sábado, 14 de julho de 2007

Pentagrama invertido

Entre os símbolos usados no Paganismo em geral, Witchcraft e Wicca, o mais usado e portado como pingente da moda é o Pentagrama, usado inclusive por evangélicos por conta de ter sido o símbolo usado pelo Rei Salomão. O engraçado é ver algumas páginas de denúncias por certos setores evangélicos contra o Paganismo, Witchcraft e Wicca por usar o Pentagrama, atribuindo ao mesmo um conceito satânico, dando como evidência o uso deste símbolo invertido pelos seguidores da Mão Esquerda, da Bruxaria Negra e as muitas formas de Satanismo. Mas estes críticos se perguntaram de onde veio tal uso e símbolo? Isso me conduz ao Rei Salomão, o próprio, que usou o Pentagrama, como o Rei Davi usou o Hexagrama. A fonte mais usada para tal afirmação é o livro chamado As Chaves do Rei Salomão (muito embora eu duvido que algum evangélico tenha tal conhecimento ou lido tal livro), um dos muitos livros de Magia e Bruxaria que apareceram entre os séculos XII ao XVIII, na Europa. O livro, em si, é uma coletânea de magia cerimonial, traduzido de um pergaminho usado em templos ou pesquisado entre os Judeus, traduzido e misturado com os conceitos e pensamentos cristãos da época. Para quem afirma que a Bruxaria é uma invenção moderna, fica difícil explicar a existência de tanta atividade e literatura sobre o assunto em plena Idade Média, quando a Igreja Católica dominava absoluta. Nesse sentido, apesar da evidente presença da doutrina Católica, é possível perceber um padrão em comum entre os diversos tipos de “grimórios” em uso e passado clandestinamente, inclusive entre a aristocracia e clero europeus. Em retirando toda essa tendência judaica-cristã dos livros, ao leitor atento e praticante da Bruxaria Tradicional ou estudante de sua herdeira, a Wicca (mesmo a um pagão genérico), fica um fundo de práticas e credos em comum por toda a Europa, com referências e mitos que podem ser rastreados através de povos, culturas e épocas que remontam até o Neolítico. Mas, enfim, como uma prática e credo que começou a ser sistematizada e registrada desde os sumérios vieram parar entre os Hebreus e ser usado por um rei tido como santo do Povo de Deus (Yahvé)? O que muitos evangélicos usam e debatem se é lícito ou não usar, por falta de conhecimento, é facilmente explicável ao vermos em uma perspectiva mais ampla a história do Oriente Médio e dos Hebreus. O Oriente Médio, assim como a Europa, foi habitada por diversos povos politeístas (Hebreus inclusos), que herdaram principalmente dos sumérios o culto aos Deuses Antigos e uma adoração a um Deus e uma Deusa. Entre os Persas, Zoroaster fez uma reforma dentro de um culto politeísta semelhante, mas dando ao culto uma direção monoteísta, numa época em que a Pérsia dominava o Oriente Médio (Hebreus inclusos). Quando os Israelitas foram libertos dos babilônicos e lhes dado a permissão para voltar à sua Terra Sagrada (a mesma que está em litígio hoje em dia), os sacerdotes dos templos de Yahvé, para manter seu poder e influência, começaram a escrever o livro sagrado dos Judeus, juntamente com a construção do Segundo Templo, uma tentativa de restaurar o Templo de Salomão. Ou seja, eles teriam um enorme problema em explicar como e porque o rei Salomão usava símbolos e figuras de uma religião antiga, a mesma que os muitos povos do Oriente Médio professavam (com algumas diferenças, da mesma forma que na Europa e a Witchcraft). Ou seja, o rei Salomão usou o pentagrama e tantos outros símbolos e imagens porque ele mesmo era um seguidor dos Mistérios Antigos! Ao conhecer o passado e história dos Hebreus, fica fácil entender porque viviam fazendo cultos em bosques, em morros, fazendo oferendas e libações à Rainha do Céu, bem como o uso de figuras, estátuas e diversos tipos de adornos em seus templos. Um fato que é escondido e negado pelos pastores, volta e meia eu vejo a mesma pergunta simplória do porque do uso de imagens se isto é “proibido pela palavra de Deus na bíblia” (sendo que esta obra tem potencial para discussões infindas). Então, o rei Salomão foi um iniciado nos Mistérios Antigos, como o foi igualmente Pitágoras, o principal nome entre matemáticos e ordens esotéricas como sendo o teórico que usou publicamente o Pentagrama para sua escola. Mas este símbolo era usado desde o tempo dos Caldeus para simbolizar o planeta Vênus, bem como a manifestação da Deusa, conhecida por mil nomes, sendo a natureza uma manifestação mais concreta da mesma, por cinco Elementos: Terra, Água, Fogo, Ar e Espírito, que perfazem os ângulos do Pentagrama, sendo considerada a ponta mais acima a atribuída ao Elemento Espírito, o que muitos acabam interpretando como sendo o Espírito “superior” aos demais elementos, no que os satanistas então acham que estão “invertendo” a relação, colocando o Pentagrama em sentido invertido (querendo simbolizar o domínio da Matéria sobre o Espírito). Essa relação espacial de que o que está em cima é superior ou dominante pode ser vista em muitas imagens católicas, onde o Santo pisa o Diabo, como também pode ser visto na estátua de Shiva sobre um demônio. Isso não faz o menor sentido, em termos espirituais, uma vez que “em cima” ou “em baixo” são referenciais humanos e terrenos. Para dar uma visão melhor deste simbolismo, eu gostaria de lembrar os muitos mitos em que o herói tem que superar ou vencer um animal (seu próprio ego material) para poder realizar uma missão. Entretanto o herói não pode matar o animal, senão mataria parte de si mesmo, tornando impossível de cumprir seu destino, levando o herói a assimilar, aceitar seu lado animal, dando ao herói os poderes mágicos necessários para terminar sua saga. Ou seja, Shiva não está “pisando” o demônio, mas sendo escorado por ele, dando a Shiva a base necessária para que Shiva seja Deus. A Matéria não está em confronto com o Espírito, nem está em sujeição, como querem muitos teóricos. Quando na cerimônia Wicca se usa o Pentagrama, é nesse sentido de que o Espírito age em harmonia com a Matéria: com uma ponta para cima, é a Matéria se manifestando no Espírito, com a ponta para baixo, é o Espírito se manifestando na Matéria. Onde há conflito, não há crescimento.

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