 20 acadêmicos do curso de Medicina protagonizaram um comportamento inaceitável.

Mas isso não é novidade.
Citando:

Em abril de 2017, oito alunos de medicina da Universidade de Vila Velha (UVV) publicaram uma foto nas redes sociais em que aparecem vestindo jaleco, com as calças abaixadas até os pés e fazendo um gesto obsceno com as mãos alusivo à genitália feminina. Para piorar tudo, a legenda da imagem chamava o grupo de “pinto nervoso”.

Os casos fazem com que eu lembre o tumulto ocorrido na Uniban em 2009.
Citando:

Em 22 de outubro, Geysi provocou alvoroço ao aparecer na faculdade com um vestido rosa curto. Ela acabou sendo hostilizada por colegas no campus do ABC e teve de ser escoltada pela Polícia Militar até sua casa, em Diadema. O incidente foi gravado e colocado na internet. Desde então, a estudante tem evitado ir à universidade e ao trabalho.

E nós criticamos os muçulmanos por querer impor o uso da burca. Aliás, as roupas que são utilizadas pelas mulheres muçulmanas tem governo que quer exigir e tem governo que quer proibir. O uso (ou não) do niqab e do hijab tornou-se uma forma de contestação silenciosa.

Aos poucos eu vou tentar lembrar e repostar (com comentários) as notícias e textos que eu publiquei no WordPress, mas, surpresa, surpresa, ali eu também fui censurado. As postagens, de notícias com comentários, foi considerado "spam". Desculpa esfarrapada. WordPress censurou. Então não venham me falar em liberdade de expressão. Isso não existe.

sábado, 23 de setembro de 2023

O pânico moral como regra de fé cristã

Autor: Ricardo Nêggo Tom

Ao me deparar com um vídeo onde o deputado federal Sargento Isidoro, que também é pastor evangélico, para explicar que homem tem pênis e mulher tem vagina, utiliza termos como "binga", “pinto”, “cocota” e "xeca" para se referir respectivamente aos órgãos genitais masculino e feminino e justificar o seu posicionamento contrário ao casamento homoafetivo, fiquei pensando que caberia importantes reflexões acerca dessa fala e, principalmente, a respeito do furor dos bolsonaristas ditos cristãos, em represália a tal pauta, e o pânico moral que a hipocrisia dos discursos utilizados por eles pretende causar na sociedade. Não apenas o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas outros temas como a liberação do aborto, a suposta guerra as drogas e a demonização de religiões afro-brasileiras e de ideologias políticas progressistas, também fazem parte desse processo que visa criar preocupação e ansiedade na população. Como bem definiu o sociólogo estadunidense Stanley Cohen, em seu estudo “Folk Devils and Moral Panics” (Demônios folclóricos e pânicos morais), de 1972, no qual explica como e quando uma condição, acontecimento, pessoa ou determinado grupo de pessoas e suas demandas legítimas, acabam sendo definidas como um perigo e uma ameaça aos valores sociais, morais e religiosos da sociedade.

Primeiro, dizer que o deputado em questão não é um demônio, mas já é uma figura folclórica bastante conhecida no Congresso. Certa vez, esse mesmo parlamentar se ofereceu para ter uma conversa com o então presidente Jair Bolsonaro, sobre as mudanças na flexibilização do porte de armas, porque, segundo ele, "para conversar com um doido, só outro doido". E isso ficou claro quando do seu pronunciamento na sessão que trata a pauta do casamento entre homossexuais. Usando a Bíblia como a verdade absoluta instituída, ignorando que ela foi escrita por homens arcaicos que articularam e pontuaram muitos de seus textos baseados na sua visão de mundo e nos preconceitos que outrora carregavam dentro de si - o que ratifica a sua doidice - o deputado baiano, sob aplausos dos bolsonaristas, defendeu que só existe casamento entre homem e mulher, porque assim foi instituído por Deus. Chegou a dizer que, se dois homens fossem deixados numa ilha deserta, eles continuariam a sós e lá morreriam. Do contrário, se fossem deixados um homem e uma mulher, eles iriam procriar e manter a espécie humana. Tanto inadequado como risível para o tema em questão, o “raciocínio” do parlamentar carrega de forma subliminar a intenção de fomentar um pânico quanto à desobediência aos mandamentos divinos e a uma ideia de possibilidade da extinção da raça humana – o que não seria uma má ideia para o planeta – caso o casamento entre homossexuais seja “normalizado”

Ainda sobre a Bíblia, que foi empunhada pelo deputado pastor no início de sua fala na comissão, ela não pode ser utilizada acima da Constituição da República e, muito menos, para oprimir liberdades individuais. O casamento homoafetivo não diz respeito à fé religiosa de ninguém e nem é uma questão de opinião ideológica. Tampouco de bolsonaristas, que costumam excretar, digo, raciocinar pelo mesmo órgão que condenam que se mantenha relações sexuais através dele. Sob a égide da honra de Deus e dos textos bíblicos, muitos crimes já foram e continuam sendo praticados na sociedade. Seres humanos foram escravizados, subjugados, excluídos e assassinados em nome de um deus criado à imagem e semelhança da estupidez e ignorância de homens que não tiveram civilidade o suficiente para entender que todos merecem viver com dignidade e respeito. Também não entenderam o significado do livre arbítrio que as "sagradas escrituras" relatam que Deus deu aos homens para viverem suas vidas de acordo com suas escolhas. De modo que, aquele que não crê na Bíblia, ou não a tem como livro de fé, não é obrigado a segui-la ou ter a sua vida pautada por ela. Simples assim. E, se nem Deus interfere nessa opção, por que religiosos e bolsonaristas teriam esse direito, ainda se fossem, de fato, servos fiéis desse Deus? Seriam os servos maiores do que o seu senhor?

O deputado federal Sargento Isidoro, que afirmou ser um homem de Deus e seguidor dos seus mandamentos, também classificou a homossexualidade como "fantasia" e disse que, mesmo que um homem corte a sua "binga", ele jamais será uma mulher, e nem uma mulher "tapando a sua cocota" será um homem. A pergunta que faço é: o que isso tenta ver com o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Um parlamentar que leva um argumento tão esdrúxulo como esse para o debate, precisaria ouvir que não é pelo fato de ter sido eleito, que ele vai virar um deputado na acepção da palavra. Ainda mais formulando pensamentos tão toscos e rasos. Ao dizer que respeita o direito "fantasioso" de qualquer homem ou mulher fazer o que quiser com seu corpo, o deputado Isidoro atinge muito mais a hipocrisia de pais de família conservadores, do que a orientação dos homossexuais. São eles que à noite costumam realizar suas fantasias sexuais na companhia dos homossexuais que condenam a luz do dia. A lei da oferta e da procura por mulheres trans que trabalham com prostituição não me deixa mentir. E o Brasil de Isidoro e de tantos outros defensores da família tradicional, é o país que mais consome pornografia transexual no mundo. É muita fantasia mesmo, né?

Eu juro que não consigo entender toda essa energia empregada no combate à homoafetividade. No que poderia me afetar, a maneira como as pessoas se relacionam afetivamente? Não faz sentido essa toda essa sanha moralista. Se eu não pretendo me casar com outro homem, o que me faz lutar contra aqueles homens que querem se casar, se não uma ideia de superioridade moral ou um conceito de opressão das liberdades tendo Deus e a Bíblia como pretextos? Se Deus se opusesse à existência de pessoas homossexuais, ele, sendo o autor da vida e detentor de todo o poder sobre céus e terras, permitiria que essas pessoas viessem ao mundo? Se voltarmos um pouco mais no tempo, encontraremos membros de "comissões" se posicionando contra a abolição da escravatura, contra o direito das mulheres, contra a liberdade religiosa e outros tipos de defesa da moral e dos bons costumes da sociedade. Ou seja, o nome de Deus sempre foi utilizado para legitimar preconceitos contra pessoas tidas como inadequadas para o convívio social. Um absurdo que o deputado Isidoro defende, à luz de outros absurdos contidos na Bíblia, e que foram imputados à vontade divina para se tornarem mais críveis e aceitáveis. O racismo e o machismo são bons exemplos. Ou será que Deus odiava mesmo os descendentes de Cam e através de Noé rogou-lhes uma maldição para que fossem "servos de seus servos”? Um relato bíblico que justifica e legitima a escravização dos africanos. Ou será que Deus realmente mandou que o apóstolo Paulo dissesse que mulheres não deveriam falar nas assembleias? Ou seja, uma mulher que hoje, por exemplo, é pastora evangélica, estaria desobedecendo a palavra de Deus.

Até quando iremos aceitar que supostos representantes de Deus se comportem como o próprio, dentro dos parlamentos brasileiros? O Estado é laico ou é arcaico? Acho que vale uma reflexão.

Fonte: https://www.brasil247.com/blog/casamento-homoafetivo-como-demonio-folclorico-e-o-panico-moral-como-regra-de-fe-crista

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Vexame político

A Câmara Municipal de Apodi, no Rio Grande do Norte, aprovou por unanimidade um projeto de lei que previa a apreensão e abate de cachorros em situação de rua. A carne dos animais abatidos seria destinada às creches e unidade escolares da cidade para consumo. O prefeito Alan Silveira (MDB), entretanto, vetou a proposta após a repercussão negativa.

“Todo ano aqui nós estamos destinando dinheiro pra castração. Com essa lei aqui em ação, junto com as castrações, aí sim nós vamos apresentar uma solução para a população”, justificou o vereador Charton Rêgo, autor da iniciativa.

Os animais que não fossem requisitados pelos proprietários dentro do prazo de oito dias seriam abatidos e aqueles cuja carne fosse apropriada seria destinada para o consumo humano nas creches e escolas municipais.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/vereador-do-rn-propoe-matar-caes-abandonados-e-oferecer-a-carne-para-criancas/

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

Campo de morango

Quem não tem o que fazer, inventa. Se bem que tem um fundo de fundamentalismo cristão na polêmica.

Citando:

Luísa Sonza quebrou o silêncio após ser acusada de fazer pacto com o Diabo por conta do clipe da sua nova música Campo de Morango. A cantora, no entanto, parece estar nem um pouco preocupada com as críticas que vem recebendo e fez questão de debochar da situação.

Luísa Sonza lançou o clipe de Campo de Morango, seu novo single, e recebeu críticas pelo teor sexual da composição. No vídeo, a cantora aparece em uma cama manchada de vermelho, o que para muitas pessoas remeteu à sangue. As cenas causaram desconforto e gatilho em algumas mulheres, que desabafaram sobre o clipe lembrar uma violência sexual.

Retomando.
Campo de morango. Onde eu ouvi isso?
Será que Luísa Sonza fez uma versão brega/funk da música Strawberry Fields Forever?

Queima, Jesus

O padre bolsonarista Leonardo Wagner, diocesano ordenado na Arquidiocese de Fortaleza, no Ceará, sugeriu queimar uma Bíblia protestante e um Livro de Mórmon.

No Instagram, o simpatizante do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi questionado por internautas sobre o que fazer com presentes que haviam ganhado. “Padre, o que fazer com uma Bíblia que ganhei?”, questionou um internauta. e “Padre, o que fazer com um Livro de Mórmon que ganhei?”, perguntou outro.

O religioso, por sua vez, respondeu a caixa de perguntas com duas imagens. Na primeira delas, ele postou a foto de um acendedor de churrasco. Já na segunda, Leonardo aparece segurando um isqueiro, insinuando botar fogo no presente.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/padre-bolsonarista-sugere-queimar-biblia-protestante/

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Fora do ar

A TV Bandeirantes decidiu suspender a exibição do Show da Fé por tempo indeterminado após o missionário R.R. Soares, líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, não pagar, até agora, o valor combinado pelo arrendamento de parte das manhãs da emissora.

Já nesta segunda-feira (18), o espaço deixado pelo horário arrendado ao religioso será ocupado por telejornais.

Segundo informações divulgadas pelo TV Pop, a Band teria avisado suas afiliadas sobre a mudança de programação no início da noite da última sexta-feira (15). O canal, porém, não confirmou as alterações e enviou a sua grade semanal para a imprensa ainda com a presença de R.R. Soares, justamente por ainda ter esperanças de celebrar um acordo com o religioso ao longo do final de semana.

Mesmo com a decisão de suspensão, fontes internas afirmaram que a expectativa é a de que R.R. logo regularize os pagamentos e volte a ter seu programa exibido no canal. Nem a igreja do missionário nem a Bandeirantes se manifestaram sobre o caso.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/band-suspende-exibicao-de-show-da-fe-apos-falta-de-pagamento-de-r-r-soares/

Nota: eu estou torcendo muito para que seja o primeiro de muitos.

Massa amarga

Saraiva vai passar a operar somente por meio do e-commerce – Reprodução

Nesta quarta-feira (20), a Saraiva, que já foi a maior livraria do Brasil, encerrou suas operações e demitiu todos os funcionários de suas lojas físicas, conforme relatórios do jornal O Globo.

Essa mudança representa uma transformação significativa na estratégia de negócios da empresa. Com o fechamento de suas lojas, a Saraiva focará exclusivamente em seu canal de e-commerce. Anteriormente, a empresa mantinha apenas cinco unidades físicas em operação, quatro delas localizadas em São Paulo e uma em Campo Grande (MS).

Essa decisão foi motivada, em parte, pela queda significativa no faturamento das lojas físicas, bem como pelo desempenho fraco das vendas online. Segundo informações do jornal, no segundo trimestre de 2023, as receitas das lojas físicas da Saraiva totalizaram apenas R$ 7,2 milhões, enquanto as vendas online ao longo de três meses alcançaram apenas R$ 128 mil.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/saraiva-fecha-todas-as-lojas-fisicas-e-promove-demissao-em-massa/

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Tratamento com água sanitária

O pastor evangélico e rapper Joe Salant, conhecido por seu apoio ao senador americano Ted Cruz, agora está envolvido na venda de comprimidos de alvejante industrial. O que chama a atenção é que, por telefone, ele admite que muitos dos clientes usam o produto para “tratar” crianças com autismo.

De acordo com uma gravação de telefone obtida pela ativista irlandesa Fiona O’Leary e compartilhada com o site “Vice News”, Salant sugere que o uso do dióxido de cloro, comercializado como parte da teoria de conspiração conhecida como Solução Mineral Milagrosa (MMS), é um tratamento comum para o autismo.

Salant está promovendo a MMS como representante nos Estados Unidos da empresa Safrax, que comercializa comprimidos de dióxido de cloro. Embora a empresa os anuncie como produtos para remoção de odores e desinfecção, Joe, por telefone, faz a promoção direcionada ao tratamento pseudocientífico.

A FDA não respondeu às perguntas sobre se estava investigando a Safrax por vender dióxido de cloro para o tratamento do autismo. Há relatos de mortes após a ingestão de soluções com água sanitária, clorinato de sódio e ácido cítrico para “tratar” o autismo em crianças e adultos. A Anvisa classifica o dióxido de cloro como um produto corrosivo que requer o uso de equipamento de proteção individual e alerta para os riscos tanto pela ingestão quanto pela inalação.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/pastor-dos-eua-vende-agua-sanitaria-para-tratar-criancas-com-autismo/

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Praga dupla

O coach de auditório, ou “self-coach”, como se define o senhor José Roberto Marques – dono do IBC (Instituto Brasileiro de Coaching), favor não confundir com o Instituto Benjamin Constant — lança mão de práticas neopentecostais para fazer sucesso e ganhar dinheiro.

Não só em formato e catarse, como, sobretudo, em uma retórica voltada para o “eu posso”, ou “eu quero e vou conseguir”, que possui proximidade com as “novas liturgias” que utilizam dedo em riste para com deus. Assim surge o que eu chamo de neopenteCOACHalismo.

O coach adentrou igrejas cristãs, templos espiritualistas e até mesmo formou uma espécie de “budismo light”.

Recentemente, o pastor Silas Malafaia teve uma rusga com o coach messiânico Pablo Marçal (sim, ele mesmo: risco em morros, morte de pessoas em maratonas, campanha à presidência, apoio a Bolsonaro etc.). Para o pastor, igreja não é lugar de coach e muito menos dá o direito ao batismo (é, Pablo também batiza em seu “templo”).

Mas o coach foi bem recebido nas igrejas, pois aliou-se à teologia da prosperidade – algo que ele sabe muito bem como promover. Tem grito da masculinidade, incentivo à heteronormatividade, tudo que a machosfera gosta.

Todo o caminho do coachismo à brasileira foi traçado por ambientes férteis para a positividade tóxica, para a troca do conhecimento sólido por formações rápidas com status (certificados internacionais, termos estrangeiros, plateias para aplaudir) e, sobretudo, pela opção pelo cristianismo. Faltava apenas a política: não falta mais.

O coach precisa ser enfrentado, criminalizado e defenestrado de todas as áreas em que o conhecimento sério é atacado e substituído pelo charlatanismo dessa prática. O próximo alvo do coachismo é o parlamento e o executivo de pequenas cidades. Alerta em amarelo piscante.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/depois-dos-influenciadores-o-brasil-e-alvo-da-praga-dos-coaches-evangelicos/

Ele defendeu a castração


O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou uma investigação preliminar para apurar os excessos no discurso do prefeito de Barra do Piraí, Mário Esteves (ex-Solidariedade), durante o evento de inauguração de uma obra pública. No discurso, ele sugere a “castração de meninas” como forma de controle populacional.

O objetivo do MPRJ também é avaliar a legalidade e a responsabilidade do prefeito, incluindo a possível violação de princípios de improbidade administrativa. O Ministério Público solicitou que o Esteves preste esclarecimentos sobre o conteúdo de seu discurso.

No procedimento investigativo, será inclusa a análise documental das medidas de controle populacional efetivamente implementadas pelo governo municipal, como cirurgias de laqueadura e vasectomia, critérios para aprovação dessas cirurgias e a distribuição de métodos contraceptivos na rede de saúde municipal.

O Solidariedade, partido ao qual o prefeito era filiado, decidiu expulsá-lo unanimemente após seu discurso. A legenda enfatizou seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres, a promoção da equidade de gênero e a luta contra qualquer forma de discriminação.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/ministerio-publico-do-rio-investiga-prefeito-que-defendeu-castracao-de-meninas/

sábado, 16 de setembro de 2023

A tromba da anta

Eu fico desanimado. Eu espero que quando alguém vai publicar um texto, essa pessoa tenha algum estudo. Eu considero normal ver essa falta de cuidado em textos escritos por cristãos, mas eu encontro textos de ateus mal escritos.


Eu estudei muito e pratiquei o suficiente para estar em uma posição cômoda como acadêmico e experiente, no Paganismo Moderno, na Bruxaria e na Wicca.

Então eu vou analisar e criticar o texto de título 

"O Elefante na Sala da Comunidade da Bruxaria".


Citando:

O tópico da dupla fé continua retornando regularmente na comunidade on-line mais ampla de bruxaria, especialmente na intersecção entre magia popular, paganismo e ocultismo cristão.


As bruxas populares muitas vezes praticam alguma forma de dupla fé, desenvolvida com base na mistura de sua formação cultural, formação religiosa, bem como características biorregionais e imersão animista no mundo ao seu redor. A práxis exata de cada bruxa popular irá, portanto, variar.


Retomando.

Infelizmente é muito comum esquecer que o Cristianismo foi imposto pela Igreja e aconteceu o inevitável sincretismo das crenças populares. Os padres não tiveram escolha senão tolerar. Essas práticas foram mantidas até serem consideradas heresias. O Santo Ofício iniciou e então criou-se a Caça às Bruxas. Nosso pensamento romântico e idealizada do que é uma bruxa vem desse pânico moral cultivado e explorado pelas autoridades.


Citando:

Se esta fosse uma explicação suficiente, se as coisas fossem assim tão simples! Assim que as expressões de dupla fé são apresentadas ou discutidas na comunidade mais ampla de bruxaria, os problemas começam.


As bruxas pagãs argumentam que não têm ideia de como uma bruxa pode aceitar elementos opressivos abraâmicos e monoteístas em seu ofício. Em vez disso, geralmente esforçam-se por “desinfectar” as suas tradições ancestrais de todo e qualquer elemento pós-cristianização.


As bruxas cristãs, por outro lado, argumentam que a dupla fé não é mais necessária e, portanto, não é mais válida, porque nos tempos modernos não há inquisição nem caça às bruxas; eles argumentariam que é mais seguro abraçar a arte cristã ou a arte pagã em vez de misturar as duas.


As bruxas cristãs, por outro lado, argumentam que a dupla fé não é mais necessária e, portanto, não é mais válida, porque nos tempos modernos não há inquisição nem caça às bruxas; eles argumentariam que é mais seguro abraçar a arte cristã ou a arte pagã em vez de misturar as duas.


O que ambos os grupos não conseguem compreender é que a fé dual não é igual ao cristianismo , e que o catolicismo popular não é igual ao catolicismo, e - talvez de forma chocante - não é monoteísmo . O catolicismo popular não é uma religião oficial, não adere às regras da igreja e, de facto, muitas vezes vai activamente contra tais regras e hierarquias, como está amplamente documentado na multiplicidade de práticas heréticas de magia popular que têm a ver com roubo. o anfitrião, convocando o diabo no cemitério e muitos outros. A bruxa popular é conhecida por sentar-se na primeira fila durante a missa dominical e, simultaneamente, falar com o Diabo numa noite de sábado no quintal da igreja.


O catolicismo popular não é monoteísmo- está enraizado no animismo e expresso como um politeísmo percebido. Isto é claramente visível no culto dos tesouros de santos, bem como nas muitas formas de Maria, cada uma tratada como uma entidade separada (e por uma boa razão). É preciso entender que na percepção de dupla fé dessas entidades, os santos são percebidos como humanos mortos com “superpoderes”, da mesma forma que os Poderosos Mortos (bruxas mortas e afins). Seus relicários são conhecidos por serem rezados ou utilizados em práticas de magia popular, assim como pedaços de ossos, objetos e partes de corpos pertencentes aos mortos sempre foram utilizados na necromancia. De forma similar, é preciso entender que as muitas Marias folclóricas não são percebidas como uma entidade, mas como muitas - cada uma apenas cobrindo a face original de uma deusa ou espírito local que serviu esta função antes de ser substituída por Maria no processo de cristianização. Não é coincidência o fato de que tais Marias sempre tenham um culto ligado à terra – a colinas específicas, fontes e poços sagrados, pedras sagradas, ermidas e assim por diante. Eles ainda são o espírito original do lugar ou Maria, então? A resposta na dupla fé é: ambas!


O catolicismo popular e a dupla fé são heréticos por padrão . “Uma vela para Deus e outra para o Diabo” significa que o praticante precisa cultivar relações corretas (um conceito muito animista) com espíritos de todos os reinos – não apenas de um. Está no cerne da nossa prática manter boas relações com uma variedade de seres que estão presentes e, assim, ter influência na nossa realidade cotidiana. Esta prática não surge do nada; na verdade, está bem documentada. Se alguém souber onde cavar, poderá descobrir que esta percepção e prática são de fato antigas, remontando às próprias raízes do animismo, e acontece que sobreviveu até hoje na prática animista e de magia popular de dupla fé.


Retomando.

Não, definitivamente não. A autora atropelou a história, a antropologia e a arqueologia. Não existe catolicismo popular. O que aconteceu e se pode afirmar por indícios, é que houve um sincretismo do Cristianismo com as crenças populares.


A autora fala no elefante na sala da Comunidade, eu preciso avisar a ela que o elefante não é o único animal com tromba.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Entidades católicas fazem ativismo antiaborto

“A natureza demonstra que a mulher não é mais dona do seu corpo quando a criança é concebida”. O trecho, extraído de um texto amparado na Bíblia e publicado em 2018, na revista especializada Conceito Jurídico, pelo jurista e professor Ives Gandra Martins, é amplamente reproduzido no campo jurídico conservador. Gandra é fundador do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR), uma instituição que realiza palestras, cursos e fomenta publicações sob uma perspectiva religiosa. O IBDR tem atuado em rede com pelo menos outras 19 associações jurídicas católicas, em atividade no Brasil, para impedir a descriminalização do aborto.

A afirmação é feita no estudo inédito “Cartografia dos Catolicismos Jurídicos”, ao qual a Agência Pública teve acesso com exclusividade. O levantamento é realizado por um grupo de trabalho do Instituto de Estudos da Religião (ISER), que observa a relevância da Igreja e de atores católicos na consolidação do conservadorismo no Brasil. 

Essas instituições atuam nos tribunais, e para além deles, com articulações que passam tanto pela atuação legislativa quanto pela incidência no Congresso Nacional. A pesquisa também localizou conexões dessas redes que se estendem a instâncias educacionais e parcerias com organizações sociais.

Um exemplo prático é a atuação em pautas que propõem avanços para o aborto legal no Brasil, como a ADPF 442, que discute a descriminalização da interrupção voluntária até o terceiro mês de gestação. Sete dos centros citados no levantamento do ISER peticionaram ingresso como amicus curiae (amigo da Corte) na ADPF 442. A União dos Juristas Católicos de São Paulo (UJUCASP) e Ives Gandra conseguiram ingressar. 

O julgamento da ADPF 442 pode ser retomado em breve no STF, caso a ministra Rosa Weber decida incluir a pauta antes de deixar o cargo, em outubro. No fim de agosto, 20 entidades cristãs, entre elas centros jurídicos católicos, como o IBDR; o Instituto Ives Gandra; a União dos Juristas Católicos da Arquidiocese de Goiânia; assinaram conjuntamente uma carta aberta ao STF, com pedido de providências ao Congresso Nacional, onde dizem ser “cientificamente comprovado que a vida se inicia no momento da fecundação.” O documento ainda diz que “o STF entrar no mérito da ADPF significaria, para a Suprema Corte, assumir a posição de legislador, a fim de descriminalizar um ato contra o maior bem de todos que é a vida, claramente protegida pela Constituição Federal”. 

Em 2022, quando uma menina de 11 anos em Santa Catarina enfrentou entraves jurídicos para a realização de um aborto legal, após sofrer violência sexual, sete entidades católicas citadas na pesquisa do ISER assinaram juntas uma nota na qual criticam a “pressão midiática” que deu visibilidade ao caso. 

Este ano, quatro uniões católicas voltaram a se reunir para a publicação de uma “nota conjunta em defesa da vida”, na qual repudiam “recentes iniciativas do Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, quanto à flexibilização do aborto”. O documento refere-se à desvinculação do Estado Brasileiro da declaração do Consenso de Genebra, um documento assinado por vários países, promovido no governo Trump, e que é contrário ao aborto. O Brasil fez parte da iniciativa no governo Bolsonaro. 

Segundo as pesquisadoras Ana Carolina Marsicano e Tabata Tesser, do ISER, as entidades jurídicas católicas mapeadas agem em grupo contra o avanço de uma agenda de direitos, oferecendo assessoramento e dialogando com atores do campo político. “Elas também participam de instâncias de poder”, diz Ana Carolina Marsicano. “As organizações mapeadas têm como membros juízes, advogados, integrantes do Ministério Público e políticos”, completa. 

Um exemplo dessa participação é a União Brasileira dos Juristas Católicos (UBRAJUC), liderada pela deputada federal e presidente da Frente Parlamentar Mista Contra o Aborto na Câmara, Chris Tonietto (PL-RJ), uma das principais ativistas antiaborto do Congresso Nacional e autora da PL 434/21, um dos projetos que busca a aprovação do Estatuto do Nascituro. 

Chris Tonietto é advogada e uma das principais lideranças antiaborto no Congresso. Ela apresentou ao menos nove projetos de lei sobre o tema entre 2019 e 2020, seus primeiros anos de mandato, segundo levantamento do Cfêmea. Ela é também uma das fundadoras do grupo católico ultraconservador Centro Dom Bosco (CDB), que conseguiu censurar o especial de Natal do grupo de comédia Porta dos Fundos, em 2019, que representava Jesus como homossexual. O programa foi exibido no Netflix.

No dia 10 de agosto, um seminário na Câmara dos Deputados, organizado pela deputada conservadora católica, que também é advogada e presidente da União de Juristas Católicos do Brasil, discutiu a ADPF 442. O título do encontro foi “competência do Legislativo e ativismo judiciário”. Entre os expositores estava o jurista Ives Gandra, um dos membros da Opus Dei, entidade católica ultraconservadora. 

Gandra é um dos principais atores do conservadorismo no meio jurídico brasileiro. Ele também é membro da União dos Juristas Católicos de São Paulo (UJUCASP), que tem em seu estatuto a “defesa da vida desde a concepção” e o estudo do “direito natural”. A filha dele, a jurista Angela Gandra e ex-secretária Nacional da Família do governo Bolsonaro, também estava entre os expositores. 
 
Em manifestações de rua como as Marchas Pela Vida, articuladas pelo Movimento Brasil Sem Aborto, do qual a ex-ministra do governo Bolsonaro, a senadora Damares Alves (Republicanos) foi uma das lideranças, a presença e engajamento dos principais atores antiaborto do Brasil frequntemente envolve católicos e evangélicos.

Desde 2019, a UJUCASP realiza o congresso nacional de juristas católicos, que está na terceira edição. Com uma mesa de palestrantes que discute, além do aborto, assuntos como “ideologia de gênero” e ensino religioso nas escolas, alguns nomes são recorrentes: o jurista Ives Gandra Martins, ao lado dos dois filhos, Angela Gandra e Ives Gandra Filho. 

A família Gandra, de São Paulo, é uma das mais atuantes no campo jurídico conservador. Além de fundador do IBDR e da UJUCASP, Gandra Filho é ministro do Tribunal Superior do Trabalho. Em 2020, ele chegou a ser apontado como um dos favoritos à indicação de Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal. 

Já Angela Gandra, que atualmente integra a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) ao mesmo tempo em que pertence à Comissão de Bioética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Durante sua participação no governo Federal, Angela Gandra formou, junto com Damares, a principal interlocução antiaborto no Executivo. 

Em 2020, Angela Gandra viajou à Polônia, durante um momento crítico da pandemia de Covid-19, a convite de uma instituição conservadora local, a Ordo Iuris. O objetivo era palestrar contra o aborto e representar o Brasil no momento em que o país europeu aumentava restrições ao aborto legal. Dois anos depois, participou da decisão que endureceu a legislação sobre aborto nos Estados Unidos ao ingressar como um dos amicus curiae consultados pela Suprema Corte. 

Outros quatro nomes que participaram do governo Bolsonaro também são membros ativos do Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) de Ives Gandra: Marcel Edvar Simões, que coordenou um Grupo de Trabalho dentro do então Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos (MMFDH), liderado por Damares Alves; Natamy Bossoni, que foi coordenadora-geral em educação e Direitos Humanos; Cândido Barreto Neto, coordenador-geral de Combate ao Trabalho Escravo e Warton de Oliveira, empossado como secretário executivo do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). 

Apesar da forte ação católica, pauta do antiaborto é uma das agendas que protagonizam união entre católicos e evangélicos conservadores na política. Dessa articulação, surgem entidades como o Associação de Direito da Família e Sucessões (ADFAS), da qual participaram nomes comuns na educação e na mídia, como a jurista católica Regina Beatriz Tavares da Silva, que também compõe a Diretoria de Relações Institucionais da União dos Juristas Católicos de São Paulo. 

As entidades e pessoas citadas na reportagem não responderam os questionamentos da reportagem até a publicação. As pesquisadoras do ISER pretendem disponibilizar o mapeamento de entidades e atores jurídicos católicos conservadores brasileiros em uma plataforma aberta, como segunda etapa da pesquisa. Elas também pretendem aprofundar o mapeamento dentro dos próprios processos judiciais que se encaixam “em uma estratégia internacional de transnacionalidade deste associativismo jurídico”.

Fonte: https://apublica.org/2023/09/entidades-juridicas-catolicas-atuam-em-rede-para-barrar-o-aborto-no-brasil-diz-pesquisa/

Dez xamãs contra Neymar

Com espadas, amuletos e um boneco de pano, dez xamãs peruanos realizaram, nesta segunda-feira (11), um ritual para “neutralizar” o atacante Neymar. O craque vai liderar a Seleção Brasileira contra o Peru às 23h (de Brasília) desta terça-feira (12), em Lima, pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2026.

Ao tom de trajes coloridos feitos de lã, os dez indígenas das montanhas, da selva e do litoral do Peru, rezaram o ‘Tayta Inti’ (Pai Sol) e lançaram feitiços a favor da seleção do país. Um colorido altar foi erguido ao lado do Estádio Nacional de Lima com amuletos, espadas, bandeiras e fotografias dos jogadores de ambas as seleções.

“Neutralizamos Neymar amarrando seus pés. Nós o amarramos para que ele não tenha físico, não corra e não jogue bem”, disse à AFP o xamã Félix Rondán. “Fizemos um ritual especial para que sua mente fique turva e não possa alcançar o que está buscando, que são os gols”, declarou o xamã Walter Alarcón, enquanto faz um feitiço para anular a eficácia do inimigo.

Os xamãs usaram um boneco de pano marrom sobre uma foto de Neymar, amarrando sua perna esquerda e colocando uma espada sobre a direita. Foi colocado, também, plantas com espinhos e conchas do mar nas fotografias de Richarlison, Casemiro e do técnico Fernando Diniz.

“O Peru vai ter um resultado favorável, vemos um empate. O jogo será difícil”, disse Alarcón. “Fizemos o ritual prévio tomando ayahuasca”, acrescentou o xamã. A ayahuasca é uma bebida tradicional da Amazônia, extraída de um cipó de mesmo nome, também conhecido como “corda dos espíritos”, que produz efeitos alucinógenos.

O Brasil lidera as Eliminatórias com 3 pontos (+4 gols de saldo) seguido por Uruguai e Argentina. O Peru soma um ponto após empatar com o Paraguai na primeira rodada.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/brasil-x-peru-xamas-peruanos-fazem-ritual-e-lancam-feitico-para-neutralizar-neymar/

Nota: esforço desperdiçado. Neymar tem se  estragado por ele mesmo.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

O bastão para o cego

Eu achei um texto de Adam Lee que afirma que Deus é um porrete.

Adam Lee diz:
"É por isso que defendo que, embora existam pessoas boas que são religiosas, não é a sua religião que as torna melhores. Você nunca precisa que Deus justifique por que você deveria ser mais gentil com seus semelhantes. Você nunca precisa de um livro sagrado ou de um sacerdócio para explicar por que deveria ser justo, por que deveria ser compassivo, por que deveria ser empático. Tudo o que precisamos para fundamentar a moralidade é o simples princípio da reciprocidade, cujo sentido até uma criança pode perceber.

Por outro lado, você precisa que Deus justifique por que você deveria tratar os outros pior . A crença em Deus é como um lençol que você pode jogar sobre todos os tipos de atrocidades para cobri-las com um disfarce de santidade. Oferece justificativas ilimitadas para a crueldade: é para o bem final da vítima na vida após a morte; é um castigo merecido pelo pecado, e todos são pecadores; e por último mas não menos importante, porque Deus disse isso, e Deus é inefável e sua vontade não pode ser questionada.

É por isso que digo que Deus é um bastão que as pessoas usam para bater nos outros. Deus é o porrete que garante que a moralidade não precisa de razão, nem de lógica, nem de coração. Afirmar que Deus está do lado do poder dominante confere um manto de autoridade sobrenatural que sustenta as suas leis, por mais desumanas ou mal concebidas que sejam."

O ateu tem o péssimo hábito de reduzir a religião ao Cristianismo, o conceito dele de Deus é o cristão. Sim, a história do Cristianismo mostra que coisas horríveis foram feitas em nome de Deus. Eu estendo essa violência às outras formas da religião abraãmica e ao monoteísmo. Mas esta é uma alegação feita pelos homens, os Deuses não deram ordem alguma para quem quer que seja fazer algo. Em um sentido teológico (pagão) tudo que existe procede da vontade dos Deuses.
Nós podemos achar errado, injusto, absurdo, mas os Deuses seguem leis universais, não leis humanas, limitadas, falíveis e dúbias.
Por definição, o ateu não acredita na existência de Deus, então é um paradoxo e uma contradição culpar Deus pela dor e sofrimento inerente ao existir ou culpar pelos atos cometidos por homens alegando estarem agindo em nome de Deus.
O ateu sustenta sua descrença nos Deuses por que não há evidência. Ora, a moral (e a reciprocidade faz parte de nossos valores morais) também não tem evidência de existência, então eu pergunto ao ateu por que acredita na moral. Até agora, não teve um ateu (padre/pastor) que tenha conseguido responder minhas perguntas.
Adam esquece que todos os nossos valores morais (assim como a linguagem, as leis, a arte e a ciência) vieram dos povos antigos, todos religiosos. E a nossa história mostra que esses valores nem sempre são observados, nós encontramos (inventamos) justificativas para nossas ações mesquinhas e egoístas.
Por exemplo, um pedaço de pau pode ser um porrete para bater e quebrar, mas pode ser o bastão que conduz o cego. O problema não está na ferramenta, mas no ferramenteiro.
Nossa espécie caminha para a extinção por nossas mãos. A natureza vai permanecer. Enquanto a Terra não for engolida pelo Sol.
Foi o sentimento religioso, a expectativa de sermos tratados pelos Deuses como tratamos nossos semelhantes, que nós aperfeiçoamos nossa moral. Não foi pela ciência. Não foi pelo Humanismo. Não foi pela Razão.
Somente o divino (que existe dentro de nós) pode nos tornar melhor do que somos.

sábado, 9 de setembro de 2023

Jiu jitsu social

A nutricionista e modelo fitness Katiuska Glesse viralizou nas redes sociais após ser flagrada imobilizando suposto assaltante em Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Foz do Iguaçu (PR) enquanto estava sem calcinha. O caso aconteceu nesta quarta (7) e ela posteriormente se manifestou sobre o episódio.

Katiuska já foi representante do estado de Alagoas no concurso Miss Bumbum e chegou a ser finalista da disputa pelo título. Ela também foi atleta de fisiculturismo e foi campeã de uma série de competições nacionais na modalidade em 2014.

A modelo teve que encerrar sua carreira no esporte após sofrer lesões gravíssimas no joelho e sofrer um derrame arterial na perna por conta de violência doméstica. Katiuska também foi DJ de música eletrônica por quatro anos e participou do reality show Casa Bonita, do Multishow.

Quando o vídeo se tornou viral, ela foi ás redes sociais rebater as críticas de internautas e disse que não estava “querendo fama”. “Fiz curso de Direito, trabalhei no governo do Paraná e até na Polícia Civil. Não estou aqui querendo fama, isso eu já tive, já participei de reality”, afirmou.

A briga com o homem foi registrada por testemunhas que estavam no local. Apesar de imobilizar o suposto assaltante com um golpe, ela diz que não é faixa preta no jiu-jitsu, mas tem “todas as modalidades do judô, faixa marrom”.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nutricionista-modelo-e-ex-atleta-quem-e-a-mulher-que-sem-calcinha-imobilizou-homem-no-pr

Nota: do jeito que a coisa anda, é bem possível que o coitado (sortudo?) seja acusado de assédio sexual.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Sem assombrações

Um 7 de setembro quase invisível, que cumprisse carnê e transmitisse apenas uma ideia e uma mensagem de volta à normalidade. É o que seria ideal para o momento.

Um 7 de Setembro sem protagonismo, sem exageros cívicos, sem patriotadas e sem discursos grandiloquentes

Que seja um 7 de Setembro para apagar a imagem do véio da Havan correndo no meio da rua em Brasília e acenando para o povo, como se fosse uma assombração verde-amarela, como aconteceu no ano passado.

Que faça o Brasil esquecer a cena que envergonhou a todos, daqueles tanques barulhentos e fumegantes como Chevettes velhos, do desfile de 2021.

Que arrede os militares para seus compartimentos e tire os generais da boca de cena.

Que nenhum fotógrafo metido a engraçadinho faça aquela foto manjada como se Lula estivesse com o quepe de um milico que está encoberto ao fundo.

Que Lula diga que o 7 de Setembro é do povo como o céu é das pandorgas e que a partir de agora será sempre assim, uma festa com nada além dos seus significados históricos.

E que todos os que estiverem predispostos a esculhambar com o 7 de Setembro saibam que tudo o que eles fizeram antes nessa linha não deu certo por burrice combinada com ignorância e incompetência, o que no fim é tudo a mesma coisa.

Que os brasileiros comecem a se acostumar com a ideia de que a bandeira será resgatada pelos democratas.

Que os ainda constrangidos comecem usando bandeirinhas pequenas no escritório, até o dia em que as bandeiras de grande porte serão incorporadas às grandes manifestações antifascistas.

Fonte: https://www.blogdomoisesmendes.com.br/51096-2/

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Matem todos

Por ordem do papa Inocêncio III e com o apoio do Rei Filipe II de França, a Cruzada Albigense matou milhares de pessoas, incluindo as católicas.

Autora: ROSA RUBOCONDIOR, pseudônimo
escritora, blogueira, bióloga, analista de dados e atéia.

Uma das muitas lembranças brutais da história brutal e sangrenta do cristianismo pode ser encontrada na história da cidade francesa de Béziers, às margens do rio Orb, na região de Languedoc, a sudeste de Montpellier, na orla da Camargue.

Parte no sul de Toulouse, a região esteve sob o controle de gregos, romanos, visigodos, muçulmanos mouros da Andaluzia, da Espanha católica e, mais tarde, da França católica.

Até recentemente, a língua local era um dialeto do francês, o occitano, que tem ligações estreitas com o catalão. Isto deu-lhe uma sensação de identidade separada da de França – algo que preocupou o rei Filipe II (1527 - 1598), ansioso por exercer sobre as províncias do Sul o mesmo controle que exercia sobre o Norte.

Béziers é hoje uma pequena cidade mercantil e centro cultural pacífica, mas nem sempre foi assim. Foi, até 1209, um reduto dos cátaros, uma seita religiosa que rejeitava o catolicismo romano e a autoridade do papa, que foi brutalmente reprimida na 'Cruzada Albigense' por ordem do papa Inocêncio III em aliança com o Rei Filipe II de França.

Recém-saídos do sucesso em sitiar e depois massacrar os habitantes de Carcassonne, os cruzados mudaram-se para outras cidades da região, incluindo Béziers.

O Cerco de Béziers foi um evento crucial e infame durante a Cruzada Albigense em 1209. Béziers era uma cidade próspera na região de Languedoc, no Sul da França, conhecida por sua grande população cátara.

Os cruzados católicos, liderados por Simão de Montfort e sob a autoridade do papa Inocêncio III, procuraram capturar a cidade e eliminar a heresia cátara. Aqui está um relato detalhado do Cerco de Béziers:

Em 1208, o papa declarou uma cruzada formal contra os cátaros, rotulando-os de hereges. Simon de Montfort foi nomeado líder da cruzada e iniciou sua campanha para subjugar o reduto cátaro de Béziers, que era um dos principais centros do catarismo no Languedoc.

O cerco de Béziers começou em julho de 1209, com os cruzados cercando a cidade e lançando um forte ataque. As defesas da cidade eram formidáveis, mas o grande número de defensores e civis dentro das muralhas colocava pressão sobre os recursos limitados e o abastecimento de água.

À medida que o cerco continuava, os cruzados pediram a rendição da cidade e ofereceram termos para poupar a vida dos habitantes. A resposta dos líderes da cidade foi uma recusa em entregar os cátaros dentro dos seus muros, afirmando que não trairiam o seu próprio.

Em 22 de julho de 1209, os cruzados romperam as defesas da cidade e atacaram Béziers. A situação rapidamente se transformou em caos e violência. Segundo relatos históricos, os cruzados desencadearam um ataque brutal à cidade, sem poupar ninguém no processo.

Fontes relatam que, quando questionados sobre como distinguir os cátaros dos católicos, o abade Arnaud Amalric, no comando da Cruzada, afirmou: “Mate todos eles, Deus conhecerá os seus”.

O resultado foi um banho de sangue, com milhares de pessoas massacradas, independentemente da sua filiação religiosa.

A queda de Béziers teve um impacto profundo no curso da Cruzada Albigense. Enviou uma mensagem poderosa a outras vilas e cidades da região, levando muitos a se renderem sem lutar para evitar um destino semelhante.

Fonte: https://www.paulopes.com.br/2023/09/matem-todos-porque-o-senhor-conhece.html

domingo, 3 de setembro de 2023

Pelo fim da escola dominical

Uma organização ateísta de destaque está exigindo que os distritos escolares de Ohio, nos EUA, impeçam a realização de um estudo bíblico fora das instalações escolares, no qual os alunos possam participar durante o horário escolar.

Em uma carta enviada na terça-feira para aproximadamente 600 escolas públicas em todo o estado, a Freedom From Religion Foundation, sediada em Wisconsin, criticou os distritos escolares por terem aprovado um programa de estudo bíblico temporário conduzido pelo ministério LifeWise Academy de Ohio.

“O programa de horário liberado envolve uma escola pública que permite que os alunos frequentem instrução religiosa durante o horário escolar, desde que seja fora do campus e não seja endossado diretamente pela própria escola”, escreveu Gaylor.

A advogada associada à FFRF, Samantha Lawrence, afirmou que a legislação de Ohio "não exige permitir esta interrupção no dia escolar" e encorajou as escolas que talvez estejam permitindo que os alunos participem dos estudos da LifeWise Academy a “reconsiderarem esta política”.

A jurista continuou argumentando que o propósito da LifeWise Academy é “doutrinar e converter estudantes de escolas públicas ao cristianismo evangélico, convencendo os distritos de escolas públicas a fazerem parceria com eles para levar aulas bíblicas em horário liberado da LifeWise para comunidades de escolas públicas”.

“A FFRF recebeu várias reclamações de famílias em diferentes distritos escolares, alegando que os alunos que não frequentavam recebiam trabalho intenso, ou nenhum trabalho, como consequência de permanecerem atrasados durante as aulas do horário liberado”, afirmou Lawrence.

Um representante da LifeWise Academy, por outro lado, expressou gratidão à FFRF pelo aumento de visibilidade gratuito que a organização está recebendo.

Em uma declaração ao The Christian Post, o porta-voz do ministério disse: “Nosso maior obstáculo é que as pessoas não saibam sobre a incrível oportunidade que a LifeWise oferece aos estudantes, por isso agradecemos que a FFRF invista seus recursos para ajudar a espalhar a palavra”.

“Eles fizeram um trabalho maravilhoso ao apontar a instrução religiosa nos horários livres como uma opção totalmente legal para escolas e famílias”, disse o porta-voz sobre a FFRF.

“Confiamos nos funcionários das escolas e nos pais para tomarem boas decisões educativas para as suas comunidades sem serem intimidados pelos esforços de ativistas externos.”

Em entrevista à Faithwire, o fundador da LifeWise Academy, Joel Penton, conversou sobre a legalidade do programa baseado na fé.

“Fomos inspirados por um programa que começou na minha cidade natal em 2012”, disse ele. “As pessoas da minha cidade iniciaram o que é conhecido como programa de instrução religiosa Released Time. Muito poucas pessoas sabem que, em 1952, o Supremo Tribunal decidiu que os alunos das escolas públicas podem ser dispensados da escola pública durante o horário escolar para frequentarem aulas religiosas.”

Penton estava se referindo à decisão de 6-3 da Suprema Corte dos EUA no caso Zorach v. Clauson, quando os juízes determinaram que programas liberados por tempo são constitucionais e permitidos.

Nota: excelente ideia. Como a página é direcionada aos evanjegues, a publicação dessa notícia pode ser considerada como um tiro no pé.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Pasternak é picaretagem

Autor: Paulo Ghiraldelli

Não existe ciência baseada em evidências quando se trata de ciências empíricas. Existe busca de objetividade, em função de eficácia. O que tratamos como “é evidente” é do campo lógico. Não do campo empírico. Posso dizer “Todo homem solteiro é um homem não casado” e receber então uma exclamação: “é evidente!”. Posso dizer “Vitamina C melhora a pessoa com gripe”, e ninguém vai dizer que isso é evidente. Evidência é algo claro e distinto, diria Descartes. Mas os enunciados referentes às ciências empíricas, são sempre inferências, diria Hume.

Assim, nas ciências empíricas, como o caso da ciência da medicina, ou da psicanálise, tenho graus de objetividade, não tenho evidência de nada. Tentar exigir evidência de práticas baseadas em ciências naturais é confundir tudo. A objetividade da ciência é dada a partir de um modelo que, por meio do cálculo matemático e da observação com método, tenta reproduzir o real tendo por critério a eficácia. A construção do modelo, nos ensinou Heidegger, é onde impera o sujeito, a subjetividade, e portanto a objetividade que conseguimos já está impregnada pelo olhar humano, suas limitações, sua expectativa sobre eficácia.

A ciência médica, no entanto, é ainda mais complexa: ela depende da objetividade da ANVISA, da sabedoria do protocolo do Conselho Federal de Medicina e, principalmente, da literatura médica, sempre acrescida da experiência ou vivência médica. Nada disso tem critério de evidência, só de objetividade, e essa objetividade é mitigada, pois é dada por modelos que não são feitos pela lógica, muito menos pelo Olho de Deus. São perspectivas que alimentam a ciência médica, o comportamento médico por inteiro, incomensurável pela régua do laboratório. E mesmo que fosse comensurável pelo procedimento laboratorial, ainda assim, seria algo a ser visto como tendo graus de objetividade segundo a eficácia histórica, datada. Não seria nada evidente.

A psicanálise, por sua vez, ainda que oriente a parte da prática da psiquiatria, não tem qualquer intenção de ser ciência, por qualquer critério atual do que se diz que é ciência. Ela é uma das narrativas pelas quais tentamos nos conhecer, traçar descrições de nós mesmos. Como o marxismo e outras grandes filosofias. Mas a psicanálise pode estar integrada, sim, em práticas médicas. Como ocorre no campo psiquiátrico. E quando o médico olha o conjunto de sua vida, ele sabe que ele ajudou muita gente a se livrar da dor.

Fonte: https://ghiraldelli.online/2023/08/08/nao-existe-a-tal-ciencia-baseada-em-evidencias-pasternak-e-so-picaretagem/